Na manhã desta quinta-feira (16) as moradoras da Ocupação Helenira Preta: Por Gabriela Mariel Silvério! foram acordadas pela Polícia Militar, com escudos e cassetetes nas mãos, reintegrando a ocupação.
Larissa Mayumi | São Paulo
Mulheres – O Movimentou de Mulheres Olga Benario, que possui dezenas de ocupações como essa em todo o Brasil, esteve em diálogo com a prefeitura de Mauá (SP), que cedeu um terreno para o movimento, mas que ainda não cumpriu com o apoio para construção da casa em si. Portanto, desde a manhã desta quinta-feira (16), as mulheres seguem sem ter para onde ir.
Segundo a advogada apoiadora do movimento, o acordado foi que haveria uma reunião entre movimento, prefeitura, polícia e oficial de justiça para acordar a saída do prédio. Este combinado não foi cumprido.
“Covardia foi o que eles fizeram, nós nunca nos negamos a conversar com a justiça e a prefeitura, estávamos em negociação, mas eles preferiram vir atacar mães e crianças, de madrugada, e deixar a gente sem ter para onde levar nosso colchão, nossa geladeira.” relatou Roberta Duarte, moradora da Ocupação.
Esta semana, o ABC Paulista viu mais um caso de feminicídio. Dessa vez a vítima foi uma trabalhadora de Ribeirão Pires, moradora de São Bernardo do Campo. Apesar de ainda estar no início do ano, em abril, o número de feminicídios na região já chegou a seis mulheres.
A Ocupação Helenira existe há 10 anos na cidade de Mauá, inciando sua luta em 2017. Desde então foram quatro ocupações em Mauá, que pressionaram a prefeitura para garantir serviços dignos de acolhimento e proteção às mulheres. Ao longo desses anos, a partir da mobilização do Movimento Olga, foram construídos a Secretaria de Políticas Públicas para as Mulheres e o VIVA MARIA – Centro de Referência de Atenção à Mulher (CRAM). Na opinião do Movimento, são necessários ainda mais espaços como esses.
A última ocupação homenageou Gabriela Mariel Silvério, 33 anos, mãe e trabalhadora assassinada em junho de 2025, no Paranavaí. Gabriela era militante há 6 meses no Movimento de Mulheres Olga Benario quando sofreu o feminicídio.
Fruto das ocupações, o Movimento conquistou um terreno público para construir uma casa que acolha mulheres em situação de violência e dar seguimento ao trabalho realizado há anos nas ocupações. Porém, até a construção dessa casa, a Ocupação Helenira Preta tem acolhido mulheres, principalmente fora do horário comercial, quando não há nenhum serviço especializado no acolhimento de mulheres aberto na cidade. O despejo ocorrido hoje, sem aviso prévio, deixa as mulheres atendidas pelo movimento sem um espaço para serem acolhidas, além dos moradores da ocupação sem qualquer alternativa de moradia.
“A prefeitura de Mauá não nos avisou previamente porque não se importam de verdade com as mulheres da cidade e da região. Sabem que organizamos, na ocupação, lutas para escancarar os dados que eles querem esconder e por isso não quiseram nos avisar do despejo, porque sabiam que iríamos resistir”, afirma Júlia Calchi, coordenadora da Ocupação.
O Movimento está em campanha de arrecadação para a construção da casa. Doe pelo pix movimentoolgabenario.sp@gmail.com ou seja doador pelo apoia.se/pelavidadasmulheres