UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2023

A situação da classe trabalhadora na internet

A Soberana TV se define como um coletivo marxista-leninista de criadores de conteúdo que atua nas redes sociais e plataformas de streaming realizando a agitação e propaganda do socialismo. Nesta contribuição especial ao jornal A Verdade, o coletivo produziu um texto sobre o acesso da classe trabalhadora ao conteúdo na internet e o papel dos comunistas neste espaço, confira a matéria completa.

Soberana


SÃO PAULO – A internet é um espaço de convivência e troca de informação, mas não é um espaço qualquer. Estamos falando de um dos principais meios responsáveis pelos resultados das eleições dos últimos quatro anos e a tendência é que as redes sociais se tornem cada vez mais determinantes para apontar qual direção política a população tomará.

De acordo com pesquisa feita pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI) em 2020, 83% dos domicílios brasileiros têm acesso à internet banda larga, o que equivale a quase 62 milhões em números absolutos. Esse número teve um aumento expressivo nos últimos anos devido ao crescimento do acesso a aparelhos de telefone celular. Na classe C, 58% utilizam exclusivamente aparelhos móveis para acessar a internet, enquanto nas classes D e E esse número chega a 90%.

Entre os anos de 2015 e 2020 houve um aumento de 48% no acesso das classes D e E à banda larga. A internet fixa já supera a internet móvel, alcançando 69% dos domicílios no país. O tipo de conexão influencia qual forma de conteúdo a pessoa consumirá nas redes, afinal os planos de banda larga móvel limitam conteúdos como imagens e vídeos a depender do tamanho do pacote.

Por essa razão, a atividade mais comum na internet (93%) é a troca de mensagens por aplicativos, sendo o WhatsApp o mais utilizado. Importante salientar que este fato não se dá por escolha voluntária por parte da classe trabalhadora, mas sim por conta dos planos de celular que oferecem o uso ilimitado do aplicativo. Entre outras atividades, 80% dos brasileiros fazem chamadas de voz ou vídeo e 72% usam alguma rede social. A respeito de qual conteúdo consomem, 77% dos brasileiros assistem a vídeos, filmes ou séries.

Dessa forma, para ocupar esse espaço com maior eficiência, é importante a compreensão das principais atividades da nossa classe na internet. 

Dificuldades e particularidades da internet

DESIGUALDADE DE ACESSO – Apesar do avanço no acesso, grande parte dos trabalhadores têm acesso limitado às redes. (Foto: Reprodução/FSP)

Os números apresentados acima indicam uma grande adesão da classe trabalhadora à internet. Porém, este meio de comunicação não é democrático. Dificilmente os materiais produzidos pela esquerda radical chegam aos trabalhadores visto que a burguesia não somente controla o conteúdo em si e sua difusão, mas também as plataformas que o propagam. Assim sendo, temos que a própria classe burguesa decide o que “funciona” nas plataformas, passando esse conceito diretamente para as organizações de direita, facilitando assim a disseminação de suas ideias.

Por outro lado, em 2017, o governo Temer pagou influenciadores digitais para divulgar a contrarreforma do Ensino Médio. A Brasil Paralelo, conhecida plataforma de divulgação de ideais conservadores, entre Agosto de 2020 e Dezembro de 2021, investiu 5 milhões de reais em publicidade no Facebook, segundo o jornal Intercept Brasil. A produtora também gastou R$368 mil em anúncios no YouTube, entre novembro de 2021 e junho de 2022, segundo dados da Folha de São Paulo. Sobre as eleições deste ano, o Partido Liberal (PL) gastou, em julho, R$800 mil para promover Bolsonaro no YouTube por meio de 15 trechos do clipe “Capitão do Povo”, segundo dados do Google.

