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sábado, 18 de maio de 2024

UERJ cria Comissão da Verdade e Justiça

No marco dos 60 anos do golpe militar fascista, a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) dá um importante passo na luta por memória, verdade e justiça: o Conselho Universitário aprovou, em fevereiro, a criação de uma Comissão da Verdade com o objetivo de se debruçar sobre os casos de alunos da instituição que foram perseguidos, presos, torturados e mortos durante o regime. 

Isis Mustafa | Diretora da UNE


BRASIL – Em 1968, o estudante de Medicina Luiz Paulo da Cruz Nunes foi assassinado por policiais quando participava de um protesto em frente à Universidade da Guanabara (atual UERJ). Ele tinha apenas 21 anos. Essa e outras histórias serão objeto de trabalho da Comissão da Verdade. 

A UERJ também decidiu que a Comissão estude a revogação de uma resolução de 1974, que homenageou o ditador Emílio Garrastazu Médici com o título de Doutor Honoris Causa. Em 2015, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) já havia decidido revogar a homenagem a Médici por recomendação da Comissão da Memória e Verdade da instituição.

No caso da UFRJ, foram identificados 26 estudantes e professores vítimas da ditadura a partir dos trabalhos da Comissão. Dentre eles, Stuart Angel, estudante do Instituto de Economia, que foi sequestrado, torturado e assassinado pelos agentes da repressão aos 25 anos, em 1971.

Preservar a memória para fazer justiça

Outras instituições seguem o mesmo caminho, como a Universidade Federal do Rio Grande do Sul e a Universidade Estadual de Campinas, que também revogaram os títulos honoríficos concedidos a ditadores. 

Essa medida está em consonância com as recomendações do relatório final da Comissão Nacional da Verdade, que indica uma série de ações necessárias para preservar a memória e reconhecer a responsabilidade do Estado com os crimes cometidos durante o regime militar.

Outro passo importante foi a condecoração de Amelinha Teles com o título de Doutora Honoris Causa pela Universidade Federal de São Paulo, em outubro de 2023. Amelinha foi presa e torturada pelos órgãos de repressão da ditadura, em 1972, por lutar contra o Estado fascista.

As Comissões de Memória e Verdade nas universidades são essenciais para preservar a história dos estudantes, funcionários e professores que lutaram incansavelmente por democracia e justiça em nosso país, contra as barbáries do regime. A partir desse trabalho, podemos homenagear os verdadeiros heróis e heroínas do povo brasileiro, aqueles que jamais podem ser esquecidos. 

Portanto, é fundamental organizarmos junto às entidades estudantis e representações nos Conselhos Universitários das universidades medidas concretas para instaurar as comissões onde ainda não existem, revogar condecorações a figuras da ditadura (títulos, nomes de prédios, auditórios, etc.) e homenagear os lutadores sociais. No mês de março, a militância da UJR e do Movimento Correnteza deve se colocar na vanguarda dessa tarefa nas universidades brasileiras.

Matéria publicada na edição nº 287 do Jornal A Verdade.

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