UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

domingo, 1 de fevereiro de 2026
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Condenamos o ataque imperialista estadunidense contra a Venezuela e conclamamos à solidariedade com o povo venezuelano

A Conferência Internacional de Partidos e Organizações Marxistas-Leninistas (CIPOML) expressa sua mais enérgica condenação à pérfida agressão militar executada pelo governo dos Estados Unidos contra a República Bolivariana da Venezuela.

Os ataques aéreos e o sequestro do presidente venezuelano Maduro e de sua esposa — levados aos Estados Unidos após ameaças políticas e um bloqueio econômico que inclui a confiscação de navios mercantes, implementados por Washington, constituem uma clara violação do direito internacional e do princípio da autodeterminação, bem como um flagrante ato de pirataria.

A CIPOML considera que este ataque terrorista do imperialismo estadunidense busca castigar um povo que desafiou a hegemonia historicamente imposta no continente e que apenas demonstrou a determinação de controlar seu próprio destino e seus recursos naturais. Com este ataque contra a Venezuela, os imperialistas estadunidenses não tentam apenas se apoderar do destino e dos recursos do povo venezuelano; este ataque constitui uma ameaça e uma advertência para os povos do mundo, em particular os da América Latina e do Caribe.

O ataque à Venezuela ocorreu imediatamente após as tentativas de estabelecer a hegemonia estadunidense no Oriente Médio, que deve ser completamente depurado de forças antiamericanas, e depois que Trump, líder do imperialismo estadunidense, ameaçou intervir contra o Irã. Este agressor imperialista, que se autoproclama dono e polícia do mundo, ataca todo lugar e toda potência que considera um obstáculo, e deve ser detido.
O princípio da indivisibilidade da soberania sobre o continente americano, incluído no Documento de Segurança Nacional anunciado pelo imperialismo estadunidense no final de novembro e que representa uma atualização da Doutrina Monroe, é a base da brutalidade imperialista contra a Venezuela.

Este novo ataque imperialista contra a Venezuela é mais um passo em uma estratégia sistemática destinada a estabelecer o controle sobre países que optaram por trilhar seu próprio caminho. Neste contexto, a soberania da Venezuela faz parte da dignidade de seu povo. Portanto, a defesa da independência e da soberania da Venezuela deve ser uma prioridade irrenunciável para todas as forças progressistas e revolucionárias que aspiram a um mundo baseado na coexistência pacífica e no respeito aos assuntos internos.
Por isso, a CIPOML convoca urgentemente os trabalhadores e povos do mundo a se oporem ativamente a este ataque, que adiciona novos elementos de turbulência à situação internacional.

As vozes dos trabalhadores e do povo devem se erguer com força para defender a Venezuela. Reafirmamos que não permitiremos a violação da soberania e do direito de viver em paz de um povo que aspira construir seu futuro sem tutela estrangeira.

Conferência Internacional de Partidos e Organizações Marxistas-Leninistas
Comitê Coordenador
03 de janeiro de 2026

Trump bombardeia Venezuela e sequestra o presidente Maduro

A mando do ditador dos EUA Trump, Venezuela é atacada em várias regiões e presidente Maduro é sequestrado.

Redação


INTERNACIONAL – Na madrugada deste dia 03 de janeiro, o ditador dos EUA Donald Trump comandou bombardeios ao território da Venezuela e sequestrou o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, que se encontram em local desconhecido, até o momento, fora do território venezuelano.

De acordo com órgãos de imprensa dos EUA e da Venezuela o número de mortos no ataque pode ter chegado à pelo menos 80 pessoas, entre elas muitos militares que cuidavam da segurança do presidente Maduro.

Trata-se de um golpe de Estado em curso na América Latina, por uma potência estrangeira, com o objetivo de derrubar o Governo da Venezuela, se apossar do petróleo do país e criar novas bases militares para atacar toda a região.

Foram registrados ataques a instalações militares e infraestrutura civil na capital Caracas e nos Estados de Miranda, Aragua e La Guaira, com mortes de cidadãos venezuelanos. De acordo com a procuradora-geral dos EUA Pamela Bondi, Maduro será julgado por supostos crimes relacionados ao tráfico.

As informações foram confirmadas por meio de uma nota oficial do Governo Bolivariano da Venezuela e de um pronunciamento da vice-presidente Delcy Rodríguez.

“Diante do brutal e selvagem ataque ao nosso país, todos os planos de defesa nacional foram ativados, com a mobilização das Forças Armadas Bolivarianas e das forças populares”, afirmou Delcy.

Solidariedade irrestrita ao povo venezuelano!

Abaixo a intervenção imperialista na América Latina!

Reparação histórica: o professor João Batista Vilanova Artigas recebe título de Professor Emérito pela USP

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Foi realizado em 02 de dezembro de 2025, a Sessão Solene de Outorga Póstuma do Título de Professor Emérito ao arquiteto João Batista Vilanova Artigas. A homenagem, realizada no Auditório Ariosto Mila, integrou as comemorações pelos 110 anos do nascimento do arquiteto e marcou o encerramento da exposição “Vilanova Artigas: estruturas vivas”, dedicada a revisitar sua produção, pensamento e legado.

Alberes Simão| Petrolina (PE)


 

HISTÓRIA- A Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), presta uma homenagem histórica e profundamente simbólica ao outorgar, de forma póstuma, o título de Professor Emérito a João Batista Vilanova Artigas, um dos maiores arquitetos brasileiros e uma das figuras intelectuais mais comprometidas com a transformação social no século XX.

