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domingo, 14 de abril de 2024

Mostra Coletiva de Arte Urbana é interrompida pela Polícia Militar no Recife

Na noite de quarta-feira (27), artistas e coletivos que realizavam a Mostra Coletiva de Arte Urbana no centro do Recife denunciaram a atuação desmedida da Polícia Militar de Pernambuco. Segundo denúncias, os policiais chegaram ao local com armamento pesado e apreendeu os materiais.

Jesse Lisboa | Redação PE


A Mostra Coletiva de Arte Urbana reuniu cerca de 100 pessoas e estava sendo realizada na Rua Ulhôa Cintra, no bairro de Santo Antônio. Cinco viaturas da PM chegaram ao local e interromperam o evento sem qualquer justificativa. A galeria e coletivo Cordalama que promovia o evento foi invadida pelos policiais, que não apresentaram mandado. Funcionários e clientes foram obrigados a deixar o estabelecimento e passaram pela abordagem policial na rua.

Segundo denúncias, a polícia foi acionada porque os artistas estavam “pixando” o local. Porém, os artistas alegam que os prédios, além de abandonados, já estavam pixados há muito tempo. 

Em nota de repúdio, os artistas destacam que “[os policiais] mostraram aquele despreparo típico da polícia quando se depara com a cultura negra, isso é histórico no nosso país, o funk, o brega, a capoeira, o maracatu, o afoxé já viveu e vive isso!”. A nota foi assinada por Cor da Lama, Coletivo Pão e Tinta, Pixe Girls, Point Bomb Recife, Px Produtora, Kalunga Project, ColetivaS, Cores Femininas, Kardume, Osmo Crew.

Ainda segundo a nota, publicada no Instagram, os artistas destacam que “os movimentos que assinam essa nota consideram isso violência patrimonial vinda direto do Estado! Queremos nosso material de trabalho de volta!”.

Mesmo após a interrupção do evento pelos policiais militares, o evento continuou com suas atividades que aconteciam antes da chegada da polícia. A mostra continua aberta para visitas no espaço da galeria, que fica localizada na Rua Ulhôa Cintra, nº 122, no bairro de Santo Antônio, em Recife.

“Com a experiência que tenho, o que posso dizer é que independente do momento que você for pego com uma lata é constrangedor, seja lá o que você for fazer com ela. Se você é artista é de uma ridicularização enorme. Porque é como se você não tivesse trabalho, não merecesse respeito. E você ainda corre o risco de ser pintado. Quando se é mulher você é ameaçada a ‘dar rolezinho’ com os policiais. Às vezes por ser a única mulher no meio de vários homens em um ‘rolê’ de graffiti.”, declara Aurea, grafiteira.

Descaso do governo

Sobre o ocorrido, percebe-se uma falta de interesse do Governo do Estado e da Prefeitura do Recife em apoiar a cultura e a juventude da periferia. A arte urbana, como o graffiti, é uma forma de expressão cultural e um meio pelo qual a juventude pode se expressar. No entanto, a interrupção deste evento e a aparente falta de apoio institucional para tais iniciativas sugerem que as autoridades não estão dando a devida importância à cultura popular de periferia. 

Além de que, a maior parte dessas ações de arte e cultura são promovidas por coletivos independentes, formados pelo próprio povo das comunidades. O incentivo da prefeitura, quando acontece, ainda é muito superficial. É preciso valorizar a cultura popular, uma cultura que dá voz para a classe trabalhadora.

Estrutura de opressão

Diante dessa situação, é possível observar a estrutura racista da Polícia Militar, quando 40 homens negros, artistas de rua, foram coagidos pela PM, por estarem comprando seu material de trabalho. Na cidade do Recife, as estatísticas mostram que a polícia é orientada por um viés racista. O estudo “Pele Alvo” da Rede de Observatórios de Segurança, projeto do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC), mostrou que todos os mortos pela polícia no Recife em 2021 eram pessoas negras, assim como observado no ano seguinte. 

Este episódio não foi um incidente isolado, mas sim um reflexo da estrutura policial, que tem como objetivo fundamental o controle do povo e a proteção do estado burguês. A violência policial contra os artistas negros não é apenas uma questão de segurança pública, mas também uma manifestação do capitalismo que busca censurar as expressões culturais que vão contra o  seu sistema.

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