A primeira edição do jornal A Verdade foi lançada em dezembro de 1999, com a manchete “FHC: o professor que virou um grande fazendeiro”. Foram 1.500 exemplares que circularam em cinco estados. Desde então, as ideias defendidas por A Verdade vêm obtendo cada vez mais apoio. O número de leitores cresceu a cada mês e hoje o jornal circula em 20 estados. A tiragem foi crescendo ano a ano e atingiu, em abril, 18.500 exemplares.
Este crescimento permitiu que, após 22 anos, o jornal A Verdade passasse a ser quinzenal. A partir de agora, serão duas edições por mês.
E há mais novidades: A Verdade ganhou um novo projeto gráfico e seu site www.averdade.org.br, após sofrer ataques dos inimigos da democracia, tem novo visual para facilitar a leitura. Em junho, terá ainda um aplicativo para baixar no celular.
Pode parecer pouco para alguns. Mas não é. Enquanto jornais da burguesia deixam de circular e passam a existir somente na internet, A Verdade lança agora duas edições impressas por mês no Brasil. Ademais, A Verdade é um jornal a serviço da classe explorada e oprimida, a imensa classe operária, as massas trabalhadoras. Suas páginas não são vendidas às grandes corporações internacionais e nacionais nem defendem os interesses do capital financeiro, das mineradoras ou do agronegócio. É um jornal dos trabalhadores que luta pela emancipação dos pobres, pelos direitos das mulheres, pela justiça social, democracia popular e socialismo.
Ergue sua voz contra o racismo e em defesa dos povos indígenas e denuncia todos os crimes cometidos pelo Estado burguês. Os princípios de A Verdade são baseados no marxismo-leninismo, no fim da exploração de classes, na solidariedade e fraternidade entre os irmãos trabalhadores e os povos de todo o mundo.
A Verdade é um jornal que se sente honrado em desafiar e lutar contra os poderosos interesses da classe capitalista e pelo fim da escravidão assalariada. É um jornal socialista no seu conteúdo e na sua forma, pois é feito com base na cooperação de centenas de companheiros e companheiras. Leva à prática os princípios definidos pelo grande revolucionário e criador do socialismo científico, Karl Marx: “A função da imprensa é ser o denunciador incansável dos opressores. (…) O dever da imprensa é tomar a palavra em favor dos oprimidos a sua volta. O primeiro dever da imprensa é minar todas as bases do sistema político existente”.
Mas a vitória de A Verdade se transformar num jornal quinzenal não caiu do céu. Foi fruto de um trabalho coletivo e planejado. Um importante Ativo Nacional de Agitação e Propaganda foi realizado no mês passado com dezenas de militantes, além dos ativos estaduais que se seguiram. Semanalmente, a Redação Nacional se reúne, debate as matérias, distribui entre os editores e prepara a próxima edição.
Como tem apoio entusiasta de seus leitores, A Verdade conta ainda com diversos colaboradores que escrevem textos e mandam fotos. Além disso, A Verdade dispõe de centenas de brigadistas, militantes do PCR, da UP e dos movimentos sociais que garantem que ele chegue às mãos do povo.
A Verdade quinzenal é uma vitória da imprensa popular e socialista, uma vitória de todos que nessa caminhada trabalharam para que este sonho se tornasse realidade, uma vitória principalmente para os oprimidos e explorados que terão um jornal ainda mais incansável na denúncia dos opressores, sempre erguendo a bandeira da revolução e do socialismo.
Com A Verdade quinzenal, semearemos mais e organizaremos mais operários e operárias no exército que construirá uma nova sociedade, na qual não haverá pobreza, nem corrupção, fascismo ou exploração. Apesar do fascista e dos generais, A Verdade quinzenal triunfou. Avante, camaradas!
Trabalhadores na audiência de julgamento do registro da UP no TSE, em outubro de 2019 – Foto: Jorge Ferreira / Jornal a Verdade
Jorge Ferreira
Era manhã de uma quinta-feira de outubro de 2019 quando os servidores do Tribunal Superior Eleitoral tiveram que lidar com com uma situação incomum: algumas dezenas de trabalhadores desejavam assistir uma audiência de julgamento. A lotação do plenário com cerca de duzentas confortáveis cadeiras não era o problema, mas os visitantes não estavam com “vestimentas adequadas” que os permitisse estar diante dos ministros.
Naquele dia, homens e mulheres que diariamente acordam cedo e utilizam transporte público lotado para trabalhar, que pegam no pesado para sobreviver, colocaram suas melhores roupas, seus melhores sapatos, alguns cortaram o cabelo, outros usaram o melhor perfume. Era dia de festa. Após dois longos anos e um milhão e duzentas mil assinaturas recolhidas nos trens, nos bairros populares, nas portas de fábrica, e, apesar das dificuldades, registradas em cartórios de vários estados em todas as regiões do país, havia chegado o dia que iniciaria o julgamento do registro da Unidade Popular pelo Socialismo na mais alta corte eleitoral do Brasil.
Com a emoção transbordando em sorrisos largos, representando todos aqueles abnegados trabalhadores que entregaram suas poucas horas livres para cumprir a tarefa histórica de constituir o partido dos pobres, do povo trabalhador, entraram no prédio do TSE para assistir a audiência que reconheceria a legitimidade de todo o processo. Entretanto, a poucos metros do plenário principal do Tribunal, a chefe dos seguranças alerta que não será possível que os visitantes adentrem no local por não estarem vestidos adequadamente. “Onde está escrito isso?”, foi o primeiro questionamento do advogado Thiago Santos.
Thiago Santo, advogado da Unidade Popular, intervindo para garantir o acesso dos trabalhadores ao plenário – Foto Jorge Ferreira / Jornal a Verdade
Daí em diante iniciou-se uma luta contra o tempo. Há poucos minutos de iniciar o julgamento, nem mesmo o presidente do partido, Leonardo Péricles, morador de ocupação, havia conseguido entrar no plenário justamente por estar somente com camisa social, mas sem terno e gravata. “Veja bem, argumentava Thiago Santos, essas pessoas estão justamente com suas melhores roupas, não há ninguém vestido de forma inadequada”. As mulheres que estavam de calça jeans, ao ver o tempo passando e a recusa da chefe dos seguranças, começaram a improvisar saias com cachecóis. Os homens já não mostravam os dentes, uma pequena angústia tomava conta.
Em meio ao embate jurídico da legalidade da exigência de terno e gravata entre o advogado do partido e os servidores, alguns seguranças sensibilizados prometeram irem até o vestiário verificar se tinham terno reserva para emprestarem ao visitantes, mas já alertaram que não haveria para todos. Pouco antes de iniciar a sessão, o advogado do partido conseguiu que a questão fosse levada até a presidente da Casa, à época ministra Rosa Weber. Alguns instantes antes de iniciar o julgamento a entrada foi autorizada.
Foto Jorge Ferreira / Jornal a Verdade
Nesse dia, o procurador eleitoral Humberto Jacques apresentou parecer favorável, e o relator do processo, ministro Jorge Mussi, proferiu votou favorável ao registro alegando que “não poderia ser diferente, já que o partido cumpriu todas as exigências normativas”, entretanto o julgamento foi suspenso por um pedido de vista de um dos ministros, só sendo retomado, aprovado e registrado em dezembro do mesmo ano.
Mas foi exatamente naquele dia, 24 de outubro de 2019, que pela primeira vez o plenário do Superior Tribunal Eleitoral foi ocupado por pessoas sem terno e que, como retrata um grande filme, também não usam “Black Tie”.
Talvez tenha sido duro para os ministros da burguesia olharem de frente homens e mulheres que vivem do próprio suor. Para a Unidade Popular foi um dia histórico, mais um capítulo da emocionante luta pela libertação de milhões de trabalhadores brasileiros.
Fazia frio na tarde dessa quarta-feira, dia 12 de agosto, quando Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) organizou na cidade de São Bernardo do Campo um ato contra os despejos de famílias pobres durante a pandemia e em defesa do direito à moradia digna. O ato fez parte de uma agenda nacional de mobilizações que levou às ruas centenas de famílias, em diversas cidades brasileiras, levantando a bandeira do Despejo Zero, uma campanha nacional que unifica movimentos sociais e outros apoiadores na luta pelo fim dos despejos durante a crise da Covid-19.
A manifestação reuniu famílias de vários bairros de São Bernardo do Campo, cidade que sofre com uma política sistemática de despejos por parte do Prefeito Orlando Morando (PSDB), de Diadema, Santo André, Mauá, Francisco Morato, São Matheus e de várias regiões da Capital, além de outros movimentos que se somaram à essa luta, como o Projeto Meninos e Meninas de Rua (PMMR), o Coletivo Democracia Corinthiana, a Torcida Guerreiros do Tigre do São Bernardo F.C., o Movimento de Mulheres Olga Benário, etc. Para Gabriela Mousse, da Democracia Corinthiana: “Eles agem assim [despejos e repressão ao povo pobre] porque se sentem livres para fazer o que querem, não há motivo nenhum para ações desse tipo. Claro, o governo já é fascista e tá rolando uma pandemia, para eles fica mais fácil, por isso temos que ocupar as ruas com mais frequência”.
Foto: Manuelle Coelho / Jornal a Verdade
Alguns trabalhadores vieram de longe, é o caso de Cirilo Conceição, que viajou cerca de 80 quilômetros para poder participar do ato: “Sou de Francisco Morato, uma cidade abandonada pelos governantes. Governantes corruptos e omissos que permitiram que meu filho viesse a falecer. Quem me apoiou não foi nenhum governante, foi o povo, foi o MLB. Convidamos vocês a abraçarem essa causa porque essa é a causa de todos nós trabalhadores, estudantes, que pagamos aluguel, que somos despejados. O governo é o culpado disso, o governo não tá nem aí pra nós, eles querem é matar nossos filhos. Eles abandonam nossos bairros, na minha rua um carro não foi capaz de entrar pra prestar socorro ao meu filho. Eu abracei e vou continuar abraçando o MLB, essa ferramenta dos trabalhadores para lutar por uma moradia digna”.
Foto: Jorge Ferreira / Jornal a Verdade
A marcha, que contou com mais de cem pessoas, ocorreu no fim da tarde e foi da Igreja Matriz, no centro da cidade, até o Paço Municipal, em uma caminhada pacífica de mais de uma hora, mantendo o distanciamento social, o uso de máscaras e todos os cuidados relativos à pandemia da Covid-19 e sem qualquer tipo de conflito, sendo inclusive apoiada pela maior parte da população que transitava pela cidade, de carro, de ônibus ou a pé. Segundo Daniela, que constrói o MLB no bairro Detroit, em São Bernardo: “Essa manifestação é muito importante, estou aqui não só por mim, mas pelas minhas filhas e pela minha comunidade. Aprendi com o MLB que nós precisamos lutar, assim como fizeram os escravos, que se revoltaram e hoje são libertos. Mas ainda existe uma escravidão pra gente vencer e por isso estamos na luta”.
A organização do ato realizou um acordo com a Guarda Civil Municipal (GCM) e com a Polícia Militar, para que a manifestação fosse encerrada no Paço Municipal com uma assembleia das famílias que cobravam o seus direitos. No entanto assim que os primeiros militantes do movimento entraram no Paço, carregando uma faixa com os dizeres “Despejo Zero, Morar é um Direito”, a GCM descumpriu o acordo e atacou covardemente três Coordenadoras do MLB que carregavam a faixa, desferindo empurrões, socos e utilizando spray de pimenta sobre as mulheres; rapidamente um conjunto de famílias se aproximou, afastou os políciais e organizou um cordão de isolamento para impedir novas agressões.
Ao todo foram mobilizadas cerca de 30 viaturas entre GCM e Polícia Militar com o objetivo de impedir a continuação do ato através de uma ação agressiva e completamente desproporcional, descumprindo um acordo feito minutos antes, alegando que o movimento estava proibido de adentrar o Paço Municipal carregando qualquer tipo de bandeira ou faixa e demonstrando o caráter repressivo do Estado contra os trabalhadores, os pobres e os lutadores sociais que cada dia fica mais intenso no Brasil. As famílias conseguiram assegurar o direito de realizar sua assembleia no local e em alguns minutos de diálogo e de muita agitação política contra as injustiças do sistema capitalista, o sistema dos ricos que durante a pandemia promove o crescimento do patrimônio dos bilionários exploradores e o empobrecimento geral daqueles que vivem do próprio trabalho, decidiram encerrar a manifestação, prometendo que voltarão às suas cidades e bairros e organizarão ainda mais pessoas para lutar pela Reforma Urbana e pelo Socialismo. Segundo Thais Gasparini, uma das Coordenadoras Estaduais do MLB agredidas pela GCM: “Essa repressão, esse uso da violência para calar quem se manifesta é um espelho do que acontece na periferia, em que essa mesma GCM é utilizada pra derrubar as casas do povo pobre. Isso precisa acabar, por isso nos manteremos firmes na luta, cada dia maiores, combatendo a exploração, a especulação imobiliária e a política dos ricos, dos latifundiários e dos banqueiros”.
Para Arnor, membro do MLB do bairro do Divinéia, em São Bernardo: “O ato foi muito bom, muito bonito, temos que seguir lutando. Já precisamos marcar a próxima passeata”.
No capitalismo, as guerras são fruto da concorrência entre as classes dominantes de diferentes nações pelo domínio do planeta. Na Primeira Guerra Mundial, formaram-se dois blocos imperialistas opostos: Tríplice Aliança (Impérios Alemão, Austro-Húngaro e Turco-Otomano) e a Tríplice Entente (Impérios Inglês, Francês e Russo).
O sol nasce vermelho
Algo novo, entretanto, surgiu durante a Primeira Guerra Mundial: a revolução socialista de outubro de 1917, na Rússia; nova cisão ocorria no mundo, agora dividido em dois sistemas adversos: o capitalismo e o socialismo.
Os dois blocos capitalistas passaram a ter um objetivo comum: a destruição do primeiro Estado operário-camponês da história, em vista da restauração do capitalismo em escala global. Foi com este propósito que o bloco vencedor investiu na economia alemã 15 bilhões de marcos em seis anos (1924-1929).
Quando o nazismo se apossa da Alemanha e explicita seu intento de domínio mundial, as potências capitalistas dominantes não tratam de combatê-lo. Ao contrário, fecham os olhos às suas agressões e até incentivam o monstro nazista a direcionar seu ataque contra a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).
Em 1939, a URSS propôs à Inglaterra e França um pacto para ações militares conjuntas se os países do Eixo (Alemanha, Itália e Japão), bloco nazifascista, iniciassem a guerra na Europa. Não houve rejeição formal, mas nenhum passo foi dado por parte dos países capitalistas para concretizar o pacto. Ao contrário, França e Inglaterra firmaram com Alemanha e Japão acordos de não-agressão. Deixada sozinha, em agosto de 1939, a URSS assinou com a Alemanha um tratado de não-agressão. Os dirigentes sabiam que, mais cedo ou mais, tarde Hitler romperia o acordo, mas conseguiram ganhar um tempo valioso para transferir parte de suas indústrias para o leste do grande território soviético, bem como reforçar sua capacidade de defesa militar.
De 1938 a 1941, Hitler ocupou Áustria, Checoslováquia, Polônia, Bélgica, Holanda, Dinamarca, Noruega, Grécia, Iugoslávia e finalmente a própria França. Na Europa central e oriental, a Alemanha adquiriu imensa quantidade de material de combate, meios de transporte, matérias-primas, materiais estratégicos e força de trabalho, tornando-se forte o suficiente para atacar a URSS.
Hitler, no livro MeinKampf(Minha Luta), proclamou: “…tratando-se de obter novos territórios na Europa, deve-se adquiri-los principalmente à custa da Rússia”.
A invasão hitlerista foi impiedosa. “Fuzilavam em massa as pessoas (mulheres, crianças, idosos, montavam campos de morte, deportavam para trabalho forçado na Alemanha. Por onde passavam, não deixavam pedra sobre pedra”. Era a política do extermínio. “Eu tenho o direito de destruir milhões de homens de raça inferior que se multiplicam como vermes” (Hitler).
Em resposta, o governo, o Partido Bolchevique e o povo soviético lançaram a palavra de ordem: “Morte aos invasores fascistas, tudo para a frente! Tudo para a vitória!”. Às fileiras do Exército Vermelho se integraram milhões de homens. Criaram-se também inúmeros regimentos de milícia popular, contando com dois milhões de combatentes.
Formou-se ainda na retaguarda uma força guerrilheira massiva. A dedicação e bravura do povo soviético comoveram o mundo e foram decisivas para quebrar a resistência capitalista (EUA, Inglaterra, França). Formou-se finalmente o bloco aliado, antifascista, a frente única dos povos pela democracia.
Caíra por terra a ideia de Hitler de que a ocupação da URSS seria um passeio uma “guerra relâmpago”. Os nazistas não imaginavam a resistência que encontrariam nas principais cidades: Leningrado, Stalingrado, Kiev e Moscou, entre tantas. Homens, mulheres, idosos e crianças se ergueram como muralha inexpugnável.
Os feitos do povo soviético repercutiram no mundo inteiro, levando um jornal burguês como o STAR, de Washington, a publicar: “Os sucessos da Rússia na luta contra a Alemanha hitleriana revestem-se de grande importância não só para Moscou e o povo russo, como também para Washington, para o futuro dos Estados Unidos. A história renderá homenagens aos russos por terem suspendido a guerra relâmpago, pondo em fuga o adversário”.
Em junho de 1942, os invasores avançam, mas encontram uma barreira instransponível em Stalingrado. Durante sete meses de combate, os invasores perderam 700.000 soldados e oficiais, mais de mil tanques, dois mil canhões e morteiros, 1.400 aviões. Os invasores eram tecnicamente superiores, mas, em novembro de 1942, os números já se invertiam em favor dos soviéticos. Os alemães estavam com 6.200.000 soldados, os soviéticos com 6.600.000; 5.000 tanques invasores contra 7.000 soviéticos; 51.000 peças e morteiros contra 77.000.
Na derrota do Stalingrado, os nazistas perderam 1,5 milhões de soldados e oficiais. “… Do ponto de vista moral, a catástrofe que o exército alemão sofreu nos acessos de Stalingrado teve um efeito sob o peso do qual ele não pôde mais reerguer-se”. (A segunda guerra mundial, B.Lideel Hart)
Depois, ocorreu a vitória do Cáucaso e se iniciou processo de expulsão em massa dos ocupantes nazistas. “A União Soviética pode orgulhar-se das suas heroicas vitórias”, escreveu o presidente dos EUA, Franklin Roosevelt, acrescentando: “…os russos matam mais soldados inimigos e destroem mais armamentos do que os outros 25 estados das Nações Unidas no conjunto”.
O final de 1943 marca a virada na frente soviética e na Segunda Guerra em geral. O movimento contra o nazifascismo se consolidou e se ampliou em todo o planeta.
Em junho de 1944, com o exército alemão batido em todas as regiões da URSS, as tropas anglo-americanas desembarcaram no Norte da França, dando início à frente ocidental proposta pelo governo soviético desde o início da invasão.
Pode-se dizer que a essa altura a guerra estava decidida, diante da derrota alemã na Rússia. O próprio Winston Churchil, primeiro-ministro britânico, reconhece o papel fundamental dos soviéticos, no discurso pronunciado na Câmara dos Comuns, em julho de 1944: “….Considero meu dever reconhecer que a Rússia mobiliza e bate forças muitíssimas maiores que as enfrentadas pelos aliados no Ocidente, que, há longos anos, ao preço de imensas perdas, ela suporta o principal fardo da luta em terra”.
Um exército libertador
Apesar de imensas perdas, o Exército Vermelho avançou no encalço dos alemães pela Europa Oriental adentro, fustigando os nazistas e auxiliando as forças populares da resistência a derrotarem os ocupantes e seus colaboradores internos. Repúblicas democrático-populares foram instaladas com os partidos comunistas à frente na Polônia, Hungria, Iugoslávia, Checoslováquia, Romênia e Bulgária.
