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domingo, 14 de abril de 2024

WebHelp: lucros bilionários, trabalhadores superexplorados

Em Curitiba, funcionários da multinacional de call centers WebHelp relatam baixos salários e necessidade de dupla jornada de trabalho.

Redação PR


TRABALHADORES UNIDOS – A qualquer horário do dia é possível encontrar no Centro de Curitiba pessoas com o crachá do Grupo Services. A empresa paranaense de call center é a maior do setor na cidade, com diversos prédios espalhados pela capital, atende grandes empresas do país em setores como telecomunicações, bancos e operadoras de pagamento.

Em 2018, a empresa já atendia um total de 50 milhões de pessoas do mercado consumidor interno do país. Em 2019, num processo de expansão, a empresa gastou R$ 10 milhões com a construção de um prédio chamativo em uma das principais avenidas da cidade, que, junto com uma suposta modernização, prometia abrir 2.000 novos postos de trabalho.

Já em meados de 2022, o Grupo Services foi comprado pela empresa francesa WebHelp, sua 11ª aquisição em um período de cinco anos, expandindo o seu quadro de funcionários em Curitiba para aproximadamente 9.000 pessoas, num total de 110.000 funcionários em 58 países. Assim, a WebHelp consolida seu monopólio em serviços de call center pelo mundo com uma receita de quase US$ 3 bilhões (aproximadamente R$ 14 bilhões).

Em 2023, a WebHelp fundiu-se com outra grande empresa do ramo, a estadunidense Concentrix, que, combinadas, devem ter em torno de US$ 10 bilhões (aproximadamente R$ 50 bilhões) em receitas anuais estimadas para 2023.

Baixos salários

Apesar de seus lucros bilionários, a empresa tem enfrentado críticas por pagar salários muito baixos para seus trabalhadores. A situação é ainda mais grave quando se leva em consideração o fato de que muitos desses funcionários precisam trabalhar em dois empregos para conseguir sustentar suas famílias, dado que o salário oferecido pela WebHelp é insuficiente para cobrir todas as despesas. Além disso, o vale-alimentação também é muito baixo, o que torna ainda mais difícil para os trabalhadores manterem suas necessidades básicas.

Um dos trabalhadores da WebHelp denunciou que, além do salário e vale-alimentação muito abaixo do necessário, funcionários também não são pagos pelas horas-extras. “É comum a necessidade estendermos a jornada de trabalho, mesmo após bater o ponto, para pagar as horas que são exigidas logados no computador, que sofre influência, inclusive, pela situação das próprias máquinas e equipamentos precarizados e dos turnos de trabalho sobrepostos, que impedem o funcionário de estar logado assim que registra seu o ponto”.

Também não há transparência sobre quanto é repassado aos funcionários a título de comissões, com exceção quando ocorre perda da comissão. Os motivos são os mais variados: quando o funcionário não alcança os indicadores; por excesso de pausas; realização do registro dos atendimentos; faltas, mesmo com apresentação de atestado médico; etc. 

Essas condições de trabalho precarizadas causam uma maior rotatividade de funcionários, dificultando a organização sindical desses trabalhadores. Além de ser o primeiro emprego de muitos jovens, que ainda não possuem uma devida formação técnica ou acadêmica.

Além da questão salarial, trabalhadores da WebHelp têm denunciado outras condições precárias de trabalho. Muitos relataram ter pouco tempo de descanso, com pausas que são insuficientes, o que compromete sua saúde e bem-estar. Além disso, alguns afirmam ter que arcar com os custos de deslocamento e alimentação durante os primeiros dias de treinamento, o que pode ser um peso significativo em um salário já baixo.

“Nós até recebemos o valor inteiro depois que o treinamento acaba, mas, até lá, a gente precisa tirar do próprio bolso. Tem gente desempregada que não vai ter de onde tirar essa grana, ainda mais com a passagem custando 6 reais”, afirma Laisa, uma das muitas mulheres que compõe o quadro de operadoras da empresa.

