UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

segunda-feira, 2 de março de 2026
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Chegou A Verdade quinzenal

Uma vitória da imprensa popular e socialista

EDITORIAL

A primeira edição do jornal A Verdade foi lançada em dezembro de 1999, com a manchete “FHC: o professor que virou um grande fazendeiro”. Foram 1.500 exemplares que circularam em cinco estados. Desde então, as ideias defendidas por A Verdade vêm obtendo cada vez mais apoio. O número de leitores cresceu a cada mês e hoje o jornal circula em 20 estados. A tiragem foi crescendo ano a ano e atingiu, em abril, 18.500 exemplares.

Este crescimento permitiu que, após 22 anos, o jornal A Verdade passasse a ser quinzenal. A partir de agora, serão duas edições por mês.

E há mais novidades: A Verdade ganhou um novo projeto gráfico e seu site www.averdade.org.br, após sofrer ataques dos inimigos da democracia, tem novo visual para facilitar a leitura. Em junho, terá ainda um aplicativo para baixar no celular.

Pode parecer pouco para alguns. Mas não é. Enquanto jornais da burguesia deixam de circular e passam a existir somente na internet, A Verdade lança agora duas edições impressas por mês no Brasil. Ademais, A Verdade é um jornal a serviço da classe explorada e oprimida, a imensa classe operária, as massas trabalhadoras. Suas páginas não são vendidas às grandes corporações internacionais e nacionais nem defendem os interesses do capital financeiro, das mineradoras ou do agronegócio. É um jornal dos trabalhadores que luta pela emancipação dos pobres, pelos direitos das mulheres, pela justiça social, democracia popular e socialismo.

Ergue sua voz contra o racismo e em defesa dos povos indígenas e denuncia todos os crimes cometidos pelo Estado burguês. Os princípios de A Verdade são baseados no marxismo-leninismo, no fim da exploração de classes, na solidariedade e fraternidade entre os irmãos trabalhadores e os povos de todo o mundo.

A Verdade é um jornal que se sente honrado em desafiar e lutar contra os poderosos interesses da classe capitalista e pelo fim da escravidão assalariada. É um jornal socialista no seu conteúdo e na sua forma, pois é feito com base na cooperação de centenas de companheiros e companheiras. Leva à prática os princípios definidos pelo grande revolucionário e criador do socialismo científico, Karl Marx: “A função da imprensa é ser o denunciador incansável dos opressores. (…) O dever da imprensa é tomar a palavra em favor dos oprimidos a sua volta. O primeiro dever da imprensa é minar todas as bases do sistema político existente”.

Mas a vitória de A Verdade se transformar num jornal quinzenal não caiu do céu. Foi fruto de um trabalho coletivo e planejado. Um importante Ativo Nacional de Agitação e Propaganda foi realizado no mês passado com dezenas de militantes, além dos ativos estaduais que se seguiram. Semanalmente, a Redação Nacional se reúne, debate as matérias, distribui entre os editores e prepara a próxima edição.

Como tem apoio entusiasta de seus leitores, A Verdade conta ainda com diversos colaboradores que escrevem textos e mandam fotos. Além disso, A Verdade dispõe de centenas de brigadistas, militantes do PCR, da UP e dos movimentos sociais que garantem que ele chegue às mãos do povo.

A Verdade quinzenal é uma vitória da imprensa popular e socialista, uma vitória de todos que nessa caminhada trabalharam para que este sonho se tornasse realidade, uma vitória principalmente para os oprimidos e explorados que terão um jornal ainda mais incansável na denúncia dos opressores, sempre erguendo a bandeira da revolução e do socialismo.

Com A Verdade quinzenal, semearemos mais e organizaremos mais operários e operárias no exército que construirá uma nova sociedade, na qual não haverá pobreza, nem corrupção, fascismo ou exploração. Apesar do fascista e dos generais, A Verdade quinzenal triunfou. Avante, camaradas!

O dia que o povo vestiu a melhor roupa e ocupou o TSE

Trabalhadores na audiência de julgamento do registro da UP no TSE, em outubro de 2019 – Foto: Jorge Ferreira / Jornal a Verdade

Jorge Ferreira

Era manhã de uma quinta-feira de outubro de 2019 quando os servidores do Tribunal Superior Eleitoral tiveram que lidar com com uma situação incomum: algumas  dezenas de trabalhadores desejavam assistir uma audiência de julgamento. A lotação do plenário  com cerca de duzentas confortáveis cadeiras não era o problema, mas os visitantes não estavam com “vestimentas adequadas” que os permitisse estar diante dos ministros.

Naquele dia, homens e mulheres que diariamente acordam cedo e utilizam transporte público lotado para trabalhar, que pegam no pesado para sobreviver, colocaram suas melhores roupas, seus melhores sapatos, alguns cortaram o cabelo, outros usaram o melhor perfume. Era dia de festa. Após dois longos anos e um milhão e duzentas mil assinaturas recolhidas nos trens, nos bairros populares, nas portas de fábrica, e, apesar das dificuldades, registradas em cartórios de vários estados em todas as regiões do país, havia chegado o dia que iniciaria o julgamento do registro da Unidade Popular pelo Socialismo na mais alta corte eleitoral do Brasil.

Com a emoção transbordando em sorrisos largos, representando todos aqueles abnegados trabalhadores que entregaram suas poucas horas livres para cumprir a tarefa histórica de constituir o partido dos pobres, do povo trabalhador, entraram no prédio do TSE para assistir a audiência que reconheceria  a legitimidade de todo o processo. Entretanto, a poucos metros do plenário principal do Tribunal, a chefe dos seguranças alerta que não será possível que os visitantes adentrem no local por não estarem vestidos adequadamente. “Onde está escrito isso?”, foi o primeiro questionamento do advogado Thiago Santos.

Thiago Santo, advogado da Unidade Popular, intervindo para garantir o acesso dos trabalhadores ao plenário – Foto Jorge Ferreira /  Jornal a Verdade

Daí em diante iniciou-se uma luta contra o tempo. Há poucos minutos de iniciar o julgamento, nem mesmo o presidente do partido, Leonardo Péricles, morador de ocupação, havia conseguido entrar no plenário justamente por estar somente com camisa social, mas sem terno e gravata. “Veja bem, argumentava Thiago Santos, essas pessoas estão justamente com suas melhores roupas, não há ninguém vestido de forma inadequada”. As mulheres que estavam de calça jeans, ao ver o tempo passando e a recusa da chefe dos seguranças, começaram a improvisar saias com cachecóis. Os homens já não mostravam os dentes, uma pequena angústia tomava conta. 

Em meio ao embate jurídico da legalidade da exigência de terno e gravata entre o advogado do partido e os servidores, alguns seguranças sensibilizados prometeram irem até o vestiário verificar se tinham terno reserva para emprestarem ao visitantes, mas já alertaram que não haveria para todos. Pouco antes de iniciar a sessão, o advogado do partido conseguiu que a questão fosse levada até a presidente da Casa, à época ministra Rosa Weber. Alguns instantes antes de iniciar o julgamento a entrada foi autorizada.

Foto Jorge Ferreira / Jornal a Verdade

Nesse dia, o procurador eleitoral Humberto Jacques apresentou parecer favorável, e o relator do processo, ministro Jorge Mussi, proferiu votou favorável ao registro alegando que “não poderia ser diferente, já que o partido cumpriu todas as exigências normativas”, entretanto o julgamento foi suspenso por um pedido de vista de um dos ministros, só sendo retomado, aprovado e registrado em dezembro do mesmo ano. 

Mas foi exatamente naquele dia, 24 de outubro de 2019, que pela primeira vez o plenário do Superior Tribunal Eleitoral foi ocupado por pessoas sem terno e que, como retrata um grande filme, também não usam “Black Tie”.

 Talvez tenha sido duro para os ministros da burguesia olharem de frente homens e mulheres que vivem do próprio suor. Para a Unidade Popular foi um dia histórico, mais um capítulo da emocionante luta pela libertação de milhões de trabalhadores brasileiros.

Foto Jorge Ferreira / Jornal a Verdade


MLB protesta contra despejos e GCM reprime ato em SBC

Foto: Jorge Ferreira / Jornal a Verdade

João Coelho e Jorge Ferreira

MLB São Paulo

Fazia frio na tarde dessa quarta-feira, dia 12 de agosto, quando Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) organizou na cidade de São Bernardo do Campo um ato contra os despejos de famílias pobres durante a pandemia e em defesa do direito à moradia digna. O ato fez parte de uma agenda nacional de mobilizações que levou às ruas centenas de famílias, em diversas cidades brasileiras, levantando a bandeira do Despejo Zero, uma campanha nacional que unifica movimentos sociais e outros apoiadores na luta pelo fim dos despejos durante a crise da Covid-19.

 A manifestação reuniu famílias de vários bairros de São Bernardo do Campo, cidade que sofre com uma política sistemática de despejos por parte do Prefeito Orlando Morando (PSDB), de Diadema, Santo André, Mauá, Francisco Morato, São Matheus e de várias regiões da Capital, além de outros movimentos que se somaram à essa luta, como o Projeto Meninos e Meninas de Rua (PMMR), o Coletivo Democracia Corinthiana, a Torcida Guerreiros do Tigre do São Bernardo F.C., o Movimento de Mulheres Olga Benário, etc. Para Gabriela Mousse, da Democracia Corinthiana: “Eles agem assim [despejos e repressão ao povo pobre] porque se sentem livres para fazer o que querem, não há motivo nenhum para ações desse tipo. Claro, o governo já é fascista e tá rolando uma pandemia, para eles fica mais fácil, por isso temos que ocupar as ruas com mais frequência”.

Foto: Manuelle Coelho / Jornal a Verdade

Alguns trabalhadores vieram de longe, é o caso de Cirilo Conceição, que viajou cerca de 80 quilômetros para poder participar do ato: “Sou de Francisco Morato, uma cidade abandonada pelos governantes. Governantes corruptos e omissos que permitiram que meu filho viesse a falecer. Quem me apoiou não foi nenhum governante, foi o povo, foi o MLB. Convidamos vocês a abraçarem essa causa porque essa é a causa de todos nós trabalhadores, estudantes, que pagamos aluguel, que somos despejados. O governo é o culpado disso, o governo não tá nem aí pra nós, eles querem é matar nossos filhos. Eles abandonam nossos bairros, na minha rua um carro não foi capaz de entrar pra prestar socorro ao meu filho. Eu abracei e vou continuar abraçando o MLB, essa ferramenta dos trabalhadores para lutar por uma moradia digna”.

Foto: Jorge Ferreira / Jornal a Verdade

A marcha, que contou com mais de cem pessoas, ocorreu no fim da tarde e foi da Igreja Matriz, no centro da cidade, até o Paço Municipal, em uma caminhada pacífica de mais de uma hora, mantendo o distanciamento social, o uso de máscaras e todos os cuidados relativos à pandemia da Covid-19 e sem qualquer tipo de conflito, sendo inclusive apoiada pela maior parte da população que transitava pela cidade, de carro, de ônibus ou a pé. Segundo Daniela, que constrói o MLB no bairro Detroit, em São Bernardo: “Essa manifestação é muito importante, estou aqui não só por mim, mas pelas minhas filhas e pela minha comunidade. Aprendi com o MLB que nós precisamos lutar, assim como fizeram os escravos, que se revoltaram e hoje são libertos. Mas ainda existe uma escravidão pra gente vencer e por isso estamos na luta”.

A organização do ato realizou um acordo com a Guarda Civil Municipal (GCM) e com a Polícia Militar, para que a manifestação fosse encerrada no Paço Municipal com uma assembleia das famílias que cobravam o seus direitos. No entanto assim que os primeiros militantes do movimento entraram no Paço, carregando uma faixa com os dizeres “Despejo Zero, Morar é um Direito”, a GCM descumpriu o acordo e atacou covardemente três Coordenadoras do MLB que carregavam a faixa, desferindo empurrões, socos e utilizando spray de pimenta sobre as mulheres; rapidamente um conjunto de famílias se aproximou, afastou os políciais e organizou um cordão de isolamento para impedir novas agressões.

Ao todo foram mobilizadas cerca de 30 viaturas entre GCM e Polícia Militar com o objetivo de impedir a continuação do ato através de uma ação agressiva e completamente desproporcional, descumprindo um acordo feito minutos antes, alegando que o movimento estava proibido de adentrar o Paço Municipal carregando qualquer tipo de bandeira ou faixa e demonstrando o caráter repressivo do Estado contra os trabalhadores, os pobres e os lutadores sociais que cada dia fica mais intenso no Brasil. As famílias conseguiram assegurar o direito de realizar sua assembleia no local e em alguns minutos de diálogo e de muita agitação política contra as injustiças do sistema capitalista, o sistema dos ricos que durante a pandemia promove o crescimento do patrimônio dos bilionários exploradores e o empobrecimento geral daqueles que vivem do próprio trabalho, decidiram encerrar a manifestação, prometendo que voltarão às suas cidades e bairros e organizarão ainda mais pessoas para lutar pela Reforma Urbana e pelo Socialismo. Segundo Thais Gasparini, uma das Coordenadoras Estaduais do MLB agredidas pela GCM: “Essa repressão, esse uso da violência para calar quem se manifesta é um espelho do que acontece na periferia, em que essa mesma GCM é utilizada pra derrubar as casas do povo pobre. Isso precisa acabar, por isso nos manteremos firmes na luta, cada dia maiores, combatendo a exploração, a especulação imobiliária e a política dos ricos, dos latifundiários e dos banqueiros”.

Para Arnor, membro do MLB do bairro do Divinéia, em São Bernardo: “O ato foi muito bom, muito bonito, temos que seguir lutando. Já precisamos marcar a próxima passeata”.

Exército Vermelho salvou humanidade do nazismo

bandeira URSS no reichstag

No capitalismo, as guerras são fruto da concorrência entre as classes dominantes de diferentes nações pelo domínio do planeta. Na Primeira Guerra Mundial, formaram-se dois blocos imperialistas opostos: Tríplice Aliança (Impérios Alemão, Austro-Húngaro e Turco-Otomano) e a Tríplice Entente (Impérios Inglês, Francês e Russo).

O sol nasce vermelho

Algo novo, entretanto, surgiu durante a Primeira Guerra Mundial: a revolução socialista de outubro de 1917, na Rússia; nova cisão ocorria no mundo, agora dividido em dois sistemas adversos: o capitalismo e o socialismo.

Os dois blocos capitalistas passaram a ter um objetivo comum: a destruição do primeiro Estado operário-camponês da história, em vista da restauração do capitalismo em escala global. Foi com este propósito que o bloco vencedor investiu na economia alemã 15 bilhões de marcos em seis anos (1924-1929).

Quando o nazismo se apossa da Alemanha e explicita seu intento de domínio mundial, as potências capitalistas dominantes não tratam de combatê-lo. Ao contrário, fecham os olhos às suas agressões e até incentivam o monstro nazista a direcionar seu ataque contra a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).

Em 1939, a URSS propôs à Inglaterra e França um pacto para ações militares conjuntas se os países do Eixo (Alemanha, Itália e Japão), bloco nazifascista, iniciassem a guerra na Europa. Não houve rejeição formal, mas nenhum passo foi dado por parte dos países capitalistas para concretizar o pacto. Ao contrário, França e Inglaterra firmaram com Alemanha e Japão acordos de não-agressão. Deixada sozinha, em agosto de 1939, a URSS assinou com a Alemanha um tratado de não-agressão. Os dirigentes sabiam que, mais cedo ou mais, tarde Hitler romperia o acordo, mas conseguiram ganhar um tempo valioso para transferir parte de suas indústrias para o leste do grande território soviético, bem como reforçar sua capacidade de defesa militar.

De 1938 a 1941, Hitler ocupou Áustria, Checoslováquia, Polônia, Bélgica, Holanda, Dinamarca, Noruega, Grécia, Iugoslávia e finalmente a própria França. Na Europa central e oriental, a Alemanha adquiriu imensa quantidade de material de combate, meios de transporte, matérias-primas, materiais estratégicos e força de trabalho, tornando-se forte o suficiente para atacar a URSS.

Hitler, no livro MeinKampf(Minha Luta), proclamou: “…tratando-se de obter novos territórios na Europa, deve-se adquiri-los principalmente à custa da Rússia”.

dia da vitória na bulgária 09 05 1945

A invasão hitlerista foi impiedosa. “Fuzilavam em massa as pessoas (mulheres, crianças, idosos, montavam campos de morte, deportavam para trabalho forçado na Alemanha. Por onde passavam, não deixavam pedra sobre pedra”. Era a política do extermínio. “Eu tenho o direito de destruir milhões de homens de raça inferior que se multiplicam como vermes” (Hitler).

Em resposta, o governo, o Partido Bolchevique e o povo soviético lançaram a palavra de ordem: “Morte aos invasores fascistas, tudo para a frente! Tudo para a vitória!”. Às fileiras do Exército Vermelho se integraram milhões de homens. Criaram-se também inúmeros regimentos de milícia popular, contando com dois milhões de combatentes.

Formou-se ainda na retaguarda uma força guerrilheira massiva. A dedicação e bravura do povo soviético comoveram o mundo e foram decisivas para quebrar a resistência capitalista (EUA, Inglaterra, França). Formou-se finalmente o bloco aliado, antifascista, a frente única dos povos pela democracia.

Caíra por terra a ideia de Hitler de que a ocupação da URSS seria um passeio uma “guerra relâmpago”. Os nazistas não imaginavam a resistência que encontrariam nas principais cidades: Leningrado, Stalingrado, Kiev e Moscou, entre tantas. Homens, mulheres, idosos e crianças se ergueram como muralha inexpugnável.

Os feitos do povo soviético repercutiram no mundo inteiro, levando um jornal burguês como o STAR, de Washington, a publicar: “Os sucessos da Rússia na luta contra a Alemanha hitleriana revestem-se de grande importância não só para Moscou e o povo russo, como também para Washington, para o futuro dos Estados Unidos. A história renderá homenagens aos russos por terem suspendido a guerra relâmpago, pondo em fuga o adversário”.

Em junho de 1942, os invasores avançam, mas encontram uma barreira instransponível em Stalingrado. Durante sete meses de combate, os invasores perderam 700.000 soldados e oficiais, mais de mil tanques, dois mil canhões e morteiros, 1.400 aviões. Os invasores eram tecnicamente superiores, mas, em novembro de 1942, os números já se invertiam em favor dos soviéticos. Os alemães estavam com 6.200.000 soldados, os soviéticos com 6.600.000; 5.000 tanques invasores contra 7.000 soviéticos; 51.000 peças e morteiros contra 77.000.

Na derrota do Stalingrado, os nazistas perderam 1,5 milhões de soldados e oficiais. “… Do ponto de vista moral, a catástrofe que o exército alemão sofreu nos acessos de Stalingrado teve um efeito sob o peso do qual ele não pôde mais reerguer-se”. (A segunda guerra mundial, B.Lideel Hart)

Depois, ocorreu a vitória do Cáucaso e se iniciou processo de expulsão em massa dos ocupantes nazistas. “A União Soviética pode orgulhar-se das suas heroicas vitórias”, escreveu o presidente dos EUA, Franklin Roosevelt, acrescentando: “…os russos matam mais soldados inimigos e destroem mais armamentos do que os outros 25 estados das Nações Unidas no conjunto”.

O final de 1943 marca a virada na frente soviética e na Segunda Guerra em geral. O movimento contra o nazifascismo se consolidou e se ampliou em todo o planeta.

Em junho de 1944, com o exército alemão batido em todas as regiões da URSS, as tropas anglo-americanas desembarcaram no Norte da França, dando início à frente ocidental proposta pelo governo soviético desde o início da invasão.

Pode-se dizer que a essa altura a guerra estava decidida, diante da derrota alemã na Rússia. O próprio Winston Churchil, primeiro-ministro britânico, reconhece o papel fundamental dos soviéticos, no discurso pronunciado na Câmara dos Comuns, em julho de 1944: “….Considero meu dever reconhecer que a Rússia mobiliza e bate forças muitíssimas maiores que as enfrentadas pelos aliados no Ocidente, que, há longos anos, ao preço de imensas perdas, ela suporta o principal fardo da luta em terra”.

Um exército libertador

Apesar de imensas perdas, o Exército Vermelho avançou no encalço dos alemães pela Europa Oriental adentro, fustigando os nazistas e auxiliando as forças populares da resistência a derrotarem os ocupantes e seus colaboradores internos. Repúblicas democrático-populares foram instaladas com os partidos comunistas à frente na Polônia, Hungria, Iugoslávia, Checoslováquia, Romênia e Bulgária.

“Para Berlim!” era a palavra de ordem do exército libertador. Não foi um passeio. A resistência nazista, embora enfraquecida, produzia encarniçados e sangrentos combates. Os russos vitoriosos não mataram, não pilharam, não se vingaram dos crimes cometidos pelo exército alemão no solo soviético. Ao contrário, alimentaram os famintos, organizaram a assistência médica, o funcionamento dos transportes, a distribuição de água e de energia elétrica. A 2 de maio de 1945, o Comando Supremo alemão assinou o ato de capitulação incondicional das forças armadas, com a bandeira da URSS tremulando no alto do parlamento alemão, em Berlim. No dia 09 de maio, houve um imenso ato em Moscou em comemoração ao fim da Grande Guerra Patriótica (como os soviéticos denominaram sua participação na Segunda Guerra Mundial) e, desde então, até hoje, celebra-se na Rússia esta data como o Dia da Vitória.

