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quarta-feira, 22 de abril de 2026

Moradores sofrem com enchentes em Belém em meio ao inverno amazônico

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Alagamentos e enchentes em Belém atingem dezenas de famílias e mostram contradição do modelo capitalista de cidade.

Ronni Souza | Redação PA


BRASIL – Nos últimos dias, em meio a chuvas fortes e contínuas, moradores de diferentes bairros de Belém sofreram com grandes alagamentos. Em especial, o bairro do Tapanã teve ruas inundadas e casas alagadas. Moradores – incluindo crianças e bebês de colo – do Tapanã precisaram ser resgatados de áreas de grande alagamentos.

Em uma das casas, moradores precisaram colocar a cama de uma idosa em cima de cadeiras, na esperança da água não molhar a senhora que possui dificuldade de mobilidade.

Moradores do bairro do Tapanã afirmam que os alagamentos ocorrem por falta de limpeza e manutenção no canal Mata Fome

“Não existe mais o canal, porque está aterrado. A prefeitura não limpa mais, não cava, que é o canal do Mata Fome, que já era para estar construído, mas está assoreado, sem condição de suportar a água. É por isso que transbordou”, afirma Fabiano, morador do Tapanã. Por quanto tempo mais nosso povo ainda vai viver nessas situações?

Abandono do sistema de dragagem

Belém sempre foi uma cidade amazônica atravessada por chuvas fortes. Possui um dos maiores índices de chuvas do país além de relevo baixo e muitos rios e canais. Entretanto, essa vulnerabilidade é agravada por sérios problemas de drenagem urbana, ocupação irregular e forte influência das marés.

A principal causa desses alagamentos é o mau funcionamento do sistema de drenagem: bocas de lobo entupidas, galerias danificadas e falta de manutenção nas redes de micro e macrodrenagem.

Especulação imobiliária 

A especulação imobiliária e a negação do direito à moradia digna são fatores que empurram o povo mais vulnerável para as margens de canais, áreas de várzea e baixadas. A construção de moradias em cotas muito baixas, muitas vezes sobre aterros precários e sem saneamento adequado, cria bairros inteiros sujeitos a alagamentos periódicos. Não se trata de fatalidade natural.

A COP30 serviu de vitrine para o anúncio de obras. Mas o povo das baixadas ainda não viu esse legado chegar. A área afetada do Tapanã tinha a macrodrenagem prevista com a COP 30, entretanto, as obras estão paradas e sem previsão de término.

Não é por acaso que é o povo pobre e negro quem mora nas áreas de risco. Enquanto isso, os bairros ricos contam com áreas verdes, boas calçadas, limpeza urbana e sistemas de drenagem eficientes. A cidade é planejada para atender à lógica do lucro e aos interesses dos mais ricos — e de seus carros.

Mulheres são mais afetadas

As mulheres trabalhadoras são as que mais sofrem com essa realidade. São elas que limpam a lama, cuidam das crianças e lidam com a água contaminada. São elas que enfrentam as perdas de eletrodomésticos, móveis, material escolar e alimentos.

São as mulheres que reorganizam a casa depois de cada alagamento, que levam os filhos para a escola com os pés na água suja. São as mulheres que adoecem primeiro — pela água contaminada, pelo esgoto a céu aberto e pelo esforço de recomeçar do zero cada vez que o inverno amazônico chega.

Hoje, mais de 10% da população vive em risco de inundações e alagamentos e há 145 pontos críticos de alagamento espalhados pela cidade. O que temos no fianl é sempre um cenário de perdas: esgoto voltando pelo ralo, camas e colchões encharcados, eletrodomésticos perdidos, crianças sem condições de ir à escola.

Esse é um cenário que se repete a cada inverno amazônico em diversos bairros de Belém: Guamá, Terra Firme, Jurunas, Bengui, Tapanã, pratinha e muitos outros. Para a periferia, sobra lama, prejuízo e doenças. Já para as grandes empreiteiras e para o setor imobiliário, sobram lucros com obras que nunca terminam

Ações de solidariedade

No último período, durantes as chuvas intensas, moradores – incluindo crianças e bebês de colo – do Tapanã precisaram ser resgatados de áreas de grande alagamentos.

Campanhas de solidariedade foram organizadas pelo próprio povo para ajudar os moradores do tapanã e pratinha que perderam seus bens. Essa ação mostra que nosso povo quer e pode resolver os problemas que afetam nossa classe trabalhadora.

Os governos têm dinheiro para grandes obras e eventos, mas não têm recursos para saneamento básico e moradia digna nas periferias? Essa contradição revela que a forma como a cidade se organiza hoje está orientada para a manutenção das classes dominantes e de seu sistema apodrecido: o sistema capitalista.

Precisamos, sim, de planos de redução de risco, obras de macrodrenagem, urbanização de canais e “jardins de chuva”. Mas muitas dessas ações avançam lentamente ou simplesmente não saem do papel.

Precisamos ir mais fundo: enfrentar a concentração de terras, combater a especulação imobiliária e questionar a propriedade privada da terra urbana. É necessário que o povo se organize coletivamente para lutar por outro modelo de sociedade, que pense na classe trabalhadora e exista para solucionar os problemas do povo: uma sociedade socialista.

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