A primeira edição do jornal A Verdade foi lançada em dezembro de 1999, com a manchete “FHC: o professor que virou um grande fazendeiro”. Foram 1.500 exemplares que circularam em cinco estados. Desde então, as ideias defendidas por A Verdade vêm obtendo cada vez mais apoio. O número de leitores cresceu a cada mês e hoje o jornal circula em 20 estados. A tiragem foi crescendo ano a ano e atingiu, em abril, 18.500 exemplares.
Este crescimento permitiu que, após 22 anos, o jornal A Verdade passasse a ser quinzenal. A partir de agora, serão duas edições por mês.
E há mais novidades: A Verdade ganhou um novo projeto gráfico e seu site www.averdade.org.br, após sofrer ataques dos inimigos da democracia, tem novo visual para facilitar a leitura. Em junho, terá ainda um aplicativo para baixar no celular.
Pode parecer pouco para alguns. Mas não é. Enquanto jornais da burguesia deixam de circular e passam a existir somente na internet, A Verdade lança agora duas edições impressas por mês no Brasil. Ademais, A Verdade é um jornal a serviço da classe explorada e oprimida, a imensa classe operária, as massas trabalhadoras. Suas páginas não são vendidas às grandes corporações internacionais e nacionais nem defendem os interesses do capital financeiro, das mineradoras ou do agronegócio. É um jornal dos trabalhadores que luta pela emancipação dos pobres, pelos direitos das mulheres, pela justiça social, democracia popular e socialismo.
Ergue sua voz contra o racismo e em defesa dos povos indígenas e denuncia todos os crimes cometidos pelo Estado burguês. Os princípios de A Verdade são baseados no marxismo-leninismo, no fim da exploração de classes, na solidariedade e fraternidade entre os irmãos trabalhadores e os povos de todo o mundo.
A Verdade é um jornal que se sente honrado em desafiar e lutar contra os poderosos interesses da classe capitalista e pelo fim da escravidão assalariada. É um jornal socialista no seu conteúdo e na sua forma, pois é feito com base na cooperação de centenas de companheiros e companheiras. Leva à prática os princípios definidos pelo grande revolucionário e criador do socialismo científico, Karl Marx: “A função da imprensa é ser o denunciador incansável dos opressores. (…) O dever da imprensa é tomar a palavra em favor dos oprimidos a sua volta. O primeiro dever da imprensa é minar todas as bases do sistema político existente”.
Mas a vitória de A Verdade se transformar num jornal quinzenal não caiu do céu. Foi fruto de um trabalho coletivo e planejado. Um importante Ativo Nacional de Agitação e Propaganda foi realizado no mês passado com dezenas de militantes, além dos ativos estaduais que se seguiram. Semanalmente, a Redação Nacional se reúne, debate as matérias, distribui entre os editores e prepara a próxima edição.
Como tem apoio entusiasta de seus leitores, A Verdade conta ainda com diversos colaboradores que escrevem textos e mandam fotos. Além disso, A Verdade dispõe de centenas de brigadistas, militantes do PCR, da UP e dos movimentos sociais que garantem que ele chegue às mãos do povo.
A Verdade quinzenal é uma vitória da imprensa popular e socialista, uma vitória de todos que nessa caminhada trabalharam para que este sonho se tornasse realidade, uma vitória principalmente para os oprimidos e explorados que terão um jornal ainda mais incansável na denúncia dos opressores, sempre erguendo a bandeira da revolução e do socialismo.
Com A Verdade quinzenal, semearemos mais e organizaremos mais operários e operárias no exército que construirá uma nova sociedade, na qual não haverá pobreza, nem corrupção, fascismo ou exploração. Apesar do fascista e dos generais, A Verdade quinzenal triunfou. Avante, camaradas!
Trabalhadores na audiência de julgamento do registro da UP no TSE, em outubro de 2019 – Foto: Jorge Ferreira / Jornal a Verdade
Jorge Ferreira
Era manhã de uma quinta-feira de outubro de 2019 quando os servidores do Tribunal Superior Eleitoral tiveram que lidar com com uma situação incomum: algumas dezenas de trabalhadores desejavam assistir uma audiência de julgamento. A lotação do plenário com cerca de duzentas confortáveis cadeiras não era o problema, mas os visitantes não estavam com “vestimentas adequadas” que os permitisse estar diante dos ministros.
Naquele dia, homens e mulheres que diariamente acordam cedo e utilizam transporte público lotado para trabalhar, que pegam no pesado para sobreviver, colocaram suas melhores roupas, seus melhores sapatos, alguns cortaram o cabelo, outros usaram o melhor perfume. Era dia de festa. Após dois longos anos e um milhão e duzentas mil assinaturas recolhidas nos trens, nos bairros populares, nas portas de fábrica, e, apesar das dificuldades, registradas em cartórios de vários estados em todas as regiões do país, havia chegado o dia que iniciaria o julgamento do registro da Unidade Popular pelo Socialismo na mais alta corte eleitoral do Brasil.
Com a emoção transbordando em sorrisos largos, representando todos aqueles abnegados trabalhadores que entregaram suas poucas horas livres para cumprir a tarefa histórica de constituir o partido dos pobres, do povo trabalhador, entraram no prédio do TSE para assistir a audiência que reconheceria a legitimidade de todo o processo. Entretanto, a poucos metros do plenário principal do Tribunal, a chefe dos seguranças alerta que não será possível que os visitantes adentrem no local por não estarem vestidos adequadamente. “Onde está escrito isso?”, foi o primeiro questionamento do advogado Thiago Santos.
Thiago Santo, advogado da Unidade Popular, intervindo para garantir o acesso dos trabalhadores ao plenário – Foto Jorge Ferreira / Jornal a Verdade
Daí em diante iniciou-se uma luta contra o tempo. Há poucos minutos de iniciar o julgamento, nem mesmo o presidente do partido, Leonardo Péricles, morador de ocupação, havia conseguido entrar no plenário justamente por estar somente com camisa social, mas sem terno e gravata. “Veja bem, argumentava Thiago Santos, essas pessoas estão justamente com suas melhores roupas, não há ninguém vestido de forma inadequada”. As mulheres que estavam de calça jeans, ao ver o tempo passando e a recusa da chefe dos seguranças, começaram a improvisar saias com cachecóis. Os homens já não mostravam os dentes, uma pequena angústia tomava conta.
Em meio ao embate jurídico da legalidade da exigência de terno e gravata entre o advogado do partido e os servidores, alguns seguranças sensibilizados prometeram irem até o vestiário verificar se tinham terno reserva para emprestarem ao visitantes, mas já alertaram que não haveria para todos. Pouco antes de iniciar a sessão, o advogado do partido conseguiu que a questão fosse levada até a presidente da Casa, à época ministra Rosa Weber. Alguns instantes antes de iniciar o julgamento a entrada foi autorizada.
Foto Jorge Ferreira / Jornal a Verdade
Nesse dia, o procurador eleitoral Humberto Jacques apresentou parecer favorável, e o relator do processo, ministro Jorge Mussi, proferiu votou favorável ao registro alegando que “não poderia ser diferente, já que o partido cumpriu todas as exigências normativas”, entretanto o julgamento foi suspenso por um pedido de vista de um dos ministros, só sendo retomado, aprovado e registrado em dezembro do mesmo ano.
Mas foi exatamente naquele dia, 24 de outubro de 2019, que pela primeira vez o plenário do Superior Tribunal Eleitoral foi ocupado por pessoas sem terno e que, como retrata um grande filme, também não usam “Black Tie”.
Talvez tenha sido duro para os ministros da burguesia olharem de frente homens e mulheres que vivem do próprio suor. Para a Unidade Popular foi um dia histórico, mais um capítulo da emocionante luta pela libertação de milhões de trabalhadores brasileiros.
Fazia frio na tarde dessa quarta-feira, dia 12 de agosto, quando Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) organizou na cidade de São Bernardo do Campo um ato contra os despejos de famílias pobres durante a pandemia e em defesa do direito à moradia digna. O ato fez parte de uma agenda nacional de mobilizações que levou às ruas centenas de famílias, em diversas cidades brasileiras, levantando a bandeira do Despejo Zero, uma campanha nacional que unifica movimentos sociais e outros apoiadores na luta pelo fim dos despejos durante a crise da Covid-19.
A manifestação reuniu famílias de vários bairros de São Bernardo do Campo, cidade que sofre com uma política sistemática de despejos por parte do Prefeito Orlando Morando (PSDB), de Diadema, Santo André, Mauá, Francisco Morato, São Matheus e de várias regiões da Capital, além de outros movimentos que se somaram à essa luta, como o Projeto Meninos e Meninas de Rua (PMMR), o Coletivo Democracia Corinthiana, a Torcida Guerreiros do Tigre do São Bernardo F.C., o Movimento de Mulheres Olga Benário, etc. Para Gabriela Mousse, da Democracia Corinthiana: “Eles agem assim [despejos e repressão ao povo pobre] porque se sentem livres para fazer o que querem, não há motivo nenhum para ações desse tipo. Claro, o governo já é fascista e tá rolando uma pandemia, para eles fica mais fácil, por isso temos que ocupar as ruas com mais frequência”.
Foto: Manuelle Coelho / Jornal a Verdade
Alguns trabalhadores vieram de longe, é o caso de Cirilo Conceição, que viajou cerca de 80 quilômetros para poder participar do ato: “Sou de Francisco Morato, uma cidade abandonada pelos governantes. Governantes corruptos e omissos que permitiram que meu filho viesse a falecer. Quem me apoiou não foi nenhum governante, foi o povo, foi o MLB. Convidamos vocês a abraçarem essa causa porque essa é a causa de todos nós trabalhadores, estudantes, que pagamos aluguel, que somos despejados. O governo é o culpado disso, o governo não tá nem aí pra nós, eles querem é matar nossos filhos. Eles abandonam nossos bairros, na minha rua um carro não foi capaz de entrar pra prestar socorro ao meu filho. Eu abracei e vou continuar abraçando o MLB, essa ferramenta dos trabalhadores para lutar por uma moradia digna”.
Foto: Jorge Ferreira / Jornal a Verdade
A marcha, que contou com mais de cem pessoas, ocorreu no fim da tarde e foi da Igreja Matriz, no centro da cidade, até o Paço Municipal, em uma caminhada pacífica de mais de uma hora, mantendo o distanciamento social, o uso de máscaras e todos os cuidados relativos à pandemia da Covid-19 e sem qualquer tipo de conflito, sendo inclusive apoiada pela maior parte da população que transitava pela cidade, de carro, de ônibus ou a pé. Segundo Daniela, que constrói o MLB no bairro Detroit, em São Bernardo: “Essa manifestação é muito importante, estou aqui não só por mim, mas pelas minhas filhas e pela minha comunidade. Aprendi com o MLB que nós precisamos lutar, assim como fizeram os escravos, que se revoltaram e hoje são libertos. Mas ainda existe uma escravidão pra gente vencer e por isso estamos na luta”.
A organização do ato realizou um acordo com a Guarda Civil Municipal (GCM) e com a Polícia Militar, para que a manifestação fosse encerrada no Paço Municipal com uma assembleia das famílias que cobravam o seus direitos. No entanto assim que os primeiros militantes do movimento entraram no Paço, carregando uma faixa com os dizeres “Despejo Zero, Morar é um Direito”, a GCM descumpriu o acordo e atacou covardemente três Coordenadoras do MLB que carregavam a faixa, desferindo empurrões, socos e utilizando spray de pimenta sobre as mulheres; rapidamente um conjunto de famílias se aproximou, afastou os políciais e organizou um cordão de isolamento para impedir novas agressões.
Ao todo foram mobilizadas cerca de 30 viaturas entre GCM e Polícia Militar com o objetivo de impedir a continuação do ato através de uma ação agressiva e completamente desproporcional, descumprindo um acordo feito minutos antes, alegando que o movimento estava proibido de adentrar o Paço Municipal carregando qualquer tipo de bandeira ou faixa e demonstrando o caráter repressivo do Estado contra os trabalhadores, os pobres e os lutadores sociais que cada dia fica mais intenso no Brasil. As famílias conseguiram assegurar o direito de realizar sua assembleia no local e em alguns minutos de diálogo e de muita agitação política contra as injustiças do sistema capitalista, o sistema dos ricos que durante a pandemia promove o crescimento do patrimônio dos bilionários exploradores e o empobrecimento geral daqueles que vivem do próprio trabalho, decidiram encerrar a manifestação, prometendo que voltarão às suas cidades e bairros e organizarão ainda mais pessoas para lutar pela Reforma Urbana e pelo Socialismo. Segundo Thais Gasparini, uma das Coordenadoras Estaduais do MLB agredidas pela GCM: “Essa repressão, esse uso da violência para calar quem se manifesta é um espelho do que acontece na periferia, em que essa mesma GCM é utilizada pra derrubar as casas do povo pobre. Isso precisa acabar, por isso nos manteremos firmes na luta, cada dia maiores, combatendo a exploração, a especulação imobiliária e a política dos ricos, dos latifundiários e dos banqueiros”.
Para Arnor, membro do MLB do bairro do Divinéia, em São Bernardo: “O ato foi muito bom, muito bonito, temos que seguir lutando. Já precisamos marcar a próxima passeata”.
No capitalismo, as guerras são fruto da concorrência entre as classes dominantes de diferentes nações pelo domínio do planeta. Na Primeira Guerra Mundial, formaram-se dois blocos imperialistas opostos: Tríplice Aliança (Impérios Alemão, Austro-Húngaro e Turco-Otomano) e a Tríplice Entente (Impérios Inglês, Francês e Russo).
O sol nasce vermelho
Algo novo, entretanto, surgiu durante a Primeira Guerra Mundial: a revolução socialista de outubro de 1917, na Rússia; nova cisão ocorria no mundo, agora dividido em dois sistemas adversos: o capitalismo e o socialismo.
Os dois blocos capitalistas passaram a ter um objetivo comum: a destruição do primeiro Estado operário-camponês da história, em vista da restauração do capitalismo em escala global. Foi com este propósito que o bloco vencedor investiu na economia alemã 15 bilhões de marcos em seis anos (1924-1929).
Quando o nazismo se apossa da Alemanha e explicita seu intento de domínio mundial, as potências capitalistas dominantes não tratam de combatê-lo. Ao contrário, fecham os olhos às suas agressões e até incentivam o monstro nazista a direcionar seu ataque contra a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).
Em 1939, a URSS propôs à Inglaterra e França um pacto para ações militares conjuntas se os países do Eixo (Alemanha, Itália e Japão), bloco nazifascista, iniciassem a guerra na Europa. Não houve rejeição formal, mas nenhum passo foi dado por parte dos países capitalistas para concretizar o pacto. Ao contrário, França e Inglaterra firmaram com Alemanha e Japão acordos de não-agressão. Deixada sozinha, em agosto de 1939, a URSS assinou com a Alemanha um tratado de não-agressão. Os dirigentes sabiam que, mais cedo ou mais, tarde Hitler romperia o acordo, mas conseguiram ganhar um tempo valioso para transferir parte de suas indústrias para o leste do grande território soviético, bem como reforçar sua capacidade de defesa militar.
De 1938 a 1941, Hitler ocupou Áustria, Checoslováquia, Polônia, Bélgica, Holanda, Dinamarca, Noruega, Grécia, Iugoslávia e finalmente a própria França. Na Europa central e oriental, a Alemanha adquiriu imensa quantidade de material de combate, meios de transporte, matérias-primas, materiais estratégicos e força de trabalho, tornando-se forte o suficiente para atacar a URSS.
Hitler, no livro MeinKampf(Minha Luta), proclamou: “…tratando-se de obter novos territórios na Europa, deve-se adquiri-los principalmente à custa da Rússia”.
A invasão hitlerista foi impiedosa. “Fuzilavam em massa as pessoas (mulheres, crianças, idosos, montavam campos de morte, deportavam para trabalho forçado na Alemanha. Por onde passavam, não deixavam pedra sobre pedra”. Era a política do extermínio. “Eu tenho o direito de destruir milhões de homens de raça inferior que se multiplicam como vermes” (Hitler).
Em resposta, o governo, o Partido Bolchevique e o povo soviético lançaram a palavra de ordem: “Morte aos invasores fascistas, tudo para a frente! Tudo para a vitória!”. Às fileiras do Exército Vermelho se integraram milhões de homens. Criaram-se também inúmeros regimentos de milícia popular, contando com dois milhões de combatentes.
Formou-se ainda na retaguarda uma força guerrilheira massiva. A dedicação e bravura do povo soviético comoveram o mundo e foram decisivas para quebrar a resistência capitalista (EUA, Inglaterra, França). Formou-se finalmente o bloco aliado, antifascista, a frente única dos povos pela democracia.
Caíra por terra a ideia de Hitler de que a ocupação da URSS seria um passeio uma “guerra relâmpago”. Os nazistas não imaginavam a resistência que encontrariam nas principais cidades: Leningrado, Stalingrado, Kiev e Moscou, entre tantas. Homens, mulheres, idosos e crianças se ergueram como muralha inexpugnável.
Os feitos do povo soviético repercutiram no mundo inteiro, levando um jornal burguês como o STAR, de Washington, a publicar: “Os sucessos da Rússia na luta contra a Alemanha hitleriana revestem-se de grande importância não só para Moscou e o povo russo, como também para Washington, para o futuro dos Estados Unidos. A história renderá homenagens aos russos por terem suspendido a guerra relâmpago, pondo em fuga o adversário”.
Em junho de 1942, os invasores avançam, mas encontram uma barreira instransponível em Stalingrado. Durante sete meses de combate, os invasores perderam 700.000 soldados e oficiais, mais de mil tanques, dois mil canhões e morteiros, 1.400 aviões. Os invasores eram tecnicamente superiores, mas, em novembro de 1942, os números já se invertiam em favor dos soviéticos. Os alemães estavam com 6.200.000 soldados, os soviéticos com 6.600.000; 5.000 tanques invasores contra 7.000 soviéticos; 51.000 peças e morteiros contra 77.000.
Na derrota do Stalingrado, os nazistas perderam 1,5 milhões de soldados e oficiais. “… Do ponto de vista moral, a catástrofe que o exército alemão sofreu nos acessos de Stalingrado teve um efeito sob o peso do qual ele não pôde mais reerguer-se”. (A segunda guerra mundial, B.Lideel Hart)
Depois, ocorreu a vitória do Cáucaso e se iniciou processo de expulsão em massa dos ocupantes nazistas. “A União Soviética pode orgulhar-se das suas heroicas vitórias”, escreveu o presidente dos EUA, Franklin Roosevelt, acrescentando: “…os russos matam mais soldados inimigos e destroem mais armamentos do que os outros 25 estados das Nações Unidas no conjunto”.
O final de 1943 marca a virada na frente soviética e na Segunda Guerra em geral. O movimento contra o nazifascismo se consolidou e se ampliou em todo o planeta.
Em junho de 1944, com o exército alemão batido em todas as regiões da URSS, as tropas anglo-americanas desembarcaram no Norte da França, dando início à frente ocidental proposta pelo governo soviético desde o início da invasão.
Pode-se dizer que a essa altura a guerra estava decidida, diante da derrota alemã na Rússia. O próprio Winston Churchil, primeiro-ministro britânico, reconhece o papel fundamental dos soviéticos, no discurso pronunciado na Câmara dos Comuns, em julho de 1944: “….Considero meu dever reconhecer que a Rússia mobiliza e bate forças muitíssimas maiores que as enfrentadas pelos aliados no Ocidente, que, há longos anos, ao preço de imensas perdas, ela suporta o principal fardo da luta em terra”.
Um exército libertador
Apesar de imensas perdas, o Exército Vermelho avançou no encalço dos alemães pela Europa Oriental adentro, fustigando os nazistas e auxiliando as forças populares da resistência a derrotarem os ocupantes e seus colaboradores internos. Repúblicas democrático-populares foram instaladas com os partidos comunistas à frente na Polônia, Hungria, Iugoslávia, Checoslováquia, Romênia e Bulgária.
“Para Berlim!” era a palavra de ordem do exército libertador. Não foi um passeio. A resistência nazista, embora enfraquecida, produzia encarniçados e sangrentos combates. Os russos vitoriosos não mataram, não pilharam, não se vingaram dos crimes cometidos pelo exército alemão no solo soviético. Ao contrário, alimentaram os famintos, organizaram a assistência médica, o funcionamento dos transportes, a distribuição de água e de energia elétrica. A 2 de maio de 1945, o Comando Supremo alemão assinou o ato de capitulação incondicional das forças armadas, com a bandeira da URSS tremulando no alto do parlamento alemão, em Berlim. No dia 09 de maio, houve um imenso ato em Moscou em comemoração ao fim da Grande Guerra Patriótica (como os soviéticos denominaram sua participação na Segunda Guerra Mundial) e, desde então, até hoje, celebra-se na Rússia esta data como o Dia da Vitória.
Sob novos céus
Terminada a guerra na Europa, era preciso voltar-se para a Ásia. O Japão, aliado dos nazistas dominava milhões de pessoas na China, na Coreia, nas Filipinas. Apesar de as forças armadas dos EUA e da Inglaterra virem imprimindo sucessivas derrotas, as forças japonesas ainda eram numerosas e fortes. De vez em quando, elas atacavam as fronteiras da URSS e torpedeavam navios soviéticos em alto-mar.
