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domingo, 14 de abril de 2024

O bolchevique Kalinin

Confira a primeira parte da matéria com a biografia do líder revolucionário soviético Mikhail Kalinin publicado no Semanário En Marcha, do Equador.

Alejandro Ríos* | PCMLE – EQUADOR


HERÓIS DO POVO – Mikail Ivanovich Kalinin foi um dos dirigentes bolcheviques mais queridos pelo povo soviético. Os camponeses diziam que, com ele, se podia falar como com um deles. É que ele provinha de uma família camponesa e entendia muito bem sua vida, sua forma de pensar e atuar, e sabia se relacionar com eles. Quando Lênin recomendou para que ele assumisse a Presidência do Comitê Executivo Central do Congresso dos Sovietes de toda a Rússia, disse que “é um camponês da província do Tver, que tem estreitos vínculos com a economia camponesa. Os trabalhadores de Petrogrado podem assegurar-se de que o camarada tem a capacidade de aproximar-se dos amplos setores das massas trabalhadoras”. A confiança do povo com ele era tal que acostumavam lhe escrever cartas que contavam seus problemas, os erros cometidos por funcionários de nível médio e inferior e lhe pediam ajuda.

Durante as três primeiras décadas do poder soviético, coube a Kalinin cumprir responsabilidades de enorme importância e transcendência. Com o triunfo da Revolução de Outubro, os operários o elegeram membro da Duma de Petrogrado e esta o designou prefeito da cidade. Quando se constituiu a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), é eleito presidente do Comitê Executivo Central da URSS e, desde janeiro de 1938, esteve à frente do Presidium do Soviet Supremo. Precedeu a isto um intenso trabalho revolucionário organizando a classe operária, dirigindo greves, organizando o trabalho da insurreição de outubro de 1917. Tudo mostra Kalinin como um modelo de revolucionário. Apesar das altas e grandes responsabilidades cumpridas no Estado Soviético no período das mais importantes vitórias que o socialismo alcançou, Kalinin é pouco conhecido pelas gerações atuais. 

Aos 20 anos de idade, decidiu ingressar no movimento revolucionário da Rússia. Em 1893, foi trabalhar como operário na fábrica Stary Arsenal (São Petersburgo) e, desde 1896, trabalhou como torneiro da fábrica Putilov, onde organizou um círculo marxista que formava parte da União de Luta pela Emancipação da Classe Operária. Em 1898, inicia sua militância no Partido Operário Socialdemocrata Russo. Pouco depois (1899), virá a primeira de 14 detenções que lhe levaram às prisões e desterros.

Kalinin e a imprensa bolchevique 

Em seu artigo Por onde começar? (1901), Lênin enfatiza que, para construir um partido unificado em todo o território “antes de mais nada” se requer um periódico: “o primeiro passo prático para a criação da organização desejada e, finalmente, o fio fundamental ao qual poderíamos nos agarrar para desenvolver, aprofundar e crescer incessantemente esta organização, deve ser a criação de um periódico político para toda a Rússia. Sem ele seria impossível desenvolver de um modo sistemático uma propaganda e agitação fiéis aos princípios e extensiva a todos os aspectos, que constitui a tarefa constante e fundamental da socialdemocracia”.

Stálin pensava da mesma maneira. Uma das primeiras tarefas traçadas nas regiões nas quais desenvolveu sua atividade revolucionária foi contar com um periódico (clandestino ou legal) e a imprensa para a propaganda. Daquele periódico que Lênin faz referência, a Iskra, Kalinin foi ativo colaborador. Em 1902, montou uma imprensa clandestina na qual eram impressos volantes, folhetos e periódicos. Em 1912, Kalinin foi parte dos iniciadores do jornal Pravda, tarefa encomendada pelo Partido a Stálin como principal responsável. O periódico cumpriu um extraordinário papel no fortalecimento do Partido e na ampliação de sua influência nas massas.

A formação comunista dos jovens 

Kalinin se destacou como propagandista dos princípios do marxismo-leninismo e na  simplicidade ao se relacionar com os trabalhadores, camponeses e contribuindo com a educação do povo nos valores do socialismo, do internacionalismo proletário, da moral socialista, do coletivismo na vida cotidiana, do trabalho e do estudo. Como responsável no birô político do Partido do trabalho com o Komsomol (Juventude Comunista), preocupou-se com a formação comunista dos jovens – em quem o Partido depositava grandes tarefas na construção do socialismo – e se preocupava com sua afirmação das ideais do socialismo científico.