Sob novos céus

Terminada a guerra na Europa, era preciso voltar-se para a Ásia. O Japão, aliado dos nazistas dominava milhões de pessoas na China, na Coreia, nas Filipinas. Apesar de as forças armadas dos EUA e da Inglaterra virem imprimindo sucessivas derrotas, as forças japonesas ainda eram numerosas e fortes. De vez em quando, elas atacavam as fronteiras da URSS e torpedeavam navios soviéticos em alto-mar.

No dia 8 de agosto de 1945, a União Soviética declarou guerra ao Japão e começou a ofensiva. Nesse mesmo dia, o primeiro-ministro japonês, Teiichi Suzuki afirmou: “…A entrada da URSS na guerra hoje de manhã põe-nos definitivamente numa situação sem saída e torna impossível continuar a guerra” . Estava certo. No final do mês, o Exército nipônico havia perdido 677 mil soldados e oficiais: 84 mil mortos e 593 mil prisioneiros.

Ao contrário do que muitos pensam, e a historiografia burguesa busca difundir, não foram as bombas estadunidenses lançadas no início de agosto contra Hiroshima e Nagasaki que provocaram a capitulação japonesa. A guerra continuou normalmente depois do ataque bárbaro e covarde. A rendição resultou do destroçamento do exército nipônico pelas tropas soviéticas.

Se alguém duvida, leia o testemunho do general Chenault, que chefiou as forças dos EUA na China: “…A entrada da URSS na guerra contra o Japão foi o fator decisivo para o fim da guerra no Pacífico, o que sucederia mesmo sem o emprego de bombas atômicas. O rápido golpe desferido pelo Exército Vermelho sobre o Japão fechou o cerco que pôs finalmente o Japão de joelhos”.

O Exército Vermelho contribuiu ainda para a expulsão dos nazistas da China e da Coreia. O sacrifício do povo soviético foi inestimável. Mas valeu a pena porque livrou a Humanidade da besta nazista. Foi também a vitória do socialismo que saiu da Segunda Guerra triunfante em toda a Europa Oriental e na China.

Por todos, valeu a carta de agradecimento enviada pelo povo coreano a Josef Stalin, comandante supremo das forças soviéticas: “… Os combatentes soviéticos chegaram não como conquistadores, mas como libertadores. Emancipada da escravidão, a nossa pátria respirou livremente. O céu apareceu-nos radioso. A nossa terra floresceu. Jorraram canções de liberdade e felicidade…”.

José Levino, historiador

Fonte de pesquisa: O Grande Feito do Povo Soviético e do Seu Exército. VassiliRiábov, Edições Progresso, Moscou,1983.

Bolsonaristas defendem volta da tortura e fim das eleições diretas

Da Redação

Enquanto milhões de brasileiros estão em isolamento ou distanciamento social devido à pandemia da Covid-19, o capitão reformado Jair Bolsonaro e seus puxa-sacos vivem um imenso isolamento político. A reprovação a seu governo já alcança quase 70%, suas Medidas Provisórias, sem apoio, caducam no Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que não é função do presidente desrespeitar governadores e prefeitos. Nos embates que travou com o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, ficou em minoria nas reuniões do seu Ministério. Teve que levar um de seus filhos para dentro do Palácio Planalto para poder conseguir ouvir diariamente: “Pai, você é o rei”.

E os fatos mostram uma dura realidade: após quase um ano e meio no governo, o capitão reformado, apesar de controlar um Orçamento Federal de R$ 4 trilhões, não construiu nenhum hospital público nem universidade. Tampouco ampliou o acesso da população ao saneamento ou construiu casas populares. O desemprego e o número de famílias vivendo na extrema pobreza cresceram enormemente no seu desgoverno. Usou todo o dinheiro público para enriquecer os especuladores, os banqueiros e permitir a remessa de bilhões de dólares do Brasil para os EUA.

O povo brasileiro, vendo que o capitão reformado é incompetente, antidemocrático e totalmente subserviente ao EUA, passou a reprovar seu governo em todas as regiões. Segundo o Instituto Datafolha, 17% de seus eleitores se arrependeram de ter votado nele.

Diante dessa crescente rejeição da população, o capitão reformado e seus filhos resolveram apelar para a velha política: recorrer às Forças Armadas, em particular ao Exército, para impor um regime ditatorial no país.

Assim, foram marcadas as carreatas e atos para o dia 19 de abril, dia que é considerado Dia do Exército. O Exército, seu comandante geral e o Alto Comando sabiam do ato e deram total permissão para que Bolsonaro e seus puxa-sacos o realizassem com dezenas de faixas encomendadas e com dezenas de assessores de deputados e de pessoas que ocupam cargos de confiança no governo, os conhecidos “aspones”.

No entanto, os atos foram um fracasso. Em São Paulo, dezenas de carros luxuosos, acompanhados de várias motos, algumas delas que custam mais de R$ 50 mil reais, foram verdadeiramente “ovacionadas”, isto é, receberam ovos e tomates dos prédios por onde passavam. Em Brasília, apenas algumas centenas de pessoas atenderam ao chamado de Bolsonaro e, se retirarmos os assessores da conta, fica uma ridícula minoria. Pior: após o ato, nove pessoas deram entrada em hospitais de Brasília com suspeita de Covid-19.

Pois bem, com o repúdio nacional à fala de Bolsonaro em frente ao Quartel General do Exército em Brasília, os generais passaram a dizer em off a jornalistas que não concordavam com aquele discurso defendendo um golpe militar e a volta do AI-5 e pediram ao capitão para “baixar o tom”. Na manhã desta segunda-feira, 20 de abril, um irritado e nervoso presidente, com suas mãos trêmulas (lembrando Hitler no filme A Queda), tentou desdizer o que tinha dito. Mas, revelando sua natureza fascista, parafraseou o rei Luís XIV, e declarou: “Eu sou a Constituição”.

Os fascistas e a grande a burguesia nacional e internacional olham a história do Brasil, observam os inúmeros golpes militares que aconteceram e acham que é fácil dar um golpe militar em nosso país e impor a censura à imprensa, torturar os que discordam, assassinar e esconder os corpos dos patriotas e democratas ou jogá-los no mar. Pensam que assim terão a paz dos cemitérios dizendo que o “Brasil vai pra frente, ame-o ou deixe-o” e que a ditadura militar é o melhor regime para governar um povo rebelde, como é o brasileiro.

Mas, senhores e senhoras fascistas, ensina a filosofia dialética que, se houve tantos golpes militares assim no Brasil é porque nenhum conseguiu se manter eternamente. Ou melhor, todos foram derrotados nas ruas pelos trabalhadores, pelas mulheres, pelos jovens, pelo povo brasileiro. Duvidam? Então terão que ouvir novamente nosso povo nas ruas desfilando e cantando: “Amanhã vai ser outro dia!” ou “Você não gosta de mim, mas sua filha gosta!”.

Nossa luta para derrotar o governo fascista em meio ao avanço das contradições interimperialistas

Passeata em São Paulo contra a Reforma da Previdência. Foto: A Verdade

Por Wanderson Pinheiro e Leonardo Péricles

1 – O Brasil e a questão internacional

O chamado neoliberalismo se aprofundou no Brasil nos anos 1990, primeiro no Governo Collor e depois durante os dois governos de Fernando Henrique Cardoso. Na verdade, tratou-se de uma maior submissão das economias nacionais com abertura dos mercados, iniciada no Chile e na Argentina, diante de um crescimento da exportação de capitais e maior domínio do capital financeiro internacional sobre as economias nacionais latino-americanas. Foi um período de ampla hegemonia dos EUA, encoberto sob o discurso da globalização.

A queda brusca dos impostos de importação e exportação, o fim do controle de capital e a isenção de impostos para a sua movimentação, a adoção de uma política cambial ancorada no dólar, o achatamento salarial dos trabalhadores e a privatização das principais empresas estatais foram as medidas centrais que tiveram consequências estruturais perversas para a economia nacional.

No entanto, o que se desenvolve de fato são as características do imperialismo capitalista, com o aprofundamento da financeirização do capital monopolista e uma gigantesca exportação de capitais por diversas vias. O capital se expande permanentemente, destruindo as economias nacionais, promovendo o desemprego e a redução salarial, para extrair mais-valia extraordinária e, assim, buscar manter sua taxa de lucro. Neste sentido, falar apenas contra o neoliberalismo e aceitar o capitalismo é propor aceitar a exploração dos trabalhadores, a manutenção da escravidão assalariada e sua expressão política, a democracia burguesa.

Além da política neoliberal praticada pelo imperialismo dos EUA, sofremos uma ação neocolonialista brutal, com a “elite nacional” sendo subornada e praticando a corrupção. Este fato foi evidenciado no processo de privatização, tendo boa parte dos recursos sido desviada para o “caixa 2” das campanhas eleitorais de 1998, mantendo FHC no governo.

Outro objeto de controle da nação foi a dívida pública. Com o aumento dos juros para conter a inflação, os novos financiamentos recebidos do FMI aumentaram em muito as dívidas externa e interna, ampliando a dependência do Brasil ao capital financeiro dos EUA. A abertura financeira ocasionou ainda o aumento da dívida interna, pois era extremamente favorável para o capital financeiro especular com a alta de juros (a taxa Selic atingiu 45,67% ao ano, em 1997), com controle do câmbio e livre movimentação de capitais.

Resumindo: ocorria uma espoliação financeira terrível devido à política de total submissão às ordens do dito “Consenso de Washington” praticada pelo governo brasileiro.

Essa abertura gerou também a quebra de milhares de empresas nacionais. As pequenas e médias empresas foram as mais atingidas, mas também grandes empresas foram à falência, iniciando o processo de desindustrialização nacional. Porém, um setor com maior acúmulo de capital, a grande burguesia interna, que fez o acordo com a burguesia estadunidense, teve lucros crescentes e caminhou para expandir seus negócios para o exterior. Setores como o do agronegócio, da construção civil e dos frigoríficos, tornaram-se grandes empresas internacionais e, a partir desse acordo, passaram a expandir-se para a região do Mercosul.

Outros setores foram se associando ao capital estrangeiro, seja na aquisição das importantes empresas estatais que foram privatizadas (setores de minério, siderúrgico, energia, etc.) ou de indústrias e serviços privados para o investimento dos capitais internacionais. Tornaram-se, assim, um setor submisso ao capital internacional e aos ditames da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Entre os anos de 2003 a 2010, vivenciamos o Governo Lula e, de 2011 a meados de 2016, o Governo Dilma. Foi um período de hegemonia petista, considerado por alguns como desenvolvimentista ou neodesenvolvimentista, mas teve como base a diversificação da dependência nacional, principalmente em relação ao crescimento das exportações para a China, pautado também pelo investimento público feito nas empresas públicas e privadas, e pela ampliação do consumo da população com base numa grande oferta de crédito.

Esse processo de consumo levou a um relativo desenvolvimento da indústria naval, da construção civil, do agronegócio e da pecuária, propiciando o crescimento do lucro da grande burguesia e do capital financeiro. Porém, sendo um desenvolvimento com base no crescente endividamento e submetido aos interesses da grande burguesia nacional e mundial, terminou por esgotar-se com o aprofundamento da crise do capitalismo mundial.

Na verdade, o governo praticou uma política neodesenvolvimentista, mas manteve a hegemonia do capital financeiro, aprovando leis em seu benefício, como a lei de garantia de empréstimos com descontos em folha. A “Carta aos Brasileiros”, no início do primeiro mandato de Lula, foi, no fundamental, uma mensagem ao mercado financeiro internacional em que o presidente se comprometia a manter todos os acordos anteriores, não mexer no processo das privatizações, manter o controle da inflação, garantir o pagamento da dívida pública com altos juros e ampliar seus benefícios. Isso significou, na prática, a manutenção da política neoliberal.

Além de não ter revogado nenhuma das corruptas privatizações do Governo FHC, o PT realizou novas: privatizou portos, aeroportos e rodovias, além de fazer leilões de campos de petróleo para empresas estrangeiras. Porém, com o pré-sal (considerado o bilhete premiado), alterou o regime de exploração, mantendo os leilões em outros termos. Assim, a Petrobras foi um poderoso instrumento para desenvolver a política neodesenvolvimentista, promovendo investimentos em refinarias e alavancando a indústria naval brasileira e a construção civil. No entanto, o PT não reverteu a abertura de capital da Petrobras e esta permaneceu influenciada pesadamente pelos acionistas internacionais e pelo mercado.

A crise da era petista se iniciou em 2014, no final do primeiro Governo Dilma. A crise econômica chegou ao Brasil e ficou evidente que a política neodesenvolvimentista não conseguiu resolver os problemas estruturais do país, principalmente por não suspender o pagamento dos juros da dívida pública e manter a espoliação do capital financeiro e a dependência em relação ao agronegócio. Por outro lado, a relação com a China, que trouxe a ampliação da venda de commodities a níveis altos e a abertura para importação de produtos de toda ordem, gerou uma maior desindustrialização e dependência do setor externo. Essa troca desigual trouxe enormes benefícios para a grande burguesia do agronegócio, da mineração, da pecuária, da construção civil, etc., mas, como sempre, bastou uma oscilação do mercado internacional para tudo ir abaixo.

Realmente, a crise mundial se aprofundou com reduções seguidas de crescimento da economia chinesa. A China, mesmo possuindo enormes monopólios e rivalizando o comércio internacional com os EUA, não ficou de fora da nova crise de superprodução relativa que dificultou a realização de seu capital mundialmente. É importante notar que essa crise e a disputa de mercados continuam a se desenvolver, ameaçando agora entrar num período mais profundo, como afirmou recentemente a OMC. Sem ter como exportar mais mercadorias e com o superacúmulo de capital, a China avança a financeirização da sua economia.

Vejamos o que se sucedeu de 2007 a 2015. A China chegou a crescer 13%, em 2007, e o mercado de commodities brasileiro teve uma alta considerável. Em 2010, a China teve mais uma queda no seu PIB para 10,4%. Em 2015, relatório do FMI dizia que a China diminuiria o crescimento para 6,8%, a menor taxa anual do país dos últimos 25 anos. A queda da economia brasileira foi quase automática. Dilma Rousseff, que tomou posse para o segundo mandato no dia 1º de janeiro de 2015, permaneceu no posto apenas um ano e meio.

A crise ocasionada pela redução da produção da China fez cair enormemente o preço das commodities e reduziu os lucros da grande burguesia. Sendo pragmática, a burguesia, que há pouco havia colocado o gorro “comunista” na cabeça para adular o imperialismo chinês, pulou do barco e abandonou Dilma, definitivamente afastada do cargo em agosto de 2016.

O impeachment de Dilma teve ainda um elemento geopolítico. Os EUA usaram todo o seu poder para manter o país como sua área de influência, pois, mesmo sabendo que o PT atendia ao capital financeiro e pagava religiosamente a dívida pública, o avanço da crise do capitalismo mundial exigia ainda mais submissão. Vale salientar que a UP, ao mesmo tempo em que estava em processo de construção, esteve nas ruas lutando e denunciando este golpe.

Da mesma maneira, resistindo à quebra da sua hegemonia em nível internacional, os EUA lançaram o Tratado Transpacífico (TPP), que tinha como objetivo enfraquecer a China. Porém, após a eleição de Trump, os EUA se retiraram do TPP e adotaram como tática acordos bilaterais. Depois, abriram uma guerra comercial direta com a China, levantando barreiras às mercadorias chinesas, o que dura até hoje.

Assim, os EUA intervieram no Brasil com o objetivo de retirar o PT do governo para garantirem no poder um aliado subserviente. Financiaram e corromperam o judiciário brasileiro, apoiaram a fabricação da “Operação Lava-Jato”, que levou Lula à cadeia e promoveu a eleição de Bolsonaro. Da mesma maneira, os EUA disputam a Venezuela, com ações de bloqueio econômico e ameaça de invasão, e a Bolívia, onde promoveram um golpe fascista. Aparentemente, existe uma disputa entre forças reformistas liberais e o neoliberalismo fascista no continente, que tem como pano de fundo as disputas entre as duas propostas para conduzir o mundo capitalista.

Também era importante para os EUA ter o Brasil, principal país da América do Sul, como sua área de influência estratégica. Tendo como objetivo central na América Latina a derrubada do Governo Maduro e não obtendo sucesso pela via “pacífica”, intensificou o bloqueio econômico e buscou envolver o Brasil e a Colômbia numa aventura imperialista contra a Venezuela. Trata-se claramente de uma estratégia neocolonialista, que visa a usar tropas de outros países, mas mantendo o objetivo de conquista e ainda lucrando com a guerra.

A China é hoje a segunda potência econômica mundial e busca acumular forças na disputa pela hegemonia no planeta, fato que leva ao acirramento de contradições interimperialistas. Antes apenas exportadora de manufaturas, a China está alcançando o mais elevado grau de tecnologia, uma enorme acumulação de capital e intensificando a fase de exportação de capitais. No momento, essa exportação ocorre por meio do financiamento de infraestrutura nos países em desenvolvimento, investimentos financeiros, compra de títulos do Tesouro estadunidense, empréstimos e investimento direto.

O processo de exportação de capitais parece ser a ponte para uma defesa militar das áreas de influência econômica. Por isso, a China tem hoje o segundo maior gasto militar do planeta e já instala bases militares internacionais, sendo que a primeira foi estabelecida na África. Na América Latina, a China tem grandes investimentos, sendo o principal parceiro comercial de diversos países, inclusive do Brasil. Por isso, investem pesadamente em grandes porta-aviões, jatos, armas nucleares, e já superam os Estados Unidos em alguns aspectos tecnológicos.

Para termos uma noção, o país asiático investiu no Brasil, do ano de 2007 a 2018, US$ 57,9 bilhões em 145 projetos voltados principalmente para o setor de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica. Os investimentos, no último ano, foram especialmente diretos, sendo 50% realizados em empresas construídas a partir do zero. Mas 42% foram investimentos em fusões e aquisições. Segundo o embaixador da China no Brasil, Yang Wanming, a China está aumentando a abertura do setor financeiro, de serviços, da agricultura, mineração e manufatura. Estima-se que o investimento chinês no próximo ano ultrapasse os US$ 10 bilhões.

A China mantém os investimentos mesmo no Governo Bolsonaro e, embora reaja às declarações do filho dele de forma dura, o pragmatismo do capitalismo chinês projeta grandes investimentos nas áreas de a) energia, da ordem de R$ 24,7 bilhões em quatro projetos (hidroelétrica, termonuclear e transmissão); b) ferrovias, R$ 29,1 bilhões em quatro projetos (2.800 km); c) óleo e gás, R$ 117,5 bilhões em quatro projetos; d) portos, com R$ 5,9 bilhões em 16 projetos; e) aeroportos, R$ 2,1 bilhões em dois projetos.

Por outro lado, embora Trump afirme que apoia Bolsonaro e ambos troquem elogios ideológicos em público, os EUA não fazem nada do ponto de vista financeiro para apoiar o governo brasileiro. O investimento dos EUA no Brasil foi pequeno em 2019: o valor foi de US$ 2,2 bilhões, menor que o de 2017, quando o montante correspondeu a US$ 2,9 bilhões. Os compromissos firmados se restringiram a acordos antinacionais e militares, como a entrega da Base Espacial de Alcântara, no Maranhão, e um acordo que transforma o Brasil numa força auxiliar do Comando Sul dos EUA, tornando-se um aliado extrarregional da OTAN. Ou seja, um acordo militar subserviente, que coloca o Brasil como mais uma base de operação militar dos EUA na região.

Como vemos, Bolsonaro segue cegamente o imperialismo norte-americano, pois, como fascista que é, em um país de economia altamente dependente e submissa como é o Brasil, seguirá a linha fascista de Trump para apoiar-se internacionalmente no império dos EUA. Bolsonaro é um representante da grande burguesia[1] e dos militares fascistas, que se declaram abertamente submissos ao capital estadunidense, não possuindo sequer um verniz de nacionalismo.

2 – Desenvolver a consciência das massas populares, aumentar o isolamento de Bolsonaro e criar as condições para derrubar o governo

O 8 de março foi a última grande manifestação nacional antes da pandemia. Foto: A Verdade

Diante da crise do coronavírus e da projeção de uma crise econômica mais profunda nos próximos meses, setores da própria burguesia (como evidenciou editorial recente do Financial Times) falam que os governos devem ajudar a economia promovendo investimentos e renda para os mais pobres, ou seja, praticar uma política antiliberal para ajudar a cobrir os prejuízos da própria burguesia. Bolsonaro, no entanto, insiste em manter o arrocho salarial, cortar salário dos servidores e seguir a retirada de direitos a ferro e fogo. Assim, quer ser mais realista que o rei e promover a política neoliberal dos banqueiros e do capital financeiro estadunidense a todo custo.

Por tudo que fez desde o início do governo, como retirada de direitos dos trabalhadores, congelamento dos salários, desemprego e venda do patrimônio público, Bolsonaro tem um enorme desgaste, que tende a crescer com o aprofundamento da crise do coronavírus e a demissão de Luiz Henrique Mandetta do Ministério da Saúde. As mortes que se multiplicam evidenciam que a retirada dos recursos públicos da saúde foi um crime de lesa-humanidade. Também a insistência de Bolsonaro contra o isolamento social e de que a Covid-19 é apenas um “resfriadinho” trarão consequências desastrosas para a população. Hoje já temos quase 70% da população contra esse governo.