No dia 8 de agosto de 1945, a União Soviética declarou guerra ao Japão e começou a ofensiva. Nesse mesmo dia, o primeiro-ministro japonês, Teiichi Suzuki afirmou: “…A entrada da URSS na guerra hoje de manhã põe-nos definitivamente numa situação sem saída e torna impossível continuar a guerra” . Estava certo. No final do mês, o Exército nipônico havia perdido 677 mil soldados e oficiais: 84 mil mortos e 593 mil prisioneiros.
Ao contrário do que muitos pensam, e a historiografia burguesa busca difundir, não foram as bombas estadunidenses lançadas no início de agosto contra Hiroshima e Nagasaki que provocaram a capitulação japonesa. A guerra continuou normalmente depois do ataque bárbaro e covarde. A rendição resultou do destroçamento do exército nipônico pelas tropas soviéticas.
Se alguém duvida, leia o testemunho do general Chenault, que chefiou as forças dos EUA na China: “…A entrada da URSS na guerra contra o Japão foi o fator decisivo para o fim da guerra no Pacífico, o que sucederia mesmo sem o emprego de bombas atômicas. O rápido golpe desferido pelo Exército Vermelho sobre o Japão fechou o cerco que pôs finalmente o Japão de joelhos”.
O Exército Vermelho contribuiu ainda para a expulsão dos nazistas da China e da Coreia. O sacrifício do povo soviético foi inestimável. Mas valeu a pena porque livrou a Humanidade da besta nazista. Foi também a vitória do socialismo que saiu da Segunda Guerra triunfante em toda a Europa Oriental e na China.
Por todos, valeu a carta de agradecimento enviada pelo povo coreano a Josef Stalin, comandante supremo das forças soviéticas: “… Os combatentes soviéticos chegaram não como conquistadores, mas como libertadores. Emancipada da escravidão, a nossa pátria respirou livremente. O céu apareceu-nos radioso. A nossa terra floresceu. Jorraram canções de liberdade e felicidade…”.
José Levino, historiador
Fonte de pesquisa: O Grande Feito do Povo Soviético e do Seu Exército. VassiliRiábov, Edições Progresso, Moscou,1983.
Enquanto milhões de brasileiros estão em isolamento ou distanciamento social devido à pandemia da Covid-19, o capitão reformado Jair Bolsonaro e seus puxa-sacos vivem um imenso isolamento político. A reprovação a seu governo já alcança quase 70%, suas Medidas Provisórias, sem apoio, caducam no Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que não é função do presidente desrespeitar governadores e prefeitos. Nos embates que travou com o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, ficou em minoria nas reuniões do seu Ministério. Teve que levar um de seus filhos para dentro do Palácio Planalto para poder conseguir ouvir diariamente: “Pai, você é o rei”.
E os fatos mostram uma dura realidade: após quase um ano e meio no governo, o capitão reformado, apesar de controlar um Orçamento Federal de R$ 4 trilhões, não construiu nenhum hospital público nem universidade. Tampouco ampliou o acesso da população ao saneamento ou construiu casas populares. O desemprego e o número de famílias vivendo na extrema pobreza cresceram enormemente no seu desgoverno. Usou todo o dinheiro público para enriquecer os especuladores, os banqueiros e permitir a remessa de bilhões de dólares do Brasil para os EUA.
O povo brasileiro, vendo que o capitão reformado é incompetente, antidemocrático e totalmente subserviente ao EUA, passou a reprovar seu governo em todas as regiões. Segundo o Instituto Datafolha, 17% de seus eleitores se arrependeram de ter votado nele.
Diante dessa crescente rejeição da população, o capitão reformado e seus filhos resolveram apelar para a velha política: recorrer às Forças Armadas, em particular ao Exército, para impor um regime ditatorial no país.
Assim, foram marcadas as carreatas e atos para o dia 19 de abril, dia que é considerado Dia do Exército. O Exército, seu comandante geral e o Alto Comando sabiam do ato e deram total permissão para que Bolsonaro e seus puxa-sacos o realizassem com dezenas de faixas encomendadas e com dezenas de assessores de deputados e de pessoas que ocupam cargos de confiança no governo, os conhecidos “aspones”.
No entanto, os atos foram um fracasso. Em São Paulo, dezenas de carros luxuosos, acompanhados de várias motos, algumas delas que custam mais de R$ 50 mil reais, foram verdadeiramente “ovacionadas”, isto é, receberam ovos e tomates dos prédios por onde passavam. Em Brasília, apenas algumas centenas de pessoas atenderam ao chamado de Bolsonaro e, se retirarmos os assessores da conta, fica uma ridícula minoria. Pior: após o ato, nove pessoas deram entrada em hospitais de Brasília com suspeita de Covid-19.
Pois bem, com o repúdio nacional à fala de Bolsonaro em frente ao Quartel General do Exército em Brasília, os generais passaram a dizer em off a jornalistas que não concordavam com aquele discurso defendendo um golpe militar e a volta do AI-5 e pediram ao capitão para “baixar o tom”. Na manhã desta segunda-feira, 20 de abril, um irritado e nervoso presidente, com suas mãos trêmulas (lembrando Hitler no filme A Queda), tentou desdizer o que tinha dito. Mas, revelando sua natureza fascista, parafraseou o rei Luís XIV, e declarou: “Eu sou a Constituição”.
Os fascistas e a grande a burguesia nacional e internacional olham a história do Brasil, observam os inúmeros golpes militares que aconteceram e acham que é fácil dar um golpe militar em nosso país e impor a censura à imprensa, torturar os que discordam, assassinar e esconder os corpos dos patriotas e democratas ou jogá-los no mar. Pensam que assim terão a paz dos cemitérios dizendo que o “Brasil vai pra frente, ame-o ou deixe-o” e que a ditadura militar é o melhor regime para governar um povo rebelde, como é o brasileiro.
Mas, senhores e senhoras fascistas, ensina a filosofia dialética que, se houve tantos golpes militares assim no Brasil é porque nenhum conseguiu se manter eternamente. Ou melhor, todos foram derrotados nas ruas pelos trabalhadores, pelas mulheres, pelos jovens, pelo povo brasileiro. Duvidam? Então terão que ouvir novamente nosso povo nas ruas desfilando e cantando: “Amanhã vai ser outro dia!” ou “Você não gosta de mim, mas sua filha gosta!”.
Passeata em São Paulo contra a Reforma da Previdência. Foto: A Verdade
Por Wanderson Pinheiro e Leonardo Péricles
1 – O Brasil e a questão internacional
O chamado neoliberalismo se aprofundou no Brasil nos anos 1990, primeiro no Governo Collor e depois durante os dois governos de Fernando Henrique Cardoso. Na verdade, tratou-se de uma maior submissão das economias nacionais com abertura dos mercados, iniciada no Chile e na Argentina, diante de um crescimento da exportação de capitais e maior domínio do capital financeiro internacional sobre as economias nacionais latino-americanas. Foi um período de ampla hegemonia dos EUA, encoberto sob o discurso da globalização.
A queda brusca dos impostos de importação e exportação, o fim do controle de capital e a isenção de impostos para a sua movimentação, a adoção de uma política cambial ancorada no dólar, o achatamento salarial dos trabalhadores e a privatização das principais empresas estatais foram as medidas centrais que tiveram consequências estruturais perversas para a economia nacional.
No entanto, o que se desenvolve de fato são as características do imperialismo capitalista, com o aprofundamento da financeirização do capital monopolista e uma gigantesca exportação de capitais por diversas vias. O capital se expande permanentemente, destruindo as economias nacionais, promovendo o desemprego e a redução salarial, para extrair mais-valia extraordinária e, assim, buscar manter sua taxa de lucro. Neste sentido, falar apenas contra o neoliberalismo e aceitar o capitalismo é propor aceitar a exploração dos trabalhadores, a manutenção da escravidão assalariada e sua expressão política, a democracia burguesa.
Além da política neoliberal praticada pelo imperialismo dos EUA, sofremos uma ação neocolonialista brutal, com a “elite nacional” sendo subornada e praticando a corrupção. Este fato foi evidenciado no processo de privatização, tendo boa parte dos recursos sido desviada para o “caixa 2” das campanhas eleitorais de 1998, mantendo FHC no governo.
Outro objeto de controle da nação foi a dívida pública. Com o aumento dos juros para conter a inflação, os novos financiamentos recebidos do FMI aumentaram em muito as dívidas externa e interna, ampliando a dependência do Brasil ao capital financeiro dos EUA. A abertura financeira ocasionou ainda o aumento da dívida interna, pois era extremamente favorável para o capital financeiro especular com a alta de juros (a taxa Selic atingiu 45,67% ao ano, em 1997), com controle do câmbio e livre movimentação de capitais.
Resumindo: ocorria uma espoliação financeira terrível devido à política de total submissão às ordens do dito “Consenso de Washington” praticada pelo governo brasileiro.
Essa abertura gerou também a quebra de milhares de empresas nacionais. As pequenas e médias empresas foram as mais atingidas, mas também grandes empresas foram à falência, iniciando o processo de desindustrialização nacional. Porém, um setor com maior acúmulo de capital, a grande burguesia interna, que fez o acordo com a burguesia estadunidense, teve lucros crescentes e caminhou para expandir seus negócios para o exterior. Setores como o do agronegócio, da construção civil e dos frigoríficos, tornaram-se grandes empresas internacionais e, a partir desse acordo, passaram a expandir-se para a região do Mercosul.
Outros setores foram se associando ao capital estrangeiro, seja na aquisição das importantes empresas estatais que foram privatizadas (setores de minério, siderúrgico, energia, etc.) ou de indústrias e serviços privados para o investimento dos capitais internacionais. Tornaram-se, assim, um setor submisso ao capital internacional e aos ditames da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Entre os anos de 2003 a 2010, vivenciamos o Governo Lula e, de 2011 a meados de 2016, o Governo Dilma. Foi um período de hegemonia petista, considerado por alguns como desenvolvimentista ou neodesenvolvimentista, mas teve como base a diversificação da dependência nacional, principalmente em relação ao crescimento das exportações para a China, pautado também pelo investimento público feito nas empresas públicas e privadas, e pela ampliação do consumo da população com base numa grande oferta de crédito.
Esse processo de consumo levou a um relativo desenvolvimento da indústria naval, da construção civil, do agronegócio e da pecuária, propiciando o crescimento do lucro da grande burguesia e do capital financeiro. Porém, sendo um desenvolvimento com base no crescente endividamento e submetido aos interesses da grande burguesia nacional e mundial, terminou por esgotar-se com o aprofundamento da crise do capitalismo mundial.
Na verdade, o governo praticou uma política neodesenvolvimentista, mas manteve a hegemonia do capital financeiro, aprovando leis em seu benefício, como a lei de garantia de empréstimos com descontos em folha. A “Carta aos Brasileiros”, no início do primeiro mandato de Lula, foi, no fundamental, uma mensagem ao mercado financeiro internacional em que o presidente se comprometia a manter todos os acordos anteriores, não mexer no processo das privatizações, manter o controle da inflação, garantir o pagamento da dívida pública com altos juros e ampliar seus benefícios. Isso significou, na prática, a manutenção da política neoliberal.
Além de não ter revogado nenhuma das corruptas privatizações do Governo FHC, o PT realizou novas: privatizou portos, aeroportos e rodovias, além de fazer leilões de campos de petróleo para empresas estrangeiras. Porém, com o pré-sal (considerado o bilhete premiado), alterou o regime de exploração, mantendo os leilões em outros termos. Assim, a Petrobras foi um poderoso instrumento para desenvolver a política neodesenvolvimentista, promovendo investimentos em refinarias e alavancando a indústria naval brasileira e a construção civil. No entanto, o PT não reverteu a abertura de capital da Petrobras e esta permaneceu influenciada pesadamente pelos acionistas internacionais e pelo mercado.
A crise da era petista se iniciou em 2014, no final do primeiro Governo Dilma. A crise econômica chegou ao Brasil e ficou evidente que a política neodesenvolvimentista não conseguiu resolver os problemas estruturais do país, principalmente por não suspender o pagamento dos juros da dívida pública e manter a espoliação do capital financeiro e a dependência em relação ao agronegócio. Por outro lado, a relação com a China, que trouxe a ampliação da venda de commodities a níveis altos e a abertura para importação de produtos de toda ordem, gerou uma maior desindustrialização e dependência do setor externo. Essa troca desigual trouxe enormes benefícios para a grande burguesia do agronegócio, da mineração, da pecuária, da construção civil, etc., mas, como sempre, bastou uma oscilação do mercado internacional para tudo ir abaixo.
Realmente, a crise mundial se aprofundou com reduções seguidas de crescimento da economia chinesa. A China, mesmo possuindo enormes monopólios e rivalizando o comércio internacional com os EUA, não ficou de fora da nova crise de superprodução relativa que dificultou a realização de seu capital mundialmente. É importante notar que essa crise e a disputa de mercados continuam a se desenvolver, ameaçando agora entrar num período mais profundo, como afirmou recentemente a OMC. Sem ter como exportar mais mercadorias e com o superacúmulo de capital, a China avança a financeirização da sua economia.
Vejamos o que se sucedeu de 2007 a 2015. A China chegou a crescer 13%, em 2007, e o mercado de commodities brasileiro teve uma alta considerável. Em 2010, a China teve mais uma queda no seu PIB para 10,4%. Em 2015, relatório do FMI dizia que a China diminuiria o crescimento para 6,8%, a menor taxa anual do país dos últimos 25 anos. A queda da economia brasileira foi quase automática. Dilma Rousseff, que tomou posse para o segundo mandato no dia 1º de janeiro de 2015, permaneceu no posto apenas um ano e meio.
A crise ocasionada pela redução da produção da China fez cair enormemente o preço das commodities e reduziu os lucros da grande burguesia. Sendo pragmática, a burguesia, que há pouco havia colocado o gorro “comunista” na cabeça para adular o imperialismo chinês, pulou do barco e abandonou Dilma, definitivamente afastada do cargo em agosto de 2016.
O impeachment de Dilma teve ainda um elemento geopolítico. Os EUA usaram todo o seu poder para manter o país como sua área de influência, pois, mesmo sabendo que o PT atendia ao capital financeiro e pagava religiosamente a dívida pública, o avanço da crise do capitalismo mundial exigia ainda mais submissão. Vale salientar que a UP, ao mesmo tempo em que estava em processo de construção, esteve nas ruas lutando e denunciando este golpe.
Da mesma maneira, resistindo à quebra da sua hegemonia em nível internacional, os EUA lançaram o Tratado Transpacífico (TPP), que tinha como objetivo enfraquecer a China. Porém, após a eleição de Trump, os EUA se retiraram do TPP e adotaram como tática acordos bilaterais. Depois, abriram uma guerra comercial direta com a China, levantando barreiras às mercadorias chinesas, o que dura até hoje.
Assim, os EUA intervieram no Brasil com o objetivo de retirar o PT do governo para garantirem no poder um aliado subserviente. Financiaram e corromperam o judiciário brasileiro, apoiaram a fabricação da “Operação Lava-Jato”, que levou Lula à cadeia e promoveu a eleição de Bolsonaro. Da mesma maneira, os EUA disputam a Venezuela, com ações de bloqueio econômico e ameaça de invasão, e a Bolívia, onde promoveram um golpe fascista. Aparentemente, existe uma disputa entre forças reformistas liberais e o neoliberalismo fascista no continente, que tem como pano de fundo as disputas entre as duas propostas para conduzir o mundo capitalista.
Também era importante para os EUA ter o Brasil, principal país da América do Sul, como sua área de influência estratégica. Tendo como objetivo central na América Latina a derrubada do Governo Maduro e não obtendo sucesso pela via “pacífica”, intensificou o bloqueio econômico e buscou envolver o Brasil e a Colômbia numa aventura imperialista contra a Venezuela. Trata-se claramente de uma estratégia neocolonialista, que visa a usar tropas de outros países, mas mantendo o objetivo de conquista e ainda lucrando com a guerra.
A China é hoje a segunda potência econômica mundial e busca acumular forças na disputa pela hegemonia no planeta, fato que leva ao acirramento de contradições interimperialistas. Antes apenas exportadora de manufaturas, a China está alcançando o mais elevado grau de tecnologia, uma enorme acumulação de capital e intensificando a fase de exportação de capitais. No momento, essa exportação ocorre por meio do financiamento de infraestrutura nos países em desenvolvimento, investimentos financeiros, compra de títulos do Tesouro estadunidense, empréstimos e investimento direto.
O processo de exportação de capitais parece ser a ponte para uma defesa militar das áreas de influência econômica. Por isso, a China tem hoje o segundo maior gasto militar do planeta e já instala bases militares internacionais, sendo que a primeira foi estabelecida na África. Na América Latina, a China tem grandes investimentos, sendo o principal parceiro comercial de diversos países, inclusive do Brasil. Por isso, investem pesadamente em grandes porta-aviões, jatos, armas nucleares, e já superam os Estados Unidos em alguns aspectos tecnológicos.
Para termos uma noção, o país asiático investiu no Brasil, do ano de 2007 a 2018, US$ 57,9 bilhões em 145 projetos voltados principalmente para o setor de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica. Os investimentos, no último ano, foram especialmente diretos, sendo 50% realizados em empresas construídas a partir do zero. Mas 42% foram investimentos em fusões e aquisições. Segundo o embaixador da China no Brasil, Yang Wanming, a China está aumentando a abertura do setor financeiro, de serviços, da agricultura, mineração e manufatura. Estima-se que o investimento chinês no próximo ano ultrapasse os US$ 10 bilhões.
A China mantém os investimentos mesmo no Governo Bolsonaro e, embora reaja às declarações do filho dele de forma dura, o pragmatismo do capitalismo chinês projeta grandes investimentos nas áreas de a) energia, da ordem de R$ 24,7 bilhões em quatro projetos (hidroelétrica, termonuclear e transmissão); b) ferrovias, R$ 29,1 bilhões em quatro projetos (2.800 km); c) óleo e gás, R$ 117,5 bilhões em quatro projetos; d) portos, com R$ 5,9 bilhões em 16 projetos; e) aeroportos, R$ 2,1 bilhões em dois projetos.
Por outro lado, embora Trump afirme que apoia Bolsonaro e ambos troquem elogios ideológicos em público, os EUA não fazem nada do ponto de vista financeiro para apoiar o governo brasileiro. O investimento dos EUA no Brasil foi pequeno em 2019: o valor foi de US$ 2,2 bilhões, menor que o de 2017, quando o montante correspondeu a US$ 2,9 bilhões. Os compromissos firmados se restringiram a acordos antinacionais e militares, como a entrega da Base Espacial de Alcântara, no Maranhão, e um acordo que transforma o Brasil numa força auxiliar do Comando Sul dos EUA, tornando-se um aliado extrarregional da OTAN. Ou seja, um acordo militar subserviente, que coloca o Brasil como mais uma base de operação militar dos EUA na região.
Como vemos, Bolsonaro segue cegamente o imperialismo norte-americano, pois, como fascista que é, em um país de economia altamente dependente e submissa como é o Brasil, seguirá a linha fascista de Trump para apoiar-se internacionalmente no império dos EUA. Bolsonaro é um representante da grande burguesia[1] e dos militares fascistas, que se declaram abertamente submissos ao capital estadunidense, não possuindo sequer um verniz de nacionalismo.
2 – Desenvolver a consciência das massas populares, aumentar o isolamento de Bolsonaro e criar as condições para derrubar o governo
O 8 de março foi a última grande manifestação nacional antes da pandemia. Foto: A Verdade
Diante da crise do coronavírus e da projeção de uma crise econômica mais profunda nos próximos meses, setores da própria burguesia (como evidenciou editorial recente do Financial Times) falam que os governos devem ajudar a economia promovendo investimentos e renda para os mais pobres, ou seja, praticar uma política antiliberal para ajudar a cobrir os prejuízos da própria burguesia. Bolsonaro, no entanto, insiste em manter o arrocho salarial, cortar salário dos servidores e seguir a retirada de direitos a ferro e fogo. Assim, quer ser mais realista que o rei e promover a política neoliberal dos banqueiros e do capital financeiro estadunidense a todo custo.
Por tudo que fez desde o início do governo, como retirada de direitos dos trabalhadores, congelamento dos salários, desemprego e venda do patrimônio público, Bolsonaro tem um enorme desgaste, que tende a crescer com o aprofundamento da crise do coronavírus e a demissão de Luiz Henrique Mandetta do Ministério da Saúde. As mortes que se multiplicam evidenciam que a retirada dos recursos públicos da saúde foi um crime de lesa-humanidade. Também a insistência de Bolsonaro contra o isolamento social e de que a Covid-19 é apenas um “resfriadinho” trarão consequências desastrosas para a população. Hoje já temos quase 70% da população contra esse governo.
Porém, não vivemos em uma democracia popular, em que a maioria do povo é que decide. Vivemos debaixo de um governo de fascistas que tem como principais ministros generais da ativa e da reserva. Também é um governo que representa os interesses da grande burguesia, que é uma ínfima minoria da sociedade e, por isso, teme o movimento operário e popular e tende ao fascismo, principalmente em momentos de crise.
Portanto, não devemos subestimar a possibilidade de o atual governo, sob o pretexto de o país viver uma calamidade pública, promover um golpe e decretar um estado de sítio. Para isso, os fascistas não precisam de apoio da maioria da população, basta contar com apoio das Forças Armadas e de uma parcela reduzida da população disposta a ir às ruas nos seus luxuosos carros. Lembremos ainda que o governo dos EUA, aliado de Bolsonaro, pratica uma política fascista que impulsiona correntes desta natureza na Europa e na América Latina.
