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quarta-feira, 22 de abril de 2026

Os comunistas, as guerras e a questão da paz

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Os comunistas desencadeiam a luta revolucionária anticapitalista e anti-imperialista, lutam pelo socialismo e pelo comunismo no mundo.

Natanael Sarmento | Diretório Nacional da UP


TEORIA MARXISTA-LENINISTA – Os comunistas, historicamente, são os mais radicais e consequentes combatentes pela paz mundial. Na defesa classista dos interesses e da vida dos trabalhadores, combatem as guerras imperialistas de rapina e declaram guerra à burguesia monopolista e belicista.

Diferenciam-se dos pacifistas utópicos e idealistas. As críticas morais idealistas, por exemplo, são contrárias a qualquer guerra, inclusive as de autodefesa e de libertação nacional e emancipadoras da opressão capitalista. É preciso avançar e denunciar o sistema capitalista, as mazelas da burguesia monopolista causadora das guerras.

Desconhecer a realidade objetiva e histórica da luta de classes, os antagonismos entre exploradores e explorados é não compreender a luta efetiva contra as guerras imperialistas. Os comunistas desencadeiam a luta revolucionária anticapitalista e anti-imperialista, lutam pelo socialismo.

Lutar pelo socialismo é a forma mais elevada da luta pela paz porque é a luta pelo fim da exploração e da opressão humanas. Somente no socialismo poderemos levar, às últimas consequências, o internacionalismo proletário e a paz entre os povos.

História

Lênin estabeleceu as bases ideológicas firmes que muito contribuíram para o triunfo da Revolução Russa, em 1917. O líder bolchevique combateu posições oportunistas de nacionalistas e “socialistas” da II Internacional, que abandonaram o internacionalismo proletário para apoiar burguesias nacionais no início da Primeira Guerra Mundial (1914-1918).

Os comunistas russos ergueram a bandeira da paz contra a guerra imperialista do czar e, todavia, pegaram as armas na guerra civil revolucionária de emancipação da classe operária e camponesa naquele país. O lema “Paz, Terra e Pão” representava os interesses da maioria do povo e dos trabalhadores russos, que morriam nas trincheiras para enriquecer o czar e a nascente burguesia. Mas proletários, soldados, marinheiros e estudantes se organizaram nos sovietes (conselhos) e, dirigidos pelo Partido Comunista Bolchevique, formaram os destacamentos armados revolucionários que gestaram o futuro Exército Vermelho. Após o triunfo da revolução, é assinado o Tratado de Paz de Brest-Litovsk, em 1918, que retira a Rússia da Guerra.

Na outra crise global do capitalismo do final dos anos 1920, antessala da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), os comunistas assumiram a vanguarda da resistência antifascista em toda a Europa. Foram protagonistas da luta de resistência contra a ocupação nazista na Itália e na França e em todo o Leste Europeu. O Exército Vermelho foi o principal responsável pela derrota do III Reich. O heroísmo e a importância desse Exército foram externados pelo escritor Ernest Hemingway: “Todo ser humano que ama a liberdade deve ao Exército Vermelho mais do que será capaz de pagar em uma vida”.

Reação imperialista

O prestígio do socialismo ganhava os corações e avançava mundialmente. Conquistado com sangue e luta de mais de 20 milhões de mortos, demonstrado nos campos de batalha contra a hidra nazifascista. A superioridade moral do socialismo e a grande popularidade dos comunistas, no pós-guerra, fizeram crescer os Partidos Comunistas em vários países, representando real alternativa de poder, como Itália e França.

Mas a luta de classes não tem trégua. Todas as forças capitalistas, imperialistas e máfias ameaçadas se movimentam. Despejam trilhões de dólares no combate ideológico e com armamento militar para deter a ascensão dos comunistas e, especialmente os progressos da URSS e sua influência global.

 Seguram-se após a morte de Stálin a traições, falsas denúncias dos “crimes” e de violações de direitos humanos financiadas pela CIA e capitalistas do mundo todo contra os “países da cortina de ferro”. É criada, em 1949, a Otan, pacto militar imperialista, hoje decadente. Desencadeia-se a chamada “Guerra Fria” (nome dado pela imprensa capitalista). Provocações, espionagem, sabotagens, atos terroristas, corrida nuclear, corrida espacial, invasões dos EUA na Guerra da Coreia e do Vietnã. Registram-se também as Revoluções Chinesa (1949) e Cubana (1959).

Unicamente para demonstrar força no final da Segunda Guerra, os imperialistas estadunidenses lançaram bombas nucleares nas cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki, mesmo com as negociações de paz em andamento. A União Soviética adotou a linha política da “coexistência pacífica”, buscando soluções diplomáticas para evitar a ameaça de hecatombe nuclear. O revisionismo custou caro. O internacionalismo foi definhando até o fim da URSS nos anos 1990.

Durante os anos 1950/60, o mundo vivia sob o temor de guerra nuclear. Os comunistas desfraldaram a bandeira da paz no “Apelo de Estocolmo” contra a fabricação de bombas nucleares que esmerilavam bilhões de dólares, corrida puxada pelos EUA. Milhões de assinaturas, protestos e greves se realizam no mundo e no Brasil contra as ações imperialistas na Coreia, Vietnã, Afeganistão, Iraque, Irã, Síria, Líbia e Irã.

