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sexta-feira, 12 de julho de 2024

2º Encontro de Negras, Negros, Indígenas e Quilombolas do Sinasefe

2º Encontro de Negras, Negros, Indígenas e Quilombolas (Enniq) do Sinasefe ocorreu em Maceió, no fim de março. Evento contou com um importante debate referente à luta antirracial e destacou que é fundamental que a estrutura sindical do Sinasefe proporcione o empoderamento de negras, negros, indígenas e quilombolas.

Camila Félix*


TRABALHADORES UNIDOS – O 2º Encontro de Negras, Negros, Indígenas e Quilombolas (Enniq) surgiu como proposta da Coordenação de Combate às Opressões do Sinasefe Nacional, tendo como seção anfitriã o Sintietfal. O encontro aconteceu de 22 a 26 de março, em Maceió, com o tema “Malungas, Malungos e Parentes na terra de Palmares! Nossa luta, nosso Sindicato!”.

O evento foi de grande magnitude para reafirmação da luta antirracista e antifascista diante das inúmeras opressões que cada um destes grupos vivencia diariamente no Brasil. Este momento representa uma oportunidade ímpar de discussões, debates e proposições rumo a um sindicato antirracista e, portanto, é fruto da luta daquelas/es que estiveram antes de nós na luta por espaços democráticos e contra as diversas formas de opressões.

No dia 22 de março, deu-se a mesa de abertura com o tema “Enquanto houver racismo, não há democracia: a luta por direitos de Negres, Indígenas e Quilombolas no Brasil”, composta por Camila Félix (secretária da Coordenação de Combate às Opressões do Sinasefe e militante do MLC), Stânio Vieira (secretário-adjunto de Combate às Opressões), Elaine Lima (vice-presidenta do Sintietfal), Leonardo Péricles (UP), Ieda Leal (MNU), Thiniá Shakti (Povo Fulni-ô), Nêgo Bispo (Quilombo Saco-Curtume). Leonardo Péricles também participou da mesa “Aquilombar-se é preciso”, debate de grande importância e representatividade dentro do evento.

A realização do 2º Enniq surgiu de forma desafiadora, uma vez que o 1º encontro ocorreu no formato virtual, em 2020, contando com a participação de 18 seções sindicais e cerca de 30 pessoas.

O evento agora contou com cerca de 430 participantes, representando 65 seções sindicais das cinco regiões do país, sendo 80% de Negras, Negros, Indígenas e Quilombolas; 18,4% de brancas e brancos e 1,6% considerado como outros. A programação do 2º Enniq contou com seis conferências temáticas, sete oficinas, entre elas de turbantes, pintura corporal, palavra cantada, etc., e ainda diversas atividades culturais, como, por exemplo, Grupo Twã (indígenas Xucuru-kariri), Afoxé Ofa Omin, Denis Angola (capoeira), Negro da Luz, Slam das Minas Maceió e Coco de Roda Xique Xique.

Foram realizadas visitas ao Parque Memorial do Quilombo dos Palmares e à Aldeia Mata da Cafurna, trazendo importantes vivências e aprendizados. Foram realizados debates nos grupos de trabalho com temas sobre interseccionalidades, gênero, raça, classe e etnia; políticas e ações afirmativas; necropolítica e etnocídio; e política e poder.

Encontro reuniu 430 participantes de várias partes do país. Foto: reprodução

O sinasefinho teve a participação de 22 crianças e contou com a seguinte temática: “Malunguinhos, Malunguinhas e Parentinhos: por um Brasil sem racismo!” e buscou viabilizar um local de experiências positivas, afetividade, sociabilidade, aprendizado com princípios colaborativos, igualdade e não-exclusão.

O evento contou com um importante debate referente à luta antirracial e destacou que é fundamental que a estrutura sindical do Sinasefe proporcione o empoderamento de negras, negros, indígenas e quilombolas.

Foram muitas/os na construção do 2º Enniq, em que se demonstrou a necessidade de um Sinasefe plural e com maior participação negra, indígena e quilombola em suas instâncias político-administrativas, assim como a defesa desta luta nas instituições que representa.

*Diretora do Sinasefe

Matéria publicada na edição nº 269

2º ENNIQ ocorreu em Maceío, no fim de março. Foto: Reprodução

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