Em almoço realizado na sede da FIESP, no último dia 03 de fevereiro, para os 250 maiores industriais de São Paulo, com a presença de Bolsonaro, o presidente da entidade, Paulo Skaf, afirmou que “O Brasil não está dando certo. O Brasil já deu certo”, declarando, assim, o apoio da grande burguesia ao fascista. Este apoio é firmado especialmente na política de Paulo Guedes, que promoveu a reforma trabalhista, a reforma da Previdência e dá continuidade, em meio à crise do coronavírus, a propostas como a Carteira de Trabalho Verde e Amarela e a retirada de direitos dos servidores públicos. Assim, o apoio ao fascista está condicionado à agenda de retirada de direitos que assegure a maior extração de mais-valia dos trabalhadores.
O fascista também tem o apoio da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA), representada por João Martins, que também é parte da minoria dos exploradores e representa a grande burguesia agrária. Em setembro de 2019, momento em que Bolsonaro fez um ridículo discurso na ONU exaltando a ditadura militar de 1964, Martins afirmou que Bolsonaro o representou, fazendo excelente discurso: “Defendeu a soberania nacional, esclareceu equívocos sobre a Amazônia e ressaltou o importante papel do Brasil na produção mundial de alimentos e na preservação do meio ambiente. Também afastou a tese de que o governo está colocando o mundo contra o agro brasileiro, defendendo não apenas o setor, mas toda a nação”.
Vale lembrar que esse foi o momento em que a Amazônia estava em chamas e que o agronegócio foi um dos principais responsáveis por este crime contra a natureza. Mas vejamos que, apesar da reafirmação do apoio da grande burguesia, os meses vão se passando e fica evidente a cada dia que o governo Bolsonaro vem se enfraquecendo e perdendo apoio popular. Porém, será defendido para que fique no poder por essa minoria enquanto for útil para a grande burguesia.
Nesse momento, apresentam-se algumas propostas políticas para retirada de Bolsonaro da presidência. O impeachment é uma delas. No entanto, com um Congresso Nacional altamente reacionário e antipopular como o atual, a única forma de forçar o impeachment seria a realização de grandes manifestações nas ruas. Mas, no momento, devido ao crescimento do número de mortes pela Covid-19, esta possibilidade não é viável. Desse modo, apostar que um Congresso Nacional que aprova leis contra os trabalhadores vai aprovar o impeachment sem o povo nas ruas é ignorar o papel das massas na luta política e propagar ilusões parlamentaristas.
Outra proposta apresentada é apelar para que Bolsonaro, que faz planos para governar 20 anos, renuncie. É como pedir para o diabo virar anjo. Alguns desses setores chegam até mesmo a afirmar que o general Mourão seria um “mal menor”. Esse é o caso do governador do Maranhão, Flávio Dino, do PCdoB: “Claro que Mourão não é do meu campo ideológico. Mas, se Bolsonaro entregar o governo para ele, o Brasil chegará em 2022 em melhores condições”.
Trata-se de um ledo engano e demonstra uma gigantesca ilusão de classes, uma total traição ao povo e sua história. Mourão é um general, representante ainda mais direto dos interesses do setor ultraconservador e fascista das Forças Armadas. Como Bolsonaro, Mourão defende a tortura, tenta falsificar a história escondendo os crimes cometidos pelas Forças Armadas e pela grande burguesia durante a Ditadura Militar, sendo, portanto, um defensor do aumento da repressão contra o povo e a classe trabalhadora.
Dessa maneira, nossa tática de aprofundar o desgaste deste governo, manter e impulsionar a palavra de ordem “FORA BOLSONARO! POR UM GOVERNO POPULAR!” é, sem dúvida, a mais correta. Primeiro, porque é a palavra de ordem que está na boca do povo. Foi gritada por milhares de mulheres de todas as correntes políticas no 8 de março, sendo esta a última manifestação nacional contra o fascismo. Segundo, taticamente, no momento de avanço da pandemia do coronavírus em que nos encontramos, devemos ter como principal atuação a solidariedade aos trabalhadores e trabalhadoras para enfrentar essa barbárie nas periferias e denunciar o caráter antidemocrático e antipopular do governo. Terceiro, devemos ampliar os panelaços nas periferias, sendo esta uma forma de protesto importante, criada no fogo da batalha e capaz de desgastar o governo, dialogando com a consciência da classe trabalhadora, dizendo que o governo com sua política aumenta a fome e a miséria e só governa em prol da classe rica e dos EUA.
Assim, prepararemos o terreno para derrubar o Governo Bolsonaro pelas mãos do povo e fortaleceremos uma alternativa popular para o desfecho dessa crise, qual seja, a construção de um poder popular e do socialismo, única saída verdadeira para termos um país livre e independente. Da mesma forma, romperemos com as ilusões do reformismo e da pequena burguesia de que derrotarão o fascismo no âmbito institucional promovendo um impeachment ou mesmo pedindo, por favor, para que Bolsonaro renuncie.
3 – Derrotar o imperialismo capitalista é uma tarefa fundamental
Solidariedade internacionalista a Cuba e à Venezuela. Foto: G1
Precisamos ter a consciência de que enfrentamos o fascismo internacionalmente. Por isso, a classe trabalhadora, em nível mundial, é nossa principal aliada na luta contra os imperialismos e pelo socialismo. Não basta levantar a bandeira contra a política neoliberal e passar a defender o neodesenvolvimentismo, pois o capitalismo é brutal em todas suas formas e tem como único objetivo despejar a crise nas costas da classe trabalhadora.
O capitalismo desenvolvimentista não é alternativa ao neoliberalismo, pois ambos são exploradores da mais-valia dos trabalhadores. Nosso objetivo deve ser destruir o capitalismo, e não apenas a política neoliberal dos EUA. Os neodesenvolvimentistas cumprem o papel de abrir caminho ao fascismo e são a outra face da moeda do capitalismo.
Prova disso foi o que ocorreu na Segunda Guerra Mundial, quando os EUA e a Inglaterra, tidos como democratas naquele período, deixaram a chama nazifascista bater-se contra a pátria socialista, só dando apoio na Frente Oriental depois de perceberem que a URSS sairia vitoriosa, e com grande chance de que seriam também vítimas do nazismo.
Quem é socialista e comunista tem como principal obrigação defender a classe trabalhadora e defender seus interesses presentes e futuros. Portanto, devemos trabalhar em nível internacional para que a classe trabalhadora não seja levada a uma luta interimperialista, mas que lute por sua libertação, pois, como internacionalistas que somos, fazemos parte do mesmo exército do mundial do proletariado.
Os trabalhadores e o povo da Venezuela estão na linha de tiro do imperialismo estadunidense, portanto, nossa solidariedade aos venezuelanos e nossas ações principais devem ser no sentido de derrotar esse imperialismo fascista e expulsá-lo da América Latina. Apoiamos, como internacionalistas, a classe trabalhadora que luta contra o imperialismo, mas que também luta pelo socialismo. Defendemos que esta classe possa, no processo revolucionário em curso, tomar consciência e declarar o caráter socialista da revolução. Não podemos aceitar sermos instrumento nem do imperialismo dos EUA, nem do imperialismo chinês e russo, uma vez que estes investem financeiramente na Venezuela, visando a mantê-la como área de influência econômica e geopolítica, gerando, de fato, igual dependência e exploração para os trabalhadores.
A revolução socialista é a única forma de derrotar definitivamente o imperialismo e a exploração dos trabalhadores. Essa luta é a luta do presente, atual e estratégica para a classe trabalhadora. Quem pensa o contrário, não faz mais que defender a manutenção da exploração do homem ou considerar este objetivo algo utópico. Para que os trabalhadores possam decidir seu destino e sua autodeterminação é fundamental fazer uma revolução proletária.
Trabalhadores e trabalhadoras de todo o mundo, uni-vos!
Wanderson Pinheiro e Leonardo Péricles, membros do Diretório Nacional da Unidade Popular (UP)
[1] Apesar das visíveis disputas políticas de Bolsonaro com outros representantes da grande burguesia, como Dória e a Globo, no fundamental, não divergem quando se trata de aumentar a exploração sobre a classe trabalhadora e a retirada de direitos – como vimos no caso da Reforma da Previdência, da PEC dos Gastos e no Pagamento da Dívida Pública, dentre outras medidas antipopulares.
São Mateus tem colagem lembrando nomes e referências na luta do Povo Negro no Brasil e no Mundo
Foi realizado no bairro do Vila Flávia, São Mateus, Zona Leste de São Paulo, na semana do 20 de Novembro uma ação de colagem de nomes e referências negras na história da luta do povo negro e referências da periferia. Jovens do bairro espalharam nomes de homens e mulheres da luta antiracista como Luis Gama, Marielle Franco, Luisa Mahin, da luta anticapitalista como Angela Davis, Carlos Marighella, além de muitas referências como Emicida, Negotinho, Mano Brown, Mestre Moa, e homenagem a crianças mortas pelo Estado como a menina Ágatha Félix, de 8 anos, morta pela PM do RJ, e do menino Lucas Eduardo, de 14 anos, morto em Santo André pela PM de SP.
O mês de Novembro é um mês de agitação e propaganda sobre a luta do povo negro mas também de reforçar a importância da organização para enfrentar um sistema e um governo que tem aprovado medidas para aumentar o genocídio diretamente, autorizando ainda mais a impunidade da PM, ou indiretamente, privatizando o SUS, que atende em maior parte a população negra, precarizando o trabalho, feito em maior parte pela população negra. Esses e outros fatores que fortalecem ainda mais o racismo estrutural, ferramenta de submissão econômica e cultural do sistema capitalista. Para fazer frente de forma efetiva a quem nos mata e proteger nossa população e juventude negra de forma efetiva, precisamos lembrar nesse mês de Novembro de nos organizar em um movimento popular de porte nacional, mantida pelas forças e recursos do povo e movido pelos interesses da luta da classe trabalhadora no Brasil.
Lucas Nascimento Coordenador Nacional do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas / MLB SP
Durante a manhã dessa sexta-feira (22), Mauá, município do ABC paulista, amanheceu com os ônibus na garagem, e manifestações no terminal central: trabalhadores da Suzantur, transportadora turística privada responsável pelas linhas de ônibus da cidade, declararam greve contra a revogação contínua de direitos.
P. O.*, trabalhador da Suzantur e integrante do turno da tarde, alegou que a mobilização entre os trabalhadores começou quando um motorista não recebeu o depósito do vale salarial, benefício garantido pelo contrato. Contudo, esse fato foi apenas o estopim: os motoristas da Suzantur sofrem com a falta de pagamento dos salários, assédio moral, horas extras compulsórias e expedientes sem pausa para o banheiro no cumprimento das dezenas linhas que a cidade de Mauá possui.
Além da falta de pagamento de salários, recusa do depósito de benefícios, M. Q.*, trabalhador do turno da manhã, declarou ao Jornal A Verdade que as condições de trabalho pioram diante das jornadas extensas. “Cheguei a trabalhar durante vinte dias seguidos. Aqui não tem respeito”.
Apesar do posicionamento da empresa, que caracterizou a paralisação como “indevida”, a greve foi vitoriosa, e garantiu que o depósito do vale salarial ocorresse. Os ônibus voltaram a circular a partir das 14h.
*Os nomes dos trabalhadores que concederam depoimentos ao Jornal A Verdade foram alterados.
Gabriela Torres – Movimento de Mulheres Olga Benário
SÃO PAULO – Neste domingo, 17, milhares de pessoas foram à avenida Paulista, no centro de São Paulo, em solidariedade ao povo boliviano e contra o golpe de Estado sofrido por Evo Morales. O ato foi chamado pelo Comitê Brasileiro de Solidariedade ao Povo Boliviano Contra o Golpe, e contou com a presença de crianças, estudantes e trabalhadores da comunidade boliviana residente, além do apoio de muitos brasileiros.
As bandeiras boliviana e Whipala, símbolo da plurinacionalidade do país e da cidadania dos povos originários, foram firmemente tremuladas por todo o ato. Palavras de ordem também marcaram a manifestação, destacando o repúdio ao golpe de Estado, a resistência popular pela democracia, e denunciando o fascismo promovido por figuras da extrema direita do país, como a senadora (autoproclamada presidente) Jeanine Áñez e o empresário multimilionário Luis Fernando Camacho.
Através de um manifesto, distribuído no ato, o Comitê Brasileiro de Solidariedade ao Povo Boliviano Contra o Golpe afirma: “A luta do povo boliviano contra o golpe, contra Camacho, contra o fascismo, contra o racismo e a extrema direita, é uma luta que deve receber a solidariedade de todas as pessoas e da classe trabalhadora de todo o mundo que defendem as liberdades democráticas.” O manifesto também pontua: “Não reconhecemos como presidente da Bolívia a autoproclamada Jeanine Áñez, uma fraude, assim como Juan Guaidó, o autoproclamado presidente da Venezuela.”
O golpe na Bolívia representa uma ofensiva de setores extrema direita, aliada do imperialismo dos EUA e de grandes grupos empresariais e especuladores do mercado financeiro. Os diversos povos bolivianos que se erguem em defesa da democracia resistem ao golpe há semanas, como os lutadores do Chile, Equador e Haiti, que rechaçam ataques das elites do poder econômico. Com os últimos acontecimentos, desmancham-se as ilusões com o imperialismo, com a conciliação com grandes ricos e exploradores da classe trabalhadora. A real saída para a América Latina, cada vez mais, aponta para o poder popular.
Na manhã desse sábado, 14, centenas de pessoas tomaram o centro de Santo André para conclamar o Grito dos Excluídos e Excluídas do ABCDMR. O ato começou com um café da manhã coletivo, uma caminhada pela rua principal da cidade terminando com uma homenagem a brasileiros que deram a vida por uma nação mais justa e igualitária. O ato contou com adesão e organização de diversos movimentos sociais, ambientalistas, partidos de esquerda, movimentos populares do campo e da cidade, movimento estudantil, de mulheres, pastorais sociais e religiosas de diferentes matrizes e entidades sindicais.
O Grito dos Excluídos e Excluídas acontece há 25 anos e esse ano ecoou em mais de 200 cidades e em todas as capitais do Brasil. Esse movimento nasceu da necessidade de dar voz ao povo, às minorias e à população historicamente excluída pelo Estado burguês, que segue interesses de banqueiros lucrando com a miséria do nosso povo, deixando em segundo plano direitos básicos como: saúde, moradia, transporte, trabalho, informação e vida digna.
Foto Reinilson Câmara
“A vida em primeiro lugar! Este sistema não vale: LUTAMOS POR JUSTIÇA, DIREITOS E LIBERDADE” foi o lema do 25º grito dos excluídos. A marcha em defesa de direitos sociais e da luta contra o desemprego, levantou vários problemas estruturais como encarceramento em massa, genocidio da população negra, feminicídio, transfobia, lgbtfobia, cortes na educação e a “reforma” da Previdência, promovido pelo governo fascista de Jair Bolsonaro.
Também foi pauta do ato a questão do meio ambiente, por conta do aumento das queimadas, do avanço do desmatamento na Amazônia, dos crimes da Vale em Brumadinho e Mariana, em Minas Gerais. Além disso, foi erguido a bandeira contra o projeto do centro logístico de Paranapiacaba, proposto pelo prefeito de Santo André, Paulo Serra (PSBD), que ameaça uma área de proteção ambiental com importantíssimo valor histórico nacional, turístico, paisagístico e de serviços ambientais como provisão de águas para a Represa Billings.
Por fim, o ato do ABCDMR terminou com homenagens aos verdadeiros heróis da pátria, que lutaram por um país mais justo e igual, por meio de uma intervensão cultural com fotos e palavras de ordem. Nomes como Marielle Franco, índio Galdino , Zumbi dos Palmares, Dandara dos Santos, Milton Santos, Elenira Resende, Carlos Mariguella, Chico Mendes, Carolina Maria de Jesus e Manoel Aleixo foram lembrados e homenageados.
Foto Cadu MachadoFoto Reinilson Câmara
Reinilson Câmara Filho – Unidade Popular pelo Socialismo
Na última quinta-feira (15) cerca de 147 famílias foram despejadas numa ação truculenta e violenta promovida pela Polícia Militar do estado do Rio de Janeiro com ordens do governo estadual em Monte Alto, bairro do segundo distrito de Arraial do Cabo na Região dos Lagos. O Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas – MLB esteve presente no local no dia seguinte junto ao Jornal A Verdade para acompanhar a situação das famílias e prestar solidariedade e apoio. “Foram momentos de terror, eram mais de 40 viaturas, trator, helicóptero, drone, canhão de água, centenas de policiais encapuzados e armados até os dentes. Parecia que estávamos em guerra.” contou uma moradora. Outro morador continuou: “quando os policiais chegaram por volta das 5 horas da manhã, dissemos que tínhamos uma liminar da justiça garantindo que poderíamos ficar ali até que a prefeitura apresentasse uma outra solução de um local decente para essas famílias morarem. O comandante da operação se recusou a ver o nosso documento e tampouco nos deixou ver o documento que ordenava a realização daquela operação. Dali em diante começou o terror, jogaram bomba de gás lacrimogêneo, spray de pimenta, bala de borracha em todos, acertando inclusive grávidas, crianças e idosos sem a menor capacidade de resistência dos moradores. Daí em diante, destruíram nosso sonho. Passaram o trator por cima das 147 casas construídas com muito esforço coletivo por todos nós”.
Foto: Marcela Couri
A justificativa do governo para promover tal barbaridade, é de que aquela área pertence ao Parque Estadual da Costa do Sol e seria área de preservação ambiental. “Aqui só tem trabalhador, não tem bandido não. A gente não invadiu a terra não porque queremos destruir o meio ambiente. Só estamos aqui porque não temos outra opção.” disse uma moradora. Em áreas ao redor do “projeto” (como foi apelidado o local pelas famílias) existe um condomínio enorme, garagem náutica e um outro terreno de milhares de metros quadrados que pertencem à construtora Volendam, que tem carta branca para fazer o que quiser, sem se preocupar com as questões ambientais. “É necessário compatibilizar a preservação ambiental com o direito social do uso da terra. A dignidade da vida humana está prevista na legislação ambiental, e o direito à moradia digna foi reconhecido e implantado como pressuposto para a dignidade da pessoa humana, desde 1948, com a Declaração Universal dos Direitos Humanos e consta na Constituição Federal de 1988”, disse Ana Paula, conselheira do parque e militante da Unidade Popular pelo Socialismo. Essa é a realidade de cerca de 7,7 milhões de famílias em todo o Brasil, que compõe déficit habitacional em nosso país. São milhões de pessoas que moram em situações precárias, de favor, não tem mais condições de pagar aluguel e se encontram em situação desesperadora. Por outro lado, vemos milhões de imóveis e terrenos que não cumprem nenhuma função social, servindo apenas à especulação para gerar lucro para os ricos donos das grandes construtoras. O grande questionamento que ficamos nesse caso é: por que a Volendam pode explorar e degradar o meio ambiente em grandes proporções no terreno ao lado para obter fabulosos lucros, mas quando as famílias buscam um local pra morar são tratadas com violência pelo estado?
Foto: Marcela Couri
O estado do Rio de Janeiro tem a polícia que mais mata e que mais morre, é onde 5 jovens negros e pobres foram assassinados na última semana sem enquanto iam para a escola, para o trabalho ou apenas se divertir com os amigos. Enquanto nosso sangue escorre pelo chão da favela, o governador anda de helicóptero mirando sua arma na gente. Esse caso é reflexo da política genocida promovida pelo Estado Capitalista, de guerra aos pobres, guerra aos negros e negras. No “projeto restinga” os moradores respiram resistência, luta e esperança. Muitos dos que não tem pra onde ir, seguem tentando reerguer as construções e sobrevivendo através da solidariedade dos moradores da região que fornecem abrigo em suas próprias casas, doam roupas, alimentos e ajuda. A decisão dos moradores do projeto é de que só vão sair de lá se a prefeitura apresentar uma alternativa digna, “todos aqui tínhamos a nossa casinha, humilde, mas conquistada com muito suor e luta! Não vamos aceitar menos do que isso!” disse um morador durante assembléia realizada.
Foto: Marcela Couri
O Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas – MLB segue acompanhando e prestando apoio a essas famílias. Acreditamos que morar dignamente é um direito humano e que se o Estado Capitalista prioriza os lucros acima da vida, queremos destruir esse Estado e construir no seu lugar um Estado dos trabalhadores, onde prioridade seja a vida digna, com emprego, moradia, educação, saúde, etc. Enquanto morar for um privilégio, seguiremos lutando pela reforma urbana e o socialismo!
A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) realizou a 9º Conferência Nacional de Educação Paulo Freire com o tema “Educação Libertária e Democrática: construindo o movimento pedagógico Latino-Americano” entre os dias 26 a 28 de junho em Curitiba. O objetivo do encontro foi debater os desafios e rumos da educação brasileira, sendo estabelecida greve nacional no dia 13 de agosto contra os retrocessos do governo atual.
Dentre as pautas discutidas, os educadores se debruçaram sobre o Plano Nacional da Educação (PNE), sancionado em 2014 e com validade de 10 anos, com o propósito de direcionar esforços e investimentos para a melhoria do quadro educacional brasileiro. O Plano é composto por 20 metas contemplando todos os níveis educacionais que, apesar de muito promissoras, apenas uma foi cumprida de acordo com o Inep.
