No Brasil 18 milhões de trabalhadores sofrem com problemas relacionados a ansiedade, segundo dados da OMS existe uma epidemia global de ansiedade que afeta milhões em todo o mundo. Além de prejudicar a qualidade de vida daqueles que produzem todas as riquezas, o adoecimento mental aumenta o poder e a exploração da burguesia
Nathalia Vergara | São Paulo (SP)
Saúde – O direito fundamental à saúde é garantido pela Constituição Federal de 1988 e regulamentado pela Lei da Reforma Psiquiátrica, que prevê tratamento humanizado e uma rede de atenção psicossocial (CAPS). Porém, na prática, graças à lógica capitalista, este direito não chega a todos. Pelo contrário.
O Brasil ocupa um alarmante papel de destaque na atual epidemia global de ansiedade: são mais de 18 milhões de pessoas afetadas, o equivalente a 9,3% da população, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Além disso, de acordo com o Ministério da Saúde, 15,5% dos brasileiros podem desenvolver depressão nos próximos anos.
No livro O Capital, Marx enfatizou que o capital não tem “a mínima consideração pela saúde e duração da vida do trabalhador, a menos que seja forçado pela sociedade a ter essa consideração”.
Jornadas de trabalho exaustivas, pejotização e trabalho informal, carestia de vida, privatizações de bens públicos como água e transporte, violência contra as mulheres e o avanço do fascismo demonstram, diariamente e na prática, que o modo de produção capitalista fnada tem a oferecer para o atrabalhador a não ser mais miséria. fome e violência.
Por meio da jornada de trabalho exaustiva, como a escala 6×1, há menos possibilidades de lazer e cultura para o trabalhador, menos momentos com a família e menos tempo para revoltar-se contra o patrão e a economia vigente.
Sem momentos com a família, observam-se dois movimentos claros. No primeiro, as crianças, vistas apenas como força de trabalho futura, são formadas pelos aparelhos ideológicos do Estado, como a escola, a igreja, a mídia e outros instrumentos responsáveis por disseminar e reproduzir a ideologia burguesa para a população.
O segundo movimento ocorre por meio da divisão social do trabalho, que obriga, em sua maioria, as mulheres a trabalharem tanto fora quanto dentro de casa, cuidando da família e dos filhos. Essa divisão esgota ainda mais as mulheres e as afasta da revolução socialista, mesmo sendo elas um dos principais pilares para que essa transformação ocorra.
A violência contra as mulheres e o aumento do feminicídio que, somente no estado de São Paulo, houve um aumento de 7% em comparação ao ano passado também emergem dessa estrutura capitalista.
A juventude, público mais afetado pelos adoecimentos psíquicos, também sofre forte influência do capitalismo. Em uma realidade em que o desemprego está em alta, o ensino não é inclusivo nem acessível a todos, e se torna cada vez mais difícil permanecer nos estudos enquanto se complementa a renda familiar, adolescentes adoecem sem perspectiva de vida ou, em casos extremos, são levados ao suicídio ou ao tráfico.
Essa estrutura social, na qual vemos cada vez mais trabalhadores adoecendo, não é uma coincidência. Trata-se de um programa político que visa impedir que operários, mulheres e juventude se organizem e que o modo de produção capitalista chegue ao fim.
As soluções liberais ou exclusivamente medicamentosas nem sempre são benéficas ou acessíveis para toda a população, podendo, inclusive, reforçar a alienação da classe trabalhadora e prejudicar sua organização.
O autocuidado fora da lógica liberal também é uma tarefa revolucionária. Sem a prática de atividades físicas, acesso ao lazer e à terapia psicológica, ficamos enfraquecidos e, portanto, incapazes de atuar como ferramentas para a revolução.
Ademais, não é possível organizar a classe trabalhadora sem conhecer, a fundo, as mazelas que a assolam, denunciando a origem desses males. Sobretudo, é fundamental compreender que a solução para o adoecimento psíquico passa por uma luta ideológica, reconhecendo que as mudanças promovidas pelo sistema beneficiam apenas uma parcela da população.
Uma ideologia fortalecida é uma mente fortalecida para combater a ideologia burguesa, o capitalismo e, principalmente, vence-lo.
O apoio deve ocorrer no trabalho de base, na convicção de que construiremos e viveremos o socialismo, no autocuidado revolucionário e na camaradagem, elemento fundamental para barrar o avanço da competitividade, da pressão e da individualização do sofrimento.