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quarta-feira, 25 de maio de 2022

Diretora ataca a autonomia estudantil na ETEC Júlio de Mesquita

AUTORITARISMO – Estudantes se manifestam contra tentativa da diretoria de trocar direção do grêmio estudantil (Foto: Reprodução/ ARES-ABC).

Diretora da ETEC Júlio de Mesquita, em Santo André, realizou processo eleitoral fraudulento e contra a vontade dos estudantes para impor uma gestão favorável aos seus interesses.

Julia Cristina – Diretora da FENET e Amarílis Luz – integrante do Grêmio Elza Soares

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SANTO ANDRÉ – Sem a participação da comunidade escolar, atacando a lei nº 7.398 que defende o Grêmio Livre e os mais de 150 estudantes que elegeram o Grêmio Estudantil Elza Soares, a Direção da ETEC Júlio de Mesquita chamou novas eleições para Grêmio ferindo a democracia dos estudantes e tornando a nova diretoria ilegitíma.

Na segunda-feira, dia 04 de maio, através de grupos de turma do WhatsApp, os estudantes foram convocados a participar das eleições do Grêmio com apenas um dia de antecedência.

Essas eleições não tiveram seu regimento e calendário de processo eleitoral aprovados em assembleia dos estudantes, além da chapa não ter sido divulgada e não ter havido tempo para uma legítima campanha eleitoral.

A verdade é que a direção da ETEC Júlio de Mesquita e o Centro Paula Souza (CPS) não querem que exista um grêmio que promova a voz dos estudantes da escola e sim a subordinação aos mandos da diretoria. Quando os estudantes que compõem a antiga diretoria (eleita legitimamente) tentaram diálogo e apoio dessa mesma direção foram recebidos com desaprovação e sofreram difamação.

O Grêmio Elza Soares nasceu da revolta de diversos estudantes perante as injustiças que acontecem na escola durante o pior momento da educação – a pandemia da COVID-19. Esse foi o momento em que muitos estudantes trabalhadores foram privados do acesso à educação e com o agravamento da crise econômica, política e sanitária, vimos muitos jovens e suas famílias em luto pelos seus entes queridos que tiveram suas vidas ceifadas pela política genocida do governo Bolsonaro e passando fome com o aumento do custo de vida.

APOIO – Entidades estudantis participaram das manifestações e estão acompanhando a luta dos estudantes (Foto: Reprodução/ ARES-ABC).

Foi nesse período também que estudantes sofreram com o fechamento das salas noturnas e com casos absurdos como o racismo em aula remota que aconteceu na ETEC Júlio de Mesquita e o caso do professor que se masturbou em videoconferência com alunos na ETEC Parque da Juventude.

Diante da falta de perspectiva, da piora da nossa vida e os ataques ao direito da juventude de estudar, os estudantes se organizaram para defender que era preciso ter uma entidade em uma das maiores escolas do ABC que representasse os direitos dos estudantes mesmo no período da pandemia com suas inúmeras dificuldades.

Os estudantes organizaram assembleias online com representantes de classe, reuniões para discutir o projeto de organização da entidade, assembleia de fundação do Grêmio – que aprovou uma gestão provisória com a tarefa de organizar os estudantes enquanto não se retornassem as aulas e, assim que foi decretado em 2021 o retorno presencial das aulas, a comissão gestora mobilizou uma assembleia geral aprovando o regimento das eleições e convocando o calendário eleitoral.

O Grêmio fez campanha de arrecadação de alimentos, organizou bloco de estudantes da escola pelo Fora Bolsonaro, lutou pelo #AdiaEnem, fez inúmeras reuniões para discutir a questão das mulheres, quais são os problemas principais da escola e assim que retornou as aulas foi pra porta da escola com o Jornal do Grêmio. Também colocou na rua a campanha pelo fim do assédio nas escolas, fez reuniões de apresentação da entidade, está na luta junto aos grêmios do ABC pelo passe livre estudantil irrestrito na região e é uma grande referência de Grêmio livre para os estudantes de muitas escolas.

Abaixo a herança da ditadura militar

Os diversos ataques ao grêmio livre da ETEC Julio de Mesquita remete as atitudes do governo e das direções das escolas e universidades durante a ditadura militar fascista de 1964, em que ocorria boicote às verdadeiras organizações do povo – de trabalhadores e estudantes- criando entidades estudantis, sindicatos e comitês de bairro fantasmas ou meros arbitrários fantoches para defesa do programa antidemocrático do exército militar fascista, suprimindo as verdadeiras vozes.

Ação essa não somente registrada recentemente, como também nos dias da eleição do grêmio Elza Soares, onde a Direção da ETEC Julio de Mesquita novamente tentou boicotar a organização dos estudantes não permitindo realizá-la dentro da unidade escolar declarando, via site, que não reconhecia a movimentação feita pelos estudantes e chamando a viatura da Polícia Militar/Guarda Municipal de Santo André com a tentativa de intimidar os estudantes e desmobilizar a eleição democrática.

Situações como essa não são incomuns, durante toda a história do nosso país os estudantes foram deixados de escanteio e só foram ouvidos de fato quando organizaram sua revolta, conquistando direitos como o passe livre e a lei do grêmio livre. Dentro das escolas o grêmio é aquele construído e feito dos alunos para os alunos, e a solução para situações como essa é organizar a revolta em um grêmio de fato livre e combativo.

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