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O higienismo da prefeitura de Duque de Caxias (RJ)

Exclusão Obra higienista da prefeitura desfigurou obra de Niemeyer. Foto: Cléber Júnior/ Agência O Globo

Na última semana, os moradores de Duque de Caxias, cidade localizada na baixada Fluminense do Rio de Janeiro, foram surpreendidos por um muro levantado abaixo da rampa de acesso ao teatro Raul Cortez, no centro da cidade. Esse local abriga diversas pessoas que não têm onde morar.

Por Nathália Alcáçova

RIO DE JANEIRO – O prefeito da cidade, Washington Reis, o mesmo que aglomera a população na estação de trem para vacinar e que disse que a cura da COVID viria das igrejas, escolheu construir um muro para remover moradores de rua ao invés de usar os tijolos para construir habitações dignas para essas pessoas.

O teatro em questão foi projetado pelo arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer e, segundo a prefeitura, a obra seria para terminar a obra do arquiteto. As pessoas em situação de rua que se abrigam na área também são constantemente reprimidas pela guarda municipal.

O prédio está em seu 15º aniversário e a suposta obra acontece em um momento em que mais de 14 milhões de brasileiros se encontram desempregados e cada vez mais sem condições materiais para pagar aluguel. O higienismo empregado na construção é uma clara forma de excluir esses grupos sociais da cidade.

População caxiense exige fim da exclusão

De fato, o perfil desses moradores é cada vez mais jovem. Muitos deles procuram emprego diariamente. O Jornal A Verdade, em uma de suas brigadas nacionais, conversou com alguns moradores da área em que o muro foi levantado, que se interessaram e compraram o jornal.

A população da cidade exige uma retratação da prefeitura, além de uma política habitacional para que nenhum cidadão tenha que morar nas ruas. A higienização urbana carrega uma grande carga de repressão social, tratando pessoas em situação de rua enquanto problemas que devem ser “eliminados”

A solução dos problemas sociais de Duque de Caxias passa por melhorias das condições de vida da população, através da garantia de moradia digna, destinação dos imóveis abandonados para resolver o déficit habitacional da cidade e a realização de uma profunda reforma urbana.

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