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sexta-feira, 19 de abril de 2024

“As mulheres são a revolução dentro da revolução”

O jornal A Verdade visitou a cidade de Pinar del Rio, em Cuba, e conversou com Yaiamara Garcia Tapia, integrante do Comitê Nacional da Federação de Mulheres Cubanas (FMC) para entender mais sobre a atuação e organização das lutas das mulheres cubanas. 

Sávio Peres Loureiro


O que é a FMC?

A Federação de Mulheres Cubanas (FMC) é uma organização de massas criada no princípio da Revolução Cubana, um ano depois do 1° de janeiro de 1959. Provém de um grupo de mulheres que se organizaram em comitês antes da revolução. Em 23 de agosto de 1960, Vilma Espín e a Célia Sánchez, duas heroínas que lutaram no processo revolucionário cubano, reuniram as mulheres, sobretudo mulheres operárias e alfabetizadoras, para a realização do 1° Congresso que resultou na criação da FMC. 

Quando triunfou a Revolução, as mulheres estavam em um segundo plano. As mulheres, em Cuba, foram se emancipando e exigindo seus direitos, pois elas podem ser carpinteiras, pilotas de aviação ou o que queiram.

 

Qual a experiência acumulada pela FMC de participação política e organização das mulheres?

A FMC é uma organização política bonita, pois é bastante participativa. Temos mulheres heroínas, que lutaram e atiraram, mulheres rebeldes. Hoje temos mulheres generais, membras da FMC. As mulheres estiveram em todos os processos políticos da Revolução. Participamos da campanha de alfabetização, participamos dos congressos da Central de Trabalhadores de Cuba (CTC) e dos Comitês de Defesa da Revolução (CDRs). É uma organização que batalha muito contra o machismo, que batalha muito para os homens estarem mais presentes na educação dos filhos e para que as mulheres estejam politicamente organizadas no Partido. 

 

Como a FMC se organiza?

Nos organizamos em delegações. Três ou quatro delegações formam um bloco que recebe um nome de alguma heroína. As tarefas das delegações não estão alheias às necessidades políticas do país. Quando se pensa nas eleições, a FMC apoia e constrói esses processos; o Código das Famílias nasceu primeiramente das petições das mulheres da FMC – foi uma exigência de anos. Temos uma experiência de 60 anos e não há processo político em Cuba no qual as mulheres não estejam imersas. Fidel dizia que “as mulheres são a revolução dentro da revolução”. 

No começo do ano estivemos nas ruas apoiando os profissionais da saúde, na campanha contra o câncer de mama. Quem sofre com o câncer de mama? As mulheres! A FMC acompanha as mulheres de porta em porta. Essa é uma ideia de Vilma Espín: o trabalho porta a porta para tratar de assuntos variados, como a gravidez precoce ou o controle e a prevenção do câncer uterino. 

 

Como se combate a violência contra as mulheres em Cuba?

A FMC tem um organismo que se chama Casa de Orientação da Mulher e das Famílias. Essas casas têm uma equipe intersetorial, com psicólogos, trabalhadores sociais e várias pessoas que a integram. A violência é física, moral, verbal e existe em todos os países do mundo. Agora, em Cuba, independentemente de a Revolução trabalhar para nos emanciparmos, também há mulheres que são violentadas, sobretudo em alguns lugares. Não tenho o número oficial agora, mas estou convencida de que a violência contra as mulheres em Cuba não é na mesma magnitude como México ou como no Brasil. Mas onde está a questão em Cuba? Nosso objetivo principal é prevenir que aconteça. 

Trabalhamos para que as pessoas se eduquem, para que não haja a violência e para que denunciem a violência que presenciarem. Assim como para que as mulheres percebam quando estão sendo violentadas. Há mulheres que ficam dependentes economicamente dos homens e não se dão conta de que isso também é uma violência. Por isso, a FMC trabalha com os Bate-papos Educativos, para conscientizar sobre as diversas formas de violência. 

 

Que mensagem enviaria às mulheres do Brasil?

O que eu diria, primeiramente, para as mulheres do Brasil e do mundo, é que temos que pensar como seres humanos. Quando as mulheres se amam, se veem no espelho, mas não miram o estético, e sim o ético, o bom, o positivo. Quando as mulheres aprendem a se amar e a exigir os direitos humanos e exigir que somos iguais na sociedade, o trabalho é melhor. Temos que nos unir! Tem que se exigir dos governos e das representações. Tem que trabalhar pela emancipação enquanto gênero, para poder ajudar e colaborar com o seu país. Por que as mulheres recebem salários menores? Essa dicotomia, essa diferença, eu vejo nos países da América Latina. Escutamos essa situação nos fóruns de que participamos. A mensagem para as mulheres do Brasil é para que trabalhem pela unidade, pelas exigências de seus direitos, pela emancipação enquanto gênero, que as mulheres respeitem a si mesmas. Por outro lado, há que se eliminar os medos. Quando se elimina o medo enquanto gênero, se é capaz de eliminar as travas políticas, burocráticas, sociais e governamentais. Foi Fidel quem disse que as mulheres deveriam ser ensinadas a disparar. E podemos! As mulheres são militares, são pilotas, são educadoras. Então, primeiro uma mensagem de solidariedade, mas também para exortar as mulheres que trabalhem muito e que ganhem a liberdade como mulheres. A mulher é uma revolução dentro da revolução!

Matéria publicada na edição nº 285 do Jornal A Verdade

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