“Para Berlim!” era a palavra de ordem do exército libertador. Não foi um passeio. A resistência nazista, embora enfraquecida, produzia encarniçados e sangrentos combates. Os russos vitoriosos não mataram, não pilharam, não se vingaram dos crimes cometidos pelo exército alemão no solo soviético. Ao contrário, alimentaram os famintos, organizaram a assistência médica, o funcionamento dos transportes, a distribuição de água e de energia elétrica. A 2 de maio de 1945, o Comando Supremo alemão assinou o ato de capitulação incondicional das forças armadas, com a bandeira da URSS tremulando no alto do parlamento alemão, em Berlim. No dia 09 de maio, houve um imenso ato em Moscou em comemoração ao fim da Grande Guerra Patriótica (como os soviéticos denominaram sua participação na Segunda Guerra Mundial) e, desde então, até hoje, celebra-se na Rússia esta data como o Dia da Vitória.
Sob novos céus
Terminada a guerra na Europa, era preciso voltar-se para a Ásia. O Japão, aliado dos nazistas dominava milhões de pessoas na China, na Coreia, nas Filipinas. Apesar de as forças armadas dos EUA e da Inglaterra virem imprimindo sucessivas derrotas, as forças japonesas ainda eram numerosas e fortes. De vez em quando, elas atacavam as fronteiras da URSS e torpedeavam navios soviéticos em alto-mar.
No dia 8 de agosto de 1945, a União Soviética declarou guerra ao Japão e começou a ofensiva. Nesse mesmo dia, o primeiro-ministro japonês, Teiichi Suzuki afirmou: “…A entrada da URSS na guerra hoje de manhã põe-nos definitivamente numa situação sem saída e torna impossível continuar a guerra” . Estava certo. No final do mês, o Exército nipônico havia perdido 677 mil soldados e oficiais: 84 mil mortos e 593 mil prisioneiros.
Ao contrário do que muitos pensam, e a historiografia burguesa busca difundir, não foram as bombas estadunidenses lançadas no início de agosto contra Hiroshima e Nagasaki que provocaram a capitulação japonesa. A guerra continuou normalmente depois do ataque bárbaro e covarde. A rendição resultou do destroçamento do exército nipônico pelas tropas soviéticas.
Se alguém duvida, leia o testemunho do general Chenault, que chefiou as forças dos EUA na China: “…A entrada da URSS na guerra contra o Japão foi o fator decisivo para o fim da guerra no Pacífico, o que sucederia mesmo sem o emprego de bombas atômicas. O rápido golpe desferido pelo Exército Vermelho sobre o Japão fechou o cerco que pôs finalmente o Japão de joelhos”.
O Exército Vermelho contribuiu ainda para a expulsão dos nazistas da China e da Coreia. O sacrifício do povo soviético foi inestimável. Mas valeu a pena porque livrou a Humanidade da besta nazista. Foi também a vitória do socialismo que saiu da Segunda Guerra triunfante em toda a Europa Oriental e na China.
Por todos, valeu a carta de agradecimento enviada pelo povo coreano a Josef Stalin, comandante supremo das forças soviéticas: “… Os combatentes soviéticos chegaram não como conquistadores, mas como libertadores. Emancipada da escravidão, a nossa pátria respirou livremente. O céu apareceu-nos radioso. A nossa terra floresceu. Jorraram canções de liberdade e felicidade…”.
José Levino, historiador
Fonte de pesquisa: O Grande Feito do Povo Soviético e do Seu Exército. VassiliRiábov, Edições Progresso, Moscou,1983.
Enquanto milhões de brasileiros estão em isolamento ou distanciamento social devido à pandemia da Covid-19, o capitão reformado Jair Bolsonaro e seus puxa-sacos vivem um imenso isolamento político. A reprovação a seu governo já alcança quase 70%, suas Medidas Provisórias, sem apoio, caducam no Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que não é função do presidente desrespeitar governadores e prefeitos. Nos embates que travou com o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, ficou em minoria nas reuniões do seu Ministério. Teve que levar um de seus filhos para dentro do Palácio Planalto para poder conseguir ouvir diariamente: “Pai, você é o rei”.
E os fatos mostram uma dura realidade: após quase um ano e meio no governo, o capitão reformado, apesar de controlar um Orçamento Federal de R$ 4 trilhões, não construiu nenhum hospital público nem universidade. Tampouco ampliou o acesso da população ao saneamento ou construiu casas populares. O desemprego e o número de famílias vivendo na extrema pobreza cresceram enormemente no seu desgoverno. Usou todo o dinheiro público para enriquecer os especuladores, os banqueiros e permitir a remessa de bilhões de dólares do Brasil para os EUA.
O povo brasileiro, vendo que o capitão reformado é incompetente, antidemocrático e totalmente subserviente ao EUA, passou a reprovar seu governo em todas as regiões. Segundo o Instituto Datafolha, 17% de seus eleitores se arrependeram de ter votado nele.
Diante dessa crescente rejeição da população, o capitão reformado e seus filhos resolveram apelar para a velha política: recorrer às Forças Armadas, em particular ao Exército, para impor um regime ditatorial no país.
Assim, foram marcadas as carreatas e atos para o dia 19 de abril, dia que é considerado Dia do Exército. O Exército, seu comandante geral e o Alto Comando sabiam do ato e deram total permissão para que Bolsonaro e seus puxa-sacos o realizassem com dezenas de faixas encomendadas e com dezenas de assessores de deputados e de pessoas que ocupam cargos de confiança no governo, os conhecidos “aspones”.
No entanto, os atos foram um fracasso. Em São Paulo, dezenas de carros luxuosos, acompanhados de várias motos, algumas delas que custam mais de R$ 50 mil reais, foram verdadeiramente “ovacionadas”, isto é, receberam ovos e tomates dos prédios por onde passavam. Em Brasília, apenas algumas centenas de pessoas atenderam ao chamado de Bolsonaro e, se retirarmos os assessores da conta, fica uma ridícula minoria. Pior: após o ato, nove pessoas deram entrada em hospitais de Brasília com suspeita de Covid-19.
Pois bem, com o repúdio nacional à fala de Bolsonaro em frente ao Quartel General do Exército em Brasília, os generais passaram a dizer em off a jornalistas que não concordavam com aquele discurso defendendo um golpe militar e a volta do AI-5 e pediram ao capitão para “baixar o tom”. Na manhã desta segunda-feira, 20 de abril, um irritado e nervoso presidente, com suas mãos trêmulas (lembrando Hitler no filme A Queda), tentou desdizer o que tinha dito. Mas, revelando sua natureza fascista, parafraseou o rei Luís XIV, e declarou: “Eu sou a Constituição”.
Os fascistas e a grande a burguesia nacional e internacional olham a história do Brasil, observam os inúmeros golpes militares que aconteceram e acham que é fácil dar um golpe militar em nosso país e impor a censura à imprensa, torturar os que discordam, assassinar e esconder os corpos dos patriotas e democratas ou jogá-los no mar. Pensam que assim terão a paz dos cemitérios dizendo que o “Brasil vai pra frente, ame-o ou deixe-o” e que a ditadura militar é o melhor regime para governar um povo rebelde, como é o brasileiro.
Mas, senhores e senhoras fascistas, ensina a filosofia dialética que, se houve tantos golpes militares assim no Brasil é porque nenhum conseguiu se manter eternamente. Ou melhor, todos foram derrotados nas ruas pelos trabalhadores, pelas mulheres, pelos jovens, pelo povo brasileiro. Duvidam? Então terão que ouvir novamente nosso povo nas ruas desfilando e cantando: “Amanhã vai ser outro dia!” ou “Você não gosta de mim, mas sua filha gosta!”.
Passeata em São Paulo contra a Reforma da Previdência. Foto: A Verdade
Por Wanderson Pinheiro e Leonardo Péricles
1 – O Brasil e a questão internacional
O chamado neoliberalismo se aprofundou no Brasil nos anos 1990, primeiro no Governo Collor e depois durante os dois governos de Fernando Henrique Cardoso. Na verdade, tratou-se de uma maior submissão das economias nacionais com abertura dos mercados, iniciada no Chile e na Argentina, diante de um crescimento da exportação de capitais e maior domínio do capital financeiro internacional sobre as economias nacionais latino-americanas. Foi um período de ampla hegemonia dos EUA, encoberto sob o discurso da globalização.
A queda brusca dos impostos de importação e exportação, o fim do controle de capital e a isenção de impostos para a sua movimentação, a adoção de uma política cambial ancorada no dólar, o achatamento salarial dos trabalhadores e a privatização das principais empresas estatais foram as medidas centrais que tiveram consequências estruturais perversas para a economia nacional.
No entanto, o que se desenvolve de fato são as características do imperialismo capitalista, com o aprofundamento da financeirização do capital monopolista e uma gigantesca exportação de capitais por diversas vias. O capital se expande permanentemente, destruindo as economias nacionais, promovendo o desemprego e a redução salarial, para extrair mais-valia extraordinária e, assim, buscar manter sua taxa de lucro. Neste sentido, falar apenas contra o neoliberalismo e aceitar o capitalismo é propor aceitar a exploração dos trabalhadores, a manutenção da escravidão assalariada e sua expressão política, a democracia burguesa.
Além da política neoliberal praticada pelo imperialismo dos EUA, sofremos uma ação neocolonialista brutal, com a “elite nacional” sendo subornada e praticando a corrupção. Este fato foi evidenciado no processo de privatização, tendo boa parte dos recursos sido desviada para o “caixa 2” das campanhas eleitorais de 1998, mantendo FHC no governo.
Outro objeto de controle da nação foi a dívida pública. Com o aumento dos juros para conter a inflação, os novos financiamentos recebidos do FMI aumentaram em muito as dívidas externa e interna, ampliando a dependência do Brasil ao capital financeiro dos EUA. A abertura financeira ocasionou ainda o aumento da dívida interna, pois era extremamente favorável para o capital financeiro especular com a alta de juros (a taxa Selic atingiu 45,67% ao ano, em 1997), com controle do câmbio e livre movimentação de capitais.
Resumindo: ocorria uma espoliação financeira terrível devido à política de total submissão às ordens do dito “Consenso de Washington” praticada pelo governo brasileiro.
Essa abertura gerou também a quebra de milhares de empresas nacionais. As pequenas e médias empresas foram as mais atingidas, mas também grandes empresas foram à falência, iniciando o processo de desindustrialização nacional. Porém, um setor com maior acúmulo de capital, a grande burguesia interna, que fez o acordo com a burguesia estadunidense, teve lucros crescentes e caminhou para expandir seus negócios para o exterior. Setores como o do agronegócio, da construção civil e dos frigoríficos, tornaram-se grandes empresas internacionais e, a partir desse acordo, passaram a expandir-se para a região do Mercosul.
Outros setores foram se associando ao capital estrangeiro, seja na aquisição das importantes empresas estatais que foram privatizadas (setores de minério, siderúrgico, energia, etc.) ou de indústrias e serviços privados para o investimento dos capitais internacionais. Tornaram-se, assim, um setor submisso ao capital internacional e aos ditames da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Entre os anos de 2003 a 2010, vivenciamos o Governo Lula e, de 2011 a meados de 2016, o Governo Dilma. Foi um período de hegemonia petista, considerado por alguns como desenvolvimentista ou neodesenvolvimentista, mas teve como base a diversificação da dependência nacional, principalmente em relação ao crescimento das exportações para a China, pautado também pelo investimento público feito nas empresas públicas e privadas, e pela ampliação do consumo da população com base numa grande oferta de crédito.
Esse processo de consumo levou a um relativo desenvolvimento da indústria naval, da construção civil, do agronegócio e da pecuária, propiciando o crescimento do lucro da grande burguesia e do capital financeiro. Porém, sendo um desenvolvimento com base no crescente endividamento e submetido aos interesses da grande burguesia nacional e mundial, terminou por esgotar-se com o aprofundamento da crise do capitalismo mundial.
Na verdade, o governo praticou uma política neodesenvolvimentista, mas manteve a hegemonia do capital financeiro, aprovando leis em seu benefício, como a lei de garantia de empréstimos com descontos em folha. A “Carta aos Brasileiros”, no início do primeiro mandato de Lula, foi, no fundamental, uma mensagem ao mercado financeiro internacional em que o presidente se comprometia a manter todos os acordos anteriores, não mexer no processo das privatizações, manter o controle da inflação, garantir o pagamento da dívida pública com altos juros e ampliar seus benefícios. Isso significou, na prática, a manutenção da política neoliberal.
Além de não ter revogado nenhuma das corruptas privatizações do Governo FHC, o PT realizou novas: privatizou portos, aeroportos e rodovias, além de fazer leilões de campos de petróleo para empresas estrangeiras. Porém, com o pré-sal (considerado o bilhete premiado), alterou o regime de exploração, mantendo os leilões em outros termos. Assim, a Petrobras foi um poderoso instrumento para desenvolver a política neodesenvolvimentista, promovendo investimentos em refinarias e alavancando a indústria naval brasileira e a construção civil. No entanto, o PT não reverteu a abertura de capital da Petrobras e esta permaneceu influenciada pesadamente pelos acionistas internacionais e pelo mercado.
A crise da era petista se iniciou em 2014, no final do primeiro Governo Dilma. A crise econômica chegou ao Brasil e ficou evidente que a política neodesenvolvimentista não conseguiu resolver os problemas estruturais do país, principalmente por não suspender o pagamento dos juros da dívida pública e manter a espoliação do capital financeiro e a dependência em relação ao agronegócio. Por outro lado, a relação com a China, que trouxe a ampliação da venda de commodities a níveis altos e a abertura para importação de produtos de toda ordem, gerou uma maior desindustrialização e dependência do setor externo. Essa troca desigual trouxe enormes benefícios para a grande burguesia do agronegócio, da mineração, da pecuária, da construção civil, etc., mas, como sempre, bastou uma oscilação do mercado internacional para tudo ir abaixo.
Realmente, a crise mundial se aprofundou com reduções seguidas de crescimento da economia chinesa. A China, mesmo possuindo enormes monopólios e rivalizando o comércio internacional com os EUA, não ficou de fora da nova crise de superprodução relativa que dificultou a realização de seu capital mundialmente. É importante notar que essa crise e a disputa de mercados continuam a se desenvolver, ameaçando agora entrar num período mais profundo, como afirmou recentemente a OMC. Sem ter como exportar mais mercadorias e com o superacúmulo de capital, a China avança a financeirização da sua economia.
Vejamos o que se sucedeu de 2007 a 2015. A China chegou a crescer 13%, em 2007, e o mercado de commodities brasileiro teve uma alta considerável. Em 2010, a China teve mais uma queda no seu PIB para 10,4%. Em 2015, relatório do FMI dizia que a China diminuiria o crescimento para 6,8%, a menor taxa anual do país dos últimos 25 anos. A queda da economia brasileira foi quase automática. Dilma Rousseff, que tomou posse para o segundo mandato no dia 1º de janeiro de 2015, permaneceu no posto apenas um ano e meio.
A crise ocasionada pela redução da produção da China fez cair enormemente o preço das commodities e reduziu os lucros da grande burguesia. Sendo pragmática, a burguesia, que há pouco havia colocado o gorro “comunista” na cabeça para adular o imperialismo chinês, pulou do barco e abandonou Dilma, definitivamente afastada do cargo em agosto de 2016.
O impeachment de Dilma teve ainda um elemento geopolítico. Os EUA usaram todo o seu poder para manter o país como sua área de influência, pois, mesmo sabendo que o PT atendia ao capital financeiro e pagava religiosamente a dívida pública, o avanço da crise do capitalismo mundial exigia ainda mais submissão. Vale salientar que a UP, ao mesmo tempo em que estava em processo de construção, esteve nas ruas lutando e denunciando este golpe.
Da mesma maneira, resistindo à quebra da sua hegemonia em nível internacional, os EUA lançaram o Tratado Transpacífico (TPP), que tinha como objetivo enfraquecer a China. Porém, após a eleição de Trump, os EUA se retiraram do TPP e adotaram como tática acordos bilaterais. Depois, abriram uma guerra comercial direta com a China, levantando barreiras às mercadorias chinesas, o que dura até hoje.
Assim, os EUA intervieram no Brasil com o objetivo de retirar o PT do governo para garantirem no poder um aliado subserviente. Financiaram e corromperam o judiciário brasileiro, apoiaram a fabricação da “Operação Lava-Jato”, que levou Lula à cadeia e promoveu a eleição de Bolsonaro. Da mesma maneira, os EUA disputam a Venezuela, com ações de bloqueio econômico e ameaça de invasão, e a Bolívia, onde promoveram um golpe fascista. Aparentemente, existe uma disputa entre forças reformistas liberais e o neoliberalismo fascista no continente, que tem como pano de fundo as disputas entre as duas propostas para conduzir o mundo capitalista.
Também era importante para os EUA ter o Brasil, principal país da América do Sul, como sua área de influência estratégica. Tendo como objetivo central na América Latina a derrubada do Governo Maduro e não obtendo sucesso pela via “pacífica”, intensificou o bloqueio econômico e buscou envolver o Brasil e a Colômbia numa aventura imperialista contra a Venezuela. Trata-se claramente de uma estratégia neocolonialista, que visa a usar tropas de outros países, mas mantendo o objetivo de conquista e ainda lucrando com a guerra.
A China é hoje a segunda potência econômica mundial e busca acumular forças na disputa pela hegemonia no planeta, fato que leva ao acirramento de contradições interimperialistas. Antes apenas exportadora de manufaturas, a China está alcançando o mais elevado grau de tecnologia, uma enorme acumulação de capital e intensificando a fase de exportação de capitais. No momento, essa exportação ocorre por meio do financiamento de infraestrutura nos países em desenvolvimento, investimentos financeiros, compra de títulos do Tesouro estadunidense, empréstimos e investimento direto.
O processo de exportação de capitais parece ser a ponte para uma defesa militar das áreas de influência econômica. Por isso, a China tem hoje o segundo maior gasto militar do planeta e já instala bases militares internacionais, sendo que a primeira foi estabelecida na África. Na América Latina, a China tem grandes investimentos, sendo o principal parceiro comercial de diversos países, inclusive do Brasil. Por isso, investem pesadamente em grandes porta-aviões, jatos, armas nucleares, e já superam os Estados Unidos em alguns aspectos tecnológicos.
Para termos uma noção, o país asiático investiu no Brasil, do ano de 2007 a 2018, US$ 57,9 bilhões em 145 projetos voltados principalmente para o setor de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica. Os investimentos, no último ano, foram especialmente diretos, sendo 50% realizados em empresas construídas a partir do zero. Mas 42% foram investimentos em fusões e aquisições. Segundo o embaixador da China no Brasil, Yang Wanming, a China está aumentando a abertura do setor financeiro, de serviços, da agricultura, mineração e manufatura. Estima-se que o investimento chinês no próximo ano ultrapasse os US$ 10 bilhões.
A China mantém os investimentos mesmo no Governo Bolsonaro e, embora reaja às declarações do filho dele de forma dura, o pragmatismo do capitalismo chinês projeta grandes investimentos nas áreas de a) energia, da ordem de R$ 24,7 bilhões em quatro projetos (hidroelétrica, termonuclear e transmissão); b) ferrovias, R$ 29,1 bilhões em quatro projetos (2.800 km); c) óleo e gás, R$ 117,5 bilhões em quatro projetos; d) portos, com R$ 5,9 bilhões em 16 projetos; e) aeroportos, R$ 2,1 bilhões em dois projetos.
