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quarta-feira, 25 de março de 2026

A USP ficou sem água e a culpa é do Tarcísio

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Apesar de ser a universidade com maior orçamento do Brasil, estudantes da USP sofrem com a falta de água no campus. Os mais afetados são os moradores do CRUSP, moradia da universidade que abriga os mais pobres. Organizados em suas Entidades, os estudantes têm denunciado que o maior culpado pela crise hídrica é o governador Tarcísio (Republicanos).

Giovana Oliveira* | SP


Juventude – A Universidade de São Paulo (USP), apontada como a melhor universidade do país pelo Ranking da Folha, passou cinco dias sem água, escancarando, mais uma vez, a contradição brutal entre sua excelência acadêmica e a realidade imposta aos estudantes pobres que a sustentam.

Desde a quinta-feira (12/03), a rotina no campus foi marcada pelo colapso no abastecimento. Um cano adutor estourado paralisou atividades em diversos prédios. O Centro de Práticas Esportivas da USP (CEPE) fechou as portas e o Bandejão Central, responsável por garantir alimentação acessível a milhares de estudantes, deixou de funcionar. O resultado foi imediato: centenas de estudantes sem acesso à comida, à higiene básica e ao mínimo necessário para viver. Mas, como sempre, o impacto não foi igual para todos.

Enquanto setores da universidade tentavam contornar os prejuízos dos alto dos seus gabinetes, os moradores do Conjunto Residencial da USP (CRUSP), cerca de 1500 estudantes pobres, cotistas e vindos de outros estados, foram abandonados à própria sorte. De quinta a domingo, passaram dias sem uma gota de água, sem banho, sem condições de cozinhar, sem poder tomar medicamentos adequadamente. Isso dentro da universidade mais rica do Brasil

A culpa é da privatização 

A responsabilidade não pode ser dissociada da política de privatização levada adiante pelo governo do fascista Tarcísio de Freitas (Republicanos), que entregou a Sabesp ao controle privado em 2024. Vendida como solução “eficiente”, a privatização mostra que existe somente para os grandes ricos lucrarem mais às custas da sede e exploração do povo. A falta d’água na USP não é um caso isolado, é a expressão concreta de um modelo que transforma um direito básico em mercadoria.

Enquanto estudantes enfrentavam dias de desespero, a resposta da SABESP foi reveladora: uma agilidade apenas para comentar em postagens na rede social da Associação de Moradores do CRUSP (AMORCRUSP), que denunciavam a falta de água como sendo culpa do fascista Tarcísio, tentando se eximir da responsabilidade. 

A mesma lógica já havia sido aplicada em 2023, quando o governo estadual respondeu com repressão policial às mobilizações que defendiam a água como direito e não como mercadoria, a chamada “Batalha da Alesp”.

A resposta dos estudantes é a organização!

Dentro da USP, a moradia estudantil segue sendo tratada em último plano por uma universidade que investe pesado para formar a elite, mas abandona aqueles que só conseguem estar ali graças às políticas de permanência. A crise da água apenas tornou mais evidente e insustentável o descaso sistemático com os filhos da classe trabalhadora.

Ainda assim, os moradores não se calaram. Organizados na AMORCRUSP, protagonizaram uma forte mobilização, com envio massivo de e-mails — o chamado “hackeasso” — que forçou a universidade a tomar medidas emergenciais, como o envio de caminhões-pipa, uma conquista arrancada na pressão. 

A revolta se transformou em organização. Em assembleia, foi aprovado um ato no dia 18/03, que não denuncia apenas a pauta da água, mas também o conjunto das condições precárias de moradia impostas aos estudantes, como o de um grupo de calouros recém chegados em São Paulo que está sem casa para dormir, mesmo com diversos apartamentos, alojamentos e blocos vazios na moradia. A pergunta que ecoa pelos corredores é inevitável: por que os filhos da classe trabalhadora são tratados como descartáveis pela USP?

O que ocorreu na “melhor da América Latina” não é um caso isolado. É um projeto político de precarização do ensino público, de exclusão de estudantes pobres e de privatização da água, uma tentativa de transformar direitos em privilégios reservados aos ricos. A crise hídrica que atingiu a USP revela que a universidade não se desvincula do sistema capitalista e reproduz a lógica de exploração e humilhação do povo.

Os estudantes lutam por uma universidade onde cabem os seus maiores sonhos, por um mundo onde a água limpa e de qualidade seja para todos gratuitamente. E, para isso, seguir o exemplo daqueles que não se calaram diante do silêncio institucional. O tempo deles não é o mesmo que o do povo que tem urgência e, por isso, quer construir um novo mundo pelas suas próprias mãos.

*Presidente da Associação de Moradores do CRUSP (AMORCRUSP)

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