UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

quinta-feira, 3 de abril de 2025
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Chegou A Verdade quinzenal

Uma vitória da imprensa popular e socialista

EDITORIAL

A primeira edição do jornal A Verdade foi lançada em dezembro de 1999, com a manchete “FHC: o professor que virou um grande fazendeiro”. Foram 1.500 exemplares que circularam em cinco estados. Desde então, as ideias defendidas por A Verdade vêm obtendo cada vez mais apoio. O número de leitores cresceu a cada mês e hoje o jornal circula em 20 estados. A tiragem foi crescendo ano a ano e atingiu, em abril, 18.500 exemplares.

Este crescimento permitiu que, após 22 anos, o jornal A Verdade passasse a ser quinzenal. A partir de agora, serão duas edições por mês.

E há mais novidades: A Verdade ganhou um novo projeto gráfico e seu site www.averdade.org.br, após sofrer ataques dos inimigos da democracia, tem novo visual para facilitar a leitura. Em junho, terá ainda um aplicativo para baixar no celular.

Pode parecer pouco para alguns. Mas não é. Enquanto jornais da burguesia deixam de circular e passam a existir somente na internet, A Verdade lança agora duas edições impressas por mês no Brasil. Ademais, A Verdade é um jornal a serviço da classe explorada e oprimida, a imensa classe operária, as massas trabalhadoras. Suas páginas não são vendidas às grandes corporações internacionais e nacionais nem defendem os interesses do capital financeiro, das mineradoras ou do agronegócio. É um jornal dos trabalhadores que luta pela emancipação dos pobres, pelos direitos das mulheres, pela justiça social, democracia popular e socialismo.

Ergue sua voz contra o racismo e em defesa dos povos indígenas e denuncia todos os crimes cometidos pelo Estado burguês. Os princípios de A Verdade são baseados no marxismo-leninismo, no fim da exploração de classes, na solidariedade e fraternidade entre os irmãos trabalhadores e os povos de todo o mundo.

A Verdade é um jornal que se sente honrado em desafiar e lutar contra os poderosos interesses da classe capitalista e pelo fim da escravidão assalariada. É um jornal socialista no seu conteúdo e na sua forma, pois é feito com base na cooperação de centenas de companheiros e companheiras. Leva à prática os princípios definidos pelo grande revolucionário e criador do socialismo científico, Karl Marx: “A função da imprensa é ser o denunciador incansável dos opressores. (…) O dever da imprensa é tomar a palavra em favor dos oprimidos a sua volta. O primeiro dever da imprensa é minar todas as bases do sistema político existente”.

Mas a vitória de A Verdade se transformar num jornal quinzenal não caiu do céu. Foi fruto de um trabalho coletivo e planejado. Um importante Ativo Nacional de Agitação e Propaganda foi realizado no mês passado com dezenas de militantes, além dos ativos estaduais que se seguiram. Semanalmente, a Redação Nacional se reúne, debate as matérias, distribui entre os editores e prepara a próxima edição.

Como tem apoio entusiasta de seus leitores, A Verdade conta ainda com diversos colaboradores que escrevem textos e mandam fotos. Além disso, A Verdade dispõe de centenas de brigadistas, militantes do PCR, da UP e dos movimentos sociais que garantem que ele chegue às mãos do povo.

A Verdade quinzenal é uma vitória da imprensa popular e socialista, uma vitória de todos que nessa caminhada trabalharam para que este sonho se tornasse realidade, uma vitória principalmente para os oprimidos e explorados que terão um jornal ainda mais incansável na denúncia dos opressores, sempre erguendo a bandeira da revolução e do socialismo.

Com A Verdade quinzenal, semearemos mais e organizaremos mais operários e operárias no exército que construirá uma nova sociedade, na qual não haverá pobreza, nem corrupção, fascismo ou exploração. Apesar do fascista e dos generais, A Verdade quinzenal triunfou. Avante, camaradas!

O dia que o povo vestiu a melhor roupa e ocupou o TSE

Trabalhadores na audiência de julgamento do registro da UP no TSE, em outubro de 2019 – Foto: Jorge Ferreira / Jornal a Verdade

Jorge Ferreira

Era manhã de uma quinta-feira de outubro de 2019 quando os servidores do Tribunal Superior Eleitoral tiveram que lidar com com uma situação incomum: algumas  dezenas de trabalhadores desejavam assistir uma audiência de julgamento. A lotação do plenário  com cerca de duzentas confortáveis cadeiras não era o problema, mas os visitantes não estavam com “vestimentas adequadas” que os permitisse estar diante dos ministros.

Naquele dia, homens e mulheres que diariamente acordam cedo e utilizam transporte público lotado para trabalhar, que pegam no pesado para sobreviver, colocaram suas melhores roupas, seus melhores sapatos, alguns cortaram o cabelo, outros usaram o melhor perfume. Era dia de festa. Após dois longos anos e um milhão e duzentas mil assinaturas recolhidas nos trens, nos bairros populares, nas portas de fábrica, e, apesar das dificuldades, registradas em cartórios de vários estados em todas as regiões do país, havia chegado o dia que iniciaria o julgamento do registro da Unidade Popular pelo Socialismo na mais alta corte eleitoral do Brasil.

Com a emoção transbordando em sorrisos largos, representando todos aqueles abnegados trabalhadores que entregaram suas poucas horas livres para cumprir a tarefa histórica de constituir o partido dos pobres, do povo trabalhador, entraram no prédio do TSE para assistir a audiência que reconheceria  a legitimidade de todo o processo. Entretanto, a poucos metros do plenário principal do Tribunal, a chefe dos seguranças alerta que não será possível que os visitantes adentrem no local por não estarem vestidos adequadamente. “Onde está escrito isso?”, foi o primeiro questionamento do advogado Thiago Santos.

Thiago Santo, advogado da Unidade Popular, intervindo para garantir o acesso dos trabalhadores ao plenário – Foto Jorge Ferreira /  Jornal a Verdade

Daí em diante iniciou-se uma luta contra o tempo. Há poucos minutos de iniciar o julgamento, nem mesmo o presidente do partido, Leonardo Péricles, morador de ocupação, havia conseguido entrar no plenário justamente por estar somente com camisa social, mas sem terno e gravata. “Veja bem, argumentava Thiago Santos, essas pessoas estão justamente com suas melhores roupas, não há ninguém vestido de forma inadequada”. As mulheres que estavam de calça jeans, ao ver o tempo passando e a recusa da chefe dos seguranças, começaram a improvisar saias com cachecóis. Os homens já não mostravam os dentes, uma pequena angústia tomava conta. 

Em meio ao embate jurídico da legalidade da exigência de terno e gravata entre o advogado do partido e os servidores, alguns seguranças sensibilizados prometeram irem até o vestiário verificar se tinham terno reserva para emprestarem ao visitantes, mas já alertaram que não haveria para todos. Pouco antes de iniciar a sessão, o advogado do partido conseguiu que a questão fosse levada até a presidente da Casa, à época ministra Rosa Weber. Alguns instantes antes de iniciar o julgamento a entrada foi autorizada.

Foto Jorge Ferreira / Jornal a Verdade

Nesse dia, o procurador eleitoral Humberto Jacques apresentou parecer favorável, e o relator do processo, ministro Jorge Mussi, proferiu votou favorável ao registro alegando que “não poderia ser diferente, já que o partido cumpriu todas as exigências normativas”, entretanto o julgamento foi suspenso por um pedido de vista de um dos ministros, só sendo retomado, aprovado e registrado em dezembro do mesmo ano. 

Mas foi exatamente naquele dia, 24 de outubro de 2019, que pela primeira vez o plenário do Superior Tribunal Eleitoral foi ocupado por pessoas sem terno e que, como retrata um grande filme, também não usam “Black Tie”.

 Talvez tenha sido duro para os ministros da burguesia olharem de frente homens e mulheres que vivem do próprio suor. Para a Unidade Popular foi um dia histórico, mais um capítulo da emocionante luta pela libertação de milhões de trabalhadores brasileiros.

Foto Jorge Ferreira / Jornal a Verdade


MLB protesta contra despejos e GCM reprime ato em SBC

Foto: Jorge Ferreira / Jornal a Verdade

João Coelho e Jorge Ferreira

MLB São Paulo

Fazia frio na tarde dessa quarta-feira, dia 12 de agosto, quando Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) organizou na cidade de São Bernardo do Campo um ato contra os despejos de famílias pobres durante a pandemia e em defesa do direito à moradia digna. O ato fez parte de uma agenda nacional de mobilizações que levou às ruas centenas de famílias, em diversas cidades brasileiras, levantando a bandeira do Despejo Zero, uma campanha nacional que unifica movimentos sociais e outros apoiadores na luta pelo fim dos despejos durante a crise da Covid-19.

 A manifestação reuniu famílias de vários bairros de São Bernardo do Campo, cidade que sofre com uma política sistemática de despejos por parte do Prefeito Orlando Morando (PSDB), de Diadema, Santo André, Mauá, Francisco Morato, São Matheus e de várias regiões da Capital, além de outros movimentos que se somaram à essa luta, como o Projeto Meninos e Meninas de Rua (PMMR), o Coletivo Democracia Corinthiana, a Torcida Guerreiros do Tigre do São Bernardo F.C., o Movimento de Mulheres Olga Benário, etc. Para Gabriela Mousse, da Democracia Corinthiana: “Eles agem assim [despejos e repressão ao povo pobre] porque se sentem livres para fazer o que querem, não há motivo nenhum para ações desse tipo. Claro, o governo já é fascista e tá rolando uma pandemia, para eles fica mais fácil, por isso temos que ocupar as ruas com mais frequência”.

Foto: Manuelle Coelho / Jornal a Verdade

Alguns trabalhadores vieram de longe, é o caso de Cirilo Conceição, que viajou cerca de 80 quilômetros para poder participar do ato: “Sou de Francisco Morato, uma cidade abandonada pelos governantes. Governantes corruptos e omissos que permitiram que meu filho viesse a falecer. Quem me apoiou não foi nenhum governante, foi o povo, foi o MLB. Convidamos vocês a abraçarem essa causa porque essa é a causa de todos nós trabalhadores, estudantes, que pagamos aluguel, que somos despejados. O governo é o culpado disso, o governo não tá nem aí pra nós, eles querem é matar nossos filhos. Eles abandonam nossos bairros, na minha rua um carro não foi capaz de entrar pra prestar socorro ao meu filho. Eu abracei e vou continuar abraçando o MLB, essa ferramenta dos trabalhadores para lutar por uma moradia digna”.

Foto: Jorge Ferreira / Jornal a Verdade

A marcha, que contou com mais de cem pessoas, ocorreu no fim da tarde e foi da Igreja Matriz, no centro da cidade, até o Paço Municipal, em uma caminhada pacífica de mais de uma hora, mantendo o distanciamento social, o uso de máscaras e todos os cuidados relativos à pandemia da Covid-19 e sem qualquer tipo de conflito, sendo inclusive apoiada pela maior parte da população que transitava pela cidade, de carro, de ônibus ou a pé. Segundo Daniela, que constrói o MLB no bairro Detroit, em São Bernardo: “Essa manifestação é muito importante, estou aqui não só por mim, mas pelas minhas filhas e pela minha comunidade. Aprendi com o MLB que nós precisamos lutar, assim como fizeram os escravos, que se revoltaram e hoje são libertos. Mas ainda existe uma escravidão pra gente vencer e por isso estamos na luta”.

A organização do ato realizou um acordo com a Guarda Civil Municipal (GCM) e com a Polícia Militar, para que a manifestação fosse encerrada no Paço Municipal com uma assembleia das famílias que cobravam o seus direitos. No entanto assim que os primeiros militantes do movimento entraram no Paço, carregando uma faixa com os dizeres “Despejo Zero, Morar é um Direito”, a GCM descumpriu o acordo e atacou covardemente três Coordenadoras do MLB que carregavam a faixa, desferindo empurrões, socos e utilizando spray de pimenta sobre as mulheres; rapidamente um conjunto de famílias se aproximou, afastou os políciais e organizou um cordão de isolamento para impedir novas agressões.

Ao todo foram mobilizadas cerca de 30 viaturas entre GCM e Polícia Militar com o objetivo de impedir a continuação do ato através de uma ação agressiva e completamente desproporcional, descumprindo um acordo feito minutos antes, alegando que o movimento estava proibido de adentrar o Paço Municipal carregando qualquer tipo de bandeira ou faixa e demonstrando o caráter repressivo do Estado contra os trabalhadores, os pobres e os lutadores sociais que cada dia fica mais intenso no Brasil. As famílias conseguiram assegurar o direito de realizar sua assembleia no local e em alguns minutos de diálogo e de muita agitação política contra as injustiças do sistema capitalista, o sistema dos ricos que durante a pandemia promove o crescimento do patrimônio dos bilionários exploradores e o empobrecimento geral daqueles que vivem do próprio trabalho, decidiram encerrar a manifestação, prometendo que voltarão às suas cidades e bairros e organizarão ainda mais pessoas para lutar pela Reforma Urbana e pelo Socialismo. Segundo Thais Gasparini, uma das Coordenadoras Estaduais do MLB agredidas pela GCM: “Essa repressão, esse uso da violência para calar quem se manifesta é um espelho do que acontece na periferia, em que essa mesma GCM é utilizada pra derrubar as casas do povo pobre. Isso precisa acabar, por isso nos manteremos firmes na luta, cada dia maiores, combatendo a exploração, a especulação imobiliária e a política dos ricos, dos latifundiários e dos banqueiros”.

Para Arnor, membro do MLB do bairro do Divinéia, em São Bernardo: “O ato foi muito bom, muito bonito, temos que seguir lutando. Já precisamos marcar a próxima passeata”.

Exército Vermelho salvou humanidade do nazismo

bandeira URSS no reichstag

No capitalismo, as guerras são fruto da concorrência entre as classes dominantes de diferentes nações pelo domínio do planeta. Na Primeira Guerra Mundial, formaram-se dois blocos imperialistas opostos: Tríplice Aliança (Impérios Alemão, Austro-Húngaro e Turco-Otomano) e a Tríplice Entente (Impérios Inglês, Francês e Russo).

O sol nasce vermelho

Algo novo, entretanto, surgiu durante a Primeira Guerra Mundial: a revolução socialista de outubro de 1917, na Rússia; nova cisão ocorria no mundo, agora dividido em dois sistemas adversos: o capitalismo e o socialismo.

Os dois blocos capitalistas passaram a ter um objetivo comum: a destruição do primeiro Estado operário-camponês da história, em vista da restauração do capitalismo em escala global. Foi com este propósito que o bloco vencedor investiu na economia alemã 15 bilhões de marcos em seis anos (1924-1929).

Quando o nazismo se apossa da Alemanha e explicita seu intento de domínio mundial, as potências capitalistas dominantes não tratam de combatê-lo. Ao contrário, fecham os olhos às suas agressões e até incentivam o monstro nazista a direcionar seu ataque contra a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).

Em 1939, a URSS propôs à Inglaterra e França um pacto para ações militares conjuntas se os países do Eixo (Alemanha, Itália e Japão), bloco nazifascista, iniciassem a guerra na Europa. Não houve rejeição formal, mas nenhum passo foi dado por parte dos países capitalistas para concretizar o pacto. Ao contrário, França e Inglaterra firmaram com Alemanha e Japão acordos de não-agressão. Deixada sozinha, em agosto de 1939, a URSS assinou com a Alemanha um tratado de não-agressão. Os dirigentes sabiam que, mais cedo ou mais, tarde Hitler romperia o acordo, mas conseguiram ganhar um tempo valioso para transferir parte de suas indústrias para o leste do grande território soviético, bem como reforçar sua capacidade de defesa militar.

De 1938 a 1941, Hitler ocupou Áustria, Checoslováquia, Polônia, Bélgica, Holanda, Dinamarca, Noruega, Grécia, Iugoslávia e finalmente a própria França. Na Europa central e oriental, a Alemanha adquiriu imensa quantidade de material de combate, meios de transporte, matérias-primas, materiais estratégicos e força de trabalho, tornando-se forte o suficiente para atacar a URSS.

Hitler, no livro MeinKampf(Minha Luta), proclamou: “…tratando-se de obter novos territórios na Europa, deve-se adquiri-los principalmente à custa da Rússia”.

dia da vitória na bulgária 09 05 1945

A invasão hitlerista foi impiedosa. “Fuzilavam em massa as pessoas (mulheres, crianças, idosos, montavam campos de morte, deportavam para trabalho forçado na Alemanha. Por onde passavam, não deixavam pedra sobre pedra”. Era a política do extermínio. “Eu tenho o direito de destruir milhões de homens de raça inferior que se multiplicam como vermes” (Hitler).

Em resposta, o governo, o Partido Bolchevique e o povo soviético lançaram a palavra de ordem: “Morte aos invasores fascistas, tudo para a frente! Tudo para a vitória!”. Às fileiras do Exército Vermelho se integraram milhões de homens. Criaram-se também inúmeros regimentos de milícia popular, contando com dois milhões de combatentes.

Formou-se ainda na retaguarda uma força guerrilheira massiva. A dedicação e bravura do povo soviético comoveram o mundo e foram decisivas para quebrar a resistência capitalista (EUA, Inglaterra, França). Formou-se finalmente o bloco aliado, antifascista, a frente única dos povos pela democracia.

Caíra por terra a ideia de Hitler de que a ocupação da URSS seria um passeio uma “guerra relâmpago”. Os nazistas não imaginavam a resistência que encontrariam nas principais cidades: Leningrado, Stalingrado, Kiev e Moscou, entre tantas. Homens, mulheres, idosos e crianças se ergueram como muralha inexpugnável.

Os feitos do povo soviético repercutiram no mundo inteiro, levando um jornal burguês como o STAR, de Washington, a publicar: “Os sucessos da Rússia na luta contra a Alemanha hitleriana revestem-se de grande importância não só para Moscou e o povo russo, como também para Washington, para o futuro dos Estados Unidos. A história renderá homenagens aos russos por terem suspendido a guerra relâmpago, pondo em fuga o adversário”.

Em junho de 1942, os invasores avançam, mas encontram uma barreira instransponível em Stalingrado. Durante sete meses de combate, os invasores perderam 700.000 soldados e oficiais, mais de mil tanques, dois mil canhões e morteiros, 1.400 aviões. Os invasores eram tecnicamente superiores, mas, em novembro de 1942, os números já se invertiam em favor dos soviéticos. Os alemães estavam com 6.200.000 soldados, os soviéticos com 6.600.000; 5.000 tanques invasores contra 7.000 soviéticos; 51.000 peças e morteiros contra 77.000.

Na derrota do Stalingrado, os nazistas perderam 1,5 milhões de soldados e oficiais. “… Do ponto de vista moral, a catástrofe que o exército alemão sofreu nos acessos de Stalingrado teve um efeito sob o peso do qual ele não pôde mais reerguer-se”. (A segunda guerra mundial, B.Lideel Hart)

Depois, ocorreu a vitória do Cáucaso e se iniciou processo de expulsão em massa dos ocupantes nazistas. “A União Soviética pode orgulhar-se das suas heroicas vitórias”, escreveu o presidente dos EUA, Franklin Roosevelt, acrescentando: “…os russos matam mais soldados inimigos e destroem mais armamentos do que os outros 25 estados das Nações Unidas no conjunto”.

O final de 1943 marca a virada na frente soviética e na Segunda Guerra em geral. O movimento contra o nazifascismo se consolidou e se ampliou em todo o planeta.

