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quarta-feira, 25 de maio de 2022

Transporte rápido no ABC: uma desilusão prometida há décadas.

No dia 24 de fevereiro desse ano, o Governador João Doria (PSDB) e alguns parlamentares, realizaram um evento para inaugurarem e darem início às obras do BRT-ABC. O Jornal A Verdade esteve presente e entrevistou Rubens, funcionário da EMTU – empresa que gerenciará, junto a Next Mobilidade, a nova promessa de transporte rápido no ABC Paulista. 

Victor Leão


SÃO BERNADO DO CAMPO – O ABC paulista possui uma população de aproximadamente 2.807.000 pessoas. Há uma necessidade histórica da região por um transporte público rápido e de qualidade, para que não só os trabalhadores possam locomover-se com facilidade para a região metropolitana de São Paulo, como também para terem melhor acesso a  cultura e lazer.

Todo ano de eleição, principalmente para governadores, é prometido o transporte rápido para a região. Fato que já completa 47 anos de aniversário, prometido a primeira vez pelo governador Paulo Egydio Martins (ARENA) em 1975. Há o transporte ferroviário em algumas das cidades como Santo André, São Caetano do Sul  Mauá e Rio Grande da Serra, mas o que sempre foi esperado pelos moradores do ABC era o transporte metroviário,  já que hoje a cidade desenvolve-se ao redor de projetos e estruturas rodoviárias.

Entretanto, no dia 24 de fevereiro desse ano, o Governador João Doria (PSDB) e outros, como Orlando Morando (PSDB), prefeito da cidade de São Bernardo do Campo, onde o transporte é ainda mais precário do que as outras cidades da região, realizaram um evento para inaugurarem e darem início às obras do BRT-ABC. Esse projeto consta numa iniciativa 100% privada com investimento de R$860 milhões de reais, e figura-se num sistema de ônibus de trânsito rápido, também conhecido como metrobus ou, popularmente, “metrô de superfície”. O BRT-ABC percorrerá um corredor que passará pelos municípios de Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul e terá terminais no Tamanduateí e Sacomã. A previsão de término da obra é para o ano de 2023, sem data especificada.

O Jornal A Verdade esteve presente no Terminal de São Bernardo do Campo, na data da inauguração do projeto e entrevistou Rubens, funcionário da EMTU – empresa que gerenciará, junto a Next Mobilidade (empresa privada que entra no novo modelo de concessão da região):

A Verdade: Qual sua opinião, Rubens, sobre essa visita do Prefeito e do Governador para inaugurar essa obra que já sabemos que é prometida e está atrasada na nossa cidade há tempos?

Rubens: A bem da verdade e da justiça, isso aqui é um grande engodo, uma grande mentira para a classe trabalhadora, entende? Porque na verdade o projeto correto e certo para os trabalhadores seria o metrô  prometido há anos, e não esse BRT. Esse esquema aqui do BRT na verdade nada mais é do que investimento para campanha, caixa 2 (propina) da empresária dona da Metra. 

Assim, sou funcionário da EMTU, já fui demitido pela 3ª vez e reingressei com ação na justiça e estamos na luta para desmascarar todo o esquema de corrupção  que existe dentro da EMTU. Muita gente confunde a EMTU como sendo uma empresa somente de ônibus, mas não é. É uma empresa ligada à Secretaria de Transporte Metropolitano semelhante a CPTM e o Metro. A luta continua até a vitória. Estamos juntos e obrigado.

A denúncia feita pelo trabalhador Rubens é de suma importância. A Metra foi uma concessionária de transporte público criada em 1997 para administrar os Corredores São Mateus–Jabaquara e Diadema–Morumbi da EMTU durante vinte anos, totalizando 45 quilômetros. Apesar de ter realizado investimentos diversos em renovação de frota e na manutenção dos corredores, a Metra não conseguiu atingir o principal padrão de qualidade estipulado em contrato (uma aprovação igual ou superior a 91% na operação dos corredores na Pesquisa de Imagem dos Transportes na Região Metropolitana de São Paulo da Associação Nacional dos Transportes Públicos. Mesmo assim, seu contrato foi prorrogado por diversas vezes pelo governo do estado de São Paulo (retirado da reportagem “Estado cogita extensão do contrato da Metra por BRT”, Diário do Grande ABC e do Wikipedia “Metra”).

Essa é a avaliação de um dos funcionários da EMTU, trabalhador e morador da cidade de São Bernardo. O projeto de metrô no ABC é prometido há anos. Porém, na véspera das eleições e por conta do conglomerado que domina a região do ABC em suas linhas rodoviárias, os cidadãos da região tem seu acesso ao metrô negado. E querem enganar o povo com um projeto simplista para angariar votos, e como denunciado, roubar dinheiro público para favorecer empresas de terceiros.

A verdade é que enquanto o espaço urbano for visto como um mercado rentável para meio dúzia de ricos, o povo trabalhador seguirá sem acesso aos serviços básicos, à moradia digna, acesso a cidade e também a um transporte público, gratuito e de qualidade, que atenda às suas necessidades. Precisamos construir uma profunda reforma urbana no nosso país e seguir firmes na luta pela construção de uma nova sociedade, a sociedade socialista, que será a única capaz de encontrar as soluções que nós, trabalhadores, precisamos.

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