Vilanova Artigas não foi apenas um arquiteto de extraordinário talento. Foi um militante da cultura, um intelectual orgânico da classe trabalhadora. Artigas não foi apenas o projetista do icônico edifício da FAU na Cidade Universitária; ele foi o arquiteto de uma pedagogia transformadora. Foi militante histórico do Partido Comunista Brasileiro (PCB) quando teve contato com grandes intelectuais brasileiros como Mário Andrade, Oscar Niemeyer e Mario Schenberg, Artigas acreditava que a arquitetura deveria ser um instrumento de emancipação social, e não um luxo a serviço da especulação imobiliária.

Sua visão humanista e sua recusa em baixar a cabeça diante do autoritarismo fizeram dele um alvo prioritário do regime militar. Em 1969, através do nefasto AI-5, Artigas foi cassado, impedido de lecionar onde teve uma aposentadoria compulsória , assim como os demais professores da USP como Florestan Fernandes, Mário Schenberg, Jean-Claude Bernardet, Thomas Farkas e entre outros . A ditadura tentou apagar seu nome das salas de aula, mas não conseguiu derrubar os pilares de concreto e consciência que ele ajudou a erguer, que compreendeu a arquitetura e o urbanismo como instrumentos de luta política e emancipação social. Sua obra e sua prática docente sempre estiveram orientadas pela defesa do interesse coletivo, pela crítica ao individualismo burguês e pela construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

Fundador e principal formulador da chamada Escola Paulista de Arquitetura, Artigas rompeu com o academicismo elitista e com a arquitetura voltada ao lucro privado. Em seus projetos como o edifício da própria FAU-USP o espaço se organiza a partir da convivência, da transparência e do uso comum, expressando concretamente valores de solidariedade, democracia e coletividade. Sua arquitetura é, antes de tudo, uma arquitetura política, que rejeita a segregação espacial imposta pelo capitalismo e afirma o direito do povo à cidade. 

Artigas vem a falecer em 12 de janeiro de 1985, aos 69 anos. Sua esposa, Virginia, não queria que o velório ocorresse no prédio da FAU. Ela acreditava que Artigas morreu de desgosto pela forma como foi tratado pela comunidade universitária no momento de sua reintegração. O velório ocorreu no salão da Câmara Municipal, pelas mãos de um vereador do PCB que não sabia quem era o homenageado.

A importância dessa homenagem póstuma

A concessão do título de Professor Emérito, ainda que tardia, representa mais do que um reconhecimento acadêmico: é um. É a afirmação de que as ideias de Artigas perseguidas ontem permanecem vivas e necessárias hoje, num país marcado pela desigualdade urbana, pela mercantilização do espaço e pela exclusão social. Dentre os requisitos que fizeram o professor Artigas receber a outorga estão: A Defesa da Escola Pública: Artigas via a universidade como o laboratório da futura sociedade brasileira. O Desenho como Arma: Para ele, projetar espaços amplos e sem portas (como o próprio prédio da FAU) era uma lição de democracia e convívio coletivo. Resistência Intelectual: Sua trajetória recorda que o papel do professor vai além da técnica; é a formação de sujeitos críticos e comprometidos com a realidade nacional.

Em tempos de ofensiva neoliberal, em que a universidade pública é atacada e o pensamento crítico criminalizado, relembrar Vilanova Artigas é reafirmar o compromisso da FAU-USP, e de toda a comunidade acadêmica progressista, com um projeto de sociedade orientado pelas necessidades do povo, e não pelos interesses do capital.

Vilanova Artigas vive em cada espaço de convivência que projetou, em cada estudante que formou e em cada luta por uma cidade socialista, democrática e popular. Sua obra e seu exemplo seguem como ferramentas de combate e esperança na construção de um Brasil verdadeiramente emancipado.

Este momento não deve ser encarado apenas como uma celebração do passado. Em tempos de ataques constantes à educação pública e de avanço do pensamento reacionário no planejamento urbano, a figura de Artigas serve como bússola.

Homenagear um comunista é reafirmar o compromisso com uma reforma urbana radical, onde o direito à cidade prevaleça sobre o lucro, e onde a universidade se pinte, definitivamente, de povo.

 

VILANOVA ARTIGAS, PRESENTE!

Livro levanta questões sobre a causa palestina e aprofunda as origens do atual genocídio

O Jornal A verdade entrevistou o professor e pesquisador Pedro Lima Vasconsellos, que vem atuando e contribuindo em diversos debates sobre a causa Palestina e produzindo importantes obras que aprofundam os estudos sobre as origens do atual genocídio patrocinado pelo imperialismo internacional em sua sede por territórios e lucros. Para nosso jornal ele falou um pouco sobre seu ultimo livro, A Questão Palestina: a nervura religiosa da “catástrofe”.

Clóvis Maia| Redação


 

ENTREVISTA- Com o cessar-fogo de Israel entrando em vigor em 9 de outubro de 2025, a imprensa hegemônica tratou de “esquecer o assunto” quando se trata do genocídio na Palestina. Tal atitude era esperada. Apesar do acordo firmado, as inúmeras violações por parte do governo de Netanyahu continuam escancaradamente, bem como as propostas do governo dos EUA de transformar o território palestino em um resort para a burguesia internacional. Por parte dos órgãos internacionais, a postura que vimos durante todo o ano de 2025 se repete: uma crítica formal aos desmandos e crimes do imperialismo e quase nenhuma medida efetiva para barrar o massacre ainda em curso. Para contribuir com o debate sobre o tema entrevistamos o professor Pedro Lima Vasconsellos, que lançou esse ano o livro A Questão Palestina: a nervura religiosa da “catástrofe”, obra que aprofunda como o tema da religião perpassa a história cultural, política, geográfica e política da região no Mundo Árabe, envolvendo temas transversais como colonização, imperialismo e resistência. Pedro Lima Vasconsellos é filósofo, bacharel e mestre em Teologia, mestre e livre-docente em Ciências da Religião, doutor em Antropologia e pós-doutor em História, disciplina em que ele está ligado, onde leciona na Pós-Graduação da Universidade Federal de Alagoas (Ufal).

