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sábado, 2 de março de 2024

Maternidade e luta: as mães solo na construção do socialismo

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Segundo o Dieese, a maioria dos lares brasileiros são chefiados por mulheres (50,8%), e são essas mães as protagonistas da luta popular.

Lucia Simão e Caroline Alencar* | São Bernardo do Campo (SP)


MULHERES – O segundo domingo do mês de maio, Dia das Mães, é uma importante data para refletir sobre a luta cotidiana das mães solo, que correspondem a uma parcela significativa da população brasileira.

Segundo dados do Dieese, de 2022, hoje cerca de 38,1 milhões de lares são chefiados por mulheres, ou seja, metade dos lares brasileiros. Destes, 21,5 milhões de lares são chefiados por mulheres negras. São mulheres que se responsabilizam exclusivamente por seus lares e assumem duplas ou triplas jornadas de trabalho: nos cuidados com a casa, dos filhos e, ainda, trabalhando fora.

Essas mães que sozinhas assumem também a maternidade enfrentam uma série de violências sociais; estão nos piores cargos de trabalho, com profissões desvalorizadas e mal remuneradas. Pela difícil rotina, também não podem se dedicar aos estudos e muitas não conseguem sequer concluir o ensino fundamental e médio. Da mesma forma, por essas dificuldades diárias, não possuem acesso à cultura e ao lazer. E muitas vezes não conseguem vagas nas creches para seus filhos e filhas.

Não por acaso a maioria das mães solo são pobres e negras, afetadas pelo machismo e o racismo que condicionam as mulheres negras ao lugar de exploração, objetificação sexual e ao abandono.

O patriarcado assegura que os homens possam não se responsabilizar pela paternidade, sem ressentimentos. A reação de muitos homens ao saberem que serão pais é, de imediato culpar as mulheres: “a culpa foi sua, você não se protegeu”, isso quando não questionam se são eles os pais.

Pelas opressões do capitalismo, as mulheres pobres e negras sofrem as maiores injustiças dentro desse sistema. Sendo mães solo, essa conjuntura se torna ainda mais difícil: sem recursos financeiros, sem moradia e rede de apoio, assumem sozinhas a criação dos seus filhos e filhas.

E apesar das duras condições, são essas as mulheres que têm a coragem e disposição de ir para a luta, pois são as mais interessadas em transformar a realidade. São mulheres como essas que estão na linha de frente da luta popular.

No Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas, essas mulheres representam a maioria da militância do movimento, lutando pelo direito à moradia digna para não precisar escolher entre pagar o aluguel ou colocar o leite na mesa para os filhos, mas muito além disso: lutando pela reforma urbana e pelo socialismo. Por uma nova sociedade, em que os cuidados das crianças sejam coletivizados, impor o fim da propriedade privada, e, também, o fim do individualismo e da opressão de gênero, raça e classe.

Exemplo do que deve ser essa nova sociedade é a organização do MLB que, para garantir o direito das mulheres de se organizarem e construírem lutas, promove creches coletivas para as crianças, organizada pelos próprios militantes.

A superação dos problemas que atravessam as mães solo, a pobreza, o machismo e o racismo, só podem ser superados através de um projeto coletivo, da coletivização das dificuldades e, principalmente, com a derrubada do projeto capitalista, através da construção do poder popular e do socialismo.

Viva a luta das mães organizadas!

*Militantes do MLB em São Bernardo do Campo

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