Destaca-se a meta 1, que diz respeito a universalização e democratização do ensino básico tendo como finalidade atender 100% das crianças de 4 a 5 anos matriculadas na pré-escola até 2016, além de garantir 50% das crianças de 0 a 3 anos em creche até 2024. Segundo dados do Pnad, apenas 90% das crianças de 4 a 5 anos foram atendidas e somente 1/3 estão em situação de creche. Essa defasagem é vivenciada principalmente nas periferias, onde as filas de espera por vaga nas creches podem levar anos colaborando com a desigualdade enfrentada pelas mulheres na participação no mercado de trabalho.
A estagnação e não cumprimento das metas são resultados dos ataques que o sistema educacional brasileiro sofre constantemente. Prova disso é a emenda constitucional nº 95 implementada pelo governo Temer que congela, durante 20 anos, investimentos públicos direcionados a saúde e educação. Além do corte de 30% das verbas destinadas às universidades e institutos federais, anunciado recentemente pelo ministro da educação. As duas ações fazem parte de um projeto que confronta diretamente as diretrizes do PNE, uma vez que a falta de recurso penaliza o avanço das melhorias no ensino público.
Além disso, a militarização das escolas incentivada por Jair Bolsonaro, visa instituir um sistema onde a censura é peça chave, ferindo a efetivação da gestão democrática de educação proposta pela meta 19 do Plano. Na mesma linha, o descumprimento se fez presente quando aprovadas as mudanças no “Novo Ensino Médio” pelo Conselho Nacional de Educação, órgão vinculado ao MEC, que libera o ensino a distância totalizando 20 e 30% de carga horária, respectivamente no período diurno e noturno, acentuando ainda mais a defasagem no ensino público.
Essas ações com embasamentos apenas voltados aos interesses capitalistas, sem considerar a realidade do povo brasileiro, são responsáveis por colocar a situação educacional do país em risco. O desleixo com que se é tratado o ensino público foi demonstrado nos últimos dados coletados pelo IBGE, provando que a educação ainda não é para todos. Cerca de 40% da população com mais de 25 anos não chegaram a concluir o ensino básico, e daqueles que concluíram, o maior percentual está entre os brancos (55,5%) ao passo que entre os negros, o número cai substancialmente (40,4%). Considerando que a maior parte da população brasileira é negra, o acesso a educação no Brasil ainda é limitado e desigual pela negligência do governo em promover políticas públicas que incentivem o acesso à todos.
Analisando todo este quadro, os educadores presentes da 9ª Conferência apresentaram um manifesto repudiando as sucessivas contra-reformas liberais no setor educacional e o desmonte das políticas educacionais e sociais que atacam os direitos da população, especialmente da população mais marginalizada (mulheres, negros, índios e LGBTs). Além disso, também criticaram a proposta da Reforma da Previdência e as conseqüências que irá trazer principalmente para as professoras de rede pública, aumentando 10 anos a idade mínima para aposentadoria. Ao final do manifesto, os profissionais conclamam a luta incessante e o compromisso para com a educação, convocando todas as instituições de ensino para uma grande greve geral no dia 13 de agosto.
Diante dessa conjuntura, se fazem necessárias as críticas, a mobilização e organização dos estudantes, trabalhadores e servidores públicos em defesa do ensino de qualidade no país e contra a destruição da aposentadoria, como foram feito nos dias 15 e 30 de maio pela educação, e no dia 14 de junho na Greve Geral que mobilizou categorias ao redor do país e que foram responsáveis pelo fechamento de diversos pontos estratégicos das cidades.
Foto: Jorge Ferreira/Jornal A Verdade
“Numa palavra, a educação se tornou a grande esperança, a grande promessa da nacionalidade e da democracia. Com espanto, porém, vemos que, no atual governo, ela é apresentada como ameaça.” – afirmam ex-ministros em carta contra as políticas educacionais do governo Bolsonaro.
Inimigo da Educação, o governo Bolsonaro vem promovendo um verdadeiro sucateamento do ensino público no país. Em abril, através de sua conta no twitter o atual presidente fascista insinuou que os cursos de ciências humanas não mereciam investimentos, adiantando a pretensão de seu governo de cortar verbas do ensino superior. Mesmo com a revolta da população diante de tais alegações, pouco tempo depois, o governo através de seu Ministro da Educação, Abraham Weintraub, anunciou o corte de 30% nas verbas das universidades sem diálogo prévio com a comunidade acadêmica, impactando diretamente o funcionamento dos institutos federais. Na ocasião, o governo alegou que os cortes no ensino superior eram necessários para garantir o investimento na educação básica. Contudo, isso se mostrou como mais uma de suas mentiras contra a população mais pobre, ao estender o corte orçamentário para toda a pasta de educação, incluindo os programas de ensino infantil ao médio.
Frente a essa situação de completo desmonte das políticas educacionais do país, seis ex-ministros de governos anteriores se reuniram em um evento promovido pela Universidade Estadual de São Paulo (USP) e redigiram uma carta aberta em oposição às medidas do governo Bolsonaro. Na carta, José Goldemberg (1991-1992), Murílio Hingel (1992-1995), Cristovam Buarque (2003-2004), Fernando Haddad (2005-2012), Aloizio Mercadante (2012-2014) e Renato Janine Ribeiro (2015), expressaram sua preocupação com “as políticas para a educação adotadas na atual administração”, enfatizando que a magnitude dos cortes promovidos no último período “podem ter efeitos irreversíveis e até fatais”.
De acordo com eles, nessa gestão, a educação deixou de ser vista como prioridade nacional e passou a ser tida como uma ameaça, enfatizando a postura do governo em ignorar especialistas da área atuando de “forma sectária, sem se preocupar com a melhoria da qualidade e da equidade do sistema, para assegurar a igualdade de oportunidade”. Em outras palavras, a carta converge com as denúncias realizadas pelos movimentos sociais e estudantis frente aos ataques de Bolsonaro. Para Beatriz Baria, militante do Movimento Correnteza de São Paulo: “cortar investimentos dos institutos federais e da educação básica, determinar o fim das bolsas para pesquisadores, é mais uma forma desse desgoverno vergonhoso de atacar nosso povo. Somos nós, a juventude pobre, que vai ser impedida de ter uma educação de qualidade, pra encher os bolsos dos grandes grupos privados, que fazem da educação mercadoria, como a Kroton Educacional”.
A carta denuncia ainda a perseguição e a censura impostas pelos governos aos docentes, ressaltando a importância do “respeito à profissão docente, que não pode ser submetida a nenhuma perseguição ideológica […] Convidar os alunos a filmarem os professores, para puni-los, é uma medida que apenas piora a educação, submetendo-a a uma censura inaceitável”. Em outro trecho, reforçam: “a autonomia universitária é uma conquista que deve ser mantida para garantir a liberdade e qualidade na pesquisa, formação e extensão”.
Ao fim do texto, os ex-ministros propõem a “formação de uma ampla frente em defesa da educação” e anunciam a criação de um “Observatório da Educação Brasileira dos ex-ministros da Educação, que se coloca à disposição para dialogar com a comunidade acadêmica e científica, sociedade e entidades representativas da educação, com parlamentares e gestores, sempre na perspectiva de aprimorar a qualidade da política educacional”.
Jady Oliveira União da Juventude Rebelião
[1] Kroton Educacional: a maior empresa privada do mundo no ramo da educação, um conglomerado que monopoliza e atua em função da privatização do ensino privado, em detrimento da educação pública, gratuita e acessível.
RIO DE JANEIRO Um ano após a execução da Vereadora Marielle Franco pela milícia, a deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ) – assim como Marielle uma política negra, de periferia e LGBT – teve a solicitação de escolta negligenciada pela omissão do Governador Wilson Witzel, do Partido Social Cristão, ao negar o pedido de proteção à vida da deputada que foi realizados após receber ameaças de morte.
Talíria recebe ameaças de morte desde 2016 quando foi eleita vereadora em Niterói/RJ. As ameaças vêm pelas redes sociais ou até por telefonemas feitos à deputada ou a sede de seu partido. A pouco mais de dois meses a polícia federal alertou ter encontrado na dark web informações sobre o planejamento de um atentado à vida da deputada.
Graças à investigação da PF, Talíria está sendo escoltada em Brasília, mas nas vezes em que retorna a Niterói, cidade na qual foi eleita e também onde recebeu as ameaças, anda desprotegida pois a solicitação enviada pelo presidente da Câmara dos deputados, Rodrigo Maia (DEM), foi negada pelo Governador Witzel, que nem sequer enviou uma resposta a Câmara.
Em abril deste ano a deputada foi chamada de “verme” pelo líder da bancada ruralista, Alceu Moreira (MDB-RS), durante uma audiência pública após reações da parlamentar às declarações do também deputado. Recentemente, após as denúncias de ameaças de morte, o filho do presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), debochou em seu twitter dizendo que Talíria era hipócrita por se declarar desarmamentista e pedir escolta, alegando que a deputada deveria pedir “iluminação”.
A história da Professora Talíria em muito se confunde com a história de Marielle Franco. Ambas ameaçadas de morte e odiadas pelos conservadores, falsos moralistas e pelos milicianos. O que acontece é que em um país que possui cotas para que as mulheres enfim consigam ocupar o espaço político que é ocupado majoritariamente por homens brancos, héteros e ricos, existir duas mulheres negras, periféricas e LGBTs, que foram eleitas como as vereadoras mais votadas em suas respectivas cidades na primeira eleição que concorreram, é inaceitável.
É um atentado à democracia o estado do RJ não exercer seu papel e zelar pela vida de uma deputada que é ameaçada apenas por lutar pelos direitos das mulheres, dos negros, dos pobres e dos LGBTs. Sabemos as causas da omissão do governador reacionário Wilson Witzel, também sabemos de qual lado está o filho do presidente e amigo da milícia, Eduardo Bolsonaro, que ironiza as ameaças contra Taliria assim como ironizava as denúncias feitas por Marielle.
Mas não podemos esperar a morte de ninguém mais, muito menos de alguém que luta para defender o direito à vida de milhões de pessoas abandonadas pelo estado e massacradas pelo sistema capitalista.
Entre as principais mudanças apresentadas pelo governo Jair Bolsonaro para a segurança publica do país, está o projeto de Lei Anticrime divulgado pelo Ministro de Justiça e Segurança Publica Sérgio Moro.
Exército brasileiro assassina jovens negros inocentes na intervenção do RJ
O projeto que prevê alterações de 14 artigos do Código Penal e do Código Eleitoral não demonstra nenhuma novidade sobre as causas dos crimes, muito pelo contrário, coloca no centro da política de segurança pública o método da punição, única e exclusivamente como forma de redução da criminalidade.
Hoje já existe uma diferenciação dos
procedimentos de casos de homicídios envolvendo policiais em serviço. Por
exemplo: quando um policial comete um homicídio e alega legitima defesa, o
crime é juridicamente justificado como “morte por intervenção de agente de Estado”.
Esse procedimento hoje é conhecido como “Autos de Resistência”, e é responsável
por ser o principal argumento legal para justificar os assassinatos produzidos
pela policia, quase sempre sendo o processo arquivado. Porém, caso uma pessoa
comum mate e alegue legítima defesa, haverá um inquérito policial para apuração
do homicídio, que na maior parte dos casos termina em reclusão, ou seja, pena
de seis a vinte anos de prisão.
Nesse sentido, um dos principais eixos do
pacote apresentado está a excludente de ilicitude, nesse caso, mesmo que
o agente policial tenha praticado um homicídio, ele não será considerado um
criminoso, excluindo o ato ilícito. O Código Penal prevê três situações em que
se aplica a excludente de ilicitude: estado
de necessidade, legitima defesa e o estrito cumprimento do dever legal. Uma
das propostas que está no pacote de Sergio Moro é de flexibilização e ampliação
da excludente de ilicitude em favor de policiais.
Em situações em que a polícia precisa
executar uma prisão em flagrante, o ordenamento jurídico brasileiro autoriza o
policial em ação á exercer o estrito cumprimento do dever legal que é prender. Atualmente no Brasil, não
existe o dever legal de matar. Não
se justifica seguir atirando até causar a morte. Com a mudança proposta pelo
pacote, o texto de lei deixa claro: caso os policiais durante o trabalho
estiverem em situações de medo, surpresa
ou violenta emoção, e vierem a matar ou ferir alguém não poderão serem
punidos. Utilizando do pretexto da legitima defesa, o projeto formaliza e
amplia a violência e os assassinatos
praticados pela policia.
Um levantamento feito pelo Núcleo de Estudos da Violência da USP e o Fórum
Brasileiro de Segurança Pública, mostrou que houve um aumento de 18% de pessoas
mortas por policiais de
2017 para 2018 (5.225 para 6.160 mortes ao ano), ressaltando que essas
mortes são as que estão registradas no balanço anual. O ultimo relatório produzido pela Anistia
Internacional demonstrou que as forças policiais brasileiras são as que mais
matam no mundo.
A redução da violência urbana foi
destaque nas eleições de 2018, demonstrando uma enorme preocupação da população
com a segurança publica. Lembrando que essa era uma das principais promessas e
bandeiras das campanhas de candidatos, como Bolsonaro, João Dória, Wilson
Witzel. E com razão o povo, principalmente mais pobre tem clamado por justiça e
segurança. Os princípios constitucionais, em especial a dignidade humana, têm
sido violados e o brasileiro sofre no seu cotidiano.
Herança da ditadura
“Força
auxiliar e reserva do Exército” a Polícia Militar foi criada em 1969 sob
decreto-lei em pleno período de ditadura. Desde então e mesmo após a
democratização do Brasil em 1988, esse braço violento do Estado continua
atuando como há mais de 50 anos. Mesmo sendo hoje uma força à disposição do
Estado, a submissão é ao Exército autoritário brasileiro. Surge uma antinomia,
pois ao mesmo tempo em que polícia vem de polis,
do grego, cidadão, cidadania,militar vem do latim miles, milícia. Entende-se inclusive porque a militarização vê no indivíduo civil
um inimigo. O modo operante despreparado da polícia dá-se através do excesso de
violência, truculência e arbitrariedades. A tortura, por exemplo, é uma prática
cotidiana, comum e normal nas ações policiais na periferia adentro.
Com
o projeto de lei de Moro haverá um aumento de forças paramilitares. Esse
cenário aprofunda a impunidade
policial e é a semente para o nascimento de milícias, que no atualmente é o
grupo que mais oferece risco a segurança e vida do povo brasileiro, inclusive com comprovações já apresentadas pela investigação do envolvimento
direto desse grupo de extermínio com o brutal assassinato da ex vereadora e
militante Marielle Franco.
O Conselho de Direitos Humanos da
ONU solicitou que o Brasil despendesse maiores esforços para combater a
violência e projetar um fim à Polícia Militar, responsável por milhares de assassinatos.
Tudo isso fica muito claro quando vemos policiais formarem grupos de
extermínios e esquadrões da morte (criados no regime militar), carregados
de discurso de ódio, agindo de forma
criminosa, truculenta e autoritária. É urgente e necessário por fim a
militarização da polícia, e pensarmos um outro modelo de segurança pública para
não mais vivermos o cotidiano da barbárie e da escravidão, pois os chicotes de
ontem são as balas dos fuzis dos opressores de hoje!
O fuzilamento de Evaldo dos Santos, músico, num bairro periférico do Rio de Janeiro enquanto passeava com sua família na tarde de um domingo, representa o avanço do estado fascista que já não se importa em manter a aparência de um estado democrático de direito.
Ato na paulista em homenagem a Evaldo, músico assassinado pelo exército com 80 tiros. Foto: Jorge Ferreira
Com indignação o povo assistiu o presidente da república, 6 dias após o assassinato, vir à público se manifestar sobre o caso, limitando-se a defender a instituição que disparou 80 tiros e ceifou não só a vida de Evaldo, mas também de Luciano Macedo, catador de recicláveis, que tentou ajudar a família a sair do veículo no momento da ação criminosa. Segundo o presidente: “O exército não matou ninguém!” Entretanto, é equivocado pensar que essa barbárie é consequência exclusiva da chegada da extrema direita ao Poder, muito menos apenas de resquícios da ditadura militar. Na verdade o estado policialesco nunca deixou de estar presente nas periferias do Brasil.
No mundo, o 1% da população mais rica tem mais riqueza que os outros 99% somados. Os 6 homens mais ricos do mundo tem mais posses do que a metade mais pobre, mais de 3,5 bilhões de pessoas. Esse abismo social é também a realidade do Brasil, que tem uma das maiores desigualdades do mundo. Neese contexto, ao povo negro é reservado apenas os piores postos de trabalho, os piores salários e os barracos das grandes favelas. A imensa maioria da população negra é extremamente pobre e vive sob todas as formas de vulnerabilidade.
O desemprego é enorme e o varejo do tráfico termina sendo um desses postos de trabalho reservados especialmente para a juventude negra das periferias. Mesmo cumprindo uma tarefa desse negócio que gera enormes lucros para a burguesia, que utiliza seus bancospra lavar esse dinheiro, e por estar na ponta, mais visível e sustentando fuzis nas mãos, os jovens negros são vítimas de um discurso de criminalização e de uma política repressiva e genocida que assassina 66 mil pessoas por ano no Brasil, um verdadeiro índice de guerra civil. 78% desses jovens são assassinados por conta da sua cor da pele, por serem negros.
“É que cada tempo histórico tem suas perguntas sobre o passado, pois cada conjuntura produz uma história para justificar o seu presente.” É assim que Marielle Franco começa a demonstrar em sua tese de mestrado a importância de compreendermos nosso passado recente e o processo de implementação do neoliberalismo que o Brasil passou nas últimas décadas. Apesar do estudo da vereadora assassinada se concentrar na política de segurança pública do estado do Rio de Janeiro através das Unidade de Polícia Pacificadora, traz também importantes esclarecimentos sobre as causas do genocídio de negros e negras no país todo.
É verdade que desde a formação do estado brasileiro há uma política de extermínio daqueles que foram escravizados, e desde então diferentes ideologias foram utilizadas para perpetuar o poder na mão de uma minoria enquanto o povo dispõe de uma vida miserável. Mas também é urgente compreender as engrenagens da fase atual do capitalismo para traçarmos estratégias para a sua destruição. Nesse sentido que Marielle desmascara o estado penal vigente nas periferias como estrutura central do neoliberalismo no Brasil.
Nessa fase da crise do capitalismo, onde a elite econômica tenta enfiar goela abaixo reformas para aumentar seus lucros, mesmo que às custas da retirada de direitos trabalhistas e sociais, é necessário uma escalada no estado penal para conter aqueles que se encontram “excluídos” dessa sociedade. É por isso que na medida que os governantes avançam na destruição de direitos sociais, aumenta-se a repressão nas periferias, pois esses são os territórios tidos como inimigos do estado, que serve exclusivamente aos interesses da classe dominante.
A administração pública por sua vez, concentra esforços em passar a impressão que esse modelo de segurança pública, que invade casas, mata e tortura, se legitima em nome da proteção de toda sociedade. Essa é a tática da “guerra às drogas”, justificar o genocídio e o encarceramento em massa como necessário para manter a ordem.
Para tanto, o estado exerce papel crucial na manutenção do projeto de dominação. Se nos bairros ditos “nobres”, o estado se faz presente nas ruas bem asfaltadas, nos parques bem arborizados, e em todo conjunto de políticas que promovem o acesso à cidade, nas periferias esse mesmo estado se faz presente exclusivamente através das forças militares, seja pela polícia, pelo exército, ou mesmo por grupos milicianos.
Essa guerra aos pobres, transvestida de pacificação, não se justifica apenas com o sadismo de uma elite branca, mas sim por interesses econômicos. O estado, representante da burguesia, não contente com as reformas neoliberais, também está comprometido com o lucro dos megatraficantes, dos milicianos, da indústria armamentista, da especulação imobiliária, etc.
Justamente por incomodar aqueles que lucram com o extermínio da população negra e escancarar a as engrenagens desse sistema que Marielle Franco foi brutalmente assassinada.
Um ano depois de sua morte, os 80 tiros disparados pelo exército no carro de Evaldo e sua família nos traz à tona a urgência de apontar as raízes desse projeto genocida. Trata-se do modus operandi de um estado neoliberal, que manteve as mesmas práticas inclusive nos governos ditos progressistas, período em que o encarceramento mais do que dobrou. Se no Brasil o capitalismo é forjado no extermínio da população da periferia, que na sua maioria são negros e negras, o fim desse extermínio também depende da superação desse sistema perverso.
O RACISMO COMO IDEOLOGIA DE DOMINAÇÃO
Segundo Clóvis Moura, “o racismo não é uma conclusão tirada dos dados da ciência, de acordo com pesquisas de laboratório que comprovem a superioridade de um grupo étnico sobre outro. O racismo é uma ideologia deliberadamente montada para justificar a dominação de um grupo sobre outro. É, portanto, uuma ideologia de dominação.
Acontece que após a abolição da escravidão no Brasil, a elite do país determinada a manter seu projeto de domínio, costurou outras roupagens para sustentar o novo regime econômico. Nesse momento ganha destaque a concepção eugênica que correspondia a uma política de embranquecimento da população e a uma teorização sobre características de personalidade inerentes às raças.
Dentre elas, se destaca o papel do direito penal na formação do imaginário popular do negro como figura naturalmente criminosa. Ainda no período da primeira república, o código penal tipificava como crime o que ficou conhecido como lei da vadiagem. Num contexto de séculos de escravidão, foi como prender as pessoas simplesmente por elas serem negras. Essa política foi aprimorada ao longos das décadas, mas sem nunca perder o viés ideológico de dominação sobre os corpos marginalizados.
