UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

sexta-feira, 4 de abril de 2025
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Chapa construída pelo Movimento Correnteza vence eleições do DCE-UFCG

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Recebendo 2734 votos, a chapa “A maré tá pra luta” venceu as eleições do DCE-UFCG em fevereiro. Na mobilização para o processo eleitoral, o Movimento Correnteza vendeu 120 exemplares do jornal A Verdade entre os estudantes

Guilherme Queiroz | Campina Grande (PB)


As eleições do DCE da Universidade Federal de Campina Grande (DCE-UFCG), realizadas nos dias 25 e 26 de fevereiro, se concluíram com a vitória da chapa impulsionada pelo Movimento Correnteza. Junto de Centros Acadêmicos e Diretórios Acadêmicos de todos os 7 campi da universidade, o movimento uma chapa composta por mais de 100 estudantes comprometidos com a transformação da realidade da UFCG em 2025.

Com uma intensa campanha que buscou debater os próximos passos do movimento estudantil na universidade e promoveu a venda de mais de 120 exemplares do jornal A Verdade, a Chapa 01 – A MARÉ TÁ PRA LUTA conquistou 2734 votos. Mesmo com um processo de chapa única, a eleição bateu o quórum de votos pela primeira vez em 10 anos. Essa foi a terceira vitória seguida do Movimento Correnteza nas eleições do DCE-UFCG, reafirmando que a mobilização é o caminho certo para o avanço do movimento estudantil.

Gestões de luta

Durante a primeira gestão que contou com a participação do Movimento Correnteza (2022-2023), foi organizada uma grande campanha pela abertura dos Restaurantes Universitários a preço popular. Naquele momento, a UFCG organizava a reabertura de seus restaurantes ao preço de R$ 10,00, sob fortes críticas dos estudantes.

Após muita luta, o DCE-UFCG conquistou um subsídio de 50% no valor da alimentação para todos estudantes da universidade, tornando-se o RU mais barato da Paraíba. Essa gestão também foi responsável pela reativação do CNPJ e da conta bancária da entidade, desativados havia 8 anos, e pela revitalização da sede do DCE em Campina Grande, que estava em situação de abandono.

A gestão seguinte (2023-2024), que também foi impulsionada pelo Movimento Correnteza,  protagonizou a conquista da primeira eleição paritária para a reitoria. Anteriormente, em todas as eleições, o voto estudantil tinha peso de apenas 15%. Por sua vez, o voto dos professores valia 70% do processo. O DCE-UFCG conquistou a paridade, organizou o processo e cumpriu um papel decisivo para que aquela fosse a eleição para a reitoria com maior participação quantitativa e proporcional da história da universidade.

Além disso, a gestão de 2023-2024 organizou o primeiro congresso da entidade em 21 anos, abriu um cinema gratuito em sua sede, registrou a entidade para a emissão de carteirinhas — o que não acontecia havia 10 anos — e trouxe de volta as calouradas.

Vitória estudantil

O próprio processo eleitoral do DCE-UFCG demonstrou que 2025 será um ano de ainda mais lutas e vitórias estudantis. Durante a campanha, no campus da cidade de Cajazeiras, a chapa organizou a reivindicação por melhores estruturas para uma turma de Biologia que estava assistindo aulas em uma sala de conferências muito quente, sem climatização adequada e com pouca visibilidade de slides. Assim que a chapa se deparou com essa situação, organizou a mobilização e, no outro dia, conquistou o realocamento da turma para uma sala adequada que estava vazia.

O histórico da entidade demonstra que foi a partir da luta do movimento estudantil em torno das pautas mais caras aos estudantes que o Movimento Correnteza reconstruiu o DCE-UFCG. Em 2025, tendo construído a chapa que contou com o maior número de estudantes em anos, a gestão – A MARÉ TÁ PRA LUTA pretende cumprir a sua principal promessa de campanha: organizar os estudantes na luta por estrutura e permanência na UFCG.

A independência política das entidades estudantis

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A independência financeira das entidades estudantis, principalmente através da política de carteirinhas, é decisiva para sua independência política. Conquistar essa independência é decisivo para levar adiante a luta da juventude

Coordenação Nacional da UJR


A independência política e a independência econômica estão intimamente relacionadas na luta de classes. A independência política envolve a liberdade de expressar suas convicções, as políticas que defende, de forma autônoma. Já a independência econômica refere-se à capacidade de garantir os recursos necessários para transformar essas ideias em ações concretas. Em outras palavras, sem a base econômica, não há como viabilizar a independência política de maneira efetiva.

Para ilustrar melhor esta relação, existe um ditado conhecido no movimento social que diz “quem paga a banda, escolhe a música”. Ou seja, na sociedade capitalista, quem financia algo dita os objetivos ou fins.

Para os Centros Acadêmicos e Grêmios, a lógica se mantém. Entretanto, pelo seu caráter e histórico de luta, as entidades estudantis não se dobraram e, em sua imensa maioria, não aceitaram o financiamento de empresários para arcar com seus compromissos.

No Movimento Rebele-se e no Movimento Correnteza, não faltam exemplos de lutas que a base estudantil organizou. O ímpeto de manifestar é imenso, a vontade é contagiante, e isto é um elemento fundamental. Entretanto, a vontade é o primeiro passo. Para organizar as lutas, é necessário imprimir panfletos e jornais, contratar carro de som e visitar escolas distantes. Tudo isto exige recursos financeiros. E é neste quesito que encontramos os maiores desafios.

Existem várias formas de as entidades estudantis levantarem recursos próprios, como rifas, eventos, apoio de professores, etc. Todavia, estas são ações pontuais, que, por si, não garantem uma entrada regular de recurso que dê segurança para arcar com os desafios. A Carteira de Estudante se apresenta como o instrumento mais importante e basilar.

É preciso ver de maneira ampla. A carteira é, em primeiro lugar, a maneira como o/a estudante financia sua entidade; esta é a questão fundamental. Ela é um termômetro da confiança e do respeito que a entidade tem com a massa. Ela é a entrada mais segura de recursos, que só depende do/da estudante.

Foi justamente por isso que o governo fascista mirou seu ataque e tentou desarticular o movimento estudantil brasileiro a partir da falsa carteira digital de estudante. Sabendo desta força, o fascista Bolsonaro esbravejou ao assinar a Medida Provisória: “Essa lei de hoje, apesar de ser uma bomba, é muito bem vinda, vem do coração. E vai evitar que certas pessoas, em nossas universidades, promovam o socialismo”.

