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segunda-feira, 11 de dezembro de 2023

Escalada de violência envolvendo a PM cresce em Pernambuco

Chacina em Camaragibe deixa explícita o contexto da violência em Pernambuco. É necessária a desmilitarização policial e avançar no debate da segurança pública.

Well Gomes e Redação PE | Recife


BRASIL – Na madrugada da sexta-feira (15/09), em Camaragibe, município da Região Metropolitana do Recife, uma chacina repercutiu em todo o país: seis pessoas de uma mesma família foram assassinadas na madrugada, coincidentemente após dois policiais militares terem sido mortos horas antes em um confronto. O suspeito envolvido na morte dos PMs possuía licença para uso de armas, o chamado CAC (Colecionador, Atirador ou Caçador). Tal situação ocorre justamente quando a sociedade debate a crescente onda de violência envolvendo a truculência das PMs em SP e na Bahia e a postura dos governos estaduais sobre a questão da segurança pública. 

No ocorrido em Camaragibe, 5 familiares de Alex, suspeito pelo assassinato dos 2 PMs, foram assassinados brutalmente com características de revanche ou vingança, aumentando o já instaurado clima de impunidade no estado. Reféns dessa violência desenfreada vemos a classe trabalhadora das periferias. O nível de violência é tão sem precedentes que uma das vítimas da chacina em Camaragibe registrou o ocorrido poucos momentos antes de falecer por meio de uma ‘live’ no Instagram. Na filmagem é possível ver homens encapuzados e armados cometendo o crime. Vale lembrar que Pernambuco tem 5 das 50 cidades mais violentas do país com mais de 100 mil habitantes (dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública). 

Violência estrutural X Impunidade 

Desde a implementação da Polícia Militar, o povo pobre e periférico é subjugado pelos atos agressivos e assassinos sob a premissa irreal de alcançar uma paz que nunca vem. A verdade é que a PM é um instrumento burguês que usa da violência para garantir a manutenção do capitalismo.  A população pobre tem medo da PM que deveria servir e proteger. 

Por outro lado, nos últimos quatro anos, o governo do fascista Bolsonaro liderou um verdadeiro “libera geral” para as armas de fogo, contribuindo diretamente com o crescimento da violência e da impunidade. Segundo dados obtidos pela Lei de Acesso à Informação, nos últimos 4 anos houveram um aumento de 745% de crimes cometidos por CACs. Mais: só de 2019 a 2022 foram liberados 904 mil registros dessa atividade no território nacional. Some-se isso com a eleição de governadores da extrema direita, como Tarcísio de Freitas, ou representantes das elites locais, como Gerônimo Rodrigues, que apesar de ser do Partido dos Trabalhadores (PT) segue a política de extermínio deixada pelo seu antecessor Rui Costa, também do PT. Em Pernambuco temos Raquel Lyra, do PSDB, eleita prometendo mais repressão para solucionar a violência no estado. 

Desmilitarização 

Enquanto a polícia continuar militarizada, a periferia continuará sendo vítima de operações ineficazes que apenas sacramentam a necropolítica brasileira. Por isso, é necessária a desmilitarização da polícia, de forma que ela fique mais próxima da instância civil, a fim de proibir o uso da força para subjugar inocentes. Além disso, é necessário avançar o debate sobre segurança pública, porque a forma que ela opera atualmente tem somente uma função: manter, por meio da força, esse regime que beneficia apenas a burguesia, com uma polícia que morre e que mata tendo as comunidades pobres como pano de fundo. 

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