Por outro lado, embora Trump afirme que apoia Bolsonaro e ambos troquem elogios ideológicos em público, os EUA não fazem nada do ponto de vista financeiro para apoiar o governo brasileiro. O investimento dos EUA no Brasil foi pequeno em 2019: o valor foi de US$ 2,2 bilhões, menor que o de 2017, quando o montante correspondeu a US$ 2,9 bilhões. Os compromissos firmados se restringiram a acordos antinacionais e militares, como a entrega da Base Espacial de Alcântara, no Maranhão, e um acordo que transforma o Brasil numa força auxiliar do Comando Sul dos EUA, tornando-se um aliado extrarregional da OTAN. Ou seja, um acordo militar subserviente, que coloca o Brasil como mais uma base de operação militar dos EUA na região.
Como vemos, Bolsonaro segue cegamente o imperialismo norte-americano, pois, como fascista que é, em um país de economia altamente dependente e submissa como é o Brasil, seguirá a linha fascista de Trump para apoiar-se internacionalmente no império dos EUA. Bolsonaro é um representante da grande burguesia[1] e dos militares fascistas, que se declaram abertamente submissos ao capital estadunidense, não possuindo sequer um verniz de nacionalismo.
2 – Desenvolver a consciência das massas populares, aumentar o isolamento de Bolsonaro e criar as condições para derrubar o governo
O 8 de março foi a última grande manifestação nacional antes da pandemia. Foto: A Verdade
Diante da crise do coronavírus e da projeção de uma crise econômica mais profunda nos próximos meses, setores da própria burguesia (como evidenciou editorial recente do Financial Times) falam que os governos devem ajudar a economia promovendo investimentos e renda para os mais pobres, ou seja, praticar uma política antiliberal para ajudar a cobrir os prejuízos da própria burguesia. Bolsonaro, no entanto, insiste em manter o arrocho salarial, cortar salário dos servidores e seguir a retirada de direitos a ferro e fogo. Assim, quer ser mais realista que o rei e promover a política neoliberal dos banqueiros e do capital financeiro estadunidense a todo custo.
Por tudo que fez desde o início do governo, como retirada de direitos dos trabalhadores, congelamento dos salários, desemprego e venda do patrimônio público, Bolsonaro tem um enorme desgaste, que tende a crescer com o aprofundamento da crise do coronavírus e a demissão de Luiz Henrique Mandetta do Ministério da Saúde. As mortes que se multiplicam evidenciam que a retirada dos recursos públicos da saúde foi um crime de lesa-humanidade. Também a insistência de Bolsonaro contra o isolamento social e de que a Covid-19 é apenas um “resfriadinho” trarão consequências desastrosas para a população. Hoje já temos quase 70% da população contra esse governo.
Porém, não vivemos em uma democracia popular, em que a maioria do povo é que decide. Vivemos debaixo de um governo de fascistas que tem como principais ministros generais da ativa e da reserva. Também é um governo que representa os interesses da grande burguesia, que é uma ínfima minoria da sociedade e, por isso, teme o movimento operário e popular e tende ao fascismo, principalmente em momentos de crise.
Portanto, não devemos subestimar a possibilidade de o atual governo, sob o pretexto de o país viver uma calamidade pública, promover um golpe e decretar um estado de sítio. Para isso, os fascistas não precisam de apoio da maioria da população, basta contar com apoio das Forças Armadas e de uma parcela reduzida da população disposta a ir às ruas nos seus luxuosos carros. Lembremos ainda que o governo dos EUA, aliado de Bolsonaro, pratica uma política fascista que impulsiona correntes desta natureza na Europa e na América Latina.
Em almoço realizado na sede da FIESP, no último dia 03 de fevereiro, para os 250 maiores industriais de São Paulo, com a presença de Bolsonaro, o presidente da entidade, Paulo Skaf, afirmou que “O Brasil não está dando certo. O Brasil já deu certo”, declarando, assim, o apoio da grande burguesia ao fascista. Este apoio é firmado especialmente na política de Paulo Guedes, que promoveu a reforma trabalhista, a reforma da Previdência e dá continuidade, em meio à crise do coronavírus, a propostas como a Carteira de Trabalho Verde e Amarela e a retirada de direitos dos servidores públicos. Assim, o apoio ao fascista está condicionado à agenda de retirada de direitos que assegure a maior extração de mais-valia dos trabalhadores.
O fascista também tem o apoio da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA), representada por João Martins, que também é parte da minoria dos exploradores e representa a grande burguesia agrária. Em setembro de 2019, momento em que Bolsonaro fez um ridículo discurso na ONU exaltando a ditadura militar de 1964, Martins afirmou que Bolsonaro o representou, fazendo excelente discurso: “Defendeu a soberania nacional, esclareceu equívocos sobre a Amazônia e ressaltou o importante papel do Brasil na produção mundial de alimentos e na preservação do meio ambiente. Também afastou a tese de que o governo está colocando o mundo contra o agro brasileiro, defendendo não apenas o setor, mas toda a nação”.
Vale lembrar que esse foi o momento em que a Amazônia estava em chamas e que o agronegócio foi um dos principais responsáveis por este crime contra a natureza. Mas vejamos que, apesar da reafirmação do apoio da grande burguesia, os meses vão se passando e fica evidente a cada dia que o governo Bolsonaro vem se enfraquecendo e perdendo apoio popular. Porém, será defendido para que fique no poder por essa minoria enquanto for útil para a grande burguesia.
Nesse momento, apresentam-se algumas propostas políticas para retirada de Bolsonaro da presidência. O impeachment é uma delas. No entanto, com um Congresso Nacional altamente reacionário e antipopular como o atual, a única forma de forçar o impeachment seria a realização de grandes manifestações nas ruas. Mas, no momento, devido ao crescimento do número de mortes pela Covid-19, esta possibilidade não é viável. Desse modo, apostar que um Congresso Nacional que aprova leis contra os trabalhadores vai aprovar o impeachment sem o povo nas ruas é ignorar o papel das massas na luta política e propagar ilusões parlamentaristas.
Outra proposta apresentada é apelar para que Bolsonaro, que faz planos para governar 20 anos, renuncie. É como pedir para o diabo virar anjo. Alguns desses setores chegam até mesmo a afirmar que o general Mourão seria um “mal menor”. Esse é o caso do governador do Maranhão, Flávio Dino, do PCdoB: “Claro que Mourão não é do meu campo ideológico. Mas, se Bolsonaro entregar o governo para ele, o Brasil chegará em 2022 em melhores condições”.
Trata-se de um ledo engano e demonstra uma gigantesca ilusão de classes, uma total traição ao povo e sua história. Mourão é um general, representante ainda mais direto dos interesses do setor ultraconservador e fascista das Forças Armadas. Como Bolsonaro, Mourão defende a tortura, tenta falsificar a história escondendo os crimes cometidos pelas Forças Armadas e pela grande burguesia durante a Ditadura Militar, sendo, portanto, um defensor do aumento da repressão contra o povo e a classe trabalhadora.
Dessa maneira, nossa tática de aprofundar o desgaste deste governo, manter e impulsionar a palavra de ordem “FORA BOLSONARO! POR UM GOVERNO POPULAR!” é, sem dúvida, a mais correta. Primeiro, porque é a palavra de ordem que está na boca do povo. Foi gritada por milhares de mulheres de todas as correntes políticas no 8 de março, sendo esta a última manifestação nacional contra o fascismo. Segundo, taticamente, no momento de avanço da pandemia do coronavírus em que nos encontramos, devemos ter como principal atuação a solidariedade aos trabalhadores e trabalhadoras para enfrentar essa barbárie nas periferias e denunciar o caráter antidemocrático e antipopular do governo. Terceiro, devemos ampliar os panelaços nas periferias, sendo esta uma forma de protesto importante, criada no fogo da batalha e capaz de desgastar o governo, dialogando com a consciência da classe trabalhadora, dizendo que o governo com sua política aumenta a fome e a miséria e só governa em prol da classe rica e dos EUA.
Assim, prepararemos o terreno para derrubar o Governo Bolsonaro pelas mãos do povo e fortaleceremos uma alternativa popular para o desfecho dessa crise, qual seja, a construção de um poder popular e do socialismo, única saída verdadeira para termos um país livre e independente. Da mesma forma, romperemos com as ilusões do reformismo e da pequena burguesia de que derrotarão o fascismo no âmbito institucional promovendo um impeachment ou mesmo pedindo, por favor, para que Bolsonaro renuncie.
3 – Derrotar o imperialismo capitalista é uma tarefa fundamental
Solidariedade internacionalista a Cuba e à Venezuela. Foto: G1
Precisamos ter a consciência de que enfrentamos o fascismo internacionalmente. Por isso, a classe trabalhadora, em nível mundial, é nossa principal aliada na luta contra os imperialismos e pelo socialismo. Não basta levantar a bandeira contra a política neoliberal e passar a defender o neodesenvolvimentismo, pois o capitalismo é brutal em todas suas formas e tem como único objetivo despejar a crise nas costas da classe trabalhadora.
O capitalismo desenvolvimentista não é alternativa ao neoliberalismo, pois ambos são exploradores da mais-valia dos trabalhadores. Nosso objetivo deve ser destruir o capitalismo, e não apenas a política neoliberal dos EUA. Os neodesenvolvimentistas cumprem o papel de abrir caminho ao fascismo e são a outra face da moeda do capitalismo.
Prova disso foi o que ocorreu na Segunda Guerra Mundial, quando os EUA e a Inglaterra, tidos como democratas naquele período, deixaram a chama nazifascista bater-se contra a pátria socialista, só dando apoio na Frente Oriental depois de perceberem que a URSS sairia vitoriosa, e com grande chance de que seriam também vítimas do nazismo.
Quem é socialista e comunista tem como principal obrigação defender a classe trabalhadora e defender seus interesses presentes e futuros. Portanto, devemos trabalhar em nível internacional para que a classe trabalhadora não seja levada a uma luta interimperialista, mas que lute por sua libertação, pois, como internacionalistas que somos, fazemos parte do mesmo exército do mundial do proletariado.
Os trabalhadores e o povo da Venezuela estão na linha de tiro do imperialismo estadunidense, portanto, nossa solidariedade aos venezuelanos e nossas ações principais devem ser no sentido de derrotar esse imperialismo fascista e expulsá-lo da América Latina. Apoiamos, como internacionalistas, a classe trabalhadora que luta contra o imperialismo, mas que também luta pelo socialismo. Defendemos que esta classe possa, no processo revolucionário em curso, tomar consciência e declarar o caráter socialista da revolução. Não podemos aceitar sermos instrumento nem do imperialismo dos EUA, nem do imperialismo chinês e russo, uma vez que estes investem financeiramente na Venezuela, visando a mantê-la como área de influência econômica e geopolítica, gerando, de fato, igual dependência e exploração para os trabalhadores.
A revolução socialista é a única forma de derrotar definitivamente o imperialismo e a exploração dos trabalhadores. Essa luta é a luta do presente, atual e estratégica para a classe trabalhadora. Quem pensa o contrário, não faz mais que defender a manutenção da exploração do homem ou considerar este objetivo algo utópico. Para que os trabalhadores possam decidir seu destino e sua autodeterminação é fundamental fazer uma revolução proletária.
Trabalhadores e trabalhadoras de todo o mundo, uni-vos!
Wanderson Pinheiro e Leonardo Péricles, membros do Diretório Nacional da Unidade Popular (UP)
[1] Apesar das visíveis disputas políticas de Bolsonaro com outros representantes da grande burguesia, como Dória e a Globo, no fundamental, não divergem quando se trata de aumentar a exploração sobre a classe trabalhadora e a retirada de direitos – como vimos no caso da Reforma da Previdência, da PEC dos Gastos e no Pagamento da Dívida Pública, dentre outras medidas antipopulares.
São Mateus tem colagem lembrando nomes e referências na luta do Povo Negro no Brasil e no Mundo
Foi realizado no bairro do Vila Flávia, São Mateus, Zona Leste de São Paulo, na semana do 20 de Novembro uma ação de colagem de nomes e referências negras na história da luta do povo negro e referências da periferia. Jovens do bairro espalharam nomes de homens e mulheres da luta antiracista como Luis Gama, Marielle Franco, Luisa Mahin, da luta anticapitalista como Angela Davis, Carlos Marighella, além de muitas referências como Emicida, Negotinho, Mano Brown, Mestre Moa, e homenagem a crianças mortas pelo Estado como a menina Ágatha Félix, de 8 anos, morta pela PM do RJ, e do menino Lucas Eduardo, de 14 anos, morto em Santo André pela PM de SP.
O mês de Novembro é um mês de agitação e propaganda sobre a luta do povo negro mas também de reforçar a importância da organização para enfrentar um sistema e um governo que tem aprovado medidas para aumentar o genocídio diretamente, autorizando ainda mais a impunidade da PM, ou indiretamente, privatizando o SUS, que atende em maior parte a população negra, precarizando o trabalho, feito em maior parte pela população negra. Esses e outros fatores que fortalecem ainda mais o racismo estrutural, ferramenta de submissão econômica e cultural do sistema capitalista. Para fazer frente de forma efetiva a quem nos mata e proteger nossa população e juventude negra de forma efetiva, precisamos lembrar nesse mês de Novembro de nos organizar em um movimento popular de porte nacional, mantida pelas forças e recursos do povo e movido pelos interesses da luta da classe trabalhadora no Brasil.
Lucas Nascimento Coordenador Nacional do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas / MLB SP
Durante a manhã dessa sexta-feira (22), Mauá, município do ABC paulista, amanheceu com os ônibus na garagem, e manifestações no terminal central: trabalhadores da Suzantur, transportadora turística privada responsável pelas linhas de ônibus da cidade, declararam greve contra a revogação contínua de direitos.
P. O.*, trabalhador da Suzantur e integrante do turno da tarde, alegou que a mobilização entre os trabalhadores começou quando um motorista não recebeu o depósito do vale salarial, benefício garantido pelo contrato. Contudo, esse fato foi apenas o estopim: os motoristas da Suzantur sofrem com a falta de pagamento dos salários, assédio moral, horas extras compulsórias e expedientes sem pausa para o banheiro no cumprimento das dezenas linhas que a cidade de Mauá possui.
Além da falta de pagamento de salários, recusa do depósito de benefícios, M. Q.*, trabalhador do turno da manhã, declarou ao Jornal A Verdade que as condições de trabalho pioram diante das jornadas extensas. “Cheguei a trabalhar durante vinte dias seguidos. Aqui não tem respeito”.
Apesar do posicionamento da empresa, que caracterizou a paralisação como “indevida”, a greve foi vitoriosa, e garantiu que o depósito do vale salarial ocorresse. Os ônibus voltaram a circular a partir das 14h.
*Os nomes dos trabalhadores que concederam depoimentos ao Jornal A Verdade foram alterados.
Gabriela Torres – Movimento de Mulheres Olga Benário
SÃO PAULO – Neste domingo, 17, milhares de pessoas foram à avenida Paulista, no centro de São Paulo, em solidariedade ao povo boliviano e contra o golpe de Estado sofrido por Evo Morales. O ato foi chamado pelo Comitê Brasileiro de Solidariedade ao Povo Boliviano Contra o Golpe, e contou com a presença de crianças, estudantes e trabalhadores da comunidade boliviana residente, além do apoio de muitos brasileiros.
As bandeiras boliviana e Whipala, símbolo da plurinacionalidade do país e da cidadania dos povos originários, foram firmemente tremuladas por todo o ato. Palavras de ordem também marcaram a manifestação, destacando o repúdio ao golpe de Estado, a resistência popular pela democracia, e denunciando o fascismo promovido por figuras da extrema direita do país, como a senadora (autoproclamada presidente) Jeanine Áñez e o empresário multimilionário Luis Fernando Camacho.
Através de um manifesto, distribuído no ato, o Comitê Brasileiro de Solidariedade ao Povo Boliviano Contra o Golpe afirma: “A luta do povo boliviano contra o golpe, contra Camacho, contra o fascismo, contra o racismo e a extrema direita, é uma luta que deve receber a solidariedade de todas as pessoas e da classe trabalhadora de todo o mundo que defendem as liberdades democráticas.” O manifesto também pontua: “Não reconhecemos como presidente da Bolívia a autoproclamada Jeanine Áñez, uma fraude, assim como Juan Guaidó, o autoproclamado presidente da Venezuela.”
O golpe na Bolívia representa uma ofensiva de setores extrema direita, aliada do imperialismo dos EUA e de grandes grupos empresariais e especuladores do mercado financeiro. Os diversos povos bolivianos que se erguem em defesa da democracia resistem ao golpe há semanas, como os lutadores do Chile, Equador e Haiti, que rechaçam ataques das elites do poder econômico. Com os últimos acontecimentos, desmancham-se as ilusões com o imperialismo, com a conciliação com grandes ricos e exploradores da classe trabalhadora. A real saída para a América Latina, cada vez mais, aponta para o poder popular.
Na manhã desse sábado, 14, centenas de pessoas tomaram o centro de Santo André para conclamar o Grito dos Excluídos e Excluídas do ABCDMR. O ato começou com um café da manhã coletivo, uma caminhada pela rua principal da cidade terminando com uma homenagem a brasileiros que deram a vida por uma nação mais justa e igualitária. O ato contou com adesão e organização de diversos movimentos sociais, ambientalistas, partidos de esquerda, movimentos populares do campo e da cidade, movimento estudantil, de mulheres, pastorais sociais e religiosas de diferentes matrizes e entidades sindicais.
O Grito dos Excluídos e Excluídas acontece há 25 anos e esse ano ecoou em mais de 200 cidades e em todas as capitais do Brasil. Esse movimento nasceu da necessidade de dar voz ao povo, às minorias e à população historicamente excluída pelo Estado burguês, que segue interesses de banqueiros lucrando com a miséria do nosso povo, deixando em segundo plano direitos básicos como: saúde, moradia, transporte, trabalho, informação e vida digna.
Foto Reinilson Câmara
“A vida em primeiro lugar! Este sistema não vale: LUTAMOS POR JUSTIÇA, DIREITOS E LIBERDADE” foi o lema do 25º grito dos excluídos. A marcha em defesa de direitos sociais e da luta contra o desemprego, levantou vários problemas estruturais como encarceramento em massa, genocidio da população negra, feminicídio, transfobia, lgbtfobia, cortes na educação e a “reforma” da Previdência, promovido pelo governo fascista de Jair Bolsonaro.
Também foi pauta do ato a questão do meio ambiente, por conta do aumento das queimadas, do avanço do desmatamento na Amazônia, dos crimes da Vale em Brumadinho e Mariana, em Minas Gerais. Além disso, foi erguido a bandeira contra o projeto do centro logístico de Paranapiacaba, proposto pelo prefeito de Santo André, Paulo Serra (PSBD), que ameaça uma área de proteção ambiental com importantíssimo valor histórico nacional, turístico, paisagístico e de serviços ambientais como provisão de águas para a Represa Billings.
Por fim, o ato do ABCDMR terminou com homenagens aos verdadeiros heróis da pátria, que lutaram por um país mais justo e igual, por meio de uma intervensão cultural com fotos e palavras de ordem. Nomes como Marielle Franco, índio Galdino , Zumbi dos Palmares, Dandara dos Santos, Milton Santos, Elenira Resende, Carlos Mariguella, Chico Mendes, Carolina Maria de Jesus e Manoel Aleixo foram lembrados e homenageados.
Foto Cadu MachadoFoto Reinilson Câmara
Reinilson Câmara Filho – Unidade Popular pelo Socialismo
Na última quinta-feira (15) cerca de 147 famílias foram despejadas numa ação truculenta e violenta promovida pela Polícia Militar do estado do Rio de Janeiro com ordens do governo estadual em Monte Alto, bairro do segundo distrito de Arraial do Cabo na Região dos Lagos. O Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas – MLB esteve presente no local no dia seguinte junto ao Jornal A Verdade para acompanhar a situação das famílias e prestar solidariedade e apoio. “Foram momentos de terror, eram mais de 40 viaturas, trator, helicóptero, drone, canhão de água, centenas de policiais encapuzados e armados até os dentes. Parecia que estávamos em guerra.” contou uma moradora. Outro morador continuou: “quando os policiais chegaram por volta das 5 horas da manhã, dissemos que tínhamos uma liminar da justiça garantindo que poderíamos ficar ali até que a prefeitura apresentasse uma outra solução de um local decente para essas famílias morarem. O comandante da operação se recusou a ver o nosso documento e tampouco nos deixou ver o documento que ordenava a realização daquela operação. Dali em diante começou o terror, jogaram bomba de gás lacrimogêneo, spray de pimenta, bala de borracha em todos, acertando inclusive grávidas, crianças e idosos sem a menor capacidade de resistência dos moradores. Daí em diante, destruíram nosso sonho. Passaram o trator por cima das 147 casas construídas com muito esforço coletivo por todos nós”.