Portanto, não podemos marcar bobeira, devemos ter lutas mais firmes e consequentes e entidades estudantis mais fortes, capazes de conquistar mais direitos e, para isso, precisamos de um financiamento mais vigoroso das lutas. Apesar disso, a carteirinha de estudante ainda é subestimada. Por vezes, entidades fazem a propaganda da carteirinha, com o foco central na comparação do preço ou reduzindo seu papel como um simples método de obter descontos em serviços.

É o que chamamos de “defensiva”. Rebaixamos nossa política, colocando na frente receios que não se comprovam na realidade, além de subestimar a consciência dos estudantes que as entidades representam. A verdade é que a ampla maioria da massa estudantil sonha com melhores condições de estudo, concordam que a luta é o caminho para mudar a educação e que, sem ela, mesmo seus objetivos individuais não podem ser alcançados. É por isso que nas recentes eleições de norte a sul do Brasil os programas das chapas mais combativas vencem de maneira arrasadora.

A carteira de estudante é a materialização do vínculo dos estudantes com sua entidade representativa. Assim como um trabalhador se filia a seu sindicato, os estudantes querem ser “estudantes de carteirinha” e materializar a representação daquela entidade estudantil, em especial as que desenvolvem as lutas. Além do mais, todos valorizam o imenso trabalho feito pelas lideranças estudantis, que fazem suas tarefas de maneira voluntária, sacrificando dias letivos e tempo com amigos para organizar mais atividades e, por isso, veem na carteirinha uma maneira de financiar a luta que também é sua.

O financiamento é apenas parte desse processo e podemos ter mais ousadia, desafiar a consciência da juventude brasileira a realmente responder aos ataques à educação com um contragolpe, manifestações, greves, marchas que nascerão mesmo das menores pautas, mas que nos levarão até a vitória.

Matéria publicada na edição impressa nº 308 do jornal A Verdade

O papel do jornal A Verdade no movimento estudantil

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Venda de centenas de exemplares do jornal A Verdade na eleição do DCE da UEMG, vencida pelo Movimento Correnteza, demonstra a importância do jornal na luta política entre os estudantes

Maria Cecília | Belo Horizonte (MG)


No dia 19 de fevereiro, a militância da União da Juventude Rebelião (UJR) e do Movimento Correnteza de Minas Gerais se encontrava distribuída em oito campi da Universidade Estadual de Minas Gerais (UEMG), quatro deles fora de Belo Horizonte, para o primeiro dia de eleição do Diretório Central dos Estudantes. A UEMG sofre com o constante sucateamento do Governo Romeu Zema: não existe bandejão e as bolsas de assistência estudantil não passam de R$ 400; alguns prédios são alugados e impróprios.

Para os últimos dias da eleição do DCE, a militância decidiu transformar o jornal A Verdade em sua principal ferramenta de diálogo com os estudantes e ficou estabelecida a meta de vender, ao menos, 300 exemplares. Às 10h00, um companheiro ligou: “Camarada, envie mais jornais. Já vendemos toda a meta do dia”. Às 13h00, a ligação se repetiu: “Camarada, envie mais jornal, já vendemos a meta da eleição inteira”.

O jornal A Verdade esteve no centro da campanha eleitoral desde o princípio e orientou todas as panfletagens, conversas com estudantes e passagens em sala. Em uma das aulas, apresentando a chapa e o Jornal, foram vendidos oito exemplares entre os estudantes e o professor. Essa proximidade do Jornal com a chapa foi percebida nos dias da eleição. Os estudantes falavam que era “o Jornal da turma do DCE”, “o Jornal da passagem em sala”, “o Jornal do pessoal da chapa”, e compravam a nova quinzena.

Durante a campanha, foram vendidos 520 jornais para os estudantes da UEMG, nas sete cidades em que estávamos, sendo quase 400 nos últimos dias. Através do jornal A Verdade foram recolhidos mais de 300 contatos de estudantes que querem se somar à luta por uma UEMG e por um mundo melhor.

A juventude do nosso país deseja e precisa ouvir a política das nossas organizações, expressa pelo Jornal, que denuncia os problemas que cada um de nós vive, todos os dias, mas que nos enche e direciona para algo novo: a construção do socialismo. Assim, nos primeiros minutos do dia 21 de fevereiro, com o Jornal erguido nas mãos, a militância da UJR e do Movimento Correnteza pôde comemorar mais uma vitória num DCE do país: 932 votos para nossa chapa.

Matéria publicada na edição impressa nº 308 do jornal A Verdade

A luta dos portuários contra a privatização dos portos

No Porto de Itajaí, em Santa Catarina, os portuários se mobilizam para enfrentar a ameaça de privatização. Brigadas operárias do jornal A Verdade impulsionam a organização da categoria

Leonardo Ziegler Huber e Tais Tasqueto Tassinari | Navegantes (SC)


Itajaí é a maior economia do Estado de Santa Catarina, e o trabalho portuário é ligado diretamente a sua história. No final do século 19 e início do 20, a atividade portuária detinha a maior concentração de trabalhadores. A relevância do porto e sua necessidade de melhorias foram percebidas pelo Governo Federal, que expediu, no ano de 1905, normas para organização e aperfeiçoamento do porto. Os trabalhos se iniciaram em 1907 e promoveram o melhoramento da barra de acesso, uma vez que, em virtude da pouca profundidade do rio Itajaí-Açu, muitos navios não conseguiam chegar ao cais. A primeira manifestação dos trabalhadores de Itajaí, no sentido de uma organização coletiva, ocorreu em 1902, com a fundação da Sociedade Operária Beneficente Itajahyense (Sobi), cujos membros eram majoritariamente integrantes de atividades portuárias e negros.

Quase um século depois, em junho de 1995, a autoridade sobre o porto foi cedida pela União para o Município de Itajaí, a partir do Convênio de Descentralização Administrava n° 001. O Governo Federal, através do Ministério de Portos e Aeroportos (MPOR), na data de 02 de março de 2023, declarou que a União pretendia prosseguir com a proposta de manter a autoridade portuária pública por mais 35 anos (até o ano de 2058) e realizar licitação para arrendamento das áreas operacionais à iniciativa privada. Com isso, percebe-se que, ainda assim, o porto não opera 100% como público, sendo parte de seus trabalhadores contratados através do Órgão Gestor de Mão de Obra (Ogmo), que atua no cais público, estabelecendo a forma de organização da contratação das categorias de estivadores, arrumadores, conferentes, vigias e consertadores. Já no século 21, os trabalhadores portuários ajudaram a cidade a chegar ao patamar da maior importadora do Brasil, além do segundo porto em movimentação de containers no país.

