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segunda-feira, 28 de novembro de 2022

Estudantes da Uninove realizam ato pelo retorno presencial e denunciam abusos

Estudantes da UNINOVE, com apoio do Movimento Correnteza, se manifestaram contra a manutenção do ensino remoto em uma situação de maior segurança sanitária e denunciaram o descaso com professores e formandos.

Movimento Correnteza Uninove


SÃO PAULO – Estudantes da UNINOVE (Universidade Nove de Julho) organizaram um protesto em defesa do retorno presencial das aulas em frente ao Campus Memorial, na Barra Funda – SP e flagraram a humilhação que a universidade submete dezenas de estudantes formados que são impedidos de retirar seus diplomas.

O ato teve apoio do Movimento Correnteza, que tem construído as mobilizações junto aos alunos das universidades privadas revoltados com a situação precária do ensino oferecido por essas empresas.

A UNINOVE é uma das únicas universidades que permanecem em regime de ensino à distância, prejudicando a formação de milhares de alunos que se matricularam em cursos presenciais. Rebeca Arroyo, estudante de direito, relatou: “A gente não tem aulas presenciais há dois anos e meio, e isso é lamentável. O Conselho Federal da OAB não reconhece o curso EAD e não temos respaldo da universidade”.

Os alunos da área da saúde também estão sendo prejudicados e a ausência de aulas práticas é alarmante.  “Estou tendo uma aula de ventilação mecânica online. Estou com medo de estar em um estágio, dentro de um hospital, de uma UTI, com um paciente de ventilação mecânica” – confessou Lucas, estudante de fisioterapia – “Estou assustado porque não sei como funciona. Não estamos tendo preparo e isso é muito sério”.

Os alunos denunciam ainda que apenas o curso de medicina já retornou presencialmente, evidenciando um tratamento diferenciado para o curso com as mensalidades mais altas.

Além da falta de aulas presenciais o ensino tem sido sucateado ao longo desse período. Em junho de 2020, ainda início da pandemia, houve a demissão em massa de pelo menos 300 professores da UNINOVE por mensagem virtual, sem aviso prévio ou justificativa, segundo o Sindicato dos Professores de São Paulo (Sinpro-SP). Os estudantes enfrentam desde então salas virtuais superlotadas e que unem diferentes semestres e campi por falta de docentes.

A humilhação e o descaso que os estudantes passam com a instituição também foram denunciados pelos estudantes às redes do Jornal A Verdade. Em um vídeo-denúncia gravado pelos manifestantes uma funcionária pública grita que perderá seu emprego se não conseguir retirar seu diploma, cuja emissão já havia passado do prazo legal de 120 dias e chegava a 5 meses de espera.

Ramon, formado na UNINOVE, relatou que seria desclassificado de um processo seletivo e estava na mesma situação: “É um descaso, é absurdo. A faculdade não quer saber se a gente tá perdendo emprego. Tô indo embora sem meu diploma e provavelmente vou perder o emprego porque a empresa exige diploma”.

Quando questionada, a UNINOVE alega não ter planejado o retorno presencial por uma questão de saúde. Para os militantes do Movimento Correnteza, porém, os motivos são econômicos e políticos.

Laura Passarella, diretora da UEE-SP, em Audiência Pública conquistada pela mobilização dos estudantes, denunciou: “Essas empresas e esses grandes monopólios que, muitas vezes, são de fora do Brasil, usam da esperança da juventude de ter uma educação de qualidade, de ter um diploma e ser um bom profissional para lucrar.” – E completa – “A gente não vai aceitar que a educação seja tratada como uma mercadoria, e ainda mais uma mercadoria tão barata, porque para eles, vale o lucro acima da vida, da educação, de absolutamente qualquer coisa”.

Diante desse cenário, os estudantes da UNINOVE ouvidos pelo Jornal A Verdade seguem em luta pelas suas reivindicações. Os alunos organizados pelo Movimento Correnteza vão continuar realizando mobilizações e atos pelo retorno presencial seguro e inclusivo e contra o descaso da instituição até conquistarem suas demandas. Educação não é mercadoria!

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