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sexta-feira, 19 de abril de 2024

Operação Peter Pan e o imperialismo ianque

Em 1959, Cuba triunfou uma revolução popular que derrubou a ditadura de Fulgencio Batista, apoiada pelos Estados Unidos. A revolução cubana desafiou os interesses do imperialismo ianque na América Latina, e provocou uma forte reação do governo dos EUA, que tentou de várias formas sabotar, invadir e isolar a ilha caribenha. Uma das formas mais cruéis de intervenção imperialista dos EUA em Cuba foi a Operação Peter Pan, que ocorreu entre 1960 e 1962, no contexto da Guerra Fria.

Jesse Lisboa | Redação PE


A Operação Peter Pan foi uma operação realizada pela CIA, com apoio de grupos contrarrevolucionários cubanos e da Igreja Católica de Miami, durante a Guerra Fria, nos anos 1960. Nesse período, mais de 14 mil crianças cubanas foram retiradas de seus lares e levadas para os Estados Unidos, separadas de suas famílias. A operação foi concebida como uma estratégia para minar o governo cubano, espalhando o medo entre os pais cubanos por meio de falsos rumores sobre uma suposta expropriação de crianças pelo Estado.

“Mãe cubana, escute isso! A próxima lei do governo será tirar seus filhos de cinco a dezoito anos. Mãe cubana, não deixe que levem seu filho!”. Mensagens como essa eram proferidas pela Radio Cuba Libre, que fazia parte do projeto Radio Swan, da CIA, com objetivo de promover anticomunismo na região do Caribe, especialmente no território cubano. Os EUA não só se utilizaram da propaganda via rádio, mas também criaram uma Lei de Autoridade Parental falsa, que diziam ser do governo cubano, e que espalhariam entre o povo de Cuba. Essa lei foi feita nos Estados Unidos e levada para a ilha pelos agentes da CIA José Pujals Mederos e Ángel Fernández Varela.

A invasão da Baía dos Porcos e O Projeto Cuba

Operação Mongoose orquestrada pelo governo dos EUA e pela CIA. Foto: Reprodução.

Desde o triunfo da revolução em 1959, quando o governo cubano nacionalizou empresas americanas e implementou reformas desafiadoras aos interesses dos Estados Unidos, o país tem sido alvo de sanções econômicas unilaterais. Essas sanções, inicialmente estabelecidas em resposta a tais mudanças, incluíram proibições de comércio, viagens, transações financeiras e investimentos entre os Estados Unidos e Cuba. 

Com o objetivo de recuperar o domínio dos Estados Unidos sobre a ilha, o governo de Dwight Eisenhower deu a Allen Dulles, diretor da CIA na época, a missão de elaborar um plano para derrubar o governo de Fidel Castro. Como parte desse plano, conhecido como “O Projeto Cuba”, a CIA começou a recrutar cubanos contrários ao governo de Fidel, que estavam exilados nos EUA, para formar uma milícia. Howard Hunt foi designado para coordenar a criação de um governo cubano alternativo no exílio, controlado pela agência. Em novembro de 1960, a CIA já havia organizado uma força paramilitar com 1.500 exilados cubanos.

Em 4 de abril de 1961, durante o governo de John Kennedy, a operação foi autorizada. Antes disso, os cubanos exilados se prepararam durante meses com treinamento da CIA e das Forças Armadas dos EUA, em locais como Porto Rico e Guatemala. A CIA não só deu armas e suprimentos aos dissidentes cubanos, como também ofereceu navios e aviões militares para ajudar. Fidel, antecipando um possível ataque dos EUA, reforçou as defesas de Cuba com armas soviéticas. Em 13 de abril de 1961, os serviços secretos soviéticos alertaram Cuba sobre os planos dos EUA para um ataque iminente.

No mesmo dia em que Osvaldo Ramírez, líder dos invasores, foi capturado, as forças cubanas obrigaram os contrarrevolucionários a recuarem até San Blas em 18 de abril. Percebendo as dificuldades dos paramilitares, a CIA enviou bombardeiros para ataques com mísseis e bombas de napalm. No dia seguinte, os cubanos derrubaram dois aviões em sua última missão de combate aéreo. Com a situação piorando, Kennedy autorizou seis aviões militares para ajudar os exilados. Essas aeronaves partiram de um porta-aviões nas proximidades da ilha, mas não chegaram à zona de combate a tempo de ajudar as frotas invasoras.

Em 20 de abril de 1961, os invasores, após enfrentarem dificuldades, renderam-se, levando o presidente Kennedy a abandonar a operação. O governo cubano efetuou a captura de 1.189 paramilitares. Em resposta, Fidel Castro, convicto da necessidade de reforçar o caráter socialista da revolução, estabeleceu laços mais estreitos com a União Soviética. 

O imperialismo ianque e a propaganda

Lênin, revolucionário russo, destaca que o imperialismo se infiltra até mesmo nas fileiras da classe trabalhadora. Um exemplo disso é observado na decisão de muitas famílias cubanas de enviar seus filhos aos Estados Unidos em busca de uma vida melhor, ou mesmo pela falsa propaganda feita pela CIA. Tal fenômeno também demonstra a disseminação da ideologia burguesa pela Operação Peter Pan, que propaga a concepção de que os países imperialistas são superiores e oferecem mais oportunidades.

No entanto, Lênin faz uma crítica à noção de que o imperialismo pode ser reformado ou moderado. Ele argumenta que as contradições geradas pelo imperialismo devem ser aprofundadas, não amenizadas. Isso sugere que a solução para os problemas causados pelo imperialismo norte-americano e outras formas de imperialismo não é simplesmente reformar essas políticas, mas sim desafiar e superar o sistema burguês que as sustenta.

Derrotar o imperialismo é tarefa urgente em nossos dias

Se o imperialismo não mede esforços para impor seu controle e propagar mentiras, sequestrar crianças é só mais um dentre os diversos crimes nessa longa lista. Na Argentina, as Mães da Praça de Maio denunciavam os desaparecimentos de suas crianças durante os anos de ditadura de 1976-1983. No Brasil, as chamadas “balas perdidas” já mataram inúmeras crianças em nossas periferias. 

Acabar com as crianças é acabar com o futuro. E é justamente essa política que o imperialismo tenta impor, sobretudo nos países ainda hoje vistos como colônias para manter os países ricos. Assim como as invasões, todos os golpes militares ao redor do planeta e o massacre apoiado e financiado pelo governo norte-americano na Faixa de Gaza deixam escancarados o quanto esse câncer chamado imperialismo precisa ser destruído em todo o mundo. 

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