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segunda-feira, 20 de maio de 2024

8 meses de resistência da Ocupação de Mulheres Rayana Alves, em Belém

Ocupação de mulheres do Movimento Olga Benario em Belém completa 8 meses. Dezenas de mulheres já foram atendidas num dos estados mais violentos para as mulheres.

Ana Carolina Martins e Hamblea Souza | Belém


Já completaram-se 8 meses a ocupação do Movimento de Mulheres Olga Benario de um prédio onde funcionou uma antiga escola estadual e que estava abandonado a mais de 7 anos, em Belém do Pará. Localizado no bairro da Batista Campos, esta é a primeira ocupação de mulheres do Norte do país e a 12ª do Movimento Olga Benario.

Com o nome de Rayana Alves, a ocupação surgiu a partir da necessidade de acolher mulheres em situação violência e vulnerabilidade social. Há oito meses o trabalho coletivo e voluntário de pessoas de diversos movimentos como o Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas – MLB, a União da Juventude Rebelião – UJR, a Unidade Popular – UP, o Movimento Correnteza e tantos outros, vem sendo essenciais para o fortalecimento e acolhimento das mulheres que chegam até a ocupação.

Atualmente, a ocupação abriga 3 mulheres e 1 criança, além de oferecer atendimentos como o de orientação jurídica e acolhimento psicossocial, sendo mais de 50 mulheres já atendidas desde que ocupamos o prédio.

Violência contra mulheres é um problema grave no Pará

Somente no início de 2022, foram registradas no Pará mais de 18 mil ocorrências de violência contra as mulheres. O estado possui 144 municípios, mas conta com apenas 21 Unidades Especializadas em Atendimento à Mulher – DEAM’s e uma Sala Lilás, que atende apenas vítimas de violência sexual. Isso demonstra em termos numéricos a quantidade insuficiente  de espaços especializados para atender a alta demanda que nem mesmo os órgãos responsáveis por sensos conseguem alcançar.

As ocupações de mulheres também cumprem com o papel fundamental de elevar a consciência das mulheres que se encontram em alguma situação de violência. Isto se dá através das diversas ações que são construídas no espaço: rodas de conversa, leituras coletivas, trabalho com a horta urbana, atividades político culturais, oficinas e outros.

Todas as ações construídas na ocupação são fruto da disposição de diversas pessoas que estão aqui diariamente desenvolvendo atividades a partir de suas áreas de atuação. Sejam elas artistas, educadoras, profissionais da saúde, entre diversas outras que se encontram cansadas de viver em um sistema que cotidianamente nos violenta.

Nesses 8 meses de existência, os vínculos e as lutas construídas são resultado do desejo comum por mudanças radicais, para além da denúncia, são colocadas em prática a solidariedade para o fortalecimento do lugar de possibilidades que se torna a ocupação de mulheres.

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