Em junho de 1944, com o exército alemão batido em todas as regiões da URSS, as tropas anglo-americanas desembarcaram no Norte da França, dando início à frente ocidental proposta pelo governo soviético desde o início da invasão.

Pode-se dizer que a essa altura a guerra estava decidida, diante da derrota alemã na Rússia. O próprio Winston Churchil, primeiro-ministro britânico, reconhece o papel fundamental dos soviéticos, no discurso pronunciado na Câmara dos Comuns, em julho de 1944: “….Considero meu dever reconhecer que a Rússia mobiliza e bate forças muitíssimas maiores que as enfrentadas pelos aliados no Ocidente, que, há longos anos, ao preço de imensas perdas, ela suporta o principal fardo da luta em terra”.

Um exército libertador

Apesar de imensas perdas, o Exército Vermelho avançou no encalço dos alemães pela Europa Oriental adentro, fustigando os nazistas e auxiliando as forças populares da resistência a derrotarem os ocupantes e seus colaboradores internos. Repúblicas democrático-populares foram instaladas com os partidos comunistas à frente na Polônia, Hungria, Iugoslávia, Checoslováquia, Romênia e Bulgária.

“Para Berlim!” era a palavra de ordem do exército libertador. Não foi um passeio. A resistência nazista, embora enfraquecida, produzia encarniçados e sangrentos combates. Os russos vitoriosos não mataram, não pilharam, não se vingaram dos crimes cometidos pelo exército alemão no solo soviético. Ao contrário, alimentaram os famintos, organizaram a assistência médica, o funcionamento dos transportes, a distribuição de água e de energia elétrica. A 2 de maio de 1945, o Comando Supremo alemão assinou o ato de capitulação incondicional das forças armadas, com a bandeira da URSS tremulando no alto do parlamento alemão, em Berlim. No dia 09 de maio, houve um imenso ato em Moscou em comemoração ao fim da Grande Guerra Patriótica (como os soviéticos denominaram sua participação na Segunda Guerra Mundial) e, desde então, até hoje, celebra-se na Rússia esta data como o Dia da Vitória.

Sob novos céus

Terminada a guerra na Europa, era preciso voltar-se para a Ásia. O Japão, aliado dos nazistas dominava milhões de pessoas na China, na Coreia, nas Filipinas. Apesar de as forças armadas dos EUA e da Inglaterra virem imprimindo sucessivas derrotas, as forças japonesas ainda eram numerosas e fortes. De vez em quando, elas atacavam as fronteiras da URSS e torpedeavam navios soviéticos em alto-mar.

No dia 8 de agosto de 1945, a União Soviética declarou guerra ao Japão e começou a ofensiva. Nesse mesmo dia, o primeiro-ministro japonês, Teiichi Suzuki afirmou: “…A entrada da URSS na guerra hoje de manhã põe-nos definitivamente numa situação sem saída e torna impossível continuar a guerra” . Estava certo. No final do mês, o Exército nipônico havia perdido 677 mil soldados e oficiais: 84 mil mortos e 593 mil prisioneiros.

Ao contrário do que muitos pensam, e a historiografia burguesa busca difundir, não foram as bombas estadunidenses lançadas no início de agosto contra Hiroshima e Nagasaki que provocaram a capitulação japonesa. A guerra continuou normalmente depois do ataque bárbaro e covarde. A rendição resultou do destroçamento do exército nipônico pelas tropas soviéticas.

Se alguém duvida, leia o testemunho do general Chenault, que chefiou as forças dos EUA na China: “…A entrada da URSS na guerra contra o Japão foi o fator decisivo para o fim da guerra no Pacífico, o que sucederia mesmo sem o emprego de bombas atômicas. O rápido golpe desferido pelo Exército Vermelho sobre o Japão fechou o cerco que pôs finalmente o Japão de joelhos”.

O Exército Vermelho contribuiu ainda para a expulsão dos nazistas da China e da Coreia. O sacrifício do povo soviético foi inestimável. Mas valeu a pena porque livrou a Humanidade da besta nazista. Foi também a vitória do socialismo que saiu da Segunda Guerra triunfante em toda a Europa Oriental e na China.

Por todos, valeu a carta de agradecimento enviada pelo povo coreano a Josef Stalin, comandante supremo das forças soviéticas: “… Os combatentes soviéticos chegaram não como conquistadores, mas como libertadores. Emancipada da escravidão, a nossa pátria respirou livremente. O céu apareceu-nos radioso. A nossa terra floresceu. Jorraram canções de liberdade e felicidade…”.

José Levino, historiador

Fonte de pesquisa: O Grande Feito do Povo Soviético e do Seu Exército. VassiliRiábov, Edições Progresso, Moscou,1983.

Bolsonaristas defendem volta da tortura e fim das eleições diretas

Da Redação

Enquanto milhões de brasileiros estão em isolamento ou distanciamento social devido à pandemia da Covid-19, o capitão reformado Jair Bolsonaro e seus puxa-sacos vivem um imenso isolamento político. A reprovação a seu governo já alcança quase 70%, suas Medidas Provisórias, sem apoio, caducam no Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que não é função do presidente desrespeitar governadores e prefeitos. Nos embates que travou com o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, ficou em minoria nas reuniões do seu Ministério. Teve que levar um de seus filhos para dentro do Palácio Planalto para poder conseguir ouvir diariamente: “Pai, você é o rei”.

E os fatos mostram uma dura realidade: após quase um ano e meio no governo, o capitão reformado, apesar de controlar um Orçamento Federal de R$ 4 trilhões, não construiu nenhum hospital público nem universidade. Tampouco ampliou o acesso da população ao saneamento ou construiu casas populares. O desemprego e o número de famílias vivendo na extrema pobreza cresceram enormemente no seu desgoverno. Usou todo o dinheiro público para enriquecer os especuladores, os banqueiros e permitir a remessa de bilhões de dólares do Brasil para os EUA.

O povo brasileiro, vendo que o capitão reformado é incompetente, antidemocrático e totalmente subserviente ao EUA, passou a reprovar seu governo em todas as regiões. Segundo o Instituto Datafolha, 17% de seus eleitores se arrependeram de ter votado nele.

Diante dessa crescente rejeição da população, o capitão reformado e seus filhos resolveram apelar para a velha política: recorrer às Forças Armadas, em particular ao Exército, para impor um regime ditatorial no país.

Assim, foram marcadas as carreatas e atos para o dia 19 de abril, dia que é considerado Dia do Exército. O Exército, seu comandante geral e o Alto Comando sabiam do ato e deram total permissão para que Bolsonaro e seus puxa-sacos o realizassem com dezenas de faixas encomendadas e com dezenas de assessores de deputados e de pessoas que ocupam cargos de confiança no governo, os conhecidos “aspones”.

No entanto, os atos foram um fracasso. Em São Paulo, dezenas de carros luxuosos, acompanhados de várias motos, algumas delas que custam mais de R$ 50 mil reais, foram verdadeiramente “ovacionadas”, isto é, receberam ovos e tomates dos prédios por onde passavam. Em Brasília, apenas algumas centenas de pessoas atenderam ao chamado de Bolsonaro e, se retirarmos os assessores da conta, fica uma ridícula minoria. Pior: após o ato, nove pessoas deram entrada em hospitais de Brasília com suspeita de Covid-19.

Pois bem, com o repúdio nacional à fala de Bolsonaro em frente ao Quartel General do Exército em Brasília, os generais passaram a dizer em off a jornalistas que não concordavam com aquele discurso defendendo um golpe militar e a volta do AI-5 e pediram ao capitão para “baixar o tom”. Na manhã desta segunda-feira, 20 de abril, um irritado e nervoso presidente, com suas mãos trêmulas (lembrando Hitler no filme A Queda), tentou desdizer o que tinha dito. Mas, revelando sua natureza fascista, parafraseou o rei Luís XIV, e declarou: “Eu sou a Constituição”.

Os fascistas e a grande a burguesia nacional e internacional olham a história do Brasil, observam os inúmeros golpes militares que aconteceram e acham que é fácil dar um golpe militar em nosso país e impor a censura à imprensa, torturar os que discordam, assassinar e esconder os corpos dos patriotas e democratas ou jogá-los no mar. Pensam que assim terão a paz dos cemitérios dizendo que o “Brasil vai pra frente, ame-o ou deixe-o” e que a ditadura militar é o melhor regime para governar um povo rebelde, como é o brasileiro.

Mas, senhores e senhoras fascistas, ensina a filosofia dialética que, se houve tantos golpes militares assim no Brasil é porque nenhum conseguiu se manter eternamente. Ou melhor, todos foram derrotados nas ruas pelos trabalhadores, pelas mulheres, pelos jovens, pelo povo brasileiro. Duvidam? Então terão que ouvir novamente nosso povo nas ruas desfilando e cantando: “Amanhã vai ser outro dia!” ou “Você não gosta de mim, mas sua filha gosta!”.

Nossa luta para derrotar o governo fascista em meio ao avanço das contradições interimperialistas

Passeata em São Paulo contra a Reforma da Previdência. Foto: A Verdade

Por Wanderson Pinheiro e Leonardo Péricles

1 – O Brasil e a questão internacional

O chamado neoliberalismo se aprofundou no Brasil nos anos 1990, primeiro no Governo Collor e depois durante os dois governos de Fernando Henrique Cardoso. Na verdade, tratou-se de uma maior submissão das economias nacionais com abertura dos mercados, iniciada no Chile e na Argentina, diante de um crescimento da exportação de capitais e maior domínio do capital financeiro internacional sobre as economias nacionais latino-americanas. Foi um período de ampla hegemonia dos EUA, encoberto sob o discurso da globalização.

A queda brusca dos impostos de importação e exportação, o fim do controle de capital e a isenção de impostos para a sua movimentação, a adoção de uma política cambial ancorada no dólar, o achatamento salarial dos trabalhadores e a privatização das principais empresas estatais foram as medidas centrais que tiveram consequências estruturais perversas para a economia nacional.

No entanto, o que se desenvolve de fato são as características do imperialismo capitalista, com o aprofundamento da financeirização do capital monopolista e uma gigantesca exportação de capitais por diversas vias. O capital se expande permanentemente, destruindo as economias nacionais, promovendo o desemprego e a redução salarial, para extrair mais-valia extraordinária e, assim, buscar manter sua taxa de lucro. Neste sentido, falar apenas contra o neoliberalismo e aceitar o capitalismo é propor aceitar a exploração dos trabalhadores, a manutenção da escravidão assalariada e sua expressão política, a democracia burguesa.

Além da política neoliberal praticada pelo imperialismo dos EUA, sofremos uma ação neocolonialista brutal, com a “elite nacional” sendo subornada e praticando a corrupção. Este fato foi evidenciado no processo de privatização, tendo boa parte dos recursos sido desviada para o “caixa 2” das campanhas eleitorais de 1998, mantendo FHC no governo.

Outro objeto de controle da nação foi a dívida pública. Com o aumento dos juros para conter a inflação, os novos financiamentos recebidos do FMI aumentaram em muito as dívidas externa e interna, ampliando a dependência do Brasil ao capital financeiro dos EUA. A abertura financeira ocasionou ainda o aumento da dívida interna, pois era extremamente favorável para o capital financeiro especular com a alta de juros (a taxa Selic atingiu 45,67% ao ano, em 1997), com controle do câmbio e livre movimentação de capitais.

Resumindo: ocorria uma espoliação financeira terrível devido à política de total submissão às ordens do dito “Consenso de Washington” praticada pelo governo brasileiro.

Essa abertura gerou também a quebra de milhares de empresas nacionais. As pequenas e médias empresas foram as mais atingidas, mas também grandes empresas foram à falência, iniciando o processo de desindustrialização nacional. Porém, um setor com maior acúmulo de capital, a grande burguesia interna, que fez o acordo com a burguesia estadunidense, teve lucros crescentes e caminhou para expandir seus negócios para o exterior. Setores como o do agronegócio, da construção civil e dos frigoríficos, tornaram-se grandes empresas internacionais e, a partir desse acordo, passaram a expandir-se para a região do Mercosul.

Outros setores foram se associando ao capital estrangeiro, seja na aquisição das importantes empresas estatais que foram privatizadas (setores de minério, siderúrgico, energia, etc.) ou de indústrias e serviços privados para o investimento dos capitais internacionais. Tornaram-se, assim, um setor submisso ao capital internacional e aos ditames da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Entre os anos de 2003 a 2010, vivenciamos o Governo Lula e, de 2011 a meados de 2016, o Governo Dilma. Foi um período de hegemonia petista, considerado por alguns como desenvolvimentista ou neodesenvolvimentista, mas teve como base a diversificação da dependência nacional, principalmente em relação ao crescimento das exportações para a China, pautado também pelo investimento público feito nas empresas públicas e privadas, e pela ampliação do consumo da população com base numa grande oferta de crédito.

Esse processo de consumo levou a um relativo desenvolvimento da indústria naval, da construção civil, do agronegócio e da pecuária, propiciando o crescimento do lucro da grande burguesia e do capital financeiro. Porém, sendo um desenvolvimento com base no crescente endividamento e submetido aos interesses da grande burguesia nacional e mundial, terminou por esgotar-se com o aprofundamento da crise do capitalismo mundial.

Na verdade, o governo praticou uma política neodesenvolvimentista, mas manteve a hegemonia do capital financeiro, aprovando leis em seu benefício, como a lei de garantia de empréstimos com descontos em folha. A “Carta aos Brasileiros”, no início do primeiro mandato de Lula, foi, no fundamental, uma mensagem ao mercado financeiro internacional em que o presidente se comprometia a manter todos os acordos anteriores, não mexer no processo das privatizações, manter o controle da inflação, garantir o pagamento da dívida pública com altos juros e ampliar seus benefícios. Isso significou, na prática, a manutenção da política neoliberal.

Além de não ter revogado nenhuma das corruptas privatizações do Governo FHC, o PT realizou novas: privatizou portos, aeroportos e rodovias, além de fazer leilões de campos de petróleo para empresas estrangeiras. Porém, com o pré-sal (considerado o bilhete premiado), alterou o regime de exploração, mantendo os leilões em outros termos. Assim, a Petrobras foi um poderoso instrumento para desenvolver a política neodesenvolvimentista, promovendo investimentos em refinarias e alavancando a indústria naval brasileira e a construção civil. No entanto, o PT não reverteu a abertura de capital da Petrobras e esta permaneceu influenciada pesadamente pelos acionistas internacionais e pelo mercado.

A crise da era petista se iniciou em 2014, no final do primeiro Governo Dilma. A crise econômica chegou ao Brasil e ficou evidente que a política neodesenvolvimentista não conseguiu resolver os problemas estruturais do país, principalmente por não suspender o pagamento dos juros da dívida pública e manter a espoliação do capital financeiro e a dependência em relação ao agronegócio. Por outro lado, a relação com a China, que trouxe a ampliação da venda de commodities a níveis altos e a abertura para importação de produtos de toda ordem, gerou uma maior desindustrialização e dependência do setor externo. Essa troca desigual trouxe enormes benefícios para a grande burguesia do agronegócio, da mineração, da pecuária, da construção civil, etc., mas, como sempre, bastou uma oscilação do mercado internacional para tudo ir abaixo.

Realmente, a crise mundial se aprofundou com reduções seguidas de crescimento da economia chinesa. A China, mesmo possuindo enormes monopólios e rivalizando o comércio internacional com os EUA, não ficou de fora da nova crise de superprodução relativa que dificultou a realização de seu capital mundialmente. É importante notar que essa crise e a disputa de mercados continuam a se desenvolver, ameaçando agora entrar num período mais profundo, como afirmou recentemente a OMC. Sem ter como exportar mais mercadorias e com o superacúmulo de capital, a China avança a financeirização da sua economia.

Vejamos o que se sucedeu de 2007 a 2015. A China chegou a crescer 13%, em 2007, e o mercado de commodities brasileiro teve uma alta considerável. Em 2010, a China teve mais uma queda no seu PIB para 10,4%. Em 2015, relatório do FMI dizia que a China diminuiria o crescimento para 6,8%, a menor taxa anual do país dos últimos 25 anos. A queda da economia brasileira foi quase automática. Dilma Rousseff, que tomou posse para o segundo mandato no dia 1º de janeiro de 2015, permaneceu no posto apenas um ano e meio.

A crise ocasionada pela redução da produção da China fez cair enormemente o preço das commodities e reduziu os lucros da grande burguesia. Sendo pragmática, a burguesia, que há pouco havia colocado o gorro “comunista” na cabeça para adular o imperialismo chinês, pulou do barco e abandonou Dilma, definitivamente afastada do cargo em agosto de 2016.

O impeachment de Dilma teve ainda um elemento geopolítico. Os EUA usaram todo o seu poder para manter o país como sua área de influência, pois, mesmo sabendo que o PT atendia ao capital financeiro e pagava religiosamente a dívida pública, o avanço da crise do capitalismo mundial exigia ainda mais submissão. Vale salientar que a UP, ao mesmo tempo em que estava em processo de construção, esteve nas ruas lutando e denunciando este golpe.

Da mesma maneira, resistindo à quebra da sua hegemonia em nível internacional, os EUA lançaram o Tratado Transpacífico (TPP), que tinha como objetivo enfraquecer a China. Porém, após a eleição de Trump, os EUA se retiraram do TPP e adotaram como tática acordos bilaterais. Depois, abriram uma guerra comercial direta com a China, levantando barreiras às mercadorias chinesas, o que dura até hoje.

Assim, os EUA intervieram no Brasil com o objetivo de retirar o PT do governo para garantirem no poder um aliado subserviente. Financiaram e corromperam o judiciário brasileiro, apoiaram a fabricação da “Operação Lava-Jato”, que levou Lula à cadeia e promoveu a eleição de Bolsonaro. Da mesma maneira, os EUA disputam a Venezuela, com ações de bloqueio econômico e ameaça de invasão, e a Bolívia, onde promoveram um golpe fascista. Aparentemente, existe uma disputa entre forças reformistas liberais e o neoliberalismo fascista no continente, que tem como pano de fundo as disputas entre as duas propostas para conduzir o mundo capitalista.

Também era importante para os EUA ter o Brasil, principal país da América do Sul, como sua área de influência estratégica. Tendo como objetivo central na América Latina a derrubada do Governo Maduro e não obtendo sucesso pela via “pacífica”, intensificou o bloqueio econômico e buscou envolver o Brasil e a Colômbia numa aventura imperialista contra a Venezuela. Trata-se claramente de uma estratégia neocolonialista, que visa a usar tropas de outros países, mas mantendo o objetivo de conquista e ainda lucrando com a guerra.

A China é hoje a segunda potência econômica mundial e busca acumular forças na disputa pela hegemonia no planeta, fato que leva ao acirramento de contradições interimperialistas. Antes apenas exportadora de manufaturas, a China está alcançando o mais elevado grau de tecnologia, uma enorme acumulação de capital e intensificando a fase de exportação de capitais. No momento, essa exportação ocorre por meio do financiamento de infraestrutura nos países em desenvolvimento, investimentos financeiros, compra de títulos do Tesouro estadunidense, empréstimos e investimento direto.

