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quarta-feira, 24 de julho de 2024

Há 55 anos, o assassinato de Edson Luis mobilizava o país contra a Ditadura Militar Fascista 

Relembre a história da mobilização nacional contra a Ditadura Militar Fascista após a morte de Edson Luís de Lima Souto, estudante covardemente assassinado em 1968 por policiais do regime.

Igor Barradas | Redação RJ


LUTA E HERÓIS DO POVO — No dia 28 de março de 1968, o estudante secundarista Edson Luís foi brutalmente assassinado pela polícia da Ditadura Militar Fascista. O jovem de 18 anos morreu durante uma manifestação enquanto reivindicava melhores condições para o restantaurante Calabouço, que funcionava enquanto um bandejão para os estudantes se alimentarem.

Edson Luís nasceu em Belém, no Pará, no dia 24 de fevereiro de 1950. Filho de uma família paraense, estudou na escola estadual Augusto Meira. Devido à falta de opções de ensino na sua região, mudou-se para o Rio de Janeiro para cursar o ensino médio no Instituto Cooperativo de Ensino.

O Calabouço foi fundado em 1951 na sede histórica da UNE, no bairro do Flamengo. Após um ano de aberto, foi transferido para as proximidades do aeroporto Santos Dumont, no centro do Rio.

Durante o ascenso de manifestações da década de 60, o Calabouço tornou-se palco de inúmeros embates estudantis relacionados à defesa da educação. Nele, estudantes travaram lutas contra o aumento do preço dos alimentos dos restaurantes estudantis. Após o golpe de 1964 lutaram contra o regime militar e as torturas, censuras e perseguições praticadas pelos covardes fascistas.

“Atira, já mandei atirar!”

Quando Edson Luis foi assassinato, o jovem tinha somente 18 anos. Ele era um dos 300 estudantes que jantavam no local. Carlos Alberto da Silva, testemunha que estava em uma banca de jornal próxima, afirmou que viu os policiais se dirigindo para o Calabouço e que ouviu a seguinte frase dos agentes: “Atira, já mandei atirar!”.

Os estudantes conseguiram resgatar o corpo de Edson Luís e o carregaram em passeata pelo centro do Rio até as escadarias da Assembleia Legislativa, na Cinelândia, onde seu corpo foi velado. O corpo de Edson Luís foi estendido no saguão do Assembleia, realizando uma denúncia contra os crimes violentos praticados pelos militares da Ditadura.

No mesmo dia, houve manifestações de protesto contra a ditadura e greve geral de estudantes em todo o país. Edson foi enterrado aos brados de “Mataram um estudante. Podia ser seu filho!”. “Bala mata fome?”, “Os velhos no poder, os jovens no caixão”.

Assassinato de Edson Luis mobilizou milhares de pessoas contra a Ditadura Militar Fascista. (Foto: Reprodução)

 

Centenas de jovens foram assassinados durante a Ditadura

Após 55 anos, o dia 28 de março é lembrado e celebrado como o Dia Nacional de Luta dos Estudantes. O regime dos militares perseguiu, assassinou e torturou grande parte dos jovens que se rebelaram contra o sistema. Dessa forma, o dia 28 de março leva bandeiras como Memória, Verdade e Justiça.

É preciso honrar o legado de Edson Luís nas lutas contra a Reforma do Ensino Médio,  contra os cortes orçamentários na educação, pela criação e manutenção de bandejões estudantis, pelo passe livre e contra o genocídio da juventude e do povo negro.

Em homenagem a Edson Luís, Milton Nascimento e Ronaldo Bastos compuseram a canção Menino. A letra diz: “Quem cala sobre teu corpo / Consente na tua morte / Talhada a ferro e fogo / Nas profundezas do corte / Que a bala riscou no peito“. Portanto, está mais que na ordem do dia não se calar sobre os crimes ocorridos nessa época do país. Punição para todos os responsáveis e cúmplices por este assassinato e pelo regime de terror que foi a Ditadura Militar Fascista.

 

 

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