Inaugurada no Dia Internacinal da Classe Trabalhadora, a Ocupação Margarida Maria Alves é a 1ª na cidade de Londrina e 47ª ocupação do Movimento de Mulheres Olga Benario em todo o país.
Tayná Miessa | Redação Paraná
MULHERES – O Movimento Olga Benario realizou a primeira ocupação de mulheres em Londrina, a Ocupação Maria Margarida Alves. A casa de referência é localizada no centro da cidade, na rua Belém, 1275; e tem o objetivo de atender mulheres em situação de violência de toda a região com o apoio de uma rede de profissionais voluntárias.
A Casa Margarida Maria Alves foi organizada em um espaço abandonado desde 2021 e que não cumpria função social desde a realocação do Conselho Tutelar, sob a justificativa de furtos e denúncias de insegurança das trabalhadoras. Após o abandono, a insegurança no território se agravou, se tornando um ponto de prostituição.
Londrina é a segunda maior cidade do estado do Paraná, e concentra uma quantidade grande de casos de violência de gênero: mais de 3000 casos no ano de 2025. Contudo, a cidade hoje possui apenas uma Delegacia da Mulher que atende somente em horário comercial, de segunda a sexta. Para Jeniffer Seles, coordenadora do movimento, “esse descaso é grave, já que a maiorias dos casos de violência acontecem no final de semana e as mulheres não conseguem ter o atendimento especializado que faça o acolhimento. Depois de ver os ataques às politicas publicas e o desmonte de tudo o que havia sido conquistado, fazer a ocupação nesse espaço construído pela gente traz esperança, de que a luta é possível e a gente tá fazendo acontecer. Esse é um pequeno fragmento do que a gente pode construir quando a gente tá engajada politicamente”.
Inaugurada no dia 1º de Maio, Dia Internacional da Classe trabalhadora, a ocupação reafirma o caráter de luta do dia e reforça que as mulheres são ponta de lança na luta pela libertação de nosso povo e na construção da sociedade socialista.
“É melhor morrer na luta do que morrer de fome!”

Margarida Maria Alves, líder sindical do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande, foi um exemplo de luta e enfrentamento aos patrões: “E vocês fiquem certos de que não fugimos da luta. É mais fácil saber que tombamos do que dizer que nós corremos” eram palavras recorrentes de Margarida. No 1º de Maio de 1983, em seu discurso disse “É melhor morrer na luta do que de fome”, o que demonstra sua atitude aguerrida na luta pelos direitos da nossa classe. No dia 12 de Agosto de 1983, Margarida foi covardemente assassinada na frente de seu esposo e filho, a data é lembrada com luta pela Marcha das Margaridas onde seu legado de luta é lembrado com a mobilização das mulheres da luta camponesa.
A ocupação também honra a memória da vida de Bruna Danielle, mãe e trabalhadora que foi vítima de feminicídio na cidade de Guaratuba, litoral parananense, no início do ano. “Bruna trabalhava em 3 empregos para poder sustentar sua família e dedicamos essa casa em seu nome para que transformemos o luto em luta, as ocupações do Movimento Olga são alternativas populares de enfrentamento à violência contra a mulher e espaço de organização das mulheres trabalhadoras na cidade!” relata Jeniffer.