O processo de exportação de capitais parece ser a ponte para uma defesa militar das áreas de influência econômica. Por isso, a China tem hoje o segundo maior gasto militar do planeta e já instala bases militares internacionais, sendo que a primeira foi estabelecida na África. Na América Latina, a China tem grandes investimentos, sendo o principal parceiro comercial de diversos países, inclusive do Brasil. Por isso, investem pesadamente em grandes porta-aviões, jatos, armas nucleares, e já superam os Estados Unidos em alguns aspectos tecnológicos.

Para termos uma noção, o país asiático investiu no Brasil, do ano de 2007 a 2018, US$ 57,9 bilhões em 145 projetos voltados principalmente para o setor de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica. Os investimentos, no último ano, foram especialmente diretos, sendo 50% realizados em empresas construídas a partir do zero. Mas 42% foram investimentos em fusões e aquisições. Segundo o embaixador da China no Brasil, Yang Wanming, a China está aumentando a abertura do setor financeiro, de serviços, da agricultura, mineração e manufatura. Estima-se que o investimento chinês no próximo ano ultrapasse os US$ 10 bilhões.

A China mantém os investimentos mesmo no Governo Bolsonaro e, embora reaja às declarações do filho dele de forma dura, o pragmatismo do capitalismo chinês projeta grandes investimentos nas áreas de a) energia, da ordem de R$ 24,7 bilhões em quatro projetos (hidroelétrica, termonuclear e transmissão); b) ferrovias, R$ 29,1 bilhões em quatro projetos (2.800 km); c) óleo e gás, R$ 117,5 bilhões em quatro projetos; d) portos, com R$ 5,9 bilhões em 16 projetos; e) aeroportos, R$ 2,1 bilhões em dois projetos.

Por outro lado, embora Trump afirme que apoia Bolsonaro e ambos troquem elogios ideológicos em público, os EUA não fazem nada do ponto de vista financeiro para apoiar o governo brasileiro. O investimento dos EUA no Brasil foi pequeno em 2019: o valor foi de US$ 2,2 bilhões, menor que o de 2017, quando o montante correspondeu a US$ 2,9 bilhões. Os compromissos firmados se restringiram a acordos antinacionais e militares, como a entrega da Base Espacial de Alcântara, no Maranhão, e um acordo que transforma o Brasil numa força auxiliar do Comando Sul dos EUA, tornando-se um aliado extrarregional da OTAN. Ou seja, um acordo militar subserviente, que coloca o Brasil como mais uma base de operação militar dos EUA na região.

Como vemos, Bolsonaro segue cegamente o imperialismo norte-americano, pois, como fascista que é, em um país de economia altamente dependente e submissa como é o Brasil, seguirá a linha fascista de Trump para apoiar-se internacionalmente no império dos EUA. Bolsonaro é um representante da grande burguesia[1] e dos militares fascistas, que se declaram abertamente submissos ao capital estadunidense, não possuindo sequer um verniz de nacionalismo.

2 – Desenvolver a consciência das massas populares, aumentar o isolamento de Bolsonaro e criar as condições para derrubar o governo

O 8 de março foi a última grande manifestação nacional antes da pandemia. Foto: A Verdade

Diante da crise do coronavírus e da projeção de uma crise econômica mais profunda nos próximos meses, setores da própria burguesia (como evidenciou editorial recente do Financial Times) falam que os governos devem ajudar a economia promovendo investimentos e renda para os mais pobres, ou seja, praticar uma política antiliberal para ajudar a cobrir os prejuízos da própria burguesia. Bolsonaro, no entanto, insiste em manter o arrocho salarial, cortar salário dos servidores e seguir a retirada de direitos a ferro e fogo. Assim, quer ser mais realista que o rei e promover a política neoliberal dos banqueiros e do capital financeiro estadunidense a todo custo.

Por tudo que fez desde o início do governo, como retirada de direitos dos trabalhadores, congelamento dos salários, desemprego e venda do patrimônio público, Bolsonaro tem um enorme desgaste, que tende a crescer com o aprofundamento da crise do coronavírus e a demissão de Luiz Henrique Mandetta do Ministério da Saúde. As mortes que se multiplicam evidenciam que a retirada dos recursos públicos da saúde foi um crime de lesa-humanidade. Também a insistência de Bolsonaro contra o isolamento social e de que a Covid-19 é apenas um “resfriadinho” trarão consequências desastrosas para a população. Hoje já temos quase 70% da população contra esse governo.

Porém, não vivemos em uma democracia popular, em que a maioria do povo é que decide. Vivemos debaixo de um governo de fascistas que tem como principais ministros generais da ativa e da reserva. Também é um governo que representa os interesses da grande burguesia, que é uma ínfima minoria da sociedade e, por isso, teme o movimento operário e popular e tende ao fascismo, principalmente em momentos de crise.

Portanto, não devemos subestimar a possibilidade de o atual governo, sob o pretexto de o país viver uma calamidade pública, promover um golpe e decretar um estado de sítio. Para isso, os fascistas não precisam de apoio da maioria da população, basta contar com apoio das Forças Armadas e de uma parcela reduzida da população disposta a ir às ruas nos seus luxuosos carros. Lembremos ainda que o governo dos EUA, aliado de Bolsonaro, pratica uma política fascista que impulsiona correntes desta natureza na Europa e na América Latina.

Em almoço realizado na sede da FIESP, no último dia 03 de fevereiro, para os 250 maiores industriais de São Paulo, com a presença de Bolsonaro, o presidente da entidade, Paulo Skaf, afirmou que “O Brasil não está dando certo. O Brasil já deu certo”, declarando, assim, o apoio da grande burguesia ao fascista. Este apoio é firmado especialmente na política de Paulo Guedes, que promoveu a reforma trabalhista, a reforma da Previdência e dá continuidade, em meio à crise do coronavírus, a propostas como a Carteira de Trabalho Verde e Amarela e a retirada de direitos dos servidores públicos. Assim, o apoio ao fascista está condicionado à agenda de retirada de direitos que assegure a maior extração de mais-valia dos trabalhadores.

O fascista também tem o apoio da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA), representada por João Martins, que também é parte da minoria dos exploradores e representa a grande burguesia agrária. Em setembro de 2019, momento em que Bolsonaro fez um ridículo discurso na ONU exaltando a ditadura militar de 1964, Martins afirmou que Bolsonaro o representou, fazendo excelente discurso: “Defendeu a soberania nacional, esclareceu equívocos sobre a Amazônia e ressaltou o importante papel do Brasil na produção mundial de alimentos e na preservação do meio ambiente. Também afastou a tese de que o governo está colocando o mundo contra o agro brasileiro, defendendo não apenas o setor, mas toda a nação”.

Vale lembrar que esse foi o momento em que a Amazônia estava em chamas e que o agronegócio foi um dos principais responsáveis por este crime contra a natureza. Mas vejamos que, apesar da reafirmação do apoio da grande burguesia, os meses vão se passando e fica evidente a cada dia que o governo Bolsonaro vem se enfraquecendo e perdendo apoio popular. Porém, será defendido para que fique no poder por essa minoria enquanto for útil para a grande burguesia.

Nesse momento, apresentam-se algumas propostas políticas para retirada de Bolsonaro da presidência. O impeachment é uma delas. No entanto, com um Congresso Nacional altamente reacionário e antipopular como o atual, a única forma de forçar o impeachment seria a realização de grandes manifestações nas ruas. Mas, no momento, devido ao crescimento do número de mortes pela Covid-19, esta possibilidade não é viável. Desse modo, apostar que um Congresso Nacional que aprova leis contra os trabalhadores vai aprovar o impeachment sem o povo nas ruas é ignorar o papel das massas na luta política e propagar ilusões parlamentaristas.

Outra proposta apresentada é apelar para que Bolsonaro, que faz planos para governar 20 anos, renuncie. É como pedir para o diabo virar anjo. Alguns desses setores chegam até mesmo a afirmar que o general Mourão seria um “mal menor”. Esse é o caso do governador do Maranhão, Flávio Dino, do PCdoB: “Claro que Mourão não é do meu campo ideológico. Mas, se Bolsonaro entregar o governo para ele, o Brasil chegará em 2022 em melhores condições”.

Trata-se de um ledo engano e demonstra uma gigantesca ilusão de classes, uma total traição ao povo e sua história. Mourão é um general, representante ainda mais direto dos interesses do setor ultraconservador e fascista das Forças Armadas. Como Bolsonaro, Mourão defende a tortura, tenta falsificar a história escondendo os crimes cometidos pelas Forças Armadas e pela grande burguesia durante a Ditadura Militar, sendo, portanto, um defensor do aumento da repressão contra o povo e a classe trabalhadora.

Dessa maneira, nossa tática de aprofundar o desgaste deste governo, manter e impulsionar a palavra de ordem “FORA BOLSONARO! POR UM GOVERNO POPULAR!” é, sem dúvida, a mais correta. Primeiro, porque é a palavra de ordem que está na boca do povo. Foi gritada por milhares de mulheres de todas as correntes políticas no 8 de março, sendo esta a última manifestação nacional contra o fascismo. Segundo, taticamente, no momento de avanço da pandemia do coronavírus em que nos encontramos, devemos ter como principal atuação a solidariedade aos trabalhadores e trabalhadoras para enfrentar essa barbárie nas periferias e denunciar o caráter antidemocrático e antipopular do governo. Terceiro, devemos ampliar os panelaços nas periferias, sendo esta uma forma de protesto importante, criada no fogo da batalha e capaz de desgastar o governo, dialogando com a consciência da classe trabalhadora, dizendo que o governo com sua política aumenta a fome e a miséria e só governa em prol da classe rica e dos EUA.

Assim, prepararemos o terreno para derrubar o Governo Bolsonaro pelas mãos do povo e fortaleceremos uma alternativa popular para o desfecho dessa crise, qual seja, a construção de um poder popular e do socialismo, única saída verdadeira para termos um país livre e independente. Da mesma forma, romperemos com as ilusões do reformismo e da pequena burguesia de que derrotarão o fascismo no âmbito institucional promovendo um impeachment ou mesmo pedindo, por favor, para que Bolsonaro renuncie.

3 – Derrotar o imperialismo capitalista é uma tarefa fundamental

Solidariedade internacionalista a Cuba e à Venezuela. Foto: G1

Precisamos ter a consciência de que enfrentamos o fascismo internacionalmente. Por isso, a classe trabalhadora, em nível mundial, é nossa principal aliada na luta contra os imperialismos e pelo socialismo. Não basta levantar a bandeira contra a política neoliberal e passar a defender o neodesenvolvimentismo, pois o capitalismo é brutal em todas suas formas e tem como único objetivo despejar a crise nas costas da classe trabalhadora.

O capitalismo desenvolvimentista não é alternativa ao neoliberalismo, pois ambos são exploradores da mais-valia dos trabalhadores. Nosso objetivo deve ser destruir o capitalismo, e não apenas a política neoliberal dos EUA. Os neodesenvolvimentistas cumprem o papel de abrir caminho ao fascismo e são a outra face da moeda do capitalismo.

Prova disso foi o que ocorreu na Segunda Guerra Mundial, quando os EUA e a Inglaterra, tidos como democratas naquele período, deixaram a chama nazifascista bater-se contra a pátria socialista, só dando apoio na Frente Oriental depois de perceberem que a URSS sairia vitoriosa, e com grande chance de que seriam também vítimas do nazismo.

Quem é socialista e comunista tem como principal obrigação defender a classe trabalhadora e defender seus interesses presentes e futuros. Portanto, devemos trabalhar em nível internacional para que a classe trabalhadora não seja levada a uma luta interimperialista, mas que lute por sua libertação, pois, como internacionalistas que somos, fazemos parte do mesmo exército do mundial do proletariado.

Os trabalhadores e o povo da Venezuela estão na linha de tiro do imperialismo estadunidense, portanto, nossa solidariedade aos venezuelanos e nossas ações principais devem ser no sentido de derrotar esse imperialismo fascista e expulsá-lo da América Latina. Apoiamos, como internacionalistas, a classe trabalhadora que luta contra o imperialismo, mas que também luta pelo socialismo. Defendemos que esta classe possa, no processo revolucionário em curso, tomar consciência e declarar o caráter socialista da revolução. Não podemos aceitar sermos instrumento nem do imperialismo dos EUA, nem do imperialismo chinês e russo, uma vez que estes investem financeiramente na Venezuela, visando a mantê-la como área de influência econômica e geopolítica, gerando, de fato, igual dependência e exploração para os trabalhadores.

A revolução socialista é a única forma de derrotar definitivamente o imperialismo e a exploração dos trabalhadores. Essa luta é a luta do presente, atual e estratégica para a classe trabalhadora. Quem pensa o contrário, não faz mais que defender a manutenção da exploração do homem ou considerar este objetivo algo utópico. Para que os trabalhadores possam decidir seu destino e sua autodeterminação é fundamental fazer uma revolução proletária.

Trabalhadores e trabalhadoras de todo o mundo, uni-vos!

Wanderson Pinheiro e Leonardo Péricles,
membros do Diretório Nacional da Unidade Popular (UP)


[1] Apesar das visíveis disputas políticas de Bolsonaro com outros representantes da grande burguesia, como Dória e a Globo, no fundamental, não divergem quando se trata de aumentar a exploração sobre a classe trabalhadora e a retirada de direitos – como vimos no caso da Reforma da Previdência, da PEC dos Gastos e no Pagamento da Dívida Pública, dentre outras medidas antipopulares.

AGITAÇÃO E LUTA NO NOVEMBRO NEGRO REVOLUCIONÁRIO

São Mateus tem colagem lembrando nomes e referências na luta do Povo Negro no Brasil e no Mundo

Foi realizado no bairro do Vila Flávia, São Mateus, Zona Leste de São Paulo, na semana do 20 de Novembro uma ação de colagem de nomes e referências negras na história da luta do povo negro e referências da periferia. Jovens do bairro espalharam nomes de homens e mulheres da luta antiracista como Luis Gama, Marielle Franco, Luisa Mahin, da luta anticapitalista como Angela Davis, Carlos Marighella, além de muitas referências como Emicida, Negotinho, Mano Brown, Mestre Moa, e homenagem a crianças mortas pelo Estado como a menina Ágatha Félix, de 8 anos, morta pela PM do RJ, e do menino Lucas Eduardo, de 14 anos, morto em Santo André pela PM de SP.


O mês de Novembro é um mês de agitação e propaganda sobre a luta do povo negro mas também de reforçar a importância da organização para enfrentar um sistema e um governo que tem aprovado medidas para aumentar o genocídio diretamente, autorizando ainda mais a impunidade da PM, ou indiretamente, privatizando o SUS, que atende em maior parte a população negra, precarizando o trabalho, feito em maior parte pela população negra. Esses e outros fatores que fortalecem ainda mais o racismo estrutural, ferramenta de submissão econômica e cultural do sistema capitalista. Para fazer frente de forma efetiva a quem nos mata e proteger nossa população e juventude negra de forma efetiva, precisamos lembrar nesse mês de Novembro de nos organizar em um movimento popular de porte nacional, mantida pelas forças e recursos do povo e movido pelos interesses da luta da classe trabalhadora no Brasil.

Lucas Nascimento Coordenador Nacional do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas / MLB SP

Trabalhadores do setor de transporte declaram greve na cidade de Mauá

Foto: Bastidor Político

Durante a manhã dessa sexta-feira (22), Mauá, município do ABC paulista, amanheceu com os ônibus na garagem, e manifestações no terminal central: trabalhadores da Suzantur, transportadora turística privada responsável pelas linhas de ônibus da cidade, declararam greve contra a revogação contínua de direitos.

P. O.*, trabalhador da Suzantur e integrante do turno da tarde, alegou que a mobilização entre os trabalhadores começou quando um motorista não recebeu o depósito do vale salarial, benefício garantido pelo contrato. Contudo, esse fato foi apenas o estopim: os motoristas da Suzantur sofrem com a falta de pagamento dos salários, assédio moral, horas extras compulsórias e expedientes sem pausa para o banheiro no cumprimento das dezenas linhas que a cidade de Mauá possui.

Além da falta de pagamento de salários, recusa do depósito de benefícios, M. Q.*, trabalhador do turno da manhã, declarou ao Jornal A Verdade que as condições de trabalho pioram diante das jornadas extensas. “Cheguei a trabalhar durante vinte dias seguidos. Aqui não tem respeito”.

Apesar do posicionamento da empresa, que caracterizou a paralisação como “indevida”, a greve foi vitoriosa, e garantiu que o depósito do vale salarial ocorresse. Os ônibus voltaram a circular a partir das 14h.

*Os nomes dos trabalhadores que concederam depoimentos ao Jornal A Verdade foram alterados.

Gabriela Torres – Movimento de Mulheres Olga Benário

Bolivianos residentes no Brasil rechaçam golpe de Estado

SÃO PAULO – Neste domingo, 17, milhares de pessoas foram à avenida Paulista, no centro de São Paulo, em solidariedade ao povo boliviano e contra o golpe de Estado sofrido por Evo Morales. O ato foi chamado pelo Comitê Brasileiro de Solidariedade ao Povo Boliviano Contra o Golpe, e contou com a presença de crianças, estudantes e trabalhadores da comunidade boliviana residente, além do apoio de muitos brasileiros.

As bandeiras boliviana e Whipala, símbolo da plurinacionalidade do país e da cidadania dos povos originários, foram firmemente tremuladas por todo o ato. Palavras de ordem também marcaram a manifestação, destacando o repúdio ao golpe de Estado, a resistência popular pela democracia, e denunciando o fascismo promovido por figuras da extrema direita do país, como a senadora (autoproclamada presidente) Jeanine Áñez e o empresário multimilionário Luis Fernando Camacho.

Através de um manifesto, distribuído no ato, o Comitê Brasileiro de Solidariedade ao Povo Boliviano Contra o Golpe afirma: “A luta do povo boliviano contra o golpe, contra Camacho, contra o fascismo, contra o racismo e a extrema direita, é uma luta que deve receber a solidariedade de todas as pessoas e da classe trabalhadora de todo o mundo que defendem as liberdades democráticas.” O manifesto também pontua: “Não reconhecemos como presidente da Bolívia a autoproclamada Jeanine Áñez, uma fraude, assim como Juan Guaidó, o autoproclamado presidente da Venezuela.”

O golpe na Bolívia representa uma ofensiva de setores extrema direita, aliada do imperialismo dos EUA e de grandes grupos empresariais e especuladores do mercado financeiro. Os diversos povos bolivianos que se erguem em defesa da democracia resistem ao golpe há semanas, como os lutadores do Chile, Equador e Haiti, que rechaçam ataques das elites do poder econômico. Com os últimos acontecimentos, desmancham-se as ilusões com o imperialismo, com a conciliação com grandes ricos e exploradores da classe trabalhadora. A real saída para a América Latina, cada vez mais, aponta para o poder popular.

Carol Matos – Movimento Luta de Classes

Grito dos Excluídos leva centenas de pessoas às ruas do ABC paulista

Foto Reinilson Câmara

Na manhã desse sábado, 14, centenas de pessoas tomaram o centro de Santo André para conclamar o Grito dos Excluídos e Excluídas do ABCDMR. O ato começou com um café da manhã coletivo, uma caminhada pela rua principal da cidade terminando com uma homenagem a brasileiros que deram a vida por uma nação mais justa e igualitária. O ato contou com adesão e organização de diversos movimentos sociais, ambientalistas, partidos de esquerda, movimentos populares do campo e da cidade, movimento estudantil, de mulheres, pastorais sociais e religiosas de diferentes matrizes e entidades sindicais.