Condições de trabalho

Cerca de 1 milhão e 600 mil brasileiros trabalham em call centers, submetidos a uma rotina em que são expostos a jornadas de trabalho prolongadas e em ritmo acelerado de produção, de modo que todas as ligações que realizam são cronometradas, e isolados em suas posições de atendimento, que impedem a interação entre os operadores.

Além dos relatos da insuficiência das pausas para descanso durante a jornada de trabalho, do estresse causado pela pressão do ambiente de trabalho e do alcance das metas, também há o desrespeito aos limites dos funcionários que realizam atendimento ao cliente, que sofrem com a hostilidade de realizar a atividade de call center. Essas condições de trabalho provocam efeitos negativos na saúde mental do trabalhador, como estresse, ansiedade e esgotamento mental e físico. 

Os equipamentos atrapalham o desenvolvimento da atividade, cadeiras apresentam irregularidades de manutenção, assim como as mesas, e não há nenhum lembrete para que os operadores sigam as normas regulamentadoras de segurança e medicina do trabalho, que orientam a troca do fone de orelha, por exemplo. Assim, a fiscalização parece servir muito mais aos interesses do empregador do que à qualidade do ambiente de trabalho e saúde do trabalhador.

É observável que a expansão da WebHelp no Brasil ocorre após a Reforma Trabalhista, de 2017, feita pelo governo golpista de Michel Temer, que facilitou a entrada de empresas estrangeiras com o intuito de explorar mão de obra no país, estas que agora não precisam se preocupar com a dignidade e direitos de seus funcionários. Quando as instituições se provam incapazes de garantir os direitos e dignidade dos trabalhadores, algo recorrente no sistema capitalista, não há outra saída que não seja a organização da classe e atacar aquilo que os capitalistas unicamente se importam: o lucro.

Ao longo da história, todas as conquistas de direitos e melhoria das condições de trabalho ocorreram através da organização e mobilização dos trabalhadores nas ruas. Os grandes empresários tentam impedir isso isolando-nos em cubículos durante o expediente, mas esquecem que a conscientização e a organização acontecem nas ruas, praças, parques, quando os trabalhadores discutem sua revolta.

A construção de um horizonte de soberania, dignidade e poder popular ocorre com a revolta de nossa classe, direcionado àquilo que mantém a exploração incessante dos trabalhadores, miséria e degradação: o sistema capitalista. É preciso lembrar do camarada Lênin: “A força da classe trabalhadora é a organização. Sem organização de massa, o trabalhador é nada, com organização, é tudo”.

Matéria publicada na edição nº 273 do Jornal A Verdade.

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13 COMENTÁRIOS

  1. já trabalhei na webhelp e nada me faria voltar para aquela empresa. simplesmente exploração, nada além de exploração.

  2. Eu trabalho na webhelp e sim e um trabalho que não vale tudo oque a gente passa pra receber o salário mínimo, aconteceu esses dias uma menina teve uma crise de ansiedade que ela não conseguia nem levantar da cadeira e muito pressão psicológica e muito desorganizado também os supervisores não sabem explicar nada pra gente e aí quem escuta dos clientes somos nós e depois ainda somos avaliados e zerados na monitoria por conta que a gente não sabe resolver os problemas só que os próprios supervisores não sabem explicar e fica por isso mesmo. Eu só ainda tô lá por necessidade mesmo por que quando eu arrumar outro emprego na mesma hora saio dali.

  3. Sai dessa empresa e não me pagar a rescisão correta alegando uma multa por quebra do contrato de experiência, não recomendo pra ninguém essa empresa exploradora.

  4. Trabalhei nesta empresa, onde fui acusado de racismo e assédio, quero ver a empresa provar isso, me colocando contra a parede para assinar uma justa causa, exploram os funcionários, mascaram como uma grande empresa, mas na realidade não passa de uma empresa exploradora, pagam muito mal e tem muitos que ficam acomodados sendo humilhados. Quero ver provar na Justiça, por que o processo será criminal.