Tentativa de privatização

A precarização das condições de trabalho foi o primeiro passo, e essa é uma das características mais essenciais do processo de privatização neoliberal. O arrendamento com a empresa ATM no terminal de cargas finalizou em 2022, no Governo Bolsonaro. Na época, Tarcísio de Freitas (Republicanos), hoje governador de São Paulo, era ministro dos Transportes e eles decidiram que, naquele momento, não ocorreria mais o leilão de concessão, tendo uma queda de 95% do atracamento, praticamente paralisando o porto em um processo de sucateamento do mesmo.

O responsável pela condução do leilão de concessão, Diogo Piconi, ex-secretário de Portos do Governo Bolsonaro, depois de não efetivar o leilão, foi contratado pela Portonave como superintendente técnico, um porto totalmente privado que fica do outro lado do rio Itajaí-Açu, na cidade de Navegantes (SC). Não por acaso, no mesmo período, toda a carga que antes atracava no porto público de Itajaí começou a atracar no porto privado da Portonave.

Correio Junior, presidente do Sindicato dos Arrumadores, Trabalhadores Portuários Avulsos, Capatazia e Servidores dos Bloco de Itajaí e Navegantes, que apontava a contradição entre capital e trabalho, foi candidato a vereador, nas últimas eleições municipais, justamente pelo partido Republicanos, o mesmo de seus antigos patrões, que precarizam a vida dos trabalhadores portuários.

Lei dos Portos

Em março de 2024, Arthur Lira, então presidente da Câmara dos Deputados, criou uma comissão para revisar a Lei dos Portos, porém nenhum trabalhador portuário foi indicado para esta comissão. Somente na semana anterior à paralisação nacional (outubro de 2024), o Sindicato dos Trabalhadores Empregados na Administração e nos Serviços de Capatazia dos Portos, Terminais Privativos e Retroportuários no Estado do Paraná (Sintraport) teve acesso ao relatório desta comissão. Entre os principais pontos reformulados da lei, estão a eliminação de diversas categorias (vigias, guardas portuários, alguns funcionários administrativos), o fim da exclusividade dos trabalhadores portuários, que põe em risco o trabalho de categorias exclusivas dos portos, como a dos estivadores, que hoje são os únicos responsáveis pelo trabalho de carga e descarga portuária.

O relatório da comissão também impõe a criação de uma empresa paralela de trabalho nos portos, o que caminha na direção da precarização das condições de trabalho e dos salários, como disseram os próprios portuários durante as brigadas do jornal A Verdade. “Se privatizar, vai ser muito ruim para nós. Primeiro porque não houve conversa. Segundo que eu já trabalhei no porto na cidade vizinha que já é privado e lá eu ganhava um quarto do meu salário daqui e trabalhava quatro vezes mais. Lá a empresa não quer saber se o container pode vir a cair na nossa cabeça e muito menos deixar os trabalhadores se unirem, já que é impossível montar um sindicado, pois eles demitem todos que tentam”. Os trabalhadores portuários são contra toda essa terceirização dos serviços, como a da guarda portuária, que deixaria de existir com a reforma da Lei dos Portos.

Paralisação nacional

A paralisação foi organizada pela Federação Nacional dos Portuários (FNP). A proposta era de 12 horas de paralisação, com o objetivo de dar visibilidade às reivindicações da categoria; denunciar que as mudanças na lei usurpam direitos dos trabalhadores portuários; explicar que não estão pedindo nada de mais, além do emprego.

O Movimento Luta de Classes (MLC) iniciou as brigadas do jornal A Verdade no primeiro dia após a paralisação, seguindo todos os dias da semana, dada a rapidez com que a burguesia e seus representantes políticos têm para sabotarem os direitos dos trabalhadores. Em conversa com os trabalhadores portuários, muitos apontaram a necessidade urgente de unir as categorias e realizar greves não de apenas um dia, mas de cinco dias ou mais, o que demonstra que a rebeldia e a vontade de lutar existe nos trabalhadores, porém, muitos estão receosos com as possíveis mudanças na forma de contratação e acabam se sentindo obrigados a falar baixo ou ficarem quietos, quando algum supervisores aproximava.

No dia 23/10/2024, um dia após a paralisação, foi realizada a apresentação do relatório da comissão na Câmara dos Deputados com a presença das lideranças portuárias e sindicatos para cobrar explicações. Mesmo assim, ignorando as necessidades dos trabalhadores, a comissão aprovou o texto do relatório, que seguirá os trâmites internos das demais comissões. No dia 24, houve plenária dos portuários com representação de todas as federações para decidir os próximos passos da luta. A opinião dos portuários de Itajaí foi unânime: somente a greve nacional por vários dias conseguiria barrar os retrocessos.

Depois da tentativa de privatização e da eleição do Governo Lula, em 2022, outras incertezas se levantaram sobre a situação dos trabalhadores portuários e a movimentação de cargas no porto. A bola da vez sobre a situação é o processo de federalização. A decisão da federalização foi anunciada no dia 17 de dezembro de 2024, pelo Ministério dos Portos e Aeroportos, e justificada pelo governo como uma solução para estabilizar as operações e atrair novos investimentos. A Autoridade Portuária de Santos (PAS), responsável pelo maior porto da América Latina, assumiu a gestão do terminal portuário catarinense no dia 02 de janeiro deste ano. A questão da federalização pelo Governo Lula vem após as eleições para as municipalidades, em 2024, quando o prefeito fascista de Itajaí, Robison Coelho (PL), foi eleito. Federalizar o porto é afastar, ao menos temporariamente, a sua gestão das mãos do prefeito privatista e higienista de Itajaí.

Brigadas operárias

Desde a paralisação do porto, em 2022, após a tentativa de privatização pelos fascistas liderados por Bolsonaro, o MLC vem acompanhando a situação das trabalhadoras e trabalhadores portuários a partir das brigadas quinzenais do jornal A Verdade, coletando denúncias e aproximando-se cada vez mais da vida dessas categorias. No início de 2025, já foram seis brigadas, com dezenas de jornais vendidos. Muitos trabalhadores chegam para debater e apoiar o nosso trabalho no sentido da organização dessa categoria.

