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terça-feira, 28 de abril de 2026

Ação da PM em reserva indígena deixa mortos, presos e vítimas de violência sexual no MS

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Ação da PM ocorreu após retomada de fazenda por famílias Guarani-Kaiowá na região de Amambai, no Mato Grosso do Sul. Conflito entre os dias 26 e 27 de abril deixou ao menos cinco mortos, incluindo duas crianças.

Caio Potiguara | Macaé (RJ)


BRASIL – Um violento confronto entre forças de segurança do Mato Grosso do Sul e comunidades indígenas Guarani e Guarani-Kaiowá resultou em pelo menos cinco mortos, cinco presos e relatos de abuso sexual contra uma jovem, entre os dias 26 e 27 de abril de 2026. Os episódios ocorreram na região da Reserva Limão Verde, entre os municípios de Amambai e Coronel Sapucaia, na fronteira com o Paraguai.

De acordo com publicações de entidades de defesa dos direitos indígenas e lideranças locais, a crise teve início na noite de sábado (26), quando cerca de 80 famílias realizaram a retomada da Fazenda Limoeiro, área que faz divisa com a reserva e está sobreposta ao tekoha (território tradicional) Tapykora Kora, dentro da Terra Indígena Iguatemipeguá II, em processo de demarcação desde 2008.

Na manhã de domingo (27), a Polícia Militar e o Departamento de Operações de Fronteira (DOF) lançaram o que o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) classificou como uma “operação de guerra”. Os agentes atacaram a aldeia Limão Verde com tiros e bombas, sem apresentar ordens judiciais, segundo relatos.

Mortes e prisões

Em postagem feita ainda no domingo, uma página de apoio aos indígenas informou que a retomada do território Iguatemipegua terminou com cinco indígenas mortos, entre eles duas crianças, e cinco presos após a ação policial. A informação não foi confirmada oficialmente pelo governo do estado ou pela Polícia Militar até a última atualização desta reportagem.

A região concentra um dos mais longos e violentos conflitos fundiários do país. Os territórios reivindicados pelos Guarani-Kaiowá já foram aprovados em estudos de demarcação, mas seguem ocupados por fazendeiros e sofrem com a lentidão do processo burocrático federal.

Relatos de abuso sexual e falta de água

Em um dos posts mais graves, compartilhado na tarde de domingo (27), traz o relato de que uma jovem Guarani Kaiowá teria sido vítima de abuso sexual durante a operação policial na Aldeia Limão Verde. Segundo o texto, além do uso excessivo de força, a jovem sofreu agressões físicas e foi submetida à violência sexual! configurando, na avaliação de entidades, grave violação de direitos humanos.

Em outro relato, um indígena da aldeia afirmou ao Cimi: “Está muito ruim aqui. Chegaram com muito ódio, sem diálogo, estão atacando sem piedade. Pedimos socorro, nossas famílias, idosos, estão no rumo das bombas e tiros.”

As postagens também denunciam que as comunidades vivem em condições precárias, sem sequer acesso a água potável, e que lideranças indígenas vêm sendo criminalizadas sistematicamente.

A mesma lógica de sempre

O que aconteceu em Limão Verde é a expressão mais crua de um sistema que há séculos trata a terra como mercadoria e a vida indígena como problema. O capitalismo agroexportador brasileiro não se sustenta sem violência: ele exige cercas, títulos de propriedade, jagunços, polícia e juízes que deem cobertura jurídica à expulsão de quem veio primeiro.

Os latifundiários do Mato Grosso do Sul não agem sozinhos, eles agem com o Estado capitalista a reboque, com o Congresso Nacional blindando a grilagem e com a opinião pública acostumada a ver corpos indígenas como “custos do progresso”. Enquanto houver lucro em cima da soja, do boi e da cana plantados sobre territórios roubados, haverá polícia atirando em criança e jovem sendo estuprada dentro da própria casa. A barbárie de 27 de abril de 2026 não é um acidente. É o capitalismo funcionando exatamente como foi projetado.

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