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terça-feira, 6 de dezembro de 2022

A importância da politização das greves

Entender as greves como questão política é entender os motivos por trás de sua realização e, portanto, a sua necessidade.

Núcleo do MLC de São Bernardo do Campo


SÃO BERNARDO DO CAMPO – Realizada majoritariamente por mulheres, a primeira Greve Geral registrada na história do nosso país ocorreu no ano de 1917, em São Paulo. Suas reivindicações eram a redução da carga horária exaustiva, aumento salarial, fim do trabalho infantil e melhores condições de trabalho. Após cinco dias de paralisação, as demandas foram atendidas.

Esse primeiro exemplo mostra que a greve funciona como o maior instrumento de luta da classe trabalhadora. E assim como essa, as greves possuem profundo caráter político, embora a mídia, os patrões e os burgueses tentem desmoralizá-las.

A greve como instrumento de luta funciona, pois, ataca a principal máquina locomotora do capitalismo – a produção e as forças produtivas.

Percebe-se que antes das greves acontecerem, ocorrem diversas mesas de negociação, assembleias e embates. Algumas vezes, as negociações bastam por si só e os acordos são fechados. Por muitas outras, os donos dos meios de produção negligenciam tais mesas de negociação, dizendo que as propostas são “fora de senso” e “intangíveis”.

Porém, basta a produção parar e pronto: as demandas são atendidas e o que era “intangível” passa a ser aprovado. Isso mostra que as reivindicações, além de não serem algo fora de qualquer senso comum, são também necessidades que a categoria deve exigir.

Só por negociatas, os patrões não irão cedê-las, mentem e dizem que as reivindicações não podem ser atendidas porque na prática querem garantir cada vez mais e mais lucro para seus bolsos e cofres.

HISTÓRIA. Greve Geral de 1917 foi a primeira da história do Brasil e conquistou muitas vitórias para o povo (Foto: Reprodução/ Wikicommons).
A direita acusa greves de “politizadas”

O sucateamento das condições de trabalho junto à falta de ajustes dos salários são condições de projetos políticos defendidos pelos grandes empresários que tentam impor os seus projetos apoiando-se em governantes que permitem a implementação de políticas que interessam apenas ao patronato.

É claro que qualquer embate dentro de uma empresa ou fábrica que envolva as condições de trabalho são embates políticos. Os patrões sabem disso. Mas insistem em acusar as paralisações, negociações e greves de “politizadas”. O que querem dizer com isso?

A “greve politizada” é um adjetivo utilizada pelo patronato para desmoralizar a greve, trazendo um conceito de “encenação”, fazendo com que pensem que a greve não é necessária, que na verdade é quase que uma “cisma” ou “implicação” de uma categoria.

Entretanto, na prática, a “greve politizada” refere-se a outras questões. Toda greve é, e precisa ser politizada, no sentido de que é necessário entender os motivos que levam a greve a acontecer – arrocho salarial, assédios aos trabalhadores, falta de ajustes em benefícios.

Entender a greve como questão política é entender os motivos por trás de sua realização e, portanto, a sua necessidade.

Não se combate um mal que nasce a partir de neutralidades. Neutralidade, nesse caso, seria um reforço ao projeto político-ideológico patronal.

É mais do que necessária à sua politização, para que esse importante instrumento de luta da classe trabalhadora não seja cooptado por um viés unicamente economicista e imediatista, fazendo com que uma aparente vitória hoje vire uma armadilha desmobilizadora contra o trabalhador amanhã, impossibilitando futuros avanços.

Nosso país vive uma profunda crise política-social-econômica em que os arrochos salariais, a retirada de direitos, a piora nas condições de trabalho e de vida é acompanhada por um aumento da qualidade de vida dos empresários e dos bilionários de nosso país, junto a uma maior concentração de suas rendas, principalmente durante a pandemia da covid-19.

Essa situação é acompanhada, desenvolvida e aprofundada por um projeto político que monitora e faz com que a desmobilização sindical descrita acima torna-se uma realidade diária.

Tudo ao nosso redor é envolto e ligado a política. O lado antigrevista do patronato é, e muito, politizado.

Os trabalhadores ao tomarem consciência disso, tornam o seu ambiente de trabalho, sua vida e organização cada vez mais política, assim como as greves, para combater essa realidade de pobreza, miséria e retirada de direitos que nos assola.

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