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quarta-feira, 12 de junho de 2024

Ocupação Carlos Marighella avança na luta por moradia em Salvador

Willian Santos | Salvador


LUTA POPULAR – Há um ano e meio, 290 famílias organizadas pelo MLB ocuparam o centro da cidade de Salvador para reivindicar o direito a morar dignamente. Desde então, o antigo prédio da Embasa, abandonado há 12 anos pelo poder público, tem sido um foco de luta pelo direito à cidade e de denúncia à especulação imobiliária.

Durante esse período, os moradores junto com o movimento transformaram a ocupação em sua verdadeira casa: através das assembleias e mutirões, cada espaço do prédio foi ganhando função social. Além dos 5 andares com as unidades de moradia, o térreo virou espaço de formação política com cursos, cine debates, alfabetização, reforço escolar e deu lugar para a creche Selma de Jesus Batista. Vale também destacar o exemplo da companheira Elys Costa, moradora da Ocupação que, para financiar a organização da Escola Eliana Silva, organizou a venda de amendoim torrado, idealizando a partir daí o projeto “Grãos gerando educação”.  

Elys Costa, moradora da Ocupação Carlos Marighella e graduanda em Pedagogia pela Universidade Estadual da Bahia (UNEB) (Foto: Isabella Tanajura/Jornal A Verdade)

Contudo, também nesse período o Governo do Estado pôde reafirmar à qual classe ele  verdadeiramente serve. A ocupação, que é vizinha de redes de hotelarias de luxo e outros equipamentos comerciais, foi diversas vezes invadida pela Polícia de maneira ilegal, disseminando terrorismo e truculência. Revelando que, seja no centro ou na periferia, o alvo da polícia sempre será o povo pobre e preto. Enquanto isso, o Governo e a EMBASA fecham os olhos para a situação e não negociam com as famílias.

Sem luta, não há vitória

Apesar das imensas dificuldades impostas pela burocracia e a falta de vontade do Estado, as famílias da Ocupação Carlos Marighella seguem firmes na luta. No dia 24 de janeiro, ocorreu uma audiência que reafirmou a decisão do juiz em primeiro grau que garante que só poderá acontecer desocupação caso haja realocação das famílias para outra moradia. Essa vitória na batalha para conquistar a moradia digna das famílias da ocupação, demonstra a força da luta organizada dos trabalhadores pelos seus direitos. Além disso, essa decisão favorável reafirma a importância da campanha do Despejo Zero, que foi uma conquista concreta dos movimentos populares que lutam pelo direito ao teto, à terra e demarcação dos territórios pertencentes aos povos originários. A luta de uma ocupação realizada praticamente no auge da pandemia, com o crescimento do desemprego e do preço dos aluguéis e com as famílias enfrentando o terror fascista e sem perspectiva alguma de moradia, com certeza só irá parar com a vitória: a chave da tão sonhada casa própria nas mãos de cada família organizada pelo MLB.

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