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terça-feira, 28 de junho de 2022

A face racista da guerra na Ucrânia

Mesmo no meio de uma guerra, pretos e não-brancos ainda são tratados como sub-humanos. 

Daniel Gomes
Rio de Janeiro


OPINIÃO – Já está claro para todos que os ataques russos à Ucrânia são resultados direto da arrogância do Ocidente. Os Estados Unidos já fizeram e continuam fazendo o mesmo tipo de agressão contra países indefesos, porém, não sofrem nenhuma sanção econômica. E, em vários momentos, contou com a conivência russa para cometer tais crimes.

A hipocrisia dos Estados Unidos e a falsa “desnazificação” da Ucrânia proposta por Putin têm olhares apenas para o capital e os grandes monopólios. A OTAN, resquício da guerra fria, cumpre o papel de tentar impedir uma “nova ordem mundial”, com Rússia e China à frente.

Para a grande mídia burguesa, só a guerra branca e pelo capital importa. Os noticiários estão repletos de repórteres dizendo o quão triste é a guerra pela morte de pessoas brancas de olhos azuis. Isso deixando claro que, mesmo no meio de uma guerra, pretos e não-brancos ainda são tratados como sub-humanos. 

Eu, enquanto militante e defensor da paz, repudio qualquer derramamento de sangue provindo de movimentos militares e, enquanto preto, não consigo não fazer a análise de que essa guerra, assim como muitas outras, tem cor e que seu objetivo é mais poder e capital. 

É triste ler os relatos de pretos sendo impedidos de embarcar em ônibus e trens para fugir dos bombardeios e conflitos armados, deixando claro que ser preto ainda é uma luta diária em todos os cantos do mundo. Um dos relatos mais chocantes foi o de uma menina preta retirada de um trem para que uma menina branca pudesse sentar-se em seu lugar. O mesmo preconceito aconteceu com uma mãe preta e seu bebê, sentados num frio de 3 graus, impedidos de sair da Ucrânia com outras mães brancas. Os relatos são muitos, todos chegando aos montes nas redes sociais pela hashtag #Africaninukraine. Nessa guerra interimperialista, raça ainda grita. 

Atualmente, temos guerra em alguns países da África, mas são tratadas como uma luta entre tribos, que, para a mídia ocidental, difere da guerra de um povo “desenvolvido” como russos e ucranianos. 

Racismo e subalternização são mais que latentes, se tornam caminhos para que essa “guerra” seja vista com tristeza. Aliás, sangue dos brancos sempre valeu e doeu mais ao ser derramado do que sangue dos pretos e não brancos. 

Como podemos falar da libertação de todos os povos, se, no meio de uma guerra, a mídia e países ocidentais escolhem uma raça para salvar? Ainda estamos sendo deixados para morrer devido à cor da pele! 

“Em nós, até a cor é um defeito. Um imperdoável mal de nascença, o estigma de um crime. Mas nossos críticos se esquecem que essa cor é a origem da riqueza de milhares de ladrões que nos insultam; que essa cor convencional da escravidão, tão semelhante à da terra, abriga sob sua superfície escura vulcões, onde arde o fogo sagrado da liberdade” (Luiz Gama).

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