Nos Estados Unidos, em outubro passado, os portuários realizaram uma paralisação que interrompeu as atividades de 36 dos principais portos estadunidenses. Quase 50 mil trabalhadores cruzaram os braços e conquistaram um aumento de 62% nos salários.

As categorias que trabalham nos portos brasileiros merecem respeito e uma organização para chamar de sua. O trabalho de base, diário, sistemático e contínuo está crescendo cada vez mais com a classe operária desse país e a sua vitória é inevitável.

Matéria publicada na edição impressa nº 308 do jornal A Verdade

Estudantes conquistam café da manhã nos restaurantes universitários da UFRJ

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Após um ano de mobilizações, estudantes organizados pelo DCE e Centros Acadêmicos conquistaram a criação do serviço de café da manhã nos restaurantes universitários da UFRJ.

Henderson Ramon | Rio de Janeiro


JUVENTUDE – No último dia 17, foi o primeiro dia que os estudantes da UFRJ tiveram acesso a café da manhã nos bandejões, como são conhecidos os restaurantes universitários, por apenas R$2,00. A conquista foi resultado da luta encabeçada pelo DCE da UFRJ e os Centros Acadêmicos que pressionaram a reitoria para a garantia do direito.

A luta pela alimentação é uma bandeira histórica do movimento estudantil na UFRJ. O Bandejão Central tem o nome de Restaurante Universitário Edson Luís, que foi um estudante secundarista que foi assassinado pela Ditadura Militar enquanto lutava por melhores condições de alimentação num preço acessível aos estudantes no Restaurante Calabouço.

A luta de Edson Luís também é nossa luta. Na UFRJ, ao longo dos últimos anos, o Movimento Correnteza esteve a frente da luta por uma alimentação de qualidade e conquistamos, junto a diversos Centros Acadêmicos e o DCE, a inauguração de 5 novos bandejões.

Em 2024, o Diretório Central dos Estudantes da UFRJ esteve presente em diversas mobilizações pra cobrar a implementação do café do manhã. Uma das ações do DCE Mário Prata foi a realização de um “cafezaço”, onde eram distribuídos kits de café da manhã junto com um abaixo assinado e colagem de cartazes que envolveram milhares de estudantes. A luta pelo café da manhã ganhou força durante a greve estudantil realizada em 2024, na qual mais de 50 cursos paralisaram e a demanda pela implementação da refeição no bandejão foi uma das principais reivindicações.

O chamado “Cafezaço do DCE” foi uma das formas de mobilização estudantil durante a luta pelo serviço de café da manhã. Foto: Correnteza UFRJ

As mobilizações duraram o ano inteiro e envolveram diversos Centros Acadêmicos de todos os campis da Universidade. A Maior Universidade Federal do país tem muitos estudantes que precisam se deslocar por grandes distâncias para ter suas aulas, e uma parte considerável dessas pessoas tinha como primeira refeição o almoço que só começava a ser servido por volta das 11 horas. Para combater os números de evasão da graduação o DCE faz também diversas campanhas por mais Assistência Estudantil, reivindicando melhorias nos auxílios financeiros para os estudantes de baixa renda.

O Café da Manhã na UFRJ será servido entre 6:30h e 8:30h. O cardápio terá café com leite, pão com algum acompanhamento e fruta. Assim como nas demais refeições, o cardápio também tem opção vegana e vegetariana. O pagamento pode ser feito via Pix, cartão ou em dinheiro. Os estudantes que já obtém isenção na alimentação também terão direito a gratuidade no café da manhã. O serviço de café da manhã iniciará entre os dias 17 e 24 de março nos bandejões da UFRJ, pela página do DCE Mário Prata no Instagram é possível saber o calendário completo.

Israel retoma genocídio e assassina 430 palestinos em Gaza

Israel rompe cessar-fogo e mata 430 palestinos nas últimas 12 horas em Gaza. Assassinatos em massa cometidos pelo exército sionista priorizam mulheres e crianças.

Felipe Annunziata | Redação


INTERNACIONAL – Sem nenhum tipo de provocação ou descumprimento do acordo de cessar-fogo por parte da resistência palestina, o ditador sionista Benjamin Netanyahu retomou os bombardeios e o assassinato em massa do povo da Faixa de Gaza. Os ataques contra a população civil se concentrou nas localidades de Rafah, Khan Younis, Cidade de Gaza, Deir al-Balah e Al-Mawasi.

Mesmo com os grupos de resistência palestina conduzindo a libertação dos prisioneiros de guerra israelenses nas últimas semanas, conforme previa o acordo de cessar-fogo, Israel já havia retomado, há algumas semanas, o bloqueio da entrada de águas, alimentos e outros itens de primeira necessidade para os palestinos.

“As mesmas imagens voltaram para nos atormentar. Pequenas crianças em macas, irmãos feridos e desorientados tentando se acalmar e reconfortar, famílias inteiras assassinadas, crianças, mães e pais procurando seus entes queridos debaixo dos escombros sem saber se estão vivos ou mortos.”, afirmou Riyad Mansour, embaixador da Palestina na ONU.

Por que Israel voltou a massacrar palestinos de Gaza?

Um dos motivos que vem sendo afirmado na grande mídia burguesa para a retomada do genocídio na Faixa de Gaza seria o medo do líder de Israel, Benjamin Netanyahu, ser preso pelas acusações de corrupção das quais é alvo. No entanto, apesar de terem um peso grande na decisão do governo israelense, a situação judicial de Netanyahu não é a causa principal do retorno da guerra.

Na realidade, Israel está aproveitando o momento em que conta com um apoio ainda mais forte do presidente fascista dos EUA, Donald Trump, para colocar em prática seu plano histórico de limpeza étnica da população palestina de suas terras. O objetivo de Netanyahu, como já foi afirmado inúmeras vezes pelo próprio e por seus ministros, é matar o maior número possível de palestinos e expulsar os demais da Faixa de Gaza e da Cisjordânia.

Mesmo com o cessar-fogo, conquistado após muita luta pela resistência palestina, este nunca deixou de ser o objetivo principal de Israel. Com a garantia de Trump, que defende transformar Gaza num resort em cima dos corpos de dezenas de milhares de palestinos, os israelenses se sentiram “à vontade” para retomar o genocídio.

No entanto, tanto a resistência palestina, quanto os povos do mundo não ficarão parados diante desta barbárie. No Iêmen, os rebeldes Houthis, com apoio da população, retomaram os ataques aos comboios de navios estadunidenses e israelenses no Mar Vermelho. Na Europa e nos EUA, movimentos sociais de estudantes e trabalhadores prometem continuar a pressão para o fim de genocídio, mesmo sob a ameaça de repressão das chamadas “democracias ocidentais”.

