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sábado, 10 de dezembro de 2022

Boicote midiático e desigualdade de condições: a realidade das eleições brasileiras

Lei eleitoral coloca candidatos pobres, negros e de esquerda com menos condições de disputar. Como se dá o boicote da mídia social e tradicional a candidaturas revolucionárias?

Lucas Freire Tizzo, Goiânia


Durante a campanha eleitoral, foi destacado por vários grandes veículos midiáticos a diferença entre patrimônios das pré-candidaturas presidenciais, na qual R$25 milhões era aproximadamente a distância entre os extremos, sendo eles Felipe D’Avila  (NOVO) e Leonardo Péricles (UP), com Péricles tendo declarado seu patrimônio como R$197,00 e Felipe como R$24,6 milhões.

Em um quadro mais amplo vemos como a diferença gritante de patrimônio dos candidatos se repete sendo as candidaturas voltadas à esquerda aquelas que mais se prejudicam pelo caráter da distribuição de renda. Seja na renda dos candidatos ou na distribuição do fundo eleitoral, as candidaturas mais à esquerda são as com menos recursos. A UP tem direito a R$3,1 milhões dos R$4,9 bilhões distribuídos pelo Fundo Eleitoral, enquanto o União Brasil, partido do Centrão, ganha quase R$782,5 milhões. 

Ao se fazer o exercício de acompanhamento das candidaturas pelo o que nos é dado é nítido a parcialidade do processo. Nos grandes conglomerados de mídia, que influem diretamente na formação da opinião pública, o que vemos é o espaço sendo dados apenas a alguns candidatos, segundo critérios definidos pela conveniência de cada emissora. 

A prestação de contas e satisfação por parte desses conglomerados segue a lógica do “quem paga a banda escolhe a música”. É fácil notar quem paga a banda, basta prestarmos atenção nos anunciantes, que por via de regras são aqueles ligados ao latifúndio e aos grandes monopólios que surgem dentro da lógica capitalista, estes que são os únicos beneficiários das medidas liberais e ultraliberais que nos são empurradas goelas abaixo.

Mídias sociais também agem de forma parcial e antiética

Para além da mídia tradicional, temos agora a penetração das novas mídias digitais na formação da opinião pública e nos rumos das eleições. Essas seguem a mesma lógica, não mostrando o menor pudor em servir de palanque para o discurso da extrema direita. São coniventes com robôs e discursos de ódio com o objetivo político claro. 

Essas empresas aliam o poder do capital com o alcance dessas plataformas para inflar sua penetração nas massas, usando inclusive de roubo antiético de dados aliada à refinada inteligência artificial e ciência de dados para moldarem seus discursos conforme o perfil individual daqueles que usam as mídias sociais.

Os mecanismos usados por esses veículos para legitimar medidas anti-povo como a reforma da previdência, a PEC do teto de gastos, a reforma trabalhista, são baixos e totalmente antiéticos, geralmente sob um véu de imparcialidade e discurso totalmente técnico em pautas políticas, como se os direitos de o povo ser entregue de bandejas em prol a meia dúzia de banqueiros e empresários fosse uma questão de expertise econômica.   

Boicote midiático

Durante a corrida eleitoral é notório o boicote feito com as candidaturas que não se intimidam e decidem disputar candidatos como Leo Péricles, que não possui um segundo de televisão no horário eleitoral obrigatório, enquanto candidatos de direita e fascistas ocupam mais de 50% do tempo disponibilizado. 

Nos debates, candidaturas com o perfil como o da Unidade Popular sequer são chamados. Péricles a única pré-candidatura negra em um país com quase 54% negros não tem a chance de ter a sua voz ouvida sob os trâmites da lei, um sintoma disso é um parlamento a grande maioria dos integrantes são brancos e homens, incompatíveis com a realidade da população brasileira, seja no recorte social ou nas medidas tomadas, uma aberração derivada dessa constituição das eleições é a bancada do agronegócio e também o orçamento secreto.

A Unidade Popular para além de denunciar a dificuldade de inserção a nível parlamentar, por parte de candidaturas populares,  segue incessantemente denunciando a limitação desse nível e como o exercício da democracia é limitado no capitalismo.

Sabemos que a política capitalista segue a lei do capital, este que por vias estruturais do sistema econômico favorece a concentração de renda e fenômenos de exclusão social e violência com grupos excluídos. Sabemos da importância da luta política institucional, mas seguimos com a pauta de organização da classe trabalhadora, a tomada das ruas e temos como norte o fim da sociedade de acumulação capitalista e buscamos a construção da verdadeira democracia, aquela que só é possível na sociedade em que os trabalhadores são os donos do meios de produção, a sociedade socialista.

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