 

A Verdade – No livro “A Palestina é dos palestinos”, que você lançou em parceria com o Ualid Rabah, da FEPAL, se faz uma análise de como o sionismo procura descaracterizar em todos os sentidos o povo palestino. Uma das características muito utilizada é a questão religiosa, inclusive até para justificar a tensão que existe em todo território. Nesse livro com o Ualid você fala do uso da religião, aqui no Brasil, fazendo até uma provocação do uso da estrela de Davi. Qual a relação desse símbolo com tudo isso?

Pedro Lima Vasconcellos- A estrela de Davi está na bandeira deste estado que se impôs ao território palestino desde 1948. Então não é de se estranhar que esta bandeira com esta estampa compareça na propaganda sionista. Penso que é muito importante é refletir sobre os efeitos de uma imagem como essa. A minha formação acadêmica envolve estudos sobre a religião ou sobre as religiões. A questão palestina é atravessada de fio a pavio pelas referências religiosas de múltiplas expressões, de múltiplas colorações como talvez nenhum outro lugar no mundo, sobretudo por conta da história vivida naquele território, que é o território em que surgiram expressões como o Judaísmo, o Cristianismo e o Islã.

 

Foi essa questão temática e de formação que te levou a escrever “A Questão Palestina: a nervura religiosa da catástrofe?” como a religião moldou a colonização, passando pela Nakba até a atual fase desse genocídio?

 

Então, para escapar deste falso dilema, eu justamente escolhi este foco, seja pela minha formação, seja porque entendo que muitas vezes a questão é mal colocada. Nós não vamos entender o tamanho da tragédia a que o povo palestino está sendo submetido ignorando que naquele território, durante milênios, circularam tradições religiosas, surgiram sistemas religiosos que interagiram e conflitaram entre si. Tudo isso faz parte da história de uma Palestina de mais de 3 mil anos, e não é à toa que esses elementos estão presentes de maneira decisiva na configuração atual, nas cenas que nós presenciamos neste massacre em tempo real, a que nós estamos assistindo.

 

Como a questão da religião se apresenta nessa nova etapa do genocídio de 2023 pra cá?  Ainda há uma relação? A mídia hegemônica abandonou essa questão da religião para defender apenas a desculpa da ‘autodefesa’.

Basta ver que a manifestação da resistência palestina no dia 7 de outubro de 2023 teve como nome Dilúvio Al-Aqsa. Al-Aqsa é o nome de uma mesquita, ou seja, o lugar, o edifício religioso muçulmano por excelência, que fica no coração da cidade santa Al-Quds, ou seja, a cidade de Jerusalém, que é o lugar que o sionismo pretende ver derrubado para que em seu lugar, no lugar daquele complexo de Al-Aqsa, seja reerguido o templo judeu que há quase dois mil anos foi destruído pelo imperialismo romano. Não à toa que mais de mil mesquitas foram destruídas em Gaza nestes dois anos da agressão israelense sionista. Está em curso um processo de imposição de uma expressão religiosa naquele território, que é o judaísmo.

 

Hoje, quando vamos às ruas nos atos pela Palestina, notamos que há uma maior aceitação por parte da população em relação ao tema. Ao mesmo tempo sabemos que existe um setor muito conservador dentro de algumas igrejas brasileiras que ainda mantém esse discurso de ódio aos palestinos e defesa dessa ideia de justificar tamanha matança. Qual a preocupação com o tema para quem tá na militância defendendo o fim do genocídio?

O judaísmo sequestrado, instrumentalizado pelo projeto sionista, do qual o judaísmo, este próprio sionismo, se pretende o representante. Então, a questão religiosa neste cenário não pode ser ignorada, sob pena de nós perdermos capacidade de análise a respeito da densidade e da complexidade das questões que estão em jogo naquele território.

 

Em “A questão palestina: a nervura religiosa da “catástrofe”, Pedro Vasconcellos debate religião, política, colonialismo e sionismo, atualizando e aprofundando o assunto com lucidez e uma vasta pesquisa.

 

 

Poesia | Heróis do Povo

Adrielly Fernanda| Pernambuco

No batente do sol do nordeste
tem sangue, coragem e flor.
tem Manoel, tem Emanuel,
tem o povo semeando amor.
Manoel Lisboa, menino sabido,
que lia o mundo e queria mudar,
fez da ideia sua arma viva,
seu sonho, seu jeito de lutar.
Manoel Aleixo, homem da enxada,
sabia o peso da fome e da dor,
mas não baixava a cabeça pra
Manda-Chuva,
nem trocava justiça por favor.
E Emanuel Bezerra, marujo valente,
que o vento levou, mas não calou,
foi açoite na cara da ditadura,
e estrela que nunca apagou.
Os três viraram nome em rua,
verso em boca, lembrança e chão.
Mas mais que nomes, viraram exemplo,
Viraram farol da Revolução.
Foram presos, foram caçados,
mas o medo não teve vez,
porque quem luta por liberdade
não morre, nunca outra vez.

