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domingo, 14 de abril de 2024

Dany Oliveira: “A greve da USP foi fundamental para enfrentar o projeto privatista do Governo de São Paulo”

Neste segundo semestre de 2023, a Universidade de São Paulo (USP) passou por uma gigantesca greve estudantil, que durou mais de um mês e obteve vitórias importantes. Para compreender o processo da luta e seus resultados, A Verdade entrevistou Dany Oliveira, diretora do DCE Livre da USP, da UEE São Paulo e da Coordenação Nacional do Movimento Correnteza.

Victor Magalhães | São Paulo


A Verdade – Por que os estudantes da USP decidiram entrar em greve?

Dany – A greve não surgiu de um dia pro outro. Foi construída pelos estudantes já bem antes de ser declarada. As principais pautas foram a contratação de professores e a permanência estudantil, grandes problemas na vida dos estudantes há vários anos.

Desde o ano passado, houve uma série de tentativas de diálogo com a Reitoria, de intervenções nos Conselhos Centrais, de atos e de paralisações. Mas as reivindicações nunca foram ouvidas pela Reitoria. Foi crescendo o sentimento geral de indignação e revolta, que estourou com essa gigantesca greve quando centralizamos as pautas de todos cursos da universidade. Isso fez com que milhares de estudantes aderissem à greve. 

Quais foram as principais conquistas da greve?

A greve trouxe conquistas em duas frentes. Conquistamos o compromisso da Reitoria de contratar mais de mil professores em menos de um ano, a garantia de que nenhum curso será fechado e a construção de uma Comissão de Acesso Indígena, sem contar as pautas locais que os estudantes e os Centros Acadêmicos conseguiram conquistar em seus cursos. 

Por outro lado, a própria mobilização entre os estudantes, que não tomava essa proporção há muitos anos, foi uma vitória dessa greve. A adesão de todos os cursos ao movimento não acontecia há pelo menos 20 anos. Tantos estudantes construindo uma greve por pautas como essas, fazendo uma geração inteira em contato com as lutas do nosso povo e com o movimento estudantil, já é uma vitória.

Na sua opinião, essa greve conseguiu ir além dos muros da universidade?

Aqui em São Paulo, temos vivido uma situação muito grave, com bairros inteiros sem luz e sem água há dias após as chuvas. Há um processo de precarização e desmonte dos serviços públicos, que levam às privatizações.

Nesse contexto de fortes ataques aos serviços públicos, dobrar a Reitoria e o Governo Tarcísio, conquistar a realização de um concurso público para contratação de milhares de professores e fortalecer a maior universidade do estado, mostra que, através da luta, podemos combater as privatizações em São Paulo.

Ao mesmo tempo, a greve da USP foi importante para fortalecer a luta dos trabalhadores na greve unificada no dia 03 de outubro no setor de transportes e saneamento, quando conseguimos mobilizar um contingente muito grande de estudantes para aderir às ações da greve geral. 

Resumindo, a greve da USP foi fundamental pra tensionar o projeto privatista que o Governo Tarcísio quer impor ao Estado de São Paulo.

Quais os próximos passos da luta?

Estamos agora em um outro momento da luta. Vários estudantes foram experimentados na luta durante a greve e precisamos organizar toda essa revolta e seguir mobilizando para consolidar as vitórias da greve e seguir transformando nossa universidade.

Não podemos esquecer que a USP foi fundada para formar os filhos da elite paulista. O projeto dela não mudou, apesar das várias lutas e conquistas do movimento popular, ainda é insuficiente. Queremos uma faculdade sem vestibular, que tenha moradia para todos, que tenha bandejões aos finais de semana para que os estudantes não fiquem sem comer, e muito mais.

Sabemos que algumas dessas coisas podem ainda ser conquistadas com muita luta, mas é preciso lembrar também que a universidade dos nossos sonhos só é possível com o fim do capitalismo e a construção de uma sociedade nova, a sociedade socialista.

Entrevista publicada na edição nº 285 do Jornal A Verdade.

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