Neste momento, com a violência dos ataques é urgente a mobilização e a denúncia diária das atrocidades cometidas por Israel neste genocídio. Os palestinos já demonstraram, mais de uma vez, sua capacidade de resistir e vencer o agressor imperialista, cabe a todos agora apoiar esta luta.

Estudantes lutam contra o ranqueamento no curso de Letras da USP

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No curso de Letras da USP, a possibilidade de estudar uma língua estrangeira é determinada pelo “ranqueamento”, um processo que seleciona os estudantes com base nas notas de seu 1º ano de graduação. Denunciando a arbitrariedade desse mecanismo, alunos organizam plebiscito e outras ações para questioná-lo

Rael Brito* e Redação SP


No curso de Letras da Universidade de São Paulo (USP), os estudantes estão organizando uma luta contra o “ranqueamento”. Através desse processo, a universidade seleciona os alunos que cursarão as habilitações de línguas estrangeiras e de Linguística, com base na média das notas do primeiro ano de graduação. Os alunos denunciam que esse processo acaba sendo um “vestibular depois do vestibular”, que restringe a possibilidade de estudar a língua que se deseja.

De acordo com a universidade, o ranqueamento precisa existir devido ao número insuficiente de professores no curso de Letras. Contudo, isso só demonstra que esse mecanismo é fruto da política de desmonte das universidades públicas em São Paulo, que vem sufocando o orçamento da Educação e deixando estudantes sem professores, bolsas e moradia estudantil. Além disso, o Movimento Correnteza denuncia que, ao tolher os caminhos de formação dos alunos, ele também contribui para a alta taxa de evasão no curso.

Por isso, de 17 a 19 de março, um plebiscito está sendo promovido na Letras USP para difundir a luta pelo fim do ranqueamento e ouvir as opiniões dos estudantes sobre esse processo.

Uma falsa meritocracia

“Hoje, o ranqueamento é o que mais complica a vida dos estudantes de primeiro ano. Gera um clima de competitividade entre todo mundo que acabou de entrar, em que você está disputando com seus colegas a língua que você quer estudar”, explica Leonardo, estudante de Grego na Letras USP, ao jornal A Verdade.

O ranqueamento alega ter como princípio a meritocracia, segundo o qual aqueles que mais se esforçam têm notas maiores e, portanto, têm mais merecimento de cursar a língua que desejam. Caso o aluno não consiga, é porque não se dedicou o suficiente aos estudos.

No entanto, esse discurso não se sustenta quando se leva em consideração a desigualdade vivida na universidade. A presença crescente de estudantes de baixa renda na USP é também acompanhada de relatos de dificuldade de estudar devido às dificuldades econômicas, longos deslocamentos, falta de tempo para os estudos devido à necessidade de conciliá-lo com o trabalho, entre outros fatores.

Na realidade, o ranqueamento ainda gera outras distorções: os estudantes relatam que há receio de se apoiar nas matérias durante o primeiro ano, já que você pode estar “entregando a vaga” a um colega ao ajudá-lo a melhorar. Além disso, os graduandos se impedem de fazer matérias que desejam, com receio de que a nota os impeça de estudar a língua com que sempre sonharam.

“Os estudantes evitam fazer matérias optativas no primeiro ano, já que isso pode afetar sua média ponderada e te prejudicar. Atualmente, o ranqueamento é a principal barreira entre o estudante de Letras e os assuntos que ele deseja estudar”, continua Leonardo.

Falta dinheiro?

Quando os estudantes exigem mudanças na universidade — da troca de fechadura dos banheiros à reposição de professores –, a direção dos cursos e faculdades da USP têm respondo sempre da mesma forma: “Não há dinheiro”. Apesar disso, a instituição têm tido saldos financeiros na casa dos bilhões de reais. O que acontece na verdade é que, através do que a reitoria chama de “parâmetros de sustentabilidade”, tem sido imposto um teto de gastos que segura recursos que poderiam estar resolvendo problemas estruturais do cotidiano estudantil.

O Movimento Correnteza luta pelo fim dos parâmetros de “insustentabilidade”, dos editais de mérito e pela volta da reposição automática de docentes, pois essa política de austeridade já mostrou que só serve para desmontar a educação pública.

Para os estudantes em luta, as alegações de falta de dinheiro escondem que, na verdade, o ranqueamento existe por um projeto político de limitar o acesso a uma série de habilitações em línguas estrangeiras. Enquanto alguns cursos mais demandados pelo mercado estão em melhores condições, outros vivem eternamente sob risco de fechamento e com vagas extremamente limitadas.

Com bilhões de reais em caixa, a USP tem a possibilidade de custear infraestrutura, professores e ferramentas de ensino para que cada estudante pudesse seguir livremente a habilitação que gostaria, mas toma a decisão política de não fazer assim e manter o mecanismo excludente do ranqueamento.

Lutar para conquistar melhorias

Diante de desse cenário, o plebiscito dos dias 17 a 19 de março tem tudo para ser um importante espaço para que os estudantes de Letras da USP se manifestem contra todas essas distorções.

Para evitar as meias soluções que não resolvem o problema dos graduandos, o Movimento Correnteza defende a importância de que os estudantes sejam categóricos na luta pelo fim do ranqueamento, em defesa do livre ingresso nas habilitações e pela criação de condições orçamentárias e físicas que garantam qualidade em cada uma das habilitações, além da realização de dezenas de contratações que enfrentem a falta de professores. Alternativas apresentadas pela universidade, como a transferência do ranqueamento para a FUVEST ou o fim da dupla habilitação, precisam ser rejeitadas.

“No lugar de precarização, queremos permanência! No lugar do ranqueamento, queremos mais contratações e salas de aula! No lugar do edital de mérito, queremos mais orçamento para a Letras!”. Essas são as palavras de ordem que têm mobilizado a luta dos estudantes da Letras USP por um ensino de qualidade e por uma universidade verdadeiramente pública.

Somente com a luta será possível inverter a atual lógica de sucateamento da universidade, em que a excelência é exigida dos alunos mas não é entregue pela própria instituição, que precariza continuamente a qualidade do ensino. Por isso, todos os estudantes são convocados a votar no plebiscito da Letras USP e se manifestar acerca da luta pelo fim do ranqueamento.