Capitalismo: crises e guerras

O capitalismo se baseia na propriedade privada da burguesia, na exploração da força de trabalho e na apropriação das riquezas produzidas pela classe trabalhadora. A classe exploradora detém o poder econômico, os meios produtivos (fábricas, terras, ferramentas, equipamentos, tecnologias) e controla o poder do Estado.

As forças produtivas estão em permanente progresso e desenvolvimento – novas tecnologias e equipamentos.  Contrariamente, as relações de produção (capital x trabalho) não acompanham tal progresso. Mantem-se e amplia-se a exploração dos trabalhadores. Aumenta a expropriação das riquezas e do trabalho social pelos burgueses, a concentração e a desigualdade social.

Os trabalhadores produzem em grande abundância, mas são privados do produto do seu próprio trabalho. Produzem alimentos que daria para acabar com a fome do mundo. Mas 1,4 bilhão de pessoas passam fome, globalmente. Logo, o problema não é de quantidade de produção, mas sim do modo de produção capitalista de acumulação privada e de distribuição desigual das riquezas. Os trabalhadores do mundo, verdadeiros produtores, recebem o mínimo necessário para sobreviver em forma de salário para continuarem trabalhando e gerando mais riquezas para a burguesia. Esta contradição é insuperável nos limites do capitalismo.

Imperialismo

O imperialismo é a fase final do capitalismo, fase da fusão dos grandes monopólios industriais e financeiros, tornando-se uma decadente máquina de guerra e um sistema parasitário. Os grandes monopólios dividem e pilham o mundo entre si. Subordinam os Estados para enriquecê-los ainda mais. Elevam ao extremo a concentração de riquezas e as diferenças entre o capital e o trabalho, ricos e pobres.

Lênin constata que esse capitalismo putrefato agrava as disputas interimperialistas nas “guerras comerciais” e geopolíticas, pelo controle de mercados, matérias primas, territórios estratégicos e domínio mundial. Disputas estas que produzem conflitos e geram as guerras. Por outro lado, cresce a indústria bélica, na corrida armamentista que se desenvolve e coloca toda humanidade em risco de guerra atômica, cuja devastação é inimaginável para o futuro da humanidade e do planeta.

A guerra imperialista é negócio que movimenta trilhões de dólares e lucros astronômicos. O complexo burguês (industrial, financeiro, tecnológico, monopolista) é composto pelos acionistas privados de grandes empresas, banqueiros, Estados capitalistas, altos funcionários, lobistas e a alta cúpula militar.

A humanidade sofre a tragédia das guerras, dos ataques, dos bombardeios, das destruições. A mídia burguesa mostra as cenas chocantes, mas não diz que as empresas capitalistas festejam seus lucros altos. Não mencionam os capitalistas estadunidenses da Lockheed Martins e RTX Corporation, Northrop Grumman Corp e Boeing, a BAE Systems do Reino Unido, da alemã Rheinmetall, a IAI – Israel Aerospace Industries, a Elbit Systems, a Advanced Defense Systems – grandes fabricantes de armamentos de Israel.

Nenhuma palavra que essas empresas registram crescimentos de até 40%, enquanto crianças, mulheres e idosos são massacrados em Gaza, mais de 100 mil mortos no genocídio palestino pelos sionistas imperialistas. Somente os EUA concentram mais de 40% do mercado armamentista mundial, o que explica que o governo estadunidense é a maior organização do terrorismo bélico do nosso tempo.

Internacionalismo 

Em contrapartida, gigantescas manifestações globais ocorreram em 2025 contra o genocídio do povo palestino. Nos EUA, também houve o movimento “No Kings”, em repúdio às agressões do fascista Trump. No Brasil, partidos comunistas e movimentos sociais realizaram protestos públicos, manifestações nas embaixadas e consulados dos EUA, aulas públicas para denunciar o repúdio do povo brasileiro ao genocídio do povo palestino.

Ao mesmo tempo, os comunistas encamparam a luta contra a escala de semiescravidão 6×1, com abaixo-assinados, atos públicos, aulas e greves. A imprensa popular – Jornal A Verdade e milhares de panfletos impressos – a serviço dessa luta. E não poderia ser diferente. O internacionalismo proletário é princípio do comunismo científico. Desenvolvido por Marx e Engels, Lênin e Stálin, expressa a solidariedade de todos os trabalhadores do mundo, pelos objetivos e lutas comuns, independente de nacionalidade, de país. Defendemos a autodeterminação dos povos, sem cair na cilada ideológica do nacionalismo xenofóbico e burguês-fascista.

Atualmente, a Conferência Internacional de Partidos e Organizações Marxistas-Leninistas (CIPOML) conclama a todos os povos do mundo a protestarem contra as guerras imperialistas na Ucrânia, denunciarem o genocídio do palestino em Gaza, condenarem os ataques e violações na Venezuela e em Cuba, bem como o terrorismo dos Estados Unidos e de Israel no território iraniano.

Matéria publicada na edição impressa nº 330 do jornal A Verdade

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