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ENEM de 2021: censuras, perseguição de servidores e exclusão da população mais pobre

Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

Matheus Portela, Salvador-BA.

A edição do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2021 teve início neste domingo (21). Dados demonstram que a edição deste ano será a mais elitista, mais branca e com menor taxa de adesão dos últimos 14 anos. O número de inscritos deste ano é pouco mais de 3,1 milhões, quase metade das inscrições de 2020, quando vivíamos o pico da pandemia de COVID-19, com muito mais apreensões, e ainda sem vacina. 

A queda do número de inscritos nessa edição é reflexo das decisões políticas de sucateamento do ensino público e aparelhamento ideológico do governo Bolsonaro. De acordo com os dados referente aos inscritos, essa redução demonstra a política eugenista do governo de Bolsonaro, que aprofunda a exclusão de estudantes negros e pobres. Segundo a pesquisa realizada pelo Semesp (Sindicato das Mantenedoras de Ensino Superior), apenas 11,7% dos candidatos deste ano são pretos, a menor proporção dos últimos 11 anos. A redução também é preocupante entre os estudantes mais pobres. Houve uma diminuição de 77% de inscritos com isenção da taxa por declaração de carência em relação a 2020. Além disso, o governo de Bolsonaro retirou a isenção de taxa de quem faltou na última edição da prova, que obteve recorde negativo de abstenção, o índice ficou em 55,3%. 

Ademais, servidores do Inep relatam perseguição, intimidação e censura realizada por parte da atual gestão do órgão por conta de questões da prova do ENEM. Dezenas de funcionários pediram exoneração de seus cargos, alegando fragilidade administrativa da gestão. Os funcionários concederam uma entrevista ao programa Fantástico, da Rede Globo de Televisão, neste domingo (14), nessa entrevista denunciaram interferências e censuras nas questões da prova, principalmente naquelas referentes a conteúdos sociais da realidade brasileira. Em procedimento nunca realizado em edições anteriores, o Inep passou a imprimir a prova previamente para que o exame pudesse ser avaliado por mais pessoas antes que fosse realizada sua aplicação. Segundo as denúncias dos ex-funcionários, foram censuradas 24 questões após uma suposta “leitura crítica”, por serem consideradas de conteúdo sensível.

Porém, segundo Jair Messias Bolsonaro as provas do ENEM estão começando “a ter a cara do governo”.  Ainda de acordo com o capitão expulso do exército, as provas antigas possuíam questões e temas de redação que “não tinham nada a ver com nada”, e a edição deste ano será “voltada para o aprendizado”. Não obstante, Bolsonaro solicitou que o ministro da Educação, Milton Ribeiro, alterasse as questões que mencionam o Golpe Militar de 1964 por “revolução”.  

De fato, o ENEM deste ano aparenta a cara do governo Bolsonaro. Um governo fascista, genocida, que está preocupado em favorecer as elites burguesas e pouco se importa com a população mais pobre do país. O ENEM é a principal prova para os estudantes secundaristas acessarem o ensino superior no Brasil, e o principal meio de ingresso das Universidades Públicas. Portanto, fica evidente que essa é mais uma estratégia do governo para sucatear e atacar as universidades públicas, além de promover a exclusão de estudantes pretos, pardos, indígenas, quilombolas e de classe baixa, mantendo e avançando uma política de segregação social e racial.

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