O Grito dos Excluídos e Excluídas acontece há 25 anos e esse ano ecoou em mais de 200 cidades e em todas as capitais do Brasil. Esse movimento nasceu da necessidade de dar voz ao povo, às minorias e à população historicamente excluída pelo Estado burguês, que segue interesses de banqueiros lucrando com a miséria do nosso povo, deixando em segundo plano direitos básicos como:  saúde, moradia, transporte, trabalho, informação e vida digna.  

Foto Reinilson Câmara

“A vida em primeiro lugar! Este sistema não vale: LUTAMOS POR JUSTIÇA, DIREITOS E LIBERDADE” foi o lema do 25º grito dos excluídos. A marcha em defesa de direitos sociais e da luta contra o desemprego, levantou vários problemas estruturais como encarceramento em massa, genocidio da população negra, feminicídio, transfobia,  lgbtfobia, cortes na educação e a “reforma” da Previdência, promovido pelo governo fascista de Jair Bolsonaro.

Também foi pauta do ato a questão do meio ambiente, por conta do aumento das queimadas, do avanço do desmatamento na Amazônia, dos crimes da Vale em Brumadinho e Mariana, em Minas Gerais. Além disso, foi erguido a bandeira contra o projeto do centro logístico de Paranapiacaba, proposto pelo prefeito de Santo André, Paulo Serra (PSBD), que ameaça uma área de proteção ambiental com importantíssimo valor histórico nacional, turístico, paisagístico e de serviços ambientais como provisão de águas para a Represa Billings.

Por fim, o ato do ABCDMR terminou com homenagens aos verdadeiros heróis da pátria, que lutaram por um país mais justo e igual, por meio de uma intervensão cultural com fotos e palavras de ordem. Nomes como Marielle Franco, índio Galdino , Zumbi dos Palmares, Dandara dos Santos, Milton Santos, Elenira Resende, Carlos Mariguella, Chico Mendes, Carolina Maria de Jesus e Manoel Aleixo foram lembrados e homenageados.

Foto Cadu Machado
Foto Reinilson Câmara

Reinilson Câmara Filho – Unidade Popular pelo Socialismo

147 famílias são despejadas com truculência em Arraial do Cabo – RJ

Foto: Marcela Couri

Na última quinta-feira (15) cerca de 147 famílias foram despejadas numa ação truculenta e violenta promovida pela Polícia Militar do estado do Rio de Janeiro com ordens do governo estadual em Monte Alto, bairro do segundo distrito de Arraial do Cabo na Região dos Lagos. O Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas – MLB esteve presente no local no dia seguinte junto ao Jornal A Verdade para acompanhar a situação das famílias e prestar solidariedade e apoio.
“Foram momentos de terror, eram mais de 40 viaturas, trator, helicóptero, drone, canhão de água, centenas de policiais encapuzados e armados até os dentes. Parecia que estávamos em guerra.” contou uma moradora. Outro morador continuou: “quando os policiais chegaram por volta das 5 horas da manhã, dissemos que tínhamos uma liminar da justiça garantindo que poderíamos ficar ali até que a prefeitura apresentasse uma outra solução de um local decente para essas famílias morarem. O comandante da operação se recusou a ver o nosso documento e tampouco nos deixou ver o documento que ordenava a realização daquela operação. Dali em diante começou o terror, jogaram bomba de gás lacrimogêneo, spray de pimenta, bala de borracha em todos, acertando inclusive grávidas, crianças e idosos sem a menor capacidade de resistência dos moradores. Daí em diante, destruíram nosso sonho. Passaram o trator por cima das 147 casas construídas com muito esforço coletivo por todos nós”.

Foto: Marcela Couri

A justificativa do governo para promover tal barbaridade, é de que aquela área pertence ao Parque Estadual da Costa do Sol e seria área de preservação ambiental. “Aqui só tem trabalhador, não tem bandido não. A gente não invadiu a terra não porque queremos destruir o meio ambiente. Só estamos aqui porque não temos outra opção.” disse uma moradora. Em áreas ao redor do “projeto” (como foi apelidado o local pelas famílias) existe um condomínio enorme, garagem náutica e um outro terreno de milhares de metros quadrados que pertencem à construtora Volendam, que tem carta branca para fazer o que quiser, sem se preocupar com as questões ambientais. “É necessário compatibilizar a preservação ambiental com o direito social do uso da terra. A dignidade da vida humana está prevista na legislação ambiental, e o direito à moradia digna foi reconhecido e implantado como pressuposto para a dignidade da pessoa humana, desde 1948, com a Declaração Universal dos Direitos Humanos e consta na Constituição Federal de 1988”, disse Ana Paula, conselheira do parque e militante da Unidade Popular pelo Socialismo.
Essa é a realidade de cerca de 7,7 milhões de famílias em todo o Brasil, que compõe déficit habitacional em nosso país. São milhões de pessoas que moram em situações precárias, de favor, não tem mais condições de pagar aluguel e se encontram em situação desesperadora. Por outro lado, vemos milhões de imóveis e terrenos que não cumprem nenhuma função social, servindo apenas à especulação para gerar lucro para os ricos donos das grandes construtoras. O grande questionamento que ficamos nesse caso é: por que a Volendam pode explorar e degradar o meio ambiente em grandes proporções no terreno ao lado para obter fabulosos lucros, mas quando as famílias buscam um local pra morar são tratadas com violência pelo estado?

Foto: Marcela Couri

O estado do Rio de Janeiro tem a polícia que mais mata e que mais morre, é onde 5 jovens negros e pobres foram assassinados na última semana sem enquanto iam para a escola, para o trabalho ou apenas se divertir com os amigos. Enquanto nosso sangue escorre pelo chão da favela, o governador anda de helicóptero mirando sua arma na gente. Esse caso é reflexo da política genocida promovida pelo Estado Capitalista, de guerra aos pobres, guerra aos negros e negras.
No “projeto restinga” os moradores respiram resistência, luta e esperança. Muitos dos que não tem pra onde ir, seguem tentando reerguer as construções e sobrevivendo através da solidariedade dos moradores da região que fornecem abrigo em suas próprias casas, doam roupas, alimentos e ajuda. A decisão dos moradores do projeto é de que só vão sair de lá se a prefeitura apresentar uma alternativa digna, “todos aqui tínhamos a nossa casinha, humilde, mas conquistada com muito suor e luta! Não vamos aceitar menos do que isso!” disse um morador durante assembléia realizada.

Foto: Marcela Couri

O Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas – MLB segue acompanhando e prestando apoio a essas famílias. Acreditamos que morar dignamente é um direito humano e que se o Estado Capitalista prioriza os lucros acima da vida, queremos destruir esse Estado e construir no seu lugar um Estado dos trabalhadores, onde prioridade seja a vida digna, com emprego, moradia, educação, saúde, etc. Enquanto morar for um privilégio, seguiremos lutando pela reforma urbana e o socialismo!

Fotos: Marcela Couri

Galeria: combatividade e unidade da oposição marcam Conune 2019

Foto: João Marcio Dias
Foto Jorge Ferreira
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Foto Jorge Ferreira
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João Marcio Dias

Trabalhadores da Educação aprovam Greve Nacional

Foto: Jorge Ferreira/Jornal A Verdade


A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) realizou a 9º Conferência Nacional de Educação Paulo Freire com o tema “Educação Libertária e Democrática: construindo o movimento pedagógico Latino-Americano” entre os dias 26 a 28 de junho em Curitiba. O objetivo do encontro foi debater os desafios e rumos da educação brasileira, sendo estabelecida greve nacional no dia 13 de agosto contra os retrocessos do governo atual.

Dentre as pautas discutidas, os educadores se debruçaram sobre o Plano Nacional da Educação (PNE), sancionado em 2014 e com validade de 10 anos, com o propósito de direcionar esforços e investimentos para a melhoria do quadro educacional brasileiro. O Plano é composto por 20 metas contemplando todos os níveis educacionais que, apesar de muito promissoras, apenas uma foi cumprida de acordo com o Inep.

Destaca-se a meta 1, que diz respeito a universalização e democratização do ensino básico tendo como finalidade atender 100% das crianças de 4 a 5 anos matriculadas na pré-escola até 2016, além de garantir 50% das crianças de 0 a 3 anos em creche até 2024. Segundo dados do Pnad, apenas 90% das crianças de 4 a 5 anos foram atendidas e somente 1/3 estão em situação de creche. Essa defasagem é vivenciada principalmente nas periferias, onde as filas de espera por vaga nas creches podem levar anos colaborando com a desigualdade enfrentada pelas mulheres na participação no mercado de trabalho.

A estagnação e não cumprimento das metas são resultados dos ataques que o sistema educacional brasileiro sofre constantemente. Prova disso é a emenda constitucional nº 95 implementada pelo governo Temer que congela, durante 20 anos, investimentos públicos direcionados a saúde e educação. Além do corte de 30% das verbas destinadas às universidades e institutos federais, anunciado recentemente pelo ministro da educação. As duas ações fazem parte de um projeto que confronta diretamente as diretrizes do PNE, uma vez que a falta de recurso penaliza o avanço das melhorias no ensino público.

Além disso, a militarização das escolas incentivada por Jair Bolsonaro, visa instituir um sistema onde a censura é peça chave, ferindo a efetivação da gestão democrática de educação proposta pela meta 19 do Plano.  Na mesma linha, o descumprimento se fez presente quando aprovadas as mudanças no “Novo Ensino Médio” pelo Conselho Nacional de Educação, órgão vinculado ao MEC, que libera o ensino a distância totalizando 20 e 30% de carga horária, respectivamente no período diurno e noturno, acentuando ainda mais a defasagem no ensino público.

Essas ações com embasamentos apenas voltados aos interesses capitalistas, sem considerar a realidade do povo brasileiro, são responsáveis por colocar a situação educacional do país em risco. O desleixo com que se é tratado o ensino público foi demonstrado nos últimos dados coletados pelo IBGE, provando que a educação ainda não é para todos. Cerca de 40% da população com mais de 25 anos não chegaram a concluir o ensino básico, e daqueles que concluíram, o maior percentual está entre os brancos (55,5%) ao passo que entre os negros, o número cai substancialmente (40,4%). Considerando que a maior parte da população brasileira é negra, o acesso a educação no Brasil ainda é limitado e desigual pela negligência do governo em promover políticas públicas que incentivem o acesso à todos.

Analisando todo este quadro, os educadores presentes da 9ª Conferência apresentaram um manifesto repudiando as sucessivas contra-reformas liberais no setor educacional e o desmonte das políticas educacionais e sociais que atacam os direitos da população, especialmente da população mais marginalizada (mulheres, negros, índios e LGBTs). Além disso, também criticaram a proposta da Reforma da Previdência e as conseqüências que irá trazer principalmente para as professoras de rede pública, aumentando 10 anos a idade mínima para aposentadoria. Ao final do manifesto, os profissionais conclamam a luta incessante e o compromisso para com a educação, convocando todas as instituições de ensino para uma grande greve geral no dia 13 de agosto.

Diante dessa conjuntura, se fazem necessárias as críticas, a mobilização e organização dos estudantes, trabalhadores e servidores públicos em defesa do ensino de qualidade no país e contra a destruição da aposentadoria, como foram feito nos dias 15 e 30 de maio pela educação, e no dia 14 de junho na Greve Geral que mobilizou categorias ao redor do país e que foram responsáveis pelo fechamento de diversos pontos estratégicos das cidades.

Thais Gasparini
Unidade Popular pelo Socialismo


Seis ex-ministros assinam carta em defesa da Educação: “no atual governo, ela é apresentada como ameaça”

Foto: Jorge Ferreira/Jornal A Verdade

Numa palavra, a educação se tornou a grande esperança, a grande promessa da nacionalidade e da democracia. Com espanto, porém, vemos que, no atual governo, ela é apresentada como ameaça.” – afirmam ex-ministros em carta contra as políticas educacionais do governo Bolsonaro.


Inimigo da Educação, o governo Bolsonaro vem promovendo um verdadeiro sucateamento do ensino público no país. Em abril, através de sua conta no twitter o atual presidente fascista insinuou que os cursos de ciências humanas não mereciam investimentos, adiantando a pretensão de seu governo de cortar verbas do ensino superior. Mesmo com a revolta da população diante de tais alegações, pouco tempo depois, o governo através de seu Ministro da Educação, Abraham Weintraub, anunciou o corte de 30% nas verbas das universidades sem diálogo prévio com a comunidade acadêmica, impactando diretamente o funcionamento dos institutos federais. Na ocasião, o governo alegou que os cortes no ensino superior eram necessários para garantir o investimento na educação básica. Contudo, isso se mostrou como mais uma de suas mentiras contra a população mais pobre, ao estender o corte orçamentário para toda a pasta de educação, incluindo os programas de ensino infantil ao médio.

Frente a essa situação de completo desmonte das políticas educacionais do país, seis ex-ministros de governos anteriores se reuniram em um evento promovido pela Universidade Estadual de São Paulo (USP) e redigiram uma carta aberta em oposição às medidas do governo Bolsonaro. Na carta, José Goldemberg (1991-1992), Murílio Hingel (1992-1995), Cristovam Buarque (2003-2004), Fernando Haddad (2005-2012), Aloizio Mercadante (2012-2014) e Renato Janine Ribeiro (2015), expressaram sua preocupação com “as políticas para a educação adotadas na atual administração”, enfatizando que a magnitude dos cortes promovidos no último período “podem ter efeitos irreversíveis e até fatais”.

De acordo com eles, nessa gestão, a educação deixou de ser vista como prioridade nacional e passou a ser tida como uma ameaça, enfatizando a postura do governo em ignorar especialistas da área atuando de “forma sectária, sem se preocupar com a melhoria da qualidade e da equidade do sistema, para assegurar a igualdade de oportunidade”. Em outras palavras, a carta converge com as denúncias realizadas pelos movimentos sociais e estudantis frente aos ataques de Bolsonaro. Para Beatriz Baria, militante do Movimento Correnteza de São Paulo: “cortar investimentos dos institutos federais e da educação básica, determinar o fim das bolsas para pesquisadores, é mais uma forma desse desgoverno vergonhoso de atacar nosso povo. Somos nós, a juventude pobre, que vai ser impedida de ter uma educação de qualidade, pra encher os bolsos dos grandes grupos privados, que fazem da educação mercadoria, como a Kroton Educacional”.

A carta denuncia ainda a perseguição e a censura impostas pelos governos aos docentes, ressaltando a importância do “respeito à profissão docente, que não pode ser submetida a nenhuma perseguição ideológica […] Convidar os alunos a filmarem os professores, para puni-los, é uma medida que apenas piora a educação, submetendo-a a uma censura inaceitável”. Em outro trecho, reforçam: “a autonomia universitária é uma conquista que deve ser mantida para garantir a liberdade e qualidade na pesquisa, formação e extensão”. 

Ao fim do texto, os ex-ministros propõem a “formação de uma ampla frente em defesa da educação” e anunciam a criação de um “Observatório da Educação Brasileira dos ex-ministros da Educação, que se coloca à disposição para dialogar com a comunidade acadêmica e científica, sociedade e entidades representativas da educação, com parlamentares e gestores, sempre na perspectiva de aprimorar a qualidade da política educacional”.

Jady Oliveira
União da Juventude Rebelião


[1] Kroton Educacional: a maior empresa privada do mundo no ramo da educação, um conglomerado que monopoliza e atua em função da privatização do ensino privado, em detrimento da educação pública, gratuita e acessível.

Deputada Talíria Petrone é ameaçada de morte e tem a proteção negada pelo governador do Rio

Foto: Ricardo Albertini


RIO DE JANEIRO Um ano após a execução da Vereadora Marielle Franco pela milícia, a deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ) – assim como Marielle uma política negra, de periferia e LGBT – teve a solicitação de escolta negligenciada pela omissão do Governador Wilson Witzel, do Partido Social Cristão, ao negar o pedido de proteção à vida da deputada que foi realizados após receber ameaças de morte.

Talíria recebe ameaças de morte desde 2016 quando foi eleita vereadora em Niterói/RJ. As ameaças vêm pelas redes sociais ou até por telefonemas feitos à deputada ou a sede de seu partido. A pouco mais de dois meses a polícia federal alertou ter encontrado na dark web informações sobre o planejamento de um atentado à vida da deputada.

Graças à investigação da PF, Talíria está sendo escoltada em Brasília, mas nas vezes em que retorna a Niterói, cidade na qual foi eleita e também onde recebeu as ameaças, anda desprotegida pois a solicitação enviada pelo presidente da Câmara dos deputados, Rodrigo Maia (DEM), foi negada pelo Governador Witzel, que nem sequer enviou uma resposta a Câmara.

Em abril deste ano a deputada foi chamada de “verme” pelo líder da bancada ruralista, Alceu Moreira (MDB-RS), durante uma audiência pública após reações da parlamentar às declarações do também deputado. Recentemente, após as denúncias de ameaças de morte, o filho do presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), debochou em seu twitter dizendo que Talíria era hipócrita por se declarar desarmamentista e pedir escolta, alegando que a deputada deveria pedir “iluminação”.

A história da Professora Talíria em muito se confunde com a história de Marielle Franco. Ambas ameaçadas de morte e odiadas pelos conservadores, falsos moralistas e pelos milicianos. O que acontece é que em um país que possui cotas para que as mulheres enfim consigam ocupar o espaço político que é ocupado majoritariamente por homens brancos, héteros e ricos, existir duas mulheres negras, periféricas e LGBTs, que foram eleitas como as vereadoras mais votadas em suas respectivas cidades na primeira eleição que concorreram, é inaceitável.

É um atentado à democracia o estado do RJ não exercer seu papel e zelar pela vida de uma deputada que é ameaçada apenas por lutar pelos direitos das mulheres, dos negros, dos pobres e dos LGBTs. Sabemos as causas da omissão do governador reacionário Wilson Witzel, também sabemos de qual lado está o filho do presidente e amigo da milícia, Eduardo Bolsonaro, que ironiza as ameaças contra Taliria assim como ironizava as denúncias feitas por Marielle.

Mas não podemos esperar a morte de ninguém mais, muito menos de alguém que luta para defender o direito à vida de milhões de pessoas abandonadas pelo estado e massacradas pelo sistema capitalista.


Michel Castro
União da Juventude Rebelião

Projeto Anticrime de Moro é um tribunal de rua do fascismo

Entre as principais mudanças apresentadas pelo governo Jair Bolsonaro para a segurança publica do país, está o projeto de Lei Anticrime divulgado pelo Ministro de Justiça e Segurança Publica Sérgio Moro.

Exército brasileiro assassina jovens negros inocentes na intervenção do RJ

O projeto que prevê alterações de 14 artigos do Código Penal e do Código Eleitoral não demonstra nenhuma novidade sobre as causas dos crimes, muito pelo contrário, coloca no centro da política de segurança pública o método da punição, única e exclusivamente como forma de redução da criminalidade.

Hoje já existe uma diferenciação dos procedimentos de casos de homicídios envolvendo policiais em serviço. Por exemplo: quando um policial comete um homicídio e alega legitima defesa, o crime é juridicamente justificado como “morte por intervenção de agente de Estado”. Esse procedimento hoje é conhecido como “Autos de Resistência”, e é responsável por ser o principal argumento legal para justificar os assassinatos produzidos pela policia, quase sempre sendo o processo arquivado. Porém, caso uma pessoa comum mate e alegue legítima defesa, haverá um inquérito policial para apuração do homicídio, que na maior parte dos casos termina em reclusão, ou seja, pena de seis a vinte anos de prisão.

