UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

sexta-feira, 27 de março de 2026
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Homenagem a Amaro Felix

Amaro Felix foi militante do Partido Comunista Revolucionário. Dirigente das Ligas Camponesas, foi candidato a presidência do sindicato dos trabalhadores rurais de barreiros e, junto a Amaro Luiz de Carvalho foi responsável pela formação e recrutamento de novos militantes do Partido no Sítio Borboleta. Procópio, como era conhecido pelos camaradas foi assassinado pela ditadura militar fascista em 1970 sem abrir nenhum segredo Partido aos seus algozes. Seus restos mortais nunca foram encontrados

Leonardo de Paula | Jundiaí (SP)


Heróis do povo – Esconderam seu corpo por vergonha.

Vergonha por não terem conseguido dobrar um homem temperado no trabalho, na classe e no Partido.

Fizeram de sua memória uma sombra.

E da sua missão de formador Marxista-Leninista, Amaro forjou um exército. Um exército dessas sombras que que lutam de dia e de noite por uma alvorada livre, um amanhecer de justiça e paz

Esconderam sua história

Mas nós conhecemos o dirigente leal, gentil, inteligente, forte e trabalhador que nosso Partido teve. Nós lembramos da sua honra e honestidade no momento da agonia. Nós lembramos dos seus ensinamentos e da sua luta. Nós lembramos da sua vida. Por lembrar de Amaro, nós não esquecemos da missão de justiça que cabe aos seus companheiros

Te esconderam, Procópio.

E com isso levaram junto do seu corpo os segredos do Partido, dos seus camaradas, da nossa missão, tudo isso porque você não falou! Por ter Vencido a morte, vencido as torturas, vencido o medo ante a própria agonia, nós venceremos a guerra

“Vai amanhecer com a boca cheia de formigas” ameaçaram. E foi essa boca fechada que venceu as torturas, vão ser essas formigas que tomarão os palácios. Estamos vivos graças a ti, um homem de 10 filhos, pai, trabalhador e Comunista.

Para eles mais um desaparecido

Mas nós sabemos onde Amaro está. Quando as vítimas da fome se levantam, é quando te encontramos. Quando descobrimos mais do segredo do mundo, é você nos ensinando. Quando ganhamos coragem e força para encarar o império, é você nos conduzindo.

“Tamparam seu corpo com uma lona” mas graças ao seu exemplo essa lona cai todos os dias, nas lutas, na solidariedade e na coragem do seu exército. O povo reconhece o Comunista Revolucionário que tu foi nos companheiros que seu exemplo forma

É por isso que eles não te encontram, Amaro. Estamos escondidos no sítio borboleta, nas fábricas, nas avenidas e favelas, organizando a chegada do Grande Dia. Os inimigos irão amanhecer nos procurando, perdidos. Nós iremos amanhecer de boca e punhos fechados.

E quando o dia nascer, veremos quem estará na sombra, veremos quem está com a A Verdade, veremos Amaro Felix orgulhoso da nossa terra sem amos. Orgulhoso do seu Partido, da sua coragem.

Amaro Felix, herói do povo brasileiro

Operários da Inylbra paralisam atividades contra a escala 6×1

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No último dia 04/03 operários da Inylbra em Diadema paralisaram as atividades. Os trabalhadores denunciaram uma série de irregularidades, como calor extremo, falta de água e riscos para a segurança do trabalho. A ação fez parte da jornada nacional de lutas contra a escala 6 x 1

Lucas Barbosa | Diadema (SP)


TRABALHADOR UNIDO – A paralisação ocorreu em frente à portaria da fábrica têxtil na cidade de Diadema-SP, reunindo dezenas de operários da produção mobilizados por melhores condições de trabalho. 

Uma trabalhadora da produção que não se identificou para evitar perseguição dos patrões, denunciou que somente na última semana, três funcionários desmaiaram na produção, em decorrência do calor excessivo da fábrica: “Na semana passada, três trabalhadores desmaiaram durante o trabalho, estava muito quente, não tem ventiladores suficientes, quase não dá para respirar de tanto calor”, afirmou.

A operária também relatou restrições para pausas e consumo de água. “Mesmo assim, a direção não deixa nem parar para tomar uma água fresca e quando vamos ao banheiro, muitos estão com a torneira sem funcionar, têm privada quebrada e falta tranca nas portas, um verdadeiro descaso com a gente”, declarou.

A falta de água potável e refrigerada próxima aos postos de trabalho foi uma das principais denúncias apresentadas durante a manifestação na Inylbra no último 04/03. As condições de trabalho configuram graves violações de direitos básicos relacionados à saúde e segurança no trabalho. 

Os funcionários da empresa são responsáveis pela fabricação de tapetes e revestimentos agulhados destinados ao setor automotivo. Apesar de a empresa ser considerada uma das mais relevantes do segmento, as condições no ambiente de trabalho são insalubres. Muitos trabalhadores são afastados e a rotatividade cresce por decorrência da piora na saúde após o trabalho exaustivo. 

O maquinário velho é outro problema que os operários enfrentam, eles explicam que muitas das máquinas da fábrica não passam por manutenção regular faz anos. Alguns trabalhadores chegaram a mostram queimaduras que tiveram durante o período que trabalham lá

Fim da escala 6 x 1 e reajuste salarial

A manifestação na Inylbra reforçou o debate nacional sobre o impacto na qualidade de vida dos trabalhadores quando reduzem a jornada de trabalho. 

Atualmente cerca de 30 milhões de brasileiros trabalham na jornada semanal da escala 6×1, o que representa aproximadamente 30% dos trabalhadores formais do país, com jornada semanal de 44 horas. A maioria dos trabalhadores e trabalhadoras dessa escala são negros e negras, com baixa escolaridade, pois desde cedo são responsáveis pelo sustento da casa.

Além das condições estruturais, os operários reivindicam reajuste salarial. Dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) indicam que os trabalhadores brasileiros estão entre os que recebem os piores salários comparados a outros países. 

Atualmente, o salário-mínimo corresponde a 22,82% do valor considerado necessário para cobrir as necessidades básicas de uma família de quatro pessoas. Estudo divulgado no final de 2025 pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) aponta que, para garantir despesas como alimentação, moradia, transporte, saúde e educação, o salário-mínimo ideal deveria ser de R$ 7.106,83.

Essa desigualdade é ainda maior quando observamos as condições de trabalho das mulheres, são elas que estão nos postos de menor remuneração. Segundo dados do IBGE, as mulheres brasileiras recebem, em média, 25% menos que os homens. Essa diferença duplica quando se trata de mulheres negras, chegando a 53% menos que os homens brancos.

Para impedir que esse cenário continue na fábrica Inylbra, a classe operária se organiza para continuar sua luta. Os trabalhadores explicam que já está em curso na organização fabril a formação da comissão operária independente de fábrica. Uma pauta central é a representação sindical, uma necessidade urgente para encaminhar e organizar a luta dos operários. 