A Liga de Higiene Mental, por exemplo, braço do nazismo e do arianismo no Brasil, se destacou como defensora “científica” dessa tese e defendia, entre outras bandeiras, salários eugênicos (quanto mais clara a cor da pele, maior deveria ser o salário), recompensa para famílias que procriassem seres “superiores”, punição para os “inferiores”.
O higienismo social presente na segregação territorial até os dias de hoje, é oriundo das políticas da burguesia desde a formação da nação brasileira. A verdade é que esse país foi constituído sob uma ideologia burguesa e racista, que nega ao povo sua própria história, como estratégia política para perpetuar uma estrutura excludente.
Sendo assim, torna-se uma ingenuidade combater o racismo apenas através do viés acadêmico ou estritamente científico, muito embora não possamos de maneira nenhuma, negar o combate também nesse terreno. Mas a verdade é que a boa e velha luta de classes ainda é a forma mais eficiente de enfrentar o racismo no Brasil. Como afirma Clóvis Moura, “a questão racial é essencialmente política e não apenas científica.”
Para superarmos o sistema político existente, o capitalismo, será necessário travarmos as lutas pelos interesses imediatos da classe trabalhadora, composta na sua maioria por mulheres e negros. Mas isso não bastará. Será necessário, e esse é o nosso desafio, apresentar outro modelo de sociedade que seja capaz de substituir a engrenagem capitalista.
Um sistema político e social que dê conta de distribuir toda a riqueza socialmente produzida, pondo fim à propriedade privada dos meios de produção e a todas as desigualdades sociais existentes na atualidade. Esse sistema, essa sociedade, tem nome e chama-se Socialismo.
População venezuelana vai às ruas e impede o golpe orquestrado pelos EUA
Uma tentativa de golpe militar foi realizada na Venezuela na
manhã desta terça feira, 30/04, como o intento de derrubar o governo legítimo
de Nícolas Maduro. Esta ação contou com o apoio incondicional dos EUA que
propicia todo auxílio aos golpistas que são, na verdade, subservientes do
imperialismo e realizam um discurso de apoio à “Liberdade” no país, mas com o
intuito de fazer o roubo das riquezas nacionais.
Logo pela manhã Juan Guaidó, o promotor principal do golpe, realizou pronunciamentos anunciando a tomada de uma base militar localizada na região leste de Caracas, a Base Aérea La Carlota. Também propalava a obtenção de apoio militar das forças armadas, buscando causar um levantamento em outras bases militares. Guaidó pronunciou-se ao lado de Leopoldo Lopez que estava preso desde 6 de agosto de 2017, cumprindo pena de quase 14 anos, por praticar atos violentos. O “Autoproclamado” presidente, com apoio dos EUA, busca usurpar o poder sem possuir o voto democrático do povo, por meio de uma ação violenta contra a maioria dos venezuelanos.
No entanto, oficialmente, o presidente da Assembleia Nacional Constituinte Diosdado Cabello, desmentiu a tomada da Base Aérea e disse que apenas um reduzido grupo militar se sublevou para promover um golpe de Estado. “Não foi vulnerabilizada nenhuma instalação militar no país, eles estão nas ruas no Distribuidor Altamira e nós estamos dirigindo as operações desde a Base Aérea La Carlota”, afirmou.
Maduro também se pronunciou nas redes sociais afirmando que conta com o apoio e lealdade do comando do exército, que diz está comprometido com a constituição e a soberania nacional. Precisa no entanto estar mais preocupado com o apoio popular permanente nesse processo, visto que as ações da direita tentam alterar a correlação de forças também nas massas, mas ao que tudo indica sem sucesso até o presente momento.
Mike Pompeo, o secretário de Estado norte-americano, afirmou em um comunicado “hoje, o presidente [autoproclamado] interino Juan Guaidó anunciou o início da Operação Liberdade. O governo dos Estados Unidos apoia integralmente o povo da Venezuela em sua busca pela liberdade e pela democracia. A democracia não pode ser derrotada”. Destila assim seu apoio incondicional as ações militares para derrubar o governo e mostra disposição de intervir nos assuntos internos da Venezuela.
Ernesto Araújo, ministro de relações exteriores do Brasil, se reuniu em Washington, no dia 29, com Mike Pompeo e demonstrou uma total submissão ao governo dos EUA fazendo coro a politica norte-americana “O Brasil apoia o processo de transição democrática e espera que os militares venezuelanos sejam parte desse processo de transição democrática”, declarou. Logo Bolsonaro também se pronunciou no Twitter “O Brasil está ao lado do povo da Venezuela, do presidente Juan Guaidó e da liberdade dos venezuelanos”. É uma vergonha como copiam a linguagem da farsa americana sem o mínimo de pudor tratando a palavra “liberdade” como um mantra para encobrir a tentativa de um golpe militar absurdo.
As declarações conjuntas do Brasil com os EUA nesse processo devem ser repudiadas pelo povo brasileiro, pois não podemos ser bucha de canhão para o imperialismo. Os interesses do Brasil estão muito mais ligados a uma política de relações internacionais pacíficas, de integração latino americana baseada na colaboração entre os países iguais, na solidariedade e no internacionalismo proletário. O povo brasileiro sempre foi a favou da soberania das nações e o princípio da auto-determinação, onde cabe a cada povo decidir seus destinos.
Todo apoio ao povo venezuelano! Abaixo o imperialismo!
A Unidade Popular (UP), partido político em formação, é fruto da iniciativa de centenas de ativistas dos movimentos populares, militantes comunistas, estudantes e professores e da necessidade de construir uma alternativa de esquerda revolucionária ao atual cenário nacional. Após um ano e meio de muito trabalho, a campanha pela legalização da UP entra em sua reta final. Para falar sobre as novas tarefas da militância, A Verdade entrevistou Leonardo Péricles e Fernanda Lopes, membros da Direção Nacional da UP, que afirmam que para o país sair desta crise, precisa passar por uma profunda transformação econômica e social que dê vida digna para o nosso povo, e, por isso “a UP luta pelo poder popular e pelo socialismo”.
Da Redação
A Verdade – Por que a UP foi criada?
Leonardo Péricles – Houve, nos últimos anos, um verdadeiro esgotamento dos atuais partidos ditos de esquerda. Alguns foram cooptados, tomando o caminho de aliança com as grandes empresas, bancos e empreiteiras. Outros, tentando fazer frente a esta traição, não conseguiram dialogar com a classe trabalhadora. De tão estreitos que são, não conseguem se apresentar como alternativa. O resultado é que, hoje, poucos empunham a bandeira de luta por mudanças estruturais, ou seja, a luta revolucionária contra o capitalismo, que passa pela mobilização de amplos setores populares, de milhões e milhões de trabalhadores, mulheres e homens, negras e negros, LGBTs, jovens, indígenas, comunidades tradicionais, enfim, a luta da imensa maioria do povo brasileiro.
Esta é uma luta por quebrar os enormes privilégios dos super-ricos, da burguesia brasileira. É, portanto, uma luta muito dura e nós, da UP, não consideramos que ela possa ser feita por um iluminado ou de forma isolada, mas sim no campo da luta de massas, na vida política partidária, dos movimentos, e lideranças que se reúnem em torno das ideias populares. Daí o próprio nome Unidade Popular. Acreditamos que, a partir de um chamado decidido e pautado na força do movimento popular, se incorporarão a este projeto milhões de lutadoras e lutadores. Foi para fazer este chamado que nasceu a UP.
Como vocês veem a atual situação do País? Qual a saída para a crise do Brasil?
Fernanda Lopes – O Brasil vive uma grave crise econômica e política que se agrava a cada dia, com vários retrocessos democráticos, perdas de direitos e uma calamidade social. O desemprego já atinge cerca de 24 milhões de pessoas. Hospitais, postos de saúde, escolas e universidades estão abandonados. A violência aumenta e o povo teme por sua vida todos os dias, especialmente as mulheres. O ilegítimo governo de Michel Temer, que só tem olhos para as classes ricas, aprovou a chamada “PEC dos Gastos”, congelando por 20 anos os investimentos públicos em saúde, educação e moradia. Aprovou, em agosto de 2017, a Reforma Trabalhista, que retirou direitos históricos dos trabalhadores conquistados em décadas de luta, e ainda quer aprovar a Reforma da Previdência para que trabalhadores e trabalhadoras não se aposentem mais. Para sair desta crise, o País precisa passar por profundas mudanças. Somente uma profunda transformação econômica e social que dê vida digna para o nosso povo, emprego, saúde e educação de qualidade, moradia, transporte e terra para os camponeses resolverá os problemas atuais vividos pelo povo. Por isso a UP luta pelo poder popular e pelo socialismo.
Leonardo Péricles – Devemos lembrar também que vivemos uma das mais profundas crises econômicas da história do capitalismo, desde 2008, e que se manifestou com mais força no Brasil a partir de 2013. A solução para esta crise é pôr fim a um sistema que protege uma minoria de ricos. E o programa para isso já é conhecido: taxar as grandes fortunas; impedir a especulação imobiliária e garantir a função social do solo; suspender o pagamento da dívida pública, que nos suga quase metade do orçamento federal; exigir o pagamento dos devedores da dívida ativa dos municípios e estados; impedir a sonegação de impostos pelas grandes empresas, inclusive dos devedores da Previdência; reduzir a jornada de trabalho sem redução do salário para gerar mais empregos. Desta forma, bilhões de reais serão arrecadados e serão suficientes para resolver os graves problemas sociais que nosso país vive. Mas, ao lado de todas estas lutas, não devemos deixar de disputar a maioria da população para um projeto ainda mais profundo de transformações sociais, que é a derrubada do capitalismo e a implantação do socialismo, em que os meios de produção das riquezas estejam nas mãos da classe trabalhadora e possam servir para a vida, e não para o lucro.
Nenhum dos atuais partidos defende essas propostas?
Fernanda – A maioria dos atuais partidos está pautada pela institucionalidade, por um respeito sagrado aos limites impostos pela burguesia, ao invés de se pautar pela necessidade de superação do capitalismo. E isso exige muito enfrentamento, rupturas, uma verdadeira revolução política. Um dos papéis que a UP se propõe a fazer é demonstrar que os partidos dos ricos enganam o povo a todo momento. Procuramos demonstrar pelo discurso e pela prática que nem todos os que fazem política são iguais, que há uma política corrupta e burguesa, mas que existem também políticos revolucionários e uma política proletária. Não se trata de moralismo, mas sim de colocar as coisas no seu devido lugar.
Por que o socialismo é superior ao capitalismo?
Leonardo – Em um país riquíssimo como o Brasil, o socialismo daria condições para todas as pessoas se apropriarem dos bens e serviços de que necessitem para viver. Já debaixo do capitalismo, somos um país subdesenvolvido, com uma economia comandada pelos EUA e com uma desigualdade social que aumenta a cada ano. Hoje a realidade é que as cinco pessoas mais ricas do País detêm a mesma riqueza da metade mais pobre da população. O socialismo também permite que a tecnologia desenvolvida seja aplicada para melhorar a vida do conjunto da população, e não para aumentar os lucros dos capitalistas. Só o socialismo garante acesso universal à educação, saúde, moradia, segurança, lazer. Isto já foi provado por décadas na União Soviética e em outras experiências socialistas. Uma nova onda de grandes transformações sociais virá neste século 21, pois são insustentáveis as contradições do capitalismo. Só no ano passado, por exemplo, 82% da riqueza produzida no mundo foi apropriada por apenas 1% das pessoas! A maioria dos trabalhadores ainda não tem a consciência de que este mundo novo de felicidade é possível, mas o socialismo está no sonho de todo trabalhador e trabalhadora consciente. Ao socialismo interessa socializar a riqueza das grandes propriedades, aquela que pode resolver o problema da moradia nas grandes cidades, pois no capitalismo há mais casas e prédios abandonados do que gente sem habitação. Já as grandes fábricas e empresas, as grandes extensões de terra, estarão à disposição do Estado, dirigido pela classe trabalhadora para que esta decida a prioridade e a função social de cada coisa.
Como veem as declarações de membros do Alto Comando do Exército defendendo um golpe militar?
Fernanda – Nessa conjuntura em que a luta de classes se encontra bastante acirrada, vemos manifestações das diferentes classes sociais e agrupamentos sobre as possíveis saídas para a crise. Dentro da falta de perspectivas de parte da população, setores do alto comando do Exército a serviço do setor mais reacionário da burguesia, dos fascistas, tentam também se apresentar como alternativa. Lembremos que todo este espaço para que generais possam se pronunciar sobre golpes de Estado, contrariando a própria Constituição sem sofrerem nenhuma punição, é algo muito grave e que não podemos aceitar. É preciso levar a cabo as recomendações da Comissão Nacional da Verdade para que se punam os torturadores e assassinos da época da ditadura militar. Como disse a grande companheira Amelinha Teles, em entrevista publicada na última edição do Jornal A Verdade: “Não há democracia com corpos insepultos”. Sabemos que a impunidade do passado leva à impunidade do presente, pois hoje milhares de jovens negros e pobres continuam sendo torturados e mortos nas periferias de todo o Brasil nas mãos de agentes estatais, principalmente das polícias militares.
Qual o balanço da campanha pela legalização da UP?
Leonardo – Estamos há 15 meses colocando em prática um ousado plano de legalização de um partido político revolucionário que almeja o poder. Para coletarmos as 600 mil assinaturas que conquistamos neste período, fomos a praças, bairros, vilas, favelas, ruas, empresas, fábricas, escolas, universidades e seguramente falamos para mais de dois milhões de pessoas que foram abordadas ou que escutaram nossas agitações. Nosso discurso, aliás, não é só para pedir uma assinatura, mas para politizar, para denunciar os crimes das elites contra o povo e convocá-lo para a luta.
Neste último período, conseguimos perceber como poucos o sentimento de nosso povo, seu desejo por mudanças no Brasil e, neste sentido, tivemos ainda mais certeza de que nossa decisão de criar a UP foi acertada. E fizemos isso sem depender de um centavo da Odebrecht ou de qualquer outra grande empresa, banco etc. Sem depender também de nenhum figurão da política tradicional burguesa, dependendo apenas de nossa militância e de apoiadoras e apoiadores que têm os mesmos propósitos que nós.
Chegamos agora a um momento decisivo, pois temos pouco mais de seis meses para cumprir nosso objetivo, já que a legislação impõe um prazo máximo de dois anos. Apesar de enfrentarmos regras extremamente antidemocráticas para a legalização de novos partidos, durante este período, que estamos chamando de período especial, nossa militância decidiu se dedicar integralmente à realização desta grandiosa tarefa. Chegaremos até o final de maio com pelo menos 800 mil assinaturas coletadas no total e já demos passos importantes no cadastramento das fichas de apoio no sistema online do TSE e nos cartórios eleitorais. Em três estados a UP já alcançou o número mínimo de apoiamentos exigido e já podemos constituir seus diretórios estaduais provisórios. Estamos trabalhando para que nos próximos meses cheguemos a pelo menos nove diretórios estaduais legalizados, que é outra exigência. Além disso, temos recebido adesões de muitos ex-militantes de outros partidos e organizações políticas, e até de grupos políticos que não se sentiam mais representados pelos demais partidos existentes.
O que falta para a UP conquistar a legalização?
Fernanda – Tudo o que fizemos até aqui, apesar de muito importante, não basta, pois precisamos validar 487 mil assinaturas nos cartórios eleitorais de todo o Brasil. Neste sentido, entramos no sistema do TSE com cerca de 150 mil fichas nestes últimos meses e nossa campanha continua até a legalização. Para termos êxito, estamos fazendo também uma campanha de arrecadação de finanças, pedindo contribuição às pessoas que acreditam em nossa causa para que possamos ter um caixa que permita arcarmos com os gastos desta reta final. Precisamos da ajuda de todas e todos para que possamos concluir esta campanha de dois anos. Estamos muito confiantes de que venceremos!
Uma onda de manifestações e protestos tem tomado diversas escolas em Pernambuco. O motivo: inúmeros problemas estruturais nas unidades de ensino. O jornal A Verdade entrevistou a direção da União dos Estudantes Secundaristas de Pernambuco (Uespe) sobre a situação.
Redação Pernambuco
EDUCAÇÃO – No último dia 16 de março, um ataque envolvendo um estudante de 14 anos em uma escola de Referência em Ensino Médio na cidade de Barreiros, Mata Sul de Pernambuco. O adolescente atacou três colegas da escola com uma faca, todas meninas, deixando uma aluna gravemente ferida. O ocorrido foi ligado pelas autoridades a questões envolvendo bullying, e levantou o debate sobre saúde mental dos adolescentes nas escolas pernambucanas.
A questão é que, recentemente uma onda de denúncias levantadas pelos próprios estudantes tem mostrado uma outra realidade crítica das escolas públicas no estado. O completo abandono estrutural deixa exposto a fragilidade das instituições de educação e ensino em Pernambuco e levanta algumas questões básicas: como cuidar da saúde mental dos estudantes quando as escolas estão sofrendo com o básico em seu dia a dia?
Abandono estrutural se repete em todo o estado
Cratera que se abriu em escola do município do Cabo de Santo Agostinho, região metropolitana. A situação estrutural das escolas em Pernambuco é preocupante. Foto: Reprodução.
No início do mês de março (04/03) parte do piso da Escola de Referência em Ensino Médio (Erem) Zumbi dos Palmares, localizada no Cabo de Santo Agostinho, no Grande Recife cedeu, deixando uma aluna ferida. As aulas na escola foram suspensas por tempo indeterminado. O estado se destaca nacionalmente em número de escolas de referência em ensino médio (são mais de 670 escolas nessa modalidade) mas ao mesmo tempo enfrentando problemas básicos como falta d’agua, banheiros, merenda de péssima qualidade, falta de quadras poliesportivas ou então defasadas, e, no campo pedagógico, professores e servidores com inúmeros problemas de trabalho.
Em 2025, dados do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) davam conta que dos quase 1,6 milhões de alunos matriculados nas 5.816 escolas públicas de Pernambuco, mais de 39 mil estudavam em unidades sem acesso à água tratada, 24 mil frequentavam instituições sem banheiro e 10 mil conviviam diariamente com a ausência de serviços de água e esgoto, com 400 escolas sem acesso a esse serviço. Ou seja, não adianta a propaganda de que o ensino público tem crescido a oferta de vagas, sem ter o mínimo de qualidade para manutenção das crianças e adolescentes nas escolas.
Valorização dos servidores
Diante das péssimas condições das escolas o Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (Sintepe) realizou uma paralisação no último dia 18/03, pautando as condições de trabalho e reajustes para a categoria. A União dos Estudantes Secundaristas de Pernambuco (Uespe) vem acompanhando as denúncias das escolas pernambucanas e prepara uma grande mobilização para o dia 26 de março desse mês, dia de paralisação nacional em defesa do ensino público de qualidade. Os grêmios e entidades filiados à Uespe tem se dedicado ao trabalho juntos aos estudantes pernambucanos no levantamento nessas demandas.
O que diz os estudantes
O jornal A Verdade conversou com Raiana Rodrigues e João Rodrigues, presidentes da entidade sobre a situação das escolas em Pernambuco.
Jornal A Verdade – Esses últimos dias apareceram nas redes sociais diversos vídeos dos próprios estudantes denunciando a situação estrutural das escolas em Pernambuco. Como a Uespe tem enxergado essa situação?
João Rodrigues – Hoje as escolas de Pernambuco estão totalmente sucateadas e maquiadas, porque todas as escolas são muito bonitas por fora e muito feias por dentro. Então não tem, por exemplo, a estrutura básica para que os estudantes do integral passem o dia todo dentro da escola, mas também atinge os estudantes que estudam meio período.
As escolas tem uma pintura muito bonita, uma placa muito bonita, mas por dentro é piso caindo, com crateras no meio, banheiros e chuveiros sucateados, fora aquelas que não tem nem isso. E não adianta mais reproduzir o discurso de que “a culpa dos estudantes que destroem as escolas”. Isso não é verdade. Os estudantes, que passam o dia nas escolas, cuidam do espaço. A questão é que não se tem uma reforma constante das escolas.
Quais as denuncias que a entidade tem recebido dos estudantes?
Manutenção e abandono. Muitas escolas têm muito mofo e muitos estudantes terminam passando mal, porque não se tem ali uma limpeza contínua da escola, isso atrapalha diretamente a vivência do dia a dia dentro da escola. Tem muito banheiro que não tem porta, então muitos estudantes que tem que fazer barreira com os amigos para poder utilizar o banheiro. Água nem se fala. Temos recebido diversas notícias de muitas escolas que não tem água para os estudantes lavarem a mão, muito menos sabão. Além das quadras que não são cobertas, falta de professores e outros profissionais para manter o funcionamento no dia a dia.
Também correram inúmeras denúncias sobre a questão da merenda escolar. Essa ainda é uma dificuldade nas escolas ou houve alguma melhora?
Então, essa questão da estrutura dos banheiros e a falta d’agua acaba afetando isso também. Hoje tem gente que não almoça mais na escola, porque a merenda ainda é de má qualidade. Tem aluno levando comida de casa ou mesmo comendo biscoito, almoçando salgado, porque as condições da merenda ainda deixam a desejar.
Como é que se pode resolver essa questão da estrutura nas escolas em Pernambuco?