Nesse sentido, um dos principais eixos do pacote apresentado está a excludente de ilicitude, nesse caso, mesmo que o agente policial tenha praticado um homicídio, ele não será considerado um criminoso, excluindo o ato ilícito. O Código Penal prevê três situações em que se aplica a excludente de ilicitude: estado de necessidade, legitima defesa e o estrito cumprimento do dever legal. Uma das propostas que está no pacote de Sergio Moro é de flexibilização e ampliação da excludente de ilicitude em favor de policiais.

Em situações em que a polícia precisa executar uma prisão em flagrante, o ordenamento jurídico brasileiro autoriza o policial em ação á exercer o estrito cumprimento do dever legal que é prender. Atualmente no Brasil, não existe o dever legal de matar. Não se justifica seguir atirando até causar a morte. Com a mudança proposta pelo pacote, o texto de lei deixa claro: caso os policiais durante o trabalho estiverem em situações de medo, surpresa ou violenta emoção, e vierem a matar ou ferir alguém não poderão serem punidos. Utilizando do pretexto da legitima defesa, o projeto formaliza e amplia a violência e  os assassinatos praticados pela policia.

Um levantamento feito pelo Núcleo de Estudos da Violência da USP e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mostrou que houve um aumento de 18% de pessoas mortas por policiais de 2017 para 2018 (5.225 para 6.160 mortes ao ano), ressaltando que essas mortes são as que estão registradas no balanço anual. O ultimo relatório produzido pela Anistia Internacional demonstrou que as forças policiais brasileiras são as que mais matam no mundo.

A redução da violência urbana foi destaque nas eleições de 2018, demonstrando uma enorme preocupação da população com a segurança publica. Lembrando que essa era uma das principais promessas e bandeiras das campanhas de candidatos, como Bolsonaro, João Dória, Wilson Witzel. E com razão o povo, principalmente mais pobre tem clamado por justiça e segurança. Os princípios constitucionais, em especial a dignidade humana, têm sido violados e o brasileiro sofre no seu cotidiano.

Herança da ditadura

“Força auxiliar e reserva do Exército” a Polícia Militar foi criada em 1969 sob decreto-lei em pleno período de ditadura. Desde então e mesmo após a democratização do Brasil em 1988, esse braço violento do Estado continua atuando como há mais de 50 anos. Mesmo sendo hoje uma força à disposição do Estado, a submissão é ao Exército autoritário brasileiro. Surge uma antinomia, pois ao mesmo tempo em que polícia vem de polis, do grego, cidadão, cidadania,militar vem do latim miles, milícia. Entende-se inclusive porque a militarização vê no indivíduo civil um inimigo. O modo operante despreparado da polícia dá-se através do excesso de violência, truculência e arbitrariedades. A tortura, por exemplo, é uma prática cotidiana, comum e normal nas ações policiais na periferia adentro.

Com o projeto de lei de Moro haverá um aumento de forças paramilitares. Esse cenário aprofunda a impunidade policial e é a semente para o nascimento de milícias, que no atualmente é o grupo que mais oferece risco a segurança e vida do povo brasileiro, inclusive com comprovações já apresentadas pela investigação do envolvimento direto desse grupo de extermínio com o brutal assassinato da ex vereadora e militante Marielle Franco. 

            O Conselho de Direitos Humanos da ONU solicitou que o Brasil despendesse maiores esforços para combater a violência e projetar um fim à Polícia Militar, responsável por milhares de assassinatos. Tudo isso fica muito claro quando vemos policiais formarem grupos de extermínios e esquadrões da morte (criados no regime militar), carregados de  discurso de ódio, agindo de forma criminosa, truculenta e autoritária. É urgente e necessário por fim a militarização da polícia, e pensarmos um outro modelo de segurança pública para não mais vivermos o cotidiano da barbárie e da escravidão, pois os chicotes de ontem são as balas dos fuzis dos opressores de hoje!

Lucas J Barbosa, MLB – São Paulo

O racismo como ideologia de dominação e os 80 tiros em nós

O fuzilamento de Evaldo dos Santos, músico, num bairro periférico do Rio de Janeiro enquanto passeava com sua família na tarde de um domingo, representa o avanço do estado fascista que já não se importa em manter a aparência de um estado democrático de direito.

Ato na paulista em homenagem a Evaldo, músico assassinado pelo exército com 80 tiros. Foto: Jorge Ferreira

Com indignação o povo assistiu o presidente da república, 6 dias após o assassinato, vir à público se manifestar sobre o caso, limitando-se a defender a instituição que disparou 80 tiros e ceifou não só a vida de Evaldo, mas também de Luciano Macedo, catador de recicláveis,  que tentou ajudar a família a sair do veículo no momento da ação criminosa. Segundo o presidente: “O exército não matou ninguém!” Entretanto, é equivocado pensar que essa barbárie é consequência exclusiva da chegada da extrema direita ao Poder, muito menos apenas de resquícios da ditadura militar. Na verdade o estado policialesco nunca deixou de estar presente nas periferias do Brasil.

No mundo, o 1% da população mais rica tem mais riqueza que os outros 99% somados. Os 6 homens mais ricos do mundo tem mais posses do que a metade mais pobre, mais de 3,5 bilhões de pessoas. Esse abismo social é também a realidade do Brasil, que tem uma das maiores desigualdades do mundo. Neese contexto, ao povo negro é reservado apenas os piores postos de trabalho, os piores salários e os barracos das grandes favelas. A imensa maioria da população negra é extremamente pobre e vive sob todas as formas de vulnerabilidade.

O desemprego é enorme e o varejo do tráfico termina sendo um desses postos de trabalho reservados especialmente para a juventude negra das periferias. Mesmo cumprindo uma tarefa desse negócio que gera enormes lucros para a burguesia, que utiliza seus bancospra lavar esse dinheiro, e por estar na ponta, mais visível e sustentando fuzis nas mãos, os jovens negros são vítimas de um discurso de criminalização e de uma política repressiva e genocida que assassina 66 mil pessoas por ano no Brasil, um verdadeiro índice de guerra civil. 78% desses jovens são assassinados por conta da sua cor da pele, por serem negros.

É que cada tempo histórico tem suas perguntas sobre o passado, pois cada conjuntura produz uma história para justificar o seu presente.” É assim que Marielle Franco começa a demonstrar em sua tese de mestrado a importância de compreendermos nosso passado recente  e o processo de implementação do neoliberalismo que o Brasil passou nas últimas décadas. Apesar do estudo da vereadora assassinada se concentrar na política de segurança pública do estado do Rio de Janeiro através das Unidade de Polícia Pacificadora, traz também importantes esclarecimentos sobre as causas do genocídio de negros e negras no país todo.

É verdade que desde a formação do estado brasileiro há uma política de extermínio daqueles que foram escravizados,  e desde então diferentes  ideologias foram utilizadas para perpetuar o poder na mão de uma minoria enquanto o povo dispõe de uma vida miserável. Mas também é urgente compreender as engrenagens da fase atual do capitalismo para traçarmos estratégias para a sua destruição. Nesse sentido que Marielle desmascara o estado penal vigente nas periferias como estrutura central do neoliberalismo no Brasil.

Nessa fase da crise do capitalismo, onde a elite econômica tenta enfiar goela abaixo reformas para aumentar seus lucros, mesmo que às custas da retirada de direitos trabalhistas e sociais, é necessário uma escalada no estado penal para conter aqueles que se encontram “excluídos” dessa sociedade. É por isso que na medida que os governantes avançam na destruição de direitos sociais,  aumenta-se a repressão nas periferias, pois esses são os territórios tidos como inimigos do estado, que serve exclusivamente aos interesses da classe dominante.

A administração pública por sua vez, concentra  esforços em passar a impressão  que esse modelo de segurança pública, que invade casas, mata e tortura, se legitima em nome da proteção de toda sociedade. Essa é a tática da “guerra às drogas”, justificar o genocídio e o encarceramento em massa como necessário para manter a ordem.

Para tanto, o estado exerce papel crucial na manutenção do projeto de dominação. Se nos bairros ditos “nobres”, o estado se faz presente nas ruas bem asfaltadas, nos parques bem arborizados, e em todo conjunto de políticas que promovem o acesso à cidade, nas periferias esse mesmo estado se faz presente exclusivamente através das forças militares, seja pela polícia, pelo exército, ou mesmo por grupos milicianos.

Essa guerra aos pobres, transvestida de pacificação,  não se justifica apenas com o sadismo de uma elite branca, mas sim por interesses econômicos. O estado, representante da burguesia, não contente com as reformas neoliberais, também está comprometido com o lucro dos megatraficantes, dos milicianos, da indústria armamentista, da especulação imobiliária, etc.

Justamente por incomodar aqueles que lucram com o extermínio da população negra e escancarar a as engrenagens desse sistema que Marielle Franco foi brutalmente assassinada.

Um ano depois de sua morte, os 80 tiros disparados pelo exército no carro de Evaldo e sua família nos traz à tona a urgência de apontar as raízes desse projeto genocida. Trata-se do modus operandi de um estado neoliberal, que manteve as mesmas práticas inclusive nos governos ditos progressistas,  período em que o encarceramento mais do que dobrou. Se no Brasil o capitalismo é forjado no extermínio da população da periferia, que na sua maioria são negros e negras, o fim desse extermínio também depende da superação desse sistema perverso.

O RACISMO COMO IDEOLOGIA DE DOMINAÇÃO

Segundo Clóvis Moura, “o racismo não é uma conclusão tirada dos dados da ciência, de acordo com pesquisas de laboratório que comprovem a superioridade de um grupo étnico sobre outro. O racismo é uma ideologia deliberadamente montada para justificar a dominação de um grupo sobre outro. É, portanto, uuma ideologia de dominação.

Acontece que após a abolição da escravidão no Brasil, a elite do país determinada a manter seu projeto de domínio, costurou outras roupagens para sustentar o novo regime econômico. Nesse momento ganha destaque a  concepção eugênica que correspondia a uma política de embranquecimento da população e a uma teorização sobre características de personalidade inerentes às raças.

Dentre elas, se destaca o papel do direito penal na formação do imaginário popular do negro como figura naturalmente criminosa. Ainda no período da primeira república, o código penal tipificava como crime o que ficou conhecido como lei da vadiagem. Num contexto de séculos de escravidão, foi como prender as pessoas simplesmente por elas serem negras. Essa política foi aprimorada ao longos das décadas, mas sem nunca perder o viés ideológico de dominação sobre os corpos marginalizados.

A Liga de Higiene Mental, por exemplo, braço do nazismo e do arianismo no Brasil, se destacou como defensora “científica” dessa tese e defendia, entre outras bandeiras, salários eugênicos (quanto mais clara a cor da pele, maior deveria ser o salário), recompensa para famílias que procriassem seres “superiores”, punição para os “inferiores”.

O higienismo social presente na segregação territorial até os dias de hoje, é oriundo das políticas da burguesia desde a formação da nação brasileira. A verdade é que esse país foi constituído sob uma ideologia burguesa e racista, que nega ao povo sua própria história, como estratégia política para perpetuar uma estrutura excludente.

Sendo assim, torna-se uma ingenuidade combater o racismo apenas através do viés acadêmico ou estritamente científico, muito embora não possamos de maneira nenhuma, negar o combate também nesse terreno.  Mas a verdade é que a boa e velha luta de classes ainda é a forma mais eficiente de enfrentar o racismo no Brasil. Como afirma Clóvis Moura, “a questão racial é essencialmente política e não apenas científica.”

Para superarmos o sistema político existente, o capitalismo, será necessário travarmos as lutas pelos interesses imediatos da classe trabalhadora, composta na sua maioria por mulheres e negros. Mas isso não bastará. Será necessário, e esse é o nosso desafio, apresentar outro modelo de sociedade que seja capaz de substituir a engrenagem capitalista.

Um sistema político e social que dê conta de distribuir toda a riqueza socialmente produzida, pondo fim à propriedade privada dos meios de produção e a todas as desigualdades sociais existentes na atualidade. Esse sistema, essa sociedade, tem nome e chama-se Socialismo.

Jorge Ferreira e Queops Damasceno, São Paulo

Tentativa de golpe militar na Venezuela é patrocinado pelos EUA

População venezuelana vai às ruas e impede o golpe orquestrado pelos EUA

Uma tentativa de golpe militar foi realizada na Venezuela na manhã desta terça feira, 30/04, como o intento de derrubar o governo legítimo de Nícolas Maduro. Esta ação contou com o apoio incondicional dos EUA que propicia todo auxílio aos golpistas que são, na verdade, subservientes do imperialismo e realizam um discurso de apoio à “Liberdade” no país, mas com o intuito de fazer o roubo das riquezas nacionais.

Logo pela manhã Juan Guaidó, o promotor principal do golpe, realizou pronunciamentos anunciando a tomada de uma base militar localizada na região leste de Caracas, a Base Aérea La Carlota. Também propalava a obtenção de apoio militar das forças armadas, buscando causar um levantamento em outras bases militares.  Guaidó pronunciou-se ao lado de Leopoldo Lopez que estava preso desde 6 de agosto de 2017, cumprindo pena de quase 14 anos, por praticar atos violentos.  O “Autoproclamado” presidente, com apoio dos EUA, busca usurpar o poder sem possuir o voto democrático do povo, por meio de uma ação violenta contra a maioria dos venezuelanos.

No entanto, oficialmente, o presidente da Assembleia Nacional Constituinte Diosdado Cabello, desmentiu a tomada da Base Aérea e disse que apenas um reduzido grupo militar se sublevou para promover um golpe de Estado. “Não foi vulnerabilizada nenhuma instalação militar no país, eles estão nas ruas no Distribuidor Altamira e nós estamos dirigindo as operações desde a Base Aérea La Carlota”, afirmou.

Maduro também se pronunciou nas redes sociais afirmando que conta com o apoio e lealdade do comando do exército, que diz está comprometido com a constituição e a soberania nacional. Precisa no entanto estar mais preocupado com o apoio popular permanente nesse processo, visto que as ações da direita tentam alterar a correlação de forças também nas massas, mas ao que tudo indica sem sucesso até o presente momento.

Mike Pompeo, o secretário de Estado norte-americano, afirmou em um comunicado “hoje, o presidente [autoproclamado] interino Juan Guaidó anunciou o início da Operação Liberdade. O governo dos Estados Unidos apoia integralmente o povo da Venezuela em sua busca pela liberdade e pela democracia. A democracia não pode ser derrotada”. Destila assim seu apoio incondicional as ações militares para derrubar o governo e mostra disposição de intervir nos assuntos internos da Venezuela.

Ernesto Araújo, ministro de relações exteriores do Brasil, se reuniu em Washington, no dia 29, com Mike Pompeo e demonstrou uma total submissão ao governo dos EUA fazendo coro a politica norte-americana “O Brasil apoia o processo de transição democrática e espera que os militares venezuelanos sejam parte desse processo de transição democrática”, declarou. Logo Bolsonaro também se pronunciou no Twitter “O Brasil está ao lado do povo da Venezuela, do presidente Juan Guaidó e da liberdade dos venezuelanos”. É uma vergonha como copiam a linguagem da farsa americana sem o mínimo de pudor tratando a palavra “liberdade” como um mantra para encobrir a tentativa de um golpe militar absurdo.

As declarações conjuntas do Brasil com os EUA nesse processo devem ser repudiadas pelo povo brasileiro, pois não podemos ser bucha de canhão para o imperialismo. Os interesses do Brasil estão muito mais ligados a uma política de relações internacionais pacíficas, de integração latino americana baseada na colaboração entre os países iguais, na solidariedade e no internacionalismo proletário. O povo brasileiro sempre foi a favou da soberania das nações e o princípio da auto-determinação, onde cabe a cada povo decidir seus destinos.

Todo apoio ao povo venezuelano! Abaixo o imperialismo!

Wanderson Pinheiro, São Paulo

“A Unidade Popular veio para ficar”

A Unidade Popular (UP), partido político em formação, é fruto da iniciativa de centenas de ativistas dos movimentos populares, militantes comunistas, estudantes e professores e da necessidade de construir uma alternativa de esquerda revolucionária ao atual cenário nacional.  Após um ano e meio de muito trabalho, a campanha pela legalização da UP entra em sua reta final. Para falar sobre as novas tarefas da militância, A Verdade entrevistou Leonardo Péricles e Fernanda Lopes, membros da Direção Nacional da UP, que afirmam que para o país sair desta crise, precisa passar por uma profunda transformação econômica e social que dê vida digna para o nosso povo, e, por isso “a UP luta pelo poder popular e pelo socialismo”.

Da Redação

 

A Verdade – Por que a UP foi criada?

Leonardo Péricles – Houve, nos últimos anos, um verdadeiro esgotamento dos atuais partidos ditos de esquerda. Alguns foram cooptados, tomando o caminho de aliança com as grandes empresas, bancos e empreiteiras. Outros, tentando fazer frente a esta traição, não conseguiram dialogar com a classe trabalhadora. De tão estreitos que são, não conseguem se apresentar como alternativa. O resultado é que, hoje, poucos empunham a bandeira de luta por mudanças estruturais, ou seja, a luta revolucionária contra o capitalismo, que passa pela mobilização de amplos setores populares, de milhões e milhões de trabalhadores, mulheres e homens, negras e negros, LGBTs, jovens, indígenas, comunidades tradicionais, enfim, a luta da imensa maioria do povo brasileiro.

Esta é uma luta por quebrar os enormes privilégios dos super-ricos, da burguesia brasileira. É, portanto, uma luta muito dura e nós, da UP, não consideramos que ela possa ser feita por um iluminado ou de forma isolada, mas sim no campo da luta de massas, na vida política partidária, dos movimentos, e lideranças que se reúnem em torno das ideias populares. Daí o próprio nome Unidade Popular. Acreditamos que, a partir de um chamado decidido e pautado na força do movimento popular, se incorporarão a este projeto milhões de lutadoras e lutadores. Foi para fazer este chamado que nasceu a UP.

 

Como vocês veem a atual situação do País? Qual a saída para a crise do Brasil?

Fernanda Lopes – O Brasil vive uma grave crise econômica e política que se agrava a cada dia, com vários retrocessos democráticos, perdas de direitos e uma calamidade social. O desemprego já atinge cerca de 24 milhões de pessoas. Hospitais, postos de saúde, escolas e universidades estão abandonados. A violência aumenta e o povo teme por sua vida todos os dias, especialmente as mulheres. O ilegítimo governo de Michel Temer, que só tem olhos para as classes ricas, aprovou a chamada “PEC dos Gastos”, congelando por 20 anos os investimentos públicos em saúde, educação e moradia. Aprovou, em agosto de 2017, a Reforma Trabalhista, que retirou direitos históricos dos trabalhadores conquistados em décadas de luta, e ainda quer aprovar a Reforma da Previdência para que trabalhadores e trabalhadoras não se aposentem mais. Para sair desta crise, o País precisa passar por profundas mudanças. Somente uma profunda transformação econômica e social que dê vida digna para o nosso povo, emprego, saúde e educação de qualidade, moradia, transporte e terra para os camponeses resolverá os problemas atuais vividos pelo povo. Por isso a UP luta pelo poder popular e pelo socialismo.

