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sexta-feira, 30 de setembro de 2022

Escola Sesc demite 33 professores no Rio de Janeiro

Professores e estudantes se mobilizam contra demissões. Foto: Arthur Bertoni

Ao todo, 33 professores foram demitidos da Instituição Sesc de Ensino Médio. Estudantes e docentes denunciam a situação como um projeto para desmontar a escola e aprofundar a perseguição contra profissionais da educação.

Kaillany Victória

RIO DE JANEIRO (RJ) Estudantes da Escola Sesc estão lidando com o desmonte brutal da escola. A instituição, em resposta ao exercício democrático de manifestação, demitiu um total de 33 professores.

Alguns desses que perderam seus empregos exerciam a profissão desde a fundação da escola. Muitos se dedicavam integralmente para a instituição, todos com família, histórias e o sonho de levar esse projeto para além das salas de aula. 

Em comparação com o ano de 2019, a quantidade de vagas para alunos do Sesc de todo o Brasil diminuiu quase pela metade em 2021. Em 2025, a escola será exclusivamente de alunos externos, o que significa uma perda ainda maior do seu propósito. 

Em um vídeo compartilhado na internet, um professor relatou: “A gente tá lutando para que esse projeto continue, para que tenhamos mais alunos sonhando. Estamos lutando pela oportunidade de continuar sonhando com esse projeto. Para que mais alunos possam vivenciar isso.”

A Escola Sesc de Ensino Médio foi fundada em 2008, com a missão de formar jovens brasileiros para autonomia intelectual, criatividade e compromisso social. A destruição desse projeto de educação serve aos interesses de quem quer ver a juventude longe do pensamento crítico e do conhecimento. 

Estudantes e ex-alunos protestam contra demissões

Foi realizado um ato de resposta para as demissões em massa, que expuseram a insensibilidade dessa nova direção em uma tentativa falha de silenciar a comunidade escolar. 

Alunos, egressos, professores, junto com a AERJ (Associação dos Estudantes Secundaristas do Rio de Janeiro) foram manifestar sua insatisfação na porta da CNC (Confederação Nacional do Comércio) no último dia 10. A luta unificada entre o estudante e o trabalhador foi demonstrada com muitas palavras de ordem puxadas pelos manifestantes.

O jornal A Verdade entrevistou Dandara, egressa da turma 2009-201, que realizou um depoimento emocionante sobre o desmonte: “Eu sou carioca, e estudava com bolsa em uma escola particular aqui no Rio de Janeiro. Como na maioria das escolas particulares, esse também era um ambiente majoritariamente branco, e as pessoas tinham uma tendência de se aproximar dos seus semelhantes, sendo assim, eu sempre estava à margem de tudo. A escola atendia em sua maioria, pessoas de classes sociais mais baixas, e dava para essas pessoas a oportunidade de ir pela primeira vez a um teatro, assistir uma orquestra, usufruir do acervo incrível da biblioteca, e tudo isso dentro do seu campus. Esse desmonte me afeta porque ele impacta nas gerações que podem vir depois, porque eu sei que o que a gente faz agora, e que em breve vai virar passado, altera o futuro desses outros milhares de jovens que podem ter seu destino traçado pela nossa luta hoje.”

Projeto de destruição da educação serve interesse dos ricos

Em nota de esclarecimento, o Sesc evidenciou que a Escola Sesc de Ensino Médio não irá acabar. Entretanto, não compreende que com a retirada dos direitos e demissões em massa a escola fica desmontada. 

O regime de escola-residência é um fator que democratiza o acesso à educação na sociedade brasileira. Por isso, quando um aluno ou aluna passa pelo processo seletivo, não é apenas um indivíduo que é beneficiado. Esse é um acréscimo intelectual para toda a sua família, esses filhos e filhas de trabalhadores.

“Era uma vez um sonho. Ousamos sonhar juntos. Um sonho para jovens de todo o Brasil receberem uma educação de qualidade, humanista, que os preparasse para o mundo do trabalho e para sua formação enquanto cidadãos e sujeitos sensíveis, críticos e reflexivos.” Disseram os professores do Sesc na sua Carta de Manifesto contra a demissão.

Os professores que se posicionavam de forma crítica são o medo de uma elite fragilizada pelo conhecimento chegando em pessoas pobres. O conhecimento é uma arma contra eles, por isso é sucateado. Dessa forma, o filho do proletariado não deve ter o poder de criticar o sistema.

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