Foto: Marcela Couri
A justificativa do governo para promover tal barbaridade, é de que aquela área pertence ao Parque Estadual da Costa do Sol e seria área de preservação ambiental. “Aqui só tem trabalhador, não tem bandido não. A gente não invadiu a terra não porque queremos destruir o meio ambiente. Só estamos aqui porque não temos outra opção.” disse uma moradora. Em áreas ao redor do “projeto” (como foi apelidado o local pelas famílias) existe um condomínio enorme, garagem náutica e um outro terreno de milhares de metros quadrados que pertencem à construtora Volendam, que tem carta branca para fazer o que quiser, sem se preocupar com as questões ambientais. “É necessário compatibilizar a preservação ambiental com o direito social do uso da terra. A dignidade da vida humana está prevista na legislação ambiental, e o direito à moradia digna foi reconhecido e implantado como pressuposto para a dignidade da pessoa humana, desde 1948, com a Declaração Universal dos Direitos Humanos e consta na Constituição Federal de 1988”, disse Ana Paula, conselheira do parque e militante da Unidade Popular pelo Socialismo. Essa é a realidade de cerca de 7,7 milhões de famílias em todo o Brasil, que compõe déficit habitacional em nosso país. São milhões de pessoas que moram em situações precárias, de favor, não tem mais condições de pagar aluguel e se encontram em situação desesperadora. Por outro lado, vemos milhões de imóveis e terrenos que não cumprem nenhuma função social, servindo apenas à especulação para gerar lucro para os ricos donos das grandes construtoras. O grande questionamento que ficamos nesse caso é: por que a Volendam pode explorar e degradar o meio ambiente em grandes proporções no terreno ao lado para obter fabulosos lucros, mas quando as famílias buscam um local pra morar são tratadas com violência pelo estado?
Foto: Marcela Couri
O estado do Rio de Janeiro tem a polícia que mais mata e que mais morre, é onde 5 jovens negros e pobres foram assassinados na última semana sem enquanto iam para a escola, para o trabalho ou apenas se divertir com os amigos. Enquanto nosso sangue escorre pelo chão da favela, o governador anda de helicóptero mirando sua arma na gente. Esse caso é reflexo da política genocida promovida pelo Estado Capitalista, de guerra aos pobres, guerra aos negros e negras. No “projeto restinga” os moradores respiram resistência, luta e esperança. Muitos dos que não tem pra onde ir, seguem tentando reerguer as construções e sobrevivendo através da solidariedade dos moradores da região que fornecem abrigo em suas próprias casas, doam roupas, alimentos e ajuda. A decisão dos moradores do projeto é de que só vão sair de lá se a prefeitura apresentar uma alternativa digna, “todos aqui tínhamos a nossa casinha, humilde, mas conquistada com muito suor e luta! Não vamos aceitar menos do que isso!” disse um morador durante assembléia realizada.
Foto: Marcela Couri
O Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas – MLB segue acompanhando e prestando apoio a essas famílias. Acreditamos que morar dignamente é um direito humano e que se o Estado Capitalista prioriza os lucros acima da vida, queremos destruir esse Estado e construir no seu lugar um Estado dos trabalhadores, onde prioridade seja a vida digna, com emprego, moradia, educação, saúde, etc. Enquanto morar for um privilégio, seguiremos lutando pela reforma urbana e o socialismo!
A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) realizou a 9º Conferência Nacional de Educação Paulo Freire com o tema “Educação Libertária e Democrática: construindo o movimento pedagógico Latino-Americano” entre os dias 26 a 28 de junho em Curitiba. O objetivo do encontro foi debater os desafios e rumos da educação brasileira, sendo estabelecida greve nacional no dia 13 de agosto contra os retrocessos do governo atual.
Dentre as pautas discutidas, os educadores se debruçaram sobre o Plano Nacional da Educação (PNE), sancionado em 2014 e com validade de 10 anos, com o propósito de direcionar esforços e investimentos para a melhoria do quadro educacional brasileiro. O Plano é composto por 20 metas contemplando todos os níveis educacionais que, apesar de muito promissoras, apenas uma foi cumprida de acordo com o Inep.
Destaca-se a meta 1, que diz respeito a universalização e democratização do ensino básico tendo como finalidade atender 100% das crianças de 4 a 5 anos matriculadas na pré-escola até 2016, além de garantir 50% das crianças de 0 a 3 anos em creche até 2024. Segundo dados do Pnad, apenas 90% das crianças de 4 a 5 anos foram atendidas e somente 1/3 estão em situação de creche. Essa defasagem é vivenciada principalmente nas periferias, onde as filas de espera por vaga nas creches podem levar anos colaborando com a desigualdade enfrentada pelas mulheres na participação no mercado de trabalho.
A estagnação e não cumprimento das metas são resultados dos ataques que o sistema educacional brasileiro sofre constantemente. Prova disso é a emenda constitucional nº 95 implementada pelo governo Temer que congela, durante 20 anos, investimentos públicos direcionados a saúde e educação. Além do corte de 30% das verbas destinadas às universidades e institutos federais, anunciado recentemente pelo ministro da educação. As duas ações fazem parte de um projeto que confronta diretamente as diretrizes do PNE, uma vez que a falta de recurso penaliza o avanço das melhorias no ensino público.
Além disso, a militarização das escolas incentivada por Jair Bolsonaro, visa instituir um sistema onde a censura é peça chave, ferindo a efetivação da gestão democrática de educação proposta pela meta 19 do Plano. Na mesma linha, o descumprimento se fez presente quando aprovadas as mudanças no “Novo Ensino Médio” pelo Conselho Nacional de Educação, órgão vinculado ao MEC, que libera o ensino a distância totalizando 20 e 30% de carga horária, respectivamente no período diurno e noturno, acentuando ainda mais a defasagem no ensino público.
Essas ações com embasamentos apenas voltados aos interesses capitalistas, sem considerar a realidade do povo brasileiro, são responsáveis por colocar a situação educacional do país em risco. O desleixo com que se é tratado o ensino público foi demonstrado nos últimos dados coletados pelo IBGE, provando que a educação ainda não é para todos. Cerca de 40% da população com mais de 25 anos não chegaram a concluir o ensino básico, e daqueles que concluíram, o maior percentual está entre os brancos (55,5%) ao passo que entre os negros, o número cai substancialmente (40,4%). Considerando que a maior parte da população brasileira é negra, o acesso a educação no Brasil ainda é limitado e desigual pela negligência do governo em promover políticas públicas que incentivem o acesso à todos.
Analisando todo este quadro, os educadores presentes da 9ª Conferência apresentaram um manifesto repudiando as sucessivas contra-reformas liberais no setor educacional e o desmonte das políticas educacionais e sociais que atacam os direitos da população, especialmente da população mais marginalizada (mulheres, negros, índios e LGBTs). Além disso, também criticaram a proposta da Reforma da Previdência e as conseqüências que irá trazer principalmente para as professoras de rede pública, aumentando 10 anos a idade mínima para aposentadoria. Ao final do manifesto, os profissionais conclamam a luta incessante e o compromisso para com a educação, convocando todas as instituições de ensino para uma grande greve geral no dia 13 de agosto.
Diante dessa conjuntura, se fazem necessárias as críticas, a mobilização e organização dos estudantes, trabalhadores e servidores públicos em defesa do ensino de qualidade no país e contra a destruição da aposentadoria, como foram feito nos dias 15 e 30 de maio pela educação, e no dia 14 de junho na Greve Geral que mobilizou categorias ao redor do país e que foram responsáveis pelo fechamento de diversos pontos estratégicos das cidades.
Foto: Jorge Ferreira/Jornal A Verdade
“Numa palavra, a educação se tornou a grande esperança, a grande promessa da nacionalidade e da democracia. Com espanto, porém, vemos que, no atual governo, ela é apresentada como ameaça.” – afirmam ex-ministros em carta contra as políticas educacionais do governo Bolsonaro.
Inimigo da Educação, o governo Bolsonaro vem promovendo um verdadeiro sucateamento do ensino público no país. Em abril, através de sua conta no twitter o atual presidente fascista insinuou que os cursos de ciências humanas não mereciam investimentos, adiantando a pretensão de seu governo de cortar verbas do ensino superior. Mesmo com a revolta da população diante de tais alegações, pouco tempo depois, o governo através de seu Ministro da Educação, Abraham Weintraub, anunciou o corte de 30% nas verbas das universidades sem diálogo prévio com a comunidade acadêmica, impactando diretamente o funcionamento dos institutos federais. Na ocasião, o governo alegou que os cortes no ensino superior eram necessários para garantir o investimento na educação básica. Contudo, isso se mostrou como mais uma de suas mentiras contra a população mais pobre, ao estender o corte orçamentário para toda a pasta de educação, incluindo os programas de ensino infantil ao médio.
Frente a essa situação de completo desmonte das políticas educacionais do país, seis ex-ministros de governos anteriores se reuniram em um evento promovido pela Universidade Estadual de São Paulo (USP) e redigiram uma carta aberta em oposição às medidas do governo Bolsonaro. Na carta, José Goldemberg (1991-1992), Murílio Hingel (1992-1995), Cristovam Buarque (2003-2004), Fernando Haddad (2005-2012), Aloizio Mercadante (2012-2014) e Renato Janine Ribeiro (2015), expressaram sua preocupação com “as políticas para a educação adotadas na atual administração”, enfatizando que a magnitude dos cortes promovidos no último período “podem ter efeitos irreversíveis e até fatais”.
De acordo com eles, nessa gestão, a educação deixou de ser vista como prioridade nacional e passou a ser tida como uma ameaça, enfatizando a postura do governo em ignorar especialistas da área atuando de “forma sectária, sem se preocupar com a melhoria da qualidade e da equidade do sistema, para assegurar a igualdade de oportunidade”. Em outras palavras, a carta converge com as denúncias realizadas pelos movimentos sociais e estudantis frente aos ataques de Bolsonaro. Para Beatriz Baria, militante do Movimento Correnteza de São Paulo: “cortar investimentos dos institutos federais e da educação básica, determinar o fim das bolsas para pesquisadores, é mais uma forma desse desgoverno vergonhoso de atacar nosso povo. Somos nós, a juventude pobre, que vai ser impedida de ter uma educação de qualidade, pra encher os bolsos dos grandes grupos privados, que fazem da educação mercadoria, como a Kroton Educacional”.
A carta denuncia ainda a perseguição e a censura impostas pelos governos aos docentes, ressaltando a importância do “respeito à profissão docente, que não pode ser submetida a nenhuma perseguição ideológica […] Convidar os alunos a filmarem os professores, para puni-los, é uma medida que apenas piora a educação, submetendo-a a uma censura inaceitável”. Em outro trecho, reforçam: “a autonomia universitária é uma conquista que deve ser mantida para garantir a liberdade e qualidade na pesquisa, formação e extensão”.
Ao fim do texto, os ex-ministros propõem a “formação de uma ampla frente em defesa da educação” e anunciam a criação de um “Observatório da Educação Brasileira dos ex-ministros da Educação, que se coloca à disposição para dialogar com a comunidade acadêmica e científica, sociedade e entidades representativas da educação, com parlamentares e gestores, sempre na perspectiva de aprimorar a qualidade da política educacional”.
Jady Oliveira União da Juventude Rebelião
[1] Kroton Educacional: a maior empresa privada do mundo no ramo da educação, um conglomerado que monopoliza e atua em função da privatização do ensino privado, em detrimento da educação pública, gratuita e acessível.
RIO DE JANEIRO Um ano após a execução da Vereadora Marielle Franco pela milícia, a deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ) – assim como Marielle uma política negra, de periferia e LGBT – teve a solicitação de escolta negligenciada pela omissão do Governador Wilson Witzel, do Partido Social Cristão, ao negar o pedido de proteção à vida da deputada que foi realizados após receber ameaças de morte.
Talíria recebe ameaças de morte desde 2016 quando foi eleita vereadora em Niterói/RJ. As ameaças vêm pelas redes sociais ou até por telefonemas feitos à deputada ou a sede de seu partido. A pouco mais de dois meses a polícia federal alertou ter encontrado na dark web informações sobre o planejamento de um atentado à vida da deputada.
Graças à investigação da PF, Talíria está sendo escoltada em Brasília, mas nas vezes em que retorna a Niterói, cidade na qual foi eleita e também onde recebeu as ameaças, anda desprotegida pois a solicitação enviada pelo presidente da Câmara dos deputados, Rodrigo Maia (DEM), foi negada pelo Governador Witzel, que nem sequer enviou uma resposta a Câmara.
Em abril deste ano a deputada foi chamada de “verme” pelo líder da bancada ruralista, Alceu Moreira (MDB-RS), durante uma audiência pública após reações da parlamentar às declarações do também deputado. Recentemente, após as denúncias de ameaças de morte, o filho do presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), debochou em seu twitter dizendo que Talíria era hipócrita por se declarar desarmamentista e pedir escolta, alegando que a deputada deveria pedir “iluminação”.
A história da Professora Talíria em muito se confunde com a história de Marielle Franco. Ambas ameaçadas de morte e odiadas pelos conservadores, falsos moralistas e pelos milicianos. O que acontece é que em um país que possui cotas para que as mulheres enfim consigam ocupar o espaço político que é ocupado majoritariamente por homens brancos, héteros e ricos, existir duas mulheres negras, periféricas e LGBTs, que foram eleitas como as vereadoras mais votadas em suas respectivas cidades na primeira eleição que concorreram, é inaceitável.
É um atentado à democracia o estado do RJ não exercer seu papel e zelar pela vida de uma deputada que é ameaçada apenas por lutar pelos direitos das mulheres, dos negros, dos pobres e dos LGBTs. Sabemos as causas da omissão do governador reacionário Wilson Witzel, também sabemos de qual lado está o filho do presidente e amigo da milícia, Eduardo Bolsonaro, que ironiza as ameaças contra Taliria assim como ironizava as denúncias feitas por Marielle.
Mas não podemos esperar a morte de ninguém mais, muito menos de alguém que luta para defender o direito à vida de milhões de pessoas abandonadas pelo estado e massacradas pelo sistema capitalista.
Entre as principais mudanças apresentadas pelo governo Jair Bolsonaro para a segurança publica do país, está o projeto de Lei Anticrime divulgado pelo Ministro de Justiça e Segurança Publica Sérgio Moro.
Exército brasileiro assassina jovens negros inocentes na intervenção do RJ
O projeto que prevê alterações de 14 artigos do Código Penal e do Código Eleitoral não demonstra nenhuma novidade sobre as causas dos crimes, muito pelo contrário, coloca no centro da política de segurança pública o método da punição, única e exclusivamente como forma de redução da criminalidade.
Hoje já existe uma diferenciação dos
procedimentos de casos de homicídios envolvendo policiais em serviço. Por
exemplo: quando um policial comete um homicídio e alega legitima defesa, o
crime é juridicamente justificado como “morte por intervenção de agente de Estado”.
Esse procedimento hoje é conhecido como “Autos de Resistência”, e é responsável
por ser o principal argumento legal para justificar os assassinatos produzidos
pela policia, quase sempre sendo o processo arquivado. Porém, caso uma pessoa
comum mate e alegue legítima defesa, haverá um inquérito policial para apuração
do homicídio, que na maior parte dos casos termina em reclusão, ou seja, pena
de seis a vinte anos de prisão.
Nesse sentido, um dos principais eixos do
pacote apresentado está a excludente de ilicitude, nesse caso, mesmo que
o agente policial tenha praticado um homicídio, ele não será considerado um
criminoso, excluindo o ato ilícito. O Código Penal prevê três situações em que
se aplica a excludente de ilicitude: estado
de necessidade, legitima defesa e o estrito cumprimento do dever legal. Uma
das propostas que está no pacote de Sergio Moro é de flexibilização e ampliação
da excludente de ilicitude em favor de policiais.
Em situações em que a polícia precisa
executar uma prisão em flagrante, o ordenamento jurídico brasileiro autoriza o
policial em ação á exercer o estrito cumprimento do dever legal que é prender. Atualmente no Brasil, não
existe o dever legal de matar. Não
se justifica seguir atirando até causar a morte. Com a mudança proposta pelo
pacote, o texto de lei deixa claro: caso os policiais durante o trabalho
estiverem em situações de medo, surpresa
ou violenta emoção, e vierem a matar ou ferir alguém não poderão serem
punidos. Utilizando do pretexto da legitima defesa, o projeto formaliza e
amplia a violência e os assassinatos
praticados pela policia.
Um levantamento feito pelo Núcleo de Estudos da Violência da USP e o Fórum
Brasileiro de Segurança Pública, mostrou que houve um aumento de 18% de pessoas
mortas por policiais de
2017 para 2018 (5.225 para 6.160 mortes ao ano), ressaltando que essas
mortes são as que estão registradas no balanço anual. O ultimo relatório produzido pela Anistia
Internacional demonstrou que as forças policiais brasileiras são as que mais
matam no mundo.
A redução da violência urbana foi
destaque nas eleições de 2018, demonstrando uma enorme preocupação da população
com a segurança publica. Lembrando que essa era uma das principais promessas e
bandeiras das campanhas de candidatos, como Bolsonaro, João Dória, Wilson
Witzel. E com razão o povo, principalmente mais pobre tem clamado por justiça e
segurança. Os princípios constitucionais, em especial a dignidade humana, têm
sido violados e o brasileiro sofre no seu cotidiano.
Herança da ditadura
“Força
auxiliar e reserva do Exército” a Polícia Militar foi criada em 1969 sob
decreto-lei em pleno período de ditadura. Desde então e mesmo após a
democratização do Brasil em 1988, esse braço violento do Estado continua
atuando como há mais de 50 anos. Mesmo sendo hoje uma força à disposição do
Estado, a submissão é ao Exército autoritário brasileiro. Surge uma antinomia,
pois ao mesmo tempo em que polícia vem de polis,
do grego, cidadão, cidadania,militar vem do latim miles, milícia. Entende-se inclusive porque a militarização vê no indivíduo civil
um inimigo. O modo operante despreparado da polícia dá-se através do excesso de
violência, truculência e arbitrariedades. A tortura, por exemplo, é uma prática
cotidiana, comum e normal nas ações policiais na periferia adentro.
Com
o projeto de lei de Moro haverá um aumento de forças paramilitares. Esse
cenário aprofunda a impunidade
policial e é a semente para o nascimento de milícias, que no atualmente é o
grupo que mais oferece risco a segurança e vida do povo brasileiro, inclusive com comprovações já apresentadas pela investigação do envolvimento
direto desse grupo de extermínio com o brutal assassinato da ex vereadora e
militante Marielle Franco.
O Conselho de Direitos Humanos da
ONU solicitou que o Brasil despendesse maiores esforços para combater a
violência e projetar um fim à Polícia Militar, responsável por milhares de assassinatos.
Tudo isso fica muito claro quando vemos policiais formarem grupos de
extermínios e esquadrões da morte (criados no regime militar), carregados
de discurso de ódio, agindo de forma
criminosa, truculenta e autoritária. É urgente e necessário por fim a
militarização da polícia, e pensarmos um outro modelo de segurança pública para
não mais vivermos o cotidiano da barbárie e da escravidão, pois os chicotes de
ontem são as balas dos fuzis dos opressores de hoje!