Leonardo Péricles – Devemos lembrar também que vivemos uma das mais profundas crises econômicas da história do capitalismo, desde 2008, e que se manifestou com mais força no Brasil a partir de 2013. A solução para esta crise é pôr fim a um sistema que protege uma minoria de ricos. E o programa para isso já é conhecido: taxar as grandes fortunas; impedir a especulação imobiliária e garantir a função social do solo; suspender o pagamento da dívida pública, que nos suga quase metade do orçamento federal; exigir o pagamento dos devedores da dívida ativa dos municípios e estados; impedir a sonegação de impostos pelas grandes empresas, inclusive dos devedores da Previdência; reduzir a jornada de trabalho sem redução do salário para gerar mais empregos. Desta forma, bilhões de reais serão arrecadados e serão suficientes para resolver os graves problemas sociais que nosso país vive. Mas, ao lado de todas estas lutas, não devemos deixar de disputar a maioria da população para um projeto ainda mais profundo de transformações sociais, que é a derrubada do capitalismo e a implantação do socialismo, em que os meios de produção das riquezas estejam nas mãos da classe trabalhadora e possam servir para a vida, e não para o lucro.

Nenhum dos atuais partidos defende essas propostas?

Fernanda – A maioria dos atuais partidos está pautada pela institucionalidade, por um respeito sagrado aos limites impostos pela burguesia, ao invés de se pautar pela necessidade de superação do capitalismo. E isso exige muito enfrentamento, rupturas, uma verdadeira revolução política. Um dos papéis que a UP se propõe a fazer é demonstrar que os partidos dos ricos enganam o povo a todo momento. Procuramos demonstrar pelo discurso e pela prática que nem todos os que fazem política são iguais, que há uma política corrupta e burguesa, mas que existem também políticos revolucionários e uma política proletária. Não se trata de moralismo, mas sim de colocar as coisas no seu devido lugar.

Por que o socialismo é superior ao capitalismo?

Leonardo – Em um país riquíssimo como o Brasil, o socialismo daria condições para todas as pessoas se apropriarem dos bens e serviços de que necessitem para viver. Já debaixo do capitalismo, somos um país subdesenvolvido, com uma economia comandada pelos EUA e com uma desigualdade social que aumenta a cada ano. Hoje a realidade é que as cinco pessoas mais ricas do País detêm a mesma riqueza da metade mais pobre da população. O socialismo também permite que a tecnologia desenvolvida seja aplicada para melhorar a vida do conjunto da população, e não para aumentar os lucros dos capitalistas. Só o socialismo garante acesso universal à educação, saúde, moradia, segurança, lazer. Isto já foi provado por décadas na União Soviética e em outras experiências socialistas. Uma nova onda de grandes transformações sociais virá neste século 21, pois são insustentáveis as contradições do capitalismo. Só no ano passado, por exemplo, 82% da riqueza produzida no mundo foi apropriada por apenas 1% das pessoas! A maioria dos trabalhadores ainda não tem a consciência de que este mundo novo de felicidade é possível, mas o socialismo está no sonho de todo trabalhador e trabalhadora consciente. Ao socialismo interessa socializar a riqueza das grandes propriedades, aquela que pode resolver o problema da moradia nas grandes cidades, pois no capitalismo há mais casas e prédios abandonados do que gente sem habitação. Já as grandes fábricas e empresas, as grandes extensões de terra, estarão à disposição do Estado, dirigido pela classe trabalhadora para que esta decida a prioridade e a função social de cada coisa.

Como veem as declarações de membros do Alto Comando do Exército defendendo um golpe militar?

Fernanda – Nessa conjuntura em que a luta de classes se encontra bastante acirrada, vemos manifestações das diferentes classes sociais e agrupamentos sobre as possíveis saídas para a crise. Dentro da falta de perspectivas de parte da população, setores do alto comando do Exército a serviço do setor mais reacionário da burguesia, dos fascistas, tentam também se apresentar como alternativa. Lembremos que todo este espaço para que generais possam se pronunciar sobre golpes de Estado, contrariando a própria Constituição sem sofrerem nenhuma punição, é algo muito grave e que não podemos aceitar. É preciso levar a cabo as recomendações da Comissão Nacional da Verdade para que se punam os torturadores e assassinos da época da ditadura militar. Como disse a grande companheira Amelinha Teles, em entrevista publicada na última edição do Jornal A Verdade: “Não há democracia com corpos insepultos”. Sabemos que a impunidade do passado leva à impunidade do presente, pois hoje milhares de jovens negros e pobres continuam sendo torturados e mortos nas periferias de todo o Brasil nas mãos de agentes estatais, principalmente das polícias militares.

Qual o balanço da campanha pela legalização da UP?

Leonardo – Estamos há 15 meses colocando em prática um ousado plano de legalização de um partido político revolucionário que almeja o poder. Para coletarmos as 600 mil assinaturas que conquistamos neste período, fomos a praças, bairros, vilas, favelas, ruas, empresas, fábricas, escolas, universidades e seguramente falamos para mais de dois milhões de pessoas que foram abordadas ou que escutaram nossas agitações. Nosso discurso, aliás, não é só para pedir uma assinatura, mas para politizar, para denunciar os crimes das elites contra o povo e convocá-lo para a luta.

Neste último período, conseguimos perceber como poucos o sentimento de nosso povo, seu desejo por mudanças no Brasil e, neste sentido, tivemos ainda mais certeza de que nossa decisão de criar a UP foi acertada. E fizemos isso sem depender de um centavo da Odebrecht ou de qualquer outra grande empresa, banco etc. Sem depender também de nenhum figurão da política tradicional burguesa, dependendo apenas de nossa militância e de apoiadoras e apoiadores que têm os mesmos propósitos que nós.

Chegamos agora a um momento decisivo, pois temos pouco mais de seis meses para cumprir nosso objetivo, já que a legislação impõe um prazo máximo de dois anos. Apesar de enfrentarmos regras extremamente antidemocráticas para a legalização de novos partidos, durante este período, que estamos chamando de período especial, nossa militância decidiu se dedicar integralmente à realização desta grandiosa tarefa. Chegaremos até o final de maio com pelo menos 800 mil assinaturas coletadas no total e já demos passos importantes no cadastramento das fichas de apoio no sistema online do TSE e nos cartórios eleitorais. Em três estados a UP já alcançou o número mínimo de apoiamentos exigido e já podemos constituir seus diretórios estaduais provisórios. Estamos trabalhando para que nos próximos meses cheguemos a pelo menos nove diretórios estaduais legalizados, que é outra exigência. Além disso, temos recebido adesões de muitos ex-militantes de outros partidos e organizações políticas, e até de grupos políticos que não se sentiam mais representados pelos demais partidos existentes.

O que falta para a UP conquistar a legalização?

Fernanda – Tudo o que fizemos até aqui, apesar de muito importante, não basta, pois precisamos validar 487 mil assinaturas nos cartórios eleitorais de todo o Brasil. Neste sentido, entramos no sistema do TSE com cerca de 150 mil fichas nestes últimos meses e nossa campanha continua até a legalização. Para termos êxito, estamos fazendo também uma campanha de arrecadação de finanças, pedindo contribuição às pessoas que acreditam em nossa causa para que possamos ter um caixa que permita arcarmos com os gastos desta reta final. Precisamos da ajuda de todas e todos para que possamos concluir esta campanha de dois anos. Estamos muito confiantes de que venceremos!

PM e fascistas agridem manifestantes em ato “Ditadura nunca mais!” no RJ

Ato por Memória, Verdade e Justiça e descomemoração do golpe militar de 1964 é realizado no Rio de Janeiro em meio a ataques fascistas.

REDAÇÃO RJ


LUTA POPULAR – Centenas de pessoas se reuniram na capital fluminense para exigir a punição dos golpistas de ontem e de hoje e perguntar “ONDE ESTÃO OS MORTOS POLÍTICOS DA DITADURA”?. Ainda na concentração do ato, que iniciou-se no centro, na frente do prédio onde era o antigo DOPS (Departamento de Ordem Política e Social), órgão responsável pelos sequestros e torturas de homens, mulheres e crianças durante o período ditatorial – o ato foi surpreendido pela presença de fascistas. Um grupelho fascista resolveu provocar lutadores da classe trabalhadora, operários, mães, mulheres e jovens estudantes. O grupo, que em várias ocasiões teve atitude semelhante de buscar provocar os militantes da UP, do PCR e de vários movimentos sociais e UJR, foi rapidamente expulso do ato, fugindo e correndo de forma atrapalhada ao som das palavras de ordem “recua fascista, recua”.

Ato por memória, verdade e justiça acontece no RJ

Provocação fascista tenta impedir o ato no RJ

A PMERJ, tentou a todo custo prender, sem razão, os militantes da UP e da UJR, que não se intimidaram, enfrentaram a repressão policial, e o grupo fascista e impediram que os militantes fossem presos. Mesmo com a proteção do braço armado do Estado, os fascistas tiveram que ver seu símbolo criminoso e genocida, a bandeira de israel, ser queimada diante de seus olhos pelos trabalhadores que não aceitam genocídio e deixaram claro que não recuarão contra o fascismo em nenhuma hipótese.

Sabemos que os torturadores dos porões da ditadura, que foram a escola dos policiais que hoje sobem nas favelas em caveirões, no intuito de matar pobres e favelados, servem aos mesmo senhores e a única forma de acabar com a violência que oprime a classe trabalhadora é com a construção da sociedade socialista, livre da fome, da pobreza e da violência fascista.

Após isso, o ato seguiu tranquilo, com o povo marchando unido relembrando quem estava nas ruas e presenciava o ato de todos os horrores causados pelos ditadores do passado e da tentativa de golpe que procurava, em 8 de janeiro de 2023, mais uma vez jogar o Brasil em uma ditadura. O ato seguiu com muito apoio popular e sem perturbação até chegar ao seu destino, em frente ao prédio da Associação Brasileira de Imprensa, também no Centro.
Apesar de expulsos, os fascistas não desistiram de provocar o ato. Esperaram a manifestação chegar ao seu destino para pedir escolta para a PMERJ, que se prontificou a protegê-los para cumprir seus objetivos: ganhar visualização com vídeos mentirosos e falsos.

Munidos com uma bandeira do estado genocida de Israel, ofenderam as pessoas que lutavam por uma sociedade verdadeiramente livre, zombaram dos heróis do povo, como Manoel Aleixo, e com palavras machistas e racistas exaltavam o genocídio contra o povo palestino. A todo tempo se escondiam atrás dos policiais militares e posavam nos vídeos como se as vítimas fossem eles.

Os policiais não tiveram nenhum pudor em deixar claro que estavam ali para escoltar e dar proteção ao bando. Manifestantes conseguiram arrancar das mãos de um dos fascistas a bandeira de Israel, e após isso, a polícia começou a reprimir a manifestação, usando spray de pimenta e atirando com balas de borracha nos manifestantes, em uma aliança clara com o fascismo, digna de uma polícia que é herança da ditadura militar fascista e chefiada por Cláudio Castro.


“Nenhum passo atrás, ditadura nunca mais!”

1º de abril de 2025 marca o dia em que se instaurou no nosso país Golpe Militar Fascista de 1964, que foi arquitetado para impedir o acesso do povo a direitos básicos como reforma agrária e urbana e instaurar uma sanguinária ditadura que sequestrou, torturou e matou milhares de brasileiros, especialmente os heróis abnegados que se recusaram a abaixar a cabeça para seus algozes.

A Ditadura Militar durou de 1964 até 1985 e, durante esse período, a burguesia nacional e estrangeira engordaram seus cofres enquanto o povo amargava a censura, o aumento da desigualdade e da pobreza, a hiperinflação e a perda de direitos civis básicos.
Desde o fim desse período que ainda hoje assombra o nosso povo, todo dia 1º de abril, milhares de pessoas saem às para exigir Memória, Verdade, Justiça, Reparação e punição para os golpistas e torturadores do passado e do presente em atos para denunciar que a impunidade de ontem segue empoderando fascistas até hoje e levando as Forças Armadas a crer que tem o direito de se considerar donos do país e tutores do povo brasileiro.

Ocupação Mulheres Mirabal conquista sede em Porto Alegre

A Ocupação Mulheres Mirabal, organizada pelo Movimento Olga Benario em Porto Alegre desde 2016, a segunda Ocupação de Mulheres do Brasil, conquistou uma sede para continuar atuando contra a violência e lutando pela vida das mulheres


MULHERES – Após uma longa jornada de 8 anos, de já ter resistido a reintegrações de posse e as enchentes em Porto Alegre, a Ocupação Casa de Referência Mulheres Mirabal conquistou com muita luta uma sede no centro da cidade. Trata-se de um andar em um prédio, cedido pela União pelo prazo de 20 anos.

O projeto para reformas do local deve iniciar em breve com o objetivo de continuar as atividades já organizadas pela Ocupação: atendimentos de acolhimento para vítimas de violência além de cursos, palestras, encontros e atividades culturais.

Uma conquista das mulheres 

A conquista deste espaço representa a força das mulheres que compõem o Movimento de Mulheres Olga Benario. Desde 2016, nosso Movimento organiza ocupações de mulheres, criando espaços voltados ao atendimento e à formação política de mulheres. E ainda, através das ocupações, nosso Movimento pauta, perante o Estado capitalista e a sociedade, a importância que as políticas públicas voltadas para as mulheres é de suma importância para todas nós.

Sob governos fascistas, vimos o desmonte de redes de combate à violência e a estagnação da construção de equipamentos criados através da Lei Maria da Penha, como as Casas da Mulher Brasileira, as delegacias especializadas e delegacias 24h, para darmos alguns exemplos.

A participação do nosso movimento social para o avanço das pautas das mulheres trabalhadoras é símbolo de um país que vive uma pandemia de feminicídios, assédios e abusos e que necessariamente precisa das mulheres organizadas para alcançar um novo e melhor patamar de qualidade de vida das mulheres.

A conquista de um local para a Mirabal é um passo para esse avanço tão necessário, mas não podemos esquecer que nossa luta precisa crescer. Esses espaços só serão revolucionários se utilizados por milhares de mulheres do nosso povo seja em reuniões de núcleos, cursos emancipatórios ou atendimentos fora de uma perspectiva assistencialista.

Seguimos em luta! Por todas aquelas que foram por todas que virão!

Viva a luta das mulheres!

Viva o Movimento de Mulheres Olga Benario!

Entregadores de aplicativo realizam atos por melhores condições de trabalho em todo o país

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Em nova paralisação, entregadores exigem melhores condições de trabalho, auxílio em caso de acidentes e reajuste nas remunerações oferecidas pelos aplicativos.

Estefani Maciel | São Paulo (SP)


Esta segunda-feira (31/3) marca uma nova etapa na luta dos trabalhadores que realizam entregas por aplicativos. Entregadores de todo o Brasil realizaram manifestações durante o dia que reuniram milhares de trabalhadores, mirando especialmente no iFood, empresa que atualmente controla 80% do mercado de delivery no país.

O aplicativo controlado pela holding holandesa Prosus, que comprou suas ações em 2022 por R$9,4 bilhões, repassa valores irrisórios aos trabalhadores que estão em sua linha de frente. Em média, um entregador recebe R$1,50 por quilômetro rodado e R$6,50 por rota realizada. Sem garantias de seguros em caso de roubo, suporte para acidentes ou qualquer oferta de alimentação, nenhum centavo do lucro anual de R$7,1 bilhões do iFood é revertido aos entregadores. Muito pelo contrário, os investimentos giram apenas entre os grandes monopólios, como o Grupo Globo, que recebeu R$47 milhões em cota de propaganda para o Big Brother Brasil 2024.

“Quanto custa o óleo na moto dos caras? Quanto custa a manutenção no câmbio de uma bike?” questionou Renato* ao jornal A Verdade durante a manifestação em São Paulo. “Nós, bikes e motocas, sofremos na chuva e no sol. O valor que é pago a nós não compete com o que a gente vive”, afirmou. 

Gabriel*, entregador de Guaianases, na zona leste de São Paulo, declarou que “eles lucram 7 bilhões, não sou eu que tô dizendo, tá em todo canto aí pra vocês verem. Porque nós, os entregadores, estamos passando fome? É porque eles só pensam no bolso deles. Tem um mano lá na Cidade Tiradentes que sofreu acidente, se não fosse a gente se mobilizar pra levar cesta básica pra ele, tava ele e a mulher dele passando fome.”Foto: Wildally Souza (JAV/SP)

Luta pela redução da jornada de trabalho

Demonstrando também a imensa solidariedade entre a classe trabalhadora, os entregadores também afirmaram que a nova greve está intrinsecamente ligada na luta pelo fim da escala 6×1, pauta que ganhou projeção nacional nos últimos meses e que já mobilizou trabalhadores no setor da indústria, com a greve da PepsiCo e, mais recentemente, trabalhadores do comércio e varejo, em ato organizado pela Unidade Popular no último dia 19 de março, no Shopping Itaquera, zona leste de São Paulo.

“De fato, eu posso levar meu filho na escola às 11h e ligar o aplicativo às 11h30”, disse o entregador Nicolas Santos. “Então, você acaba construindo sua vida em torno daquilo e nunca mais se imagina dentro de um ambiente fechado onde você não pode, por exemplo, levar seu filho na escola.”

Essa falsa flexibilidade escancara um problema ainda mais profundo. Para poder receber um valor que possa pagar as contas, mesmo sem horário obrigatório, é necessário fazer longas jornadas. É o que relata Amanda*, esposa de um dos entregadores presentes na manifestação. “Tem vez que a gente passa dias só se vendo de madrugada e às vezes o sono é tão grande que ele passa mal”. Gestante, Amanda também nos disse que a indignação é grande: “Os caras do iFood tão lá tudo engravatado e com a cara limpa, não tem um negro, porque os pretos tão lá em cima da Honda, da 160, pra ganhar o dinheiro deles!”

A manifestação dos entregadores em São Paulo seguiu até o MASP, onde realizaram intervenções denunciando a violência que a empresa promove pela falta de suporte aos entregadores mortos em acidentes e assaltos. Em seguida, os entregadores foram até a sede do iFood, em Osasco, com o objetivo de pressionar a empresa a negociar com a categoria. 

A proposta dos entregadores foi de que algum representante da empresa fosse até o trio e se comprometesse a realizar essa negociação, porém, a empresa acionou a polícia para negociar a saída dos entregadores e que 10 lideranças fossem até a sede para conversar sobre as reivindicações. No fim da tarde de hoje, em nota oficial, o iFood informou que “não se compromete em atender as reivindicações, mas que continuará dialogando com os trabalhadores.”

Entregadores exigem melhores condições de trabalho. (Foto: Wildally Souza)

O povo quer luta

Os últimos meses demonstram o intenso anseio da classe trabalhadora em construir uma nova sociedade, livre da exploração, com condições dignas para comer, trabalhar e viver.

Em todo Brasil, e no mundo, trabalhadores dos mais variados setores estão mobilizando suas categorias em busca de melhores condições de trabalho, remunerações adequadas e jornadas justas.

O que está sendo desenhado para a classe operária é uma nova jornada de lutas, cada vez mais acirradas, rumo a uma greve geral que marcará uma divisão de águas entre a conjuntura de exploração capitalista e a construção da sociedade socialista. 

12ª edição do Cordão da Mentira denunciará golpismo e genocídio negro e indígena

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Convocado todos os anos para o dia do golpe militar de 1964, Cordão da Mentira denuncia os crimes cometidos pelo Estado ontem e hoje. A concentração para o ato terá início às 18h no Pateo do Collegio, no Centro de São Paulo.