  5. Agora eles inventaram uma jornada de 9h e 48min., inadmissivel pois em call center são 6h e 20min. ou 7h e 12min, para 6×1 ou 5×2 dias trabalhados, respectivamente. O Sindicato é conivente, não faz nada. É tanto abuso de poder, tanta coisa errada, não tem saúde mental que resista.

  6. Foi um descaso total participar da carteira Santander. Fui agredido por um casal de atendentes que agora se tornaram suporte e supervisora.
    Se a gestão não fez gestão, aqui está!

    – Desorganização total! Pelo menos na gestão Santander é assim, supervisores subindo cargo de namorada, namorado. Fora os supervisores que são amigo, e arrumam o ponto da tropinha toda, os que deixam deslogar para namorar ou arrumar confusão ..Santander nunca mais! E quem for para lá, cuidado com a super polaca, que provavelmente irá mudar de prédio.

  7. Eu trabalho a 1 ano na empresa e o que me segura nele é o home office, pq tenho filho pequeno, mas se não tiver uma renda a mais, não sobrevive só com isso.

  8. Eu trabalho la e realmente. Agnt sobe de cargo e nao demoram mais de 6/8 meses pra mudar o salario e mudar na carteira. A exploração psicológica é o pior. Gestores que nao sabem lidar com pessoas. Depois que voltei pro presencial comecei a fazer tratamento com remedio controlado pra ansiedade e depressao, tomando rivotril toda vez que saiu pra ir trabalhar. Fora os gerentes e cargos maiores que acham que sao os donos da empresa e tratam agnt como lixo. Agora tao contratando menores de idade, pra acabar com o psicológico dos jovens.

  9. Trabalho nesse empresa e o único motivo que me segura lá no momento é que me ajuda na renda familiar junto do meu segundo emprego. Realmente lá é um ambiente completamente insalubre mentalmente. Excesso de cobrança pelo pouco que é oferecido. Sem falar que sempre arrumam tempo para cobrar erros nossos, porém quando precisamos que resolvam algo para gente levam meses (as vezes nem resolvem) ex: estou a 5 meses sem receber meu holerite e já questionei faz meses sobre. Sem falar que dão faltas injustificadas para nós mesmo mediante a apresentação de atestado. O VR não paga nem o almoço mais barato no centro. E o papo de crescer lá dentro? Só se vc for puxa saco de alguém lá dentro. Treinamento é ridículo e pessoas lá dentro sabem menos que eu que estou lá faz pouco tempo. Enfim… é indignante, porém pra quem não tem muita escolha é obrigado a ficar.

  10. Eu trabalho lá atualmente na carteira do nubank, no meus 3 primeiros meses foi uma maravilha até me trocarem de setor (squad) aí foi só ladeira a baixo escutei gestões no caso a coordenador do squad dizendo que se eu não mudasse minhas atitudes iria me dar medida até gerar uma justa causa, que eu estava sendo um péssimo exemplo para minha filha e tudo isso pq fiquei por 1 mês atrás do tal auxílio creche que eu não havia recebido por 3 meses inteiros tive que falar com superiores acima da gestão pra dai sim conseguir resolver.

  11. Uma empresa de hipócritas que só sabem reclamar e dar advertência sem motivo, nunca nada tá bom para eles, sempre estão querendo te quebrar na empresa, salário uma merda, difícil algum ser humano que trabalha lá ter saúde mental pois é uma maltratação com os funcionários, é um abuso oque eles fazer onde já se viu, cadê a lei trabalhista? Cadê o ministério de trabalho ?

  12. Essa empresa é a pior de todas para se trabalhar, exploração total do trabalhador ao máximo e cobram muito, exigem muito por muito pouco. Comissão aqui dentro é uma mentira, ninguém recebe nada pela entrega dos resultados.

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