Nos anos em que o nascente poder do proletariado enfrentou o ataque de 14 exércitos de países capitalistas, unidos à ação contrarrevolucionária armada das classes dominantes derrocadas, Kalinin – à cabeça do trem de propaganda “Revolução de Outubro” – percorreu amplas zonas das regiões centrais da Rússia, Ucrânia, Cáucaso do Norte, Sibéria e quase todas as frentes da Guerra Civil (1918 – 1920), desenvolvendo um intenso trabalho de agitação e propaganda entre os trabalhadores, camponeses e soldados do Exército Vermelho. Durante 272 dias, ele e seus assistentes (delegados do povo, especialistas militares, agrônomos, advogados, trabalhadores da cultura) viajaram por todo o país, ao longo das frentes mais importantes.

Em duas ocasiões, o trem foi bombardeado por forças do inimigo. Em uma reunião do Partido, que analisava o trabalho no campo (novembro de 1919), Lênin destacava que “Graças ao camarada Kalinin, o trabalho no campo recebeu um impulso considerável. O camponês teve sem dúvida uma relação mais direta com o poder soviético ao dirigir-se ao camarada Kalinin, que representa em sua pessoa o poder supremo da República Soviética”.

Simplicidade – sem afetar a profundidade do conteúdo – e vinculação da teoria com os elementos práticos da edificação do socialismo caracterizam sua produção intelectual. “A educação comunista – dizia –, tal como a concebemos, deve ser sempre concreta. Em nossas condições, deve estar subordinada às tarefas que exigem o Partido e o governo”. Não entendia o estudo do marxismo-leninismo como a aprendizagem de longos textos para serem repetidos de cor. “É um método, um instrumento, por meio do qual determinamos qual deve ser nosso comportamento na vida política, social e privada. Estimamos que é a arma mais poderosa de que o homem dispõe em sua vida prática”.

Sustentava, além disso, que o domínio do marxismo (de seu método e concepção) exige estudo, mas também “envolvimento na marcha histórica dos acontecimentos”, o que nos localiza no plano da ação prática.

Envolver-se na marcha histórica dos acontecimentos significa que o partido do proletariado não pode fazer política “no ar”, não pode limitar-se a formular frases ou sentenças políticas que “respondem aos cânones do marxismo”, mas afastadas da realidade concreta. “Uma coisa é conhecer o marxismo e outra é sabê-lo aplicar cada dia, cada hora, nas situações mais diversas, peculiares e inusitadas”, afirma Kalinin.

O marxismo é uma ciência viva, não uma teoria abstrata, desenvolve-se à medida que avançam a sociedade e os diversos acontecimentos históricos. Por isso, o marxista deve atuar com criatividade e objetividade, o que obriga um estreito contato com a realidade, com a classe operária e os povos. “O método marxista é empregado com acerto – afirma Kalinin –, quando, ao mesmo tempo que trabalhamos com a teoria de Marx, estudamos o fenômeno que nos ocupa”.

A luta contra o nazifascismo

Em junho de 1941, começou a Grande Guerra Pátria, entre as muitas e diversas atividades que o Partido e o Estado soviético se propuseram a enfrentar e saírem vitoriosos. O Comitê Central do Partido, então, encomenda a Kalinin realizar um trabalhado ideológico. Sabia como fazê-lo, tinha a experiência desenvolvida com o Trem de Propaganda e Agitação “Revolução de Outubro”, sobretudo tinha toda a experiência dos anos à frente do Estado Soviético. Tinha ainda o acervo teórico e político para enfrentar essa responsabilidade e a autoridade sobre a população. Incansável, será visto viajando, mantendo reuniões com unidades militares, pronunciando discursos em fábricas, cooperativas agrícolas, com membros do Komsomol e com mulheres do campo.

Em 06 de dezembro de 1941, o Exército Vermelho e o povo soviético detiveram a ofensiva inimiga perto de Moscou e lançaram uma contraofensiva. A União Soviética recebeu o novo ano de 1942 escutando Kalinin, que se dirigiu por rádio: “Camaradas soldados, comandantes, trabalhadores políticos! Sua habilidade e heroísmo, admirados pelo mundo inteiro, detiveram o inimigo. A camarilha governante alemã calculou mal. Sabemos que nem um só homem soviético descansará até que ao menos um hitleriano pisoteie o sagrado solo soviético, até que o hitlerismo seja abrasado pelo ferro ao vermelho vivo”.

Durante a guerra, centenas de artigos e discursos foram publicados nos jornais e revistas bolcheviques. Suas obras somam 30 coleções, com mais de 60 folhetos dedicados aos problemas da derrota dos fascistas.

Alejandro Ríos é membro do Partido Comunista Marxista-Leninista do Equador (PCMLE). Artigo publicado na revista Unidade e Luta, órgão da CIPOML.

(Na próxima edição, publicaremos a segunda parte do artigo O bolchevique Kalinin)

Matéria publicada na edição nº282 do Jornal A Verdade.

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