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terça-feira, 27 de fevereiro de 2024

CCR deve ser cobrada pelo assassinato de Edmar Santos em Salvador

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Partidos políticos e movimentos populares soteropolitanos se mobilizaram na última quarta-feira (24/01) para cobrar justiça pelo assassinato do trabalhador negro Edmar Santos, executado pelos seguranças da CCR Metrô Bahia na Estação Acesso Norte.

Eduardo Monteiro | Salvador*


LUTA POPULAR – No último dia 6 de janeiro, enquanto milhares de famílias soteropolitanas retiravam suas decorações de Natal, como é costume no Dia de Reis, a CCR Metrô Bahia tirou um trabalhador negro de sua família. Edmar Santos Costa, 38, estava a caminho do trabalho  como porteiro quando foi assassinado por dois seguranças da CCR no terminal de ônibus Acesso Norte. O trabalhador foi sufocado até ter uma parada cardiorrespiratória. Sua execução foi gravada pela câmera de segurança, e vários trabalhadores, que transitavam pelo terminal, tentaram impedir a ação e salvar a vida de Edmar, mas foram recebidos com truculência pelos seguranças.

Em sua defesa, após saber do ocorrido, a CCR disse em nota que “investe em um programa contínuo de capacitação e treinamentos para os seus colaboradores, com o principal objetivo de prestar um serviço de qualidade à população¹”. 

O único serviço para o qual os capitalistas treinam seus corpos de segurança é a manutenção do seu próprio capital, e o caso de Edmar não é isolado: ele é mais um trabalhador assassinado por esse sistema que converte a vida humana em mercadoria, e quando essa mercadoria não lhes serve, é descartada. Algo similar aconteceu com Yuri de Sousa Santos, entregador do iFood que, em virtude de um acidente de trabalho, morreu atropelado em 2022. A empresa, por sua vez, desativou a conta do entregador por “má conduta”, que nada mais é do que não servir mais para trabalhar, deixando de gerar a riqueza dos empresários donos do iFood e da CCR.

Quem são os verdadeiros culpados?

Segundo a revista Forbes, que nada mais é do que um veículo de propaganda da burguesia, o grupo CCR atualmente possui entre seus acionistas cinco bilionários. Estes cinco capitalistas são:

Ana Maria Marcondes Penido Sant’Anna: R$ 2,8 bilhões;

Regina de Camargo Pires Oliveira Dias: R$ 1,4 bilhão;

Renata de Camargo Nascimento: R$ 1,4 bilhão;

Rossana Camargo de Arruda Botelho: R$ 1,4 bilhão, e;

Caio Penido Dalla Vecchia e família: R$ 1,2 bilhão².

Mesmo que os seguranças sejam punidos pelo crime, os verdadeiros assassinos de Edmar continuam contando seus bilhões de reais com suas mãos sujas de sangue. Cada centavo desse dinheiro foi obtido às custas do sangue de milhares de trabalhadores e trabalhadoras que todos os dias dirigem os ônibus, conduzem o metrô e limpam o chão das estações que o grupo CCR administra.

(Foto: Isabella Tanajura/A Verdade)

O povo responde na luta

Buscando dar um basta nessa situação, a Unidade Popular pelo Socialismo (UP) convocou um ato e vários setores do movimento social soteropolitano se somaram à luta.

Às 9h da manhã desta quarta-feira (24/01), no terminal onde Edmar foi assassinado, o ato contou com pouco mais de 40 pessoas, entre militantes e familiares da vítima. O protesto foi de muita emoção e a família, completamente arrasada com a tragédia, não deixou de estar presente e chamar o povo para a luta. Durante as muitas intervenções, não havia quem não se identificasse com o caso de Edmar – todo o povo pobre, preto e periférico de Salvador já viveu ou é próximo de alguém que sofre a violência de cor e classe do capitalismo.

