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quinta-feira, 26 de março de 2026

Privatização da SABESP aumenta tarifa e agrava crise hídrica em São Paulo

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A privatização da Companhia de Saneamento Basico de São Paulo (SABESP) foi propagandeada pela burguesia como a grande solução para a crise hídrica em São Paulo. Além demelhorar a situação da falta de águam na casa dos trabalhadores, melhoraria o serviço e baratearia a tarifa. Após dois anos da privatização o que o povo trabalhador vê é um aprofundamento da crise que ja existia.

Pedro Souza Martins – Santo André (SP)


Luta Popular – No final de 2023, trabalhadores e trabalhadoras de São Paulo, reivindicando seu direito à água e saneamento de qualidade, uniram-se na luta contra a privatização da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) através de atos e de um plebiscito que comprovava a insatisfação do povo com a política entreguista e privatista do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).

A privatização desse recurso vital para a humanidade foi feita de forma armada para beneficiar os ricaços desse país. Com ações avaliadas em aproximadamente R$84,00 e sendo vendidas por apenas R$67,00, a estatal foi desvalorizada com o intuito de entregá-la a troco de banana.

Diversas manifestações foram feitas, tendo maior destaque a Batalha da Alesp, na qual durante a votação deste Cavalo de Tróia, o povo foi duramente reprimido com a polícia militar fascista atendendo aos interesses do Tarcísio, prendendo 4 lutadores sociais, Vivian Mendes, presidenta estadual da UP, Ricardo Senese, metroviário e dirigente sindical. Além dos casos de Lucas e Hendryl, professor da rede estadual de SP e estudante da UNIFESP que passaram mais de uma semana presos por lutarem contra a privatização.

Privatização aprofunda crise hídrica

Venderam nossa água sob o pretexto de resolver os “baixos lucros” da estatal e melhorar o acesso ao saneamento básico. Contudo, ao colocar o capital como objetivo central vemos uma clara contradição: como será feito melhorias no serviço sem aumentar o valor do “produto”?

Após a empresa Equatorial assumir o comando, ficou evidente o verdadeiro plano de Tarcísio. Dados do IAS indicam que a Sabesp elevou a retirada do Sistema Metropolitano, passando de 59 m³/s (2016) para 72 m³/s (2025), um aumento de 10% em dois anos. Esse aumento tem ligação direta com as parcerias feitas com empresas de energia elétrica e serve unicamente para aumentar o lucro. Apesar disso, culpam a população pela pior crise hídrica desde 2016.

O sistema integrado metropolitano (que une 7 mananciais: Cantareira, Alto Tietê, Cotia, Guarapiranga, Rio Claro, Rio Grande e São Lourenço), atingiu apenas 27% de sua capacidade, mas o que não dizem é que 70% da água vai para o agronegócio, 20% para a indústria e apenas 10% para o consumo humano.

Em janeiro de 2026 foi alcançado o nível crítico do abastecimento, o que na prática significa a redução da pressão d’água nas torneiras, afetando principalmente as regiões mais afastadas e de maior elevação, como os morros. Muitas famílias ficam até 10 horas sem uma gota d’água e se o nível permanecer abaixo de 20%, comunidades inteiras podem ficar sem água por até 14 horas.

Trabalhadores pagam mais por menos qualidade

No primeiro trimestre após a privatização, aproximadamente 1.000 funcionários perderam seus empregos, e hoje o quadro de funcionários conta com uma redução de mais de 3.000 trabalhadores. Especialistas apontam que esses índices de demissão afetam diretamente o funcionamento da Sabesp, dificultando o controle sanitário da rede de distribuição, por falta de qualificação e experiência.

Apesar da grande propaganda de que em mãos privadas haveria redução da tarifa e qualificaria o serviço prestado no próprio contrato de venda da Sabesp está estabelecido que em eventuais prejuízos decorrentes da escassez de água, os valores podem ser compensados nos processos de revisão tarifária periódica ou por meio de revisões extraordinárias. Ou seja, o povo de São Paulo está pagando mais e recebendo um serviço muito pior , pela má gestão da empresa privada.

Em Janeiro de 2026, já houve um reajuste de acordo com a inflação. Ora, o salário mínimo continua tendo aumentos muito abaixo do ideal, mas, mesmo assim, os trabalhadores pagam mais por aquilo que lhes é mais essencial.

Por isso, a luta em defesa da SABESP ainda não acabou. Com a privatização, bilionários lucram com a falta de água nas periferias, o que afeta principalmente as mulheres que são a maioria das chefes de lar hoje e prejudica a vida de milhões de trabalhadores que, além de não ter acesso ao serviço, pagam muito mais caro pelo recurso mais essencial para a existência dos seres vivos: a água.

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