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sábado, 18 de maio de 2024

Famílias pobres de Natal se unem contra humilhação da prefeitura

Clarice Oliveira | Natal (RN)


Em 2020, no meio da pandemia, famílias organizadas pelo Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) ocuparam um prédio da UFRN abandonado há décadas. Por muitos meses, foram realizadas as mesas de negociação para achar uma solução para as famílias, que só precisam de um teto para morar. A solução definida em decisão judicial foi a seguinte: as famílias iriam para um espaço sob responsabilidade da Prefeitura e seriam contempladas pela construção de casas do programa Pró-Moradia, do Governo Estadual. No entanto, passaram-se três anos e nenhuma só habitação foi construída. 

A Prefeitura, atualmente chefiada pelo bolsonarista Álvaro Dias (Republicanos), decidiu jogar as famílias da Ocupação Emmanuel Bezerra num galpão extremamente quente, fedido e com problemas de saneamento e água, que sempre acabava. O esgoto subia de volta pelos sanitários, um verdadeiro esgoto dentro de casa.

Quando chovia, mesmo que pouco, toda a extensão do galpão inundava e as famílias perdiam seus eletrodomésticos e móveis por causa da água. “O galpão alugado pela Prefeitura para as famílias é totalmente insalubre. Com calor intenso durante o dia todo e sem perspectiva de uma realocação, o Governo optou pela alternativa de aluguel social para 30 famílias. Porém, isso não se encaixa na realidade delas, já que na cidade de Natal os aluguéis são caros e só aumentam. Além disso, quiseram contemplar apenas 30 famílias, sendo que a ocupação tem pelo menos 60 famílias. O povo pobre não vai mais aceitar migalhas. Queremos aquilo que é nosso por direito: morar dignamente”, relata Cacto Carvalho, coordenador do MLB.

Basta de desrespeito e humilhação!

Na madrugada do dia 29 de janeiro, as famílias da Ocupação decidiram que não iriam mais aguentar as condições impostas pela Prefeitura e resolveram dar um basta a essa humilhação. Assim, a Ocupação passou a ser localizada num terreno abandonado por 15 anos onde funcionava o antigo Diário de Natal.

Imediatamente, os ricos de Natal ficaram revoltados e estão fazendo tudo que podem para remover as famílias que lutam por sua moradia. Querem que centenas de famílias pobres e seus filhos continuem morando em condições desumanas. Não suportam que o povo viva num espaço ventilado e sem risco de inundação, já que se encontra numa parte alta da cidade, uma das áreas mais valiosas da cidade de Natal, sendo vizinha ao prédio mais alto e mais caro da capital.

De fato, desde que a ocupação do terreno foi feita, a mídia dos ricos tem feito de tudo para deslegitimar a luta do povo pobre e diversas viaturas já foram mandadas para tentar amedrontar as famílias e reprimir a luta.

 Utilizando de vários artigos exagerados para dizer que o povo pobre de Natal não pode realizar essa luta, pois infringe o direito dos ricos de lucrarem com a propriedade privada, mesmo ela não servindo para nada e estando abandonada como estava.

Por vários dias seguidos, mandaram cortar a energia da ocupação e a água, sendo os jornais, como a Tribuna do Norte, cúmplices nesse claro ataque contra os direitos humanos das famílias. Diversos artigos dos jornais dos ricos evidenciam o lado deles, mas nenhum foi à ocupação para ouvir os relatos das mães e pais trabalhadores tentando ter aquilo que deveria ser garantido pela Constituição: moradia digna.

O suposto dono do terreno, Marcelo Alecrim, entrou com um pedido de reintegração de posse, que inicialmente não foi concedido pelo Judiciário, sendo encaminhado para a comissão de conflitos fundiários. Após alguns dias, foi aceito o pedido de reintegração de posse, acrescentando que fosse realizado em conjunto com a comissão.

A Ocupação Emmanuel Bezerra resiste e continua na luta. Apesar das ameaças, as famílias veem perspectiva de melhoria de sua vida através da organização coletiva. Morar dignamente é um direito humano, por mais que os ricos do Brasil não desejem que seja. Para ajudar as famílias da ocupação, ajude através da campanha de arrecadação feita pelo MLB doando pelo pix (84) 99616-9507.

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