O intuito é reviver a organização operária na base, no chão de fábrica. Os primeiros passos já se iniciaram, as denúncias aumentaram nos setores, e os operários começaram a exigir mudanças imediatas. Os trabalhadores explicam que é necessário pausas e intervalos para o café, alguns minutos de descanso para a desintoxicação por conta da química da cola utilizada na produção. O contato excessivo com a cola, gera intoxicações e complicações para a saúde e a vida dos operários.

Fato é que o dia 04 de março representou uma virada na consciência dos trabalhadores e trabalhadoras da fábrica. Após uma semana da paralisação, os relatos feito aos brigadistas do Jornal A Verdade é que mudanças já começaram a ocorrer no interior da empresa. 

Novas contratações estão sendo realizadas para ampliar o quadro de funcionários e diminuir a sobrecarga de trabalho. A jornada 6 x 2 tem sido cada vez mais debatida entre os trabalhadores, além disso foi registrado um aumento nas reclamações ao RH da empresa para garantir o dia de folga regular. A luta continua para garantir EPIs e segurança adequada no ambiente de trabalho, muitas vezes insalubre. 

O último dia 04/03 foi um dia nacional de luta contra a escala 6x1. (Foto: Victor Gabriel, Jornal A Verdade SP)
O último dia 04/03 foi um dia nacional de luta contra a escala 6×1. (Foto: Victor Gabriel, Jornal A Verdade SP)

A luta é o caminho para mais vitórias

No Congresso Nacional, a PEC 8/2025, que prevê o fim da escala 6 x 1, segue em tramitação ainda sem uma data para votação no Plenário da Câmara dos Deputados. 

Obviamente, toda essa manobra ainda depende da aprovação no Congresso. O que se sabe é que não se pode confiar no parlamento burguês para facilitar a vida do nosso povo.

 Nesse cenário, os operários da Inylbra demonstram que o caminho para conquistar cada direito é a luta organizada, construir greves e mobilizações. A classe trabalhadora unida é capaz de pôr fim à escala 6×1 e reduzir a jornada de trabalho semanal. 

Essa vitória certamente vai melhorar a vida de cada trabalhador e trabalhadora. O caminho da luta já é seguro na consciência dos operários e operárias.

A USP ficou sem água e a culpa é do Tarcísio

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Apesar de ser a universidade com maior orçamento do Brasil, estudantes da USP sofrem com a falta de água no campus. Os mais afetados são os moradores do CRUSP, moradia da universidade que abriga os mais pobres. Organizados em suas Entidades, os estudantes têm denunciado que o maior culpado pela crise hídrica é o governador Tarcísio (Republicanos).

Giovana Oliveira* | SP


Juventude – A Universidade de São Paulo (USP), apontada como a melhor universidade do país pelo Ranking da Folha, passou cinco dias sem água, escancarando, mais uma vez, a contradição brutal entre sua excelência acadêmica e a realidade imposta aos estudantes pobres que a sustentam.

Desde a quinta-feira (12/03), a rotina no campus foi marcada pelo colapso no abastecimento. Um cano adutor estourado paralisou atividades em diversos prédios. O Centro de Práticas Esportivas da USP (CEPE) fechou as portas e o Bandejão Central, responsável por garantir alimentação acessível a milhares de estudantes, deixou de funcionar. O resultado foi imediato: centenas de estudantes sem acesso à comida, à higiene básica e ao mínimo necessário para viver. Mas, como sempre, o impacto não foi igual para todos.

Enquanto setores da universidade tentavam contornar os prejuízos dos alto dos seus gabinetes, os moradores do Conjunto Residencial da USP (CRUSP), cerca de 1500 estudantes pobres, cotistas e vindos de outros estados, foram abandonados à própria sorte. De quinta a domingo, passaram dias sem uma gota de água, sem banho, sem condições de cozinhar, sem poder tomar medicamentos adequadamente. Isso dentro da universidade mais rica do Brasil

A culpa é da privatização 

A responsabilidade não pode ser dissociada da política de privatização levada adiante pelo governo do fascista Tarcísio de Freitas (Republicanos), que entregou a Sabesp ao controle privado em 2024. Vendida como solução “eficiente”, a privatização mostra que existe somente para os grandes ricos lucrarem mais às custas da sede e exploração do povo. A falta d’água na USP não é um caso isolado, é a expressão concreta de um modelo que transforma um direito básico em mercadoria.

Enquanto estudantes enfrentavam dias de desespero, a resposta da SABESP foi reveladora: uma agilidade apenas para comentar em postagens na rede social da Associação de Moradores do CRUSP (AMORCRUSP), que denunciavam a falta de água como sendo culpa do fascista Tarcísio, tentando se eximir da responsabilidade. 

A mesma lógica já havia sido aplicada em 2023, quando o governo estadual respondeu com repressão policial às mobilizações que defendiam a água como direito e não como mercadoria, a chamada “Batalha da Alesp”.

A resposta dos estudantes é a organização!

Dentro da USP, a moradia estudantil segue sendo tratada em último plano por uma universidade que investe pesado para formar a elite, mas abandona aqueles que só conseguem estar ali graças às políticas de permanência. A crise da água apenas tornou mais evidente e insustentável o descaso sistemático com os filhos da classe trabalhadora.

Ainda assim, os moradores não se calaram. Organizados na AMORCRUSP, protagonizaram uma forte mobilização, com envio massivo de e-mails — o chamado “hackeasso” — que forçou a universidade a tomar medidas emergenciais, como o envio de caminhões-pipa, uma conquista arrancada na pressão. 

A revolta se transformou em organização. Em assembleia, foi aprovado um ato no dia 18/03, que não denuncia apenas a pauta da água, mas também o conjunto das condições precárias de moradia impostas aos estudantes, como o de um grupo de calouros recém chegados em São Paulo que está sem casa para dormir, mesmo com diversos apartamentos, alojamentos e blocos vazios na moradia. A pergunta que ecoa pelos corredores é inevitável: por que os filhos da classe trabalhadora são tratados como descartáveis pela USP?

O que ocorreu na “melhor da América Latina” não é um caso isolado. É um projeto político de precarização do ensino público, de exclusão de estudantes pobres e de privatização da água, uma tentativa de transformar direitos em privilégios reservados aos ricos. A crise hídrica que atingiu a USP revela que a universidade não se desvincula do sistema capitalista e reproduz a lógica de exploração e humilhação do povo.

Os estudantes lutam por uma universidade onde cabem os seus maiores sonhos, por um mundo onde a água limpa e de qualidade seja para todos gratuitamente. E, para isso, seguir o exemplo daqueles que não se calaram diante do silêncio institucional. O tempo deles não é o mesmo que o do povo que tem urgência e, por isso, quer construir um novo mundo pelas suas próprias mãos.

*Presidente da Associação de Moradores do CRUSP (AMORCRUSP)

O Agente Secreto se consolida como um grande representante do cinema nacional

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Tendo concorrido em 4 categorias no Óscar, e tendo ganhado mais de 70 prêmios ao redor do mundo, O Agente Secreto, do pernambucano Kleber Mendonça Filho, se destaca como uma das grandes obras do cinema nacional.

