Os restos mortais do revolucionário colombiano Camilo Torres, um dos percussores da Teologia da Libertação e guerrilheiro colombiano. Há 60 anos atrás, seu corpo foi escondido pela repressão, numa tentativa de esconder o legado e exemplo para toda a América Latina e os povos oprimidos.
Redação
HERÓIS DO POVO- Após 60 anos desaparecido, os restos mortais do padre e guerrilheiro revolucionário Camilo Torres, foram encontrados na Colômbia. A localização e a identificação se deu pelo trabalho da Unidade de Busca de Pessoas dadas por Desaparecidas (UBPD), que é uma entidade estatal criada em 2016 após um acordo de paz visando reparação e justiça envolvendo o histórico de conflitos armados na Colômbia.
Camilo morreu em combate em 15 de fevereiro de 1966 durante um confronto com as forças do governo, tendo seu corpo escondido para tentar esconder o legado do revolucionário.
“Por que não nos unir, se já se uniram o fuzil e o evangelho?”*
Camilo Torres Restreto nasceu em Bogotá, capital da Colômbia, em 3 de fevereiro de 1929. Professor, Padre, Sociólogo e guerrilheiro revolucionário. Ainda na juventude iniciou sua militância junto aos mais pobres da classe trabalhadora. Ligado a Teologia da Libertação, o militante foi um dos fundadores da primeira faculdade de sociologia da América Latina em 1960, quando cinco anos depois é expulso da instituição por suas atividades revolucionárias, ingressando no Exército de Libertação Nacional (ELN), defendendo a luta armada para derrubar a Frente Nacional, uma espécie de ditadura disfarçada tendo a repressão e a violência como política de estado. Ao fazer sua preferência pelos mais pobres e defender um cristianismo onde a fé e as obras deveriam andar junto ao compromisso social, Camilo Torres entrou para a história como um verdadeiro seguidor de Jesus e um revolucionário autêntico.
A ação da UBPD reforça a importância de lutar por memória, verdade, justiça e reparação em toda a América Latina, sobretudo após a invasão americana na Venezuela e as ameaças feitas pelo imperialismo norte americano em nosso território. As ações de busca que encontraram os restos mortais de Camilo articularam universidades, cientistas, a imprensa local, ouviram testemunhas, depoimentos, reconstruindo a história recente colombiana para garantir mais um capítulo na reparação social do país, além de manter aceso o debate sobre a necessidade de justiça para aqueles que lutaram contra a repressão em seus países.
Camilo Torres não morreu. Imortalizado nos versos da canção de Daniel Viglietti, “Cruz de Luz”, cantado pelo chileno Victor Jara:
Onde caiu Camilo nasceu uma cruz
Mas não de madeira, e sim de luz.
(…)
Camilo Torres morre para poder existir.
Contam que após a bala se ouviu uma voz. . .
Era Deus gritando Revolução.
(…)
Chamaram-no de bandido como a Jesus
E quando desceram com o seu fuzil
Se depararam que o povo tem cem mil
Cem mil Camilos prontos para lutar (…)
Camilo Torres, mais do que nunca, presente!

* Trecho da música “Dispersos”, do cantor comunista venezuelano Alí Primera.