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sexta-feira, 19 de abril de 2024

Estudantes realizam ato denunciando transfobia de professora na UFBA

Na Faculdade de Comunicação (FACOM) da Universidade Federal da Bahia (UFBA) uma estudante do curso de Produção Cultural sofreu transfobia e racismo por parte da coordenadora do colegiado da instituição.

Isabella Tanajura* | Salvador


EDUCAÇÃO – Nesta terça-feira (12) uma estudante trans da Faculdade de Comunicação (FACOM) denunciou uma professora por transfobia e racismo durante aula do curso de Produção Cultural.  A professora em questão é, além de discente do curso, coordenadora do colegiado da graduação em Comunicação da instituição.

A vítima, Liz Reis, estudante e cantora lírica, disse que o incidente começou quando a professora discordou dos apontamentos da estudante relacionados ao texto abordado na aula. A professora usou pronomes masculinos e disse que seus comentários eram “sem sentido”. Além disso, a docente chamou um servidor para retirar Reis da sala, alegando que a estudante estaria num surto psicótico. 

Em resposta, estudantes de diversos cursos da UFBA realizaram um ato em repúdio ao ocorrido. O ato se concentrou em frente à FACOM e partiu em marcha com palavras de ordem e cartazes até a inauguração de parte do prédio do Instituto de Humanidades, Artes e Ciências Prof. Milton Santos (IHAC), edifício que passou quatro anos sem avanços nas obras. 

Liz Reis durante o protesto na inauguração de novo prédio do IHAC na UFBA nesta quarta-feira (Foto: Isabella Tanajura / Jornal A Verdade).

Transfobia e racismo não cabem na educação popular

O evento de inauguração do IHAC em que estavam presentes várias autoridades da universidade incluindo o reitor da UFBA, Paulo Miguez, cedeu o espaço de fala para os estudantes realizarem uma intervenção denunciando o ocorrido. “Não é só a questão do pronome, é isso também. Porque além dela ter errado meu pronome de propósito, ela matou a minha narrativa de uma estudante, que construo com tanta resistência” afirma Liz Reis durante sua fala ao microfone no evento. “Ela tentou quebrar a minha imagem de uma artista, ela tentou quebrar a minha narrativa e isso foi cruel. E eu quero uma resposta de quem está aqui e pode fazer alguma coisa” completa a estudante. 

Durante o ato, outros estudantes trans da UFBA alertaram sobre as violências que sofrem dentro da universidade tanto em sala de aula com professores e colegas de turma que desrespeitam a maneira com as quais querem ser chamados quanto no próprio sistema da universidade. Karym Assemany, estudante de Ciências Sociais e militante do Movimento Correnteza, trouxe a questão da do desrespeito do nome social pelas instâncias da UFBA: “Uma coisa básica: a UFBA tem no seu processo seletivo, quando você passa no ENEM, [a opção de] colocar seu nome social. Seu nome social não é respeitado! Aquilo é um negócio para dizer que a lei está sendo posta em prática e ela não é. Fiz isso e demorou mais de seis meses para me darem resposta, mas o nome morto continua ali no e-mail. A gente só vai conseguir as mudanças com luta!”. 

A massa que protestava sobre o caso de transfobia exigiu um posicionamento imediato do reitor Paulo Miguez que estava presente no evento. Miguez trouxe em sua fala que a universidade vai apurar o ocorrido e que o caso foi levado às instâncias competentes. O reitor também levantou que os estudantes deveriam ter mais ponderação em suas falas e posicionamento.

Estudantes trans se manifestaram por mais respeito às suas vivências dentro da universidade (Foto: Isabella Tanajura / Jornal A Verdade).
Isis Valentini, diretora de Cultura na União Nacional dos Estudantes (UNE), defendeu que os estudantes não fossem silenciados. Ela ressaltou que não há espaço para transfobia e racismo numa universidade que se propõe inclusiva (Foto: Isabella Tanajura / Jornal A Verdade).

TRANSformar a UFBA em universidade popular 

A universidade pública deve ser um lugar em que todos os estudantes, independente de todas as diferenças, possam construir ciência, debater e construir um ambiente livre de agressões. Essa não é uma tarefa fácil, seja enquanto estudantes, no movimento estudantil ou corpo docente, devemos lutar para de fato transformar esse espaço para tornar em uma instituição verdadeiramente popular.

*Estudante de Jornalismo na Faculdade de Comunicação (FACOM) da UFBA.

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