(Foto: Isabella Tanajura/A Verdade)

O Jornal A Verdade entrevistou Danilo Boamorte, militante do Movimento Correnteza e membro do Centro Acadêmico do B.I em Humanidades da UFBA, que nos disse:

“Eu, enquanto uma pessoa negra, moradora da periferia, sinto que com esse avanço do fascismo, com avanço da violência institucionalizada, a gente vê que não temos nenhuma segurança, a gente não tem uma garantia, né? A gente vive naquele modo de, tipo, sair de casa sem saber se vai sofrer uma violência, se vai acontecer alguma coisa, então a gente precisa estar escancarando, e é o que está acontecendo hoje. Como esse governo que foi eleito se dizendo dos trabalhadores, o governo de Jerônimo do PT, ele, na verdade, não tem agido dessa forma. Na verdade, está fechando os olhos, está tentando passar pano para tudo que tem acontecido, e como dizem, a social-democracia é a antessala do fascismo.”

Valesca Barreto, Diretora de Escolas Públicas na União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), estava presente no ato e relatou ao A Verdade:

“Essa empresa, CCR, tem em seu conjunto uma estrutura contra a classe trabalhadora, contra inclusive as pessoas que passam fome, porque dentro do metrô aqui já tiveram casos de várias pessoas que sofreram violência só porque estava pedindo dentro do metrô 1 real para se alimentar. Isso mostra que a CCR não liga para a fome das pessoas, não liga para a classe trabalhadora. Isso precisa ser denunciado, a gente tem uma Polícia Militar aqui na Bahia que mata mais que todas as polícias dos EUA somadas. Isso mostra o racismo estrutural que a gente vive no nosso estado. E o governo do estado vai conciliando com essa situação, porque nada faz para resolver isso. Pelo contrário, recentemente, perto da morte do Edmar, foi assassinada a Majé Nega Pataxó, e os policiais militares que estavam presentes no local fizeram vista grossa para os assassinos, só porque eles eram ricos fazendeiros, isso é um absurdo! É uma guerra que estamos vivendo, A guerra dos ricos contra os pobres, porque a gente não tem segurança dentro do nosso bairro, dentro da nossa periferia, nós não temos segurança no transporte público.”

A elite não tem nenhum limite moral. Se para aumentar seu lucro ela tiver que silenciar, prender e matar os trabalhadores, não vai medir esforços para isso, como fez a CCR com o caso de Edmar, que só veio à tona duas semanas depois do ocorrido.

 

A insegurança pública na Bahia

O ano começou agora e a Bahia continua a ser palco de uma acirrada luta de classes. No ano passado, se tornou o estado com a polícia mais assassina do Brasil: só a polícia da Bahia matou mais que toda a polícia dos EUA em 2023³. O estado também presenciou o assassinato da líder quilombola Mãe Bernadete, no dia 17 de agosto do ano passado, e no último domingo fascistas do agronegócio assassinaram a Majé Nega Pataxó durante um ataque ao território indígena Caramuru-Catarina Paraguassu no Sul do estado com a omissão e apoio da polícia no município de Potiraguá.

O silêncio do poder público, chefiado pelo governador Jerônimo Rodrigues (PT), e a sua falta de compromisso com a vida do povo pobre, preto, trabalhador e periférico da Bahia é o reflexo de um sistema de morte que é o capitalismo. A solução? É construir o socialismo, porque a justiça definitiva para os milhões de negros, pobres, e indigenas como Edmar, Yuri, Mãe Bernadete e Nega Pataxó só virá quando seus semelhantes estiverem organizados em um partido comunista revolucionário e tomarem o poder em suas mãos, para construir um mundo novo, uma sociedade socialista. 

A Unidade Popular pelo Socialismo continuará lutando por esse mundo, buscando organizar os trabalhadores na luta contra o capital. Um mundo novo não só é possível, como já existiu e nós vamos construí-lo novamente, seguindo o exemplo de Zumbi, Dandara, Amaro Felix, Manoel Aleixo e tantos outros, até a vitória final.

*Eduardo Monteiro é militante da União da Juventude Rebelião (UJR) e da Unidade Popular pelo Socialismo em Salvador.

Fontes: 

1-https://g1.globo.com/ba/bahia/noticia/2024/01/19/morte-de-homem-apos-abordagem-em-estacao-de-transporte-na-bahia.ghtm

2-https://forbes.com.br/forbes-money/2023/09/lista-forbes-2023-as-empresas-esg-que-mais-geraram-bilionarios-no-brasil/#foto7

3-https://averdade.org.br/2023/08/policia-da-bahia-e-a-que-mais-mata-no-brasil/)

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