Redação SP


Nesta terça-feira (1º/4), a partir das 18 horas, o Cordão da Mentira fará o seu tradicional desfile-escracho no centro de São Paulo. O tema da 12ª edição do ato, a ser realizada neste ano, será “Desfile Para Adiar o Fim do Mundo”, lembrando o genocídio indígena, palestino e da população preta e periférica.

Todos os anos, na data do golpe de 1964 e do Dia da Mentira, o Cordão sai às ruas com a participação de indígenas, mães de vítimas da violência de Estado e sobreviventes dos massacres que acontecem há mais de 500 anos neste território, denunciando a opressão estatal e os crimes cometidos em nome do poder. Composto por artistas e militantes, o bloco denuncia que essa realidade não se alterou mesmo depois do fim da ditadura militar fascista.

“Novamente, entoaremos nas ruas nossas canções de liberdade contra os fascistas da política e contra a militarização da vida. Celebraremos a memória dos mártires de ontem e de hoje. Nós lutamos para que o Cordão, um dia, perca seu sentido: lutamos para não celebrar a memória dos massacrados do futuro. Acreditamos que um outro mundo é possível”, defende Thiago B. Mendonça, um dos organizadores do Cordão da Mentira.

Neste ano, participarão do ato artistas como Douglas Germano, Roberta Oliveira, Renato Martins e Selito SD e movimentos de familiares de vítimas da violência do Estado, como as Mães de Maio, Mães de Paraisópolis – “Os 9 que perdemos”, Mães de Maio do Nordeste e as Mães de Manguinhos. Também estarão presentes os movimentos sociais, inclusive aqueles que constroem a Unidade Popular (UP).

Punição aos genocidas e golpistas no Brasil e na Palestina

No contexto da intensificação da luta pela punição dos envolvidos na tentativa de golpe liderada por Jair Bolsonaro, “cantaremos também contra os golpistas de ontem e de hoje, afirmando nosso repúdio à sua anistia, assim como à de torturadores e assassinos” complementa Thiago Mendonça. O cortejo ainda denunciará o genocídio que vem sendo cometido por Israel contra o povo palestino, que recentemente alcançou 50 mil mortes confirmadas pelo Ministério da Saúde de Gaza.

Para além da denúncia dos crimes do Estado, os organizadores do bloco que sairá às ruas neste 1º de abril defendem a importância de seguir lutando por uma sociedade mais justa e digna. “É mais fácil imaginar o fim do mundo do que o fim do capitalismo? Nós acreditamos que não. E é criando nas ruas que participamos da invenção de outra sociedade”, conclui Thiago.


12º DESFILE DO CORDÃO DA MENTIRA 2024 

Quando: 1º de abril, esta terça-feira.

Que horas: A partir das 18 horas.

Onde: Concentração no Pateo do Collegio, no centro de São Paulo.

Trabalhadores do Mercado Livre relatam precarização nos Centros de Distribuição e na área de Tecnologia

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Enquanto reporta lucros e investe em patrocínios e marketing bilionários, o Mercado Livre tenta silenciar e desmobilizar a organização dos trabalhadores. Empresa chegou a apagar e-mail de convocação de assembleia sindical. Também convocou gerentes para coagir trabalhadores a votar a favor do Acordo Coletivo da empresa em 2024.

Movimento Luta de Classes – Tecnologia


TRABALHADOR UNIDO – Há pouco mais de um ano, em fevereiro de 2024, um jovem, reconhecido por seus colegas como funcionário exemplar, tirou a própria vida após receber a notícia de que estava sendo demitido da empresa. O nome deste trabalhador é Luis Felipe Dominicalli e o nome desta empresa é Mercado Livre. 

Entre os relatos de colegas de Luis Felipe, se acumulam denúncias de assédio moral e sobre o ambiente tóxico do setor de operações em Cajamar (SP). “Esse lugar é um verdadeiro hospício! Saí de lá muito abalada psicologicamente e por muito pouco não aconteceu o mesmo comigo”, disse uma ex-funcionária nas redes digitais de uma mídia local.

Infelizmente, Luis Felipe foi mais uma vítima do sistema capitalista que tira a vida da classe trabalhadora para garantir o lucro dos empresários e dos super-ricos. 

Trabalhadores dos Centros de Distribuição em Santa Catarina relatam abusos

Além do que aconteceu em Cajamar, o Movimento Luta de Classes, junto aos trabalhadores do Mercado Livre, coletou dezenas de denúncias de trabalhadores dos Centros de Distribuição de Santa Catarina. Os trabalhadores relataram casos de assédio, de perseguição e de exaustão. “É um absurdo a sobrecarga física, eu tive que ir trabalhar com meu pulso machucado. Acabei com minha coluna, tenho escoliose por causa do trabalho pesado. Eu tinha crise de ansiedade todo  dia, passei por um período de depressão que eu só sentia vontade de morrer”, denuncia um trabalhador.

Outro trabalhador relata que trabalhava sob calor e frio extremos, nos turnos da madrugada e acabou pegando pneumonia. “Faltei ao trabalho algumas vezes por não conseguir lidar com a pressão e quando voltei novamente com atestado de psiquiatra e psicólogo de que não podia trabalhar sozinho, a demissão veio no mesmo dia”, relata.

Trabalhador tem que ir para o escritório, mas empresa se recusa a custear transporte e hospedagem

Além do ambiente insalubre e inseguro nos Centros de Distribuição, os trabalhadores relatam que sofrem perseguição e demissão quando questionaram e criticaram abertamente as políticas da “cultura Meli”, como a presencialidade obrigatória.

De acordo com essa política, instituída em 2024 de maneira informal, os trabalhadores precisam comparecer presencialmente ao escritório pelo menos 1 vez a cada trimestre. O problema é que o contrato de grande parte desses trabalhadores funciona no regime de home office integral. Ou seja, estes funcionários vivem a centenas de quilômetros de distância dos locais em que estão alocados os escritórios.

Além disso, a empresa se recusa a pagar a ajuda de custo de transporte ou hospedagem. “Fui desligado no dia em que me manifestei em reunião que arcar com os custos da viagem. Disse que não estava de acordo com o Acordo Coletivo de Trabalho vigente”, desabafa um dos demitidos em pesquisa feita pelo grupo de trabalhadores organizados no perfil @trabalhadoresmeli.

Na prática, o salário desses trabalhadores reduziu, uma vez que parte do seu pagamento precisará ser utilizada para pagar os custos da viagem obrigatória. No caso de funcionários que precisam se deslocar do Nordeste até São Paulo, as passagens podem chegar a R$ 3.000.

Trabalhadores de TI lutam pela redução da jornada de trabalho 

Em 2024, os trabalhadores de tecnologia do Mercado Livre de Santa Catarina se organizaram e procuraram seu novo sindicato, o Sindpd/SC para debater um novo Acordo Coletivo. Entre as principais reivindicações estava a redução da jornada de trabalho para 40 horas (realidade para grande parte da categoria de TI) e a garantia do home office. 

Mas a empresa não apenas ignorou as reivindicações dos empregados, como tentou dissuadir e silenciar a Assembleia convocada pelo Sindpd/SC.

Em novembro de 2024, apagou os e-mails de convocatória da caixa de entrada dos funcionários e mobilizou dezenas de gerentes para votarem a favor da empresa.

De acordo com os relatos, o jurídico da empresa orientou os líderes a convencerem os seus times de que a proposta oferecida pela empresa era melhor. Além disso, mentiam dizendo que, caso a proposta da empresa não fosse aprovada, “perderiam direitos e inúmeros benefícios”.

“A ação gerou dúvida em uma série de trabalhadores, e quando nós perguntávamos nos canais de comunicação internos da empresa, sofríamos represália por parte dos gerentes”, relata um dos trabalhadores que foi perseguido.

Proposta dos trabalhadores obteve 42% dos votos

Mesmo sendo perseguidos de forma aberta, 42% dos trabalhadores votaram contra a proposta da empresa. Tal proposta nada oferecia aos trabalhadores, a não ser a suspensão por 6 meses da política da presencialidade.

Mesmo com essa medida aprovada no ACT, os trabalhadores denunciaram que a empresa não fez nenhum comunicado oficial sobre a suspensão do regime presencial. Simplesmente continua agindo como se nada tivesse acontecendo.

Além disso, diversos trabalhadores relatam que ao sondarem sua liderança, provavelmente por medo de represálias, recebem a recomendação de continuar indo ao escritório.

Cláusula presente no Acordo Coletivo de Trabalho 2024-2025 (disponível no site do sindpdsc.org.br) suspende a obrigatoriedade da presencialidade por 180 dias. Empresa, no entanto, não está cumprindo esta regulamentação.

Trabalhadores são demitidos por “desalinhamento cultural”

Após a Assembleia de 2024, uma nova onda de demissões começou sob o mote de “desalinhamento cultural”. “Vivemos sob um processo de demissão massiva que pode estar acontecendo a conta-gotas. Criamos o formulário para dizer para as pessoas que estão sendo demitidas de que elas não estão sozinhas. Queremos que saibam que juntos, podemos erguer as nossas vozes contra as arbitrariedades cometidas pela empresa. Esta gestão fascista depois de nos adoecer física e mentalmente, persegue a todos que se opõem de alguma maneira a essa cultura doentia”, afirma um dos trabalhadores organizados.

A pressão por resultados e falta de compreensão e humanidade estão causando danos psicológicos a centenas de pessoas. “Sinto que me demitiram mais por questionar do que por performance. Me demitiram dois dias depois do meu aniversário. A demissão silenciosa acontece desde a mudança de sede”, desabafa uma ex-funcionária.

A luta continua

Em novembro do ano passado, o Movimento Luta de Classes (MLC), junto com alguns trabalhadores, organizou um ato em frente à empresa para denunciar a Black Fraude.

Nesse período, os imensos lucros do Mercado Livre ficam ainda maiores. Por isso, explora ainda mais os trabalhadores e os submete a metas e jornadas exaustivas, recompensando-os com pizzas, energéticos e outros “benefícios”. 

Já em fevereiro deste ano, a empresa perdeu novamente na Justiça e terá que indenizar funcionários e ex-funcionários por diferenças nos valores pagos em reajustes salariais, horas extras e adicionais noturnos. A decisão deve beneficiar cerca de 5 mil trabalhadores, entre empregados e ex-funcionários.

Todos estes acontecimentos demonstram que os trabalhadores permanecem organizados e em luta para mudar os rumos desta história, como disse Lenin em “Sobre As Greves”: “Quando os operários levantam juntos suas reivindicações e se negam a submeter-se a quem tem a bolsa de ouro, deixam então de ser escravos, convertem-se em humanos e começam a exigir que seu trabalho não sirva somente para enriquecer a um punhado de parasitas, mas que permita aos trabalhadores viver como pessoas.”

Em memória de Edson Luís, AMES-SP é fundada em São Paulo

Durante o Encontro dos Estudantes Secundaristas da Região Metropolitana de São Paulo, foi fundada a Associação Metropolitana dos Estudantes Secundaristas de São Paulo (AMES-SP), visando aglutinar e impulsionar a luta secundarista na região.

Coordenação do Movimento Rebele-se SP


O relato

[…] Naquele dia, meu corpo eles tombaram
Mesmo assim eu segui caminhando
Pois mil pernas jovens me levaram
E até hoje continuamos marchando 

Por favor, conte sempre esse relato
Do protesto no restaurante Calabouço
Pois ainda queremos comida no prato
Nós somos Edson Luís de Lima Souto […]”
(Kay Lins, da UJR-SP)

Foi dessa forma que o Movimento Rebele-se iniciou o grandioso Encontro dos Estudantes Secundaristas da Região Metropolitana de São Paulo: rememorando um dos acontecimentos mais marcantes da história brasileira, o assassinato do estudante secundarista Edson Luís pelas mãos da ditadura militar, em 1968. 

Diante do cenário atual da educação, não é raro encontrar salas de aula ocupadas por estudantes exaustos, indignados e especialmente revoltados com o sistema. É o sistema capitalista que permite aos políticos — representantes dos ricos — orquestrar em São Paulo um esquema de educação limitante, que expulsa a juventude mais pobre da sala de aula e, pra quem fica, impõe projetos que sugam a qualidade do ensino gratuito, minando a emancipação, o desenvolvimento do senso crítico e o futuro. 

O interesse por trás do sucateamento das escolas públicas é claro. A burguesia brasileira segue na tentativa de manter a juventude trabalhadora nas piores condições de vida, amarrada a seus grilhões, enquanto expande seu lucro no “mercado da educação”. Exemplo disso é o próprio CMSP (Centro de Mídias do Estado de São Paulo): à medida que o conteúdo dos itinerários “nada formativos” oferecido é vazio e insuficiente, empresas como Alura (contratada pelo Governo Tarcísio em 2023 por R$30 milhões sem licitação) escoam o dinheiro público para o bolso do empresariado.

Ainda assim, apesar das investidas desses sujeitos contra nós, os estudantes da região metropolitana de São Paulo não se rendem! Inspirados pela luta dos que tombaram na ditadura, o dia 28 de março foi marcado pela energia, combatividade e vontade de mudar completamente os rumos do movimento estudantil através da mobilização e da luta unificada entre as entidades e os grêmios dessas regiões. 

Organizar um movimento estudantil verdadeiramente combativo

O Encontro, que contou com a presença de cerca de 150 estudantes de mais de 40 escolas espalhadas por 12 municípios da Grande São Paulo, foi marcado pelo sentimento da necessidade concreta de batalhar por uma educação de qualidade. 

As intervenções dos grupos de debate deixaram claro o que isso significa: erguer ainda mais alto a bandeira dos grêmios livres, avançar a luta por mais orçamento para a educação e intensificar as batalhas contra os programas limitantes do Novo Ensino Médio e da Cívico-Militarização das escolas.

“Nos grupos de trabalho, tivemos a oportunidade de refletir sobre nossa escola e elaborar sobre o futuro da luta dos secundaristas de São Paulo”, avaliou Ana Leite, diretora da UBES pelo Movimento Rebele-se.

Onde houverem grêmios censurados, onde os estudantes rebeldes sofrerem perseguição política, devem se levantar aqueles que estão decidindo construir um amanhã diferente para o movimento estudantil.

Foi frente à necessidade de unificar esse movimento combativo, frente à insatisfação com o setor do imobilismo governista, que nasceu a proposta de fundação de uma nova entidade de luta dos estudantes da Grande São Paulo: a Associação Metropolitana dos Estudantes Secundaristas de São Paulo (AMES-SP). 

28 de março e a luta por Memória, Verdade e Justiça!

Estudantes aprovam fundação da AMES SP. Foto: JAV/SP

Nascida para o combate, a novíssima AMES-SP iniciou seus trabalhos em manifestação pelo centro da cidade de São Paulo. Os estudantes caminharam da FATEC SP, onde foi sediado o encontro, até o Memorial da Resistência (antigo DOPS) para denunciar os golpistas de ontem e hoje, pedir a abertura dos arquivos da ditadura militar e repudiar completamente o projeto de fascistização da sociedade e de militarização das escolas paulistas.

“Conhecemos na pele a violência policial do lado de fora, que inclusive tem aumentado, e por isso não queremos policial nenhum do lado de dentro do muro”, disse Laura Machado, estudante do Extremo Sul da capital paulista. É preciso transformar a palavra de ordem “escola não é quartel” em realidade, defendem os estudantes.

Nessa sexta-feira histórica para os estudantes da Grande São Paulo, inicia-se um novo tempo para a organização e crescente das lutas na região. É nosso dever construir uma grande jornada, de escola em escola, sala em sala, que incendeie a luta estudantil e traga grandes conquistas para os jovens paulistas. É só com luta que se conquista!

“AMES-SP
de luta e ação
combatividade
pra mudar a educação!”

OPINIÃO | Casa Marighella: “A CPTM e a privatização”

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“A privatização de empresas públicas estratégicas, como a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e a Sabesp, não é apenas uma questão de gestão, mas um projeto político que aprofunda desigualdades, precariza serviços essenciais e transfere riquezas públicas para o setor privado.”

Casa Marighella


A privatização de empresas públicas estratégicas, como a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e a Sabesp, não é apenas uma questão de gestão, mas um projeto político que aprofunda desigualdades, precariza serviços essenciais e transfere riquezas públicas para o setor privado. No caso do transporte ferroviário e do saneamento básico, essa entrega do patrimônio coletivo a grupos empresariais tem impactos concretos: aumento de tarifas, piora na qualidade do serviço, demissões em massa e a subordinação de direitos sociais à lógica do lucro.

O mito da eficiência privada e a realidade dos prejuízos sociais

efensores da privatização argumentam que a iniciativa privada traz eficiência e modernização. No entanto, os dados mostram o contrário. Um estudo do Dieese (2021) sobre as privatizações no setor de transporte aponta que, em média, “as tarifas aumentam até 50% mais nos sistemas privatizados em comparação com os públicos, sem melhoria proporcional na qualidade”.

Além disso, pesquisa do Ipea (2020) revela que processos de privatização no Brasil frequentemente resultam em demissões em massa, com redução de até 30% dos postos de trabalho nos primeiros anos após a transferência para a iniciativa privada.

No caso específico da CPTM, a justificativa do governo Tarcísio de Freitas para a privatização é a necessidade de investimentos. No entanto, como demonstra um relatório do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (2023), a CPTM apresentava superávit operacional (ou seja, ganhava mais do que gastava em sua operação normal) nos últimos anos, com capacidade de reinvestimento. Ou seja, o problema nunca foi a falta de recursos, mas sim a opção política de desmontar o patrimônio público para beneficiar conglomerados empresariais.

O caso Sabesp: um alerta sobre o que espera a CPTM

O governo Tarcísio de Freitas também avançou no processo de privatização da Sabesp, empresa responsável pelo saneamento básico em São Paulo, essencial para a saúde pública. Apesar de a Sabesp ser uma das empresas públicas mais lucrativas do país – com lucro líquido de R$ 5,6 bilhões em 2022 –, o governo insiste em sua privatização, alegando a necessidade de investimentos. No entanto, como ocorre com a CPTM, a justificativa não se sustenta: a Sabesp já possui capacidade de autofinanciamento e acesso a créditos públicos vantajosos.

A privatização da Sabesp segue um roteiro conhecido:

  1. Aumento de tarifas: Experiências anteriores, como a da Cedae (RJ) – parcialmente privatizada em 2021 –, mostram que as tarifas de água e esgoto subiram 27% em apenas dois anos após a privatização (dados do Instituto Trata Brasil, 2023).
  2. Redução de investimentos em áreas menos lucrativas: Empresas privadas priorizam regiões de alta renda, deixando periferias e cidades pequenas com serviços precários.
  3. Demissões e terceirizações: Como ocorreu na Eletrobras, privatizada em 2022, que demitiu 12% de seus trabalhadores no primeiro ano sob controle privado (FNU, 2023).

Se esse é o futuro que aguarda a Sabesp, é razoável esperar que a CPTM siga o mesmo caminho: tarifas mais caras, menos investimentos em expansão e manutenção, e trabalhadores demitidos em nome da “eficiência” do mercado.

Quem ganha e quem perde com a privatização?

Enquanto o governo estadual repete o discurso de que a privatização trará “melhorias”, a experiência brasileira demonstra que esse modelo privilegia acionistas e grupos econômicos em detrimento da população. Um exemplo emblemático é a privatização da Light (RJ), que, após décadas sob controle privado, mantém uma das tarifas de energia mais caras do país e sofre com constantes blecautes. Da mesma forma, a venda da malha ferroviária federal nos anos 1990 resultou em sucateamento e abandono de linhas que não eram lucrativas, prejudicando o transporte de cargas e passageiros em diversas regiões.