O fuzilamento de Evaldo dos Santos, músico, num bairro periférico do Rio de Janeiro enquanto passeava com sua família na tarde de um domingo, representa o avanço do estado fascista que já não se importa em manter a aparência de um estado democrático de direito.
Ato na paulista em homenagem a Evaldo, músico assassinado pelo exército com 80 tiros. Foto: Jorge Ferreira
Com indignação o povo assistiu o presidente da república, 6 dias após o assassinato, vir à público se manifestar sobre o caso, limitando-se a defender a instituição que disparou 80 tiros e ceifou não só a vida de Evaldo, mas também de Luciano Macedo, catador de recicláveis, que tentou ajudar a família a sair do veículo no momento da ação criminosa. Segundo o presidente: “O exército não matou ninguém!” Entretanto, é equivocado pensar que essa barbárie é consequência exclusiva da chegada da extrema direita ao Poder, muito menos apenas de resquícios da ditadura militar. Na verdade o estado policialesco nunca deixou de estar presente nas periferias do Brasil.
No mundo, o 1% da população mais rica tem mais riqueza que os outros 99% somados. Os 6 homens mais ricos do mundo tem mais posses do que a metade mais pobre, mais de 3,5 bilhões de pessoas. Esse abismo social é também a realidade do Brasil, que tem uma das maiores desigualdades do mundo. Neese contexto, ao povo negro é reservado apenas os piores postos de trabalho, os piores salários e os barracos das grandes favelas. A imensa maioria da população negra é extremamente pobre e vive sob todas as formas de vulnerabilidade.
O desemprego é enorme e o varejo do tráfico termina sendo um desses postos de trabalho reservados especialmente para a juventude negra das periferias. Mesmo cumprindo uma tarefa desse negócio que gera enormes lucros para a burguesia, que utiliza seus bancospra lavar esse dinheiro, e por estar na ponta, mais visível e sustentando fuzis nas mãos, os jovens negros são vítimas de um discurso de criminalização e de uma política repressiva e genocida que assassina 66 mil pessoas por ano no Brasil, um verdadeiro índice de guerra civil. 78% desses jovens são assassinados por conta da sua cor da pele, por serem negros.
“É que cada tempo histórico tem suas perguntas sobre o passado, pois cada conjuntura produz uma história para justificar o seu presente.” É assim que Marielle Franco começa a demonstrar em sua tese de mestrado a importância de compreendermos nosso passado recente e o processo de implementação do neoliberalismo que o Brasil passou nas últimas décadas. Apesar do estudo da vereadora assassinada se concentrar na política de segurança pública do estado do Rio de Janeiro através das Unidade de Polícia Pacificadora, traz também importantes esclarecimentos sobre as causas do genocídio de negros e negras no país todo.
É verdade que desde a formação do estado brasileiro há uma política de extermínio daqueles que foram escravizados, e desde então diferentes ideologias foram utilizadas para perpetuar o poder na mão de uma minoria enquanto o povo dispõe de uma vida miserável. Mas também é urgente compreender as engrenagens da fase atual do capitalismo para traçarmos estratégias para a sua destruição. Nesse sentido que Marielle desmascara o estado penal vigente nas periferias como estrutura central do neoliberalismo no Brasil.
Nessa fase da crise do capitalismo, onde a elite econômica tenta enfiar goela abaixo reformas para aumentar seus lucros, mesmo que às custas da retirada de direitos trabalhistas e sociais, é necessário uma escalada no estado penal para conter aqueles que se encontram “excluídos” dessa sociedade. É por isso que na medida que os governantes avançam na destruição de direitos sociais, aumenta-se a repressão nas periferias, pois esses são os territórios tidos como inimigos do estado, que serve exclusivamente aos interesses da classe dominante.
A administração pública por sua vez, concentra esforços em passar a impressão que esse modelo de segurança pública, que invade casas, mata e tortura, se legitima em nome da proteção de toda sociedade. Essa é a tática da “guerra às drogas”, justificar o genocídio e o encarceramento em massa como necessário para manter a ordem.
Para tanto, o estado exerce papel crucial na manutenção do projeto de dominação. Se nos bairros ditos “nobres”, o estado se faz presente nas ruas bem asfaltadas, nos parques bem arborizados, e em todo conjunto de políticas que promovem o acesso à cidade, nas periferias esse mesmo estado se faz presente exclusivamente através das forças militares, seja pela polícia, pelo exército, ou mesmo por grupos milicianos.
Essa guerra aos pobres, transvestida de pacificação, não se justifica apenas com o sadismo de uma elite branca, mas sim por interesses econômicos. O estado, representante da burguesia, não contente com as reformas neoliberais, também está comprometido com o lucro dos megatraficantes, dos milicianos, da indústria armamentista, da especulação imobiliária, etc.
Justamente por incomodar aqueles que lucram com o extermínio da população negra e escancarar a as engrenagens desse sistema que Marielle Franco foi brutalmente assassinada.
Um ano depois de sua morte, os 80 tiros disparados pelo exército no carro de Evaldo e sua família nos traz à tona a urgência de apontar as raízes desse projeto genocida. Trata-se do modus operandi de um estado neoliberal, que manteve as mesmas práticas inclusive nos governos ditos progressistas, período em que o encarceramento mais do que dobrou. Se no Brasil o capitalismo é forjado no extermínio da população da periferia, que na sua maioria são negros e negras, o fim desse extermínio também depende da superação desse sistema perverso.
O RACISMO COMO IDEOLOGIA DE DOMINAÇÃO
Segundo Clóvis Moura, “o racismo não é uma conclusão tirada dos dados da ciência, de acordo com pesquisas de laboratório que comprovem a superioridade de um grupo étnico sobre outro. O racismo é uma ideologia deliberadamente montada para justificar a dominação de um grupo sobre outro. É, portanto, uuma ideologia de dominação.
Acontece que após a abolição da escravidão no Brasil, a elite do país determinada a manter seu projeto de domínio, costurou outras roupagens para sustentar o novo regime econômico. Nesse momento ganha destaque a concepção eugênica que correspondia a uma política de embranquecimento da população e a uma teorização sobre características de personalidade inerentes às raças.
Dentre elas, se destaca o papel do direito penal na formação do imaginário popular do negro como figura naturalmente criminosa. Ainda no período da primeira república, o código penal tipificava como crime o que ficou conhecido como lei da vadiagem. Num contexto de séculos de escravidão, foi como prender as pessoas simplesmente por elas serem negras. Essa política foi aprimorada ao longos das décadas, mas sem nunca perder o viés ideológico de dominação sobre os corpos marginalizados.
A Liga de Higiene Mental, por exemplo, braço do nazismo e do arianismo no Brasil, se destacou como defensora “científica” dessa tese e defendia, entre outras bandeiras, salários eugênicos (quanto mais clara a cor da pele, maior deveria ser o salário), recompensa para famílias que procriassem seres “superiores”, punição para os “inferiores”.
O higienismo social presente na segregação territorial até os dias de hoje, é oriundo das políticas da burguesia desde a formação da nação brasileira. A verdade é que esse país foi constituído sob uma ideologia burguesa e racista, que nega ao povo sua própria história, como estratégia política para perpetuar uma estrutura excludente.
Sendo assim, torna-se uma ingenuidade combater o racismo apenas através do viés acadêmico ou estritamente científico, muito embora não possamos de maneira nenhuma, negar o combate também nesse terreno. Mas a verdade é que a boa e velha luta de classes ainda é a forma mais eficiente de enfrentar o racismo no Brasil. Como afirma Clóvis Moura, “a questão racial é essencialmente política e não apenas científica.”
Para superarmos o sistema político existente, o capitalismo, será necessário travarmos as lutas pelos interesses imediatos da classe trabalhadora, composta na sua maioria por mulheres e negros. Mas isso não bastará. Será necessário, e esse é o nosso desafio, apresentar outro modelo de sociedade que seja capaz de substituir a engrenagem capitalista.
Um sistema político e social que dê conta de distribuir toda a riqueza socialmente produzida, pondo fim à propriedade privada dos meios de produção e a todas as desigualdades sociais existentes na atualidade. Esse sistema, essa sociedade, tem nome e chama-se Socialismo.
População venezuelana vai às ruas e impede o golpe orquestrado pelos EUA
Uma tentativa de golpe militar foi realizada na Venezuela na
manhã desta terça feira, 30/04, como o intento de derrubar o governo legítimo
de Nícolas Maduro. Esta ação contou com o apoio incondicional dos EUA que
propicia todo auxílio aos golpistas que são, na verdade, subservientes do
imperialismo e realizam um discurso de apoio à “Liberdade” no país, mas com o
intuito de fazer o roubo das riquezas nacionais.
Logo pela manhã Juan Guaidó, o promotor principal do golpe, realizou pronunciamentos anunciando a tomada de uma base militar localizada na região leste de Caracas, a Base Aérea La Carlota. Também propalava a obtenção de apoio militar das forças armadas, buscando causar um levantamento em outras bases militares. Guaidó pronunciou-se ao lado de Leopoldo Lopez que estava preso desde 6 de agosto de 2017, cumprindo pena de quase 14 anos, por praticar atos violentos. O “Autoproclamado” presidente, com apoio dos EUA, busca usurpar o poder sem possuir o voto democrático do povo, por meio de uma ação violenta contra a maioria dos venezuelanos.
No entanto, oficialmente, o presidente da Assembleia Nacional Constituinte Diosdado Cabello, desmentiu a tomada da Base Aérea e disse que apenas um reduzido grupo militar se sublevou para promover um golpe de Estado. “Não foi vulnerabilizada nenhuma instalação militar no país, eles estão nas ruas no Distribuidor Altamira e nós estamos dirigindo as operações desde a Base Aérea La Carlota”, afirmou.
Maduro também se pronunciou nas redes sociais afirmando que conta com o apoio e lealdade do comando do exército, que diz está comprometido com a constituição e a soberania nacional. Precisa no entanto estar mais preocupado com o apoio popular permanente nesse processo, visto que as ações da direita tentam alterar a correlação de forças também nas massas, mas ao que tudo indica sem sucesso até o presente momento.
Mike Pompeo, o secretário de Estado norte-americano, afirmou em um comunicado “hoje, o presidente [autoproclamado] interino Juan Guaidó anunciou o início da Operação Liberdade. O governo dos Estados Unidos apoia integralmente o povo da Venezuela em sua busca pela liberdade e pela democracia. A democracia não pode ser derrotada”. Destila assim seu apoio incondicional as ações militares para derrubar o governo e mostra disposição de intervir nos assuntos internos da Venezuela.
Ernesto Araújo, ministro de relações exteriores do Brasil, se reuniu em Washington, no dia 29, com Mike Pompeo e demonstrou uma total submissão ao governo dos EUA fazendo coro a politica norte-americana “O Brasil apoia o processo de transição democrática e espera que os militares venezuelanos sejam parte desse processo de transição democrática”, declarou. Logo Bolsonaro também se pronunciou no Twitter “O Brasil está ao lado do povo da Venezuela, do presidente Juan Guaidó e da liberdade dos venezuelanos”. É uma vergonha como copiam a linguagem da farsa americana sem o mínimo de pudor tratando a palavra “liberdade” como um mantra para encobrir a tentativa de um golpe militar absurdo.
As declarações conjuntas do Brasil com os EUA nesse processo devem ser repudiadas pelo povo brasileiro, pois não podemos ser bucha de canhão para o imperialismo. Os interesses do Brasil estão muito mais ligados a uma política de relações internacionais pacíficas, de integração latino americana baseada na colaboração entre os países iguais, na solidariedade e no internacionalismo proletário. O povo brasileiro sempre foi a favou da soberania das nações e o princípio da auto-determinação, onde cabe a cada povo decidir seus destinos.
Todo apoio ao povo venezuelano! Abaixo o imperialismo!
A Unidade Popular (UP), partido político em formação, é fruto da iniciativa de centenas de ativistas dos movimentos populares, militantes comunistas, estudantes e professores e da necessidade de construir uma alternativa de esquerda revolucionária ao atual cenário nacional. Após um ano e meio de muito trabalho, a campanha pela legalização da UP entra em sua reta final. Para falar sobre as novas tarefas da militância, A Verdade entrevistou Leonardo Péricles e Fernanda Lopes, membros da Direção Nacional da UP, que afirmam que para o país sair desta crise, precisa passar por uma profunda transformação econômica e social que dê vida digna para o nosso povo, e, por isso “a UP luta pelo poder popular e pelo socialismo”.
Da Redação
A Verdade – Por que a UP foi criada?
Leonardo Péricles – Houve, nos últimos anos, um verdadeiro esgotamento dos atuais partidos ditos de esquerda. Alguns foram cooptados, tomando o caminho de aliança com as grandes empresas, bancos e empreiteiras. Outros, tentando fazer frente a esta traição, não conseguiram dialogar com a classe trabalhadora. De tão estreitos que são, não conseguem se apresentar como alternativa. O resultado é que, hoje, poucos empunham a bandeira de luta por mudanças estruturais, ou seja, a luta revolucionária contra o capitalismo, que passa pela mobilização de amplos setores populares, de milhões e milhões de trabalhadores, mulheres e homens, negras e negros, LGBTs, jovens, indígenas, comunidades tradicionais, enfim, a luta da imensa maioria do povo brasileiro.
Esta é uma luta por quebrar os enormes privilégios dos super-ricos, da burguesia brasileira. É, portanto, uma luta muito dura e nós, da UP, não consideramos que ela possa ser feita por um iluminado ou de forma isolada, mas sim no campo da luta de massas, na vida política partidária, dos movimentos, e lideranças que se reúnem em torno das ideias populares. Daí o próprio nome Unidade Popular. Acreditamos que, a partir de um chamado decidido e pautado na força do movimento popular, se incorporarão a este projeto milhões de lutadoras e lutadores. Foi para fazer este chamado que nasceu a UP.
Como vocês veem a atual situação do País? Qual a saída para a crise do Brasil?
Fernanda Lopes – O Brasil vive uma grave crise econômica e política que se agrava a cada dia, com vários retrocessos democráticos, perdas de direitos e uma calamidade social. O desemprego já atinge cerca de 24 milhões de pessoas. Hospitais, postos de saúde, escolas e universidades estão abandonados. A violência aumenta e o povo teme por sua vida todos os dias, especialmente as mulheres. O ilegítimo governo de Michel Temer, que só tem olhos para as classes ricas, aprovou a chamada “PEC dos Gastos”, congelando por 20 anos os investimentos públicos em saúde, educação e moradia. Aprovou, em agosto de 2017, a Reforma Trabalhista, que retirou direitos históricos dos trabalhadores conquistados em décadas de luta, e ainda quer aprovar a Reforma da Previdência para que trabalhadores e trabalhadoras não se aposentem mais. Para sair desta crise, o País precisa passar por profundas mudanças. Somente uma profunda transformação econômica e social que dê vida digna para o nosso povo, emprego, saúde e educação de qualidade, moradia, transporte e terra para os camponeses resolverá os problemas atuais vividos pelo povo. Por isso a UP luta pelo poder popular e pelo socialismo.
Leonardo Péricles – Devemos lembrar também que vivemos uma das mais profundas crises econômicas da história do capitalismo, desde 2008, e que se manifestou com mais força no Brasil a partir de 2013. A solução para esta crise é pôr fim a um sistema que protege uma minoria de ricos. E o programa para isso já é conhecido: taxar as grandes fortunas; impedir a especulação imobiliária e garantir a função social do solo; suspender o pagamento da dívida pública, que nos suga quase metade do orçamento federal; exigir o pagamento dos devedores da dívida ativa dos municípios e estados; impedir a sonegação de impostos pelas grandes empresas, inclusive dos devedores da Previdência; reduzir a jornada de trabalho sem redução do salário para gerar mais empregos. Desta forma, bilhões de reais serão arrecadados e serão suficientes para resolver os graves problemas sociais que nosso país vive. Mas, ao lado de todas estas lutas, não devemos deixar de disputar a maioria da população para um projeto ainda mais profundo de transformações sociais, que é a derrubada do capitalismo e a implantação do socialismo, em que os meios de produção das riquezas estejam nas mãos da classe trabalhadora e possam servir para a vida, e não para o lucro.
Nenhum dos atuais partidos defende essas propostas?
Fernanda – A maioria dos atuais partidos está pautada pela institucionalidade, por um respeito sagrado aos limites impostos pela burguesia, ao invés de se pautar pela necessidade de superação do capitalismo. E isso exige muito enfrentamento, rupturas, uma verdadeira revolução política. Um dos papéis que a UP se propõe a fazer é demonstrar que os partidos dos ricos enganam o povo a todo momento. Procuramos demonstrar pelo discurso e pela prática que nem todos os que fazem política são iguais, que há uma política corrupta e burguesa, mas que existem também políticos revolucionários e uma política proletária. Não se trata de moralismo, mas sim de colocar as coisas no seu devido lugar.
Por que o socialismo é superior ao capitalismo?
Leonardo – Em um país riquíssimo como o Brasil, o socialismo daria condições para todas as pessoas se apropriarem dos bens e serviços de que necessitem para viver. Já debaixo do capitalismo, somos um país subdesenvolvido, com uma economia comandada pelos EUA e com uma desigualdade social que aumenta a cada ano. Hoje a realidade é que as cinco pessoas mais ricas do País detêm a mesma riqueza da metade mais pobre da população. O socialismo também permite que a tecnologia desenvolvida seja aplicada para melhorar a vida do conjunto da população, e não para aumentar os lucros dos capitalistas. Só o socialismo garante acesso universal à educação, saúde, moradia, segurança, lazer. Isto já foi provado por décadas na União Soviética e em outras experiências socialistas. Uma nova onda de grandes transformações sociais virá neste século 21, pois são insustentáveis as contradições do capitalismo. Só no ano passado, por exemplo, 82% da riqueza produzida no mundo foi apropriada por apenas 1% das pessoas! A maioria dos trabalhadores ainda não tem a consciência de que este mundo novo de felicidade é possível, mas o socialismo está no sonho de todo trabalhador e trabalhadora consciente. Ao socialismo interessa socializar a riqueza das grandes propriedades, aquela que pode resolver o problema da moradia nas grandes cidades, pois no capitalismo há mais casas e prédios abandonados do que gente sem habitação. Já as grandes fábricas e empresas, as grandes extensões de terra, estarão à disposição do Estado, dirigido pela classe trabalhadora para que esta decida a prioridade e a função social de cada coisa.
Como veem as declarações de membros do Alto Comando do Exército defendendo um golpe militar?
Fernanda – Nessa conjuntura em que a luta de classes se encontra bastante acirrada, vemos manifestações das diferentes classes sociais e agrupamentos sobre as possíveis saídas para a crise. Dentro da falta de perspectivas de parte da população, setores do alto comando do Exército a serviço do setor mais reacionário da burguesia, dos fascistas, tentam também se apresentar como alternativa. Lembremos que todo este espaço para que generais possam se pronunciar sobre golpes de Estado, contrariando a própria Constituição sem sofrerem nenhuma punição, é algo muito grave e que não podemos aceitar. É preciso levar a cabo as recomendações da Comissão Nacional da Verdade para que se punam os torturadores e assassinos da época da ditadura militar. Como disse a grande companheira Amelinha Teles, em entrevista publicada na última edição do Jornal A Verdade: “Não há democracia com corpos insepultos”. Sabemos que a impunidade do passado leva à impunidade do presente, pois hoje milhares de jovens negros e pobres continuam sendo torturados e mortos nas periferias de todo o Brasil nas mãos de agentes estatais, principalmente das polícias militares.
Qual o balanço da campanha pela legalização da UP?