Em 2018 vimos os disparos em massa no WhatsApp influenciarem fortemente as eleições em favor da extrema-direita. Isso se torna ainda mais crítico quando analisamos uma pesquisa do Data Senado de 2019, na qual 79% da população respondeu que se informa pelo Whatsapp com frequência, superando a televisão com 50%. Acrescenta-se a isso o fato de que o Whatsapp é a rede social mais usada no Brasil por larga margem, com 165 milhões de usuários.

Em vista disso, a esquerda radical enfrenta três obstáculos em relação à direita na internet: ausência de financiamento, falta de suporte do Estado e o direito à impunidade. Não temos o dinheiro da Brasil Paralelo, nem o controle do Ministério das Comunicações, muito menos o direito de cometer crimes sem sermos punidos como Jair Bolsonaro. Todavia, ainda é necessário disputar esses espaços, tendo a organização como nossa principal tática.

Ocupando as redes

IMPRENSA POPULAR – Durante as jornadas de luta de 2013 a imprensa popular passou a ocupar as redes com mais organização. (Foto: Divulgação/MIDIA NINJA)

Ocupar a internet politicamente apresenta-se como uma tarefa de extrema importância para os comunistas. Tornou-se necessário que fossem elaboradas táticas novas para a disputa  da consciência política da nossa classe num espaço amplamente dominado pela direita. Ao mesmo tempo, os ensinamentos de Lenin e Stalin de que a organização da classe trabalhadora é sua maior arma, mostram-se mais uma vez absolutamente essenciais, e para o espaço virtual não seria diferente. Unir a experiência histórica da nossa classe com as necessidades táticas específicas dessa nova fronteira que é a internet fez surgir o coletivo Soberana.

A Soberana nasce com o intuito de mostrar as possibilidades de disputa desse espaço que é a internet. Tendo o marxismo-leninismo como método político-organizativo, buscamos ocupar o espaço digital de forma a produzir conteúdo de agitação, propaganda e formação política, focando na construção de uma comunidade e no estímulo à organização da classe nos partidos revolucionários, como a Unidade Popular. Esse trabalho em conjunto com a militância do partido resultou em pelo menos 1620 militantes recrutados ou em processo de recrutamento nos últimos 4 meses.

Tais números corroboram com a leitura de que os comunistas têm o dever de ocupar a internet de maneira política e organizada, alavancando assim o crescimento do marxismo-leninismo e a organização da nossa classe. Assim como qualquer outro espaço de atuação, o virtual não deve ser negligenciado, pois mostra-se cada vez mais fértil para a difusão de nosso projeto político de libertação dos trabalhadores das amarras do capitalismo. Como não há espaço vazio na política, a direita continuará incontestada na difusão de suas ideias enquanto estivermos na defensiva. 

Precisamos construir o protagonismo dos comunistas na disputa da consciência política da classe trabalhadora. Ao chegarmos aos trabalhadores e formá-los politicamente antes das mentiras da direita, temos uma vantagem para pautar o debate público.

Nossa tática tem se mostrado exitosa e temos plena convicção de que o trabalho conjunto entre Soberana e Unidade Popular tem o potencial de ampliar não só as fileiras do partido, mas também o movimento comunista brasileiro como um todo, chegando virtualmente onde ainda não conseguimos estar fisicamente. Esta dinâmica acaba por possibilitar o início de novos núcleos de atuação em regiões outrora não alcançadas. 

Nessa nova conjuntura que se forma após as eleições, temos que nos organizar para barrar o bolsonarismo, que não é derrotado apenas com o fim do mandato de Bolsonaro. A Soberana se compromete com a luta dos trabalhadores, não se furtando de somar aos movimentos sociais e partidos revolucionários também nas ruas. Agradecemos a confiança que a UP e a nossa comunidade depositam em nós e continuemos a divulgar a luta e o marxismo-leninismo a todos os trabalhadores. Até a vitória!

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2 COMENTÁRIOS

  1. Parabéns ao Jornal e o coletivo soberana, é essencial essa batalha que vocês estão travando, se faz tão esperançoso ocupar e expor um possível mundo.

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