Trabalhadores terceirizados da Petrobras conquistam reajuste salarial após paralisação

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Assim que os trabalhadores paralisaram, o representante da empresa convocou uma reunião emergencial com sindicato e os trâmites finais do acordo foram agilizados, em cerca de duas horas já estava vencida a batalha

João Gabriel | São Paulo


TRABALHADOR UNIDO – No final de outubro, em São Sebastião, litoral norte de São Paulo, os trabalhadores da manutenção do terminal aquaviário da Petrobras se uniram em uma paralisação de duas horas no inicio do turno.

O protesto reivindicou que o fossem imediatamente pagos os salários reajustados com base no acordo realizado entre o sindicato e a empresa contratada. Apesar do acordo ter sido concluído em 4 setembro, a database para o reajuste foi em maio deste ano, e desde então os trabalhadores terceirizados vivem a angustia de não contar com o aumento conquistado no inicio do ano.

“Hoje foi um dia histórico, eu nunca tinha visto isso antes, todo mundo da empresa se uniu para lutar!”, relata trabalhador terceirizado que pediu para não ser identificado.

Assim que os trabalhadores cruzaram seus braços, o representante da empresa no terminal convocou uma reunião emergencial com o sindicato e os trâmites finais do acordo foram agilizados para atender a reivindicação dos trabalhadores, em cerca de duas horas, tempo que durou também a paralisação, já estava vencida a batalha.

Diante do aumento do custo de vida na região e o aumento do endividamento das famílias, cresce a indignação com os baixos salários que não chegam até o fim do mês. Em especial com categorias que cumprem a mesma função em empresas públicas, mas com menos direitos e salários menores, vitimas da onda de privatizações e terceirizações que vivem as empresas públicas no Brasil.

Essa tendência existe desde o final da década de 90, quando o governo de Fernando Henrique Cardoso acabou com o monopólio de extração do petróleo brasileiro pela Petrobras, mas se acirrou com a reforma trabalhista de Michel Temer, que permitiu que fosse possível terceirizar ramos inteiros da produção.

A partir daí, apesar de afirmarem que a “modernização da CLT” iria diminuir o desemprego, a realidade é que a burguesia terceiriza para aumentar a exploração e crescer seus lucros, uma vez que trabalhadores terceirizados recebem cerca de 25% a menos que funcionários contratados direto pela empresa, sendo também são as maiores vitimas de acidentes de trabalho como apontam relatórios do dieese.

Não bastasse a superexploração, terceirizados tem direitos negados. O principal receio durante a organização da luta era a ameaça de perseguição e demissões, em especial de trabalhadores que se posicionam e reivindicam seus direitos ou melhorias simples nas condições de trabalho.

Considerando isso, o núcleo do MLC de São Sebastião decidiu que o trabalho deveria iniciar por uma pauta simples: o direito de estacionar suas bicicletas em segurança, já que a empresa passou a proibir que fossem guardadas dentro do estacionamento.

“Era necessário mostrar que a união dos trabalhadores é fundamental para defender nossos direitos, mesmo com os riscos de perseguição. Os terceirizados sem lutar já são ameaçados de desemprego, o caminho é se unir e lutar com força. Mas, também era inadmissível achar que é normal quem ganha menos ter que deixar suas bicicletas no sol e chuva amontoadas na entrada, enquanto os encarregados e chefes guardam seus carros caros dentro de um estacionamento seguro. Sem os terceirizados o terminal não funciona e dependemos das nossas bicicletas para chegar aqui e trabalhar”, diz Clarice, coordenadora do núcleo do MLC na cidade.

A paralisação no maior terminal de transporte de petróleo da américa latina ensinou os trabalhadores a vislumbrar oque a classe operária unida é capaz, como diz o relato do mesmo trabalhador: “essa greve é uma prova de que os trabalhadores organizados podem tudo.”

Mobilizações do MLB por um natal sem fome reúnem milhares de famílias em todo país

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Milhares de famílias em cerca de 15 estados do Brasil se organizaram neste dia 20 de dezembro para denunciar e lutar contra a fome e, principalmente, contra quem lucra com ela: as grandes redes de supermercados e do agronegócio.

Redação


LUTA POPULAR – Neste ano, foi declarado que o Brasil saiu do Mapa da Fome da ONU. Mas o que os dados revelam além disso é que cerca de 13,5% dos brasileiros ainda enfrentam insegurança alimentar moderada ou grave, e a fome (insegurança alimentar grave) atinge cerca de 3,4% da população.

Ou seja, hoje, quase 7 milhões de brasileiros se encontram em situação de fome, e, no total, são 27 milhões que não poderão desfrutar de uma ceia digna, mesmo após ter trabalhado o ano todo e muitos que trabalharão inclusive durante as festividades, sendo as mulheres e a população negra, os mais afetados.

Diante desse cenário, inúmeras famílias organizadas no MLB (Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas) não viram outra alternativa senão a da luta, como relata Pedro, metalúrgico da zona leste de São Paulo, 23 anos.

“Esse ato é muito importante pra demonstrar as coisas que muitas vezes a gente não vê no dia a dia, só de estar aqui você percebe como faz diferença as pessoas estarem unidas, organizadas, como faz diferença lutar por aquilo que é nosso por direito e que faz diferença pra nossa vida. Ver isso dá uma esperança, dá uma nova perspectiva pro nosso futuro”, afirma.