Porém, não vivemos em uma democracia popular, em que a maioria do povo é que decide. Vivemos debaixo de um governo de fascistas que tem como principais ministros generais da ativa e da reserva. Também é um governo que representa os interesses da grande burguesia, que é uma ínfima minoria da sociedade e, por isso, teme o movimento operário e popular e tende ao fascismo, principalmente em momentos de crise.

Portanto, não devemos subestimar a possibilidade de o atual governo, sob o pretexto de o país viver uma calamidade pública, promover um golpe e decretar um estado de sítio. Para isso, os fascistas não precisam de apoio da maioria da população, basta contar com apoio das Forças Armadas e de uma parcela reduzida da população disposta a ir às ruas nos seus luxuosos carros. Lembremos ainda que o governo dos EUA, aliado de Bolsonaro, pratica uma política fascista que impulsiona correntes desta natureza na Europa e na América Latina.

Em almoço realizado na sede da FIESP, no último dia 03 de fevereiro, para os 250 maiores industriais de São Paulo, com a presença de Bolsonaro, o presidente da entidade, Paulo Skaf, afirmou que “O Brasil não está dando certo. O Brasil já deu certo”, declarando, assim, o apoio da grande burguesia ao fascista. Este apoio é firmado especialmente na política de Paulo Guedes, que promoveu a reforma trabalhista, a reforma da Previdência e dá continuidade, em meio à crise do coronavírus, a propostas como a Carteira de Trabalho Verde e Amarela e a retirada de direitos dos servidores públicos. Assim, o apoio ao fascista está condicionado à agenda de retirada de direitos que assegure a maior extração de mais-valia dos trabalhadores.

O fascista também tem o apoio da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA), representada por João Martins, que também é parte da minoria dos exploradores e representa a grande burguesia agrária. Em setembro de 2019, momento em que Bolsonaro fez um ridículo discurso na ONU exaltando a ditadura militar de 1964, Martins afirmou que Bolsonaro o representou, fazendo excelente discurso: “Defendeu a soberania nacional, esclareceu equívocos sobre a Amazônia e ressaltou o importante papel do Brasil na produção mundial de alimentos e na preservação do meio ambiente. Também afastou a tese de que o governo está colocando o mundo contra o agro brasileiro, defendendo não apenas o setor, mas toda a nação”.

Vale lembrar que esse foi o momento em que a Amazônia estava em chamas e que o agronegócio foi um dos principais responsáveis por este crime contra a natureza. Mas vejamos que, apesar da reafirmação do apoio da grande burguesia, os meses vão se passando e fica evidente a cada dia que o governo Bolsonaro vem se enfraquecendo e perdendo apoio popular. Porém, será defendido para que fique no poder por essa minoria enquanto for útil para a grande burguesia.

Nesse momento, apresentam-se algumas propostas políticas para retirada de Bolsonaro da presidência. O impeachment é uma delas. No entanto, com um Congresso Nacional altamente reacionário e antipopular como o atual, a única forma de forçar o impeachment seria a realização de grandes manifestações nas ruas. Mas, no momento, devido ao crescimento do número de mortes pela Covid-19, esta possibilidade não é viável. Desse modo, apostar que um Congresso Nacional que aprova leis contra os trabalhadores vai aprovar o impeachment sem o povo nas ruas é ignorar o papel das massas na luta política e propagar ilusões parlamentaristas.

Outra proposta apresentada é apelar para que Bolsonaro, que faz planos para governar 20 anos, renuncie. É como pedir para o diabo virar anjo. Alguns desses setores chegam até mesmo a afirmar que o general Mourão seria um “mal menor”. Esse é o caso do governador do Maranhão, Flávio Dino, do PCdoB: “Claro que Mourão não é do meu campo ideológico. Mas, se Bolsonaro entregar o governo para ele, o Brasil chegará em 2022 em melhores condições”.

Trata-se de um ledo engano e demonstra uma gigantesca ilusão de classes, uma total traição ao povo e sua história. Mourão é um general, representante ainda mais direto dos interesses do setor ultraconservador e fascista das Forças Armadas. Como Bolsonaro, Mourão defende a tortura, tenta falsificar a história escondendo os crimes cometidos pelas Forças Armadas e pela grande burguesia durante a Ditadura Militar, sendo, portanto, um defensor do aumento da repressão contra o povo e a classe trabalhadora.

Dessa maneira, nossa tática de aprofundar o desgaste deste governo, manter e impulsionar a palavra de ordem “FORA BOLSONARO! POR UM GOVERNO POPULAR!” é, sem dúvida, a mais correta. Primeiro, porque é a palavra de ordem que está na boca do povo. Foi gritada por milhares de mulheres de todas as correntes políticas no 8 de março, sendo esta a última manifestação nacional contra o fascismo. Segundo, taticamente, no momento de avanço da pandemia do coronavírus em que nos encontramos, devemos ter como principal atuação a solidariedade aos trabalhadores e trabalhadoras para enfrentar essa barbárie nas periferias e denunciar o caráter antidemocrático e antipopular do governo. Terceiro, devemos ampliar os panelaços nas periferias, sendo esta uma forma de protesto importante, criada no fogo da batalha e capaz de desgastar o governo, dialogando com a consciência da classe trabalhadora, dizendo que o governo com sua política aumenta a fome e a miséria e só governa em prol da classe rica e dos EUA.

Assim, prepararemos o terreno para derrubar o Governo Bolsonaro pelas mãos do povo e fortaleceremos uma alternativa popular para o desfecho dessa crise, qual seja, a construção de um poder popular e do socialismo, única saída verdadeira para termos um país livre e independente. Da mesma forma, romperemos com as ilusões do reformismo e da pequena burguesia de que derrotarão o fascismo no âmbito institucional promovendo um impeachment ou mesmo pedindo, por favor, para que Bolsonaro renuncie.

3 – Derrotar o imperialismo capitalista é uma tarefa fundamental

Solidariedade internacionalista a Cuba e à Venezuela. Foto: G1

Precisamos ter a consciência de que enfrentamos o fascismo internacionalmente. Por isso, a classe trabalhadora, em nível mundial, é nossa principal aliada na luta contra os imperialismos e pelo socialismo. Não basta levantar a bandeira contra a política neoliberal e passar a defender o neodesenvolvimentismo, pois o capitalismo é brutal em todas suas formas e tem como único objetivo despejar a crise nas costas da classe trabalhadora.

O capitalismo desenvolvimentista não é alternativa ao neoliberalismo, pois ambos são exploradores da mais-valia dos trabalhadores. Nosso objetivo deve ser destruir o capitalismo, e não apenas a política neoliberal dos EUA. Os neodesenvolvimentistas cumprem o papel de abrir caminho ao fascismo e são a outra face da moeda do capitalismo.

Prova disso foi o que ocorreu na Segunda Guerra Mundial, quando os EUA e a Inglaterra, tidos como democratas naquele período, deixaram a chama nazifascista bater-se contra a pátria socialista, só dando apoio na Frente Oriental depois de perceberem que a URSS sairia vitoriosa, e com grande chance de que seriam também vítimas do nazismo.

Quem é socialista e comunista tem como principal obrigação defender a classe trabalhadora e defender seus interesses presentes e futuros. Portanto, devemos trabalhar em nível internacional para que a classe trabalhadora não seja levada a uma luta interimperialista, mas que lute por sua libertação, pois, como internacionalistas que somos, fazemos parte do mesmo exército do mundial do proletariado.

Os trabalhadores e o povo da Venezuela estão na linha de tiro do imperialismo estadunidense, portanto, nossa solidariedade aos venezuelanos e nossas ações principais devem ser no sentido de derrotar esse imperialismo fascista e expulsá-lo da América Latina. Apoiamos, como internacionalistas, a classe trabalhadora que luta contra o imperialismo, mas que também luta pelo socialismo. Defendemos que esta classe possa, no processo revolucionário em curso, tomar consciência e declarar o caráter socialista da revolução. Não podemos aceitar sermos instrumento nem do imperialismo dos EUA, nem do imperialismo chinês e russo, uma vez que estes investem financeiramente na Venezuela, visando a mantê-la como área de influência econômica e geopolítica, gerando, de fato, igual dependência e exploração para os trabalhadores.

A revolução socialista é a única forma de derrotar definitivamente o imperialismo e a exploração dos trabalhadores. Essa luta é a luta do presente, atual e estratégica para a classe trabalhadora. Quem pensa o contrário, não faz mais que defender a manutenção da exploração do homem ou considerar este objetivo algo utópico. Para que os trabalhadores possam decidir seu destino e sua autodeterminação é fundamental fazer uma revolução proletária.

Trabalhadores e trabalhadoras de todo o mundo, uni-vos!

Wanderson Pinheiro e Leonardo Péricles,
membros do Diretório Nacional da Unidade Popular (UP)


[1] Apesar das visíveis disputas políticas de Bolsonaro com outros representantes da grande burguesia, como Dória e a Globo, no fundamental, não divergem quando se trata de aumentar a exploração sobre a classe trabalhadora e a retirada de direitos – como vimos no caso da Reforma da Previdência, da PEC dos Gastos e no Pagamento da Dívida Pública, dentre outras medidas antipopulares.

AGITAÇÃO E LUTA NO NOVEMBRO NEGRO REVOLUCIONÁRIO

São Mateus tem colagem lembrando nomes e referências na luta do Povo Negro no Brasil e no Mundo

Foi realizado no bairro do Vila Flávia, São Mateus, Zona Leste de São Paulo, na semana do 20 de Novembro uma ação de colagem de nomes e referências negras na história da luta do povo negro e referências da periferia. Jovens do bairro espalharam nomes de homens e mulheres da luta antiracista como Luis Gama, Marielle Franco, Luisa Mahin, da luta anticapitalista como Angela Davis, Carlos Marighella, além de muitas referências como Emicida, Negotinho, Mano Brown, Mestre Moa, e homenagem a crianças mortas pelo Estado como a menina Ágatha Félix, de 8 anos, morta pela PM do RJ, e do menino Lucas Eduardo, de 14 anos, morto em Santo André pela PM de SP.


O mês de Novembro é um mês de agitação e propaganda sobre a luta do povo negro mas também de reforçar a importância da organização para enfrentar um sistema e um governo que tem aprovado medidas para aumentar o genocídio diretamente, autorizando ainda mais a impunidade da PM, ou indiretamente, privatizando o SUS, que atende em maior parte a população negra, precarizando o trabalho, feito em maior parte pela população negra. Esses e outros fatores que fortalecem ainda mais o racismo estrutural, ferramenta de submissão econômica e cultural do sistema capitalista. Para fazer frente de forma efetiva a quem nos mata e proteger nossa população e juventude negra de forma efetiva, precisamos lembrar nesse mês de Novembro de nos organizar em um movimento popular de porte nacional, mantida pelas forças e recursos do povo e movido pelos interesses da luta da classe trabalhadora no Brasil.

Lucas Nascimento Coordenador Nacional do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas / MLB SP

Trabalhadores do setor de transporte declaram greve na cidade de Mauá

Foto: Bastidor Político

Durante a manhã dessa sexta-feira (22), Mauá, município do ABC paulista, amanheceu com os ônibus na garagem, e manifestações no terminal central: trabalhadores da Suzantur, transportadora turística privada responsável pelas linhas de ônibus da cidade, declararam greve contra a revogação contínua de direitos.

P. O.*, trabalhador da Suzantur e integrante do turno da tarde, alegou que a mobilização entre os trabalhadores começou quando um motorista não recebeu o depósito do vale salarial, benefício garantido pelo contrato. Contudo, esse fato foi apenas o estopim: os motoristas da Suzantur sofrem com a falta de pagamento dos salários, assédio moral, horas extras compulsórias e expedientes sem pausa para o banheiro no cumprimento das dezenas linhas que a cidade de Mauá possui.

Além da falta de pagamento de salários, recusa do depósito de benefícios, M. Q.*, trabalhador do turno da manhã, declarou ao Jornal A Verdade que as condições de trabalho pioram diante das jornadas extensas. “Cheguei a trabalhar durante vinte dias seguidos. Aqui não tem respeito”.

Apesar do posicionamento da empresa, que caracterizou a paralisação como “indevida”, a greve foi vitoriosa, e garantiu que o depósito do vale salarial ocorresse. Os ônibus voltaram a circular a partir das 14h.

*Os nomes dos trabalhadores que concederam depoimentos ao Jornal A Verdade foram alterados.

Gabriela Torres – Movimento de Mulheres Olga Benário

Bolivianos residentes no Brasil rechaçam golpe de Estado

SÃO PAULO – Neste domingo, 17, milhares de pessoas foram à avenida Paulista, no centro de São Paulo, em solidariedade ao povo boliviano e contra o golpe de Estado sofrido por Evo Morales. O ato foi chamado pelo Comitê Brasileiro de Solidariedade ao Povo Boliviano Contra o Golpe, e contou com a presença de crianças, estudantes e trabalhadores da comunidade boliviana residente, além do apoio de muitos brasileiros.

As bandeiras boliviana e Whipala, símbolo da plurinacionalidade do país e da cidadania dos povos originários, foram firmemente tremuladas por todo o ato. Palavras de ordem também marcaram a manifestação, destacando o repúdio ao golpe de Estado, a resistência popular pela democracia, e denunciando o fascismo promovido por figuras da extrema direita do país, como a senadora (autoproclamada presidente) Jeanine Áñez e o empresário multimilionário Luis Fernando Camacho.

Através de um manifesto, distribuído no ato, o Comitê Brasileiro de Solidariedade ao Povo Boliviano Contra o Golpe afirma: “A luta do povo boliviano contra o golpe, contra Camacho, contra o fascismo, contra o racismo e a extrema direita, é uma luta que deve receber a solidariedade de todas as pessoas e da classe trabalhadora de todo o mundo que defendem as liberdades democráticas.” O manifesto também pontua: “Não reconhecemos como presidente da Bolívia a autoproclamada Jeanine Áñez, uma fraude, assim como Juan Guaidó, o autoproclamado presidente da Venezuela.”

O golpe na Bolívia representa uma ofensiva de setores extrema direita, aliada do imperialismo dos EUA e de grandes grupos empresariais e especuladores do mercado financeiro. Os diversos povos bolivianos que se erguem em defesa da democracia resistem ao golpe há semanas, como os lutadores do Chile, Equador e Haiti, que rechaçam ataques das elites do poder econômico. Com os últimos acontecimentos, desmancham-se as ilusões com o imperialismo, com a conciliação com grandes ricos e exploradores da classe trabalhadora. A real saída para a América Latina, cada vez mais, aponta para o poder popular.

Carol Matos – Movimento Luta de Classes

Grito dos Excluídos leva centenas de pessoas às ruas do ABC paulista

Foto Reinilson Câmara

Na manhã desse sábado, 14, centenas de pessoas tomaram o centro de Santo André para conclamar o Grito dos Excluídos e Excluídas do ABCDMR. O ato começou com um café da manhã coletivo, uma caminhada pela rua principal da cidade terminando com uma homenagem a brasileiros que deram a vida por uma nação mais justa e igualitária. O ato contou com adesão e organização de diversos movimentos sociais, ambientalistas, partidos de esquerda, movimentos populares do campo e da cidade, movimento estudantil, de mulheres, pastorais sociais e religiosas de diferentes matrizes e entidades sindicais.

O Grito dos Excluídos e Excluídas acontece há 25 anos e esse ano ecoou em mais de 200 cidades e em todas as capitais do Brasil. Esse movimento nasceu da necessidade de dar voz ao povo, às minorias e à população historicamente excluída pelo Estado burguês, que segue interesses de banqueiros lucrando com a miséria do nosso povo, deixando em segundo plano direitos básicos como:  saúde, moradia, transporte, trabalho, informação e vida digna.  

Foto Reinilson Câmara

“A vida em primeiro lugar! Este sistema não vale: LUTAMOS POR JUSTIÇA, DIREITOS E LIBERDADE” foi o lema do 25º grito dos excluídos. A marcha em defesa de direitos sociais e da luta contra o desemprego, levantou vários problemas estruturais como encarceramento em massa, genocidio da população negra, feminicídio, transfobia,  lgbtfobia, cortes na educação e a “reforma” da Previdência, promovido pelo governo fascista de Jair Bolsonaro.

Também foi pauta do ato a questão do meio ambiente, por conta do aumento das queimadas, do avanço do desmatamento na Amazônia, dos crimes da Vale em Brumadinho e Mariana, em Minas Gerais. Além disso, foi erguido a bandeira contra o projeto do centro logístico de Paranapiacaba, proposto pelo prefeito de Santo André, Paulo Serra (PSBD), que ameaça uma área de proteção ambiental com importantíssimo valor histórico nacional, turístico, paisagístico e de serviços ambientais como provisão de águas para a Represa Billings.

Por fim, o ato do ABCDMR terminou com homenagens aos verdadeiros heróis da pátria, que lutaram por um país mais justo e igual, por meio de uma intervensão cultural com fotos e palavras de ordem. Nomes como Marielle Franco, índio Galdino , Zumbi dos Palmares, Dandara dos Santos, Milton Santos, Elenira Resende, Carlos Mariguella, Chico Mendes, Carolina Maria de Jesus e Manoel Aleixo foram lembrados e homenageados.

Foto Cadu Machado
Foto Reinilson Câmara

Reinilson Câmara Filho – Unidade Popular pelo Socialismo

147 famílias são despejadas com truculência em Arraial do Cabo – RJ

Foto: Marcela Couri

Na última quinta-feira (15) cerca de 147 famílias foram despejadas numa ação truculenta e violenta promovida pela Polícia Militar do estado do Rio de Janeiro com ordens do governo estadual em Monte Alto, bairro do segundo distrito de Arraial do Cabo na Região dos Lagos. O Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas – MLB esteve presente no local no dia seguinte junto ao Jornal A Verdade para acompanhar a situação das famílias e prestar solidariedade e apoio.
“Foram momentos de terror, eram mais de 40 viaturas, trator, helicóptero, drone, canhão de água, centenas de policiais encapuzados e armados até os dentes. Parecia que estávamos em guerra.” contou uma moradora. Outro morador continuou: “quando os policiais chegaram por volta das 5 horas da manhã, dissemos que tínhamos uma liminar da justiça garantindo que poderíamos ficar ali até que a prefeitura apresentasse uma outra solução de um local decente para essas famílias morarem. O comandante da operação se recusou a ver o nosso documento e tampouco nos deixou ver o documento que ordenava a realização daquela operação. Dali em diante começou o terror, jogaram bomba de gás lacrimogêneo, spray de pimenta, bala de borracha em todos, acertando inclusive grávidas, crianças e idosos sem a menor capacidade de resistência dos moradores. Daí em diante, destruíram nosso sonho. Passaram o trator por cima das 147 casas construídas com muito esforço coletivo por todos nós”.

Foto: Marcela Couri

A justificativa do governo para promover tal barbaridade, é de que aquela área pertence ao Parque Estadual da Costa do Sol e seria área de preservação ambiental. “Aqui só tem trabalhador, não tem bandido não. A gente não invadiu a terra não porque queremos destruir o meio ambiente. Só estamos aqui porque não temos outra opção.” disse uma moradora. Em áreas ao redor do “projeto” (como foi apelidado o local pelas famílias) existe um condomínio enorme, garagem náutica e um outro terreno de milhares de metros quadrados que pertencem à construtora Volendam, que tem carta branca para fazer o que quiser, sem se preocupar com as questões ambientais. “É necessário compatibilizar a preservação ambiental com o direito social do uso da terra. A dignidade da vida humana está prevista na legislação ambiental, e o direito à moradia digna foi reconhecido e implantado como pressuposto para a dignidade da pessoa humana, desde 1948, com a Declaração Universal dos Direitos Humanos e consta na Constituição Federal de 1988”, disse Ana Paula, conselheira do parque e militante da Unidade Popular pelo Socialismo.
Essa é a realidade de cerca de 7,7 milhões de famílias em todo o Brasil, que compõe déficit habitacional em nosso país. São milhões de pessoas que moram em situações precárias, de favor, não tem mais condições de pagar aluguel e se encontram em situação desesperadora. Por outro lado, vemos milhões de imóveis e terrenos que não cumprem nenhuma função social, servindo apenas à especulação para gerar lucro para os ricos donos das grandes construtoras. O grande questionamento que ficamos nesse caso é: por que a Volendam pode explorar e degradar o meio ambiente em grandes proporções no terreno ao lado para obter fabulosos lucros, mas quando as famílias buscam um local pra morar são tratadas com violência pelo estado?

Foto: Marcela Couri

O estado do Rio de Janeiro tem a polícia que mais mata e que mais morre, é onde 5 jovens negros e pobres foram assassinados na última semana sem enquanto iam para a escola, para o trabalho ou apenas se divertir com os amigos. Enquanto nosso sangue escorre pelo chão da favela, o governador anda de helicóptero mirando sua arma na gente. Esse caso é reflexo da política genocida promovida pelo Estado Capitalista, de guerra aos pobres, guerra aos negros e negras.
No “projeto restinga” os moradores respiram resistência, luta e esperança. Muitos dos que não tem pra onde ir, seguem tentando reerguer as construções e sobrevivendo através da solidariedade dos moradores da região que fornecem abrigo em suas próprias casas, doam roupas, alimentos e ajuda. A decisão dos moradores do projeto é de que só vão sair de lá se a prefeitura apresentar uma alternativa digna, “todos aqui tínhamos a nossa casinha, humilde, mas conquistada com muito suor e luta! Não vamos aceitar menos do que isso!” disse um morador durante assembléia realizada.

