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domingo, 14 de abril de 2024

Povo do Equador decide proibir mineração e extração de petróleo em plebiscito

Ao mesmo tempo em que ocorriam eleições presidenciais e legislativas, o povo equatoriano também votou em uma série de plebiscitos. Em uma votação histórica, a população decidiu proibir exploração de petróleo na Amazônia e a mineração nos Andes.

Felipe Annunziata | Redação


INTERNACIONAL – Neste domingo (20), os eleitores equatorianos não votaram apenas nas eleições gerais extraordinárias. Mesmo marcada pela alta violência política, praticada pelos cartéis de drogas com apoio dos setores reacionários da burguesia equatoriana, o povo foi às urnas.

A votação histórica perguntou se o Equador deveria ou não explorar as reservas de petróleo na área de proteção ambiental de Yasuní, localizada na Amazônia Equatoriana. Desde o governo de Rafael Correa (2007-2017), o governo equatoriano, com apoio de multinacionais estrangeiras, vem tentando explorar o petróleo da área.

Yasuní, mais do que um parque nacional, é uma das principais áreas de preservação de toda a Amazônia. É um lugar que contém uma das maiores biodiversidades no mundo e dezenas de povos originários, incluindo aldeias indígenas de recente ou nenhum contato com a sociedade capitalista.

Caso o plebiscito tivesse autorizado a exploração petroleira toda esta riqueza natural e os povos indígenas estariam em risco.

Ao mesmo tempo, os equatorianos também rejeitaram os projetos de mineração na região conhecida como Choco Andino, nas proximidades de Quito. A área, localizada na cordilheira dos Andes, é rica em minérios, mas também é uma das principais áreas das reservas de água no Equador, pois além das nascentes de diversos rios, conta com um grande aquífero no subterrâneo.

Aqui no Brasil conhecemos muito bem como as mineradoras podem atuar, em nome do lucro impõe ao povo grandes desastres naturais, como o de Brumadinho e Mariana, em Minas Gerais. Então, a decisão do povo equatoriano foi o de rejeitar a exploração destas mineradoras e salvar sua natureza e reversa de água doce.

Plebiscitos foram fruto da mobilização popular

Desde 2013 os movimentos indígenas, sociais e de defensores do meio ambiente vem reivindicando a realização do plebiscito. Várias petroleiras vem tentando impor seu lobby para explorar as reservas de Yasuní.

Em todos os levantes populares, como o de 2019 e o de 2021, a população deixava claro que não aceitava mais a exploração capitalista e espoliadora destas regiões. No entanto, só após a grave crise política e econômica que afeta o país neste ano, o governo decidiu liberar o plebiscito.

Entre as candidaturas que disputaram o pleito, apenas os candidatos a deputado da lista do partido Unidad Popular e da coligação Claro que se puede!, liderados pelo candidato a presidente Yaku Perez, tomaram o lado ativo da campanha contra a exploração de petróleo e minérios nestas áreas.

Além das candidaturas, sindicatos, entidades estudantis, camponesas, indígenas e de ambientalistas se somaram numa grande frente em defesa de Yasuní e do Choco Andino. O resultado foi a vitória expressiva destes setores nos dois plebiscitos.

No plebiscito sobre Yasuní, 5,4 milhões (59%) dos equatorianos votaram contra a exploração de petróleo. Já na votação sobre o Choco Andino, que ocorreu apenas na província de Pichincha, que cobre a cidade de Quito, quase 1 milhão de pessoas votaram contra a exploração mineral (68%).

Mesmo com todas as táticas do governo, incluindo a colocação de uma pergunta que induzia ao erro na cédula, o povo rejeitou de todas as formas a imposição do domínio das multinacionais sobre seu território.

 

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