O mês de dezembro em geral é marcado pela solidariedade, comunhão, amor ao próximo, como justamente ensinou o lutador da causa dos pobres: Jesus Cristo. Mas, apesar de toda a fraternidade do nosso povo, uma realidade fica ainda mais evidente neste período, a realidade da fome.

Em contraponto, segundo a ABRAS (Associação Brasileira de Supermercados), em 2024, o faturamento do setor supermercadista foi de R$ 1,067 trilhão, representando 9,12% do PIB, sendo liderado o ranking de lucros pelo Grupo Carrefour, seguido por Assaí Atacadista e Grupo Mateus.

Por que é então que, com tanto alimento sendo vendido, o povo ainda assim, não consegue se alimentar dignamente?

Contradição se evidencia

No sistema capitalista, o capital, os lucros, como o próprio nome diz, são a prioridade. Os números revelam uma gigantesca contradição. Enquanto os donos das grandes redes de supermercados faturam bilhões por ano, a imensa maioria do povo brasileiro vive na miséria e com baixos salários mesmo trabalhando mais de 40 horas semanais e quase 7 dias por semana.

“O Brasil aprendeu a enfrentar a fome. A forte redução da insegurança alimentar mostra que o país construiu uma estratégia emergencial e eficiente de redução da fome. O Plano Brasil Sem Fome, lançado em 2023, consolidou essa estratégia”, destacou Valéria Burity, Secretária Extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome do Ministério do Desenvolvimento Social.

Como poderia o Brasil ter aprendido a enfrentar a fome, como diz o governo, se a raiz do problema não foi combatida? Haverão famintos no Brasil enquanto prevalecer o interesse de famílias como a Saadé – uma das principais donas do Grupo Carrefour – que declara uma fortuna de 34 bilhões de dólares.

Como relata Idália, 51 anos, auxiliar de limpeza nos metrôs em São Paulo, “é a minha primeira vez aqui no MLB e eu tô achando muito interessante porque eu vejo que as pessoas falam por aí que tá tudo bem, mas tá faltando moradia, alimentação”.

Quem luta, conquista

Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Alagoas, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Ceará e Sergipe foram alguns dos estados onde as famílias do MLB fizeram manifestações da campanha “Natal sem fome” realizada pelo MLB.

No Pará, onde 44,6% dos lares vivem com algum grau de insegurança alimentar foram conquistadas 100 cestas básicas.

No Estado de São Paulo, mais de 500 famílias ocuparam uma das lojas da Rede Bem Barato. Com cerca de 40 crianças e inúmeras pessoas idosas, resistiram mesmo em meio a forte repressão policial e saíram com a conquista de 250 cestas mais uma negociação em aberto para o recebimento de cestas mensais.

“Eu me senti muito triste porque enquanto a gente tá atrás de uma alimentação pra botar na mesa de quem tá faltando, eles vêm com aqueles escudos, aquelas bombas de gás, spray de pimenta para intimidar a gente, para ver se a gente sai. Mas nós somos muito fortes, somos um povo de luta! Eu não tenho medo da morte no MLB! Eu vou morrer na luta igual as outras morreram lutando!” relata Mônica, de 66 anos, militante do MLB há 6 anos.

No Rio Grande do Sul as famílias também conquistaram negociações com a rede Comercial Zarrari. Já em Santa Catarina, onde recentemente a polícia realizou uma operação para criminalizar militantes do MLB e a Unidade Popular, a resposta das famílias foi ocupando as ruas: foram vendidos mais de 70 jornais em uma grande panfletagem no centro, para dialogar com os trabalhadores do comércio da 6×1. Além da construção de um novo núcleo de base do MLB, com famílias decididas a lutar contra essa exploração e lutar por uma nova sociedade.

Pelo poder popular e Socialismo

Em todos os estados, a contradição mais evidente é a de que hoje, aqueles e aquelas que trabalham construindo as riquezas do país, são os principais afetados pela fome, já que o salário mínimo do Brasil é um dos mais baixos do mundo!

Roberto*, operário de 58 anos da cidade de Diadema (SP) conta: “Eu entrei nesse grupo agora, tô gostando muito. Em busca da nossa moradia, nossa cesta básica. Nós temos o direito de votar, mas não temos o direito de ganhar, quem ganha mais são os empresários, então nós estamos correndo atrás dos nossos direitos, do que é nosso por justiça. Nós não deveríamos ter que só trabalhar pra enriquecer mais o rico.”

A meta da ONU com a campanha “Fome Zero” é erradicar a fome no mundo até 2030. Entretanto, quem tem fome tem pressa e se esses quase 27 milhões de brasileiros precisarem esperar até 2030, a depender das vontades e interesses de meia dúzia de bilionários, sabemos o que irá acontecer.

O recado dado pelas famílias é claro: em luta estão e em luta seguirão. Enquanto houver fome no Brasil e no mundo se erguerá a bandeira do socialismo e da verdadeira pátria livre.

A luta LGBTI+ precisa ser contra o capitalismo

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A história da população LGBTI+, em especial de travestis e pessoas trans, é marcada pela violência, pela exclusão e pelo extermínio impostos a corpos negros e trabalhadores, revelando que não há saída possível dentro das instituições burguesas — apenas na luta organizada contra o capitalismo.

