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sexta-feira, 12 de agosto de 2022

Protesto denuncia falta de assistência estudantil na UFRRJ

No campus de Seropédica, na Baixada Fluminense, o restaurante está há mais de seis anos em obra e ficou um bom tempo servindo quentinhas de péssima qualidade. Muitos alunos relatam que as refeições chegavam azedas, estragadas, com pedras e até bichos dentro delas. 

Anna Luiza Lopes e Isadora Guerra
Integrantes do Movimento Correnteza no Rio de Janeiro


JUVENTUDE – Quem é estudante universitário sente na pele como é difícil se manter estudando, principalmente com a situação atual do país e com as garras do capitalismo  cada vez mais profundas sobre o povo preto e pobre. 

O bom funcionamento do restaurante  universitário é uma das medidas mais importantes para a permanência dos alunos e para a diminuição da evasão das salas de aula. Porém, não é de hoje que os alunos da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) vêm sofrendo com a  péssima qualidade ou a falta de alimentos no bandejão. 

No campus de Seropédica, na Baixada Fluminense, o restaurante está há mais de seis anos em obra e ficou um bom tempo servindo quentinhas de péssima qualidade. Muitos alunos relatam que as refeições chegavam azedas, estragadas, com pedras e até bichos dentro delas. 

Com o retorno das aulas presenciais, em março, o RU finalmente foi  liberado e a comida voltou a ser servida em pratos e bandejas. No entanto, esse direito foi restringido apenas aos bolsistas nos campi de Nova Iguaçu e Seropédica (o terceiro  campus, em Três Rios, sequer possui bandejão), excluindo boa parte dos estudantes, que passam o dia todo na universidade sem ter onde e como comer. 

Corte de verbas do MEC ameaça estudantes

Os sucessivos cortes de verbas das universidades promovidos pelo governo Bolsonaro retiraram milhões de reais do orçamento dessas instituições e pioraram muito as condições de ensino e permanência. O último corte foi de 14%, o que representa menos 9 milhões no caixa da Rural. 

Resultado: a Rural não abrirá editais para auxílios financeiros estudantis esse ano, pela falta de verbas e de políticas de assistência. Os alunos sofrem com a falta de bolsas de pesquisa e assistência estudantil, e a situação dos moradores dos alojamentos universitários é ainda pior, pois não possuem direito a auxílios financeiros e nenhuma política de permanência. 

Durante a pandemia, muitos estudantes da UFRRJ tiveram que continuar  morando nos alojamentos e passaram por muitas necessidades, sem nenhum tipo de proteção ou auxílio da universidade. Foram muitos os dias que não  tiveram o que comer, que faltou luz e até mesmo água para esses estudantes. 

Comida servida aos alunos da UFRRJ é de péssima qualidade (Foto: Reprodução)

Estudantes denunciam cortes 

Na Rural, uma das lutas mais importantes do momento é pela abertura do RU para todos os estudantes, visto que a maioria não tem recursos suficientes para pagar quentinhas e lanches todos os dias. 

A pressão dos estudantes deu certo, e o bandejão abriu para todos e todas, porém voltando ao método de distribuição de quentinhas. Isso não foi bem recebido pelos estudantes, uma vez que as marmitas são de péssima qualidade e não atendem à demanda. Em muitas delas, foram encontradas formigas, lagartas e outros insetos, pedaços de alumínio, carne crua e outros  absurdos.

Em resposta, os estudantes ocuparam a sala da Reitoria para exigir comida de qualidade e desafiaram o vice-Reitor, Da Ros, a provar a quentinha oferecida pelo RU. 

Após a ocupação, a Reitoria se comprometeu a servir o almoço novamente em bandejas e pratos, além de servir café da manhã e alimentação nos finais de semana. Devido à crescente demanda, a qualidade da comida ainda está baixa e nem todos estão conseguindo comer. A comida se precariza e as filas crescem, atrasando as aulas e compromissos de diversos alunos diariamente. 

O Movimento Correnteza vem construindo um trabalho combativo na Universidade Rural do Rio de Janeiro. Formado por estudantes que querem mudar a situação da universidade, o Correnteza luta para garantir todas as demandas estudantis, organizando atividades, oficinas de cartazes, panfletagem, lambes e mesas de debate, com o objetivo de criar um movimento estudantil consolidado para que, assim, possamos ter nossos direitos mínimos garantidos. 

 

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