*Rael Brito é estudante de Letras e membro do Movimento Correnteza na USP

Bombardeios dos EUA no Iêmen assassinam mais de 30 pessoas

Ordenados pelo fascista Donald Trump, os ataques dos Estados Unidos buscam frear as ações anti-imperialistas promovidas pelo povo do Iêmen em solidariedade ao povo palestino.

Felipe Annunziata | Redação


INTERNACIONAL – O exército dos Estados Unidos conduziu uma série de bombardeios no Iêmen neste domingo (17/3). A capital iemenita Sana e diversas cidades do noroeste do país foram vítimas da agressão militar imperialista. Pelo menos 30 pessoas foram assassinadas e mais de 100 ficaram feridas, a maioria delas mulheres e crianças, de acordo com o Ministério da Saúde do Iêmen.

“Eu os abracei e tentei acalmá-los imediatamente. Crianças e mães ainda estão assustadas e em choque”, disse Abdul Rahman al-Nuerah, morador de Sana.

O Iêmen é um dos países mais pobres do mundo e vítima de intervenções estrangeiras patrocinadas pelas monarquias reacionárias árabes. Mesmo assim, a população do país conduz uma intensa campanha de solidariedade ao povo palestino, com manifestações semanais e ações de resistência no Mar Vermelho, que banha o país, para impedir que navios israelenses levem armas e suprimentos para o genocídio do povo de Gaza.

Após essas ações, o Iêmen se tornou alvo preferencial das potências imperialistas ocidentais. Já no governo Biden, os estadunidenses bombardearam o país uma série de vezes. Está é a primeira ação do tipo na administração de Donald Trump.

Iêmen é vítima de agressões imperialista

O Iêmen vive há mais de 10 anos em um estado de guerra civil, onde potências como a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos intervém no país a mando dos EUA e da Europa.

Têm sido comuns bombardeios nas cidades do país. Ficaram mundialmente conhecidos os ataques aéreos estrangeiros contra casamentos, festas e outras atividades de famílias iemenitas, que causaram milhares de mortes de civis.

Desde o início da guerra civil, mais de 4 milhões de pessoas tiveram que sair de suas casas e o país foi jogado na miséria completa. O Iêmen hoje está dividido entre o governo de Sana, liderado pela facção Houthis, de orientação islâmica e que recebe apoio do Irã, e o governo de Abd-Rabbu Mansour Hadi, apoiado pelas potências imperialistas e as monarquias árabes.

O fato é que hoje, mesmo com o país dividido, os trabalhadores e o povo iemenitas demonstraram grande força de luta em defesa do povo palestino. As ações dos Houthis no Mar Vermelho impediram dezenas de navios israelenses, europeus e estadunidenses de circularem numa das principais rotas comerciais de armas e suprimentos para o exército de Israel.

O objetivo do fascista Trump é forçar o fim dessas ações de solidariedade. No entanto, os movimentos iemenitas, como os Houthis, já afirmaram que continuarão suas ações em defesa da Palestina.

Povos indígenas e professores do Pará conquistam revogação de lei contra a educação

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A vitoriosa luta para revogar a Lei nº 10.820/2024, imposta arbitrariamente pelo governador Hélder Barbalho (MDB), mobilizou os povos indígenas e os profissionais da educação do estado do Pará.

Guará Porã Tupinambá e Genesis Amanaci Nambikwara | Belém (PA)


Com base na violência policial e na prisão de professores e alunos, a Lei nº 10.820 foi aprovada no fechar das cortinas de 2024, a mando do governador Helder Barbalho (MDB) e do secretário de Educação Rossieli Soares. A lei retirava diversos direitos históricos, modificando o plano de carreira, a política de bonificações, as políticas do Sistema Modular de Ensino (Some) e do Sistema Modular de Ensino Indígena (Somei).

Esses dois sistemas (inicialmente extinguidos na lei) são responsáveis pelo ensino em comunidades rurais, camponesas e indígenas, sendo, portanto, diretrizes nacionais. Mesmo assim, foram alvo da política de sucateamento do Governo Estadual, na intenção de avançar na precarização da educação pública para entregar as escolas à iniciativa privada. Prova disso são os contratos milionários com grupos educacionais privados, que seriam responsáveis pela implementação do ensino a distância no Pará.

Povo vai à luta

Após tomar conhecimento da nova lei, no dia 14 de janeiro de 2025, cerca de 500 indígenas do Baixo, Médio e Alto Tapajós, organizados pelo Conselho Indígena Tapajós-Arapiuns (Cita), além de quilombolas e outras organizações de base, ocuparam, por cerca de um mês, a sede da Secretaria de Educação do Estado. O Sindicato dos Trabalhadores da Educação Pública do Pará (Sintepp) deflagrou greve geral da educação no dia 23 de janeiro, que se massificou em mais de 80 dos 144 municípios paraenses.

O Estado, no primeiro momento, atacou a ocupação indígena, enviando a Polícia Militar para utilizar spray de pimenta, cortar a água e a energia elétrica, censurar a imprensa. Atacou também a greve, tentando perseguir lideranças sindicais, ameaçando os professores, e moveu uma ação na Justiça contra o sindicato. Não obteve o resultado que queria, pois, a cada dia, novos ocupantes e apoiadores se somaram à luta, no Brasil e no mundo.

Em propaganda governamental veiculada em 16 de janeiro, o Governo afirmava que “resgatou a autoestima dos professores”. A verdade é que Barbalho e Rossieli não se preocupam com o bem-estar dos professores e com a prestação de uma educação de qualidade aos jovens paraenses, mas sim em maquiar a realidade do ensino paraense. A maioria das escolas públicas estão sucateadas, não há concursos públicos da Secretaria de Educação desde 2018 e o quadro de professores segue insuficiente, com grande parte dos profissionais tendo que assumir cerca de 20 turmas, em média, com 40 alunos cada, em escolas sem infraestrutura.

Os povos tradicionais, desde o primeiro dia da ocupação, foram exemplo de poder popular, organizando cozinhas, acampamentos, comissões de segurança, ritualísticas e um forte canal de comunicação popular e autofinanciamento para manter a ocupação.

Alessandra Munduruku e Dadá Borari, importantes lideranças indígenas, ressaltaram durante suas falas que existem indígenas que dão aulas em escolas não-indígenas, e que não-indígenas também podem dar aulas nas escolas indígenas, portanto, a revogação da lei deve ser o horizonte para a garantia máxima dos direitos e seguridade socioeducacional do estado.

