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sábado, 18 de maio de 2024

Ato no Recife repudia os 60 anos do golpe militar

Para marcar o repúdio da sociedade aos 60 anos do golpe militar e se somando aos diversos atos que ocorreram em todo o país, centenas de militantes se reuniram em um ato no Recife na tarde do dia 1 de abril.

Clóvis Maia | Redação PE


BRASIL – Na convocação para o ato, que contou com a assinatura de mais de 30 entidades, partidos políticos, movimentos sociais e representantes do legislativo, exigiam a reinstalação da Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos (extinta por Jair Bolsonaro como último ato de seu governo, após fugir para os EUA onde articulou o fracassado golpe de 08 de janeiro de 2023), a aplicação das 29 recomendações da Comissão Nacional da Verdade e punição para os torturadores e golpistas de ontem e de hoje. 

Denúncia e repúdio ao golpe de 1964

Monumento Tortura Nunca Mais, localizado no Recife. O local foi a concentração do ato em memória dos 60 anos do golpe militar.
Concentração do ato no Monumento Tortura Nunca Mais. Foto: Davi Queiroz

A concentração se deu no Monumento Tortura Nunca Mais, na praça Padre Henrique, Rua da Aurora, Recife, saindo em seguida na Caminhada do Silêncio. Os manifestantes seguiram até a frente do antigo Destacamento de Operações de Informações-Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI), na Rua do Hospício, centro do Recife, onde hoje funciona um edifício garagem, a sede de uma associação de diplomatas da escola superior de guerra e uma organização financeira para militares, todos construídos com o intuito de encobrir os crimes daquele lugar e que a sociedade civil não tenha acesso a esses espaços, verdadeiras oficinas de torturas e mortes de militantes durante os anos 60 e 70. 

As pesquisas da Comissão Nacional da Verdade chegaram a apontar pelo menos 6 mortos e 10 desaparecidos políticos envolvidos diretamente com essas instalações do regime no Recife. Nessa lista estão nomes como Manoel Lisboa e Manoel Aleixo, assassinados em 1973. 

Thiago Santos, presidente do Diretório Estadual da Unidade Popular e membro da Comissão de Diretos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) conduziu um jogral diante das instalações do exército citando os nomes de vários torturados, mortos e desaparecidos políticos que passaram pelas mãos do exército naqueles dias, como José Nivaldo Júnior, hoje membro da Academia Pernambucana de Letras, preso e torturado; José Carlos da Mara Machado, entre outros, sendo seguido por várias falas das entidades presentes relembrando o significado daquele ato em frente aquele local de tortura e violência que até hoje segue impune. 

Nossos heróis não morreram

Militantes concentrados na Assembleia Legislativa de Pernambuco (ALEPE). Na foto, há muitas pessoas segurando cartazes e bandeiras no ato do 1 de abril, em Recife, em memória dos 60 anos do golpe militar.
MANIFESTAÇÃO. Militantes de diversos coletivos no ato do 1° de abril, no Recife. Foto: Davi Queiroz

A Caminhada do Silêncio continuou, seguindo até a entrada da Assembleia Legislativa de Pernambuco (ALEPE), onde se seguiram as falas, havendo, depois, duas sessões solenes, na ALEPE, homenageando os mortos e desaparecidos políticos, e em seguida no auditório da Câmara de Vereadores, encerrando o dia com uma homenagem à Mércia de Albuquerque, advogada recifense que defendeu mais de 500 presos políticos no nordeste.

Na solenidade da Câmara de Vereadores Amparo Araújo, que militou contra a ditadura militar e foi fundadora do movimento Tortura Nunca Mais ressaltou a falha do Governo Federal em não querer sequer falar sobre os 60 anos do golpe. Para ela, nós temos que enterrar nossos mortos. É da nossa natureza. É um dever sagrado e um direito que ninguém pode nos tirar. A gente precisa que os arquivos da ditadura sejam abertos. Eles estão aí, inclusive guardados nos espaços públicos estatais”.

As atividades em memória e denunciando os 60 anos do golpe militar de 1964 seguem em todo o estado de Pernambuco durante todo o mês de abril, tendo o Comitê de Memória, Verdade, Justiça e Reparação e o Centro Cultural Manoel Lisboa como principais articuladores desse tema no estado. 

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