Clóvis Maia| Redação Pernambuco


CULTURA- Ambientado no Recife da década de 70, auge da ditadura militar, o filme O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, despontou como um dos grandes representantes do cinema nacional, além de ter sido indicado em 4 categorias do Óscar de 2026 e ter recebido mais de 70 prêmios ao redor do mundo, entre eles o Globo de Ouro de Melhor Filme, o Festival de Cannes por melhor direção e ator, o Critics Choice Awards de melhor filme internacional, entre outros.

O jornal A Verdade entrevistou Richard Soares, cineasta do sertão do Pajeú radicado no Recife, que trouxe algumas observações e olhares sobre a importância dessa obra para o cinema pernambucano e como a sua repercussão vai fortalecer o cinema brasileiro, especialmente após o sucesso no ano passado do também brasileiro Ainda Estou Aqui, do também brasileiro Walter Salles, que além de ser o primeiro filme brasileiro a ganhar o Óscar de melhor filme internacional, no ano passado, também foi um divisor de águas ao debater sobre memória, verdade, justiça e reparação, debatendo junto à sociedade as agruras dos 21 anos de regime militar no Brasil.

Jornal A Verdade- O Agente Secreto tem chamado atenção por sua história e as suas referências, como a questão da perna cabeluda. Mas, do ponto de vista técnico, o filme consegue se destacar muito também, especialmente se tratando de um filme de baixo orçamento. Fala um pouco mais sobre essa forma de trazer o Recife dos anos 70 para as telonas.

Richard Soares-   Em Agente Secreto, o diretor e a equipe encontram uma questão técnica, umas soluções para reproduzir o roteiro que dão muito certo. Primeiro pensando na estética, na reconstrução das cores e da cidade do Recife. Ele consegue contemplar isso muito bem. É um filme que tem profundidade visual, que tem uma fotografia muito boa, com aquele tom de lavado, um pouco do amarelo. Isso trás toda a atmosfera do Recife dos anos 70. A trilha sonora também é totalmente ligada a isso, pegando desde Paêbirú, do Lula Côrtes e Zé Ramalho, passando pela banda de Pífano de Caruaru, esses elementos da fotografia e da trilha, se interligam muito bem ao roteiro dessa história. Quem assiste é transportado para aquela época. E mesmo quem não é pernambucano, já que o cinema é uma linguagem universal, se identifica com aquilo que é reproduzido ali.

O Kleber Mendonça é conhecido por trabalhar muito bem a questão da memória, do cinema, do resgate afetivo que a sociedade tem com a questão do pertencimento. Vemos em Aquarius, Retratos Fantasmas ou mesmo Bacurau. Como essa questão da linguagem cinematográfica é tratada aqui? Quais as mensagens que ele quer passar em seu Agente Secreto?

Tem uma metalinguagem muito forte aqui. Nessa relação entre passado e presente. Quem tá assistindo percebe certa hora que estamos dentro de um filme que fala sobre filmes. Que ele está debatendo essa questão da repressão, mas também faz, ao mesmo tempo, uma homenagem ao Cinema. É o Cine São Luiz, ali, quase como um personagem, é o tubarão nas praias do Recife, o tubarão do Spielberg, a sociedade falando sobre o filme, a criança querendo assistir o filme, tendo pesadelo com ele, crescendo com a referência do cinema, a relação com o avô, e etc., além do tom de suspense do Alfred Hitchock que aqui é emulado e as cenas que dialogam com a sétima arte. Tudo isso sem deixar de ser uma história boa de se ver. A gente se identifica com Dona Sebastiana, Armando, Claudia.

Tem muita gente da direita criticando o filme. Muitas vezes sem nem se quer ter assistido. Vimos a mesma reação com relação ao filme “Ainda Estou Aqui”, do Walter Salles. Infelizmente esse ano não conseguimos levar também o Óscar. No que esses dois filmes se assemelham e no que eles se distanciam?

Realmente. Esse é o segundo filme brasileiro seguido que concorre ao Óscar, e saindo como essa grande expressão de premiações e reconhecimento internacional. Agora, é interessante notar o sentido histórico e crítico desse filme, que aborda uma outra parcela da sociedade. Aqui vamos ter um cara que não é necessariamente um militante político, alguém de um determinado partido. Mas que, querendo ou não, ao defender a sua posição, a ciência, a universidade, ele acaba se tornando também um alvo. E ele não baixa a cabeça para essas pessoas, né? A mensagem que o filme passa aqui é que a ditadura militar atacou todos os seguimentos da sociedade. Ou você estava do lado do regime, ou era considerado inimigo e pronto! Além de termos aqui essa história mostrada fora do eixo Rio/São Paulo. A ditadura também puniu, perseguiu e marcou o Nordeste. Essa produção acerta muito em mostrar esse outro lado.

É outra característica do Kleber Mendonça, essa de trabalhar diferentes narrativas e pontos de vistas. E ele trabalha com um elenco muito interessante, mas também com uma narrativa que nos surpreende, que causa até um estranhamento. Como funciona essa questão elenco e roteiro?

O Wagner Moura está muito bem nesse papel. A atuação dele é impecável, mas também temos a importância dos atores coadjuvantes. A Tânia Maria, por exemplo, fazendo o papel da Dona Sebastiana, é algo maravilhoso. Mas eu acredito, assim, que o roteiro é muito bem pensado, mesmo deixando essas ‘brechas’, que esse cinema mais midiático não gosta. Esse cinema industrial sempre quer que a gente fique totalmente numa zona de conforto, que pegue aquela história toda arrumadinha, ali. Que fique só nisso. O Agente Secreto confronta isso. Novamente, essa questão de como a ditadura buscou trabalhar o esquecimento, é questionado. E trazido para os dias de hoje. Que é o recorte que o diretor faz ao nos colocar dentro de uma história que possui outras perspectivas, mesmo que não seja, muitas vezes, aquela que a gente estivesse, de certa forma, esperando. E é como se o filme fosse interrompido, mesmo. A história termina ali exatamente como a ditadura fazia: separava as pessoas, criava narrativas, destruía reputações. Esse filme nos convida a pensar, a refletir e também espera que o público participe, construía também a narrativa. Por isso que tá lá a questão, por exemplo, do menino Miguel. Nada ali no filme é ‘jogado’ por acaso. Todo mundo tem que assistir esse filme.

Dia 8 de março marca o lançamento do Movimento Olga Benario em Portugal

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O Dia Internacional da Mulher Trabalhadora marca a construção dos primeiros núcleos do Movimento de Mulheres Olga Benario em Portugal, com lançamentos organizados em Porto e Lisboa

Julia Soares | Portugal


MULHERES – O Dia Internacional da Mulher Trabalhadora marca a construção dos primeiros núcleos do Movimento de Mulheres Olga Benario em Portugal, com lançamentos organizados em Porto e Lisboa. Os eventos, que ocorreram nos dias 06 e 07 de março, contaram com dezenas de mulheres brasileiras e de outras nacionalidades, além de organizações de mulheres e militantes da Unidade Popular pelo Socialismo (UP).

Após os lançamentos, as militantes do Olga juntamente com a militância da UP estiveram no dia 08 de março nas marchas que ocorreram por todo o país. Milhares de mulheres estiveram nas ruas em Lisboa, Coimbra e no Porto. De norte a sul do país, as mulheres marcharam para denunciar o aumento da violência de gênero, para repudiar as guerras e os ataques ao povo palestino.

