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sábado, 2 de março de 2024

O projeto de habitação que tem causado conflito nas periferias de São Paulo

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Propaganda capitalista que desumaniza os sem-teto e os culpabiliza pela situação de rua, escondendo que os verdadeiros culpados são as grandes imobiliárias e o Estado que atua em seu benefício, provoca atrito entre o povo trabalhador

Bruno X. Cordeiro e Gabriel Matias | São Paulo


SOCIEDADE –  Projetos de moradia realizado sem nenhum tipo de participação popular tem sofrido com represálias por parte da população. Recentemente na região do Jabaquara, zona sul de São Paulo, sabendo de rumores que um antigo terreno receberia o projeto, moradores se manifestaram contra, organizando inclusive um ato “contra a cracolândia na região”.

Essa atitude contra o projeto já havia acontecido há alguns meses em Itaquera, zona leste de São Paulo, quando moradores depredaram o que já havia sido instalado no terreno, também se colocando contra “a cracolândia na região”.

Por que a população das periferias se colocaram contra um projeto de habitação nos seus bairros? Essa resposta da população acontece porque há uma grande propaganda que distorce a realidade de quem são as pessoas em situação de rua, criando o mito de que só chega à situação de rua quem não quer trabalhar e é usuário de drogas, um discurso que desvia a atenção do que causa o problema, culpando individualmente cada pessoa.

Projeto “Vila Reencontro”

Um desses projetos é a “Vila Reencontro” com algumas moradias provisórias a prefeitura tem alugado imensos terrenos por altos valores, alimentando os grandes proprietários do mercado imobiliário da cidade, dando um prazo máximo de 2 anos para as famílias ficarem em construções feitas de contêineres de 18 até 36 m².

Em caso em que as famílias são grandes, as condições desses espaços estão longe do que é uma moradia digna e não lidam diretamente com as contradições que geram a imensa quantidade de pessoas em situação de rua.

O programa também tem um eixo que promete auxílio financeiro para quem se dispor a acolher alguém cadastrado, novamente tratando o problema de uma maneira superficial e sem enfrentar o mercado bilionário que enriquece com a falta de moradia aos trabalhadores, mantendo essas pessoas na busca por moradia dentro da lógica predatória do mercado imobiliário, o que obrigará a grande maioria a voltar para situação de rua.

Problema da moradia

O problema da moradia em São Paulo tem sido tratado como uma grande oportunidade de mercado para empresários e políticos, já que é um tema que atinge uma imensa parcela da população que vê o custo para se ter onde morar aumentar cada vez mais e, junto disso, o crescimento pavoroso dos trabalhadores que vivem em situação de rua na metrópole paulistana.

A atual gestão da prefeitura, comandada pelo prefeito e empresário Ricardo Nunes (MDB), vendo a importância dessa pauta para a população, que na última eleição levou o candidato Guilherme Boulos (PSOL) liderança do MTST (Movimento Trabalhadores Sem Teto) ao segundo turno, tem apresentado projetos para alimentar os patrocinadores do mercado imobiliário, maior financiador da campanha que levou Nunes à prefeitura, e enganar a população.

Moradia digna se constrói com luta contra o mercado imobiliário

Não há solução para questões de moradia sem enfrentar o mercado que lucra com a falta de moradia digna. O capitalismo engorda com a escassez que ele mesmo cria, concentrando a riqueza nas mãos de poucos enquanto a maioria esmagadora trabalha pelo mínimo à sobrevivência.

Por isso é urgente que haja uma reforma urbana que tenha como objetivo principal a qualidade de vida dos trabalhadores, com transporte de qualidade, acesso à cidade, à aparelhos de cultura, educação, saúde, áreas de esporte, lazer, segurança, e não o lucro para alguns poucos proprietários que vivem em condomínios com muros altos e acesso controlado. Nossa libertação dentro da cidade só será possível com a construção de uma nova sociedade, a sociedade socialista.

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