Marcela Bigonha | Brasília


A história da população LGBTI+, e em especial da parcela trans e travesti, é uma história de resistência contra um sistema que nos empurra para as margens, que nos caça nas ruas, que nos empurra para a prostituição como única forma de sobrevivência e que transforma nossa existência em alvo permanente de violência. Não é possível compreender a realidade LGBTI+ sem compreender também a realidade da classe trabalhadora e da população negra, que compõem a imensa maioria das pessoas expulsas da família, excluídas do trabalho formal e assassinadas todos os anos no Brasil. A luta contra a LGBTIfobia não é um debate abstrato sobre “representatividade”: é luta de classes, é luta contra a estrutura capitalista que produz os nossos corpos como descartáveis e extermináveis.

A burguesia tenta reduzir a pauta LGBTI+ a um marketing vazio, ao consumismo, à presença de uma ou duas pessoas “incluídas” nas estruturas de poder, como se isso fosse vitória coletiva. Mas a verdade é simples: não queremos uma travesti no topo, queremos destruir o topo. Não queremos integrar o povo LGBTI+ ao mesmo sistema que nos mata; queremos construir um novo mundo para todes que sempre viveram na base, na margem, nas vielas, nos becos, nas ocupações, nas periferias. Nossa luta não é por migalhas: é por tudo que o mundo pode nos oferecer, por todas as potencialidades humanas que podem florescer.

A experiência concreta da vida trans revela a profundidade dessa contradição. Travestis e mulheres trans são perseguidas pela polícia, estigmatizadas pelo Estado e empurradas para a violência cotidiana de um sistema que se sustenta justamente na superexploração dos corpos dissidentes. O capitalismo precisa dessa marginalização para seguir existindo: ele precisa expulsar, criminalizar, destruir e invisibilizar. Por isso, a luta trans é, em sua essência, anticapitalista. A existência trans desafia a normatividade que sustenta a ordem burguesa e, por isso, sempre foi tratada como ameaça.

Não existe luta LGBTI+ real se ela não enfrentar frontalmente as estruturas de classe e de raça. Não existe transformação possível enquanto o Brasil seguir como o país que mais assassina pessoas trans no mundo, com um genocídio silencioso que já dura décadas. Não aguentamos mais enterrar companheiras, irmãs, de ver nossos corpos marcados pela violência, de ver o Estado fingir que não vê, de assistir à mídia reproduzindo o ódio, de ver governos, inclusive ditos progressistas recuarem diante da pressão conservadora.

A cada travesti assassinada, a cada jovem LGBTI+ expulsa de casa, a cada pessoa negra e pobre que tem negado o direito de existir, fica evidente que não haverá solução dentro das instituições burguesas. O parlamento não vai nos salvar; o judiciário não vai nos proteger; o Estado burguês, que é estruturado para reprimir a classe trabalhadora, nunca reconhecerá plenamente nossa humanidade. É por isso que a luta LGBTI+ se quiser ser verdadeira, precisa assumir caráter revolucionário, precisa compreender que “inclusão” sem transformação estrutural é só uma nova forma de controle.

A grande tarefa diante de nós é organizar a rebelião que já pulsa nas ruas, nos coletivos, nos movimentos de moradia, nos centros acadêmicos, nas escolas, nos territórios onde a população LGBTI+ constrói suas próprias redes de sobrevivência. Essa rebelião precisa ser canalizada para o projeto político capaz de destruir as bases materiais dessa violência: o projeto da revolução socialista brasileira.

Somente uma sociedade socialista, construída pela classe trabalhadora organizada, pode garantir que nenhuma pessoa seja tratada como sobra, que nenhuma travesti seja assassinada, que nenhuma lésbica seja estuprada como “correção”, que nenhum jovem LGBTI+ seja expulso de casa, que nenhum corpo seja impedido de existir. Somente uma revolução que destrua as estruturas que nos oprimem poderá abrir caminho para uma nova sociedade, onde a liberdade de gênero e sexualidade não seja apenas tolerada, mas celebrada como parte da grande libertação humana.

O movimento LGBTI+ precisa abandonar de vez a ilusão liberal da representatividade vazia e assumir sua vocação histórica: ser parte da luta pela derrubada do capitalismo e pela construção do socialismo. Somos filhes da classe trabalhadora, vítimas de um sistema que nos mata e sobreviventes de uma violência que já dura gerações. E, por isso mesmo, somos parte indispensável da revolução que está por vir.

Porque o capitalismo só nos oferece violência, miséria e morte. Portanto, não temos nada a perder com a revolução – apenas as correntes que nos aprisionam.

Distrito Federal tem a maior desigualdade de renda do Brasil

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Enquanto grande parte dos trabalhadores do DF precisa se virar com menos de dois salários mínimos, gestão de Ibaneis Rocha acentua desigualdades e concentra riqueza na mão daqueles que já são ricos.

Vítor Ventura- DF


Divulgada no início de dezembro, a pesquisa Síntese de Indicadores Sociais (SIS) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou o resultado de um governo voltado para os interesses dos empresários e não do povo como o de Ibaneis Rocha: o Distrito Federal é a unidade da federação com a maior desigualdade de renda do Brasil.

O levantamento, com dados referentes a 2024, mostrou que o DF registrou o maior Índice de Gini (0,547) da distribuição do rendimento domiciliar per capita da Região Centro-Oeste. Isso significa, na prática, uma alta desigualdade de renda. Quanto mais próximo de 1, mais desigual é a região analisada. A título de comparação, o Índice de Gini do Centro-Oeste foi de 0,485.