Foto: Marcela Couri

O Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas – MLB segue acompanhando e prestando apoio a essas famílias. Acreditamos que morar dignamente é um direito humano e que se o Estado Capitalista prioriza os lucros acima da vida, queremos destruir esse Estado e construir no seu lugar um Estado dos trabalhadores, onde prioridade seja a vida digna, com emprego, moradia, educação, saúde, etc. Enquanto morar for um privilégio, seguiremos lutando pela reforma urbana e o socialismo!

Fotos: Marcela Couri

Galeria: combatividade e unidade da oposição marcam Conune 2019

Foto: João Marcio Dias
Foto Jorge Ferreira
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Foto Jorge Ferreira
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João Marcio Dias

Trabalhadores da Educação aprovam Greve Nacional

Foto: Jorge Ferreira/Jornal A Verdade


A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) realizou a 9º Conferência Nacional de Educação Paulo Freire com o tema “Educação Libertária e Democrática: construindo o movimento pedagógico Latino-Americano” entre os dias 26 a 28 de junho em Curitiba. O objetivo do encontro foi debater os desafios e rumos da educação brasileira, sendo estabelecida greve nacional no dia 13 de agosto contra os retrocessos do governo atual.

Dentre as pautas discutidas, os educadores se debruçaram sobre o Plano Nacional da Educação (PNE), sancionado em 2014 e com validade de 10 anos, com o propósito de direcionar esforços e investimentos para a melhoria do quadro educacional brasileiro. O Plano é composto por 20 metas contemplando todos os níveis educacionais que, apesar de muito promissoras, apenas uma foi cumprida de acordo com o Inep.

Destaca-se a meta 1, que diz respeito a universalização e democratização do ensino básico tendo como finalidade atender 100% das crianças de 4 a 5 anos matriculadas na pré-escola até 2016, além de garantir 50% das crianças de 0 a 3 anos em creche até 2024. Segundo dados do Pnad, apenas 90% das crianças de 4 a 5 anos foram atendidas e somente 1/3 estão em situação de creche. Essa defasagem é vivenciada principalmente nas periferias, onde as filas de espera por vaga nas creches podem levar anos colaborando com a desigualdade enfrentada pelas mulheres na participação no mercado de trabalho.

A estagnação e não cumprimento das metas são resultados dos ataques que o sistema educacional brasileiro sofre constantemente. Prova disso é a emenda constitucional nº 95 implementada pelo governo Temer que congela, durante 20 anos, investimentos públicos direcionados a saúde e educação. Além do corte de 30% das verbas destinadas às universidades e institutos federais, anunciado recentemente pelo ministro da educação. As duas ações fazem parte de um projeto que confronta diretamente as diretrizes do PNE, uma vez que a falta de recurso penaliza o avanço das melhorias no ensino público.

Além disso, a militarização das escolas incentivada por Jair Bolsonaro, visa instituir um sistema onde a censura é peça chave, ferindo a efetivação da gestão democrática de educação proposta pela meta 19 do Plano.  Na mesma linha, o descumprimento se fez presente quando aprovadas as mudanças no “Novo Ensino Médio” pelo Conselho Nacional de Educação, órgão vinculado ao MEC, que libera o ensino a distância totalizando 20 e 30% de carga horária, respectivamente no período diurno e noturno, acentuando ainda mais a defasagem no ensino público.

Essas ações com embasamentos apenas voltados aos interesses capitalistas, sem considerar a realidade do povo brasileiro, são responsáveis por colocar a situação educacional do país em risco. O desleixo com que se é tratado o ensino público foi demonstrado nos últimos dados coletados pelo IBGE, provando que a educação ainda não é para todos. Cerca de 40% da população com mais de 25 anos não chegaram a concluir o ensino básico, e daqueles que concluíram, o maior percentual está entre os brancos (55,5%) ao passo que entre os negros, o número cai substancialmente (40,4%). Considerando que a maior parte da população brasileira é negra, o acesso a educação no Brasil ainda é limitado e desigual pela negligência do governo em promover políticas públicas que incentivem o acesso à todos.

Analisando todo este quadro, os educadores presentes da 9ª Conferência apresentaram um manifesto repudiando as sucessivas contra-reformas liberais no setor educacional e o desmonte das políticas educacionais e sociais que atacam os direitos da população, especialmente da população mais marginalizada (mulheres, negros, índios e LGBTs). Além disso, também criticaram a proposta da Reforma da Previdência e as conseqüências que irá trazer principalmente para as professoras de rede pública, aumentando 10 anos a idade mínima para aposentadoria. Ao final do manifesto, os profissionais conclamam a luta incessante e o compromisso para com a educação, convocando todas as instituições de ensino para uma grande greve geral no dia 13 de agosto.

Diante dessa conjuntura, se fazem necessárias as críticas, a mobilização e organização dos estudantes, trabalhadores e servidores públicos em defesa do ensino de qualidade no país e contra a destruição da aposentadoria, como foram feito nos dias 15 e 30 de maio pela educação, e no dia 14 de junho na Greve Geral que mobilizou categorias ao redor do país e que foram responsáveis pelo fechamento de diversos pontos estratégicos das cidades.

Thais Gasparini
Unidade Popular pelo Socialismo


Seis ex-ministros assinam carta em defesa da Educação: “no atual governo, ela é apresentada como ameaça”

Foto: Jorge Ferreira/Jornal A Verdade

Numa palavra, a educação se tornou a grande esperança, a grande promessa da nacionalidade e da democracia. Com espanto, porém, vemos que, no atual governo, ela é apresentada como ameaça.” – afirmam ex-ministros em carta contra as políticas educacionais do governo Bolsonaro.


Inimigo da Educação, o governo Bolsonaro vem promovendo um verdadeiro sucateamento do ensino público no país. Em abril, através de sua conta no twitter o atual presidente fascista insinuou que os cursos de ciências humanas não mereciam investimentos, adiantando a pretensão de seu governo de cortar verbas do ensino superior. Mesmo com a revolta da população diante de tais alegações, pouco tempo depois, o governo através de seu Ministro da Educação, Abraham Weintraub, anunciou o corte de 30% nas verbas das universidades sem diálogo prévio com a comunidade acadêmica, impactando diretamente o funcionamento dos institutos federais. Na ocasião, o governo alegou que os cortes no ensino superior eram necessários para garantir o investimento na educação básica. Contudo, isso se mostrou como mais uma de suas mentiras contra a população mais pobre, ao estender o corte orçamentário para toda a pasta de educação, incluindo os programas de ensino infantil ao médio.

Frente a essa situação de completo desmonte das políticas educacionais do país, seis ex-ministros de governos anteriores se reuniram em um evento promovido pela Universidade Estadual de São Paulo (USP) e redigiram uma carta aberta em oposição às medidas do governo Bolsonaro. Na carta, José Goldemberg (1991-1992), Murílio Hingel (1992-1995), Cristovam Buarque (2003-2004), Fernando Haddad (2005-2012), Aloizio Mercadante (2012-2014) e Renato Janine Ribeiro (2015), expressaram sua preocupação com “as políticas para a educação adotadas na atual administração”, enfatizando que a magnitude dos cortes promovidos no último período “podem ter efeitos irreversíveis e até fatais”.

De acordo com eles, nessa gestão, a educação deixou de ser vista como prioridade nacional e passou a ser tida como uma ameaça, enfatizando a postura do governo em ignorar especialistas da área atuando de “forma sectária, sem se preocupar com a melhoria da qualidade e da equidade do sistema, para assegurar a igualdade de oportunidade”. Em outras palavras, a carta converge com as denúncias realizadas pelos movimentos sociais e estudantis frente aos ataques de Bolsonaro. Para Beatriz Baria, militante do Movimento Correnteza de São Paulo: “cortar investimentos dos institutos federais e da educação básica, determinar o fim das bolsas para pesquisadores, é mais uma forma desse desgoverno vergonhoso de atacar nosso povo. Somos nós, a juventude pobre, que vai ser impedida de ter uma educação de qualidade, pra encher os bolsos dos grandes grupos privados, que fazem da educação mercadoria, como a Kroton Educacional”.

A carta denuncia ainda a perseguição e a censura impostas pelos governos aos docentes, ressaltando a importância do “respeito à profissão docente, que não pode ser submetida a nenhuma perseguição ideológica […] Convidar os alunos a filmarem os professores, para puni-los, é uma medida que apenas piora a educação, submetendo-a a uma censura inaceitável”. Em outro trecho, reforçam: “a autonomia universitária é uma conquista que deve ser mantida para garantir a liberdade e qualidade na pesquisa, formação e extensão”. 

Ao fim do texto, os ex-ministros propõem a “formação de uma ampla frente em defesa da educação” e anunciam a criação de um “Observatório da Educação Brasileira dos ex-ministros da Educação, que se coloca à disposição para dialogar com a comunidade acadêmica e científica, sociedade e entidades representativas da educação, com parlamentares e gestores, sempre na perspectiva de aprimorar a qualidade da política educacional”.

Jady Oliveira
União da Juventude Rebelião


[1] Kroton Educacional: a maior empresa privada do mundo no ramo da educação, um conglomerado que monopoliza e atua em função da privatização do ensino privado, em detrimento da educação pública, gratuita e acessível.

Deputada Talíria Petrone é ameaçada de morte e tem a proteção negada pelo governador do Rio

Foto: Ricardo Albertini


RIO DE JANEIRO Um ano após a execução da Vereadora Marielle Franco pela milícia, a deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ) – assim como Marielle uma política negra, de periferia e LGBT – teve a solicitação de escolta negligenciada pela omissão do Governador Wilson Witzel, do Partido Social Cristão, ao negar o pedido de proteção à vida da deputada que foi realizados após receber ameaças de morte.

Talíria recebe ameaças de morte desde 2016 quando foi eleita vereadora em Niterói/RJ. As ameaças vêm pelas redes sociais ou até por telefonemas feitos à deputada ou a sede de seu partido. A pouco mais de dois meses a polícia federal alertou ter encontrado na dark web informações sobre o planejamento de um atentado à vida da deputada.

Graças à investigação da PF, Talíria está sendo escoltada em Brasília, mas nas vezes em que retorna a Niterói, cidade na qual foi eleita e também onde recebeu as ameaças, anda desprotegida pois a solicitação enviada pelo presidente da Câmara dos deputados, Rodrigo Maia (DEM), foi negada pelo Governador Witzel, que nem sequer enviou uma resposta a Câmara.

Em abril deste ano a deputada foi chamada de “verme” pelo líder da bancada ruralista, Alceu Moreira (MDB-RS), durante uma audiência pública após reações da parlamentar às declarações do também deputado. Recentemente, após as denúncias de ameaças de morte, o filho do presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), debochou em seu twitter dizendo que Talíria era hipócrita por se declarar desarmamentista e pedir escolta, alegando que a deputada deveria pedir “iluminação”.

A história da Professora Talíria em muito se confunde com a história de Marielle Franco. Ambas ameaçadas de morte e odiadas pelos conservadores, falsos moralistas e pelos milicianos. O que acontece é que em um país que possui cotas para que as mulheres enfim consigam ocupar o espaço político que é ocupado majoritariamente por homens brancos, héteros e ricos, existir duas mulheres negras, periféricas e LGBTs, que foram eleitas como as vereadoras mais votadas em suas respectivas cidades na primeira eleição que concorreram, é inaceitável.

É um atentado à democracia o estado do RJ não exercer seu papel e zelar pela vida de uma deputada que é ameaçada apenas por lutar pelos direitos das mulheres, dos negros, dos pobres e dos LGBTs. Sabemos as causas da omissão do governador reacionário Wilson Witzel, também sabemos de qual lado está o filho do presidente e amigo da milícia, Eduardo Bolsonaro, que ironiza as ameaças contra Taliria assim como ironizava as denúncias feitas por Marielle.

Mas não podemos esperar a morte de ninguém mais, muito menos de alguém que luta para defender o direito à vida de milhões de pessoas abandonadas pelo estado e massacradas pelo sistema capitalista.


Michel Castro
União da Juventude Rebelião

Projeto Anticrime de Moro é um tribunal de rua do fascismo

Entre as principais mudanças apresentadas pelo governo Jair Bolsonaro para a segurança publica do país, está o projeto de Lei Anticrime divulgado pelo Ministro de Justiça e Segurança Publica Sérgio Moro.

Exército brasileiro assassina jovens negros inocentes na intervenção do RJ

O projeto que prevê alterações de 14 artigos do Código Penal e do Código Eleitoral não demonstra nenhuma novidade sobre as causas dos crimes, muito pelo contrário, coloca no centro da política de segurança pública o método da punição, única e exclusivamente como forma de redução da criminalidade.

Hoje já existe uma diferenciação dos procedimentos de casos de homicídios envolvendo policiais em serviço. Por exemplo: quando um policial comete um homicídio e alega legitima defesa, o crime é juridicamente justificado como “morte por intervenção de agente de Estado”. Esse procedimento hoje é conhecido como “Autos de Resistência”, e é responsável por ser o principal argumento legal para justificar os assassinatos produzidos pela policia, quase sempre sendo o processo arquivado. Porém, caso uma pessoa comum mate e alegue legítima defesa, haverá um inquérito policial para apuração do homicídio, que na maior parte dos casos termina em reclusão, ou seja, pena de seis a vinte anos de prisão.

Nesse sentido, um dos principais eixos do pacote apresentado está a excludente de ilicitude, nesse caso, mesmo que o agente policial tenha praticado um homicídio, ele não será considerado um criminoso, excluindo o ato ilícito. O Código Penal prevê três situações em que se aplica a excludente de ilicitude: estado de necessidade, legitima defesa e o estrito cumprimento do dever legal. Uma das propostas que está no pacote de Sergio Moro é de flexibilização e ampliação da excludente de ilicitude em favor de policiais.

Em situações em que a polícia precisa executar uma prisão em flagrante, o ordenamento jurídico brasileiro autoriza o policial em ação á exercer o estrito cumprimento do dever legal que é prender. Atualmente no Brasil, não existe o dever legal de matar. Não se justifica seguir atirando até causar a morte. Com a mudança proposta pelo pacote, o texto de lei deixa claro: caso os policiais durante o trabalho estiverem em situações de medo, surpresa ou violenta emoção, e vierem a matar ou ferir alguém não poderão serem punidos. Utilizando do pretexto da legitima defesa, o projeto formaliza e amplia a violência e  os assassinatos praticados pela policia.

Um levantamento feito pelo Núcleo de Estudos da Violência da USP e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mostrou que houve um aumento de 18% de pessoas mortas por policiais de 2017 para 2018 (5.225 para 6.160 mortes ao ano), ressaltando que essas mortes são as que estão registradas no balanço anual. O ultimo relatório produzido pela Anistia Internacional demonstrou que as forças policiais brasileiras são as que mais matam no mundo.

A redução da violência urbana foi destaque nas eleições de 2018, demonstrando uma enorme preocupação da população com a segurança publica. Lembrando que essa era uma das principais promessas e bandeiras das campanhas de candidatos, como Bolsonaro, João Dória, Wilson Witzel. E com razão o povo, principalmente mais pobre tem clamado por justiça e segurança. Os princípios constitucionais, em especial a dignidade humana, têm sido violados e o brasileiro sofre no seu cotidiano.

Herança da ditadura

“Força auxiliar e reserva do Exército” a Polícia Militar foi criada em 1969 sob decreto-lei em pleno período de ditadura. Desde então e mesmo após a democratização do Brasil em 1988, esse braço violento do Estado continua atuando como há mais de 50 anos. Mesmo sendo hoje uma força à disposição do Estado, a submissão é ao Exército autoritário brasileiro. Surge uma antinomia, pois ao mesmo tempo em que polícia vem de polis, do grego, cidadão, cidadania,militar vem do latim miles, milícia. Entende-se inclusive porque a militarização vê no indivíduo civil um inimigo. O modo operante despreparado da polícia dá-se através do excesso de violência, truculência e arbitrariedades. A tortura, por exemplo, é uma prática cotidiana, comum e normal nas ações policiais na periferia adentro.

Com o projeto de lei de Moro haverá um aumento de forças paramilitares. Esse cenário aprofunda a impunidade policial e é a semente para o nascimento de milícias, que no atualmente é o grupo que mais oferece risco a segurança e vida do povo brasileiro, inclusive com comprovações já apresentadas pela investigação do envolvimento direto desse grupo de extermínio com o brutal assassinato da ex vereadora e militante Marielle Franco. 

            O Conselho de Direitos Humanos da ONU solicitou que o Brasil despendesse maiores esforços para combater a violência e projetar um fim à Polícia Militar, responsável por milhares de assassinatos. Tudo isso fica muito claro quando vemos policiais formarem grupos de extermínios e esquadrões da morte (criados no regime militar), carregados de  discurso de ódio, agindo de forma criminosa, truculenta e autoritária. É urgente e necessário por fim a militarização da polícia, e pensarmos um outro modelo de segurança pública para não mais vivermos o cotidiano da barbárie e da escravidão, pois os chicotes de ontem são as balas dos fuzis dos opressores de hoje!

Lucas J Barbosa, MLB – São Paulo

O racismo como ideologia de dominação e os 80 tiros em nós

O fuzilamento de Evaldo dos Santos, músico, num bairro periférico do Rio de Janeiro enquanto passeava com sua família na tarde de um domingo, representa o avanço do estado fascista que já não se importa em manter a aparência de um estado democrático de direito.

Ato na paulista em homenagem a Evaldo, músico assassinado pelo exército com 80 tiros. Foto: Jorge Ferreira

Com indignação o povo assistiu o presidente da república, 6 dias após o assassinato, vir à público se manifestar sobre o caso, limitando-se a defender a instituição que disparou 80 tiros e ceifou não só a vida de Evaldo, mas também de Luciano Macedo, catador de recicláveis,  que tentou ajudar a família a sair do veículo no momento da ação criminosa. Segundo o presidente: “O exército não matou ninguém!” Entretanto, é equivocado pensar que essa barbárie é consequência exclusiva da chegada da extrema direita ao Poder, muito menos apenas de resquícios da ditadura militar. Na verdade o estado policialesco nunca deixou de estar presente nas periferias do Brasil.

No mundo, o 1% da população mais rica tem mais riqueza que os outros 99% somados. Os 6 homens mais ricos do mundo tem mais posses do que a metade mais pobre, mais de 3,5 bilhões de pessoas. Esse abismo social é também a realidade do Brasil, que tem uma das maiores desigualdades do mundo. Neese contexto, ao povo negro é reservado apenas os piores postos de trabalho, os piores salários e os barracos das grandes favelas. A imensa maioria da população negra é extremamente pobre e vive sob todas as formas de vulnerabilidade.

O desemprego é enorme e o varejo do tráfico termina sendo um desses postos de trabalho reservados especialmente para a juventude negra das periferias. Mesmo cumprindo uma tarefa desse negócio que gera enormes lucros para a burguesia, que utiliza seus bancospra lavar esse dinheiro, e por estar na ponta, mais visível e sustentando fuzis nas mãos, os jovens negros são vítimas de um discurso de criminalização e de uma política repressiva e genocida que assassina 66 mil pessoas por ano no Brasil, um verdadeiro índice de guerra civil. 78% desses jovens são assassinados por conta da sua cor da pele, por serem negros.

É que cada tempo histórico tem suas perguntas sobre o passado, pois cada conjuntura produz uma história para justificar o seu presente.” É assim que Marielle Franco começa a demonstrar em sua tese de mestrado a importância de compreendermos nosso passado recente  e o processo de implementação do neoliberalismo que o Brasil passou nas últimas décadas. Apesar do estudo da vereadora assassinada se concentrar na política de segurança pública do estado do Rio de Janeiro através das Unidade de Polícia Pacificadora, traz também importantes esclarecimentos sobre as causas do genocídio de negros e negras no país todo.

É verdade que desde a formação do estado brasileiro há uma política de extermínio daqueles que foram escravizados,  e desde então diferentes  ideologias foram utilizadas para perpetuar o poder na mão de uma minoria enquanto o povo dispõe de uma vida miserável. Mas também é urgente compreender as engrenagens da fase atual do capitalismo para traçarmos estratégias para a sua destruição. Nesse sentido que Marielle desmascara o estado penal vigente nas periferias como estrutura central do neoliberalismo no Brasil.

Nessa fase da crise do capitalismo, onde a elite econômica tenta enfiar goela abaixo reformas para aumentar seus lucros, mesmo que às custas da retirada de direitos trabalhistas e sociais, é necessário uma escalada no estado penal para conter aqueles que se encontram “excluídos” dessa sociedade. É por isso que na medida que os governantes avançam na destruição de direitos sociais,  aumenta-se a repressão nas periferias, pois esses são os territórios tidos como inimigos do estado, que serve exclusivamente aos interesses da classe dominante.