Raiana Rodrigues – É preciso se fazer uma reforma estrutural em diversos prédios em Pernambuco. Existem escolas que estão em funcionamento, por 50 anos, 10 anos, 15 anos, e nunca passou por uma reforma. A reforma que se tem é pinturas, e os próprios gestores dizem isso. Falta prioridade para esses serviços e mais verbas destinadas para isso. No caso da escola Zumbi dos Palmares, no Cabo, foi anunciado um recurso de R$ 17 milhões, mas a gente não tem certeza se a obra vai sair do papel, se vai ser finalizada a tempo, enquanto isso nos preocupamos com os pais e alunos que vão ter que ser realocados enquanto a escola se encontra interditada.
Outra preocupação é com a saúde mental dos estudantes. Como a gente pode passar o dia numa escola que não oferece o mínimo pra gente? No caso da escola em Barreiros, a situação é pior ainda. Como que é que fica a cabeça desses jovens, tendo que voltar para uma rotina “normal” depois de um acontecimento desse? Escola é pra ser lugar de acolhimento, mas sem essa estrutura, como é que vai receber e atender essas famílias, a juventude com seus problemas do dia a dia?
A Uespe está organizando junto com outras entidades um dia nacional de mobilização. Como atividades como essa podem ajudar na melhoria das escolas?
Estamos denunciando essa situação nas escolas e convocando as entidades municipais e grêmios estudantis para somar força nesse dia 26 de março, em memória do estudante carioca Edson Luís, morto pela ditadura militar em 1968, juntos com a Fenet, que ano passado organizou uma greve nacional pela construção dos bandejões nos IFs e com a União da Juventude Rebelião (UJR) a gente se soma junto às mobilizações nacionais exigindo que a educação seja uma prioridade de fato.
Estamos chamando também os estudantes para participarem do 46º Congresso da Ubes (CONUBES), que ocorrerá de 16 a 19 de abril de 2026, em São Bernardo do Campo, em São Paulo, onde nós construímos a tese Rebele-se, que é um movimento de oposição dentro da entidade, que hoje, infelizmente se encontra na mão de um grupo que não defende a luta dos estudantes. Se a Ubes enquanto entidade de representação nacional dos estudantes, estivesse nas ruas em defesa do ensino, a situação seria outra com certeza. É por isso que os estudantes tem que estar mobilizados.
Iniciamos essa série “A História oficial Versus as lutas do proletariado brasileiro” com o objetivo de preservar a memória das lutas passadas e acumular experiência no aprendizado para os combates do presente e do futuro. Um olhar para nossa história nacional pela ótica do materialismo histórico e da luta de classes.
Natanael Sarmento- Redação Pernambuco
HISTÓRIA- (Parte 1) Na autoimagem das classes dominantes, banalizadas desde o início da colonização, os abastados são tidos como ‘homens bons’. A sociedade exploradora escravista e burguesa se vê como ‘boa sociedade’. A brutal opressão para manter a produção econômica e divisão social dessa ordem de privilégios de poucos burgueses e muitos proletários e excluídos é chamada de “ordem social” em cuja defesa recorrem à força policial e militar do Estado classista.
Assim, os genocídios dos indígenas e usurpação de seus territórios foram chamados de “guerras justas”, os assassinatos e chacinas nas periferias pobres pelas polícias são chamados de “uso da força legítima” no combate ao tráfico e ao crime organizado. O estado burguês não usa a mesma força com o crime organizado dos capitalistas do Banco Master, dos investidores da Faria Lima, dos defraudadores do INSS.
Quem são os exploradores e inimigos do povo?
Historicamente, no Brasil, são os latifundiários e capitalistas genocidas, usurpadores, escravistas, agiotas e parasitas. Eles formam o bloco histórico dominante do Brasil. Nem a quebra do pacto colonial com a independência do 7 de setembro de 1822, nem a Proclamação da República modificam a essência deste bloco. Detentores do poder econômico, político e ideológico permanecem com o poder concentrado do estado. Das mãos de oligarquias agrárias, latifundiários escravistas, nobreza burocrática dos cargos de prestígio no Estado, burguesia comercial e bancária, alto clero do regime do padroado e altas patentes militares.
Tal aliança classista consolida a base econômica e ideológica, e expressa a força organizada e centralizada do estado, independente a forma de governo monarquista ou república, ou do regime liberal democrático ou fascista. Os grandes fazendeiros – hoje atualizados no agronegócio – se apropriavam dos latifúndios, riquezas naturais e do trabalho, comerciantes e atravessadores visavam lucros e banqueiros financiavam a produção e a circulação com juros de agiotas. Assim é desde os tempos dos “ciclos” do açúcar, café, e exploração dos minerais, do tráfico de escravos do passado às exportações e importações do mercado globalizado dos nossos dias.
Militares exerciam funções de Capitães-do-Mato e atuavam nos golpes antipopulares e antinacionais, na repressão do povo. O clero “catequisava”, leia-se, alienava a domesticação dos nativos e servia aos poderosos industriais, comerciantes e banqueiros. Os nobres parasitas, condes, barões, viscondes, duques ocupavam cargos comissionados de conselheiros, nos ministérios, cadeiras senatoriais vitalícias na casta burocrática do aparato estatal.
A maioria do povo, Indígenas, negros africanos escravizados, lavradores mestiços pobres, imigrantes estrangeiros vivendo em condições abjetas e laborando de Sol a Sol. Para produzir a opulência e riqueza do Brasil, aludida pelo padre André João Antonil, se esquecia de completar que ela era produzida pelo saque colonial e pela iníqua usurpação dessa riqueza pelos exploradores do povo e do país.
Poder e suntuosidade como estratégias da dominação
O reinado brasileiro copiava o estilo imperial francês no uso simbólico da suntuosidade como estratégia do poder. O Palácio de São Cristóvão, residência da família imperial e centro político e social da monarquia, no Rio de Janeiro, chamava-se a “Versalhes brasileira”. Antes e depois da Independência em 1822, manteve-se a cultura de palácios e catedrais suntuosas. Muitos deles patinados com ouro da “opulência e riqueza” do bloco histórico dominante do Brasil.
O Paço de São Cristóvão com área de 13.000 metros quadrados para recepções e bailes, com sala do trono e dependências “dignas” da “família real”. Local de bailes de gala, aniversários, bodas, recepções diplomáticas. No tapete vermelho desse “glamour” figuravam também o Teatro São Pedro e o Palácio das Laranjeiras, da Princesa Isabel e do marido Conde D’Eu, palco de famosas recepções e festas, que procuravam passar a imagem de estabilidade da monárquica. Mesmo quando a casa estava caindo, a lembrar os músicos do filme La nave va, no qual continuam tocando para distrair os passageiros a bordo enquanto o navio afunda.
Bacanal às vésperas do golpe republicano
A pretexto das bodas de prata da Princesa Isabel e da recepção à esquadra chilena, a monarquia fez rombo na fazenda pública no “Baile da Ilha Fiscal”, em 9 de novembro de 1889. Festança perdulária que simboliza o desperdício com os luxos das elites parasitárias do Brasil. Um “requinte”, dizia um jornal da época. “Um cardápio de seda”. Dezenas de cozinheiros e centenas de serviçais escolhidos a dedo. Desse banquete no Castelo da Ilha Fiscal constam 10 mil litros de cerveja, 14 mil sorvetes, 500 perus, 8oo kg de camarão, 64 faisões… Esses exploradores do povo, na enorme disparidade social com a maioria do povo privado de condições básicas, alimentação, moradia, a dar razão ao ditado popular ‘rico ri à toa’.
Primeiras greves operárias
A massa trabalhadora vivia jornadas exaustivas de trabalho de 14 a 16 horas, em condições precárias e insalubridades, na exploração do trabalho infantil inclusive, análogas aos dos escravos. Os escravos eram a principal força produtiva e integrava o capital dos Senhores proprietários assim como as e os semoventes (animais e gados), sem remuneração ou pagamento.
Mas, durante a Monarquia, meados do século XIX, tecelões, sapateiros, moleiros, seleiros, marceneiros, ferroviários, barqueiros, gráficos, artesãos livres e outros ofícios germinavam à formação da classe operária. E há registros memoráveis de lutas desse operariado florescente. Da criação de associações mutualistas de autodefesa e reivindicações por salários melhores e condições dignas de trabalho, higiene nas oficinas e fábricas e contra a exploração do trabalho infantil. Destacamos a organização da Associação Gráfica Fluminense, fundada em 1850 e a União Operária, de 1880. Ainda em embrião, a classe operária brasileira já lutava pela vida.
A Associação de Tipógrafos Fluminenses foi além do assistencialismo mutualista. Da solidariedade mútua nos casos de mortes e acidentes dos associados, criou uma biblioteca e o “Jornal dos Typographos”, classista, sustentado pelos próprios trabalhadores. Com papel importante na agitação e propaganda da primeira greve operária do país, em 8 de janeiro de 1858 na qual gráficos e compositores paralisam a imprensa da Capital Imperial. Foram 32 compositores do Jornal do Comércio, 22 do Diário do Rio, 6 do Correio Mercantil. O “Jornal dos Typographos” fazia denúncia das péssimas condições de vida e salário, dos abusos nas fábricas e oficinas e conclamava a classe a “derrotar o “status quo”.
Os sapateiros e tecelões nucleados no “Centro das Classes Operárias” reivindicavam jornada de trabalho de 8 horas de trabalho, segurança e higiene do local de trabalho, aumento salarial e o fim do trabalho infantil. Em 1903 realizam a primeira grande Greve Geral, com fabulosa adesão de 40 mil trabalhadores, no Rio de Janeiro.
As primeiras décadas do século XX coincidem com o advento da República, da industrialização e urbanização e da formação da classe operária. Abolida formalmente a escravidão, a precariedade de vida e exploração eram mantidas. As contradições e antagonismos da minoria exploradora e da maioria explorada. A presença dos imigrantes europeus, notadamente, italianos e espanhóis, entre eles, anarquistas e socialistas, colocam a luta operária em novo patamar.
Ocorrem duas grandes Greves Gerais no principal centro industrial do Brasil, São Paulo, em 1917 e 1919. Os ecos do triunfo da Revolução Bolchevique (Comunista) dos proletários e camponeses da Rússia geram intensa luta interna no movimento operário e sindical até então hegemonizado pelos anarquistas. Os “maximalistas” ou comunistas, todavia, vencem essa batalha interna, mormente com a criação do Partido Comunista, a “Seção Brasileira da 3ª Internacional Comunista”, em março de 1922. A vanguarda mais avançada da classe operária organizada num partido classista eleva o patamar da luta de classes contra o domínio burguês.
Para a primeira greve no Brasil, a presença de um jornal foi fundamental. Foto: Hemeroteca da Biblioteca Nacional (reprodução).
Um policial militar agrediu dois estudantes dentro do CE Senor Abravanel, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Os estudantes fazem parte da AMES-Rio e estavam ajudando o grêmio da escola a organizar uma manifestação contra um professor acusado de assédio. Os dois diretores da AMES e mais um estudante foram detidos.
Gabriel Puga | Redação RJ
JUVENTUDE – Estudantes organizavam uma manifestação na manhã desta quarta-feira (25) pedindo o afastamento de um professor acusado de assediar as alunas quando foram agredidos por um policial militar. O caso aconteceu no CE Senor Abravanel (antigo CE Amaro Cavalcanti), localizado no Largo do Machado, Zona Sul do Rio de Janeiro.
O que dizem os estudantes agredidos?
Marissol Lopes é uma estudante de 19 anos e atualmente preside a Associação Municipal dos Estudantes Secundaristas do Rio de Janeiro (AMES-Rio). Foi agredida com dois socos e teve a sua camisa rasgada. “Eu tenho vindo desde o início do ano aqui na escola ajudar o grêmio estudantil a organizar as lutas pelas melhorias na escola. Não é a primeira vez que somos recebidos com violência. A secretaria de educação, mesmo sabendo que temos direito de entrar nas escolas, prefere que as estudantes sejam assediadas do que ver a luta estudantil organizada”, denuncia.
Theo Oliveira tem 18 anos, é secretário-geral da AMES-Rio e também foi agredido. “Viemos por uma denúncia justa das estudantes. Há anos que professores são denunciados por assédio e a SEEDUC-RJ não faz nada. Eu só fui defender a Marissol e o policial me jogou no chão.”, relata em entrevista ao Jornal A Verdade.
Também foi detido João Herbella, diretor do DCE UFRJ e do Centro Acadêmico da Escola de Comunicação. Ele foi para apoiar a manifestação e o seu “crime” foi gravar o que os policiais fizeram com os outros dois estudantes.
Marissol, João e Theo na delegacia após serem detidos. Foto: JAV
O que diz a Secretaria de Educação?
Em nota, a SEEDUC-RJ afirmou que “a direção da unidade acionou a Polícia Militar durante um protesto de alunos de forma preventiva, com o objetivo de garantir a segurança de todos”. A AMES-Rio e AERJ, entidades estudantis presentes no momento, questionam qual é o perigo que cartazes e palavras de ordem dos estudantes poderia trazer. A realidade é que a Polícia Militar foi convocada para intimidar a luta estudantil. Não é a primeira vez que a PM age com brutalidade dentro de uma escola, mesmo na Zona Sul do Rio de Janeiro. Segundo as associações, em 2024, a PM entrou no CE André Maurois, no Leblon e jogou spray de pimenta em estudantes.
“É isso que significa a militarização das escolas que a direita tanto agita como a solução para os nosso problemas. Essa semana relembramos os 58 anos do assassinato de Edson Luís pela ditadura militar por lutar como estamos lutando. Queremos chamar todos os estudantes para uma grande manifestação amanhã começando na Prefeitura do Rio às 14 horas, em memória de Edson Luís, contra o assédio e a repressão nas escolas.”, convoca Marissol.
Dando continuidade à jornada de lutas contra a escala 6×1, a militância do Movimento Luta de Classes, com apoio da UP, ocuparam em todo o país mais de 17 shoppings junto aos trabalhadores para conquistar a derrubada da escala 6×1
Leonardo de Paula | Jundiaí (SP)
Trabalhador Unido – “Quando vocês chegaram eu tive esperança que a gente pode fazer alguma coisa, que a gente pode lutar”.
Milhares de trabalhadores em todo o Brasil tiveram a mesma reação que Suzana, moradora de Campinas, no estado de São Paulo, quando viu militantes da Unidade Popular pelo Socialismo (UP) e do Movimento Luta de Classes (MLC) ocuparem os shoppings do país para denunciar a escala 6×1.
A ação é a continuidade de uma agenda nacional de lutas, como os atos nas portas de fábricas realizados no último dia 4 de março, que colocaram mais de 2 mil trabalhadores em greve em todo o país para derrotar a escala 6×1.
Luta em todo o Brasil
Mais de mil trabalhadores ocuparam 17 shoppings de todo o Brasil. Na região sudeste foram 4 locais em São Paulo e no Rio de Janeiro o ato foi conduzido pelas lojas do Shopping Macaé, no interior do estado.
No nordeste, 5 estados contaram com ocupações simultâneas. O Shopping Jardins em Aracaju, Rio Poty em Teresina, Shopping Bahia, o Shopping Pátio em Maceió e os shoppings Guararapes e Boa Vista em Pernambuco também foram palco de denúncias contra a jornada desumana de trabalho a que os trabalhadores são submetidos.
No Pará, militantes estenderam faixas no Shopping Pátio Belém e os corredores de lojas panfletando e apresentando o Jornal A Verdade para os funcionários.
Na região sul foram realizadas grandes agitações em shoppings nas cidades de Londrina e Curitiba no Paraná e no shopping Total em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul.
Já em Santa Catarina, foram realizadas ações no Floripa Shopping em Florianópolis e no Shopping Itaguaçu em São José, onde dois manifestantes foram presos pela polícia enquanto conversavam com trabalhadores.
Mesmo sendo um ato pacifico, já no início da mobilização a segurança agiu com truculência, roubando bandeiras e rasgando a faixa de denúncia à escala 6×1. Depois da violência, a Polícia Militar levou para delegacia dois militantes da UP que, após a pressão, foram liberados.
Durante o ato em Campinas, Mayara, militante do MLC afirmou: “Essa vitória, a vitória da derrubada da escala 6×1 vai vir pelas nossas mãos, não vai vir pelo congresso. Por isso nós estamos em todo o país dizendo que nós vamos vencer essa escala desumana e conquistar mais um dia de descanso para os trabalhadores.”
Congresso inimigo do povo
Enquanto os trabalhadores se mobilizam nas ruas, corre na câmara dos deputados a PEC 08/2025, de autoria da deputada Erika Hilton que prevê o fim da escala 6×1.
A PEC (Proposta de Emenda à Constituição) tem previsão de ser votada até maio e tem sido atacada por deputados do centrão e do fascismo, como Gustavo Gayer (PL-GO) que declarou que “vamos ter demissão em massa, os produtos vão ficar 33% mais caros, haveria uma fuga de empresas no Brasil, milhões de pessoas iriam à informalidade”.
A verdade é que diminuição da escala, sem diminuição do salário, aumentaria a produtividade dos trabalhadores e melhoraria a vida do povo, como é o caso da Alemanha, um dos países com maior PIB do mundo e que conta com uma jornada de apenas 26 horas semanais.
Enquanto políticos representantes dos grandes empresários e banqueiros fazem de tudo para barrar a PEC que pode derrubar a escala 6×1, a UP mobiliza os trabalhadores a arrancarem essa vitória nas ruas.
Apoio dos trabalhadores
Segundo Janaina, entrevistada no shopping Tatuapé na capital paulista: “A gente gasta muito tempo dando dinheiro para outras pessoas, tempo que a gente podia ta usando para aproveitar com a família, cuidar da saúde e do nosso bem estar, tem que acabar essa escala”.
“Essa escala tem que acabar, quantos aniversários de família eu já não perdi por causa do trabalho, é a primeira vez que eu vejo um ato desse tamanho aqui no shopping”, relatou Jailson, trabalhador da escala 6×1 há dez anos
Durante o ato foram reunidos centenas de contatos em todo o país de trabalhadores e trabalhadoras que, além de quererem lutar contra a escala 6×1, querem construir o socialismo. “Eu vi socialismo na bandeira e achei interessante, não dá mais para aceitar o capitalismo não” relatou uma trabalhadora que preferiu não se identificar por sofrer perseguições do chefe do trabalho
Todas as vitórias da classe trabalhadora vieram através de luta. Por isso, a jornada de mobilização contra a escala 6×1 é a principal forma de conquistar mais um dia de descanso para os trabalhadores e vencer os grandes capitalistas que lucram com nosso sofrimento.
Resistência popular à intervenção imperialista e a luta pelo socialismo na Venezuela continua forte mesmo após sequestro de Maduro. Confira a reportagem do Jornal A Verdade feita durante a Brigada Internacional de Solidariedade com a Venezuela.
Giovanna Almeida | Caracas e La Guaira (Venezuela)*
INTERNACIONAL – A invasão e bombardeio da Venezuela pelos EUA e o sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa e primeira combatente, Cilia Flores, a ditadura de Trump ampliou ainda mais o regime de sanções econômicas contra a Venezuela.
Uma das principais medidas de tutela econômica imposta pela força militar norte-americana diz respeito ao controle sobre a comercialização do petróleo venezuelano, que segue sendo a principal fonte de renda do país. Na prática, os Estados Unidos passaram a controlar a venda desse petróleo e os recursos obtidos não podem ser utilizados livremente pela Venezuela: parte significativa desse dinheiro fica sob controle externo e só pode ser liberada gradualmente ou utilizada para a compra de produtos e serviços de empresas dos próprios Estados Unidos.
Apesar da pressão externa, o país mantém uma estrutura institucional que busca garantir a continuidade do governo. Ao mesmo tempo, um elemento marcante observado durante a minha visita pela Brigada Internacional de Solidariedade ao país é o nível de consciência política da população em relação ao papel do imperialismo na crise venezuelana. Em diversos espaços, os moradores, mesmo os críticos ao governo e ao chavismo, expressam forte defesa da soberania nacional e reivindicam a paz, especialmente após o trauma coletivo provocado pelos bombardeios e pela escalada do conflito.
Além disso, não houve um único dia, durante os 15 dias da brigada, em que não tenha acontecido alguma mobilização em defesa da soberania do país. O ministro de Energia dos EUA e a CIA foram recebidos com uma marcha de milhares de jovens. As organizações políticas de esquerda que não são ligadas ao governo têm convocado a construção de uma frente antifascista e anti-imperialista. E a cada dia, um setor diferente está nas ruas mobilizando a campanha pela libertação do presidente e da primeira-dama.
Brigada Internacional de Solidariedade com a Venezuela reuniu centenas de militantes de várias partes da América Latina. Foto: JAV
Bloqueio econômico, inflação e as dificuldades do cotidiano
É no cotidiano da população que os efeitos da crise aparecem de forma mais concreta. A economia venezuelana atravessou, a partir de 2014, uma das maiores crises de sua história. A queda abrupta da renda petrolífera, combinada com sanções econômicas internacionais e problemas estruturais da economia, provocou uma forte retração econômica, hiperinflação e escassez de produtos básicos.
A partir de 2017, a situação atingiu seu momento mais crítico. A inflação chegou a níveis extremos, a moeda nacional perdeu grande parte de seu valor e o país enfrentou sérias dificuldades para importar alimentos e medicamentos. Muitos venezuelanos passaram a enfrentar enormes dificuldades para garantir itens básicos do dia a dia, enquanto os salários perdiam rapidamente seu poder de compra.