Além disso, 15,3% da população da capital federal, cerca de 431 mil pessoas, têm rendimentos abaixo da linha da pobreza. Os dados comprovam a realidade que a classe trabalhadora do DF enfrenta todos os dias, na qual poucos ganham muito enquanto muitos ganham pouco. Ao mesmo tempo em que é visto um aumento da desigualdade de renda na capital do Brasil, aqueles que ganham pouco continuam trabalhando muito, seja em empregos na escala 6×1 ou em cargos PJ precarizados sob a falácia do “empreendedorismo”, que na prática retira direitos trabalhistas.

Somado a essa questão, a pesquisa do IBGE revelou outro problema estrutural vivido diariamente no DF: a taxa de desocupação da população de cor ou raça preta ou parda foi maior do que a da população de cor ou raça branca. Esses números, em 2024, foram 10,7% para pretos ou pardos contra 7,8% para brancos.

O levantamento observou ainda uma clara disparidade de rendas ao se comparar brancos com pretos ou pardos. Entre os 10% com menores rendimentos no DF, constavam 27,0% de brancos e 71,6% de pretos ou pardos. Por outro lado, ao se considerar os 10% com maiores rendimentos, a situação se inverteu: 66,0% eram brancos e 33,4% eram pretos ou pardos. Essa concentração de renda também foi observada nos anos anteriores, segundo o IBGE.

As desigualdades não param por aí. Como de costume no sistema capitalista, as dificuldades para as mulheres também foram acentuadas. Em 2024, assim como nos outros anos da pesquisa, a desigualdade no mercado de trabalho também se apresentou nas taxas de desocupação por sexo. Para as mulheres a taxa foi estimada em 12,0%, enquanto para os homens, 7,8%.

A população ocupada de homens declarados brancos ganhava (R$ 7.757), em média, 2,4 vezes mais que a população de mulheres declaradas pretas ou pardas (R$ 3.170). Os resultados indicam uma desigualdade estrutural, uma vez que esses diferenciais foram encontrados em todos os anos da série, de 2012 a 2024.

O projeto deste governo do DF é continuar fazendo com que os ricos fiquem mais ricos enquanto a maioria vive de migalhas. Os números do IBGE deixam bem claro que a desigualdade tem aumentado a cada ano, e não será diferente no ano que vem porque essa é a lógica que impera no sistema capitalista. Para que o lucro da burguesia continue aumentando, o sofrimento da classe trabalhadora, com salários de miséria e jornadas exaustivas, precisa crescer também.

Somente quem pode frear esse projeto promovido por políticos e empresários são os trabalhadores e as trabalhadoras organizados e mobilizados não só no combate à desigualdade, mas a todas as mazelas que não serão superadas até que o capitalismo seja superado e uma nova sociedade, a socialista, seja instaurada.

 

Moinho resiste aos ataques do estado fascista

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A favela do moinho, situada no bairro de Campos Elísios, é hoje a última favela do centro de São Paulo e tem sido território de disputa entre a resistência do povo trabalhador e a política higienista e gentrificante do governo de Nunes e Tarcísio de Freitas

Mabel e Felipe Fly | São Paulo 


LUTA POPULAR – A favela do moinho, situada no bairro de Campos Elísios, é hoje a última favela do centro de São Paulo e tem sido território de disputa entre a resistência do povo trabalhador e a política higienista e gentrificante do governo de Nunes e Tarcísio de Freitas. Mais de 800 famílias que habitavam a comunidade têm sido ameaçadas de despejo desde o ano passado.

A comunidade, que começou a se formar em 1980 no território de um antigo moinho abandonado, hoje ocupa cerca de 30 mil metros quadrados entre as linhas do trem, com mais de 350 moradias e comércios construídos nesse espaço.

A iminência do despejo, do desemprego e os ataques de perseguição política, ameaças e presença assediadora constante da polícia tem levado muitas das famílias a quadros de depressão e receio de retaliação.

Mais do que as paredes, o que os tratores colocam abaixo são décadas de trabalho árduo, são planos de vida, são as garantias de um teto na velhice de quem foi explorado toda a vida, como demonstra o relato das famílias ao jornal A Verdade.

Bruna* diz: “Moinho resiste! Eu vou ser uma das últimas a sair daqui. É triste, eu moro há 16 anos aqui, meus filhos nasceram e criaram aqui, nossa casa era de madeira, eu e meu marido suamos e lutamos muito pra construir nossa casa” e Judite* que vive no moinho há 19 anos e tem uma padaria desde 2015 conta da importância de ter uma casa na comunidade: “Antes de vir pro moinho eu vendia bala no farol e só tinha feito até a terceira série. Depois que vim pra cá fiz curso técnico, faculdade e criei meus três filhos”.

É através do enraizamento no território, do esforço diário e coletivo para a construção do barraco de madeira, depois da casa de alvenaria, que diversas famílias trabalhadoras garantiram na sua história no moinho que suas crianças dormissem sob um teto, diferente das demais 3759 que foram abandonadas pelo estado e hoje dormirão nas ruas.

Diversos representantes da social-democracia vieram até a comunidade, fizeram seus palanques, gravaram vídeos, apertaram as mãos das famílias prometendo que elas só sairiam de lá com a chave da casa na mão e, poucos meses depois essas mesmas figuras lavaram as mãos e abandonaram as famílias à própria sorte, algumas sem nada, outras com uma carta crédito que demanda documentos que as famílias não têm e só gera dívidas que nunca conseguirão pagar, e outras ainda com um auxílio aluguel de 700 reais que acaba antes mesmo de encontrar um local, uma vez que esse valor é irreal para qualquer família que busque moradia no centro de São Paulo.

