UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

sexta-feira, 30 de setembro de 2022

Lesbofobia, um projeto capitalista

Assim como todas as opressões existentes na nossa sociedade, a lesbofobia também é um projeto do capitalismo. 

Hellen Caetano
Duque de Caxias (RJ)


OPINIÃO – A lesbofobia existe porque o sistema atual impõe um modelo de família: marido, esposa e filhos. Dentro desse ideal capitalista, a mulher deve desempenhar o papel de trabalhadora e genitora. Muitas vezes, exercem função dupla, trabalham fora e em casa. Quando estas mulheres são mães, fazem função tripla, ficando o cuidado da casa e dos filhos sob responsabilidade da mulher quase de forma exclusiva. 

A pesquisa promovida pelo SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito) e pela CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas), revela que apenas 36,4% dos maridos dividem tarefas domésticas com suas esposas. Dentro dessa estrutura familiar, a mulher sofre inúmeras explorações, o que é lucrativo para o sistema e, por isso, esse modelo de família é tão defendido pela burguesia, pois há interesse econômico.

(Foto: NurPhoto)

Se assumir: um ato político

Uma mulher, quando se assume lésbica, quebra esse padrão social-familiar. Ela defende a ideia de que para ser feliz não precisa estar casada com um homem, e filhos são uma opção, não uma obrigação. Negar-se a ser submissa dentro de uma relação hétero-afetiva e a ver a maternidade como algo inerente à mulher é uma afronta ao capitalismo, que constantemente impõe à mulher o papel de super-explorada.  

Líderes cristãos e políticos conservadores promovem a ideia de que é necessário invalidar relações afetivas entre mulheres. Essa invalidação, infelizmente, tem afetado o cotidiano das lésbicas. De fato, segundo Janaína Oliveira, da Rede Nacional de Negras e Negros LGBT, o número de “estupros corretivos” contra essas mulheres cresceu nos últimos anos. 

Como podemos mudar essa realidade?

A única maneira de acabarmos com a lesbofobia é destruindo o capitalismo. Uma sociedade verdadeiramente justa para todos só será possível dentro de um sistema que vê a vida à frente do lucro, ou seja, o socialismo. 

Finalizo com um recado de uma lésbica para todas as outras: não tenha medo de se assumir; tenha medo de não lutar contra um sistema que nos inviabiliza. Se organize. Ser lésbica é um ato revolucionário.

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