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sexta-feira, 1 de maio de 2026

Por uma greve geral pela redução da jornada de trabalho e fim da escala 6×1

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Sob a pressão de mobilizações populares e greves que varreram o país, o Governo Federal protocolou, no último dia 14 de abril, um Projeto de Lei em regime de urgência que propõe o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais sem corte salarial.

Movimento Luta de Classes


TRABALHADOR UNIDO – Nos últimos anos, avançou na sociedade brasileira a pauta do fim da escala de trabalho 6×1 e a redução da jornada de trabalho, atualmente em 44 horas semanais para a maioria dos trabalhadores. Pesquisa Datafolha indica que 71% dos brasileiros defendem o fim da escala 6×1. Como exposto na obra “Salário, Preço e Lucro – 1865”, por Karl Marx, em momentos de crise econômica do capitalismo, a burguesia busca aumentar a jornada de trabalho e reduzir os salários.

A Reforma Trabalhista do ex-presidente golpista Michel Temer, em 2017, revogou direitos históricos na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), legalizando, por exemplo, jornadas intermitentes (indefinidas). Paralelamente, ampliou-se a chamada “uberização do trabalho”, com a classe trabalhadora cada vez mais sujeita a vínculos precarizados com empresas de aplicativo em diversos setores econômicos, com jornadas que chegam a 12 horas diárias.

Outro processo crescente é a substituião de contratos formais de trabalho (carteira assinada) por contratos entre pessoas jurídicas (Pjs), em que o trabalhador se transforma em “empresa de si mesmo”, sem direitos como férias e 13º salário.

Para piorar, todo esse processo vem acompanhado pelo achatamento dos salários, perda de renda e endividamento das famílias. Atualmente, 72% dos brasileiros estão endividados, sendo que cerca de 30% se declaram muito endividados, confirma pesquisa da Quaest.

Derrubar a escala 6×1

A pauta pelo fim da escala 6×1 ganhou força com manifestações de rua em todo país, em novembro de 2024. Greves importantes derrotaram a escala 6×1 em algumas categorias, como os trabalhadores da Pepsico, liderados pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Laticínios e Alimentação de São Paulo (Stilasp), e diversas empresas terceirizadas de limpeza urbana no Estado da Paraíba, sob direção do Sindlimp-PB.

Destaca-se, neste processo, a atuação do Movimento Luta de Classes (MLC) e do partido Unidade Popular (UP), que convocaram diversos dias nacionais de luta. Foram ocupações de shoppings centers, greves e paralisações, especialmente em bases operárias e do comércio.

No ano passado, a deputada federal Erika Hilton (PSOL) apresentou a Proposta de Emenda à Constituição 08/2025 pelo fim da escala 6×1 e redução da jornada semanal de 44 para 36 horas. O projeto sofreu forte sabotagem da direita no Congresso Nacional.

Tudo isso porque a influência dos grandes empresários é forte para não aprovação da redução de jornada. Confederação Nacional da Industria – CNI e Fecomercio gastam bastante dinheiro para divulgar a falsa informação que a produtividade do trabalho irá diminuir e que os custos para o setor empresarial irão inviabilizar negócios. Contam com figuras antipovo como a família Bolsonaro e o Partido Liberal – PL para barrar o fim da escala 6×1.

Por outro lado, o Governo do PT não aderiu a esta luta, no primeiro momento, em função de suas conciliações com os capitalistas. Em 11 de novembro de 2024, o ministro do Trabalho Luiz Marinho (PT) chegou a dizer que a questão do fim da escala 6×1 teria que ser resolvida em acordos coletivos entre sindicatos e patrões.

Porém, a pressão social e as mobilizações fizeram o Governo Federal apresentar, em 14 de abril de 2026, um Projeto de Lei, em regime de urgência, para reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas, com o fim da escala 6×1 e sem redução salarial. Uma proposta mais rebaixada do que a PEC apresentada por Erika Hilton.

Rumo ao 1º de Maio

Por tudo isso, na preparação para este próximo 1º de Maio – Dia Internacional da Classe Trabalhadora – é necessário ampliar a agitação nas fábricas, comércios, supermercados e bairros populares, convocando o povo às ruas. A preparação de greves nas diferentes categorias e de uma greve geral no país pela redução da jornada e fim da escala 6×1 é o caminho que pode garantir esta vitória.

Matéria publicada na edição impressa nº332 do jornal A Verdade

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