Movimento de Mulheres Olga Benario na Marcha do Dia Internacional da Mulher Trabalhadora na cidade do Porto, Portugal. Foto: Felipe Zampieri.

Violência contra as mulheres cresce no país

Apesar da imagem de estabilidade social frequentemente associada a Portugal, a realidade revela o crescimento da violência contra as mulheres.

Entre 2002 e 2025, 709 mulheres foram assassinadas no país, segundo dados do Observatório de Mulheres Assassinadas. Apenas no último ano foram registrados 22 feminicídios e mais de 25 mil casos de violência doméstica, o maior registro de casos dos últimos sete anos. No país o crime de feminicídio não é tipificado pelo Código Penal, logo os números de feminicídios são maiores que os casos reconhecidos.

Outro fator que contribui para a vulnerabilidade feminina é a crise habitacional. O preço dos aluguéis em Portugal tem aumentado continuamente e, para uma pessoa que recebe salário mínimo, torna-se praticamente impossível arcar sozinha com os custos da habitação.

Nesse contexto, as mulheres — que em média recebem salários mais baixos e possuem menor poder econômico dentro de muitos arranjos familiares — enfrentam maiores dificuldades para viver de forma independente. Essa dependência financeira as torna mais vulneráveis em situações de violência doméstica, além de dificultar o rompimento com o agressor.

Mulheres Imigrantes vivem no limbo da legalização

Outro problema grave denunciado durante as mobilizações foi a situação de milhares de mulheres imigrantes que vivem no país. Estima-se que existam cerca de 490 mil mulheres imigrantes em Portugal, com destaque para as brasileiras, que já são mais numerosas do que os homens brasileiros residentes no país.

Muitas mulheres imigrantes enfrentam barreiras como discriminação de gênero e de origem, falta de reconhecimento de qualificações obtidas no exterior e dificuldades de acesso a redes profissionais. A ineficiência da AIMA (Agência para Integração Migrações e Asilo) tem deixado milhares de mulheres com seus filhos num verdadeiro limbo administrativo.

Os processos de regularização ficam parados por anos, o atendimento telefônico ou por e-mail praticamente não existe e filas para atendimento presencial começam ainda de madrugada. Em muitos casos, o tempo de análise da documentação pode chegar a quase dois anos, impedindo que trabalhadores imigrantes tenham acesso ao sistema público de saúde, assinem contratos formais de trabalho, de aluguel ou realizem matrícula em universidades.  

As mulheres são maioria da população portuguesa, mas continuam enfrentando contratos precários, salários mais baixos e maior concentração em empregos menos valorizados. Em 2023, cerca de 40% das mulheres imigrantes estavam empregadas com contratos temporários, colocando Portugal entre os países da União Europeia com as maiores taxas de precariedade laboral para este grupo.

Retrocessos nos direitos das trabalhadoras

Em 2025, o governo português apresentou um novo pacote laboral que pretende alterar mais de 100 artigos do Código do Trabalho. Entre os direitos ameaçados estão o luto gestacional, as licenças de amamentação, a redução de horário para pais de crianças com deficiência e a possibilidade de recusar turnos noturnos ou de fim de semana para pais e mães de crianças menores de 12 anos.

Essas mudanças representam um retrocesso nos direitos conquistados pelas trabalhadoras, sejam elas portuguesas ou imigrantes.

Diante de toda essa realidade é um grande passo para as mulheres a organização do Movimento, pois só com o exemplo de luta e combatividade, que é a marca do Olga, que trás a necessidade da organização para fazer enfrentamento às violências e que só colocando abaixo o capitalismo e construindo o Socialismo é que vamos avançar para uma vida livre de violências. 

“Nós cozinhávamos vivas lá dentro”

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Uniex, fábrica na região do Brás, na capital Paulista, é denunciada por trabalhadores e trabalhadoras pelas condições humilhantes de trabalho, e pressão das operárias, apoiadas pelo MLC e UP, conquista melhorias

Redação SP


TRABALHADOR UNIDO – Logo nas primeiras horas do dia 4 de março, centenas de militantes do Movimento Luta de Classes (MLC) e da Unidade Popular (UP) estavam em frente à fábrica Uniex, na região do Brás, capital paulista, para apoiar a paralisação das trabalhadoras contra a escala 6×1 e as condições degradantes de trabalho.

Antes mesmo do horário de entrada, o dono da empresa chegou ao local junto com várias viaturas da polícia militar para reprimir o direito do povo a fazer greve. Além da violência policial contra os militantes, o patrão coagiu as operárias a entrarem no trabalho, chegando a empurrá-las para dentro da empresa e dizendo: “se vocês quiserem entrar, é agora”.

Há várias semanas antes do dia da greve, o MLC na capital de São Paulo organizou uma série de panfletagens e brigadas do jornal A Verdade no bairro Brás, denunciando a escala 6×1, conversando com centenas de operários da região, ouvindo relatos e convidando a se somar na luta pela redução da jornada de trabalho.

Exploração na Uniex

A Uniex foi uma das empresas que mais recebeu reclamações. Além da escala 6×1, houve relatos de assédio dos patrões, desvios de função, metas irrealizáveis, falta de equipamentos de proteção individual (EPIs), falta do adicional de insalubridade, calor intenso dentro de alguns setores por causa das máquinas, proibição de sentar durante todo o expediente, pouco tempo de horário de almoço, falta de vale refeição, entre diversos outros. 

Houveram também relatos sobre a atuação do sindicato, expondo que no ano passado algumas trabalhadoras foram demitidas por terem procurado a entidade para denunciar as condições de trabalho, sendo todas “entregues” ao dono e demitidas.

Um trabalhador que conversou com o movimento relatou: “principalmente na parte das máquinas, que fazem mais de 200 graus e as de laser, que jogam gases tóxico na hora da queima do tecido pro corte, o único EPI que eu vi lá na vida foi aquelas borrachinhas para ouvido que sinceramente é bem irrisório, o ideal seria aqueles fones abafadores mesmo cobrindo o ouvido todo”.

E continua: “Rola desvio de função lá ‘a rodo’ vire e mexe, se falta gente em um setor eles pegam de outro sem treinamento para mexer nas máquinas, o que 5 minutos de uma pessoa explicando como funciona não pode ser considerado um treinamento, né?”.

Organização dos trabalhadores é o pesadelo dos patrões 

Ao sentir o espírito de revolta que começava a acender nas trabalhadoras, o patrão organizou uma reunião com todas as pessoas da fábrica, de todos os turnos, parando a produção por meia hora para aterrorizar as operárias, ameaçando com demissão qualquer uma que mencionasse qualquer coisa sobre greve, que deveria sair quem não estivesse satisfeito e perguntando o que elas iriam fazer com um sábado de folga, relataram algumas trabalhadoras.

Numa escalada do medo da organização do povo, o dono da empresa atacou militantes do MLC que estavam fazendo agitação em frente à fábrica, quebrando um celular e a mesa com os materiais, além de agredir um militante. Em seguida, demitiu três trabalhadoras da fábrica acusando ao menos uma delas de estar envolvida com o movimento.