Leonardo – Estamos há 15 meses colocando em prática um ousado plano de legalização de um partido político revolucionário que almeja o poder. Para coletarmos as 600 mil assinaturas que conquistamos neste período, fomos a praças, bairros, vilas, favelas, ruas, empresas, fábricas, escolas, universidades e seguramente falamos para mais de dois milhões de pessoas que foram abordadas ou que escutaram nossas agitações. Nosso discurso, aliás, não é só para pedir uma assinatura, mas para politizar, para denunciar os crimes das elites contra o povo e convocá-lo para a luta.
Neste último período, conseguimos perceber como poucos o sentimento de nosso povo, seu desejo por mudanças no Brasil e, neste sentido, tivemos ainda mais certeza de que nossa decisão de criar a UP foi acertada. E fizemos isso sem depender de um centavo da Odebrecht ou de qualquer outra grande empresa, banco etc. Sem depender também de nenhum figurão da política tradicional burguesa, dependendo apenas de nossa militância e de apoiadoras e apoiadores que têm os mesmos propósitos que nós.
Chegamos agora a um momento decisivo, pois temos pouco mais de seis meses para cumprir nosso objetivo, já que a legislação impõe um prazo máximo de dois anos. Apesar de enfrentarmos regras extremamente antidemocráticas para a legalização de novos partidos, durante este período, que estamos chamando de período especial, nossa militância decidiu se dedicar integralmente à realização desta grandiosa tarefa. Chegaremos até o final de maio com pelo menos 800 mil assinaturas coletadas no total e já demos passos importantes no cadastramento das fichas de apoio no sistema online do TSE e nos cartórios eleitorais. Em três estados a UP já alcançou o número mínimo de apoiamentos exigido e já podemos constituir seus diretórios estaduais provisórios. Estamos trabalhando para que nos próximos meses cheguemos a pelo menos nove diretórios estaduais legalizados, que é outra exigência. Além disso, temos recebido adesões de muitos ex-militantes de outros partidos e organizações políticas, e até de grupos políticos que não se sentiam mais representados pelos demais partidos existentes.
O que falta para a UP conquistar a legalização?
Fernanda – Tudo o que fizemos até aqui, apesar de muito importante, não basta, pois precisamos validar 487 mil assinaturas nos cartórios eleitorais de todo o Brasil. Neste sentido, entramos no sistema do TSE com cerca de 150 mil fichas nestes últimos meses e nossa campanha continua até a legalização. Para termos êxito, estamos fazendo também uma campanha de arrecadação de finanças, pedindo contribuição às pessoas que acreditam em nossa causa para que possamos ter um caixa que permita arcarmos com os gastos desta reta final. Precisamos da ajuda de todas e todos para que possamos concluir esta campanha de dois anos. Estamos muito confiantes de que venceremos!
Em todo o Brasil operários e operárias compartilham entre si experiências sobre o dia a dia nas fábricas, são as histórias da vida operária que quando contadas, disseminam a cultura mais rica que existe, a do povo trabalhador. A crônica a seguir foi escrita por um operário têxtil e enviada ao Jornal A Verdade para ser compartilhada entre trabalhadores de todo o país.
Marcelo | São Paulo
Cultura – Na fábrica têxtil, as operárias aprenderam cedo que o tempo do relógio é sagrado e implacável. Ele corre no barulho da agulha, na pressa do tecido que não pode esperar, na pilha de peças que cresce como se tivesse vida própria.
Cada uma ali conhece o ritmo das outras sem precisar olhar. Um pequeno erro já faz a linha inteira suspirar mais fundo. Não é solidariedade escrita em cartaz de RH; é prática antiga, costurada no silêncio.
Quando uma atrasa, outra acelera. Quando a linha arrebenta, três mãos aparecem antes da supervisão perceber. Há coisas que se aprendem sem curso e sem certificado.
Há também saberes que não estão no manual da máquina: como esconder o cansaço quando o mês ainda não acabou, como calcular de cabeça quantas horas extras cabem na conta de luz, como perceber que a colega quieta demais talvez precise mais de escuta do que de conselho.
Uma trouxe pomada caseira para queimadura do soprador; outra explicou como alongar o punho sem chamar atenção; outra ainda ensinou a novata o caminho mais curto pra bater o ponto pra hora do almoço durar o mais próximo possível daquela uma hora prometida na entrevista.
O encarregado passa de vez em quando, tentando equilibrar o peso estranho de quem recebe ordem e também precisa ditar. Já conta seus vinte anos naquela fábrica e lembra, com orgulho, que no começo eram ele, os dois patrões e mais um trabalhador que não se lembra o nome, mas que já não trabalha mais lá.
Agora, os patrões pouco aparecem, mas Wesley segue batendo ponto de mais de doze horas por dia, conhecendo cada ruído da engrenagem como quem conhece parente próximo. Enquanto isso, seu filho, que ainda tem 14 anos no plano de fundo do celular, última foto que tirou sorrindo ao lado do pai, completa 22 anos e aluga um sobrado em Ferraz de Vasconcelos pra morar mais perto da mãe.
O encarregado transmite as metas como quem fala do tempo: algo que sempre chega, mesmo que ninguém convide. No intervalo, seu almoço cabe num pote comum, desses que não distinguem cargo nem cansaço. Mas logo o sinal toca, e cada um volta a vestir o papel que paga as contas
Naquele dia, a chuva veio forte demais para ser ignorada. O telhado antigo respondeu com goteiras decididas, e o vento sacudiu os fios como quem testa os limites, até que um deles partiu e a energia acabou.
As máquinas, acostumadas a mandar no ritmo da respiração, ficaram mudas. Um silêncio novo ocupou o galpão, tão inesperado que ninguém soube logo o que fazer com ele. Algumas riram, outras apenas alongaram os dedos como quem redescobre que o corpo existe para além da produção.
Sem o barulho constante, ouviram-se coisas diferentes: histórias começadas e nunca terminadas, queixas ditas em tom mais baixo, receitas, lembranças de outros trabalhos, planos que sempre ficam para depois do cansaço.
Uma comentou que o filho queria ser engenheiro. Outra respondeu que bastava ser feliz, que já era profissão difícil. Ali, paradas por algo que vinha de fora, perceberam algo que sempre esteve dentro: quando as máquinas param, o mundo não acaba. O tecido espera. A meta espera. O prazo aprende paciência à força.
Uma brincou que a chuva tinha feito greve sem avisar o sindicato. Riram, mas não totalmente de brincadeira. Por alguns minutos, sentiram o peso e a leveza de um mesmo pensamento: se a falta de energia conseguia parar tudo, quantas histórias cabem dentro da decisão de simplesmente cruzar os braços e não apertar o botão?
A luz voltou, como sempre volta. As máquinas despertaram obedientes, retomando o compasso que paga o aluguel. Mas algo tinha mudado de lugar, como uma linha que desliza quase invisível pelo avesso do tecido.
Desde então, quando uma cobre o horário da outra ou divide o café escondido na ponta do estoque, existe um entendimento novo que não precisa ser dito. Elas sabem a força que move a fábrica. Nas suas mãos que, juntas, produzem — também seria possível fazer tudo parar. Nesse dia foi a chuva, quem sabe o que guarda os outros dias.
A educação no Brasil enfrenta um momento muito difícil. Com os cortes nas verbas e um projeto de sucateamento e privatização rondando em vários estados, a Paraíba também tem passado por essas dificuldades.
Lohan Nóbrega e Mateus Felipe | Paraíba
EDUCAÇÃO- Diversas escolas de Cabedelo, cidade localizada na Região Metropolitana de João Pessoa, tiveram o início do ano letivo atrasado, devido ao descaso e negligência por parte da Secretaria de Educação do Município (Seduc) e da Prefeitura, uma realidade que, infelizmente, já se tornou comum e recorrente na cidade. A maior parte dos alunos só puderam voltar a estudar no início de março, o principal motivo foi a falta de infraestrutura das escolas para receber os estudantes durante o período de chuvas. Pense na dificuldade de assistir às aulas em um local afetado por infiltrações e alagamentos, com pedaços do teto da sala de aula caindo enquanto os alunos deveriam estar estudando.
E mesmo após o retorno às aulas o relato dos estudantes é assustador, banheiros descritos como caóticos tinham chão molhado, falta de sabonete, torneiras quebradas e portas sem trancas, comprometendo higiene e privacidade. Paredes descascadas com mofo, ventiladores sujos acumulando poeira, causando crises alérgicas, além de climatizadores quebrados. Além disso, não há televisão para apoio pedagógico, e a quadra esportiva possuí estruturas metálicas danificadas, oferecendo risco de infecção e acidentes.
Relatos de alunos também apontam problemas graves na merenda escolar, com denúncias de entrega de bolo mofado na cantina e merendas de baixa qualidade, muitas vezes restritas a bolacha e iogurte diluído em água. Também foram registrados casos de arroz com sardinha contendo bichos e até larvas, situação que coloca em risco a saúde dos estudantes.
Sabemos que as repercussões vão além do atraso e suspensão das aulas. Mães são forçadas a pedir demissão de seus empregos para cuidar de seus filhos em casa. Alunos que enfrentam insegurança alimentar não podem contar com a escola como um local de acesso à alimentação. Por sua vez, os professores lidam com a precarização de seu trabalho, sem os aumentos salariais adequados e sem condições apropriadas para desempenhar suas funções.
Desmonte
O adiamento das aulas, portanto, não é um evento isolado, mas sim um reflexo de uma estrutura marcada pela negligência e pela ausência de compromisso com a educação pública e com as camadas mais vulneráveis da população.
Muitos alunos continuam sem qualquer previsão para o retorno das aulas. E, quando finalmente retornarem às suas instituições, a realidade pouco deve mudar e encontrarão a mesma infraestrutura precarizada, marcada por problemas estruturais que há anos não recebem a atenção necessária do governo municipal.
Luta
Diante desse cenário, a organização coletiva se torna urgente. É necessária a mobilização por uma educação que seja verdadeiramente planejada para os alunos, com dignidade, infraestrutura adequada e respeito à comunidade escolar.
Não se pode aceitar o desmantelamento da educação pela prefeitura, especialmente quando isso afeta direitos básicos da população. A educação não deve ser tratada como gasto a ser reduzido, mas sim como uma prioridade social. A comunidade escolar precisa ser escutada, respeitada e colocada no centro das decisões.
A origem desse problema não se limita a má gestão: é o próprio sistema capitalista que coloca o lucro acima da vida e transforma direitos em cortes orçamentários. Enquanto a educação pública é sucateada, recursos são direcionados para interesses que não atendem às necessidades da população.
Por isso, o chamado é claro: professores, estudantes e famílias que estão revoltados com essa realidade precisam se organizar. A luta não é apenas pelo retorno das aulas, mas por uma educação pública valorizada e acessível.
Junte-se a UJR! Pela educação pública, gratuita e de qualidade para os estudantes!
Uma reflexão sobre a militância das mulheres, as dificuldades e a importância para a construção das lutas no dia a dia por uma sociedade mais justa.
Evelyn Dionísio| Redação Pernambuco
CARTAS- A realidade da mulher trabalhadora brasileira faz com que mais de 50 horas semanais sejam dedicadas ao trabalho doméstico, ao cuidado e ainda o trabalho assalariado, com baixos salários e a precarização. Por isso, é tão difícil organizá-las para a transformação da sociedade quando seu tempo é disputado pela necessidade de sobreviver no sistema capitalista.
São as mulheres as mais interessadas na construção do socialismo, já que só ele será capaz de finalmente nos libertar da escravidão da casa e do capitalismo. Nisso, é dever dos comunistas ganhar todas as mulheres para a revolução socialista. No dia a dia, em diversos setores, nos deparamos com as dificuldades impostas por esse sistema apodrecido ao organizamos as mulheres.
Não podemos ignorar as possibilidades para assédios e hostilidades em razão do gênero que possam acontecer contra nossas companheiras no trabalho de base. Há de se perguntar e acompanhar quantas companheiras do nosso Partido já sofreram alguma violência ao convidar um filiado para plenária do socialismo, ao recrutar um “companheiro” ou ao tentar apresentar o jornal A Verdade nas ruas.
Além de enfrentar diariamente toda a violência imposta pelo capitalismo, podemos a encarar nas atividades rumo à Revolução. Portanto, devemos repudiar e denunciar toda forma de violência sofrida. Nossa luta é pelo fim dessas violências, por um sistema que não subjugue as mulheres.
Os camaradas devem se educar para reconhecer as dificuldades que as companheiras enfrentam, por isso a luta política deve ser contínua. Não as deixar na brigada sozinhas e garantir as condições materiais (passagem, creche, local acessível) para sua participação nas tarefas são algumas das orientações que devemos seguir.
Dentro do Partido não aceitaremos a exclusão das mulheres.
Quantas mulheres têm no coletivo? Quantas mulheres estão na lista de recrutamento? Quantas são impedidas de participar por causa do horário das reuniões, do local isolado, do perigo por ser mulher? Camaradas, não devemos encarar nossas companheiras como uma dificuldade. Devemos inseri-las nas atividades, as incentivar e garantir as condições para isso. Sem as mulheres, não há revolução. Então tratemos de não as afastar.
Mulher, se organize. Lute pelo socialismo e por uma sociedade verdadeiramente livre de toda forma de violência.
Continuamos com a série “A história oficial Versus as lutas do proletariado brasileiro”, aprofundando o debate sobre a memória das lutas passadas e os enfrentamentos dos oprimidos contras as elites. É um olhar para o passado do país sob a ótica do materialismo histórico e a luta de classes.
Natanael Sarmento| Redação Pernambuco
HISTÓRIA- (Parte 2)- A historiografia dominante aponta ordinariamente três fatores causais da perda de sustentação política e do consequente final do longo reinado de D. Pedro II, na Proclamação da República em 1889: fazendeiros, igreja católica e militares. Descontentes, cria-se uma oposição no seio do bloco dominante. Vamos aos fatos.
Dívida externa e farra com dinheiro público
No colapso econômico da crise do pacto colonial que levou à independência do Brasil em 1822, as classes dominantes da nova nação assumiram a fabulosa dívida da Metrópole Portugal com os bancos ingleses. Assim, a Inglaterra, maior potência do século XIX, avalizou a Independência brasileira. Londres assumia na prática a condição de nova metrópole do emergente “Império do Brasil” recém independente, porém, endividado.
Os banqueiros da Casa Rothschild investiam milhões de libras e lucravam no “mercado brasileiro”. Controlavam as empresas estratégicas de transportes ferroviários, marítimos, energéticos e outros serviços. A Corte perdulária e parasitária juntamente com a família limava a Fazenda Imperial que recorria aos banqueiros das “nações amigas”. A dívida crescia, mormente com gastos de guerra do Paraguai, do “genocídio Americano” como chama Eduardo Galeano. Guerra da Tríplice Aliança, Argentina, Brasil e Uruguai na destruição do Paraguai.
Após a Guerra do Paraguai o contingente Militar Imperial ocioso e numeroso esmerilava a Fazenda. Não bastasse o rombo, a casta de espada queria “reconhecimento”, leia-se, vantagens, patentes e melhores soldos. Modificados pelo espírito de corpo desenvolvido na guerra. As manifestações de insatisfação e insubordinação se tornaram públicas na imprensa, dirigidas ao “gabinete civil” de Ouro Preto e por extensão ao Imperador, numa clara quebra de hierarquia vez que a eles eram subordinados.
“Fé Cega, Faca amolada”
A chamada “questão religiosa” decorreu de contradições de autoridades – a quem se devia vassalagem e fidelidade, ao Estado Imperial ou à Igreja Católica. A Constituição de 1824 determinava a religião católica oficial e pelo regime do padroado a igreja subordinava-se ao “beneplácito” do Imperador. Arranjo político de troca de favores e compensações materiais e privilégios. Sucedeu que em 1864 o Papa Pio IX publicou a Bula “Syllabus Errorum” proibindo a maçonaria na igreja. E o Conselho Imperial de Pedro II era quase uma loja maçônica. Pedro II negou o beneplácito à Bula papal. Alguns bispos decidiram seguir a ordem Papal, perseguiram e excomungaram os maçons. A tensão igreja e estado eleva-se.
Fazendeiros escravocratas
Mas a questão da dissidência dos cafeicultores deve-se a libertação dos escravos em 1888. Os escravagistas tinham os escravos como propriedade e exigiam a indenização pela perda da “propriedade”. Registre-se que os negros escravizados não receberam indenizações pelos séculos de trabalho forçado. Nem compensações com glebas de terras para cultivar. A classe escravocrata não desistiu da indenização inclusive depois da proclamação da República. Não foram pagos porque houve a queima e destruição dos arquivos com os registros de compra e venda à ordem do ministro da fazenda da República. Rui Barbosa, em 1891 nessa queima de arquivos resolveu o problema da Fazenda e criou dificuldades documentais da história da escravidão no Brasil.
Crise capitalista
O capitalismo no final do século XIX conhece a primeira grande depressão econômica mundial. E mais ainda, a economia brasileira, dependente e agraria. Produção fundamentalmente voltada ao mercado externo comprador de produtos primários brasileiros: açúcar, café, algodão, couro, minérios e outros. A crise agravou e adquiriu feições dramáticas com a seca no Nordeste brasileiro.
Nas crises, as contradições do bloco dominante geram disputas e tensões pois nos andares superiores ninguém quer perder. Aparecem demandas frustradas e dissenções, nas oligarquias agrárias, castas militares e clero católico. Enfraquecem a base política de sustentação da monarquia. Abrem caminho da “via prussiana” do golpe republicano pelo alto. Sem participação popular. Nas palavras do jornalista Aristides Lobo “o povo assistia bestificado ao desfile da tropa no Campo de Marte”. O Marechal Deodoro da Fonseca, liderou a tropa na deposição do Gabinete Ouro Preto. De uma tacada caía o gabinete e própria monarquia implantando-se a república.
Na busca de legitimação os golpistas vencedores criaram a narrativa de que a República era anseio nacional. Mas os republicanos eram inexpressivos, intelectuais e militares, alguns representantes das “classes produtoras”. Na versão fantasiada os militares expressaram o desejo nacional e levados pelos altos ideias do positivismo da “ordem e progresso” fundaram a República Federativa movidos por sentimentos libertários idênticos dos federalistas dos Estados Unidos.
Com essa pílula dourada explicam a dissidência oligárquica e a formação do Partido Republicano. Uma ova! A elite escravista nunca foi republicana. Nem antes, nem depois da Proclamação da República. Defendiam interesses classistas, ou montavam no cavalo selado que passava na porta como o próprio Marechal Deodoro, monarquista até às vésperas, que acordou republicano para liderar o golpe. Assim o fundador da República foi um Marechal do Império, comensal e amigo do Imperador, íntimo dos banquetes e festins da Casa Real. Levantou da cama para desfilar com a tropa e tornar o primeiro Presidente da “República” com o golpe do 15 de novembro de 1889.
Canudos: organização e resistência popular
Desde as Capitanias Hereditárias e ocupação territorial do Brasil na exploração colonial a produção econômica agrária se faz com base em latifúndios e exploração de mão-de-obra – indígena, escrava e “livre” nas precárias condições análogas à escravidão. 1% dos latifundiários concentra 47% das terras agrícolas. A exploração das riquezas do solo, o extrativismo predador, a devastação das florestas, grilagem e usurpação de terras mudam as técnicas e conservam os objetivos essenciais. Grandes propriedades em poucas mãos, muitas mãos trabalhadoras, sem terras. A epopeia da luta camponesa de Canudos é a história da luta de classes do passado e do presente.
Monarquia ou República, toda superestrutura, leis, juízes, tribunais, policias, igreja, imprensa e Estado expressavam, essencialmente, os interesses das classes proprietárias dos meios de produção e controladoras da circulação de mercadorias, da oligarquia, burguesia abastada, banqueiros, latifundiários, comerciantes, industriais e altos serviçais apaniguados. O Estado e todo seu aparato repressivo e ideológico a serviço desses exploradores contra a maioria do povo brasileiro, explorado.
Para pobres das cidades e campos o Estado é o comitê dos negócios da burguesia, o martelo repressor pesado do aparato policial-militar ao longo de toda história. Canudos é exemplo icônico.