Diante desse cenário, o governo venezuelano adotou uma série de medidas econômicas para tentar estabilizar a situação. Uma delas foi permitir, a partir de 2019, um processo de “dolarização” da economia, flexibilizando o uso do dólar em transações comerciais e no cotidiano da população. Essa medida ajudou a reduzir parte da instabilidade monetária e contribuiu para uma leve recuperação econômica nos anos seguintes, após quase uma década de retração.
Outra medida importante foi a reforma monetária que criou o chamado “bolívar digital”, introduzido em 2021 como parte de uma nova reorganização da moeda nacional, em um esforço para incentivar seu uso e enfrentar os efeitos da inflação acumulada ao longo dos anos.
Além disso, o governo passou a desenvolver uma estratégia de diversificação econômica. Durante muitos anos, a economia venezuelana foi 100% dependente do petróleo. Com a queda da produção e das exportações do setor, o país passou a estimular outras áreas da economia, especialmente a produção agrícola, alimentar e turismo. Esse processo ainda está longe de resolver todos os problemas do país, mas já apresenta algumas mudanças importantes.
Se durante os anos mais duros da crise a Venezuela dependia majoritariamente da importação de alimentos, hoje o país já consegue produzir a maioria do que consome, resultado de políticas de incentivo à produção nacional e de reorganização da economia interna, com forte apoio da produção das comunas.
Ainda assim, as dificuldades para a população permanecem. Os salários, especialmente no setor público que concentra grande parte dos trabalhadores, continuam tendo baixo poder de compra, e muitos venezuelanos dependem de bônus e dos subsídios (serviços de água, luz, gás, gasolina e cestas básicas) distribuídos pelo governo para complementar sua renda. Mesmo assim, muitos moradores afirmam que a situação atual, embora ainda difícil, não se compara ao período mais crítico vivido por volta de 2017, quando a escassez de produtos básicos e a hiperinflação atingiram níveis mais dramáticos.
Reunião de uma Comuna popular na Venezuela. Órgãos de poder popular definem onde são investidos os recursos do país. Foto: JAV
O desenvolvimento do poder popular e experiência das comunas
Um dos aspectos mais marcantes da realidade venezuelana é o avanço das experiências de organização popular conhecidas como comunas. Criadas durante o governo de Hugo Chávez como parte do projeto da Revolução Bolivariana, as comunas foram pensadas como uma forma de ampliar a participação direta da população nas decisões políticas, econômicas e sociais do país.
As comunas são estruturas de organização territorial formadas a partir da articulação de diversos conselhos comunais, que são assembleias populares organizadas em bairros urbanos ou comunidades rurais. Nesses espaços, moradores se reúnem regularmente para discutir os problemas do território, definir prioridades e participar da gestão de políticas públicas locais. Atualmente, existem mais de 5000 comunas registradas na Venezuela, além de milhares de conselhos comunais espalhados pelo país.
Essas estruturas reúnem moradores com diferentes posições políticas. Embora muitas lideranças estejam ligadas às ideias bolivarianas, também participam das comunas pessoas críticas ao governo ou sem identificação com o chavismo, já que o principal objetivo desses espaços é resolver problemas concretos das comunidades.
Durante a visita ao estado de La Guaira, o governador José Alejandro Terán explicou que o projeto das comunas busca transformar a forma tradicional de organização do Estado venezuelano. Segundo ele, a proposta é construir um modelo de gestão em que as próprias comunidades tenham cada vez mais protagonismo na definição das políticas públicas e no desenvolvimento de seus territórios.
“A comuna é uma forma de governo do povo no território. É onde a comunidade se organiza para decidir seus próprios projetos, administrar recursos e construir soluções coletivas para os problemas locais”, explicou Terán.
Nos últimos anos, o governo venezuelano passou a apostar ainda mais no fortalecimento dessas estruturas. A partir de 2024, Maduro iniciou um processo de consultas populares periódicas nas comunas, nas quais os próprios moradores escolhem, por meio de votação, quais projetos devem ser implementados em seus territórios. As propostas mais votadas recebem financiamento direto do governo para serem executadas pelas próprias comunidades. Esse mecanismo representa uma tentativa de transferir parte do poder de decisão e dos recursos do Estado diretamente para as organizações populares.
Comunas venezuelanas são parte fundamental da resistência ao imperialismo na Venezuela. Foto: JAV
Poder popular resolve os problemas do povo
Durante a brigada internacional, foi possível conhecer exemplos concretos de como esse processo funciona na prática. Em Petare, considerada a maior favela da Venezuela, existem cerca de 90 comunas organizadas.
Uma dessas experiências é a Comuna Chávez 59, onde na consulta popular a juventude da comunidade apresentou um projeto para a criação de uma oficina de purificação de água potável, como forma de enfrentar os problemas de distribuição de água que afetam o território.
O projeto foi aprovado pela comunidade e hoje a iniciativa permite a distribuição de água tratada para cerca de 1.200 famílias, a um custo simbólico de aproximadamente 250 bolívares, garantindo acesso mais barato à água potável para os moradores e os valores arrecadados fazem a manutenção da oficina e retorna para a comunidade.
Experiências como essa ajudam a compreender como as comunas funcionam não apenas como espaços de organização política, mas também como instrumentos concretos para enfrentar problemas cotidianos das comunidades.
Outro elemento central dessas organizações é o desenvolvimento de atividades produtivas comunitárias. Em praticamente todas as comunas existem iniciativas econômicas organizadas coletivamente, como cooperativas, empresas de produção social e empreendimentos familiares. Essas iniciativas envolvem atividades como produção agrícola, fabricação de alimentos, pequenas indústrias e serviços locais.
Segundo a conselheira comunal Angu, da Comuna El Legado de Chávez, situada no município de Guaicaipuro, esse processo ganhou força especialmente durante os anos mais duros da crise econômica.
“Nos unimos mais como povo, e algo que ajudou muito a economia da Venezuela foi o crescimento do empreendedorismo popular dentro das comunas. Naquele momento, com o bloqueio econômico, era difícil para o governo garantir a mesma atenção de antes.”
Ela explica que, diante das dificuldades econômicas, muitas comunidades passaram a desenvolver iniciativas próprias de produção de alimentos, bens de consumo e pequenos serviços locais.
“A ideia era que cada comuna pudesse criar seus próprios projetos socioprodutivos, fortalecendo a organização popular e a independência das comunidades. O povo começou a produzir farinha, café, alimentos, produtos de limpeza. Quando fomos ver, já existiam centenas de marcas comunitárias feitas dentro do próprio território.”
Além da produção comunitária, outra iniciativa importante para enfrentar a crise foi a organização dos CLAP (Comitês Locais de Abastecimento e Produção), responsáveis por mapear as famílias dos territórios e distribuir alimentos diretamente nas comunidades.
Segundo Angu, essas experiências reforçam um sentimento de solidariedade e organização coletiva entre os moradores.
“Existe um ditado aqui que diz que só o povo salva o povo. E foi isso que aconteceu na Venezuela: diante da crise, o povo se organizou e encontrou formas de seguir em frente.”
Para muitos militantes do processo bolivariano, as comunas não são apenas uma forma de organização comunitária, mas parte de uma estratégia mais ampla de transformação social. A proposta do chamado Estado Comunal busca justamente ampliar essas experiências como base de um novo modelo político e econômico, no qual o poder popular organizado nos territórios tenha um papel central na gestão da sociedade e na construção de novas formas de produção e distribuição da riqueza.
Nesse sentido, as comunas são frequentemente apresentadas como uma das principais apostas do processo venezuelano para construir caminhos próprios de desenvolvimento e avançar na construção de um modelo econômico com características socialistas, baseado na participação popular e na organização coletiva da produção.
A luta pelo socialismo
O processo político venezuelano está longe de ser simples ou linear. Como destacaram militantes de organizações marxistas-leninistas do país, a Venezuela continua sendo uma sociedade capitalista, onde os meios de produção seguem majoritariamente nas mãos da burguesia e onde a lógica do mercado ainda estrutura grande parte da economia. Mesmo após décadas de Revolução Bolivariana e importantes avanços sociais e políticos, a ruptura com o capitalismo ainda não ocorreu.
Ao mesmo tempo em que o país busca desenvolver uma economia mais diversificada para além do petróleo, muitas vezes por meio de parcerias público-privadas e acordos com setores da burguesia nacional, também se fortalece uma estratégia distinta de organização econômica baseada nas comunas e nas experiências de produção social nos territórios. Essa dualidade revela uma das principais contradições do processo venezuelano: enquanto o país permanece inserido nas dinâmicas do capitalismo global, também experimenta, em seus territórios, formas de poder popular e organização econômica alternativa.
Na conjuntura atual, a contradição entre imperialismo e soberania nacional aparece como um dos eixos centrais da política venezuelana. As sanções econômicas, o isolamento diplomático e as pressões externas seguem condicionando as possibilidades de desenvolvimento do país. Ao mesmo tempo, episódios como o não reconhecimento internacional (incluindo o Brasil) das eleições de 2024 e a apatia das potências imperialistas que se vendiam como parceiras do país, como a China e Rússia, diante do sequestro de Maduro, contribuem para aprofundar esse cenário de isolamento político.
Nesse contexto, grande parte das forças populares venezuelanas têm concentrado seus esforços na defesa da paz e da estabilidade nacional. A experiência histórica recente, marcada por tentativas de golpe, bloqueios econômicos e ameaças de intervenção, reforçou entre amplos setores da sociedade a percepção de que a defesa da soberania nacional é condição fundamental para qualquer transformação social mais profunda.
Ao longo dos dias no país, uma coisa ficou clara: o povo venezuelano deseja paz, dignidade e melhores condições de vida. Logo, o socialismo é mais que urgente. Avançar para a superação do capitalismo e no enfrentamento aos ataques imperialistas é a forma de não deixar que o país se renda. O cenário político e econômico é complexo e cheio de contradições, mas também existe um povo que foi formado politicamente na resistência ao bloqueio, na organização comunitária e na construção cotidiana do poder popular.
É nesse terreno que se abre a possibilidade de novos avanços. A consciência política construída nas comunas, nos partidos e nos movimentos sociais, se avançar na disputa da guerra ideológica, pode se tornar um fator decisivo para que o povo venezuelano conquiste não só a soberania nacional, mas também supere as estruturas de exploração capitalista.
Não tem bloqueio capaz de bloquear a ideologia. Venceremos!
*Militante da União da Juventude Rebelião no Rio de Janeiro.
Humoristas Tiago Santineli e Luis Titoin são alvos de um cerco fascista e de racismo religioso promovido pela extrema direita em Belo Horizonte.
Redação Minas Gerais
BELO HORIZONTE – Na noite deste sábado (21), a capital mineira foi palco de um lamentável episódio de perseguição política e racismo religioso. O humorista Tiago Santineli, conhecido por suas críticas abertas ao capitalismo e à extrema direita, e o artista Luis Titoin foram alvo de um cerco promovido por grupos fundamentalistas e parlamentares ultraconservadores durante a apresentação do espetáculo “Olodumare”.
O show, que utiliza o humor para exaltar a Umbanda e a cultura de matriz africana, foi recebido com hostilidade antes mesmo de começar. Durante toda a semana, setores extremistas — inflamados por figuras como o vereador João Fernandes (Novo) e o deputado estadual Bruno Engler (PL) — articularam uma campanha de difamação nas redes sociais, classificando a expressão artística como “culto satânico” e convocando fiéis para “rezar contra o mal” na porta do teatro.
Cerco fascista e a criminalização da cultura negra
Mesmo com os ingressos esgotados, manifestantes tentaram invadir o local e promoveram sessões de “exorcismo” coletivo direcionadas aos espectadores e aos próprios artistas. No final da apresentação, a situação escalou quando a Polícia Militar conduziu Tiago Santineli à delegacia.
Segundo relatos de testemunhas e da equipe de produção, Santineli foi acusado injustamente de agredir os invasores que tentavam romper o bloqueio do teatro.
O humorista Tiago Santineli na delegacia da Polícia Civil em Belo Horizonte, após ser injustamente conduzido em meio ao cerco promovido por grupos de extrema-direita durante seu espetáculo. Foto: Reprodução/Redes Sociais.
A luta contra o fascismo é uma luta pela arte
O caso de Santineli não é um caso isolado. Ele reflete o crescimento de uma ala política que não aceita o pluralismo religioso e utiliza a fé cristã como escudo para práticas de ódio. A perseguição ao espetáculo “Olodumare” é um ataque direto à cultura negra e ao direito de livre expressão garantido pela Constituição, mas constantemente rasgado pela extrema direita em Minas Gerais.
Tiago foi liberado na madrugada de hoje (22), mas o processo de tentativa de intimidação por parte da extrema direita continua. Nas redes digitais, figuras públicas, partidos e movimentos sociais expressaram indignação com o ocorrido. Em nota, a Unidade Popular MG afirmou: “(…) Exige a apuração rigorosa da conduta dos policiais e dos parlamentares que incitaram o ódio.”
Este ataque escancara que a única resposta à altura da ofensiva fascista é a radicalização da organização popular. Portanto, a derrota da extrema direita só será efetiva se for além do campo institucional e construída com a força do povo organizado e consciente.
O projeto liderado pela USP ergue uma das maiores antenas de radioastronomia do mundo, colocando o Brasil na vanguarda do conhecimento cientifico mundial. No entanto para a ala mais reacionária do Congresso dos EUA, o progresso científico do chamado ‘Sul Global’ é visto como um perigo para a sua hegemonia tecnológica. É o imperialismo americano lutando para manter o Brasil como uma eterna colônia exportadora de matérias-primas.
Misa Aribel| Redação Paraíba
INTERNACIONAL- No sertão paraibano, no município de Aguiar, Vale do Piancó, está sendo montada uma das maiores antenas de radioastronomia do mundo. O objetivo é captar sinais de energia que vagam no universo desde sua origem, buscando aprofundar o conhecimento sobre a expansão do universo. É um forte destaque para o Brasil ser local central desse estudo, revelando ao mundo nosso potencial intelectual. Porém, a ala extremista dos congressistas americanos enxerga de outra forma: qualquer avanço que não passe pela permissão de suas corporações é lido como uma “ameaça” ou uma desculpa para o ‘tio Sam’, se comportar como vigia do mundo, e um relatório nada suspeito dos congressistas americanos levantou suspeitas sobre uma suposta colaboração do Brasil com a espionagem chinesa.
O documento que colocou o sertão da Paraíba no mapa geopolítico mundial foi publicado em fevereiro de 2026, no debate sobre a competição entre os EUA e a China. O relatório tem um título sugestivo de “Atraindo a América Latina para a Órbita da China”, e coloca a Paraíba entre os onze locais da América do Sul que o comitê lista como supostas ameaças, classificando esses locais como vassalos da China.
O relatório não apresenta nenhuma prova da acusação de colaboração com espionagem, e reconhece que se baseou majoritariamente em fontes abertas e publicamente disponíveis na internet. Ou seja, estamos falando de mais uma desculpa para a política externa do ditador Donald Trump. Quem não estiver alinhado com a política de Washington pode ser um potencial alvo de ataques, invasões e intervenções como ocorreu com a Venezuela, Irã ou como vem ocorrendo com Cuba, que sofre um acirramento do cerco promovido pelo estado americano desde 1962 e tem enfrentado corajosamente uma crise energética patrocinada pelo estado americano que deseja desestabilizar o governo socialista.
Relatório inesperado sobre o projeto BINGO
O projeto BINGO nada mais é que um investimento internacional em tecnologia de ponta, liderado pela Universidade de São Paulo (USP) e que conta com a participação da UFCG, UFPB, UEPB e IFPB com foco exclusivo em avanços científicos. Não à toa o governo da Paraíba investiu diretamente R$ 20 milhões no projeto, que tem como parceiros outros países além da China como o Reino Unido, França e outros.
O Nordeste inteiro na mira
A Paraíba não é o único estado nordestino que aparece nas preocupações de Washington. O mesmo relatório cita instalações em outros pontos do Brasil, como a Tucano Ground Station na Bahia, que é voltada para recepção e análise de dados de satélites. Segundo o comitê americano, a estação poderia fornecer à China um canal para “observar e influenciar a doutrina espacial militar brasileira”. O governo americano também demonstrou interesse na Base Aérea de Natal (RN) e também no aeroporto de Fernando de Noronha, em Pernambuco, alegando “direito histórico”.
No total, o documento americano aponta ao menos 11 instalações em países da América do Sul, entre eles Argentina, Bolívia, Venezuela e Chile, como parte dessa suposta rede de influência chinesa. O Brasil figura com destaque entre os países citados. Mesmo assim, o comitê americano vai além das denúncias e faz recomendações ao governo dos EUA, estabelecendo como meta explícita “interromper a expansão da infraestrutura espacial da China na América Latina” e, até mesmo “reverter e eliminar” as capacidades espaciais chinesas no Hemisfério Ocidental.
Ao tentar “interromper, reverter e eliminar” a infraestrutura espacial na América Latina, o comitê de John Moolenaar busca garantir que continuemos a comprar tecnologia enlatada do Norte, pagando royalties com o suor do trabalhador brasileiro que, ironicamente, é quem financia a educação pública que sustenta o projeto BINGO.
A Soberania como resistência
Para a Paraíba, o BINGO representa a chegada de ciência de ponta ao estado. O projeto coloca a UFCG, a UFPB e outras instituições paraibanas em contato direto com pesquisadores de todo o mundo. É formação de pesquisadores, é tecnologia avançada, é o Nordeste no mapa da astronomia global. O direito de um país periférico de olhar para as estrelas sem pedir permissão ao xerife do mundo.
A tentativa de “eliminar as capacidades espaciais” na América do Sul, como sugere o relatório americano, é um ataque colonial direto ao povo brasileiro. É nos tratar como criaturas incapazes de pensamento, subordinados a outros países. É um claro menosprezo a soberania do Brasil de fazer ciência, de escolher seus parceiros internacionais.
Mas não se engane, é isso mesmo! Os americanos preferem que o Brasil não seja capaz de se desenvolver. O ataque ao BINGO prova que o conhecimento é uma fronteira da luta de classes, e para sermos verdadeiramente soberanos, precisamos romper com a tutela militar dos Estados Unidos ou qualquer outro país estrangeiro. É preciso termos nossa integridade territorial e potencial intelectual.
O Brasil precisar crescer, e nesse caminho não há espaço para a vigilância e as desculpas desse colonialismo de Washington ou de outros países imperialistas.
A terceirização da limpeza urbana em capitais como Belém e Porto Alegre tem aprofundado a precarização do trabalho, com denúncias que vão de jornadas exaustivas na escala 6×1 a descontos salariais de até 75% e falta de equipamentos básicos de segurança.
Daniel Lima e Raquel Brício | Belém (PA); Naf Nascimento | Porto Alegre (RS)
TRABALHADOR UNIDO – A limpeza urbana é um serviço público essencial, fundamental para a saúde pública, saneamento básico e preservação ambiental. Apesar da grande importância para a população, esse serviço foi terceirizado e entregue nas mãos da iniciativa privada na maioria do país. A consequência direta disso é a precarização do trabalho, a baixa remuneração dos trabalhadores e a repressão à sua organização sindical.
Em Belém, capital do Pará, brigadistas do jornal A Verdadeestão há meses realizando um trabalho de agitação e convencimento na garagem da Ciclus, empresa responsável pelo serviço na cidade, dialogando com os trabalhadores sobre a importância da luta por seus direitos.
As queixas dos agentes de limpeza são principalmente em relação aos baixos salários, às extensas jornadas de trabalho e ao pouco tempo de descanso e para ficar com a família, resultado de uma desumana e injusta escala 6×1.
Além disso, segundo os garis, a empresa colocou apenas dois coletores para fazer o serviço que antes era desempenhado por no mínimo três trabalhadores na coleta de lixo doméstico. Para piorar, devido à baixa remuneração, muitos trabalham mais de 12 horas. “Fazer hora extra não é uma escolha, é uma necessidade”, disse um dos garis à nossa equipe.
Essa é a mesma situação enfrentada no outro extremo do país, em Porto Alegre (RS). Lá, trabalhadores da Cooperativa de Trabalhadores Autônomos das Vilas de Porto Alegre (Cootravipa), responsável pela coleta seletiva e pela limpeza urbana na capital gaúcha, denunciam durante as brigadas semanais de A Verdade na porta da empresa que chegam a ter até 75% do salário descontados, que faltam equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e uniformes e até casos de agressão física são comuns.
Segundo os trabalhadores, a cooperativa existe apenas no nome. Na prática, funciona como uma empresa terceirizada comum: explora a mão de obra, realiza descontos irregulares, nenhuma carteira é assinada e obriga os garis a trabalharem em escalas exaustivas.
“Uma cooperativa de verdade deveria funcionar diferente. Os trabalhadores deveriam participar das decisões, saber como o dinheiro é usado e dividir os resultados de forma justa. Quando há medo de perder o emprego, falta de transparência e retirada de direitos, isso deixa de ser cooperativa. Vira uma forma de contratar sem garantir direitos”, critica um dos trabalhadores.
Trabalhadores sem direitos
Outro problema vivido pela categoria é o desvio de função, quando a empresa registra na carteira de trabalho o cargo abrangente de “agente de limpeza” (que compreende também a varrição), mas obriga o funcionário a trabalhar como coletor de entulho, sem pagar nenhum adicional por isso. Soma-se a isso, os inúmeros descontos no contracheque.