Avanços consecutivos, como reuniões com o Ministério Público Federal (MPF), representantes da Seduc, Ministério dos Povos Indígenas, procuradores, OAB, apoio de instituições da sociedade civil e movimentos sociais foram conquistando espaço social e fortalecendo a ocupação, culminando na derrubada de liminares de reintegração de posse que o Governo tentou realizar. Paralelamente, diversas formas de luta com atividades culturais ocorreram, como o Festival Revoga Já. Houve também ocupações na BR-163, no interior do Pará, que durou três semanas e paralisou atividades na rodovia.

“O governador impôs a Lei 10.820 de forma autoritária, pois o artigo 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) garante o direito à consulta livre, prévia e informada para as comunidades e territórios tradicionais que serão afetados por projetos assim. Não se pode ferir o nosso modo de vida. Temos uma lei que nos ampara, mas ela está sendo violada na cara dura”, afirma Milena Tupi Petuyra Tupinambá. O governo cortou 85% das verbas para a educação do campo no último período. “No Norte já se tem uma educação precária se comparado aos outros estados, e os professores também sofreram violências, por isso, nós, povos indígenas, tomamos a frente da situação. Com a educação indígena não se brinca!”, conclui ela.

Pressão conquista revogação

A revogação da Lei 10.820/2024, em 12 de fevereiro de 2025, representa uma vitória histórica para os povos indígenas e comunidades tradicionais, reafirmando a importância da mobilização social e da unidade na luta contra políticas que ameaçam os modos de vida, a educação especial indígena e seus direitos fundamentais.

Desde as primeiras horas da manhã, os povos indígenas, quilombolas, professores, jornalistas e apoiadores, juntaram-se no começo das Docas e marcharam juntos para a Assembleia Legislativa do Pará (Alepa), trazendo cartazes, encantarias e cânticos tradicionais que carregavam as vozes dos ancestrais e a luta pelas suas reivindicações. O espaço foi tomado por apresentações culturais, assim como o som de maracás e outras expressões artísticas, representando a riqueza das tradições dos povos originários. O clima de muito som e encantaria era um ato de resistência que dava ênfase à gravidade da pauta, evidenciando a força dos povos ali em luta em defesa do ensino presencial nas comunidades tradicionais.

Os povos acompanharam a sessão plenária da Alepa através de um telão colocado na fachada do prédio, entoando seus cantos e manifestando seu descontentamento. Em um momento de fervor, eles atravessaram e quebraram a barricada em frente à Alepa, colocando-se face a face com os policiais, até que esses foram obrigados a descerem, enquanto os povos foram subindo e se colocaram diante da porta da Alepa, em plena votação. A mensagem foi evidente: ou revoga ou entramos para mostrar nossa força.

A pressão exercida culminou na aprovação do Projeto de Lei nº 13/25, que revogou a Lei 10.820/24. A notícia foi recebida com aplausos, cânticos, rituais e danças, significando a vitória coletiva pela resistência e a união dos diversos povos envolvidos.

Inspirados na Revolta da Cabanagem (1835-1840), quando a população do Grão-Pará, constituída por indígenas, algumas pessoas pretas e brancos pobres, levantou-se contra a elite do poder imperial, por meio da luta por melhores condições de vida e autonomia política. A Cabanagem não foi apenas uma revolta contra a opressão do Estado, mas uma tentativa concreta de reorganização do poder político. A luta histórica inspira os combates de hoje, inclusive as lutas contra as políticas neoliberais e neocoloniais ainda presentes na região amazônica.

Matéria publicada na edição impressa nº 308 do jornal A Verdade

Governo de São Paulo deixa professores sem trabalho e estudantes sem aulas

Os professores de São Paulo enfrentam as políticas fascistas do governador Tarcísio de Freitas, que precarizam o ensino público estadual e os empregos dos profissionais da educação.

Gustavo Paixão | MLC SP


Professores estaduais de São Paulo têm sofrido com o sucateamento da educação pública e o desrespeito do governador fascista, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Milhares de professores começaram 2025 sendo impedidos de atribuir aulas, ficando sem turmas para ministrarem.

Há décadas os governos de direita do estado têm adotado uma política de contratação temporária de professores para a rede estadual de educação em vez de realizar concursos públicos. Segundo dados da ONG Todos pela Educação, dos 162.935 mil professores dando aulas na rede estadual em 2023, 69.980 eram efetivos e 82.685 temporários.

Esse modelo de contratação é uma forma de precarização da educação, retirando direitos da categoria, contratando professores por salários mais baixos, sem estabilidade e com piores condições de trabalho. A substituição de professores concursados por contratados temporariamente faz parte do pacote de desmonte da educação pública, junto com as privatizações e o corte de R$ 11 bilhões no setor aprovado para 2025.

Concurso público

No fim de 2023, depois de 10 anos de luta da categoria, foi realizado concurso para contratação de docentes efetivo, porém, apenas 15 mil vagas foram abertas. Sendo assim, mesmo que todas as 15 mil vagas sejam preenchidas por professores que hoje trabalham no regime temporário, 67 mil professores continuam sofrendo com esta forma de contrato.

Além das vagas insuficientes, o estado não abriu vagas para professores de disciplinas como sociologia e filosofia no concurso. Hoje são cerca de 30 mil professores inscritos nessas matérias que se encontram em situação instável.

Apesar do Governo Federal ter sancionado a mudança de 1.800 para 2.400 horas na Formação Geral Básica do Novo Ensino Médio, de acordo com a BNCC, o Governo fascista de Tarcísio não segue a lei e efetuou novos cortes na grade curricular, com destaque novamente para ciências humanas. Nos últimos cinco anos, os governadores João Dória (PSDB) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) reduziram em 35% a grade curricular de ciências humanas nas escolas. As disciplinas de sociologia e filosofia tiveram a carga horária reduzida em 62,9%.

Impedidos de trabalhar

No início deste ano, os professores sofreram mais um ataque da gestão fascista de Tarcísio de Freitas. Desrespeitando milhares de docentes, o secretário da educação Renato Feder, milionário dono de uma das principais empresas parceiras de Tarcísio, decretou uma nova forma de atribuição de aulas. Agora, os diretores das escolas, indicados pela gestão do governo do estado, escolhem os professores que serão contratados.

Antes, a atribuição de aulas se dava a partir de critérios objetivos. Os professores efetivos tinham prioridade na manifestação de interesse, depois os contratados e os aprovados que aguardam convocação podiam pleitear uma turma. A escala final era determinada a partir de um sistema de pontuação que considerava fatores como experiência na rede estadual, cursos de especialização e pós-graduações. Agora, o poder de decidir os professores que terão aulas atribuídas foi dado diretamente aos diretores das escolas.