Os primeiros assentamentos das terras da fazenda Belo Monte depois conhecido como Arraial de Canudos ocorrem em 1893. No extremo Norte da Bahia, proximidades do rio Vaza-Barris. A comunidade ali formada chegou a contar mais de 20 mil pessoas. Autogerida. Sem patrões, coronéis ou capitães-do-mato. Ajuntamento de pobres do campo, desterrados.
A imprensa burguesa a eles se referiam como “místicos fanáticos”, “jagunços ameaçadores”, apóstatas, etc. Por que a comunidade de Canudos atraía milhares de famílias pobres? O projeto social místico-religioso do Antônio Conselheiro arrastava multidões nas peregrinações, pelo Sertão. Tocava nas necessidades objetivas imediatas, na alternativa real de superação à precariedade da vida. Alento de esperança. No que tenha o prosélito do Conselheiro de misticismo, ele expressava a luta de classes de camponeses pobres contra ricos fazendeiros e o estado burguês. E enfrentou heroicamente, de forma épica, uma guerra desigual contra os inimigos do povo.
Canudos estabeleceu uma sociedade comunal baseada no trabalho social e produziu além da subsistência. Comercializou excedentes. Proibia-se o uso de bebidas alcóolicas. Infratores e criminosos com raros registros, eram banidos da comunidade. Nos costumes a liberdade sexual para casar e descasar, livremente. No uso e fruição da propriedade pelos próprios produtores, sem a intermediação dos mercadores ou a exploração dos patrões, sem os chicotes dos coronéis. Um exemplo de vida comunal que não podia subsistir no sistema de dominação burguês.
A quem servia as doutrinas religiosas?
A “religiosidade” das classes dominantes pregava o conformismo. “Deus sabe o que faz, dá o frio, conforme o cobertor”, “o Imperador é rei pela Sua Graça de Deus”. A felicidade dos pobres ficava para depois da morte, do Juízo Final, na vida eterna do reino do Céu.
O proselitismo místico do Conselheiro mesclava catolicismo primitivo com messianismo. Dizia que a seca e a fome são coisas do Diabo. A salvação do povo de Deus passava pela derrota do Diabo. Os filhos de Deus deviam buscar a felicidade e fartura nesta Terra criada por Ele na Terra da Promessa (Canudos) onde o Sertão seco se alegraria. “O Sertão vai virar mar”.
Essa religiosidade sincrética dos sertanejos expressava o nível e a “forma da consciência” histórica das massas camponesas. E refletia as contradições e luta de classes, na contraposição ao “status quo”. Antônio Conselheiro, místico, profeta, asceta, fanático o que seja, encarnou o papel de mensageiro de Deus na guerra contra o Diabo que matava os camponeses pobres de fome na seca. Nessa leitura teológica organizou uma cultura religiosa distinta, voltada para as massas camponesas, para a satisfação espiritual e material de suas necessidades.
O Conselheiro pregava que todas as privações e intempéries – secas, fome vinham da parte do Satanás. E clamava ao povo sofrido a buscar salvação numa terra onde pudessem plantar, colher e orar, enfim, contrariar e derrotar o Demônio. A doutrina, embora primária era acolhida pelos romeiros e “flagelados” e ganhavam força social como crítica na prática quando desafia o “status quo” dominante e se estabelece na realidade em Canudos, abrindo caminho de esperança e de mudança para milhares de miseráveis da seca.
Tal teologia foi duramente atacada. Bastante prejudicial para os interesses do “bloco dominante” – clero e fazendeiros. Os latifundiários viam escassear a mão-de-obra camponesa que afluía ao arruado de Canudos. O clero oficial papista porque via o seu rebanho encolher.
“A matadeira vem chegando” . . .
Entre 1897 e 1897 o Arraial de Canudos foi atacado, bombardeado, incendiado e devastado pelo Exército. Contrariava interesses de ricos fazendeiros e do clero e por isso foi destruída. Não foi dizimada pela simples razão de reunir sertanejos místicos e fanáticos nos grotões do Nordeste, liderados por um asceta messiânico e sem juízo. Esta é a versão conveniente das classes dominantes.
Milhares de pobres camponeses se apossaram de terras abandonadas e tocavam a vida com liberdade, produziam e prosperavam. Essa era a ameaça para os poderosos exploradores e opressores do povo. Devia ser destruída.
Os habitantes de Canudos lutaram bravamente, mulheres e crianças, na épica resistência de camponeses com suas armas precárias que enfrentaram cinco ataques do Exército brasileiro. Venceu 4 tentativas de invasão, impondo retiradas humilhantes ao Exército. Apesar da superioridade de treinamento e armas, os sertanejos venceram pela convicção firme de quem luta pelo direito à vida e à liberdade.
A cidade – maior que algumas capitais da época- foi devastada, incendiada na quarta e última campanha militar que mobilizou 20 mil soldados do RJ, PE, RN, SP, BH, CE, MA, PA, RS, PI, 20 batalhões sob comando de 4 Generais com seus Estados Maiores. A Cartago Sertaneja é destruída em 1897 e dela restaram os escombros, cinzas e o sangue do povo. Milhares de mortos nas ruas e casas. A grande façanha do Exército brasileiro com seus canhões e metralhadoras contra o povo. Mereciam a denominação de “centuriões do Inferno” dada pelas suas vítimas.
Neste genocídio que a historiografia oficial chama de “Guerra de Canudos” estima-se 25 mil mortes, 5 mil militares: “Os homens mortos, os feridos, são executados na ordem de não fazer prisioneiros. As mulheres e as crianças são sequestradas como esbulhos de guerra e distribuídos entre os saqueadores: “[…] jaguncinhas de belos cabelos loiros e olhos azuis, levadas pelos oficiais” publicou o Jornal de Notícias do estado de São Paulo do qual Euclides da Cunha, do livro Os Sertões, foi o correspondente de “guerra”. A “heroica página militar”, tão propagada mentira histórica, junta-se com outras ao longo de nossa história. Igual as outras, foi escrita com sangue.
Segundo a Oxfam, os dez homens mais ricos do mundo têm uma riqueza maior que a metade mais pobre da população, ou seja, mais de quatro bilhões de pessoas. Somente no último ano, a fortuna desses magnatas cresceu US$ 4 trilhões, valor capaz de acabar com a pobreza no mundo 50 vezes!
Heron Barroso| Redação
EDITORIAL- A revista Forbes divulgou, no último dia 10 de março, a lista anual dos homens mais ricos do mundo. Ao todo, 3.425 bilionários concentram, juntos, uma riqueza de 20,1 trilhões de dólares (cerca de R$ 103 trilhões). Em termos de comparação, em 2025, o Produto Interno Bruto do Brasil – a soma de tudo que foi produzido em serviços e bens finais durante o ano em nosso país – foi de R$ 12,7 trilhões, ou seja, oito vezes menos.
No topo da lista de bilionários está Elon Musk, dono da SpaceX e do X (antigo Twitter), com US$ 839 bilhões. Em apenas um ano, Musk viu sua fortuna crescer US$ 497 bilhões graças à especulação financeira e aos muitos bilhões de dólares investidos pelo governo dos EUA em suas empresas. De fato, ele e o ditador Donald Trump são amigos de longa data e, além de comungarem a admiração por Hitler, também costumava ser vistos frequentando as festas promovidas por outro bilionário, Jeffrey Epstein, onde meninas menores de idade eram escravizadas e violentadas sexualmente.
Elon Musk é seguido na lista por Larry Page, dono do Google (US$ 257 bilhões), Sergey Brin, também do Google (US$ 237 bilhões), Jeff Bezos, da Amazon (US$ 224 bilhões), e Mark Zuckerberg, da Meta (US$ 222 bilhões). Todos esses bilionários são ligados às chamadas “big techs”, empresas de tecnologia que atualmente concentram em suas mãos um poder maior do que qualquer outro grande monopólio capitalista. Juntos, eles controlam e manipulam todas as comunicações, notícias e informações que a população recebe, bem como os dados pessoais e mensagens enviadas pelos usuários, além de manterem uma estreita colaboração com os serviços de inteligência dos EUA. É por isso que são tão ricos.
Os Estados Unidos, aliás, são o país que concentra o maior número de super-ricos (989). O segundo país não é nem a Alemanha, nem o Japão ou a Inglaterra, mas a China, que possui 610 bilionários. Cá entre nós, será que essa pouca-vergonha não constrange os senhores influencers defensores do chamado “socialismo com características chinesas”? Como eles justificam essa escandalosa contradição? Fica a dúvida.
Na lista da Forbes constam ainda 70 brasileiros, encabeçados por Eduardo Saverin, cofundador do Facebook, com uma fortuna de US$ 36 bilhões, seguido por André Esteves, do BTG Pactual (US$ 20 bilhões) e Jorge Paulo Lemann, da 3G Capital (US$ 20 bilhões).
Esses bilionários vivem em mansões, possuem iates, jatinhos e até ilhas particulares, mas nunca derramaram uma única gota de suor trabalhando. São verdadeiros parasitas sociais, que exploram a classe trabalhadora e ficam mais ricos quanto maior for a miséria existente no planeta.
A causa da miséria
De fato, à medida que o modo de produção capitalista se mantém, aumentam a concentração de riqueza e a desigualdade entre ricos e pobres.
Segundo a Oxfam, os dez homens mais ricos do mundo possuem uma riqueza maior que a metade mais pobre da humanidade, ou seja, mais de quatro bilhões de pessoas. Somente no último ano, a fortuna desses magnatas cresceu US$ 4 trilhões, o suficiente para acabar com a pobreza extrema no mundo 50 vezes!
A relação direta entre riqueza e pobreza foi explicada assim por Karl Marx, em O Capital:
“A acumulação da riqueza num polo (a burguesia) é, ao mesmo tempo, a acumulação de miséria, tormento, escravidão, ignorância, brutalização e degradação moral no polo oposto, isto é, do lado da classe que produz seu próprio produto como capital (os operários)”.
Dito de outra forma, o aumento da riqueza dos bilionários não é uma prova que a economia está avançando, mas o contrário, pois quanto maior for a quantidade de ricos no mundo, maior será o número de pessoas amargando uma vida de sofrimento. É evidente que um sistema desse não pode mais continuar existindo!
E foi Marx quem primeiro revelou a verdadeira causa da miséria dos trabalhadores na sociedade capitalista. Segundo ele, o lucro dos patrões vem do trabalho não-pago aos operários, isto é, da mais-valia que produzem. Mais-valia é o nome dado ao valor criado pelo trabalho do trabalhador assalariado acima do valor de sua força de trabalho e do qual o capitalista, por ser dono dos meios de produção, se apropria gratuitamente.
Para aumentar a mais-valia, os patrões estão sempre procurando novas formas de explorar os trabalhadores: aprovam leis retirando direitos trabalhistas, precarizam as relações de trabalho, aumentam a jornada e diminuem os salários. Além disso, na atual fase imperialista do capitalismo grande parte da riqueza da burguesia não vem da produção de mercadorias ou do comércio, mas da especulação financeira.
Pois bem, já que a propriedade privada dos meios de produção é a fonte da riqueza da burguesia, para acabar com as desigualdades sociais e a pobreza da maioria do povo é preciso transformar as fábricas, máquinas, matérias-primas, terras, bancos, etc., em propriedade social e estabelecer o controle dos trabalhadores sobre a economia.
Riqueza para que trabalham
Para que a classe trabalhadora possa pôr fim à vida boa dos bilionários é preciso derrubar o capitalismo e construir em seu lugar o socialismo.
O socialismo é a sociedade dos trabalhadores. Nela, não existem patrões, nem exploração. O fruto do trabalho de todos será repartido conforme a participação de cada um na produção e servirá para promover o bem-estar de toda a sociedade. A riqueza da classe rica será distribuída, e eles, para sobreviver, precisão, pela primeira vez na vida, ganhar o pão com o suor do próprio trabalho.
Por isso, a classe operária e todos os oprimidos, se não quiserem continuar sendo escravizados pela burguesia, precisam lutar e se organizar no Partido Comunista Revolucionário para fazer uma revolução e acabar com a mordomia desses bilionários.
Matéria publicada na edição impressa N° 330 do jornal A Verdade
Apesar de os EUA terem o maior arsenal militar do mundo e atacar sistematicamente os povos explorados, a resistência contra o imperialismo estadunidense se faz, mais uma vez, presente. O povo iraniano é prova disso.
Felipe Annunziata
REDAÇÃO
INTERNACIONAL- Completadas duas semanas da agressão militar imperialista dos EUA e de Israel contra o Irã, a resistência no país continua inabalável. Sob a fumaça criada pelos intensos bombardeios imperialistas nas grandes cidades, a população se mobiliza diariamente para garantir a defesa do país.
Logo nos primeiros ataques, EUA e Israel deixaram claro o objetivo de roubar as riquezas iranianas e massacrar a população. O ataque à escola feminina na cidade de Minab, no sul do país, ampliou a indignação do povo. Desde o início da guerra, mais de 1.300 civis foram mortos e pelo menos 65 escolas, 32 centros de saúde e 5.500 casas foram atingidas pelas armas do imperialismo, de acordo com o Crescente Vermelho (organização ligada à Cruz Vermelha).
Em entrevista à agência iraniana Mers, a mãe do menino Mikaeil Mirdoraghi relatou como foi a última noite antes do bombardeio que assassinou a criança de apenas nove anos em Minab. “Eu tinha preparado o jantar, e ele estava comendo. Ele disse: Sua comida é deliciosa. Eu perguntei: Por que você está dizendo isso? – já que ele não costumava falar assim. Mas, naquela noite, ele ficou elogiando”, relatou. Na manhã do ataque, Mikaeil pediu para ser fotografado se despedindo.
A força do povo iraniano
Apesar da brutalidade dos ataques, os militares e o povo têm conseguido revidar com força. Até o fechamento desta edição, o Irã conseguiu atacar e destruir total ou parcialmente 17 bases dos EUA no Oriente Médio. Os mísseis e drones iranianos também atingiram a defesa aérea e causaram grande destruição em centros de comando e estruturas militares em Israel.
Além dos bombardeios em resposta à agressão sofrida, as forças iranianas realizaram o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passam 20% de todo o petróleo produzido no mundo. O local é estratégico também para comércio mundial de gás natural, fertilizantes e de mercadorias que abastecem os países que margeiam o Golfo Pérsico. O fechamento do estreito, além de causar um prejuízo enorme aos monopólios imperialistas, garante a proteção do litoral do Irã e dificulta uma possível invasão de tropas estadunidenses e israelenses.
Ameaça nuclear
Diante da impossibilidade de derrotar a mobilização iraniana, a coalizão dos EUA com Israel considera várias opções para massacrar e exterminar o povo iraniano. Pelas redes digitais, o presidente fascista dos EUA Donald Trump ameaça diariamente o país. Algumas ameaças apontam a possibilidade de se lançar, inclusive, bombas nucleares.
“Se o Irã fizer qualquer coisa que interrompa o fluxo de petróleo no Estreito de Ormuz, os Estados Unidos da América o atingirão VINTE VEZES MAIS FORTEMENTE [grifo de Trump] do que já o atingiram até agora. Nós neutralizaremos alvos facilmente destrutíveis que tornarão quase impossível para o Irã se reconstruir como nação”, afirmou.
Resistência no Oriente Médio
Ainda que causando grande destruição, a coalizão imperialista não conseguiu dobrar o Irã e está vendo seu domínio no Oriente Médio ser seriamente ameaçado. Ao esforço iraniano se juntaram também milícias populares iraquianas e a resistência liderada pelo partido libanês islâmico Hezbollah. Nas últimas décadas, o regime teocrático iraniano construiu uma aliança com esses grupos na tentativa de conter o projeto de dominação imperialista de Israel e EUA na região.
Nos países árabes em que se localizam as bases estadunidenses já há sinais de revolta da população contra a presença dos EUA no Oriente Médio. No Bahrein, pequeno país do Golfo Pérsico, a população tem realizado manifestações contrárias à existência da base naval que sedia a 5ª Frota dos EUA. No Iraque e na Turquia se ampliaram os protestos contra as bases dos EUA e da Otan nestes países.
O imperialismo não é invencível
Até o início deste mês, a propaganda sionista pregava que Israel tinha um exército invencível, que conseguiu matar todos os líderes das forças de resistência palestinas e libanesas. Com o assassinato do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, essa propaganda se ampliou ainda mais.
No entanto, a cada dia que passa, o discurso imperialista se mostra mais mentiroso. No Líbano e no norte de Israel, o Hezbollah tem resistido à invasão terrestre sionista e está causando enormes baixas no exército israelense. As milícias iraquianas têm conduzido ataques diários às bases de ocupação dos EUA, criadas após a invasão do Iraque, em 2003.
A resistência desses povos já começa a mostrar resultados. O governo da Itália anunciou, no último dia 12 de março, a retirada de todas as suas tropas de ocupação do Iraque. Outros países europeus têm sido pressionados por manifestações a fazerem o mesmo, como é o caso da França e da Inglaterra.
Não é de hoje que o Irã (antes conhecido como Pérsia) é alvo de invasões de potências imperialistas. Durante a segunda metade do século 19, o imperialismo inglês e a Rússia czarista disputavam o domínio do país e chegaram a anexar e colonizar partes do Irã.
Em 1953, a Inglaterra e os EUA, através da CIA, organizaram um golpe de Estado para derrubar o primeiro-ministro progressista Mohammed Mossadegh, que realizou um governo que nacionalizou as principais riquezas do país, o gás e o petróleo. Depois deste golpe, o Irã foi submetido a uma ditadura de 26 anos liderada pelo Xá (rei) Reza Pahlavi, que prendeu, torturou e assassinou quem se opunha ao seu regime, que entregou as riquezas do país para ingleses e estadunidense enquanto recebia milhões de dólares para ter uma vida de marajá na Europa.
Esta situação mudou com a chamada Revolução Islâmica de 1979, que instituiu a atual teocracia do Irã. Apesar de ser um regime reacionário, foi obrigado a constituir um princípio nacionalista e anti-imperialista para legitimar seu poder.
Desde aquela época até hoje, os iranianos desenvolveram uma consciência de que não aceitarão se tornar colônia de uma potência estrangeira novamente. A verdade é que, apesar de os EUA terem o maior arsenal militar do mundo e atacar sistematicamente os povos explorados, nos últimos 70 anos eles têm sido derrotados, como demonstram as guerras na Coreia, Vietnã, Afeganistão e Iraque. Mais uma vez, o Irã e, antes dele, a Palestina, mostram que é impossível o imperialismo vencer um povo determinado a resistir.
Matéria publicada na edição impressa N° 330 do jornal A Verdade
Lutando contra a privatização da linha 10 da CPTM, militantes da UP e do MLC iniciaram a exposição “Se eu perder esse trem…” na estação Celso Daniel em Santo André, no ABC paulista. A exposição conta a história da linha 10 e mobiliza trabalhadores para lutar contra o governo de Tarcísio (Republicanos), maior responsável pelas privatizações
Caue Balbino e Lucas de Carvalho | Santo André (SP)
Trabalhador Unido – “Privatizar” significa transferir algo construído pelo povo, financiado pelo estado, para a mão de empresários. Recursos que normalmente seriam revertidos em mais serviços para todos, vão para a mão de meia dúzia de ricaços, que se utilizam deste para enriquecerem ainda mais.
Privatizações em São Paulo
De acordo com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social(BNDES), foram realizadas 99 privatizações no período entre 1990 e 2015, apenas no âmbito federal.
Em São Paulo, o governo do fascista Tarcisio de Freitas (Republicanos) foi o principal culpado pela venda de direitos do povo para os empresários e acionistas.