A Uniex é uma fábrica têxtil do bairro Brás, de pequeno porte, que fabrica e comercializa roupas esportivas, principalmente, empregando cerca de 250 funcionários, na sua maioria mulheres. Mesmo não tendo divulgado abertamente sua taxa de lucro, é possível estimar que possa chegar até 500 mil reais anualmente, com as operárias não tendo nenhuma participação nos ganhos, mesmo sendo elas quem produzem todas as mercadorias da empresa.

As conquistas da luta

Após a ação do dia 4, uma comissão formada por militantes do MLC e UP, junto com uma das trabalhadoras demitidas, foi até o Ministério Público do Trabalho (MPT) levar as diversas denúncias das operárias e da reação violenta do patrão naquele mesmo dia. A comissão foi recebida imediatamente e foram protocoladas todas as queixas. 

“Nós cozinhávamos vivas lá dentro, você sabe como é cozinhar vivo? É muito quente lá no setor, e não tem ventilação, as pessoas passam mal. O meu setor tem uma placa de ‘proibido sentar’, nós temos que passar mais de 8 horas em pé”, disse a operária durante a audiência no MPT.

Poucos dias depois, uma série de trabalhadores pediram demissão, não aguentando as condições degradantes de trabalho e a escala sanguinária do 6×1. Ao mesmo tempo, fruto da pressão da organização dos trabalhadores, melhorias pontuais foram realizadas, como o ajuste do contrato de trabalhadores como operadores de máquinas ao invés de ajudantes gerais, como ocorria antes, a entrega de EPIs para todos do setor da produção e a compra de equipamentos para primeiro socorros, como maca e cadeira de rodas. 

A luta do dia 4 de março foi parte de uma jornada nacional de greves pelo fim da escala 6×1 e redução da jornada de trabalho, organizada pelo MLC e pela UP, paralisando dezenas de fábricas em todo o país e mobilizando milhares de trabalhadores para lutar por melhores condições de vida.

Trabalhadoras lutam por delegacia da mulher no ABC paulista

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O Movimento de Mulheres Olga Benário realizou no último dia 13/03 uma campanha de lutas pela delegacia da mulher em todo o ABC paulista. Enquanto o governador Tarcisio (Republicanos) corta 54% do orçamento da secretaria da mulher do estado de SP, as mulheres ainda recebem 25% a menos que os homens e sofrem com uma tripla jornada de trabalho

Larissa Mayumi | SP


Mulheres – Em São Caetano, Santo André, São Bernardo do Campo e Mauá, da região metropolitana de São Paulo, o Movimento de Mulheres Olga Benario realiza atos exigindo que as delegacias da mulher funcionem 24 horas, denunciando os casos de feminicídio do ABC e que não há uma delegacia da mulher que seja 24 horas na região.

Todos os atos denunciaram o aumento da quantidade e brutalidade dos feminicídios e da violência contra as mulheres. No ABC Paulista, somente em uma semana, houve 3 casos de feminicídio. Enquanto isso, o estado de São Paulo bateu recorde de casos no último ano. 

Assim, os atos recolheram assinatura para o abaixo assinado por delegacias da mulher 24 horas, pois hoje nenhuma das delegacias da mulher da região funcionam fora do horário comercial. 

Luta em todo o ABC

As mulheres responsabilizam o governador fascista Tarcísio de Freitas (Republicanos) pelo corte de 54% para a secretaria de política para as mulheres, afetando o funcionamento dos serviços de acolhimento às mulheres e tendo como consequência a falta de amparo das vítimas de violência e o aumento dos feminicídios.

Em São Caetano, o ato foi realizado na estação de trem, com varal de fotos das vítimas de feminicídio, com fila de mulheres para assinarem o abaixo assinado pela delegacia 24 horas. 

Isabela Leal, da Unidade Popular pelo Socialismo, afirma no ato de São Caetano: “Somente unidas e lutando organizadas é que conseguiremos mudar essa realidade. A delegacia da mulher 24 horas é uma medida fundamental e urgente, porém, queremos que as mulheres nem precisem de delegacia, que as mulheres não sejam violentadas!” 

E acrescenta: “precisamos construir uma sociedade que não seja baseada em recebermos 25% a menos do que os homens, em que somos as primeiras a serem demitidas e que creche, moradia, salário e trabalho dignos sejam assegurados, só numa sociedade socialista seremos livres e acabaremos com os feminicídios e a violência contra as mulheres”.

Já em Santo André, as mulheres colaram imagens das vítimas de feminicídio no poste em frente à delegacia e realizaram panfletagens com as mulheres passando no entorno, denunciando o aumento da violência e a falta da delegacia 24 horas. Muitas relataram já ter visto mulheres indo até a delegacia fora do horário de funcionamento e se deparando com a delegacia fechada. Além disso, a guarda da delegacia foi ostensiva e logo retirou as colagens com os rostos das mulheres.

Em Mauá, o ato ocorreu em frente à delegacia da mulher, onde mulheres de diversos bairros da cidade participaram e realizaram denúncias sobre os feminicídios da cidade, em particular da Gabriela Mariel Silverio, assassinada no meio do ano passado. Gabriela era dirigente do Movimento Olga Benario na cidade de Mauá e chegou a recolher dezenas de assinaturas para o abaixo assinado pela delegacia da mulher 24 horas.

Por fim, em São Bernardo do Campo, as trabalhadoras e trabalhadores da Cidade da Criança, estudantes da Faculdade de Direito de SBC e moradores do bairro ouviram atentamente as reivindicações, deixaram seus contatos e mais de 35 trabalhadores assinaram o abaixo assinado.

Assim, o Movimento de Mulheres Olga Benario convoca a todas as mulheres trabalhadoras a não abaixarem a cabeça diante desse cenário de violência e feminicídios e aponta que o caminho é a organização e a luta. 

Mulher não se cale, lute pelo socialismo! Faça parte do Movimento de Mulheres Olga Benario!

Lutemos contra o assédio no trabalho!

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O assédio que as mulheres passam nos seus locais de trabalho é mais uma das consequências da exploração do trabalho pelos grandes ricos, que tomam a riqueza produzida por elas e as mantém trabalhando em uma escala desumana e humilhante.

Luiza Wolff | Movimento Olga (SC)


MULHERES – As mulheres são 52% das chefes de família no Brasil e recebem cerca de 20% a menos que os homens pelas mesmas funções no trabalho (JAV, Edição Nº 327). São elas também os sujeitos que todos os dias sofrem assédio sexual ou moral nos locais de trabalho. 

No ano de 2025, segundo o Tribunal Superior do Trabalho (TST), cresceu em 22,3% o número de processos por assédio moral e aumentaram em 40% o número de processos de assédio sexual nos locais de trabalho em 2025. Vale também ressaltar que a taxa de afastamentos por saúde mental foi de mais de meio milhão de pessoas no Brasil em 2025. 

O crescimento desses dados se dá juntamente com o aumento da retirada de direitos trabalhistas promovida pela Reforma Trabalhista de 2017, que fez mais de 100 mudanças na CLT e ampliou a terceirização e também pelo aumento significativo da violência contra a mulher no Brasil, que no ano de 2025 deixou aproximadamente 4 vítimas de feminicídio por dia. 