A administração pública por sua vez, concentra  esforços em passar a impressão  que esse modelo de segurança pública, que invade casas, mata e tortura, se legitima em nome da proteção de toda sociedade. Essa é a tática da “guerra às drogas”, justificar o genocídio e o encarceramento em massa como necessário para manter a ordem.

Para tanto, o estado exerce papel crucial na manutenção do projeto de dominação. Se nos bairros ditos “nobres”, o estado se faz presente nas ruas bem asfaltadas, nos parques bem arborizados, e em todo conjunto de políticas que promovem o acesso à cidade, nas periferias esse mesmo estado se faz presente exclusivamente através das forças militares, seja pela polícia, pelo exército, ou mesmo por grupos milicianos.

Essa guerra aos pobres, transvestida de pacificação,  não se justifica apenas com o sadismo de uma elite branca, mas sim por interesses econômicos. O estado, representante da burguesia, não contente com as reformas neoliberais, também está comprometido com o lucro dos megatraficantes, dos milicianos, da indústria armamentista, da especulação imobiliária, etc.

Justamente por incomodar aqueles que lucram com o extermínio da população negra e escancarar a as engrenagens desse sistema que Marielle Franco foi brutalmente assassinada.

Um ano depois de sua morte, os 80 tiros disparados pelo exército no carro de Evaldo e sua família nos traz à tona a urgência de apontar as raízes desse projeto genocida. Trata-se do modus operandi de um estado neoliberal, que manteve as mesmas práticas inclusive nos governos ditos progressistas,  período em que o encarceramento mais do que dobrou. Se no Brasil o capitalismo é forjado no extermínio da população da periferia, que na sua maioria são negros e negras, o fim desse extermínio também depende da superação desse sistema perverso.

O RACISMO COMO IDEOLOGIA DE DOMINAÇÃO

Segundo Clóvis Moura, “o racismo não é uma conclusão tirada dos dados da ciência, de acordo com pesquisas de laboratório que comprovem a superioridade de um grupo étnico sobre outro. O racismo é uma ideologia deliberadamente montada para justificar a dominação de um grupo sobre outro. É, portanto, uuma ideologia de dominação.

Acontece que após a abolição da escravidão no Brasil, a elite do país determinada a manter seu projeto de domínio, costurou outras roupagens para sustentar o novo regime econômico. Nesse momento ganha destaque a  concepção eugênica que correspondia a uma política de embranquecimento da população e a uma teorização sobre características de personalidade inerentes às raças.

Dentre elas, se destaca o papel do direito penal na formação do imaginário popular do negro como figura naturalmente criminosa. Ainda no período da primeira república, o código penal tipificava como crime o que ficou conhecido como lei da vadiagem. Num contexto de séculos de escravidão, foi como prender as pessoas simplesmente por elas serem negras. Essa política foi aprimorada ao longos das décadas, mas sem nunca perder o viés ideológico de dominação sobre os corpos marginalizados.

A Liga de Higiene Mental, por exemplo, braço do nazismo e do arianismo no Brasil, se destacou como defensora “científica” dessa tese e defendia, entre outras bandeiras, salários eugênicos (quanto mais clara a cor da pele, maior deveria ser o salário), recompensa para famílias que procriassem seres “superiores”, punição para os “inferiores”.

O higienismo social presente na segregação territorial até os dias de hoje, é oriundo das políticas da burguesia desde a formação da nação brasileira. A verdade é que esse país foi constituído sob uma ideologia burguesa e racista, que nega ao povo sua própria história, como estratégia política para perpetuar uma estrutura excludente.

Sendo assim, torna-se uma ingenuidade combater o racismo apenas através do viés acadêmico ou estritamente científico, muito embora não possamos de maneira nenhuma, negar o combate também nesse terreno.  Mas a verdade é que a boa e velha luta de classes ainda é a forma mais eficiente de enfrentar o racismo no Brasil. Como afirma Clóvis Moura, “a questão racial é essencialmente política e não apenas científica.”

Para superarmos o sistema político existente, o capitalismo, será necessário travarmos as lutas pelos interesses imediatos da classe trabalhadora, composta na sua maioria por mulheres e negros. Mas isso não bastará. Será necessário, e esse é o nosso desafio, apresentar outro modelo de sociedade que seja capaz de substituir a engrenagem capitalista.

Um sistema político e social que dê conta de distribuir toda a riqueza socialmente produzida, pondo fim à propriedade privada dos meios de produção e a todas as desigualdades sociais existentes na atualidade. Esse sistema, essa sociedade, tem nome e chama-se Socialismo.

Jorge Ferreira e Queops Damasceno, São Paulo

Tentativa de golpe militar na Venezuela é patrocinado pelos EUA

População venezuelana vai às ruas e impede o golpe orquestrado pelos EUA

Uma tentativa de golpe militar foi realizada na Venezuela na manhã desta terça feira, 30/04, como o intento de derrubar o governo legítimo de Nícolas Maduro. Esta ação contou com o apoio incondicional dos EUA que propicia todo auxílio aos golpistas que são, na verdade, subservientes do imperialismo e realizam um discurso de apoio à “Liberdade” no país, mas com o intuito de fazer o roubo das riquezas nacionais.

Logo pela manhã Juan Guaidó, o promotor principal do golpe, realizou pronunciamentos anunciando a tomada de uma base militar localizada na região leste de Caracas, a Base Aérea La Carlota. Também propalava a obtenção de apoio militar das forças armadas, buscando causar um levantamento em outras bases militares.  Guaidó pronunciou-se ao lado de Leopoldo Lopez que estava preso desde 6 de agosto de 2017, cumprindo pena de quase 14 anos, por praticar atos violentos.  O “Autoproclamado” presidente, com apoio dos EUA, busca usurpar o poder sem possuir o voto democrático do povo, por meio de uma ação violenta contra a maioria dos venezuelanos.

No entanto, oficialmente, o presidente da Assembleia Nacional Constituinte Diosdado Cabello, desmentiu a tomada da Base Aérea e disse que apenas um reduzido grupo militar se sublevou para promover um golpe de Estado. “Não foi vulnerabilizada nenhuma instalação militar no país, eles estão nas ruas no Distribuidor Altamira e nós estamos dirigindo as operações desde a Base Aérea La Carlota”, afirmou.

Maduro também se pronunciou nas redes sociais afirmando que conta com o apoio e lealdade do comando do exército, que diz está comprometido com a constituição e a soberania nacional. Precisa no entanto estar mais preocupado com o apoio popular permanente nesse processo, visto que as ações da direita tentam alterar a correlação de forças também nas massas, mas ao que tudo indica sem sucesso até o presente momento.

Mike Pompeo, o secretário de Estado norte-americano, afirmou em um comunicado “hoje, o presidente [autoproclamado] interino Juan Guaidó anunciou o início da Operação Liberdade. O governo dos Estados Unidos apoia integralmente o povo da Venezuela em sua busca pela liberdade e pela democracia. A democracia não pode ser derrotada”. Destila assim seu apoio incondicional as ações militares para derrubar o governo e mostra disposição de intervir nos assuntos internos da Venezuela.

Ernesto Araújo, ministro de relações exteriores do Brasil, se reuniu em Washington, no dia 29, com Mike Pompeo e demonstrou uma total submissão ao governo dos EUA fazendo coro a politica norte-americana “O Brasil apoia o processo de transição democrática e espera que os militares venezuelanos sejam parte desse processo de transição democrática”, declarou. Logo Bolsonaro também se pronunciou no Twitter “O Brasil está ao lado do povo da Venezuela, do presidente Juan Guaidó e da liberdade dos venezuelanos”. É uma vergonha como copiam a linguagem da farsa americana sem o mínimo de pudor tratando a palavra “liberdade” como um mantra para encobrir a tentativa de um golpe militar absurdo.

As declarações conjuntas do Brasil com os EUA nesse processo devem ser repudiadas pelo povo brasileiro, pois não podemos ser bucha de canhão para o imperialismo. Os interesses do Brasil estão muito mais ligados a uma política de relações internacionais pacíficas, de integração latino americana baseada na colaboração entre os países iguais, na solidariedade e no internacionalismo proletário. O povo brasileiro sempre foi a favou da soberania das nações e o princípio da auto-determinação, onde cabe a cada povo decidir seus destinos.

Todo apoio ao povo venezuelano! Abaixo o imperialismo!

Wanderson Pinheiro, São Paulo

“A Unidade Popular veio para ficar”

A Unidade Popular (UP), partido político em formação, é fruto da iniciativa de centenas de ativistas dos movimentos populares, militantes comunistas, estudantes e professores e da necessidade de construir uma alternativa de esquerda revolucionária ao atual cenário nacional.  Após um ano e meio de muito trabalho, a campanha pela legalização da UP entra em sua reta final. Para falar sobre as novas tarefas da militância, A Verdade entrevistou Leonardo Péricles e Fernanda Lopes, membros da Direção Nacional da UP, que afirmam que para o país sair desta crise, precisa passar por uma profunda transformação econômica e social que dê vida digna para o nosso povo, e, por isso “a UP luta pelo poder popular e pelo socialismo”.

Da Redação

 

A Verdade – Por que a UP foi criada?

Leonardo Péricles – Houve, nos últimos anos, um verdadeiro esgotamento dos atuais partidos ditos de esquerda. Alguns foram cooptados, tomando o caminho de aliança com as grandes empresas, bancos e empreiteiras. Outros, tentando fazer frente a esta traição, não conseguiram dialogar com a classe trabalhadora. De tão estreitos que são, não conseguem se apresentar como alternativa. O resultado é que, hoje, poucos empunham a bandeira de luta por mudanças estruturais, ou seja, a luta revolucionária contra o capitalismo, que passa pela mobilização de amplos setores populares, de milhões e milhões de trabalhadores, mulheres e homens, negras e negros, LGBTs, jovens, indígenas, comunidades tradicionais, enfim, a luta da imensa maioria do povo brasileiro.

Esta é uma luta por quebrar os enormes privilégios dos super-ricos, da burguesia brasileira. É, portanto, uma luta muito dura e nós, da UP, não consideramos que ela possa ser feita por um iluminado ou de forma isolada, mas sim no campo da luta de massas, na vida política partidária, dos movimentos, e lideranças que se reúnem em torno das ideias populares. Daí o próprio nome Unidade Popular. Acreditamos que, a partir de um chamado decidido e pautado na força do movimento popular, se incorporarão a este projeto milhões de lutadoras e lutadores. Foi para fazer este chamado que nasceu a UP.

 

Como vocês veem a atual situação do País? Qual a saída para a crise do Brasil?

Fernanda Lopes – O Brasil vive uma grave crise econômica e política que se agrava a cada dia, com vários retrocessos democráticos, perdas de direitos e uma calamidade social. O desemprego já atinge cerca de 24 milhões de pessoas. Hospitais, postos de saúde, escolas e universidades estão abandonados. A violência aumenta e o povo teme por sua vida todos os dias, especialmente as mulheres. O ilegítimo governo de Michel Temer, que só tem olhos para as classes ricas, aprovou a chamada “PEC dos Gastos”, congelando por 20 anos os investimentos públicos em saúde, educação e moradia. Aprovou, em agosto de 2017, a Reforma Trabalhista, que retirou direitos históricos dos trabalhadores conquistados em décadas de luta, e ainda quer aprovar a Reforma da Previdência para que trabalhadores e trabalhadoras não se aposentem mais. Para sair desta crise, o País precisa passar por profundas mudanças. Somente uma profunda transformação econômica e social que dê vida digna para o nosso povo, emprego, saúde e educação de qualidade, moradia, transporte e terra para os camponeses resolverá os problemas atuais vividos pelo povo. Por isso a UP luta pelo poder popular e pelo socialismo.

Leonardo Péricles – Devemos lembrar também que vivemos uma das mais profundas crises econômicas da história do capitalismo, desde 2008, e que se manifestou com mais força no Brasil a partir de 2013. A solução para esta crise é pôr fim a um sistema que protege uma minoria de ricos. E o programa para isso já é conhecido: taxar as grandes fortunas; impedir a especulação imobiliária e garantir a função social do solo; suspender o pagamento da dívida pública, que nos suga quase metade do orçamento federal; exigir o pagamento dos devedores da dívida ativa dos municípios e estados; impedir a sonegação de impostos pelas grandes empresas, inclusive dos devedores da Previdência; reduzir a jornada de trabalho sem redução do salário para gerar mais empregos. Desta forma, bilhões de reais serão arrecadados e serão suficientes para resolver os graves problemas sociais que nosso país vive. Mas, ao lado de todas estas lutas, não devemos deixar de disputar a maioria da população para um projeto ainda mais profundo de transformações sociais, que é a derrubada do capitalismo e a implantação do socialismo, em que os meios de produção das riquezas estejam nas mãos da classe trabalhadora e possam servir para a vida, e não para o lucro.

Nenhum dos atuais partidos defende essas propostas?

Fernanda – A maioria dos atuais partidos está pautada pela institucionalidade, por um respeito sagrado aos limites impostos pela burguesia, ao invés de se pautar pela necessidade de superação do capitalismo. E isso exige muito enfrentamento, rupturas, uma verdadeira revolução política. Um dos papéis que a UP se propõe a fazer é demonstrar que os partidos dos ricos enganam o povo a todo momento. Procuramos demonstrar pelo discurso e pela prática que nem todos os que fazem política são iguais, que há uma política corrupta e burguesa, mas que existem também políticos revolucionários e uma política proletária. Não se trata de moralismo, mas sim de colocar as coisas no seu devido lugar.

Por que o socialismo é superior ao capitalismo?

Leonardo – Em um país riquíssimo como o Brasil, o socialismo daria condições para todas as pessoas se apropriarem dos bens e serviços de que necessitem para viver. Já debaixo do capitalismo, somos um país subdesenvolvido, com uma economia comandada pelos EUA e com uma desigualdade social que aumenta a cada ano. Hoje a realidade é que as cinco pessoas mais ricas do País detêm a mesma riqueza da metade mais pobre da população. O socialismo também permite que a tecnologia desenvolvida seja aplicada para melhorar a vida do conjunto da população, e não para aumentar os lucros dos capitalistas. Só o socialismo garante acesso universal à educação, saúde, moradia, segurança, lazer. Isto já foi provado por décadas na União Soviética e em outras experiências socialistas. Uma nova onda de grandes transformações sociais virá neste século 21, pois são insustentáveis as contradições do capitalismo. Só no ano passado, por exemplo, 82% da riqueza produzida no mundo foi apropriada por apenas 1% das pessoas! A maioria dos trabalhadores ainda não tem a consciência de que este mundo novo de felicidade é possível, mas o socialismo está no sonho de todo trabalhador e trabalhadora consciente. Ao socialismo interessa socializar a riqueza das grandes propriedades, aquela que pode resolver o problema da moradia nas grandes cidades, pois no capitalismo há mais casas e prédios abandonados do que gente sem habitação. Já as grandes fábricas e empresas, as grandes extensões de terra, estarão à disposição do Estado, dirigido pela classe trabalhadora para que esta decida a prioridade e a função social de cada coisa.

Como veem as declarações de membros do Alto Comando do Exército defendendo um golpe militar?

Fernanda – Nessa conjuntura em que a luta de classes se encontra bastante acirrada, vemos manifestações das diferentes classes sociais e agrupamentos sobre as possíveis saídas para a crise. Dentro da falta de perspectivas de parte da população, setores do alto comando do Exército a serviço do setor mais reacionário da burguesia, dos fascistas, tentam também se apresentar como alternativa. Lembremos que todo este espaço para que generais possam se pronunciar sobre golpes de Estado, contrariando a própria Constituição sem sofrerem nenhuma punição, é algo muito grave e que não podemos aceitar. É preciso levar a cabo as recomendações da Comissão Nacional da Verdade para que se punam os torturadores e assassinos da época da ditadura militar. Como disse a grande companheira Amelinha Teles, em entrevista publicada na última edição do Jornal A Verdade: “Não há democracia com corpos insepultos”. Sabemos que a impunidade do passado leva à impunidade do presente, pois hoje milhares de jovens negros e pobres continuam sendo torturados e mortos nas periferias de todo o Brasil nas mãos de agentes estatais, principalmente das polícias militares.

Qual o balanço da campanha pela legalização da UP?

Leonardo – Estamos há 15 meses colocando em prática um ousado plano de legalização de um partido político revolucionário que almeja o poder. Para coletarmos as 600 mil assinaturas que conquistamos neste período, fomos a praças, bairros, vilas, favelas, ruas, empresas, fábricas, escolas, universidades e seguramente falamos para mais de dois milhões de pessoas que foram abordadas ou que escutaram nossas agitações. Nosso discurso, aliás, não é só para pedir uma assinatura, mas para politizar, para denunciar os crimes das elites contra o povo e convocá-lo para a luta.

Neste último período, conseguimos perceber como poucos o sentimento de nosso povo, seu desejo por mudanças no Brasil e, neste sentido, tivemos ainda mais certeza de que nossa decisão de criar a UP foi acertada. E fizemos isso sem depender de um centavo da Odebrecht ou de qualquer outra grande empresa, banco etc. Sem depender também de nenhum figurão da política tradicional burguesa, dependendo apenas de nossa militância e de apoiadoras e apoiadores que têm os mesmos propósitos que nós.

Chegamos agora a um momento decisivo, pois temos pouco mais de seis meses para cumprir nosso objetivo, já que a legislação impõe um prazo máximo de dois anos. Apesar de enfrentarmos regras extremamente antidemocráticas para a legalização de novos partidos, durante este período, que estamos chamando de período especial, nossa militância decidiu se dedicar integralmente à realização desta grandiosa tarefa. Chegaremos até o final de maio com pelo menos 800 mil assinaturas coletadas no total e já demos passos importantes no cadastramento das fichas de apoio no sistema online do TSE e nos cartórios eleitorais. Em três estados a UP já alcançou o número mínimo de apoiamentos exigido e já podemos constituir seus diretórios estaduais provisórios. Estamos trabalhando para que nos próximos meses cheguemos a pelo menos nove diretórios estaduais legalizados, que é outra exigência. Além disso, temos recebido adesões de muitos ex-militantes de outros partidos e organizações políticas, e até de grupos políticos que não se sentiam mais representados pelos demais partidos existentes.

O que falta para a UP conquistar a legalização?

Fernanda – Tudo o que fizemos até aqui, apesar de muito importante, não basta, pois precisamos validar 487 mil assinaturas nos cartórios eleitorais de todo o Brasil. Neste sentido, entramos no sistema do TSE com cerca de 150 mil fichas nestes últimos meses e nossa campanha continua até a legalização. Para termos êxito, estamos fazendo também uma campanha de arrecadação de finanças, pedindo contribuição às pessoas que acreditam em nossa causa para que possamos ter um caixa que permita arcarmos com os gastos desta reta final. Precisamos da ajuda de todas e todos para que possamos concluir esta campanha de dois anos. Estamos muito confiantes de que venceremos!

EUA e Israel atacam Irã e iniciam nova guerra imperialista no Oriente Médio

Cerca de 15 cidades iranianas foram bombardeadas por forças militares imperialistas dos EUA e Israel. Centenas de pessoas foram assassinadas, incluindo dezenas de crianças numa escola primária feminina e o líder do país,  o aiatolá Ali Khamenei. Irã é o terceiro país atacado pelos Estados Unidos apenas em 2026.

Redação


INTERNACIONAL – Em mais uma agressão militar não provocada, a aliança entre Estados Unidos e Israel iniciou, neste sábado (28/02), uma guerra contra o povo iraniano. Cerca de 15 cidades e regiões do país foram atacadas. Um dos principais ataques das forças imperialistas foi contra uma escola infantil para meninas, que deixou, até agora, ao menos 85 pessoas mortas, a maioria de crianças. No total, já são mais de 200 mortes, incluindo o líder do país, o aiatolá Ali Khamenei e alguns generais das forças armadas iranianas.

O Irã é o terceiro país atacado só neste ano pelos EUA. No dia 3 de janeiro, militares estadunidenses invadiram a Venezuela, assassinaram mais de 100 pessoas e sequestraram o presidente Nicolás Maduro e a primeira-dama Cilia Flores. Neste ataque, o ditador Donald Trump demonstrou que os planos imperialistas dos EUA estão em plena fase de execução na América Latina e em todo o mundo.

Desde então, os imperialistas têm apertado o cerco econômico contra Cuba e tentaram mais uma infiltração militar nesta semana, utilizando barcos “civis” para colocar agentes terroristas estadunidenses dentro do território cubano.

Fumaça subindo da sede da 5ª Frota dos EUA sediada em Manama, no Bahrein. Foto: ATS

Resposta do Irã

Em resposta à agressão estadunidense e sionista, militares iranianos atacaram bases dos EUA nos Emirados Árabes Unidos, Barhein, Catar, Kwait, Arábia Saudita, Iraque e Jordânia, além de alvos militares dentro de Israel. O país sionista conta com apoio da Força Aérea Real britânica para sua defesa, confirmou o primeiro-ministro do Reino Unido Keir Starmer.

Mesmo depois de 30 anos de sanções econômicas, os iranianos continuam demonstrando capacidade de causar danos importantes às forças imperialistas no Oriente Médio.