Os principais casos são o da SABESP, vendida em 2023 depois de muita repressão aos trabalhadores que se manifestaram contra a venda da água de São Paulo e o da CPTM que, além de piorar a qualidade do serviço oferecido, tem representado um sério risco à integridade do trabalhador, uma vez que somente no primeiro ano de operação 166 falhas foram registradas nos trens privatizados
O ápice da situação precária foi quando Lourivaldo Nepomuceno ficou preso entre as portas do trem e a plataforma em Campo Limpo, na linha 5 Lilás. Como o trem privatizado é operado remotamente e não por um maquinista, o trabalhador foi arrastado e acabou perdendo a vida.
A exposição “se eu perder esse trem”
Nesse cenário, há meses os militantes da Unidade Popular pelo Socialismo (UP) e do Movimento Luta de Classes (MLC) têm feito panfletagem e brigadas do Jornal a Verdade junto aos ferroviários da CPTM, organizando a categoria para a luta.
Mais recentemente, a UP e seus movimentos criaram a exposição artística “Se Eu Perder Este Trem…”. A exposição, feita em frente a estação Celso Daniel, em Santo André no ABC paulista, tem como objetivo expressar a recusa da população com a privatização da Linha 10, contar a história da linha e conscientizar a classe trabalhadora sobre as tragédias da privatização.
Artistas denunciam privatizações do governador Tarcisio (Republicanos). Artista: Lilo @dynovu
Na primeira edição da exposição, os artistas pintavam ali mesmo, posicionados com suas telas na calçada, obras sobre a história da linha e as dificuldades de se enfrentar diariamente um transporte privatizado.
Além disso eram realizadas agitações denunciando a privatização e divulgado um abaixo-assinado contra a concessão da linha. As obras eram expostas em um varal iluminado em plena estação
Na segunda edição, um outro varal expunha retratos de Adoniran Barbosa e figuras revolucionárias (como Che Guevara, Angela Davis, Olga Benário, entre outros) pintadas em páginas de edições antigas do Jornal A Verdade. Ao mesmo tempo, uma caixa de som alternava músicas relacionadas a história da Linha 10, como “Trem das Onze”, de Adoniram Barbosa.
A exposição mensal logo cresceu nos olhos da população, que viu ali a oportunidade de se organizar: o evento contou com várias novas filiações à UP e ao MLC. O sucesso foi tanto que, mesmo após a exposição, o artista segue recebendo pedidos para enviar as artes para a casa dos trabalhadores.
Uma professora que passou pela exposição relatou: “Achei criativa a presença deles. Como estava esperando carona, fiquei vendo, tocaram várias músicas MPB que falam de trem. Achei super legal. E os desenhos em cima do jornal, ‘mara’!”.
Como fruto dessas ações, se formaram núcleos de ferroviários no MLC organizados para a luta. É preciso trabalhar pela organização de uma greve histórica contra as privatizações do governador fascista de São Paulo e entregue o trem e o metrô para as mãos do povo trabalhador.
Graças à Assembleia Legislativa (Alerj) e do Governo Cláudio Castro, o Rio de Janeiro é o único estado que não cumpriu os critérios do Fundeb.
Sara Melissa | Vice-presidente da AERJ
JUVENTUDE – No Rio de Janeiro, o início do ano letivo nas escolas está sendo marcado pela redução do orçamento, falta de estrutura e ataques à educação. Os culpados disso são o governador Cláudio Castro (PL) e os deputados da direita.
Graças à irresponsabilidade da Assembleia Legislativa (Alerj) e de Cláudio Castro, o Rio de Janeiro é o único estado que não cumpriu os critérios do Fundeb, principal mecanismo de financiamento da educação pública no Brasil.
Por causa disso, a educação perdeu um investimento estimado em R$ 117 milhões. Para arrecadar o recurso, uma lei deveria ter sido aprovada dentro do prazo de dois anos, mas, passados mais de cinco anos, a votação não aconteceu. Para eles, a educação não cabe na pauta. Quem mais perdeu investimento foi a rede municipal.
Por um lado, são centenas de escolas sem climatização, estrutura e segurança. Do outro lado, o Governo responde com mais descaso. Mesmo com o estado batendo recordes de arrecadação financeira, a prioridade ainda é investir na guerra aos pobres, com operações policiais e esquemas de desvio de dinheiro.
Aprovação automática
O escândalo continua! No final de 2025, através de um decreto, Cláudio Castro e a Secretaria de Educação (Seeduc-RJ) implementaram, sem nenhuma consulta, um programa de aprovação automática. Agora, estudantes podem ser reprovados em até seis matérias e ficar de “dependência” no ano seguinte.
Eles querem maquiar os dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) do estado. O Rio de Janeiro ocupa a penúltima colocação entre as redes de todo país. Ao invés de resolver os problemas, preferem fingir que não existem!
Nenhum novo investimento será feito para reformar escolas que abrirão novas turmas de dependência em 2026. Para piorar, chantageiam os professores com “metas de desempenho” de aprovação de 95%. Caso atingida, os profissionais podem ganhar uma bonificação de até R$ 3 mil. A Seeduc aproveita dos baixos salários para assediar os professores.
Julia, estudante do CIEP Brasil-China, em Duque de Caxias, relata a falta de reformas e abandono. “O quadro branco da minha sala abriu um buraco e não é possível mais escrever. Nem todos os banheiros conseguimos usar, o do primeiro andar tem duas pias e nenhuma torneira. Às vezes, parece que meu colégio foi abandonado”, afirma.
A volta às aulas foi marcada pelo rompimento de grandes tubulações da empresa privatizada Águas do Rio. Alunos da rede estadual contam que a única solução dada à falta de água é o encerramento das atividades. “Estamos tendo pouco mais de uma hora de aula por dia, sendo liberados cedo. Algumas unidades não têm estrutura para nos receber. Mais uma vez, todo ano falta alguma coisa”, relata outra estudante.
Matéria publicada na edição impressao nº 329 do jornal A Verdade
Para tratar sobre o movimento estudantil e a situação das escolas públicas no Brasil, o jornal A Verdade entrevistou a estudante Yasmin Farias, militante da União da Juventude Rebelião (UJR) e diretora da Associação dos Estudantes Secundaristas do Estado do Rio de Janeiro (Aerj) e candidata à presidência da União Brasileira de Estudantes Secundaristas (Ubes).
A Verdade – Fazer movimento estudantil significa, para muitos jovens, o primeiro passo para lutar pelos interesses coletivos. Como você enxerga isso?
Yasmin Farias – Os problemas que marcam a educação e as dificuldades enfrentadas pelos jovens hoje não são questões individuais. Não se trata simplesmente de “falta de esforço” ou de “falta de mérito”. Objetivamente, estamos numa realidade em que milhões de estudantes frequentam escolas em que não há professores para todas as disciplinas, em que muitos residem em áreas de conflitos armados entre facções, milícia e polícia.
Vejamos, por exemplo, a falta de vagas no ensino superior. Para podermos entrar numa universidade pública, não basta tirar uma boa nota. É preciso tirar uma nota maior do que a dos outros. Mesmo que todos estudantes forem muito bem na prova do Enem, se o número de vagas continuar o mesmo, a maioria dos inscritos não conseguirá uma vaga. Em 2025, foram quase 5 milhões de inscritos disputando 275 mil vagas.
Acreditamos na luta coletiva porque foi assim que todos os direitos estudantis que temos hoje foram conquistados. Temos que correr atrás, conquistar através da organização, das manifestações, da pressão sobre os governos. Hoje, em algumas escolas, encontramos merenda de qualidade, ar-condicionado nas salas e quadras esportivas. Na maioria dos casos, por trás disso há uma manifestação, um abaixo-assinado ou outra forma de reivindicação dos estudantes.
Em diversas edições, o jornal A Verdade tem denunciado a situação das escolas públicas no Brasil. O que os estudantes encontram do portão para dentro?
Diversos problemas são comuns em todo o país. Os principais são a falta de professores em diversas disciplinas, laboratórios abandonados por falta de equipamentos, bibliotecas fechadas, quadras poliesportivas sem cobertura para o sol e a chuva, a merenda ruim e não nutritiva (o famoso suco aguado com biscoito murcho). Os banheiros, muitas vezes, não têm portas, sabonete ou papel higiênico.
O que acontece nas nossas escolas hoje é um projeto político de desmonte da educação. Enquanto faltam investimentos na educação básica, vemos bilhões de reais sendo destinados a bancos, grandes empresas e privilégios políticos. Isso mostra quais são as prioridades de quem está no poder. Não é falta de dinheiro ou incompetência, é escolha.
É nesse cenário que você se apresenta como candidata à presidência da Ubes. Qual é o objetivo dessa candidatura?
Primeiro, importante registrar que a Juventude Rebelião e o Movimento Rebele-se defendem que só mudar a educação não é suficiente. Os jovens sempre foram uma importante força transformadora da sociedade e, por isso, defendemos a necessidade de acabar com o capitalismo e construir uma sociedade socialista.
O socialismo inverte a lógica da sociedade: no lugar das guerras imperialistas, solidariedade entre os povos trabalhadores de todo mundo; no lugar do lucro exorbitante de meia dúzia de bilionários, condições dignas de vida para todos. As riquezas produzidas pelo conjunto dos trabalhadores de uma sociedade devem ser usufruídas pelos próprios trabalhadores, e não servir para enriquecer a burguesia.
Segundo, entendemos que o movimento estudantil no Brasil é muito rico em experiências de lutas e conquistas. Queremos que a principal entidade do movimento secundarista, a Ubes, expresse isso. Queremos que a entidade expresse a revolta, a indignação que encontramos entre os estudantes em cada escola que visitamos. Não aceitamos mais o trabalho burocrático que está impregnado na atual gestão, apagando o legado da entidade. Nossa proposta é a Ubes organizar a luta incansavelmente até que as escolas contem com tudo que os estudantes precisam para ter uma educação de qualidade.
O Movimento Rebele-se, do qual você faz parte, tem denunciado que o processo de eleição da Diretoria da Ubes é antidemocrático. Por que afirmam isso?
Há várias décadas, estão à frente da Ubes setores que chamamos de imobilistas. Eles atuam para se manter no controle da entidade, e não para organizar a luta pela educação. Por isso, esses grupos organizam diversas fraudes no processo eleitoral do Congresso. Credenciam grêmios estudantis que só existem no papel, fraudam documentos de identidades para que qualquer um possa votar como delegado no Congresso, mesmo sem ter sido eleito ou ser estudante secundarista.
Também manipulam o calendário eleitoral como podem para diminuir a participação democrática. Em várias escolas, o processo eleitoral foi anunciado às 10 horas do dia 23 de fevereiro, e as inscrições de chapa se encerraram no mesmo dia, poucas horas depois. Estudantes que estão de fato organizados, lutando por merenda de qualidade, passe-livre e estrutura nas escolas, muitas vezes enfrentam dificuldades para se credenciar.
Chamamos os estudantes secundaristas mais combativos a construir uma grande bancada de oposição ao imobilismo na Ubes para que a entidade, de fato, represente milhões de estudantes no Brasil!
Matéria publicada na edição impressao nº 329 do jornal A Verdade
Mulheres indígenas ocupam sede da Funai há 35 dias contra projeto de mineradora que quer destruir o Rio Xingu, no sudoeste do Pará.
Ronni Souza | Redação Pará
LUTA POPULAR – “Eu quero que a Belo Sun saia do nosso território!”, afirmou a liderança índigena Ngrenhkarati Xikrin em sua língua originária no último dia 20 de março, durante audiência com representantes da FUNAI, onde empunhou um facão similar ao facão que Tuíre Kayapó ergueu contra a hidrelétrica de Belo Monte, em 1989.
Há mais de um mês — desde 23 de fevereiro — mulheres indígenas ocupam a coordenação regional da FUNAI em Altamira, no Pará. A ação, que está sendo organizada pelo Movimento de Mulheres Indígenas do Médio Xingu, protesta contra a retomada do projeto de mineração de ouro na região da Volta Grande do Xingu, da empresa canadense Belo Sun. As ocupantes exigem a suspensão imediata da licença do empreendimento e a nomeação de um coordenador indígena para a regional da FUNAI, que está com o cargo vago desde 14 de fevereiro.
Mineradora quer destruir o rio e a floresta
A Volta Grande do Xingu é um trecho do rio Xingu, no sudoeste do Pará. Essa região já sofre com os profundos impactos da Usina Hidrelétrica de Belo Monte: redução da vazão, alteração no ciclo dos peixes e mudanças drásticas no modo de vida das comunidades ribeirinhas e indígenas.
O projeto da Belo Sun pretende instalar na região a maior mina de ouro a céu aberto do Brasil — projetada para a produção de cinco mil toneladas de ouro por ano — em uma região que já sofre intensos conflitos socioambientais. O plano da empresa inclui cavas a céu aberto, barragens de rejeitos e uso intensivo de água, elevando o risco de acidentes e de comprometimento de toda a cadeia da pesca, base da alimentação e da economia local.
O restabelecimento da licença de instalação foi concedido pelo TRF da 1ª Região e abriu caminho para uma intensa devastação socioambiental na região. Entretanto, em 2017, o TRF1 suspendeu a licença prévia diante de indícios de violação de direitos indígenas e falhas nos estudos de impacto, e a licença de instalação, emitida posteriormente, perdeu a validade em 2020. A decisão arbitrária do TRF1 (desembargador Flávio Jardim) de restabelecer a licença de instalação, em 2026, é apontada pelo Movimento de Mulheres Indígenas como afronta a pareceres técnicos da Funai e da Semas-PA, que haviam considerado o Estudo do Componente Indígena insuficiente.
Em relatório de 2023, a APIB demonstra preocupação com a segurança alimentar dos povos indígenas e das comunidades ribeirinhas, que dependem da floresta e dos rios para uma alimentação segura.
Mulheres indígenas lideram ocupação
A ocupação é liderada pelo Movimento de Mulheres Indígenas do Médio Xingu (também referido como Movimento das Mulheres Indígenas do Médio Xingu), articulando diversas aldeias e associações na região de Altamira e da Volta Grande do Xingu, além da presença de povos como Kayapó, Parakanã e Kuruaya em protestos e ações associadas. O movimento também indica nomes para a própria gestão da Funai em Altamira, como o de Cleyson Juruna, defendendo que a coordenação regional da FUNAI seja ocupada por uma liderança indígena alinhada à defesa dos territórios.
As mulheres indígenas também realizaram ações externas, como o bloqueio temporário do acesso ao aeroporto de Altamira, chamando atenção nacional para o conflito e respondendo a notas públicas da própria empresa Belo Sun.
Em carta-manifesto e notas públicas, o Movimento de Mulheres Indígenas do Médio Xingu lista como reivindicação central a suspensão imediata da licença de instalação da Belo Sun e a interrupção de qualquer atividade relacionada ao projeto Volta Grande na Volta Grande do Xingu.
Elas também exigem que o licenciamento ambiental deixe a esfera estadual (atualmente sob responsabilidade da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará, Semas-PA) e passe a ser conduzido pelo Ibama, por se tratar de um empreendimento com impactos interestaduais e sobre rio federal, além de afetar diretamente múltiplos territórios indígenas.
Outra denúncia importante é a violação de direitos de consulta prévia, livre e informada, prevista na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), como ocorreu recentemente em medidas relacionadas à gestão de recursos naturais.
Entre as pautas mais amplas, o movimento reivindica ainda: desintrusão (retirada de invasores) da Terra Indígena Arara da Cachoeira Seca; atualização e ampliação dos estudos de impacto sobre todas as aldeias e comunidades tradicionais potencialmente afetadas; e a nomeação de um coordenador indígena para a Funai em Altamira.
Povos indígenas dão exemplo de luta
Mais uma vez, os povos indígenas estão dando exemplo para as lutas coletivas do mundo inteiro. Esse caso, em especial, destaca a importância das mulheres indígenas nas lutas por um mundo melhor.
O genocídio dos povos indígenas não é passado. A luta dos povos originários permanece. As mulheres indígenas são uma parte essencial dessa luta e protagonizam diversas batalhas no Brasil.
Essa luta também é nossa! De todos os indivíduos que compõem a classe trabalhadora. Essa é uma luta que deve ser travada por todos os oprimidos e explorados por esse sistema capitalista moribundo.
Em sua primeira visita ao estado de Pernambuco, o novo embaixador cubano no Brasil, Víctor Manoel Cairo Palomo, foi recebido pelos movimentos sociais no Centro Cultural Manoel Lisboa em Recife, onde falou sobre a luta dos cubanos para manterem sua autonomia diante das recentes agressões dos EUA.
Clóvis Maia| Redação Pernambuco
INTERNACIONAL- O Centro Cultural Manoel Lisboa em Recife recebeu o novo embaixador Cubano no Brasil, Victor Manuel Cairo Palomo, que assumiu o cargo no início de março desse ano e chega ao Brasil com a missão de ampliar as relações dos dois países em meio aos ataques promovidos pelo governo dos EUA, que desde 30 de janeiro desse ano assinou uma Ordem Executiva contra Cuba, classificando o país como uma “ameaça a segurança americana”.
O ato foi organizado pelo Comitê de Solidariedade com Cuba de Pernambuco e marca a primeira visita do embaixador em Pernambuco.
Saudação calorosa
Além das saudações das entidades que compõe o comitê, também ocorreram as falas de Samara Martins, Pré-candidata da Unidade Popular a presidência da república, Marcelo Santa Cruz, militante histórico dos direitos humanos em Pernambuco, Lenilda Luna, do Fórum de Solidariedade de Alagoas, Rodrigo Cavalcante, da Cátedra José Martí da Unicap, Paulo Rubem Santiago, da Rede Sustentabilidade, Cida Pedrosa, vereadora do Recife, Juliete Pantoja da Casa José Martí do Rio de Janeiro e Conceição Brito da Casa José Martí da Paraíba.
As denúncias sobre o bloqueio criminoso de Trump, a necessidade de ações concretas de solidariedade e a defesa do socialismo deram o clima ao plenário, que também teve espaço para a arte e a cultura com um documentário sobre a revolução cubana na abertura do evento e uma apresentação de músicas da América Latina com Breno Nascimento, da banda Guazapa.
“Cuba não é uma ameaça para os EUA”
Nascido em Havana e diplomata de carreira desde 2006, Victor Palomo, que também é graduado em Direito e tem mestrado em Relações Internacionais, falou sobre a situação cubana diante da atual crise energética e como o governo tem enfrentado essa situação.
Segundo Victor, “os Estados Unidos está perdendo a batalha econômica com a China, e tem tentado manter seu poder usando a guerra. Eles acham que a América Latina e o Caribe são o quintal deles. E não é esse o entendimento que os povos do mundo têm. Nós somos povos livres”.
Falando sobre a questão da conjuntura, o embaixador afirmou: “os estados Unidos não tem interesse pela democracia nem pelos direitos humanos. Eles estão preocupados com a sua forma de enxergar o mundo. Por isso que, junto com Israel, atacam o Irã. Por causa do petróleo. Por isso que invadiram a Venezuela. E isso não é democracia”.
Ainda falando sobre a crise energética e as dificuldades que Cuba enfrenta ele lembra: “Nós somos um exemplo de resistência na América Latina. A imprensa hegemônica chama de ‘resiliência’. Mas o nome mesmo é resistência. Coragem. Valentia. Nós não queremos ser parte dos Estados Unidos. Queremos continuar livres” e reafirma: “se os EUA atacarem cuba irão receber uma lição de resistência de todo um povo”.
Solidariedade militante
A atividade terminou com a entrega de um manifesto assinado pelas entidades que compõem o Comitê Pernambucano de Solidariedade com Cuba, o Fórum Freitas Neto de Solidariedade com Cuba de Alagoas e a Casa José Martí de Solidariedade com Cuba na Paraíba e o compromisso de continuar nas ruas e nas lutas pelo imediato fim do bloqueio econômico e promovendo e reforçando as ações de solidariedade, como a campanha nacional para a compra de painéis solares impulsionada pela Rede Latino-Americana e Caribenha de Solidariedade a Cuba.
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