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sábado, 20 de abril de 2024

Técnico-administrativos da Unesp entram em greve por reajuste e isonomia salarial

Os servidores técnico-administrativos da Unesp de vários campi do estado entraram em greve, por tempo indeterminado, desde 8 de Agosto, clamando “Igual Trabalho, Igual Salário”. A reivindicação principal é a equiparação de salários aos dos servidores da USP. Uma pauta histórica entres as universidades paulistas (USP, Unesp e Unicamp) onde a diferença de salários chega a quase 50%.

Luiz Gomide* e Felipe Magdalena* | São Paulo


TRABALHADOR UNIDO – A Unesp, levando em conta o alcance da população ao ensino superior, poderia ser considerada a mais importante das universidades paulistas. São 34 Unidades de ensino, espalhadas por 24 cidades em todo o estado de São Paulo.

A situação geográfica traz para a Unesp condições muito favoráveis de avançar em um projeto de universidade popular. Apesar disso, é a universidade que possui a menor proporção de técnicos administrativos em relação ao número de docentes ativos: enquanto na UNICAMP são quatro servidores técnicos por docente, na UNESP essa relação cai para menos da metade.

Não só os técnicos administrativos são sobrecarregados, mas eles também possuem a pior remuneração entre as três universidades na execução das mesmas funções. Os servidores docentes das três universidades paulistas (USP, Unesp e Unicamp) possuem isonomia salarial, ou seja, um professor da USP ganha aproximadamente o mesmo que um professor da Unesp ou da Unicamp, no mesmo cargo.

O mesmo não acontece entre os técnicos administrativos, em que as disparidades de salários oscilam entre as três universidades e os diferentes cargos chegando até 47% de diferença em alguns cargos da Unesp para USP.

A luta pela equiparação de vencimentos já se arrasta há anos e, embora a pauta seja reconhecida pelos reitores da Unesp, a desculpa é sempre a mesma: “precisamos ser cautelosos com os gastos de folha de pagamento”. No entanto, as políticas de excessiva austeridade dos reitores arrocham salários dos técnicos administrativos ao mesmo tempo que fazem crescer as “reservas financeiras” da Unesp.

Luiz, militante do Movimento Luta de Classes e Técnico Administrativo da UNESP, diz: “A reitoria da UNESP, há meses, usa justificativas para se esquivar da negociação e garantir os direitos da categoria. Primeiramente, tinham que avaliar os primeiros anos de gestão, então no ano passado, foi a desculpa da transição do governo, agora neste ano é preciso acompanhar a flutuação da economia… Mas a grande verdade é que a UNESP tem um colchão financeiro acumulado de quase dois bilhões nos últimos anos e que segue rendendo mais de 20 milhões por mês”.

Reitor tenta desmobilizar a categoria

Com o início da greve, os servidores já conseguiram uma primeira reunião para discutir a equiparação com um primeiro passo: haverá a aplicação da primeira etapa da equiparação salarial com o valor de 10 % nos salários da categoria a partir de Outubro. Apesar de ser uma conquista, o reajuste foi uma manobra do reitor para desmobilizar o movimento, pois o orçamento já contava com recursos exclusivos para que esses valores fossem pagos desde o início do ano e nada havia sido oferecido até agora.

Em suma, foi oferecido menos da metade do orçamento reservado para equiparação salarial após 6 dias do início da greve. Não só isso, mas toda estrutura institucional já estava montada para provocar essa desmobilização, visto que antes mesmo dos colegiados responsáveis finalizarem os debates em torno da aprovação do reajuste, a reitoria já estava divulgando e-mails e notas em sua página da internet, notificando os servidores da sua falsa vitória.

O movimento de servidores unidos entendeu que a proposta dos 10% é insuficiente e não contempla as demandas dos servidores, que seguem exigindo ao menos 15% de reajuste e um cronograma efetivo para a implementação da equiparação ainda na gestão do atual reitor. Em 24 de Agosto, os servidores de vários campus se reuniram em um ato em Assis, onde ocorreu a reunião do Conselho Universitário, para referendar a proposta do reitor.

Nesse ato reuniram-se mais de 500 pessoas entre servidores e estudantes, além de outras iniciativas locais nos demais campi, apoiada pelo Movimento Correnteza, demonstrando sua insatisfação com a proposta, entretanto mais uma vez o reitor tentou desmoralizar e desmobilizar os servidores, ao atacar as falas dos representantes dos servidores e fazer insinuações falsas sobre a negociação, ignorando que o sindicato responde às bases da categoria e não aos anseios do reitor.

Vale dizer ainda que o desrespeito à democracia começa muito antes quando o Conselho Universitário da Unesp, mesmo com a presença da categoria e servidores vindos de diversos locais do estado lá presentes, não deu prioridade à pauta de reajuste, abrindo essa discussão somente após oito horas após o início da reunião do Conselho.

Sobre a paridade, é importante mencionar que as universidades paulistas foram fundadas e trabalham até hoje com estruturas decisórias extremamente elitistas e antidemocráticas, similares ao voto censitário. Os docentes possuem 70% dos votos e das representações nos órgãos colegiados, enquanto estudantes e servidores técnico-administrativos possuem apenas 15% cada.

Isso gera distorções absurdas, em que apenas os docentes possuem todo o poder de decidir os rumos da universidade, mesmo quando estiverem em minoria absoluta. A aspiração por cargos comissionados leva os membros a votarem alinhados com as posições do reitor.

É impossível para os servidores serem ouvidos e terem suas pautas atendidas utilizando-se apenas o diálogo e sua parca representação nos órgãos colegiados. Dentro das universidades a única forma de voz acessível aos técnico-administrativos e aos estudantes é a mobilização através da greve.

Após as tentativas fraudulentas de desmobilização pela reitoria, alguns campi que estavam mobilizados foram forçados a retornar ao trabalho.

No entanto, algumas unidades ainda permanecem organizadas e mobilizadas. Um destaque é o Campus de Araraquara, composto por quatro unidades, que está fortemente mobilizado e trabalhando para retomar a mobilização nas outras unidades visando a reunião do Conselho de Administração e Desenvolvimento (CADE) no dia 13 de Setembro, quando a equiparação pode ser novamente pautada dentro do orçamento.

Os servidores técnico-administrativos da Unesp não serão intimidados, nem comprados com migalhas, e seguirão exigindo a justa equiparação com seus colegas das outras universidades do estado de São Paulo.

Igual Trabalho, Igual Salário!

*Militantes do MLC

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