Entre as bases atacadas, está a sede da 5ª Frota Naval dos EUA, sediada na capital do Bahrein, Manama. Há relatos de militares iranianos, divulgados pela imprensa russa e do próprio Irã, de pesadas baixas também no lado estadunidense e ao menos um navio militar logístico dos EUA atingido próximo ao Estreito de Ormuz, que foi fechado pelas forças armadas iranianas. Pelo estreito passa cerca de 20% de todo o petróleo comercializado no mercado mundial.

Desde as primeiras horas do dia, os governos dos fascistas Donald Trump e Benjamin Netanyahu deixaram claro que o objetivo é derrubar o governo teocrático iraniano e colocar no lugar um governo fantoche liderado por Reza Pahlavi, descendente do último Xá (imperador) do Irã deposto pela Revolução Islâmica em 1979.

Trump quer impor guerra mundial aos povos do mundo

Neste último dia 24 de fevereiro, Donald Trump compareceu ao Congresso dos EUA para proferir seu discurso anual. Entre os temas de política externa, deu atenção especial ao Irã, aumentando o tom das ameaças contra o país islâmico. “Jamais permitirei que o principal patrocinador do terrorismo no mundo tenha uma arma nuclear”, disse o presidente estadunidense.

Durante quase duas horas de discurso, Trump usou dados falsos e informações soltas para tentar justificar as debilidades da economia dos EUA e, da mesma forma, acusou o Irã de desenvolver a bomba atômica.

A verdade, porém, é que o único país na História a usar uma bomba atômica foram os próprios Estados Unidos, em 1945, contra a população indefesa do Japão, quando a 2ª Guerra Mundial já estava definida.

Em junho de 2025, o Estado neonazista de Israel – com todo apoio dos EUA – bombardeou o Irã em meio ao genocídio do povo palestino. Foi uma tentativa de derrubar o governo iraniano e, ao mesmo tempo, desviar os olhares do mundo para o extermínio da população da Faixa de Gaza.

Ou seja, se a sanha de lucros e de poder dos capitalistas estadunidenses não para de crescer, a necessidade de organização da classe trabalhadora, em nível mundial, também deve caminhar a passos acelerados.

Só uma ampla mobilização popular pode deter os planos do imperialismo de submeter os povos do mundo aos interesses mesquinhos de meia dúzia de magnatas do petróleo, dos bancos, da indústria armamentista e das chamadas Big Techs.

Sionistas intensificam ataques a militantes da causa palestina

No Brasil e no mundo, militantes palestinos tem sofrido perseguições e ataques por parte de sionistas. É o caso de Rawa lsagheer, apoiadora do Jornal A Verdade e principal alvo das perseguições feitas por defensores do genocídio executado na faixa gaza.

Redação SP


Internacional – O cessar-fogo conquistado pelos palestinos após mais de dois anos de genocídio não eliminou os ataques dos sionistas contra esse povo. Enquanto o Estado de Israel intensificou o bombardeio na faixa de Gaza e no Líbano nos últimos dias, refugiados e militantes palestinos estão sendo perseguidos em diversas partes do mundo por defender sua terra.

No dia 07 de fevereiro, o coordenador europeu da Samidoun (Rede de Solidariedade aos Prisioneiros Palestinos) Mohammed Khatib foi detido e teve sua deportação definida pelo governo da Grécia sob a alegação de ameaça à “segurança nacional”.

No Brasil, o professor sionista Mauro Rosa (UFRJ) publicou uma série de vídeos repletos de informações falsas e incorretas acusando mulheres muçulmanas e movimentos palestinos de realizarem “turismo de parto” no Brasil e em outras partes do mundo.

O autor acusa as mulheres muçulmanas de gerarem filhos para serem educados por extremistas e se tornarem futuros terroristas do Estado Islâmico. Outras acusações que beiram a insanidade envolvem o Irã e falam de uma invasão muçulmana no Brasil.

Ambas alegações são termos sem significado que servem para confundir as pessoas e promover o ódio e preconceitos como xenofobia, islamofobia e racismo. Os comentários dos vídeos do professor Mauro Rosa – que já foi candidato pelo PMN e é assessor de um parlamentar do PL – demonstram o resultado dessa lógica irracional.

“Misericórdia senhor nos livra dessa cultura do mal”,“Já tenho visto mulheres aqui em Niterói RJ de cabeça coberta com lenços do tipo mulsumanos (sic). Acho que aos poucos estão entrando e infiltrando as culturas deles no Brasil. Tenho preocupação com isso sim”. Esses são alguns dos comentários publicados nas redes digitais por pessoas que citam Olavo de Carvalho e um suposto “islamocomunismo” para desumanizar os árabes e mulçumanos – principalmente as mulheres – e tentar justificar a perseguição contra quem luta pela libertação da Palestina e dos presos políticos mantidos nas prisões de Israel.

Enquanto isso, os verdadeiros terroristas são os soldados sionistas que assassinam crianças e bebês palestinos, que destroem casas, hospitais e universidades em Gaza e na Cisjordânia, além de atacar países como Síria, Líbano e Irã. Quando terminam esses serviços, viajam o mundo promovendo casos de xenofobia e racismo.

Já o professor, enquanto recebe salário pago pelos brasileiros, espalha mentiras sobre uma guerra cultural (em que ele defende o conservadorismo) e promove o ódio a um povo que sofre uma das maiores tentativas de extermínio dos últimos anos.

O acusador é um defensor de genocidas e terroristas, pois faz campanha pela libertação de criminosos como Bolsonaro e defende o carniceiro de Gaza, Benjamin Netanyahu. Não podemos aceitar que a universidade pública continue empregando quem promove mentiras e discursos de ódio.

Solidariedade com Rawa Alsagheer e o povo palestino

O autor dos vídeos escolhe alguns alvos específicos para além do povo palestino, tentando criminalizar essas pessoas e organizações e colocando-as em risco. Entre elas estão a Frente Palestina São Paulo, o Movimento do Caminho Revolucionário Alternativo Palestino (Masar Badil) e o bar e espaço cultural palestino Al Janiah, além de militantes como a jornalista palestina Soraya Misleh. Mas o principal alvo é Rawa Alsagheer, com exposição de fotos suas enquanto profere acusações falsas.

Rawa é refugiada palestina de origem síria e coordenadora da Rede Samidoun, uma das principais ativistas da luta palestina no Brasil. Pela luta que faz em defesa do seu povo, ela é consistentemente perseguida por grupos da extrema-direita. Essa perseguição provocou a sua demissão do Museu da Imigração e uma intimação pela Polícia Federal, além de diversas ameaças à sua vida

“A libertação da Palestina é a libertação de cada um de nós e a derrota do sionismo significa derrotar o capitalismo e o imperialismo”, afirmou Rawa para o Jornal A Verdade.

Além de contribuir com o Jornal A Verdade, Rawa esteve presente em nossa festa de 25 anos, em diversas manifestações e na organização e realização da Vigília de 24 horas pela Palestina 

Nos solidarizamos com Rawa Alsagheer e reafirmamos nosso compromisso com a luta pelo fim do genocídio e pela libertação da Palestina!

Greve na Educação de BH: Basta de humilhação e salários de fome!

A greve na educação protagonizada pelos trabalhadores terceirizados não é apenas uma paralisação por reajuste salarial; é um grito de socorro e de revolta contra a humilhação diária imposta pelo prefeito Álvaro Damião, pela secretária Natália Araújo e pela direção da MGS. São milhares de pais e mães de família, auxiliares de apoio à inclusão, faxineiras, cantineiras e porteiros, tratados como moeda de troca em um jogo de poder que ignora a fome de quem faz as escolas de Belo Horizonte funcionarem. A gestão da prefeitura decreta o arrocho salarial enquanto entrega a cidade aos ricos.

Reinilson Câmara – Belo Horizonte – MG



Belo Horizonte –
Para entendermos o que se passa nas escolas municipais, precisamos olhar a conjuntura nacional. O Brasil vive sob a cartilha do neoliberalismo, que visa apenas encher os bolsos da burguesia com o suor do povo pobre. A terceirização é a principal arma dos patrões para dividir a nossa classe e rebaixar salários. E não nos enganemos: a luta dos terceirizados é a luta de toda a comunidade escolar.

A exploração que adoece e separa famílias

As mães e pais de alunos precisam enxergar quem está dentro da escola: a faxineira e a cantineira que cuidam dos seus filhos também são mães de família! Só que a exploração dos patrões rouba dessas trabalhadoras o direito de cuidar das suas próprias crianças. Elas passam o dia garantindo a educação do filho dos outros, mas chegam em casa esgotadas e com um salário de fome. A exploração que os pais sofrem lá fora é a mesma que massacra essas companheiras lá dentro. A nossa classe é uma só!

Essa realidade opressora não é uma teoria; ela tem rosto, nome e calos nas mãos. Ela se expressa na voz do companheiro Hugo, trabalhador da faxina, que denuncia o peso de uma rotina esmagadora em troca de migalhas.

“Esse trabalho nosso é bem difícil, porque nós limpa (sic) a escola, carrega (sic) lixo, leva quatro andares para baixo… É um trabalho muito pesado que a gente faz, mas só que pouco valorizado. A gente trabalha muito e ganha pouco. É só R$1.100… Tem gente que paga aluguel, compra uma verdura, compra uma carne, já vai tudo pra lá.”

Como um trabalhador pode sobreviver com R$1.100 reais hoje? É a prova de que, no capitalismo, quem produz a riqueza e mantém a engrenagem girando vive na miséria, enquanto os engravatados lucram. Sem a faxina, não há escola. Sem a escola, a sociedade para. Mas o sistema insiste em tratar esses trabalhadores como descartáveis.

A crueldade se estende ao cuidado com nossas crianças, escancarada no relato da companheira Amanda, apoio à inclusão. Ela desmascara a farsa do “somos todos uma família” e mostra como a desigualdade salarial adoece a classe.

“A gente passa 10 horas dentro das escolas. Não tem tempo pra família, o tempo que sobra é pra descansar… Faxina recebe R$1.100, nós auxiliares, vergonhosos R $1.600… Nós somos máquinas, e para a prefeitura somos apenas números. A gente só serve pra trabalhar e pra poder trabalhar mais.”

A fala de Amanda atinge o coração da exploração: o trabalhador é visto apenas como uma máquina. As trabalhadoras da inclusão dedicam suas vidas para cuidar de crianças com deficiência, assumindo uma responsabilidade imensa técnica e emocional, para no fim do mês terem que escolher qual conta vão pagar. Elas abdicam de suas famílias para cuidar das famílias da classe trabalhadora, e recebem em troca o descaso.

Insegurança e o terrorismo dos patrões

E no meio desse fogo cruzado, a insegurança arranca a paz de espírito. A companheira Tamires, também da faxina, expõe o terrorismo psicológico da instabilidade contratual e das manobras sujas dos patrões.

“Alteraram a minha carteira digital de trabalho sem autorização minha para serviços gerais 2. Pode me mandar para qualquer outro lugar sem minha autorização… O contrato vence dia 28 e tá todo mundo sem saber se tem emprego. Teve um colega que foi jogado pra penitenciária… Sou mãe solo, pago aluguel, preciso de um salário melhor. Nós não temos vozes, eles abusam muito disso, não tem respeito com a gente.”

É fundamental fazermos aqui uma denúncia firme: a MGS, mesmo sendo uma empresa pública do Estado, adota práticas coronelistas, assediadoras e de profundo desrespeito com seus funcionários, funcionando como uma ferramenta de precarização. O tratamento dado aos trabalhadores é péssimo. No entanto, não podemos cair na armadilha da Prefeitura. A solução da SMED de repassar esses contratos para Organizações da Sociedade Civil (OSCs) e empresas privadas de terceirização é jogar o trabalhador da frigideira direto para o fogo.

Se a MGS é ruim, as empresas privadas são ainda piores. O único objetivo da iniciativa privada é o lucro absoluto. Para lucrar mais, essas empresas enxugam o quadro de funcionários, atrasam salários, dão calote nos direitos trabalhistas e fecham as portas de um dia para o outro, deixando milhares na rua da amargura. A terceirização privada é a escravidão moderna institucionalizada. O que a Prefeitura e o Governo do Estado fazem é jogar o povo contra o povo, usando o atendimento às crianças e os empregos dos trabalhadores como peças de xadrez em suas disputas políticas eleitoreiras.

 

A saída é a luta e a organização da classe trabalhadora

A greve é o instrumento legítimo de defesa da nossa classe. Como disse a companheira Amanda: “fazer greve não é ficar em casa esperando, é estar aqui mostrando a nossa força”. É parar a produção e mostrar quem realmente constrói esta cidade.

Mas precisamos dar um passo além. A luta sindical por reajuste, por melhores condições e contra os descontos covardes é essencial hoje, mas amanhã o sistema capitalista continuará a nos oprimir se não houver organização revolucionária. Por isso, chamamos cada trabalhador e cada pai e mãe de aluno a fortalecer a greve, a se organizar no movimento luta de classes (MLC) e a construir as fileiras daqueles que não lutam apenas para melhorar as correntes que nos prendem, mas para quebrá-las definitivamente. Precisamos apoiar e difundir o jornal a verdade, que é a voz do povo oprimido, o megafone de denúncias que a grande mídia esconde.

A nossa união é a única força capaz de frear os ataques de hoje e construir o amanhã. O fim da exploração do homem pelo homem, o fim das humilhações e da miséria só virá com a construção de uma sociedade socialista, onde a riqueza produzida pelos trabalhadores seja controlada por eles próprios, garantindo educação, moradia, saúde e vida digna para todos.

Tempos Modernos: filme completa 90 anos de seu lançamento

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Lançado em 25 de fevereiro de 1936, o filme mais importante da carreira de Charlie Chaplin permanece atual, além de ter trazido em sua época uma profunda crítica à exploração capitalista e suas crises, cada vez mais violentas.  

 Clóvis Maia – Redação Pernambuco 


CULTURA- Em tempos de escala 6X1, baixos salários, exploração e precarização da mão de obra e o uso da tecnologia para extrair mais lucro do trabalhador ao invés de ajudá-lo, Tempos Modernos, lançado há exatos 90 anos, parece um retrato dos dias atuais. Feito em uma época em que o cinema mudo era visto como ultrapassado, Chaplin usou de toda sua experiência para criar uma obra que dialogasse com a situação social de seu tempo, o que veio a se tornar um clássico do cinema mundial.

A história nos apresenta o seu personagem Carlitos, como ficou conhecido no Brasil, tendo que se tornar um operário, adoecendo diante da exploração, sendo demitido, fazendo greve, procurando emprego, como uma espécie de representação do que o povo americano estava sofrendo. Problemas como a falta de moradia, fome, violência policial, drogas, em uma época em que o capitalismo atravessava a sua maior crise até então, a chamada Grande Depressão, que teve seu estopim com a queda da bolsa de valores de nova York em outubro de 1929.

Muito popular em todo o mundo e com uma carreira já consolidada, Tempos Modernos deixou de ser um retrato de uma época, para se tornar uma espécie de radiografia de um sistema decadente.

Não pare para o almoço, fique à frente da concorrência”

Essa é uma das frases emblemáticas que representam o filme, em um momento em que uma empresa apresenta ao patrão uma máquina que obriga o trabalhador a comer enquanto realiza seu trabalho. Outra cena clássica é a do Carlito adoecendo ao tornar-se um apertador de parafuso, mas o longa é totalmente marcado pela denúncia, desde o adoecimento causado por uma rotina exaustiva, passando pelo patrão, que enquanto lê seu jornal e monta um quebra cabeça em sua confortável sala, vigia seus empregados com mão de ferro e manda aumentar ainda mais a exploração.

Chaplin não fez apenas uma crítica ao modo de como as máquinas iriam substituir o trabalho humano um dia. Ao contrário, a proposta de Tempos Modernos é mostrar que o capitalismo só visa o lucro acima da vida, por isso a introdução já mostra um grande relógio apontando para esse controle do tempo – e da vida- da sociedade, que segue ‘tocada’ como um rebanho de ovelhas para o matadouro, ou a opulência das elites, em contraste com a fome assolando os mais pobres nas ruas. As imagens representadas são tão atuais, tão universais que, assistindo o filme 90 anos depois, que é quase inevitável não relacionar o filme com as imagens mais recentes de um EUA, considerado o coração do capitalismo, mergulhado na miséria e na pobreza, tendo à frente do Estado um fascista que ameaça o mundo com uma nova guerra mundial.

A linguagem artística à serviço da sociedade 

Chaplin era crítico do cinema falado. Para ele, o uso da mímica, do humor corporal e da música ajudavam a tornar o cinema como uma linguagem democrática, popular e universal. As mensagens nos filmes de Chaplin, aliás, não deixavam dúvida: era um cinema popular e com um recorte de classe, mesmo o ator nunca tendo sido um militante de esquerda ou organizado. Os atuais sucessos de obras como Ainda Estou Aqui, O Agente Secreto, Pecadores, Argentina 1985 e Parasita mostram o quanto é possível se fazer uma arte cinematográfica dialogando com os grandes temas da sociedade, sem se render ao que é feito hoje na indústria de Hollywood.

“Animem-se. Nós vamos conseguir!”

Esse foi o último filme em que o personagem Carlito aparece. Na cena final, ao som de Smile, música composta por Chaplin para o filme, a mensagem deixada é de esperança e fé no futuro, reforçando que as coisas podem ser transformadas. Chaplin, aliás, foi duramente perseguido pela sua arte mais popular e crítica. Critico dos EUA por se recusarem a fazer uma frente ampla contra o nazifascismo junto aos soviéticos, foi exilado em 1952 pelo Macarthismo, mesmo tendo morado 40 anos na América e ajudado a erguer o cinema por lá.

Hoje, mais de 100 anos de seu primeiro filme (Carlitos Repórter, de fevereiro de 1914) as obras de Chaplin continuam sendo vistas por todo o mundo, atingindo todas as faixas etárias, idiomas e sendo uma fonte de formação e inspiração para lutar, sobretudo para enfrentar o dia a dia desse sistema tão perverso. Ainda hoje seus filmes são reproduzidos em cines debates em ocupações, escolas e universidades, e Tempos Modernos mostra como a arte é uma ferramenta ainda muito atual contra a alienação e todo o embrutecimento promovido por um sistema que não consegue nos entregar nada mais do que crise e violência e que está em franca decadência.

O desmonte do Bora de Graça em Caucaia (CE)

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Prefeitura da cidade de Caucaia (CE) quer acabar com o “Bora de Graça”, programa de passe-livre universal na cidade. Primeiro sucatearam o programa e agora querem acabar completamente com esse avanço na garantia de um direito básico: se locomover pela cidade.

João Victor | Caucaia CE


A história do transporte no Brasil é uma história de roubo contra o povo. No sistema em
que vivemos, onde o lucro vale mais que a vida, o direito de circular pela cidade virou uma mercadoria. Os donos de empresas de ônibus, em parceria com governos que trabalham para os ricos, sugam o salário dos trabalhadores para oferecer um serviço péssimo, ônibus lotados e demorados. Em Caucaia, o Programa Bora de Graça, lançado em 2021, foi uma vitória que mostrou que é possível ter transporte sem cobrar passagem. Mas agora, a prefeitura e os empresários se uniram para destruir essa conquista.

Como nós, comunistas, sempre avisamos: o que os ricos dão com uma mão, eles tentam tirar com a outra assim que podem. O novo prefeito, Naumi Amorim (PSD), junto com a Empresa Vitória, começou um plano para acabar aos poucos com o Bora de Graça. A Unidade Popular pelo Socialismo (UP) está na linha de frente para impedir esse retrocesso e garantir que o povo não volte a ser refém da catraca.

Como o programa começou

Para entender o que está acontecendo agora, precisamos lembrar como tudo começou
em setembro de 2021. O programa não surgiu por bondade da prefeitura de Vitor Valim, mas porque a economia da cidade estava parando. Com a pandemia e o desemprego, o povo não tinha dinheiro nem para procurar emprego. Antes do programa, só 18 mil pessoas conseguiam usar o ônibus por dia.

Quando a passagem ficou gratuita, o dinheiro que o trabalhador deixava na catraca
passou a ser usado para comprar comida e remédios no comércio da própria cidade. O resultado foi imediato: o número de passageiros subiu para 90 mil por dia. Caucaia virou exemplo para o Brasil inteiro, mostrando que o transporte gratuito melhora a vida de todo mundo e ajuda até o pequeno comércio.

Fonte: Prefeitura de Caucaia (2024)

O programa não virou lei

O grande erro da gestão anterior foi ter feito o programa apenas por um papel assinado pelo prefeito (um decreto), sem transformar o Bora de Graça em uma lei permanente e aprovada pelos vereadores. Isso deixou o programa frágil. No capitalismo, o que um prefeito assina hoje, o outro pode rasgar amanhã.

Além disso, a prefeitura continuou pagando uma empresa particular, a Empresa Vitória, para operar o serviço. Em vez de criar uma empresa pública de transporte, o governo ficou dependente dos lucros de um empresário. Quando a prefeitura começou a atrasar os pagamentos, os donos dos ônibus começaram a fazer chantagem contra o povo.

A chantagem da Empresa Vitória e os cortes em 2025

Em dezembro de 2024, a Empresa Vitória mostrou sua verdadeira face: anunciou que ia
voltar a cobrar R$ 3,50 de passagem se não recebesse o dinheiro da prefeitura. Isso é o que chamamos de “Máfia do Transporte”. Se o lucro do patrão diminui um pouco, a primeira coisa que ele faz é punir quem trabalha.

