UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

domingo, 14 de abril de 2024

Resultado de julgamento do assassino de Johnatha gera revolta no Rio de Janeiro

Resultado de julgamento do PM que assassinou o jovem negro Johnatha de Oliveira causou revolta e indignação à família e aos que lutam contra a violência do Estado. Assassino agora será julgado pela Justiça Militar, conhecida por acobertar crimes de policiais. “Eu estou aqui com a dor de ter meu filho assassinado. Meu filho foi assassinado com um tiro nas costas”, afirmou indignada Ana Paula Oliveira, mãe do jovem assassinado.

Redação RJ


LUTA POPULAR – O resultado do julgamento do PM assassino do jovem Johnatha de Oliveira Lima causou revolta e indignação no Rio de Janeiro. Na última terça-feira (05), o júri popular, reunido no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, condenou o policial militar Alessandro Marcelino de Souza a homicídio culposo (quando não há intenção de matar) e encaminhou o caso à Justiça Militar. 

O julgamento pelo Tribunal Militar passará por nova investigação e processo. A Justiça Militar possui um grande histórico de proteger militares e policiais militares criminosos. É o casa dos assassinos do músico Evaldo Rosa e do catador de latinhas Luciano Macedo, assassinados com 257 tiros por dois militares do exército. Hoje, o caso está no Superior Tribunal Militar, onde o ministro relator Tenente Brigadeiro Carlos Augusto Amaral defendeu a mudança da condenação de homicídio doloso para homicídio culposo, assim como o Tribunal do Júri do RJ.

“Essa luta não pode ser só minha. Por que fizeram isso com o meu filho?”

Johnatha foi morto com um tiro nas costas durante operação policial da UPP de Manguinhos em maio de 2014. A defesa do policial alegou, durante o julgamento, que o réu teria agido em legítima defesa. A promotoria – responsável pela acusação do réu – irá pedir recurso da decisão, alegando que o júri popular foi contrário às provas do processo.

Durante o julgamento, a acusação apresentou um farto conjunto de provas. Entre elas, estava um vídeo em 3D de reconstituição baseado em todas as provas e perícias em que mostrava que o PM atirou pelas costas de propósito e com intenção de matar o jovem negro morador de Manguinhos.

A morte de Johnata e de diversos outros jovens vítimas da violência do Estado nas favelas da cidade do Rio de Janeiro levaram à população a se organizar na luta por Memória, Verdade e Justiça. Movimentos como o Mães de Manguinhos representam a luta das famílias pela punição exemplar dos assassinos e por reparação do Estado.

Mãe de Johnata e uma das lideranças do movimento, Ana Paula, esperou por 10 anos o julgamento do assassino de seu filho. Revoltada com a não condenação por homicídio doloso  e com o extermínio da juventude pobre declarou “É culpa da sociedade esses vermes continuarem matando nossos filhos. Eu estou aqui com a dor de ter meu filho assassinado. Meu filho foi assassinado com um tiro nas costas”. Ana Paula ainda questiona: “Essa luta não pode ser só minha. Por que fizeram isso com o meu filho?”. 

A luta de diversas mães por Memória, Verdade, Justiça e Reparação é fundamental na luta contra a política de morte de um Estado policial fascista que reprime milhões de trabalhadores nas favelas e periferias do país.

Outros Artigos

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Matérias recentes