No caso da CPTM, a privatização não apenas ameaça aumentar o custo para o usuário, mas também reduz a capacidade do Estado de planejar políticas públicas integradas de mobilidade. O transporte ferroviário é um serviço de interesse social, não um produto a ser explorado por grupos que visam apenas o retorno financeiro. Quando um governo entrega esse setor ao mercado, ele abre mão de um instrumento crucial para o desenvolvimento urbano e a redução das desigualdades.

A resistência popular e a criminalização dos movimentos sociais

É sintomático que, enquanto o governo de São Paulo acelera a venda da CPTM e da Sabesp, manifestações contrárias à privatização sejam reprimidas com violência policial. Nesta quarta-feira (27/03), familiares e amigos dos ferroviários (@naoprivatiza.cptm) organizaram um ato pacífico pela NÃO PRIVATIZAÇÃO DA CPTM, que tem o leilão das linhas 11,12 e 13 marcado para esta sexta feira (28/03), defendendo um bem público que pertence à população. A resposta do Estado? Pancadas, balas de borracha e bombas de gás desferidas pela Polícia Militar, subordinada a Tarcísio de Freitas. Essa postura autoritária revela o verdadeiro caráter do projeto privatista: não há diálogo, porque as decisões já foram tomadas no gabinete do poder econômico.

Conclusão: defender a CPTM e a Sabesp é defender o Brasil!

A privatização da CPTM e da Sabesp não são casos isolados, mas parte de um projeto maior de desmonte do Estado e entrega de setores estratégicos ao capital estrangeiro e a grupos nacionais privilegiados. Se permitirmos que esses processos avancem, o transporte público e o saneamento básico se tornarão ainda mais excludentes, e o Brasil perderá mais ferramentas de soberania e desenvolvimento social.

A luta contra a privatização não é apenas uma questão sindical ou setorial – é uma batalha pelo futuro do país. Ou resistimos agora, ou assistiremos, em poucos anos, ao sucateamento de mais direitos conquistados a duras penas pela classe trabalhadora.

Texto originalmente publicado no site da Casa Marighella

Nota: Repúdio às agressões da PM-SP contra jornalistas do jornal A Verdade

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Repórteres e fotojornalistas enfrentam agressões físicas, intimidações e até detenções arbitrárias durante a cobertura de manifestações, evidenciando os riscos crescentes para a liberdade de imprensa e os desafios da proteção aos profissionais da mídia em contextos de protesto e repressão policial.

Redação SP


Nesta quinta-feira, uma manifestação contra a privatização de três linhas da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), em São Paulo, terminou com violência. Muitos manifestantes saíram feridos e pelo menos três foram presos. Entre os atingidos pela repressão policial estavam jornalistas que acompanhavam o ato e foram impedidos de exercer seu trabalho. Mesmo identificados, profissionais da imprensa sofreram agressões, foram alvo de spray de pimenta e golpes de cassetete, em um episódio que reforça a escalada da repressão contra a comunicação independente.

Wildally Souza, fotojornalista que cobria a manifestação, relatou que a equipe de imprensa já estava atenta à possibilidade de violência. “A todo momento estávamos muito espertos e preparados para a repressão, porque cobrimos diariamente a violência policial contra o povo e sabemos que ela acontece por nada”, afirmou. No momento da dispersão, os jornalistas se posicionaram à frente do cordão de manifestantes, mas foram duramente atacados pela polícia. “Quando a polícia foi pra cima só pensamos em garantir as fotos com a máxima segurança, protegendo uns aos outros, mas foi muito violento”, completou.

As agressões se intensificaram conforme a repressão avançava. “Por várias vezes fui acertado com golpes de cassetetes e spray de pimenta”, relatou o fotojornalista, que também destacou a dificuldade de registrar as imagens em meio ao caos. “No momento mais tenso, foi quase impossível tirar qualquer foto, porque o gás estava muito forte e as bombas vinham de todos os lados.”

Outro jornalista, Guilherme Goya, repórter que cobria a manifestação, também foi impedido de exercer seu trabalho. “A repressão foi muito forte, no momento em que o prédio da Secretaria já estava desocupado. Eu estava entre o cordão de manifestantes e a polícia, e em diversos momentos fui coibido pelos policiais de exercer o meu trabalho, mesmo com a credencial de imprensa”, afirmou. Mesmo identificado, ele foi alvo de violência policial enquanto tentava registrar as prisões. “Na tentativa de gravar a prisão de uma das manifestantes, fui empurrado por um dos policiais.”

A tentativa de documentar os abusos foi recebida com ainda mais truculência. “Quando estava registrando uma agressão muito forte, cheguei a receber golpes de cassetetes na altura da bacia, que ocasionou um hematoma no local”, relatou o repórter. Além disso, o uso de agentes químicos para dispersão acabou atingindo diretamente os profissionais de imprensa. “Também recebi spray de pimenta diretamente nos olhos”, acrescentou.

A impossibilidade de registrar imagens e relatos de manifestações compromete não apenas o trabalho jornalístico, mas também o direito da população à informação. Muitas das agressões cometidas por agentes do Estado contra manifestantes e jornalistas só são documentadas graças ao trabalho da imprensa, uma vez que nem todos os policiais fazem uso das câmeras corporais que deveriam registrar suas ações. Em diversos casos, mesmo quando esses equipamentos estão presentes, há relatos de que são desligados ou cobertos, dificultando a produção de provas contra os abusos cometidos durante operações policiais.

Sem o registro independente, episódios de violência policial podem facilmente ser apagados ou distorcidos nos discursos oficiais, reforçando a impunidade. Organizações que monitoram a liberdade de imprensa alertam para o crescimento da hostilidade contra profissionais da comunicação, destacando que a violência não se limita apenas à agressão física, mas também inclui intimidação psicológica e tentativas de censura.

Em um contexto de crescente tensão entre a burguesia, que se esconde atrás de seus cães de guarda fardados, e a classe trabalhadora, que está cada dia mais consciente e desperta para a luta organizada, trabalho da imprensa se torna ainda mais essencial para documentar os fatos e garantir que abusos sejam denunciados. A violência contra jornalistas é uma afronta direta ao direito à informação e às garantias democráticas, exigindo respostas rápidas e eficazes de autoridades e entidades defensoras da liberdade de imprensa.

PM fascista agride manifestantes contrários à privatização da CPTM em São Paulo

Na manhã de hoje, centenas de manifestantes realizaram a ocupação da Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes, na capital paulista, em ato contra o leilão das linhas 11, 12 e 13, previsto para a próxima sexta-feira (28). A ação contra a privatização foi reprimida com violência pela Polícia Militar.

Redação SP


Está marcado para a próxima sexta-feira, 28, o leilão do chamado Lote Alto Tietê. O projeto privatista do governador fascista Tarcísio de Freitas busca entregar, nas mãos da elite financeira, três linhas da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM): Coral, Safira e Jade. A proposta é de concessão por 25 anos, pagamentos de R$1,49 bilhão ao ano, além de um aporte público inicial de R$10 bilhões.

A ameaça de privatização teve início no primeiro semestre de 2024, após a concessão da linha 7-Rubi. A população demonstrou sua contrariedade à venda dos serviços públicos paulistas em plebiscito popular e os trabalhadores fizeram a denúncia das concessões em uma audiência pública em junho de 2024. Mesmo assim, o governo fascista de São Paulo publicou o edital do leilão com a data para 28 de março de 2025.

Além disso, a proposta de privatização também inclui o Programa de Demissão Incentivada (PDI), que tem como objetivo demitir 72% da categoria, ou seja, 4200 trabalhadores da ferrovia. Aos trabalhadores que permanecerem em seus postos, a proposta é de redução de 50% dos salários. Em depoimento para o A Verdade, um técnico de manutenção no departamento de edificações que pediu para não ser identificado para evitar represálias, o clima de revolta na empresa cresceu após a concessão da Linha 7-Rubi. “É compreensível, é muito difícil se doar 100% para um emprego que você não sabe se vai existir amanhã”.

Categoria aprova greve, direção do sindicato oferece golpe

Foto: Diogo Romão (JAV/SP)
Foto: Diogo Romão (JAV/SP)

Na última semana, ferroviários que trabalham nessas linhas aprovaram, em assembleia, a paralisação total do serviço à partir da meia-noite do dia 26, decretando greve como forma de pressionar o governo a abandonar a proposta de entregar as linhas para a iniciativa privada. Os trabalhadores afirmam que essa concessão significa a demissão em massa de metade dos trabalhadores, além da diminuição do salário para metade do ofertado hoje. 

Numa manobra que desconsiderou a decisão já tomada e muito aguardada pelos trabalhadores, o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil realizou uma audiência de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho, que propôs a suspensão da greve até a próxima sexta-feira, dia 28. Sendo assim, mesmo com a primeira decisão que determinou greve a partir do dia 26, proposta amplamente defendida pelos ferroviários e população presente na assembleia, a greve foi suspensa.

Em resposta à decisão, vista como unilateral por parte dos presentes, dezenas de trabalhadores se uniram aos movimentos sociais presentes e partiram com panfletos para diversas estações incluídas no plano de privatização com o objetivo de mobilizar os ferroviários para uma nova assembleia e organização de greve.

A luta pelo transporte é coletiva

Foto: Wildally Souza (JAV/SP)
Foto: Wildally Souza (JAV/SP)

Na manhã de hoje, centenas de pessoas, incluindo amigos e familiares dos ferroviários e militantes de diversos movimentos sociais, realizaram a ocupação da Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes, localizada no centro de São Paulo, para pressionar o governador a cancelar imediatamente o leilão das linhas da CPTM. Recebidos já com intensa repressão, dezenas de pessoas foram feridas e três militantes foram detidos, sendo eles: uma assistente social, um estudante secundarista e o outro não teve ocupação divulgada.

As imagens são chocantes e os depoimentos impressionam. “É assim que age a polícia militar do Tarcísio de Freitas, jogando bomba no trabalhador que está lutando por seus direitos”, grita um dos manifestantes agredidos em imagens enviadas para nossa redação. Em outra imagem, é possível ver a PM erguendo uma das coordenadoras do Movimento de Mulheres Olga Benario nos braços com violência e empurrando para o camburão, numa clara demonstração de brutalidade desmedida. 

“Nós fizemos o certo e não vamos dar nenhum passo pra trás”, afirmou um dos militantes detidos no 8º DP de São Paulo, localizado no Belenzinho. “Vamos continuar a luta contra a privatização!”.

Sobre “A Mulher e a Educação” na luta por uma nova sociedade

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O artigo “A mulher e a educação das crianças”, de Nadejda Krupskaya, revolucionária russa e dirigente bolchevique, lançado em 1901, é uma profunda análise da situação e das condições em que as mulheres da classe trabalhadora são lançadas.

Larissa Vanessa | Recife – PE


MULHERES – Escrito para uma brochura chamada “A mulher operária” e publicado pela primeira vez em 1901 como um folheto separado no jornal Iskra, em Monique, o texto de Nadejda K. Krupskaya, “A mulher e a educação das crianças”, é uma leitura essencial para quem luta por educação de qualidade e por uma sociedade justa. Nesse texto, a companheira — que foi secretária do Iskra e membro do Comitê Central do Partido Comunista da União Soviética em 1924, além de ter atuado como Comissária da Educação na União Soviética entre 1919 e 1939, ano de sua morte —, uma das principais lideranças responsáveis pela criação do novo sistema educativo da URSS, descreve a situação em que se encontravam as mulheres operárias da Rússia em sua época.

Em “A mulher e a educação das crianças” vemos um recorte histórico cruel que, infelizmente não é de todo diferente da atual situação das mulheres e mães trabalhadoras de nossos dias. Nos é apresentado de forma crua como lidavam as operárias e camponesas com a forma que a maternidade lhes era imposta. Além da situação das mulheres, forçadas a vender sua força de trabalho, e ao mesmo tempo responsabilizadas pelo cuidado da casa e da família. As operárias utilizavam de todos os meios ao seu alcance para desempenhar seu papel social enquanto eram exploradas ao limite de suas capacidades físicas para conseguir o mínimo necessário para sobreviver. 

Sem preparo ou formação, sem apoio ou condições materiais concretas, eram incapazes de fornecer ao bebê os cuidados necessários. “Ao cuidar da criança, a camponesa orienta-se mais por costumes e preconceitos”. Num período em que, para manter-se, toda a família trabalhava sem descanso — incluindo crianças, idosos e gestantes —, a escola e a educação adequada pública das crianças pareciam inviáveis. Os trabalhadores, porém, se sublevaram e puseram abaixo o sistema de opressão, dando um exemplo de como podemos pensar melhor nossas prioridades na formação do indivíduo. “A operária se diferencia por sua saúde debilitada… E mulheres fracas, doentes, dão à luz crianças fracas”, são “geradoras, assim como elas mesmas, de uma geração fraca, semimorta, sobrecarregada por uma série de doenças que as levam a uma morte prematura”.

O olhar atencioso com o qual Krupskaya se dedica a elaborar os argumentos para a defesa de uma sociedade solidária e socialista nos faz refletir sobre como ainda hoje encontramos empecilhos para o desenvolvimento pleno de nossas habilidades intelectuais e físicas. Assim como na Rússia pré-revolucionária, a tarefa de manter vivas as crianças até sua idade laboral ainda recai sobre as mulheres. Uma sociedade que não reconhece que o desenvolvimento de suas próximas gerações é de interesse social, e não apenas particular, aceita a única tarefa de garantir a próxima leva de trabalhadores explorados, exaustos e mão de obra barata.

Sem considerar que a obrigação de cada sociedade é garantir as melhores condições de vida possíveis de sua época, fechamos os olhos para a opressão que enfrentam os trabalhadores, a exploração em que vivem e as dificuldades que vivenciam, apesar das possibilidades tecnológicas existentes. No lugar de melhorar nossas condições de existência, a tecnologia e os avanços científicos tornam-se ferramentas para perpetuar condições de vida cada vez mais degradantes, priorizando, sempre, a garantia da exploração da força de trabalho em troca de lucro aos super-ricos e dos privilégios burgueses.

A educação das crianças é uma tarefa social, uma vez que formamos agentes sociais responsáveis por dar continuidade à existência da humanidade. É direito da criança e obrigação de qualquer Estado que se proponha a representar os interesses da população. E a experiência socialista nos comprova que, no capitalismo, isso é inalcançável. Sendo assim, é pauta fundamental na elaboração de qualquer sociedade e prioritária no sistema socialista. E é nossa a missão de tornar possível esse modelo social o quanto antes. Pela vida das mulheres, por uma existência digna, pelo melhor desenvolvimento do nosso povo.

66° aniversário da Revolução Cubana: independência, contexto e revolução

Em 1959, sob a liderança de Fidel Castro, a Revolução Cubana pôs fim à ditadura de Fulgêncio Batista e abriu caminho para transformações estruturais profundas, construindo uma sociedade socialista.

Luiz Henrique | Recife – PE


LUTAS E HERÓIS DO POVO – Cuba foi a última colônia a se libertar da dominação espanhola, no ano de 1898. Com aproximadamente 400 mil mortos durante o período de 1895 e 1898. A intervenção dos Estados Unidos se dá de forma oportunista, com a vitória do povo cubano já estando a vista. Após o fim da guerra, os EUA negociam com a Espanha a “independência” Cubana colocando Cuba sob sua tutela, exercendo dominação econômica, política e militar, especialmente através da “Emenda Platt”:

“Que o Governo de Cuba permita que os Estados Unidos exerça o direito de intervir no sentido de preservar a independência cubana, manter a formação de um governo adequado para a proteção da vida, a propriedade, a liberdade individual.

Que, a fim de auxiliar os Estados Unidos a sustentar a independência Cubana, e para proteger a população dali, tão bem como para a sua própria defesa, o governo de Cuba deverá vender ou alugar terra aos Estados Unidos, necessárias para a extração de carvão para linhas férreas ou bases navais em certos locais especificados de acordo com o presidente dos Estados Unidos.”

José Martí, morto no primeiro ano da Guerra, líder máximo da independência cubana, não chegou a ver a vitória frustrada de uma incompleta libertação, porém já havia antecipado os termos fundamentais do imperialismo estadunidense, que, efetivamente, é apenas uma nova forma do colonialismo. Pensando estrategicamente o futuro de Cuba e da América Latina. Diz ele:

“[Os Estados Unidos] acreditam na necessidade, no direito bárbaro, como único direito: ‘isto será nosso, porque dele necessitamos’. Acreditam na superioridade incontrastável da ‘raça anglo-saxônica contra a raça latina’. Acreditam na baixeza da raça negra, que escravizaram ontem e humilham hoje, e da indígena, que exterminam. (…) Enquanto os Estados Unidos não saibam mais de hispano-américa e a respeitem mais… podem os Estados Unidos convidar a hispano-américa a uma união sincera e útil para hispano-américa? Convém à hispano-américa a união política e econômica com os Estados Unidos?”.

Como observavam os mais atentos ao jugo imperialista, seria necessário, dessa vez, uma terceira guerra pela verdadeira independência de Cuba, e é aqui que entram os revolucionários sob a liderança de Fidel.

É em 1956 que tem início a Revolução que triunfaria em 1° de Janeiro de 1959, dessa vez, com toda a experiência acumulada, a própria insurreição iniciada com os ataques aos quarteis de Moncada e Bayamo organizados pelo Movimento 26 de Julho em resposta à ditadura de Fulgêncio Batista. É assim que, preparados com toda essa tradição, cuja origem remonta à luta anticolonial, se inicia a Revolução Cubana. Revolução essa que não era, em seu começo, Socialista. Entretanto, toda luta de independência e libertação nacional pode se tornar, dadas certas condições, uma revolução socialista, tal como pensou Lênin, ao colocar como uma das contradições intrínsecas do imperialismo “a contradição entre um punhado de nações “civilizadas” dominantes e centenas de milhões de homens dos povos coloniais e dependentes, do mundo.” (Stalin, J. Fundamentos do Leninismo).

Dessa maneira, a revolução que inicia visando derrubar a ditadura batistiana e restabelecer as eleições em Cuba, conforme a constituição de 1940, realizar reformas estruturais tais como a nacionalização da terra, reforma agrária e uma industrialização soberana, se converte em ruptura sistêmica. 

No caldeirão geopolítico da guerra fria e com o histórico de opressão estadunidense, a classe trabalhadora e os revolucionários cubanos precisavam optar pelo socialismo. Afinal, a única forma de garantir que as mudanças ansiadas pelo povo cubano acontecesse era por meio de uma revolução completa, que tornassem a propriedade dos meios de produção, em especial a terra, coletiva, sendo toda a economia cubana planejada não mais para o enriquecimento de poucos latifundiários e capitalistas, mas para a distribuição justa da riqueza socialmente produzida.

Se Cuba resistiu e resiste ao bloqueio e a todos os ataques do imperialismo é por conta de sua união em torno da construção do socialismo e do novo ser humano, liberto dos valores anacrônicos da sociedade burguesa, caminhando em direção ao Comunismo, à construção de uma humanidade verdadeiramente livre!

Viva Cuba! Luz que ilumina o caminho de todos os revolucionários da América Latina! Hasta la victoria siempre!