O que é assédio?

A cartilha do Movimento de Mulheres Olga Benario define o assédio como sendo “Qualquer ato contra a vontade da mulher que cause constrangimento, humilhação ou medo. Pode acontecer na rua, mas também em ambientes privados, como no trabalho”. O assédio pode se dar de diversas maneiras, o assédio sexual: os atos sexuais contra a vontade da mulher, ou o assédio moral: ato que humilha, constrange, ou gera medo em pessoas, de forma moral. Em muitos casos, fica claro o uso dos locais de poder, ou de maiores hierarquias, para assediar sexualmente e moralmente as trabalhadoras. 

Muitos trabalhadores dentro das fábricas ou nos locais de trabalho sofrem assédios morais de seus superiores, quando são ameaçados de demissão por não baterem as metas ou quando são humilhados durante as reuniões de trabalho. Porém, além deste tipo de assédio, muitas mulheres sofrem, dos seus próprios colegas de trabalho assédio sexual. São “cantadas”, toques, comentários sobre sua aparência e outras atitudes que constrangem, humilham e tornam o ambiente de trabalho das mulheres cada vezs mais hostil e perigoso.

Como foi o caso de uma trabalhadora da BRF em Chapecó, Santa Catarina. Em relato para o Jornal A Verdade, ela explicou que um trabalhador do seu setor passou por ela, “roçando” sua parte íntima nela. Sua colega de trabalho relatou: “O sentimento que ela tem é que dentro da empresa não importa se você é assediada ou não, eles vão tentar abafar o caso, que foi o que fizeram com ela, tentaram mudar ela de setor, e não fizeram nada efetivamente com ele.”

Outra trabalhadora, da fábrica Bahia Têxtil, na Bahia, relatou ter sofrido assédio de seu supervisor, e que só vai ao trabalho porque precisa, porém, todas as vezes que o vê, sente-se muito mal e ansiosa. Ao fazer uma brigada nessa fábrica, Giovanna, militante do Olga Benario falou a esta mulher que ela não estava sozinha, mas que provavelmente também outras mulheres passam por isso dentro da fábrica e, por isso, devemos nos organizar contra a violência que sofremos. 

Luta contra o assédio

Porém, as mulheres historicamente são grande parte dos trabalhadores no Brasil, e sempre lutaram para não passar por esse tipo de situação em seus locais de trabalho. A primeira greve geral do país, em 1917, iniciou-se na fábrica Cotonifício Crespi em São Paulo, de maioria mulheres, e que teve como uma de suas pautas, a luta contra o assédio sexual nos espaços profissionais. 

O assédio que as mulheres passam nos seus locais de trabalho é mais uma das consequências da exploração do trabalho pelos grandes ricos, que tomam a riqueza produzida por elas e as mantém trabalhando em uma escala desumana e humilhante. Por isso, é necessária a luta pelo socialismo, onde pertença às mulheres e aos homens trabalhadores o fruto do seu trabalho e a liberdade de uma sociedade sem assédio.

Matéria publicada na edição impressa Nº 329 do jornal A Verdade

Dez anos das Ocupações do Movimento de Mulheres Olga Benario

As ocupações do Movimento de Mulheres Olga Benario completam 10 anos enfrentando processos de despejo e repressão estatal para garantir a vida das mulheres trabalhadoras.

Coordenação Nacional do Movimento Olga Benario


MULHERES – No ano de 2016, a Lei Maria da Penha completava seus 10 anos. Entendendo a necessidade de avançar mais as políticas de combate e enfrentamento à violência contra as mulheres, o Movimento de Mulheres Olga Benario resolveu gritar um basta. Nesse ano, ocupamos imóveis abandonados para: denunciar a violência contra as mulheres, o feminicídio e a cruel ausência do Estado capitalista em se responsabilizar e enfrentar de vez essa realidade; reivindicar políticas públicas e construir espaços para organizar as mulheres na luta por nossos direitos e pelo socialismo.

Assim, nasceu a Ocupação de Mulheres Tina Martins (8/março, Belo Horizonte/MG) e a Ocupação Mulheres Mirabal (25/novembro, Porto Alegre/RS). Revivendo a história de Espertirina Martins, operária que esteve à frente de uma das greves brasileiras de 1917, e das irmãs dominicanas Patria, Minerva e Maria Teresa Mirabal, símbolos de resistência feminina contra opressões e violência na América Latina. Um ano depois, nasceu em Mauá, a Ocupação Helenira Preta, homenageando Helenira Resende, que lutou pelo socialismo e contra a ditadura militar, regime que a torturou e assassinou.

Nesses 10 anos, as ocupações funcionam como uma alternativa em acolhimento a mulheres vítimas de violência, com suporte jurídico, psicológico e social, mas também de espaço de organização política em Minas, Rio Grande do Sul, São Paulo e do país. Foram milhares de mulheres e crianças que já passaram por nossos espaços, tiveram apoio e puderam enxergar uma vida para além da violência.

Ocupação Tina Martins

Uma das vitórias obtidas com a ocupação foi a reorganização da rede de enfrentamento à violência contra a mulher em Minas Gerais e conquistas de mais Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher no estado. Reivindicações que seguem necessárias! Apesar das tentativas do governador Romeu Zema em vender o imóvel no qual hoje funciona a Casa, sem dar alternativas ao trabalho, num contexto em que Minas Gerais teve 139 mulheres vítimas de feminicídios só em 2025, a mobilização das mulheres do Olga e das apoiadoras da Tina Martins garantiu que a casa continuasse a salvar a vida de outras mulheres. A principal conquista que temos é quando uma mulher se junta à nossa luta!

E assim foi com Maria [nome fictício]. Depois de 16 anos de muita violência presa em um casamento e sem nenhuma rede de apoio, ou alternativa clara para sair dessa situação, Maria chegou até a Casa Tina Martins com seus filhos. “Esperançosa e com a certeza de que não estava mais sozinha. A partir de então, com o apoio do Movimento de Mulheres e com a certeza que tínhamos uma casa para nos acolher, passei a ver uma luz no fundo do túnel. Naquele momento percebi que ir embora foi o maior gesto de amor próprio. E hoje, gosto muito da mulher que me tornei, através do apoio recebido por essas mulheres fortes e revolucionárias que não medem esforços para lutar para salvar a vida de outras mulheres.” Maria hoje faz parte da Coordenação do Movimento de Mulheres Olga Benario.

Ocupação Mulheres Mirabal

Desde 2019, há um processo de reintegração de posse movido pela Prefeitura Municipal de Porto Alegre, sob as gestões de Nelson Marchezan Jr. (PSDB) e mantido por Sebastião Melo (MDB). E, em 2023, foi determinada a retirada das mulheres e das crianças da Casa.

Em 2025, a Mirabal recebeu intimação judicial sob pena de uso de força policial para efetivar o despejo — uma medida que tenta criminalizar o movimento, ignorar o trabalho social já consolidado e que gerou grande indignação e muito apoio popular.