Depois que o novo prefeito Naumi Amorim assumiu, o ataque ficou ainda pior. Em janeiro de 2025, a prefeitura fez um acordo com a empresa e com o Ministério Público para reduzir o dinheiro do transporte. O resultado? Retiraram 16 ônibus da frota, que caiu de 70 para apenas 54 veículos.

Menos ônibus nas ruas significa mais tempo de espera no sol, ônibus ainda mais lotados e trabalhadores chegando atrasados. Para completar o ataque, mudaram o nome do programa para “Passe Livre”, tentando apagar a força do nome “Bora de Graça” e preparando o terreno para colocar regras que vão dificultar a vida do povo.

Por que eles querem acabar com o transporte gratuito?

O dono da empresa de ônibus quer arrancar o máximo possível do recurso público e ainda tentar arrancar mais dinheiro por meio das passagens. A “Máfia do Transporte” no Ceará, liderada por empresas como a Vitória, não quer que o povo se acostume com direitos. Eles querem que o transporte seja ruim e caro para que o governo continue dando dinheiro público para eles sem nenhum controle.

A única solução real é a estatização: o transporte tem que ser do Estado, sem empresas privadas no meio, e controlado pelo próprio povo. Só assim a frota não será reduzida quando o prefeito quiser “economizar” em cima do lombo do trabalhador.

A Unidade Popular na linha de frente da resistência

Enquanto os políticos faziam acordos nas salas com ar-condicionado, a Unidade Popular
(UP) foi para as ruas. No dia 23 de outubro de 2025, a militância da UP e outros movimentos sociais realizaram um grande protesto em frente à prefeitura. Os moradores de Caucaia deixaram claro que não iam aceitar o fim do programa.

A prefeitura de Naumi Amorim respondeu com truculência, usando a guarda municipal para barrar o povo. Mas a luta não parou. Os militantes da UP estão todos os dias nos ônibus e terminais, vendendo o Jornal A Verdade e conversando com os passageiros sobre a necessidade de se organizar contra os cortes. A luta em Caucaia se soma à vitória dos estudantes de Juazeiro do Norte, que conquistaram o passe livre com muita mobilização, e aos protestos contra a redução de linhas de ônibus em Fortaleza.

UP panfletando pela melhoria do transporte. Fonte: Iago Barreto

Só a luta muda a vida!

O que está acontecendo em Caucaia é um aviso para todos nós. Os direitos que conquistamos com luta só podem ser mantidos com mais luta. O prefeito Naumi Amorim diz que “não tem dinheiro”, mas o dinheiro aparece quando é para pagar as empresas de ônibus. A verdade é que eles querem que o trabalhador aceite o mínimo, enquanto os empresários continuam ricos.

Não aceitaremos nenhum ônibus a menos! Não aceitaremos a volta da cobrança de passagens! A Unidade Popular continuará denunciando esse desmonte e organizando o povo nos bairros e nas paradas de ônibus.

Agitação no ato em defesa do “Bora de Graça”. Fonte: Iago Barreto

Trabalhador, trabalhadora e jovem de Caucaia! Eles querem que você se conforme com o ônibus lotado e com a espera demorada. O desmonte do Bora de Graça é um roubo do seu tempo e do seu suor. Não deixe que decidam o futuro do seu transporte em reuniões secretas!

A Unidade Popular pelo Socialismo (UP) convoca você: venha se organizar! Forme um
núcleo de luta no seu bairro, denuncie o atraso do ônibus, participe dos protestos. Precisamos exigir que o transporte seja um direito de todos e que as empresas de ônibus sejam expulsas da nossa cidade para dar lugar a um sistema público e controlado pelo povo! Se eles cortam os ônibus, nós aumentamos a nossa luta!

Organize-se na Unidade Popular!

Pela volta dos 70 ônibus e manutenção total da gratuidade!

Contra a máfia do transporte e o governo dos ricos!

Viva a luta da classe trabalhadora! Viva o Socialismo!

1ª Semana Vermelha da UJR no Paraná traça metas e forma militância

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Alternando estudos teóricos sobre o marxismo-leninismo com atividades práticas, exercícios físicos e vivências em ocupações urbanas, a atividade consolidou a disciplina militante e o compromisso com a construção do socialismo, preparando os jovens para os desafios organizativos de 2026.

Sabrina Ferreira | Redação PR


JUVENTUDE – Entre os dias 6 e 12 de fevereiro, ocupamos Curitiba com 30 militantes decididos a fazer da 1ª Semana Vermelha da UJR um marco de organização e rebeldia! Convocamos militantes do litoral à fronteira do estado e por isso, tínhamos o desafio de arrecadar R$ 4.500 em passagens. Para garantir a execução da atividade, usamos a criatividade e a política: contamos com nossos aliados, que conhecem as lutas da nossa organização no cotidiano, além de construirmos relações politizadas com nossos familiares e amigos para apoiarem a construção da juventude revolucionária. Militantes, por iniciativa própria, desapegaram de itens que não precisavam mais, arrecadaram recursos que foram investidos na Escola do Socialismo. Resultado: quebramos diversas barreiras antes mesmo da escola começar!

Antes mesmo do início oficial, a 1ª Semana Vermelha já mobilizava a militância com a ‘campanha da porcentagem’. A dinâmica era simples: o valor total foi dividido em cem cotas de R$ 45,00 (1%) e, a cada meta atingida, um quadradinho era preenchido no mural. Essa visualização constante do progresso fortaleceu a confiança coletiva de que, tarefa a tarefa, superaríamos qualquer barreira para construir nossa organização. 

Quadro para acompanhar as metas da Semana Vermelha em Curitiba
Quadro para acompanhar as metas da Semana Vermelha em Curitiba

Também fizemos arrecadações de alimentos para garantir a alimentação integral da militância. Diversas idas nas portas de mercado pedindo doações e brigadas do jornal A Verdade, conversas com vizinhos, familiares e militantes da Unidade Popular pelo Socialismo possibilitaram que fossem arrecadados mais de 40 quilos de frango, 20 quilos de arroz, 360 ovos, 10 quilos de frutas da estação e todos os itens necessários. Os pães foram produzidos pelos próprios militantes durante todas as manhãs. No primeiro dia de curso, atingimos 100% das nossas metas para as passagens e alimentação. 

Com o clima de vitória, a alvorada começava às seis horas da manhã e o café era feito por comissões de militantes do próprio curso, era servido com frutas e proteínas antes da ida ao parque da cidade para a realização de 50 minutos de exercício físicos, com alongamentos e brincadeiras e 45 minutos dedicados para o estudo individual ao ar livre.

Às nove horas começavam os trabalhos. Nos três dias primeiros dias, realizamos ativos de organização, trabalho de massas e finanças, contando com a presença do secretariado nacional da UJR. As lutas apresentadas na matéria 7° Congresso do PCR define novas tarefas dos revolucionários diante da ameaça imperialista da edição 327 do jornal A Verdade escancarou a necessidade de, em 2026, triplicarmos a nossa organização, assim como elevar a capacidade de organização, direção e inserção nas lutas concretas. 

O plenário discutiu a execução dessas missões a partir de uma reflexão profunda sobre o significado prático de ser uma União da Juventude ‘REBELIÃO’. Não há possibilidade de uma organização revolucionária crescer sem organizar lutas concretas na sociedade e modificar a realidade em que vivem. Che Guevara já assinalava que “ser jovem e não ser revolucionário é uma contradição genética”. Sendo assim, uma juventude revolucionária tem o dever de desgastar o sistema capitalista e forjar quadros para a revolução. 

Enfrentar os medos e as inseguranças é um dever revolucionário; somente a luta pode modificar nossa realidade e as lutas de um jovem comunista devem ser pelo novo: o novo ser humano, as novas relações e a nova sociedade. Devemos ansiar o novo e não evitá-lo, afinal, quem defende a manutenção das estruturas atuais não são os revolucionários. O clima dos debates e das propostas formuladas inspirou a militância a criar uma palavra de ordem que sintetizasse o acúmulo coletivo: “Coragem! Disciplina! E ousadia | Viva a UJR, toca luta todo dia!”.

Consolidar o jornal A Verdade na relação com o povo

A militância da UJR tem aprofundado o debate sobre avançar a relação com a nossa melhor ferramenta de luta: o jornal A Verdade; e ligá-lo de forma inquebrantável ao nosso cotidiano. Por isso, planejamos a campanha de emulação Emmanuel Bezerra, que colocou a juventude no exercício de falar mais sobre o socialismo com os trabalhadores da cidade, nos tubos de ônibus (paradas de ônibus), na entrada do Restaurante Popular e nas praças. Também realizamos diversas brigadas extras durante a 1ª Semana Vermelha, em especial junto aos estudantes nas portas das escolas, chamando para lutar e construir uma UBES combativa em seu 46° Congresso. Também construímos a Brigada Nacional dentro do IFPR, revezando turnos das equipes de brigadistas para passar nas salas, desejar boas vindas aos calouros e convidar a construir a luta popular.

O sucesso da atividade evidenciou que é possível fazer o extraordinário no trabalho diário. Não há outro caminho para organizar nosso povo senão cada um de nós irmos às ruas denunciar e, organizar lutas e vitórias que desgastam o capitalismo, ganhando a consciência das pessoas para a nossa política e conquistando mentes e corações. Assim, durante essa semana 253 jornais foram convencidos, mais de R$ 400 em doações arrecadados para consolidar o jornal semanal e coletados 40 contatos de jovens e trabalhadores interessados em construir o socialismo! O militante que ganhou destaque no primeiro lugar da emulação foi presenteado com uma camiseta cuja estampa homenageia Emmanuel Bezerra, como símbolo da liberdade futura que se constroi diante de nosso trabalho cotidiano.

Brigada e panfletagem da UJR no Instituto Federal de Curitiba durante a Semana Vermelha.
Brigada e panfletagem da UJR no Instituto Federal de Curitiba durante a Semana Vermelha.

Lutar e Estudar, Estudar e Lutar!

A nova edição da Escola Sarah Domingues fechou a 1ª Semana Vermelha. Essa nova edição contou com aulas de Filosofia Marxista, Economia Política Marxista e Fundamentos do Leninismo. A Coordenação Nacional da UJR garantiu a presença de mediadores de três estados: Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo. 

Durante as exposições, as lutas políticas e ideológicas acentuadas nas aulas foram preparadas para as questões específicas do território. Um dos exercícios propostos desafiou a militância em pensar em intervenções que escancarassem a mais-valia em diversos cenários (na porta da fábrica, numa passagem em sala, em uma batalha de rima e numa reunião das famílias do bairro). Após as apresentações, o coletivo pôde opinar, sugerir alterações e valorizar os itens mais importantes. Assim, durante as brigadas no período da semana, as intervenções foram se aperfeiçoando nas abordagens da população e na coleta de contatos, além de escancarar os elementos que devem ser aprofundados na formação da militância. 

“Pudemos ver na nossa prática, na própria construção da atividade durante o dia a dia o que aprendemos na escola. Aprendemos sobre mais-valia, como apresentar para o trabalhador e, logo após, na volta, toda a juventude aplicando no caminho para onde estávamos alojados”, afirmou Giovanny Godoi, militante do interior do estado.

Juventude se reúne no parque para estudo diário de 30 minutos.
Leitura diária de 30 minutos ao ar livre em Curitiba

Resistência e cultura

Alguns dias antes de iniciarmos as atividades, o combativo Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) realizou sua primeira ocupação de moradia no estado do Paraná (ver matéria “Ocupação Francisco Bernardo nasce no Centro de Curitiba” da edição 328 do Jornal A Verdade). Para juntar as lutas pela resistência travadas pelas famílias e pela juventude, realizamos uma grande feijoada com ingressos solidários aos participantes da 1ª Semana Vermelha. Nesse espaço inédito de luta do povo favelado do Paraná, os militantes se envolveram na construção e na vivência de um verdadeiro território livre da fome.

À noite nos dedicamos às atividades externas e de lazer. Nesses momentos, a cultura foi crucial para elevar o nível de debate em torno das tarefas colocadas à UJR no estado. Um cinedebate que exibiu o filme “Saneamento Básico”, de 2007, ocorreu numa das noites da 1ª Semana Vermelha na intenção de instigar a reflexão sobre a criatividade exigida para solucionar os problemas e alavancar a construção material da nossa organização. No longa-metragem, uma comunidade do interior do Rio Grande do Sul necessita de uma fossa séptica e, não tendo recursos públicos para o saneamento básico, os trabalhadores veem-se utilizando a única verba disponível, reservada à cultura, para realizar um filme e só então conquistar as reformas no esgoto da região. “A obra nos fez pensar que, de fato, devemos fazer por nossas mãos tudo o que a nós nos diz respeito. Independente das adversidades, nós, assim como nosso povo, temos as condições para utilizar dos recursos disponíveis das melhores e mais criativas formas, como foi a campanha da porcentagem, e concretizar o desenvolvimento da nossa tarefa histórica, que é a revolução socialista”, relata Belle Ullmann, militante no estado.

Organização, disciplina e lições coletivas diárias

Aquartelados na Ocupação de Mulheres Enedina Marques, a juventude preparou todas as etapas para garantir as atividades da  1ª Semana Vermelha no dia a dia. Com um cronograma bem definido, a comissão de disciplina garantiu a concentração e a fidelidade aos horários reservados para cada período.

Vários militantes assumiram novas tarefas de estrutura e inúmeros desafios apareceram. Foi central o processo de reflexão coletiva e autocrítica acerca da organização das atividades. O tempo para os debates em torno das exposições eram preciosos, portanto para corrigir a falta de organização e a má administração do tempo, o informe que precedia as atividades eram diários: apresentando os problemas e buscando uma alternativa coletiva para melhorarmos nossas ações e assim, ter a concentração, a disciplina e a direção coletiva para solucionar nossos problemas e acumular a teoria marxista-leninista com qualidade. Um bom comunista aprende o tempo todo, dentro e fora das reuniões, nos detalhes do cotidiano. 

Além disso, como forma de refletir individual e coletivamente sobre as lutas políticas assimiladas nos ativos e aulas durante a semana, um painel feito de cartolina vermelha permaneceu colado na parede da sala onde os trabalhos foram realizados com o chamado: “Deixe um recado para a UJR em seus 30 anos”. Dessa maneira, os militantes colaram post-its com palavras de ordem que se propõem a colocar em prática no próximo período, como “contra a praga do desânimo”, “urgência em superar nossas debilidades” e “a disposição não deve estar acima da disciplina”.

Motivados pelo exemplo do patrono da União da Juventude Rebelião, Ernesto Che Guevara, os militantes organizaram como última atividade da semana um mutirão de limpeza da Ocupação Enedina Marques como trabalho voluntário. A partir dessa mobilização coletiva, não contribuímos apenas com a manutenção do espaço conquistado pela luta das mulheres trabalhadoras curitibanas, mas também compreendeu, na prática, o significado de um trabalho não alienado. Tornou-se perceptível a relação profunda que o jovem comunista possui com a construção do socialismo por meio da iniciativa voluntária e ativa. 

A 1ª Semana Vermelha provou para nós que quando nos convencemos de alguma atividade, que somos convencidos da nossa política levamos a cabo com alegria. Não haverá barreiras financeiras, barreiras estruturais que nos impedirão de cumprir o nosso papel histórico de sermos a última a geração a viver no capitalismo e a primeira geração a ver os raios de sol da sociedade nova, da sociedade da liberdade, da sociedade socialista! Se lutarmos, venceremos! Sem dúvida venceremos!  

Café da manhã coletivo com frutas e proteínas antes dos exercícios físicos matinais
Café da manhã coletivo na Ocupação Enedina Marques com frutas e proteínas antes dos exercícios físicos matinais

Tragédia na Zona da Mata mineira é fruto do descaso do Estado

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A Zona da Mata mineira sofre com as enchentes e a negligência do poder público que privilegia a especulação imobiliária em detrimento da vida do povo. Os cortes nas verbas de prevenção e a falta de moradia digna empurram a população periférica para as áreas de risco, expondo a lógica do Estado de priorizar o capital enquanto o povo pobre sofre com tragédias anunciadas.

Reyel Almeida | Juiz de Fora – MG



Nesta segunda-feira (23), diversas cidades da região da Zona da Mata mineira, como Juiz de Fora, Ubá e Matias Barbosa, foram atingidas por enchentes e deslizamentos que contabilizam, até a publicação desta matéria, mais de 400 pessoas desabrigadas, 36 vítimas fatais e dezenas de desaparecidos. A maioria dos atingidos são moradores de periferia.

Mais uma vez, a classe trabalhadora e o povo pobre de Juiz de Fora e região são castigados não só pela chuva, mas pela omissão do Estado burguês em prevenir desastres e deslizamentos de terra, mesmo sabendo que todos os anos a situação se repete. Nossas cidades não contam com planejamento urbano adequado; o que prevalece é a vontade das grandes construtoras.

Estado burguês condena o povo para garantir o lucro

Este cenário de calamidade não é novo, mas a intensificação de eventos como o atual reflete um padrão histórico de negligência que atravessa décadas. Nos últimos vinte e cinco anos, a Zona da Mata mineira tem sido palco de tragédias recorrentes que comprovam esse descaso: o desastre ambiental de Cataguases em 2003, o rompimento da barragem em Miraí em 2007 e as enchentes históricas de 2020, que deixaram dezenas de mortos. Mesmo quando não há vítimas fatais imediatas, como nos temporais recordes de dezembro de 2025 em Juiz de Fora, o rastro de destruição e o risco constante expõem a falha crônica do Estado em implementar políticas de prevenção e planejamento urbano eficazes, ignorando os alertas e o sofrimento de sua população mais vulnerável.

Em dois anos, o governador fascista Zema reduziu em 96% a verba de prevenção contra o impacto das chuvas em Minas Gerais, decaindo de R$ 135 milhões para R$6 milhões. De acordo com a Auditoria Cidadã da Dívida, o Governo Federal também cortou, em 2025, o equivalente a R$ 200 milhões do orçamento para prevenção de desastres ambientais. Além disso, o Poder Executivo deixou de aplicar cerca de 35% dos recursos já destinados à gestão de riscos e desastres, segundo dados do TCU.

 

Cidade de Ubá coberta pela água: a negligência do poder público já registra 7 vítimas fatais. Foto: Hélio de Souza
Cidade de Ubá coberta pela água: a negligência do poder público já registra 7 vítimas fatais. Foto: Hélio de Souza

Especulação imobiliária faz o povo morar em áreas de risco

A classe trabalhadora sofre pela especulação imobiliária, que empurra o povo que não tem condições de pagar aluguéis caríssimos para os piores locais de moradia, como nas encostas e beiras de rio, enquanto milhares de prédios estão abandonados nos grandes centros. Somado a isso, vivemos uma crise climática causada pelo modo de produção capitalista e quem paga a conta, até com a própria vida, são os que não têm culpa nenhuma. A população que é condenada a viver em lugares de alto risco é majoritariamente negra, indígena e imigrante; é o chamado racismo ambiental.

Só o povo salva o povo!

Neste momento, a solidariedade de classe se faz urgente para apoiar os moradores e suas famílias que perderam tudo nessa tragédia. Não podemos apenas nos lamentar; é necessária a organização de lutas para que este crime cometido não seja esquecido e pela reparação às famílias das vítimas e a todos os prejudicados. Porém, as injustiças contra o povo pobre só terão fim quando fizermos uma verdadeira Revolução no nosso país, que coloque o povo no poder, derrubando os poderosos burgueses que se fortalecem com o nosso sofrimento. O povo, com a sua solidariedade de classe e sua resistência, demonstra que a tomada do poder é cada dia mais possível para a construção de um mundo com moradia digna, paz e segurança — e só será assim para todos na sociedade socialista!

Judiciário não condena policiais que assassinaram o jovem Thiago Flausino

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Judiciário decidiu por garantir impunidade à violência policial que interrompeu os sonhos de Thiago Flausino, uma criança de apenas 13 anos, na Cidade de Deus. Mãe acusa desrespeito e injustiça por parte do poder judiciário.

João Herbella | Rio de Janeiro


BRASIL – Nos dias 10 e 11 de fevereiro, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro realizou um Júri Popular para decidir sobre os fatos ocorridos na madrugada de 7 de agosto de 2023. Na ocasião, os policiais Diego Leal e Aslan Wagner sentaram no banco dos réus. Eles foram acusados de, durante uma operação ilegal, utilizarem um carro particular descaracterizado e com insulfilm para efetuar disparos contra o jovem Thiago e seu amigo Marcos Vinícius. Os dois passeavam de moto pela Cidade de Deus e já tinham caído do veículo no momento em que o crime aconteceu.

Thiago foi morto com um tiro nas costas. Marcos Vinícius foi baleado na mão, mas conseguiu escapar. Para tentar se livrar da punição, os policiais implantaram uma arma ao lado do corpo de Thiago, o que foi descoberto em uma investigação de fraude processual.

Mais de dois anos após a execução de Thiago, aconteceu o julgamento dos responsáveis. Foram dois dias cansativos de audiência. A defesa dos policiais tentou, de forma insistente, associar a vítima ao crime organizado.