Segundo Joana Cardoso (nome fictício), que trabalha na Cootravipa há quase um ano, seu contracheque veio cheio de descontos em fevereiro. “Quando fui ver minha conta, tinham depositado só 500 reais. Eu estava esperando quase dois mil de salário. A gente trabalha o mês inteiro, pega pesado e recebe isso. Vou procurar o RH para exigir explicações, porque não é só comigo. Isso já aconteceu com outros colegas também”, reclama.
Como o controle da jornada de trabalho é feito por meio de ponto eletrônico digital, que não fornece comprovante impresso ou recibo no momento da marcação, o trabalhador registra entrada e saída, mas não recebe nenhum documento que comprove que aquele horário foi realmente computado. Sem esse registro em mãos, fica vulnerável a alterações posteriores, erros no cálculo das horas e descontos indevidos, sem possibilidade de conferência ou contestação imediata.
Os trabalhadores também denunciam a falta de EPIs adequados, como luvas, botas e uniformes em boas condições e em quantidade suficiente. A exposição diária ao lixo, sem proteção adequada, coloca em risco a saúde e a própria vida de quem realiza um trabalho essencial para a cidade.
Em Belém e Porto Alegre, quem trabalha na limpeza urbana reclama ainda de um ambiente de trabalho cheio de intimidações, ameaças de demissão e humilhações. Tudo isso para tentar impedir que eles questionem ou reivindiquem seus direitos.
No dia 14 de fevereiro, Dionatan Pacheco, de 29 anos, que trabalha na Cootravipa, foi agredido por outro funcionário da empresa. O caso foi registrado em Boletim de Ocorrência na mesma noite. Brigadistas do jornal A Verdade, que chegaram para a brigada logo após a agressão, e outros trabalhadores acompanharam Dionatan até a delegacia para garantir que a denúncia fosse formalizada. Dias depois do ocorrido, na quarta-feira, 18 de fevereiro, o trabalhador foi informado de que seria afastado de suas funções por 15 dias.
“Não tem justificativa para o afastamento. A empresa me disse apenas para esperar ser chamado de novo. Não sei se vou ser transferido ou se ainda vai ter disponibilidade de vaga no trabalho pra mim. Até agora, não recebi nenhuma definição, mesmo tendo sido eu o agredido!”, desabafa Dionatan.
Descaso com as mães trabalhadoras
A escala 6×1 também é uma das principais queixas de quem trabalha na limpeza urbana. Carla Melo (nome fictício), é mãe de dois filhos e trabalhava como gari na Zona Sul de Porto Alegre quando passou mal durante o expediente e desmaiou na rua. Segundo ela, não recebeu suporte adequado por parte do encarregado da empresa. Ao contrário, foi questionada por ter interrompido o trabalho. Com medo de morrer por problemas de saúde e deixar os filhos desamparados, decidiu sair da empresa.
Tempos depois, precisando sustentar os filhos e a casa, Carla retornou ao trabalho na Cootravipa. Ela denuncia que a empresa não aceita atestados que comprovem a necessidade das mães levarem os filhos ao médico ou a reuniões pedagógicas na escola. Quando precisam se ausentar, sofrem descontos de até dois dias por uma única falta.
“Eu não tenho com quem deixar meu filho mais novo. Se eu falto, descontam até dois dias por ausência de um dia”, denuncia.
A gari Mariana Lopes (nome fictício), mãe solo, começou a trabalhar na empresa há cerca de três meses e, desde que entrou, espera o cartão do vale-alimentação, que ainda não foi entregue. “Eu tenho um filho pequeno. Como eu vou comprar comida para ele? Se pago o aluguel, não compro comida. Se compro comida, não pago o aluguel. Não é fácil. Eu tenho medo de perder meu emprego”, explica.
Garis unidos jamais serão vencidos!
Diante dessa realidade, a organização coletiva não é uma opção, mas uma necessidade. Reuniões para debater os problemas e fortalecer a luta por salário justo, jornada de trabalho humana e condições dignas são passos importantes para enfrentar os abusos. Os trabalhadores precisam lutar para ter um sindicato combativo, que organize a categoria e impeça os desmandos dos patrões.
Com um sindicato forte e com a organização consciente da categoria, a classe trabalhadora transforma a indignação em luta coletiva contra os patrões e o sistema que os sustenta.
Na Paraíba, os trabalhadores da limpeza contam com um dos sindicatos mais combativos do país, o Sindlimp-PB, dirigido pelo Movimento Luta de Classes (MLC). Com muita luta e dezenas de greves ao longo dos anos, o Sindlimp-PB conquistou adicional de insalubridade de 40% para todos os agentes de limpeza, motoristas, operadores de roçadeira manual, operadores de máquinas, bem como todo o pessoal que trabalha no setor de manutenção (auxiliares de mecânico/manutenção, mecânicos, borracheiros e lavadores).
A nível nacional, a luta da categoria se unifica em torno da aprovação do PL 4146/2020 (conhecido como PL do Gari) que prevê Piso Salarial Nacional de dois salários mínimos, 40% de adicional de insalubridade sobre o piso da categoria, jornada de trabalho de 6h diárias e 36h semanais, aposentadoria especial e obrigatoriedade das empresas fornecerem vale-alimentação, cesta básica mensal e plano de saúde.
Esse projeto de lei foi aprovado no último dia 24 de fevereiro pela Câmara dos Deputados e agora está no Senado.
Como a grande maioria dos senadores não tem compromisso nenhum com os trabalhadores, ao contrário, atuam para retirar direitos e beneficiar os patrões, é preciso que a categoria realize mobilizações em todo Brasil para pressionar pela aprovação do PL dos Garis.
O caminho é a organização e a luta dos trabalhadores contra precarização do trabalho, contra assédio moral, por melhores salários e condições de trabalho, acumulando força e consciência para conquistar uma nova sociedade, onde o trabalho seja efetivamente valorizado e não haja mais exploração e miséria, a sociedade socialista.
Matéria publicada na edição impressa Nº 329 do jornal A Verdade
Sob a gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos), o Estado de São Paulo atravessa um acelerado processo de privatização que planeja extinguir a CPTM com o leilão da Linha 10-Turquesa em 2026.
Lucas Marcelino e Mariana Rodrigues | São Paulo (SP)
BRASIL – Os últimos quatro anos foram marcados por uma intensa política de privatização dos serviços públicos, sobretudo no estado de São Paulo sob o comando do governador fascista Tarcísio de Freitas (Republicanos). Manchado pelo sangue da população que não aceitou de cabeça baixa a venda dos seus direitos, Tarcísio privatizou as linhas 07-Rubi, 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade da CPTM, e a água do estado, mostrando que de moderado não tem nada, apesar da imagem que a mídia burguesa tenta retratar. O real interesse do governador é entregar as riquezas e estruturas construídas com suor do povo trabalhador para seus amigos milionários.
Mesmo contra a vontade da população, que já se manifestou de diversas formas contra a privatização, e com a comprovação da piora dos serviços, os governantes seguem com o seu projeto privatista. Nos últimos anos foram privatizadas quase todas as linhas de trem da CPTM e projetos de trens interestaduais, três linhas do Metrô, a SABESP, escolas estaduais e municipais, hospitais públicos, parques, entre outros.
Há décadas do início da privatização dos serviços públicos, a promessa da melhora não se concretizou. O serviço de energia, além de caro, tem deixado milhões de imóveis sem luz a cada chuva. Todos os anos, as empresas de transporte metropolitano recebem bilhões de reais em subsídio enquanto os ônibus vivem lotados e atrasados. Mesmo diante disso, as tarifas sofrem aumentos acima da inflação e os contratos são renovados anualmente.
Privatização piora o transporte
Desde a primeira privatização – da Linha 4-Amarela – em 2006, o estado de São Paulo mantém um esquema que beneficia as empresas privadas e causa prejuízos ao povo e às empresas públicas. Na construção desta linha, o governo arcou com quase US$1 bilhão, 73% do total, contudo, a empresa vencedora do leilão fica com a maior parte da arrecadação gerada pelo pagamento da tarifa.
E a situação é ainda mais absurda, já que além de receber a maior parte do dinheiro arrecadado, o contrato prevê o “mecanismo de compensação financeira” em que caso a demanda de passageiros seja baixa o governo deve indenizar a empresa. O lucro é garantido a tal ponto que, enquanto as linhas públicas operam sem parar, as estações da Linha 4-Amarela são constantemente fechadas em caso de excesso de passageiros. Funcionando ou não, o dinheiro continua entrando nos bolsos da empresa privada.
A justificativa de que privatizar é um meio de cortar os gastos públicos cai por terra diante desse esquema, uma vez que, além de tudo isso, as linhas privatizadas recebem subsídios maiores que as linhas públicas, que ficam cada vez mais sucateadas. Após um vazamento de gás na Linha 3-Vermelha do metrô ocorrido no último sábado (24), a usuária Stéf Casarin relatou ao jornal A Verdade: “Para quem depende do metrô, fica claro que não tem manutenção, não tem investimento suficiente e que eles precarizam cada vez mais as linhas públicas para justificar a privatização”.
As linhas privadas, contudo, mesmo que recebam mais investimento que as linhas públicas, são piores do que elas. Um levantamento feito pelo portal G1 mostrou que entre 2023 e 2025, as linhas de trem administradas pela empresa privada ViaMobilidade (Linha 8-Diamante e 9-Esmeralda) tiveram o dobro de falhas do que as linhas até então administradas pela CPTM (7-Rubi, 10-Turquesa, 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade). Com a privatização e o iminente fim da CPTM, a tendência é que os serviços fiquem cada vez piores.
Fica claro como esses contratos são prejudiciais aos cofres públicos. Mas, contrariando a lógica, os governadores continuaram realizando privatizações e nas mãos do Estado restam apenas as linhas 1, 2, 3 do Metrô e 10 da CPTM.
Governos neoliberais
No livro “A privataria tucana”, o jornalista Amaury Ribeiro Júnior revelou como a privatização foi usada pelo ex-presidente FHC e outros políticos do PSDB para desviar dinheiro para paraísos fiscais. São exemplos a venda da Vale do Rio Doce por apenas R$3,3 bi enquanto só as reservas de minerais valiam mais de R$90 bi e o caso Siemens, no qual a empresa pagou propina e montou cartéis em um esquema para aumentar o valor pago na manutenção de trens em São Paulo e no Distrito Federal. Em ambos os casos o Estado e o povo foram prejudicados pelas autoridades e pelas empresas privadas.
Privatizar as linhas de trem não é uma prática recente, tendo seu início durante o governo de Fernando Collor de Mello (1990-1992), com a venda da Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA), com o intuito de “modernizar” o serviço. O que aconteceu de fato foi o fim de linhas ferroviárias como a “Santos-Jundiaí”, que ligava a região metropolitana de São Paulo ao litoral e a “Sorocabana”, que ligava o interior à capital paulista.
Dando continuidade a esse projeto, o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), concluiu a privatização total da RFFSA, em 1996. O governador de São Paulo, Mário Covas (1995-2001), na mesma toada, promoveu a privatização da Ferrovia Paulista S.A. (Fepasa), que inicialmente foi incorporada à RFFSA, mas depois foi totalmente privatizada. Esse processo resultou no fim do transporte de passageiros nas linhas ferroviárias, fazendo com que a população seja submetida até os dias atuais à máfia das empresas que lucram com o transporte rodoviário, que além de mais caro, é mais perigoso.
Em São Paulo, os ex-governadores Geraldo Alckmin e João Dória (PSDB) e o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), além de prefeitos como Bruno Covas (PSDB) e o atual Ricardo Nunes (MDB), entregaram boa parte dos serviços públicos para as empresas dos seus amigos milionários a preço de banana, “passando a perna” no povo trabalhador. Durante as eleições, receberam financiamentos volumosos de sócios e acionistas para suas campanhas. Enquanto isso, o povo – que sempre foi contra a privatização – recebeu violência policial quando protestava contra as vendas e piora no atendimento depois das privatizações.
Leilão da linha Turquesa
A privatização já gerou outros impactos como o fim do sistema 710 que permitia viajar de Jundiaí a Rio Grande da Serra sem precisar trocar de trem. Agora, os passageiros são obrigados a descer na Estação Barra Funda e aguardar o próximo trem em plataformas lotadas, sem escada rolante. “Com o fim do serviço, meu trajeto até a faculdade ficou 30 minutos mais longo”, afirmou um usuário da Linha 7-Rubi que fazia baldeação da Estação da Luz.
A vontade de agradar os ricos é tão grande que o governador Tarcísio de Freitas já tem planejado entregar a Linha 10-Turquesa no segundo semestre de 2026 e acabar de vez com a tradicional CPTM, responsável por unificar e resgatar o transporte ferroviário em São Paulo. Em outra frente, estão sendo preparadas as vendas das demais linhas do Metrô.
O objetivo do governador é sinalizar para a burguesia que caso seja eleito neste ano, irá dar continuidade à venda de todas as empresas públicas, de tudo aquilo que é produzido pelas mãos do povo trabalhador, que sequer pode usufruir de um serviço público de qualidade.
Mesmo diante desse cenário, é possível impedir a privatização da Linha 10-Turquesa e reverter as privatizações realizadas até então. Se é verdade que “a classe trabalhadora tudo produz, a ela tudo pertence”, então que mais nenhuma gota de água e mais nenhum centímetro do transporte sejam vendidos diante do sangue do povo trabalhador.
Matéria publicada na edição impressa Nº 329 do jornal A Verdade
Após as eleições presidenciais de 2026, marcadas pela menor abstenção em duas décadas, Portugal enfrentou um segundo turno decisivo entre o projeto fascista e a continuidade da social-democracia.
Luan Almeida e Marcelo Gaspar | Portugal
INTERNACIONAL – No dia 18 de janeiro de 2026, aconteceram as eleições presidenciais em Portugal com uma participação de 61,5% de votantes e a mais baixa taxa de abstenção desde 2006, levando o pleito para o segundo turno, algo que não acontecia há mais de 40 anos. Esse pleito escancarou uma ferida aberta na sociedade portuguesa: o enfraquecimento dos movimentos de esquerda, a fragilidade das instituições ditas democráticas e o crescimento do fascismo.
Em 08 de fevereiro, após uma das maiores crises climáticas das últimas décadas, que deixou diversas cidades debaixo d’água, os portugueses foram votar entre um fascista (André Ventura), que reivindica o legado do Salazarismo, e o candidato António José Seguro, do Partido Socialista (PS), apoiado pelo primeiro-ministro Luís Montenegro, do Partido Social-Democrata (PSD). O silêncio de Seguro na campanha perante o caos das cheias mostra a conciliação com o descaso do atual governo, reforçando a aliança histórica dessas duas forças que gerenciam o Estado burguês desde de 1976.
O avanço da extrema-direita
O crescimento do partido de extrema-direita Chega não é uma obra do acaso, nem um fenômeno exclusivo de Portugal, como mostram as ações terroristas dos EUA na Venezuela e no Irã, o bloqueio a Cuba, as ameaças à Groelândia, o genocídio permanente contra o povo palestino e os quatro anos da Guerra da Ucrânia. De 2019 a 2025 o Chega saiu de 1 para 60 deputados na Assembleia da República, sendo a segunda maior bancada do Parlamento português.
O neofascismo não cresceu do nada, mas sim pelo vácuo de disputa política deixado por uma esquerda que perdeu a ligação com as massas e pela capitulação da social-democracia. O país assiste, na prática, ao sucateamento do SNS (sistema de saúde), à destruição do ensino público, à normalização da corrupção, o enriquecimento dos bancos privados com dinheiro público, o descontrole da especulação imobiliária e o aumento da violência de gênero.
Os imigrantes são culpabilizados, enquanto os trabalhadores (imigrantes ou não) sofrem da miséria que o próprio capitalismo produz e que a social-democracia não quer e não tem interesse em solucionar.
Até a próxima eleição
A última década foi de grande acirramento da luta de classes na sociedade portuguesa. Com esse cenário montado, o capital fez uso do Salazarismo para empurrar goela abaixo da classe trabalhadora uma radicalização do discurso que mobilizou quase 1/3 dos votantes portugueses a irem às urnas para votar num fascista, além da multiplicação dos grupos neonazi – com participação das forças de segurança.
A maioria da população resistiu ao projeto fascista, mas o caminho que segue será nebuloso, num cenário em que as forças de esquerda (PCP e Bloco de Esquerda) somadas não alcançam 5% dos votos.
Além disso, o terceiro lugar das eleições (com 16% dos votos) ficou com a Iniciativa Liberal (IL) e João Cotrim – candidato que durante a campanha sofreu diversas acusações de assédio.
A derrota de Ventura deve ser o sinal verde para avançarmos na organização das massas trabalhadoras, dos jovens e das mulheres em busca de uma sociedade socialista, a única capaz de resolver os problemas fundamentais da população e de efetivar o poder popular.
Matéria publicada na edição impressa Nº 329 do jornal A Verdade
Uma coalizão militar liderada por Estados Unidos e Israel iniciou uma agressão em larga escala contra o Irã, atingindo 15 regiões do país, incluindo a capital Teerã e alvos civis.
Heron Barroso | Redação
INTERNACIONAL – No último dia 28 de fevereiro, Estados Unidos e Israel deram início a mais uma guerra imperialista no Oriente Médio. Até o fechamento desta edição, os ataques ao Irã já haviam deixado mais de 500 mortos e milhares de feridos. Cerca de 15 cidades e regiões do país foram bombardeadas, incluindo a capital Teerã. Uma escola infantil para meninas em Minab, no sul do país, foi um dos alvos das bombas imperialistas, matando 165 crianças e ferindo gravemente outras 96. Entre os mortos, está o então líder do país, o aiatolá Ali Khamenei (e seus familiares), o ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad e alguns generais das forças armadas.
O Irã é o terceiro país atacado só neste ano pelos EUA. Desta vez, foi mobilizada uma armada composta por 16 navios de guerra, cerca de 40 mil militares e sete bases aéreas, localizadas na Jordânia, Kuwait, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, além dos porta-aviões USS Abraham Lincoln e USS Gerald R. Ford.
O ditador Donald Trump declarou que o objetivo dos ataques é “eliminar a ameaça iminente do regime iraniano”, mas, na verdade, o que ele e seu aliado sionista, o primeiro-ministro fascista Benjamin Netanyahu, desejam é derrubar o governo teocrático iraniano e colocar no lugar um governo fantoche liderado por Reza Pahlavi, filho do último Xá (rei) do Irã, deposto pela Revolução Islâmica em 1979.
Além disso, EUA e Israel querem impor pela força que o Irã desmantele seu programa de energia nuclear, destrua seu sistema de defesa e rompa laços com as forças de resistência palestinas e libanesas, que lutam contra as agressões imperialistas na região. Ou seja, querem que o país abra mão da própria soberania e se ajoelhe a Trump.
Resposta do Irã
Em resposta aos bombardeios, o Irã atacou bases militares estadunidenses nos Emirados Árabes Unidos, Barhein, Catar, Kwait, Arábia Saudita, Iraque e Jordânia, além de alvos militares dentro de Israel. “Não estamos atacando nossos vizinhos no golfo Pérsico. Estamos atacando a presença norte-americana nesses países”, explicou o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi.
Entre as bases atacadas, está a sede da 5ª Frota Naval dos EUA, sediada no Bahrein. Há relatos de pesadas baixas no lado estadunidense e de ao menos um navio militar logístico dos EUA atingido próximo ao Estreito de Ormuz, que foi fechado pelas forças armadas iranianas. Quatro militares norte-americanos foram mortos e cinco ficaram gravemente feridos. Forças iranianas também lançaram mísseis contra o gabinete do primeiro-ministro israelense e o quartel-general da Força Aérea, causando pânico nas forças sionistas.
“Com suas ações delirantes, ele (Trump) transformou seu slogan ‘América Primeiro’, criado por ele mesmo, em ‘Israel Primeiro’, sacrificou soldados americanos pelas ambições de poder de Israel. Hoje, a nação iraniana está se defendendo. As Forças Armadas do Irã não iniciaram a agressão”, disse o ministro da Segurança do Irã, Ali Larijani, que garantiu que seu país não se renderá.
Imperialistas querem a guerra
Essa não é a primeira vez que o Irã é vítima das bombas imperialistas. Em junho do ano passado, Israel e EUA lançaram um ataque massivo contra instalações nucleares iranianas, tirando a vida de mais de 250 pessoas. A cada dia, fica ainda mais evidente que o imperialismo e os monopólios que o sustentam são a verdadeira ameaça à paz mundial.
De fato, não é o Irã, mas as potências imperialistas, os detentores dos maiores arsenais nucleares do mundo. Somente os Estados Unidos possuem mais de cinco mil bombas atômicas, enquanto Israel, outro país dono de um amplo conjunto de armas nucleares, recusa-se a informar exatamente quantas bombas deste tipo possui. Logo, apesar das belas frases e promessas em nome da liberdade, da paz e da democracia, a verdade é que as grandes potências se armam até os dentes para arrastar a humanidade para uma nova guerra mundial.
Para financiar essa gigantesca máquina de destruição, os governos burgueses aumentam a exploração sobre a classe trabalhadora, retiram direitos, reduzem salários e aposentadorias, promovem ajustes fiscais e perseguem as organizações sindicais, partidos comunistas e movimentos sociais. Logo, os povos são as maiores vítimas da política de guerra do imperialismo.
Por isso, é preciso denunciar esse covarde ataque contra o povo iraniano e organizar a classe trabalhadora para lutar pela derrota do imperialismo, caso contrário, correremos o sério risco de vermos os senhores da guerra transformarem nosso planeta num imenso cemitério.
Matéria publicada na edição impressa Nº 329 do jornal A Verdade
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