Além de piorar as condições do ensino, já que a capacidade profissional dos professores foi colocada em segundo plano, criou-se uma nova forma de controle e repressão do Estado à categoria. Com esta nova forma de contratação, professores críticos ao governo estão sendo excluídos do processo de atribuição. Professores que lutam por melhores condições na educação, pelos direitos dos estudantes e da categoria, pautam uma educação emancipatória e combatem os projetos fascistas do governo são os primeiros atacados.

Pablo Cavichini, professor de Diadema e militante do MLC, explicou como tem sido a repressão aos professores nas escolas: “Nós sempre nos posicionamos contra o desmanche da educação pública, contra o Novo Ensino Médio e a plataformização do ensino, que retira o contato dialógico com o aluno e intensifica a educação bancária. Por sermos contrários aos projetos do governo, muitos diretores nos veem como empecilhos à implementação das ordens da Secretaria da Educação. Com essa nova forma de atribuição, o governo está tentando nos impedir de dar aulas como forma de desorganizar a luta pela educação e nos reprimir”.

Professores em luta

Frente aos novos ataques, a categoria tem se mobilizado para lutar contra o projeto neoliberal fascista da gestão Tarcísio-Feder. Os professores têm pressionado a gestão do sindicato a construir uma greve para barrar esses ataques e dar resposta a situação.

Para Thais Gasparini, professora e conselheira do Sindicato dos Professores de São Paulo (Apeoesp), em Santo André, “a única saída para esse caos na educação que o governo de São Paulo criou, é a organização dos professores e a realização de uma greve geral da educação que obrigue o governo a respeitar nossa categoria e os estudantes”.

Os professores do Movimento Luta de Classes têm estabelecido contato com a categoria, realizando passagem nas escolas, apresentando o jornal A Verdade e convidando para construção do movimento classista e revolucionário.

No dia 21 de março, a Apeoesp convocou uma assembleia com chamamento de greve. É importante a unificação das lutas da categoria para dar um basta na ofensiva do fascismo. Só através da luta será possível derrotá-los e avançar na construção de uma sociedade nova, sem classes e sem exploração.

Matéria publicada na edição impressa nº 308 do jornal A Verdade

MLB inicia preparação para seu 6o Congresso

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O Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) iniciou, neste mês de fevereiro, a preparação para seu 6º Congresso Nacional. O primeiro estado a realizar o Congresso Estadual foi Minas Gerais, no último dia 09 de fevereiro. Confira abaixo trechos da resolução política do evento.

MLB Minas Gerais


Companheiras e companheiros do MLB, vivemos um momento em que a luta de classes se acirra em todo o mundo, uma escalada armamentista com guerras interimperialistas e com  o genocídio do povo palestino.

O avanço da extrema direita, e a crescente organização de grupos e partidos fascistas no mundo nos mostram que não existe outro caminho, senão a resistência. O nosso país vive uma severa crise política e financeira. Nosso povo segue abandonado, entregue à fome e ao desespero.

São tempos difíceis, mas também de luta. E o MLB tem se mostrado um verdadeiro instrumento de organização do povo pobre em nosso país, realizando grandiosas lutas e obtendo vitórias históricas. Neste sentido, o MLB realizou as maiores jornadas de luta contra a fome que esse país já viu, com milhares de famílias pobres das favelas, vilas e ocupações ocupando grandes redes de supermercados. Enfrentamos os muito ricos e poderosos donos das grandes redes de supermercados, conquistando milhares de cestas básicas, garantindo, assim, alimento na mesa.

Desde 2020, o MLB realizou uma jornada nacional de luta pela moradia, realizando quase 40 ocupações, enfrentando a propriedade privada e a especulação imobiliária. Construindo mais casas que o poder público e mostrando que o caminho é a luta.

Conquistamos a seleção para a construção de mais de mil casas através do Programa Minha Casa, Minha Vida, 250 destas em Minas Gerais, contemplando a luta das ocupações Manoel Aleixo e Vicentão, dois grandes lutadores, que darão nome a um novo bairro na cidade de Sabará.

Realizamos grandes lutas pela urbanização do Vale das Ocupações, em Belo Horizonte, e hoje, as sete ocupações possuem ligação oficial de água e energia elétrica. Quase todas já possuem asfalto nas principais ruas, coleta de lixo e outros serviços.

Em 2024, realizamos importantes lutas. Em fevereiro, um acampamento de oito dias na porta da Prefeitura da Capital, contra o despejo das ocupações Carolina Maria de Jesus e Maria do Arraial. Em maio, ajudamos na construção da retomada do quilombo Manzo, uma luta ancestral, que foi fundamental para o fim da escravidão no Brasil, e que nos inspira até hoje na luta das ocupações. Em junho, ocupamos a Urbel para garantir o plano de urbanização da Ocupação Esperança na Izidora. Em outubro, a luta pelo asfalto na Ocupação Nelson Mandela, quando mais de 400 moradores enfrentaram a intransigência da Prefeitura, obtendo a vitória.

No dia 11 de dezembro, na luta contra o despejo da Ocupação Eliana Silva, 400 famílias das ocupações de Belo Horizonte se manifestaram na porta da Prefeitura, fazendo o poder municipal e o poder judiciário recuarem de suas decisões e acabar com a ameaça de despejo.

Como já disse o poeta Milton Nascimento, “se muito vale o já feito, mais vale o que será”. Devemos garantir que as reuniões do MLB aconteçam com periodicidade, assim como as assembleias. Devemos garantir os domingos vermelhos, realizando grandes brigadas do jornal A Verdade e recrutando novas famílias para a nossa luta, avançando a formação política e elevando a consciência de cada militante do movimento.

Ainda temos muito caminho a trilhar, mas a ousadia não pode nos faltar. Devemos ter alegria e entusiasmo em cada tarefa cumprida, pois a nossa luta é pela libertação da humanidade.

São tempos de revolução, camaradas. Um novo mundo não é apenas possível, mas inevitável. Se aproxima a construção de uma nova sociedade, sem fome e sem exploração, a sociedade socialista.

Vivam os 25 anos do MLB e o seu 6˚ Congresso!

Pela Reforma Urbana e pelo Socialismo!!!

Matéria publicada na edição impressa nº 308 do jornal A Verdade