Com muita persistência em manter o trabalho, em 2025, fruto da luta, a Mirabal conquistou um novo imóvel. As tentativas de despejo seguem, mas a resistência e apoio crescem.

Ocupação Helenira Preta

Primeira ocupação do estado de São Paulo, realizada em 2017. Apesar das reintegrações, as mulheres do Olga já realizaram 3 ocupações na cidade de Mauá para continuar acolhendo e organizando mais mulheres. Através desse trabalho, já foram acolhidas mais de mil mulheres em situação de violência. 

A última ocupação foi feita em resposta ao feminicídio de Gabriela Mariel Silvério, militante do Olga em Mauá, que lutava por Delegacia da Mulher 24 horas, chegando a recolher centenas de assinaturas em abaixo-assinado. Fruto dessas lutas, as mulheres conquistaram um terreno cedido pela prefeitura da cidade para construção de uma casa para continuar o trabalho nas ocupações.

Pela vida das mulheres e pelo socialismo

Nesses 10 anos, já foram realizadas mais de 30 ocupações espalhadas pelo Brasil, denunciando que o capitalismo é o principal responsável pelo aumento da violência, uma vez que a crise econômica retira direitos básicos das mulheres da classe trabalhadora como moradia digna, salário, creche, estudo, o que as deixa mais dependentes dos seus agressores, enquanto o Estado as negligencia. Além disso, as ocupações servem de espaço de organização das mulheres trabalhadoras na luta por esses direitos e para a construção da sociedade socialista, na qual nossas riquezas e nosso trabalho não são mercadorias, e nossas vidas são verdadeiramente valiosas, dignas e plenas.

Matéria publicada na edição impressa Nº 329 do jornal A Verdade

A luta contra os feminicídios é a luta pelo socialismo

O Movimento de Mulheres Olga Benario faz um chamado a todas as mulheres que estão cansadas de serem exploradas e oprimidas, para que façam parte da luta contra os feminicídios e pela construção do socialismo.

Larissa Mayumi e Giovana Ferreira | Coordenação Nacional Olga Benario


MULHERES – “Mulher é assassinada após negar um beijo a um homem”, “Amiga de mulher arrastada é vítima de feminicídio”, “Mulher é assassinada por ex-companheiro”, “Homem tira a vida de ex-companheira dentro do shopping”. Essas têm sido notícias diárias, fazendo com que no último ano, por dia, acontecessem em média 4 feminicídios no Brasil. Além das mais de 3,7 milhões de brasileiras que sofreram violência de acordo com dados do DataSenado.

Afinal, por que a violência contra as mulheres e feminicídios tem aumentado em quantidade e em crueldade? 

Uns dizem que é a impunidade, mas vejamos. Em São Paulo, estado com maior número de casos de feminicídio no último ano, houve um aumento de 30% de prisões dos assassinos. Além disso, no país, aumentaram 17% dos casos de julgamento, sendo em média 32 casos julgados por dia em 2025.

Assim, mesmo que seja fundamental punir aqueles que cometem tal barbaridade, somente com o aumento do número de julgamentos e prisões, os feminicídios seguem acontecendo e sendo mais frequentes. 

Pedrina Gomes, de Minas Gerais, assistente social que realiza o acolhimento de mulheres em situação de violência desde 2012, afirma: “A maior parte das mulheres atendidas são mulheres que não estão em empregos formais, estão em subempregos e/ou assistidas por políticas públicas, como bolsa família e o Benefício de Prestação Continuada, e a falta de acesso à renda e a segurança de renda fragiliza ainda mais as situações de vulnerabilidade e consequentemente de violência”. 

De acordo com dados do DataSenado, baseado em relatórios de 2023 a 2025, mais da metade das vítimas de violência recebem até 2 salários mínimos, grande parte com baixa escolaridade ou desocupadas. Ainda, 61% das mulheres afirmam que a dependência econômica as impede de realizar denúncias sobre sua situação de violência.

Portanto, o fato de as mulheres no nosso país receberem cerca de 25% a menos do que os homens já é um fator de risco. Além disso, a taxa de desemprego entre as mulheres está em quase 7%, enquanto a dos homens, 4,8%. No mundo, são quase 2 bilhões de mulheres e meninas sem nenhuma seguridade social.

Com mais de 3,7 milhões de mulheres que sofreram violência doméstica ou familiar no último ano, a falta de moradia também se torna um fator de risco da violência. De acordo com o relatório Sem moradia digna, não há futuro, da Habitat para a Humanidade Brasil, 62,6% das famílias em situação de déficit habitacional são chefiadas por mulheres. E desde 2020 até o último ano, quase um milhão de mulheres e meninas foram despejadas de casa ou sofrem ameaça de serem despejadas (Campanha Despejo Zero). Assim, muitas mulheres ao sofrerem violência, saem de casa e passam para as estatísticas do déficit habitacional ou mesmo permanecem em situação de violência e com suas vidas em risco pois não tem onde morar.

Assim, a própria crise econômica em que vivemos, intrínseca ao sistema capitalista, impõe as mulheres o desemprego ou empregos com baixos salários, sem moradia própria, tendo muitas vezes que cuidar de seus filhos ou parentes mais velhos, impondo a dependência econômica de seus agressores. E ao invés de resolver estes problemas, aumenta-se a violência, que se apresenta como solução para conter a revolta das trabalhadoras e trabalhadores, além das guerras como forma de resolver conflitos entre as potências imperialistas e saquear riquezas de países dependentes, como a recente invasão dos EUA a Venezuela com o sequestro do presidente do país e o roubo de toneladas de petróleo. Para sustentar seus interesses, a burguesia utiliza o discurso de ódio como forma de justificar a violência. O preconceito e a inferiorização daqueles que tem sido vítimas dos genocídios em Gaza, do povo negro nas periferias e das mulheres tem sido mais propagado.

Na sociedade capitalista, a felicidade é baseada na propriedade privada, nos bens materiais, e as mulheres são colocadas como propriedade do homem. É muito comum homens preferirem verem suas ex-companheiras mortas do que sem eles e sendo felizes, tudo isso é fruto da ideologia burguesa, de uma sociedade falida em que não dá perspectiva de vida para as mulheres em detrimento do lucro máximo para os ricos.

Essa ideologia em que coloca o corpo da mulher como propriedade é alimentada todos os dias nas televisões de todo o país com os comerciais de produtos, músicas, programas das emissoras, filmes, séries, entre outros. Colocar a mulher nesse lugar faz parte da estrutura do sistema econômico vigente e é lucrativo para o capitalismo, pois se “tudo bem” as mulheres serem assassinadas, também está “tudo bem” receberem menos, estarem nos piores postos de trabalho e terem dupla jornada de trabalho.

Os fatores que colocam a vida das mulheres em risco são causados pelas contradições do sistema que vivemos, em que as condições de vida dos trabalhadores e, principalmente, das trabalhadoras, piora cada dia mais, enquanto uma minoria fica cada vez mais rica. No capitalismo, os salários mais baixos das mulheres, o trabalho doméstico, de cuidado dos filhos e dos parentes mais velhos em que as mulheres são as principais responsáveis, a falta de moradia e os aluguéis caros e a falta de creche dão lucro. 

