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sábado, 21 de fevereiro de 2026

Quarta greve geral na Argentina enfrenta reforma trabalhista de Milei 

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Na quarta greve geral contra o governo fascista de Javier Milei, na Argentina, mostra a disposição da classe trabalhadora, bem como a falência do capitalismo em resolver as crises criadas por esse mesmo sistema.

 Clóvis Maia- Redação  


 INTERNACIONAL- O dia 19 de fevereiro marcou a quarta greve geral na Argentina. Convocada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT) e outros movimentos sociais, milhares de trabalhadores cruzaram os braços em denúncia contra a reforma trabalhista ultradireitista votado na madrugada do último dia 20 desse mês. A greve teve adesão de diversos sindicatos e categorias, parando setores importantes como o transporte público (ônibus e metrôs), diversas fábricas do setor automobilístico (Toyota, Mercedes-Benz, Volkswagen, Stellantis e Ford), grande parte do comércio (mercados, farmácias, lojas) e bancos. Mais de 400 voos foram cancelados, após os trabalhadores da Intercargo (empresa responsável pelos aeroportos argentinos) decidirem também paralisar. Entre os voos cancelados, cerca de 200 eram para o Brasil.

Os manifestantes também ocuparam a frente do congresso argentino, onde ocorreram prisões e repressão por parte da polícia fascista de Milei. Em dois anos de governo, 120 mil postos de trabalhos foram fechados no setor privado, 80 mil nos órgãos públicos e a economia quebrou, em mais um governo direitista no país.

Governo fascista de Javier Milei representa o imperialismo mundial 

Essa é a quarta greve geral contra o governo fascista de Javier Milei, que assumiu a presidência da Argentina em dezembro de 2023 e foi eleito com o mesmo discurso demagógico de Trump e Bolsonaro e outros elementos da extrema direita mundial. Como era de se esperar de um fascista, como definiu Georgi Dimitrov, a máscara não demorou a cair. A primeira greve geral contra Milei foi convocada 45 dias após sua posse, tendo como pauta principal a resistência contra o chamado Decreto de Necessidade e Urgência, uma série de medidas que propunha derrubar mais de 300 leis de uma vez, afetando saúde, educação, moradia e promovendo uma onda de privatizações.

A Argentina é hoje o país que mais deve ao Fundo Monetário Internacional (FMI), um montante de mais de US$ 40 bilhões, e tenta colocar nas costas dos mais pobres a conta. A situação financeira do país é uma mostra da falência do capitalismo, que já quebrou a economia local várias vezes, além de manter um histórico de calotes. A última grande crise foi em 2018, quando o também direitista Maurício Macri, pediu um empréstimo ao FMI de mais de US$ 50 milhões, e mesmo assim quebrou a economia Argentina, que mesmo sendo historicamente muito dolarizada e tendo a ajuda econômica americana, não se sustenta.

Milei, como é esperado dentro do capitalismo, transfere a crise para os mais pobres pagarem. E foi assim que se seguiu, com uma segunda greve geral em maio de 2024 e uma terceira em abril de 2025, todas denunciando o caráter fascista do projeto econômico do presidente, que prometeu passar a “motosserra” no país. Isso ele fez.

Reforma trabalhista Argentina é pior do que a aprovada no Brasil em 2017

A reforma trabalhista de Javier Milei tenta acenar para o imperialismo norte-americano, ao mesmo tempo que livra a burguesia argentina. Entre as medidas que foram apresentadas, com o mesmo argumento de “combater a burocracia trabalhista para criar mais empregos”, estão a ampliação da jornada de trabalho para 12 horas, proibição de greves, redução e fracionamento das férias e até a possibilidade de pagar o salário do trabalhador com vale refeição, no chamado “salário dinâmico”, que abre espaço também para remunerar o serviço por “produtividade e mérito”, ou seja, um absurdo que vai além de ser uma questão polêmica, como classificou os meios de comunicação hegemônicos. Essa reforma argentina é bem pior da que foi aprovada aqui no Brasil em 2017 pelo golpista Michel Temer.

Para piorar, os argentinos também amargam com um parlamento antipovo, que fortalece a política do partido de Milei, o A Liberdade Avança (LLA), sobretudo após eleições legislativas de outubro de 2025, onde a situação obteve um acréscimo de vagas no Senado e na Câmara dos Deputados e se registrou a maior taxa de abstenção nas eleições legislativas desde 1983, uma prova também da necessidade de uma maior organização classista no país vizinho. Ao mesmo tempo, os economistas e especialistas do mercado evitam falar sobre o caos econômico argentino ou passam pano para o que eles classificam como ‘exageros’ de um presidente excêntrico.

Por trás do discurso ultralibertário e anarcocapitalista temos os “slogans de que os capitalistas e sua imprensa se servem para enganar os operários e os camponeses”, como afirmou Lênin em O Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo. 

Solidariedade e internacionalismo 

Enquanto o povo trabalhador argentino parava o país, Javier Milei estava nos EUA, na criminosa reunião do “conselho de paz” de Trump em Washington, onde foi oferecer tropas argentinas para irem à Faixa de Gaza garantir o plano de ocupação do território Palestino. No Brasil, a imprensa reclamou dos voos atrasados e destacou segundos para falar da greve geral, seguindo a orientação de esconder o alcance da luta dos nossos hermanos, bem como mais uma prova de que o capitalismo não consegue resolver suas próprias crises sem destruir a vida de milhões de pessoas.

É importante nos posicionarmos em solidariedade com os argentinos. Vencer o retrocesso do governo Milei é um fortalecimento contra o projeto belicista de Donald Trump, que já invadiu a Venezuela e mantém seus olhos sobre o nosso continente. A força das ruas garantiu a prisão de Bolsonaro e seus comparsas militares, e também fará a diferença na luta contra o fascismo argentino e na construção de uma saída revolucionária para toda a América Latina.

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