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segunda-feira, 28 de novembro de 2022

Carolina Maria de Jesus e a educação das crianças brasileiras

Carolina Maria de Jesus contava em seus diários a vida do povo pobre e trabalhador. Colagem: Jean Torres

Jean Torres e Isabelle Guimarães


Na última segunda-feira (14) comemorou-se os 108 anos de Carolina Maria de Jesus, mulher preta e periférica que é considerada uma das maiores escritoras do país, com a sua obra mais conhecida intitulada “Quarto de despejo” ganhou espaço na academia após sua morte e a obra também serve como ferramenta de denúncia ao sistema capitalista. Além de contar a realidade do povo pobre brasileiro, especialmente dos que vivem nas favelas, vale lembrar que Carolina vivia na periferia e era catadora de papel, inclusive suas obras e escritos eram realizados em cadernos que encontrava no meio do lixo. 

Recentemente Carolina Maria de Jesus recebeu o título póstumo de Doutora Honoris Causa pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. O Diretório Acadêmico das Licenciaturas do Instituto Federal de São Paulo – Campus São Paulo – e a Casa de Passagem de Mulheres em Mauá organizada pelo Movimento de Mulheres Olga Benário também levam seu nome. Uma de suas frases mais conhecidas , “o maior espetáculo do pobre da atualidade é comer”, revela a criticidade da escritora e sua relevância para a educação brasileira, assim como a necessidade de sua presença nos planos de ensino e currículos de educação. Desse modo, vale refletir e debater sobre as práticas pedagógicas que contemplem a vida e obra da autora de maneira efetiva e que principalmente façam sentido na realidade dos estudantes brasileiros.

É possível estabelecer um senso crítico no ensino de crianças do ensino fundamental? Sim, além de possível a tarefa de tornar o ensino brasileiro crítico e emancipador numa perspectiva antirracista e anticapitalista é uma emergência, uma vez que a realidade de Carolina Maria de Jesus é a realidade de muitas famílias brasileiras. Nesse sentido, a escritora pode ser a luz e a faísca de transformação na vida de pequenos brasileiros. 

A vida e obra de uma mulher preta que defendia que o país deveria ser governado por aqueles que já passaram fome, pode ser abordada através de atividades lúdicas e alternativas como desenhos, pinturas, rodas de leitura, peças teatrais entre outras possibilidades envolvendo fragmentos de suas obras, seus poemas e até mesmo seus retratos. 

Seguem abaixo registro de atividades realizadas por um educador que contemplam a vida e a obra da autora: 

Carolina traz a possibilidade de mudança, o reconhecimento enquanto humano e transformador de um espaço e a possibilidade de um mundo modificado, quando dizia “Ah, não gosto do mundo como ele é, comigo ele vai modificar-se”, não sabia da sua magnitude e que hoje milhares de brasileiros seriam representados pelo seu exemplo. Carolina Maria de Jesus presente, agora e sempre!

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