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sexta-feira, 4 de abril de 2025

Ufal aprova a diplomação póstuma de estudantes mortos pela Ditadura Militar

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Em sessão do Conselho Universitário da Ufal, foram diplomados os estudantes Gastone Beltrão, Dalmo Lins e Manoel Lisboa de Moura. “Ver essa juventude gritando o nome de Manoel é saber que ele não foi esquecido”, afirmou Iracilda Moura, sobrinha de Manoel Lisboa e conselheira da universidade

Lenilda Luna | Maceió (AL)


No dia 1º de abril, quando se completou 61 anos do Golpe Militar que mergulhou o Brasil em trevas por 21 anos, a Universidade Federal de Alagoas (Ufal) realizou uma sessão ordinária do Conselho Universitário para apreciar o requerimento das conselheiras docentes, Emanuelle Rodrigues e Iracilda Moura, para conceder diplomas póstumos a estudantes da Ufal mortos pela ditadura militar: Gastone Beltrão, Dalmo Lins e Manoel Lisboa de Moura.

Familiares, docentes, estudantes e militantes de movimentos sociais lotaram a Sala dos Conselhos. Entre os homenageados, Manoel Lisboa de Moura, líder revolucionário alagoano brutalmente assassinado pelo regime ditatorial, foi celebrado pelas palavras de ordem dos militantes da UJR, Correnteza, PCR e UP que estavam no plenário, reafirmando o compromisso com a luta por uma sociedade socialista e pelo resgate da verdade histórica.

O momento mais marcante foi o discurso de Edval Cajá, sobrevivente da repressão da ditadura e último preso político a ser libertado no Brasil, que falou em nome do Centro Cultural Manoel Lisboa. Cajá ressaltou a importância da memória histórica e da resistência dos que lutaram por um Brasil mais justo. Em sua fala, lembrou as torturas sofridas pelos companheiros de luta e denunciou os mecanismos repressores do regime militar, destacando a cadeia de comando que autorizava as prisões e execuções políticas.

“Manoel Lisboa viveu para lutar. Ele não tinha medo do futuro que o esperava. Ele se preparou para enfrentar essa ferocidade, consciente do papel histórico que desempenhava. Por isso, a juventude presente aqui hoje, vestindo sua camisa e entoando suas palavras de ordem, mostra que seu legado está vivo”, afirmou Cajá emocionado.

Cajá ainda destacou a necessidade de manter viva a luta daqueles que tombaram lutando contra a repressão. “O Brasil ainda precisa acertar suas contas com o passado. Os algozes da ditadura nunca foram devidamente responsabilizados e os jovens de hoje devem carregar essa bandeira da memória, da verdade e da justiça”, conclamou.

Ele também recordou a firmeza de Manoel Lisboa diante da tortura: “Os militares tentaram de tudo para arrancar informações de Manoel Lisboa. Mas ele se manteve irredutível. Ele não traiu seus companheiros, ele não cedeu. Preferiu enfrentar a morte a entregar a luta revolucionária.”

Falando como conselheira e também como familiar, Iracilda Moura, sobrinha de Manoel Lisboa, ressaltou a importância da homenagem para a construção da justiça histórica. “Foram décadas de silêncio e dor. Hoje, ver essa juventude gritando o nome de Manoel é saber que ele não foi esquecido”, disse ela, emocionada.

O reitor Josealdo Tonholo destacou que a Ufal, ao conceder os diplomas póstumos, não apenas repudia a brutalidade cometida pelo Estado durante a ditadura, mas também reforça a necessidade de preservar a memória daqueles que foram silenciados por defender a democracia e a justiça social.

Fala de Edival Nunes Cajá emocionou os presentes. Foto: Renner Boldrino (Ascom Ufal)
Fala de Edival Nunes Cajá emocionou os presentes. Foto: Renner Boldrino (Ascom Ufal)

Comitê Memória, Verdade e Justiça de Alagoas também realizou atividades

Além do comparecimento à sessão do Conselho Universitário, o Comitê Memória, Verdade e Justiça de Alagoas também realizou atividades em Maceió e no Interior. ​Em 31 de março de 2025, o comitê organizou o “Cine Memória” no Cine Arte Pajuçara, em Maceió. O evento incluiu a exibição de documentários e debates com militantes. O companheiro Ésio Melo, presidente da UP em Alagoas, foi um dos debatedores.

Em Palmeira dos Índios, o comitê promoveu um evento que reuniu historiadores, ex-presos políticos e membros da sociedade civil para compartilhar relatos e análises sobre o período ditatorial, enfatizando a relevância da verdade e da justiça na construção da democracia.​

No Instituto de Ciências Humanas, Comunicação e Artes (ICHCA) da Universidade Federal de Alagoas (Ufal, o professor Marcelo Góis coordenou uma mesa-redonda com acadêmicos e estudantes. O debate abordou as consequências da repressão política em Alagoas e estratégias para a preservação da memória coletiva.

Iracilda Moura, sobrinha de Manoel Lisboa, foi uma das conselheiras presentes na diplomação. Foto: Renner Boldrino (Ascom Ufal)
Iracilda Moura, sobrinha de Manoel Lisboa, foi uma das conselheiras presentes na diplomação. Foto: Renner Boldrino (Ascom Ufal)

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