Recai sobre a família o peso da sobrevivência, como afirma Alexandra Kollontai, ministra no primeiro Estado Socialista do mundo, em 1921: “na era da propriedade privada e do sistema econômico capitalista-burguês, a família e o casamento estão presos em (a) bases materiais e financeiras, (b) na dependência econômica do sexo feminino sob o ganha-pão da família – o marido – em vez do coletivo social, e (c) a necessidade de cuidado da crescente geração”. Conforme a crise avança e a luta pela sobrevivência fica mais difícil, a família também entra em crise e a violência doméstica aumenta.

Para Leia Ferreira de Andrade, uma das mulheres em situação de violência acolhidas na Casa da Mulher Trabalhadora Carolina Maria de Jesus, organizada pelo Movimento de Mulheres Olga Benario, para acabar com a situação de violência e feminicídios é preciso: “começar com a igualdade de ganhos e salários pra as mulheres, a questão da creche, da moradia digna, lavanderias comunitárias são políticas do socialismo para resolver a nossa vida”. Estes direitos só são assegurados numa sociedade que não seja voltada para o lucro de uma minoria, mas para atender a necessidade do povo, uma sociedade socialista.

Pois como relata Kollontai, na organização socialista vivida na Rússia: “há a transição para um único plano de produção e consumo socialmente coletivo, a família perde seu significado enquanto uma unidade econômica. As funções econômicas externas da família desaparecem, e o consumo deixa de ser organizado sob uma base individual familiar, uma rede de cozinhas sociais e cantinas é estabelecida, e o preparo, reparo, a lavagem das roupas e outros aspectos do trabalho doméstico são integrados na economia nacional”.

Matéria publicada na edição impressa Nº 329 do jornal A Verdade

Movimento de mulheres realiza 16 ocupações pelo fim do feminicídio e pelo socialismo

Neste dia 14 de março, o Movimento de Mulheres Olga Benario deflagrou uma jornada nacional com 16 ocupações simultâneas em 13 estados brasileiros para denunciar a alta nos casos de feminicídios e o desmonte das políticas públicas de proteção à mulher.

Redação


MULHERES – O Movimento de Mulheres Olga Benario realiza, neste dia 14 de março, em todo o país, uma jornada nacional de mobilizações contra a violência e o feminicídio, com 16 ocupações realizadas simultaneamente em imóveis abandonados sem cumprir função social, em 13 estados diferentes. A mobilização também presta homenagem às mulheres assassinadas, vítimas de estupros e diversas formas de violência em nosso país, além de lembrar a lutadora Marielle Franco, brutalmente assassinada há exatos oito anos por sua atuação na defesa dos direitos do povo trabalhador e contra a especulação imobiliária.

No Brasil, existem apenas 706 delegacias especializadas de atendimento à mulher (DEAM), ou seja, menos de uma delegacia para cada 100 mil mulheres. Enquanto o país bateu recorde de feminicídios no último ano, as políticas de enfrentamento à violência contra as mulheres tem sofrido cortes. No mesmo ano, o Congresso Nacional aprovou cortes que representam quase 70% dos recursos para esta finalidade. Enquanto isso, só no último ano, foram quatro mulheres assassinadas por dia simplesmente por serem mulheres.

Foram realizadas ocupações urbanas em 16 cidades em todo o Brasil, em 13 estados diferentes (Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraíba, Ceará, Rio Grande do Norte, Bahia, Sergipe, Piauí e Pará). Todas as ocupações foram realizadas para denunciar a crescente violência contra as mulheres na trágica realidade que vivemos sob o capitalismo.

Os imóveis ocupados também são parte da denúncia da falta de equipamentos dos estados e municípios para acolhimento e desenvolvimento da autonomia das mulheres vítimas de violências. As mulheres representam 51% de toda a população do Brasil e, no entanto, temos apenas 11 Casas da Mulher Brasileira em funcionamento para atender todo o território nacional. As casas homenageiam mulheres de luta e resistência em diversos períodos no Brasil, para que sua determinação em construir um futuro justo para todos siga firme em cada trabalhadora e trabalhador em luta. 

Ocupação Francisca Amália de Assis Faria, em São Paulo (SP). Foto: Mabel (JAV/SP)
Ocupação Francisca Amália de Assis Faria, em São Paulo (SP). Foto: Mabel (JAV/SP)

 

Na capital paulista, foi realizada na região do Jabaquara a Ocupação Francisca Amalia de Assis Faria. Mesmo após a tentativa de criminalizar nossa ação, as militantes do Movimento saíram ainda mais fortalecidas do processo. “Todo esse enfrentamento aumentou a compreensão de que o que a gente faz é certo. A polícia usou de uma força imensa para acabar com a nossa ocupação, mas não usa do mesmo poder para impedir as violências que sofremos. Devemos derrubar este sistema porque ele defende o patrimônio, não a vida”, relata Katiuscy Silva, coordenadora do Movimento no estado.

Em Carta Nacional, o Movimento reivindica como pautas prioritárias: delegacias especializadas para as mulheres 24 horas em todos os municípios; fim da escala 6×1 e redução da jornada de trabalho, sem redução de salário; aumento do salário mínimo em 100%; Orçamento obrigatório para políticas para mulheres; creche integral para todas as crianças; Casa da Mulher Brasileira em todos os municípios; garantia da igualdade salarial; garantia da construção dos programas Minha Casa Minha Vida (MCMV) e outros programas habitacionais; regulamentação do auxílio aluguel – para R$1.000,00; passe-livre para mulheres em situação de violência garantido; criminalização da misoginia.

O Movimento de Mulheres Olga Benario é um movimento social que existe há 15 anos, organizando mulheres em todo o país para lutar em defesa dos direitos das mulheres, fim da violência e por uma sociedade socialista. Dentre as lutas, uma das principais são as ocupações de mulheres, onde transformam imóveis abandonados em espaços para acolher mulheres em situação de violência. As ocupações são espaços de resistência, onde realizam atividades culturais, geração de renda para mulheres, cursos de formação política e reuniões de mulheres para organizar ações para lutar por vaga em creche, melhores salários, moradia e por políticas públicas de enfrentamento da violência.

Com esta ação, o Movimento chama atenção para a luta pelo socialismo, pois é esse o sistema que tem as condições de garantir os direitos e a vida das mulheres. De acordo com o DataSenado, 61% das mulheres afirmam que a dependência econômica impossibilita de fazer as denúncias sobre violências domésticas. As contradições do capitalismo só aumentam e são as mulheres que mais sofrem, especialmente as mulheres negras. É a ideologia capitalista que coloca que o corpo da mulher é uma propriedade o que normaliza a misoginia, a violência, o feminicídio, os salários mais baixos e as duplas, triplas jornadas de trabalho. Este sistema quer continuar nos assassinando, através da iminente Terceira Guerra Mundial, seja com as bombas caindo na Palestina, mas também com a negligência e omissão daqueles que deveriam defender nossas vidas. Diante de tanta exploração, chamamos todas as mulheres a se organizarem e apoiarem a construção das lutas do Movimento Olga Benario, pelo fim dos feminicídios e pelo socialismo!