A estratégia buscava “justificar” o assassinato e levantar dúvidas nos jurados. Os advogados sugeriram a possibilidade de troca de tiros, mesmo sem apresentar qualquer prova. Em um dos momentos mais absurdos, a defesa dos policiais afirmou que uma foto do menino Thiago fazendo um coração com a mão representaria um “C” de Comando Vermelho e questionou as músicas de funk que ele escutava. 

Quem era Thiago?

Em casos como esse, além de lidar com a dor da perda, os familiares também são obrigados a defender a honra e a memória das vítimas. É o que Priscila Menezes, mãe de Thiago, relata. “Ali quem foi julgado não foram os policiais. Foi o Thiago. Naquele tribunal, a justiça não foi feita pra nós de comunidade, nós que somos pretos e somos favelados. Ali nós somos desrespeitados e marginalizados. Mas eu, a família e os amigos sabemos quem realmente era o Thiago e eles não vão poder mudar a história dele.

Thiago Menezes Flausino, um jovem negro de apenas 13 anos tinha o sonho de ser jogador de futebol. Jogava em dois clubes na Cidade de Deus. Ele tinha 91% de presença na escola e chegou a ter o caderno reconhecido pela letra mais bonita da turma. 

Junto a outras 242 crianças e adolescentes, foi vítima da violência policial em 2023 no Brasil. Casos como o de Thiago continuam acontecendo. Em fevereiro de 2026, Leonardo Lobo, estudante da UERJ, foi assassinado pela PMERJ na saída do jogo do Flamengo.

Quando o Estado mata, quem se responsabiliza?

É claro que esses crimes não são casos isolados. A verdade é que isso faz parte de uma política pública do Estado Brasileiro de promover o genocídio da juventude negra e conta com a Justiça Burguesa para garantir sua impunidade. Mesmo mentindo em seus depoimentos, os policiais foram absolvidos pela morte de Thiago e tentativa de assassinato de Marcos pelo Juri Popular que encerrou com placar de 4×3.

Depois do resultado, a mãe do menino desabafou em entrevista ao Jornal A Verdade. “Sentimento de tristeza, de revolta. Até porque dá mais munição para eles virem fazer o que eles fazem na favela: matam e incriminam. E quando chega lá, quando conseguimos levá-los ao banco dos réus, vão lá e absolvem. É muito triste, a realidade é muito triste, estou muito infeliz. É desesperador. Tinha todas as provas. Eles mudaram de versão três vezes, eles implantaram uma arma e foi provado isso. Realmente esse júri não vive a nossa realidade e nesse tribunal não existe justiça para nós.”, afirma.

Justiça por Thiago!

Apesar da absurda decisão, a família de Thiago, apoiadores, militantes da UP e da Frente Negra Revolucionária e familiares de outras vítimas de violência policial, saíram de cabeça erguida do TJRJ com gritos de “Thiago Presente!” e “Justiça!”. Como se não bastasse o resultado do julgamento, duas viaturas do Batalhão de Choque aguardavam na saída do tribunal, em uma tentativa de intimidar os familiares da vítima.

Todos os que estavam lá saíram com a certeza de que a luta por justiça não termina com a sentença de um tribunal. Ela segue na denúncia permanente, na organização popular e na exigência de mudanças profundas que coloquem a vida acima de qualquer interesse econômico ou político.

Somente com uma transformação radical da sociedade, que confronte o racismo estrutural e a exploração do capitalismo será possível impedir que vidas jovens sejam tratadas como descartáveis. Enquanto prevalecer um modelo que coloca o lucro acima da dignidade humana e naturaliza a violência nas periferias, casos como o de Thiago continuarão se repetindo.

Os professores temporários e o capitalismo

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Professores temporários já são maioria nas redes estaduais brasileiras, resultado direto da política neoliberal que precariza o trabalho docente e desmonta a educação pública. Contratos instáveis, baixos salários e falta de direitos afetam educadores e estudantes. Enquanto isso, recursos públicos são desviados para a dívida e a privatização. A saída passa pela organização coletiva e pela luta em defesa da educação pública.

Davi Cavalcante | Fortaleza, CE


A maior parte dos professores no Brasil são temporários

Desde 2021, os professores temporários passaram a representar a maior parte da categoria, nas escolas estaduais brasileiras. Segundo dados do Censo Escolar 2024, publicados pelo INEP, 51% dos professores da rede estadual em todo o país não têm vínculo efetivo, isso representa 356 mil trabalhadores, só na rede estadual, que estão submetidos a contratos temporários, os quais são frágeis, instáveis e precarizados.

Essa realidade não é um detalhe técnico da gestão pública. É a consequência direta da política liberal aplicada à educação. No modelo capitalista, a precarização do ensino público serve à lógica do lucro: reduz-se o orçamento das escolas, amplia-se a rotatividade da força de trabalho e desresponsabiliza-se o Estado diante das garantias mínimas à categoria.

No Ceará, por exemplo, esse cenário é ainda mais dramático. No final de 2023, mais de 60% dos professores da rede estadual atuavam sob contratos temporários, conforme levantado por sindicatos e confirmado em dados do Censo Escolar. Essa proporção expõe a negligência do poder público à carreira docente e a corrosão dos planos de valorização a longo prazo.

Contratos precários, vidas instáveis

O professor temporário, ao contrário do efetivo, não tem estabilidade, não tem plano de carreira, não tem garantia de renovação do contrato , e muitas vezes sequer recebe em dia. Estudos como o da pesquisadora Maria José Marques (UFC, 2006), demonstram que os temporários, especialmente no Ceará, não recebem benefícios previdenciários, são transferidos de escola a cada 6 meses e vivem em constante insegurança. Eles são, para as gestões como ela diz, “descartáveis a cada renovação de calendário”.

Além disso, a carga horária quebrada e os vínculos múltiplos em diferentes escolas fazem com que muitos professores passem o dia todo em deslocamento, com salários que não cobrem nem o custo de vida. Há estados em que o pagamento do professor temporário é inferior ao piso salarial da categoria, descumprindo, inclusive, leis federais.

A precarização afeta também os estudantes

Não é só o professor que sofre. O aluno da escola pública também é vítima direta dessa lógica de rotação e instabilidade. O estudo do Todos Pela Educação (2023) demonstra que escolas com alto número de docentes temporários apresentaram pior desempenho nas avaliações do Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica), tanto em português quanto em matemática.

A constante mudança de professores prejudica a construção de vínculos pedagógicos, o acompanhamento de estudantes em maior vulnerabilidade e a consolidação de projetos educacionais consistentes. Em outras palavras: o ensino na escola pública é sabotado por essa política de precarização, não é um problema técnico ou pedagógico, é projeto.

Como os capitalistas lucram com a precarização da educação?

É preciso deixar claro: toda essa situação não é um erro de gestão. É uma expressão do lucro de um punhado de capitalistas. O sucateamento do serviço público é feito propositalmente para gerar lucro para poucos.

Por exemplo, enquanto o Estado corta investimentos em educação sob a desculpa da “responsabilidade fiscal”, os recursos públicos são sugados pelo sistema da dívida pública  que representaram só em 2024 um gasto de R$ 1,997 trilhões dos cofres públicos (42,96% do orçamento federal). Esse dinheiro serve agora para pagar juros e amortizações de títulos da dívida que estão na posse de bancos privados e especuladores do capital financeiro, muitos desses sendo instituições financeiras estrangeiras como a BlackRock,HSBC, Pimco entre outras. Ou seja, o dinheiro que poderia ir para a escola do nosso bairro é cortado para ser enviado à bancos do exterior.

Um exemplo concreto dessa política é o chamado Arcabouço Fiscal, aprovado em 2023, que impõe um teto de crescimento real das despesas públicas, entre 0,6% e 2,5%, dependendo do crescimento do PIB dos anos anteriores.

A regra vale para o total das despesas e não há garantias específicas para setores básicos como educação ou saúde além dos mínimos constitucionais. Isso significa que, mesmo com o aumento da população estudantil e das demandas por infraestrutura e pessoal qualificado, o Estado fica impedido de ampliar seus investimentos de forma proporcional, congelando a possibilidade de contratação de professores efetivos, aumento salarial e melhorias estruturais nas escolas. Com isso, aprofunda-se o quadro de contratações precárias, a exemplo dos professores temporários que, atualmente, já são maioria em diversas redes estaduais.

No entanto, o capital não lucra apenas com a redução dos investimentos. Ele avança também na mercantilização da escola pública, criando novas formas de extrair lucro direto a partir do próprio funcionamento do sistema educacional. Isso ocorre, sobretudo, por meio da privatização e terceirização da gestão escolar e dos serviços educacionais. Projetos como os implementados no estado de São Paulo onde o governador fascista Tarcísio de Freitas propôs um plano que entrega a gestão de 33 escolas estaduais à iniciativa privada por até 25 anos evidenciam essa tendência. Nesses modelos, empresas privadas passam a administrar escolas públicas mediante contratos milionários, sendo remuneradas com recursos públicos para gerir, contratar e até definir o projeto pedagógico das unidades escolares.

No estado do Paraná, um projeto semelhante prevê a terceirização de mais de 200 escolas públicas, com um custo médio de R$ 800 por aluno repassado às empresas gestoras. Estima-se que o governo estadual gaste cerca de R$ 2 bilhões a mais com esse modelo privatizante, em comparação à gestão pública direta. Isso significa que, ao invés de investir esse valor na contratação de mais professores efetivos, na melhoria da estrutura escolar ou na valorização da carreira docente, o Estado opta por canalizar os recursos para empresas privadas, cuja única motivação é o lucro.

No fundo, o objetivo do capitalismo aqui é claro: reduzir o papel do Estado como provedor direto de direitos sociais e transformá-lo em um mero financiador de empresas privadas. Essa lógica destrói a perspectiva de uma educação como direito universal e transforma o ensino em uma mera mercadoria, sujeita às leis do mercado. Os professores temporários, nesse contexto, tornam-se a peça ideal desse modelo: mão de obra barata, flexível, descartável e muitas vezes sem representatividade sindical, podendo ser substituída a qualquer momento sem custos políticos ou trabalhistas.

A luta é necessária. A saída é coletiva, sindical e socialista

Enquanto isso, os professores seguem adoecendo, trabalhando sem direitos, vivendo em tensão permanente e tentando manter viva uma paixão pelo ensino que o capitalismo insiste em esmagar.

Mas a indignação cresce. A vida nos ensina que só conquistamos algo quando “corremos atrás” e lutamos por aquilo, os sindicatos, movimentos e organizações populares têm papel fundamental em organizar a revolta dos educadores em todo o Brasil. O caminho é a construção de greves, atos unificados em defesa da revogação do arcabouço fiscal, a defesa incondicional do FUNDEB , a luta por concursos públicos em todo o país e que os temporários sejam efetivados em sua profissão. Por isso é necessário arregaçar as mangas, e caso as gestões dos sindicatos tentem frear o avanço da luta, é necessário formar chapas que dêem vazão à vontade da maioria da categoria.

Mais do que isso, é preciso romper com a lógica que vê a educação como despesa, é preciso romper com o sistema que lucra a partir da destruição da educação pública. A educação é um direito, e esse direito só pode ser plenamente garantido em uma sociedade em que os trabalhadores de fato governem , uma sociedade socialista.

Organize-se no Movimento Luta de Classes e na Unidade Popular!

É preciso transformar a indignação em ação coletiva. Professores, estudantes, familiares e toda a comunidade escolar devem se unir em torno da defesa de uma educação pública, gratuita e de qualidade para todos.

Se você é professor ou trabalhador de qualquer categoria e está cansado de viver nessa realidade, Organize-se no Movimento Luta de Classes! Construa a Unidade Popular!
É preciso lutar por um outro projeto de país. Por uma educação pública digna e por um sistema socialista que valorize de verdade o trabalho e a vida de quem educa.

Governo entrega acesso do Porto de Paranaguá à empresas privadas enquanto povo é despejado

O governo entreguista de Ratinho Junior (PSD) iniciou o projeto de privatização do Porto de Paranaguá com o primeiro leilão de concessão de um canal de acesso à iniciativa privada no Brasil.

Leonardo Fontes e Willian Araki | Redação Paraná


BRASIL – O Porto de Paranaguá, localizado no estado do Paraná, é o terceiro maior porto de contêineres do Brasil e o maior graneleiro (exportador de grãos) da América Latina. Também conhecido como Porto Dom Pedro II, atualmente é administrada pela empresa pública Portos do Paraná. Em 2025 (ano em que o porto completa 90 anos), no entanto, o governo entreguista de Ratinho Junior (PSD) iniciou mais um projeto de privatização, com o primeiro leilão de concessão de um canal de acesso à iniciativa privada no Brasil.

O leilão foi uma verdadeira disputa bilionária e imperialista entre a empresa Consórcio Canal Galheta Dragagem (CCGD), formada pela brasileira FTS e o grupo belga DEME e a Chec Dredging Co. subsidiária da China Harbour Engineering Company (CHEC). A CCGD venceu a concessão pagando apenas R$ 275 milhões para explorar o porto por 25 anos.

Em contrapartida, enquanto o Porto é privatizado e nossa soberania é vendida, o povo da cidade de Paranaguá sofre com despejos violentos e ameaças da polícia federal.

Privatização é precarização

Após o leilão, o valor estipulado de investimento é de R$1,23 bilhão nos cinco primeiros anos, sendo de total responsabilidade da CCGD a dragagem, ou seja, a ampliação da profundidade do canal de acesso ao Porto, além de ser responsável por realizar estudos, sinalização e outras ações de manutenção e modernização do canal.

Porém, o que a história recente de nosso país nos mostra é que, para a iniciativa privada, o que importa é o lucro, empregando mão-de-obra terceirizada e precarizada, pouco investimento em pesquisas e estudos de impacto ambiental e segurança da população. Como aconteceu nos casos de Brumadinho e Mariana, vítimas do descaso das empresas de mineração Vale (privatizada em 1997) e BHP (multinacional australiana).

Assim, o governo fascista de Ratinho Jr que já tem investido nas privatizações das escolas e da empresa de Energia Copel, agora também planeja entregar o Porto de Paranaguá aos seus amigos empresários, representantes da burguesia e inimigos do povo. Incentivando que esse modelo de leilão também seja utilizado em outros portos do País, como Santos (SP), Rio Grande (RS), Salvador (BA) e Itajaí (SC)*. Entregando as riquezas de nosso país, a nossa soberania e o futuro das crianças para a iniciativa privada e o imperialismo estrangeiro.

Moradores sofrem despejos e ameaças

No dia 21 de outubro, a polícia federal, militar e a Guarda Civil Metropolitana realizou, através da 27ª fase da Operação AIFA (Ação Integrada de Fiscalização Ambiental), uma série de despejos violentos no bairro Jardim Figueira em Paranaguá. Com a desculpa de coibir desmatamentos e ocupações irregulares em áreas de preservação de mangue, o que ocorreu na verdade foi a demolição de casas de cidadãos que moravam há anos na região. 

Rogério, trabalhador e morador do bairro, foi uma das vítimas dessa violência.  Ele morava no local desde antes da pandemia, e ao voltar do trabalho, viu sua casa demolida, sem avisos. Sua única alternativa foi juntar os pedaços maiores e levantar um espaço para não ficar ao relento.

“Chegaram enquanto ele estava trabalhando, a gente chegou a avisar os policiais, o agente do IBAMA, mas eles não quiseram nem saber, meteram o pé na porta dele, no vidro e começaram a derrubar a casa dele. Quase mataram o cachorro dele.” relatou João (nome fictício), vizinho do Rogério que presenciou a cena. 

Outros moradores, que estavam em casa, protestaram contra os despejos e foram recebidos pela polícia com fuzil na mão e ameaçados para não intervirem ou gravarem a situação. Além de serem ameaçados de prisão, multa ou apreensão de veículos, alguns moradores tiveram seus muros derrubados por se posicionarem contra a ação da polícia.

Segundo os moradores da região, os despejos estão sendo realizados para ampliar a capacidade logística da região, com abertura de mais centros de distribuição e estradas para dar vazão ao novo acesso que será construído.

Essa é mais uma prova de que no capitalismo, o estado é um aparato violento de opressão da classe trabalhadora pela classe dominante, a grande burguesia. Servindo para garantir o lucro de empresas estrangeiras em detrimento da vida e dos direitos dos trabalhadores. 

A organização é o único caminho

Apesar da violência policial, o povo de Jardim Figueira não se intimidou. Vários moradores denunciaram à Unidade Popular (UP) e ao Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) a situação que estão vivendo e demonstraram que estão prontos para se organizar e lutar pelos seus direitos.

Apenas com o fim do capitalismo e a construção do estado socialista o nosso país poderá ter soberania nacional e dar dignidade para o povo.

*https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2025-10/porto-de-paranagua-e-concedido-ao-consorcio-canal-galheta-dragagem

Há que se cuidar dos núcleos

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Atingindo a marca de quase 12 mil filiados em 2025, a Unidade Popular (UP) reafirma seu papel como o partido dos explorados ao transformar revolta em organização revolucionária.

Tati Bornato | São Paulo (SP)


PARTIDO – A Unidade Popular (UP), o partido dos explorados e oprimidos, tem aumentado o número de participantes em suas fileiras, passando de 10 mil filiados, em 2024, para quase 12 mil filiados até junho de 2025. Esse crescimento revela que a classe trabalhadora vê neste partido uma forma de combater o sistema capitalista e de lutar pelo socialismo.

Ao ingressar na UP, os novos militantes podem se organizar em núcleos de base, espalhados por bairros, vilas, favelas, fábricas, escolas, universidades e locais de trabalho. Os núcleos assumem a tarefa da formação teórica, com estudos individuais e coletivos, e com formação prática, pois são também espaços de construção das lutas territoriais, como reivindicações por coleta de lixo nos bairros mais afastados dos centros urbanos, iluminação adequada nas ruas, ponto de ônibus próximo aos postos de saúde, pressionam órgãos públicos para resolverem o problema das enchentes que assolam as casas e assassinam as famílias trabalhadoras. As lutas movimentam os militantes a encontrarem novas pessoas, que também estão revoltados com esse sistema, para se organizarem na UP.

A UP é “dos pretos, dos favelados, partido pobre, do povo organizado” e não se alia aos grandes ricos. Além da contribuição individual mensal de cada militante, os núcleos desempenham um papel fundamental na política de autossustentação. Eles desenvolvem atividades de finanças, como cursos de formação, confecção de camisetas com estampas de heróis revolucionários, organização de brechós e eventos culturais, incluindo festas temáticas e cine-debates.

Os núcleos também são espaços de acolhimento em que cada militante pode coletivizar os problemas individuais e obter soluções e acompanhamento coletivo, colocando em prática o significado da palavra camarada!

Os núcleos vão além. Os militantes se somam aos movimentos sociais que constroem a UP e apoiam lutas mais amplas que também fazem parte do Programa partidário: redução da jornada de trabalho, fim da escala 6×1 e aumento de 100% do salário mínimo. Apoiam protestos contra a fome para exigir cestas básicas, denunciam a carestia e os preços abusivos praticados por grandes redes de supermercados. Além disso, apoiam as lutas das mulheres e dos movimentos estudantis.

Lançada recentemente, os núcleos também apoiam a luta antirracista por meio da Frente Negra Revolucionária (FNR), que nasce da “perspectiva de combate e de transformação da sociedade para pôr fim aos herdeiros dos senhores de escravos a atual classe rica e dominante brasileira e para organizar os negros que ainda hoje necessitam vender sua força de trabalho para sobreviver e seguem sendo massacrados, física e ‘espiritualmente’, pelo sistema capitalista, racista e opressor”.

Lutas não faltam. Elas ocorrem por necessidade, e não por escolha. O avanço do fascismo no Brasil e no mundo precisa de uma classe trabalhadora organizada e revolucionária. É preciso romper as correntes e construir um mundo novo, bom, justo e melhor para todos.

Mulheres trabalhadoras: pilares da revolução

O trabalho de coordenação dos núcleos é fundamental para o desenvolvimento responsável deles. A presença nas reuniões é fundamental. Além disso, é preciso mobilizar os camaradas a participarem das lutas e das brigadas do jornal A Verdade. É no fogo da batalha que se forjam os melhores quadros para estarem à frente da revolução. É preciso assegurar a participação de todos os militantes, principalmente das mulheres, nas reuniões.

Organizar as mulheres dentro da UP é decisivo. A emancipação da mulher está ligada diretamente à luta contra o capitalismo, pois a opressão de gênero também é uma forma de exploração. Portanto, garantir condições materiais para militância das companheiras é urgente. Nesse sentido, a organização de creches para cuidado coletivo das crianças é uma contribuição revolucionária para que camaradas mães participem melhor das reuniões e lutas. Também uma programação antecipada das datas e horários das reuniões permite que essas mães planejem melhor seu dia para garantir sua presença.

Há que se cuidar dos núcleos, camaradas!

Só é possível organizar a classe trabalhadora com núcleos fortes. É preciso, portanto, tratar os núcleos com zelo, disciplina e como tarefa revolucionária prioritária.

Cada militante é responsável por fortalecer e garantir o bom funcionamento dos núcleos da Unidade Popular. Trata-se de um compromisso diário, sistemático e contínuo, valorizando as reuniões e compreendendo-as como um local de partida no avanço da consciência revolucionária. Cada ação consciente dentro do núcleo contribui para a materialização do Poder Popular e do Socialismo.

Conheça e se organize no partido dos explorados e oprimidos. Filie-se à Unidade Popular!