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domingo, 25 de setembro de 2022

Ataque a indígenas e o suporte do Estado ao terrorismo latifundiário

Foto Reprodução

No inicio de dezembro de 2021, a aldeia Kuaray Oua, da Terra Indígena Tenondé Porã, foi vítima de um ataque armado com suporte das forças do Estado.

Roger Soares Ramos


.Os povos Guaranis, de etnia indígena, outrora foram o maior povo nativo no território em que hoje é o Brasil, com aldeias do Mato Grosso do Sul até o Rio Grande do Sul, resistindo até os dias de hoje, não apenas no Brasil, mas também na Bolívia,  Argentina e no Paraguai. Esse povo que já foi o mais numeroso dessas regiões são constituídos hoje por cerca de 59 mil indígenas Guaranis no Brasil, sendo, desde a colonização, caçados pelo Estado, a exemplo das ações dos bandeirantes (que até os dias de hoje são homenageados pela direita e grupos reacionários e vistos como heróis pelos mesmos por assassinar indígenas desarmados), ou ainda as ações terroristas dos militares que atuaram contra os indígenas na época da ditadura militar, muitos foram torturados e mortos, relatam ainda que os militares os proibiam de usar o próprio idioma, na tentativa de apagar a cultura Guarani. 

Os aldeões denunciaram que cerca de 8 homens, com armamento que variava de revólveres e escopetas, invadiram a aldeia ainda nas primeiras semanas de dezembro, e mantendo mais 8 homens distribuídos nas caminhonetes usadas por eles. Durante a invasão à terra indígena, tal grupo armado destruiu as moradias construídas pelos indígenas, roubaram o estoque de material dos mesmos que viria a ser usado para a construção de mais moradias na aldeia, dispararam na direção da aldeia, afim de intimidar os residentes desarmados que lá habitam, e alegavam que aquelas terras pertenciam a um latifundiário da região, ameaçando matar a todos, inclusive mulheres e crianças, caso não abandonassem o local até a volta dos mesmos. 

A polícia foi acionada assim que os terroristas foram embora e afirmou tê-los interceptado, no entanto negaram ter encontrado qualquer armamento com os mesmos, os liberando em seguida. Polícias militares, inclusive, acompanhavam alguns destes mesmos homens quando, em menor grupo, retornaram para fotografar a aldeia, além de aterrorizar ainda mais os indígenas, mostrando que aquele grupo, além de armado, tinha o apoio (oficial ou não) do Estado, além da intenção implícita das fotografias da região, que nada pretendiam, senão o estudo militar do terreno, e com esse fato evidente para todos, a disseminação ainda maior do pânico naquela aldeia.

Os indígenas relatam passar todas as noites apreensivos, sabendo que aquele grupo, que não pode ser entendido como outra coisa senão terrorista, pode vir a atacá-los novamente, e pior ainda, as forças policiais demonstraram cooperar com esse grupo e com o latifundiário responsável por tais ataques, demonstrando mais uma vez que tudo o que importa para esse Estado é o dinheiro, não importando quantos hectares sejam desmatados, ou quantas pessoas, incluindo crianças, tenham que morrer para isso.

Tais ataques ocorrem por grupos que lucram com o desmatamento, a exemplo de fazendeiros e mineradores, isto é, grupos que, por interesse exclusivamente financeiro, desmatam, destroem e assassinam. Já o Estado burguês, por ter o objetivo claro de favorecer tais grupos, por ser financeiramente interessante para ambos, acobertar e até mesmo prestam suporte para ações violentas contra os que não favorecem o capital, como os indígenas, mas também contra a população da periferia. É claro o intuito de manter a dominação dos povos para fins econômicos dos latifundiários e ricos do exterior, e para pôr fim a essa exploração e injustiça precisamos do maior número de pessoas organizadas para combater, não só estes grupos como também toda a estrutura social que perpetua a desigualdade, a injustiça e a miséria, como vemos em nosso país. Precisamos, pois, de uma revolução popular, socialista, contra o Estado burguês, contra os latifundiários  e contra o capital.

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