A média do valor mensal do metro quadrado nos Campos Elísios hoje é de 54 reais por mês, ou seja, para que essa família consiga alugar um espaço no mesmo bairro onde criou raízes, identidade, pertencimento e mora hoje com esse auxílio aluguel, teria que se mudar para um espaço de até 12 metros quadrados. Essa metragem para uma pessoa que tinha sua casa construída é um absurdo, mas se considerarmos ainda que a maior parte das famílias são compostas por mães com crianças, é impensável, não passa de mais um desrespeito ao povo.

Essa é a real face do estado burguês: por um lado persegue politicamente e encarcera as lideranças da comunidade e por outro aponta para o povo: confinamento, rua ou sair do território onde viveu os últimos 40 anos para ir para as periferias cada vez mais distantes, tudo isso amparado pelo seu braço armado: cavalaria, choque, bombas e gás.

Moinho resiste!

O Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) e o jornal A Verdade estiveram presentes desde o primeiro momento dos ataques e seguem construindo a resistência junto às famílias e os demais movimentos do Comitê de Apoio ao Moinho. Mesmo com a perseguição política, os ataques sistemáticos e as demolições arbitrárias, muitas famílias seguem em luta e mostram os verdadeiros objetivos por trás da política do governador fascista.

Sinara* diz: “Não vou sair da minha casa. Não vou tirar meus filhos da escola, prejudicar meus filhos pra pegar uma bolsa aluguel, que ninguém encontra aluguel por aqui. Eles querem que todos saiam, pra quando a gente já estiver lá fora, se tiver algum problema a gente não conseguir lutar”.

Realizamos panfletagens semanais, porta a porta, e a cada semana mais famílias reafirmam seu compromisso com a luta pelo direito de morar dignamente e pelo socialismo. O comitê propôs ainda uma agenda de lutas para cobrar o poder público pelo não cumprimento dos acordos, e chamando as demais ocupações do centro que estão sob ameaça de despejo a se juntarem e fazerem um grande ato de denúncia e em defesa do centro para o povo.

Seguimos, dia após dia, no chão de barro, construindo uma sociedade em que ninguém mais viva sem ter a segurança de ter uma casa para voltar. Viva a luta das famílias do Moinho e viva o socialismo!

*Nomes fictícios

Grêmio Estudantil Emmanuel Bezerra vence gestão escolar autoritária

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O Grêmio Estudantil Emmanuel Bezerra (GEEB-IVP) faz recuar a gestão autoritária do Instituto Vivaldo Pereira, em Currais Novos, e segue atuando na escola mobilizando os estudantes

Gabriel Borges | União da Juventude Rebelião (RN)


JUVENTUDE – Depois de dias enfrentando arbitrariedades, perseguição política e tentativas explícitas de silenciar a organização estudantil, o Grêmio Estudantil Emmanuel Bezerra (GEEB-IVP) acaba de conquistar uma vitória histórica no Instituto Vivaldo Pereira, em Currais Novos/RN. Desde que os estudantes passaram a reivindicar o básico — uma sala para funcionar — a gestão escolar desencadeou uma ofensiva autoritária. Mesmo com diversas salas vazias e desativadas, a direção se recusou repetidamente a garantir um espaço, dificultando reuniões e inviabilizando o funcionamento regular do grêmio, fundado em 23 de outubro e eleito democraticamente no dia 30 do mesmo mês.

A perseguição começou quando os estudantes realizaram um ato pacífico de colagem de cartazes, cobrando aquilo que toda entidade estudantil precisa para existir, a gestão respondeu da pior forma possível: com ilegalidade. Sem diálogo, sem notificação e sem o direito de defesa, a direção anunciou a suspensão das atividades do GEEB-IVP. No entanto, a própria legislação brasileira é clara: não existe, em nenhuma lei, qualquer previsão de “suspender grêmio estudantil”. A Lei do Grêmio Livre garante autonomia plena às entidades estudantis, protegendo justamente contra esse tipo de abuso.

Vitória dos estudantes

Diante da arbitrariedade, o Grêmio não recuou. Protocolou um documento de defesa na 9ª DIREC, denunciando todas as irregularidades cometidas pela gestão. E foi quando aquilo que as direções autoritárias mais temem aconteceu: a verdade veio à tona. Foi reconhecido que o GEEB-IVP não cometeu nenhuma irregularidade, que o ato pacífico dos estudantes foi legítimo e que a medida da direção escolar era ilegal e nula, por violar a autonomia garantida às organizações estudantis.

A vitória do Grêmio expôs, de forma clara, o abuso cometido pela direção e reforçou a importância da organização da juventude dentro das escolas. Mas a perseguição não terminou com o protocolo do documento, após o grêmio publicar sua nota de repúdio e divulgar o vídeo entregando a defesa à 9ª DIREC, uma onda de hostilidade tomou conta da escola. Estudantes — e até ex-estudantes — manipulados passaram a atacar verbalmente os membros do grêmio, colando cartazes e tentando constranger quem ousou enfrentar as arbitrariedades. A gestão permaneceu em silêncio, alimentando um clima que lembrava antigos métodos autoritários que a ditadura militar  usava para destruir o movimento estudantil e perseguir os estudantes.

O Grêmio Emmanuel Bezerra está oficialmente de volta, mais forte, mais consciente e com sua legitimidade reconhecida por instância superior. A tentativa de perseguição fracassou — e, ironicamente, apenas reforçou a importância de um grêmio ativo, combativo e independente, fiel à memória de Emmanuel Bezerra, estudante potiguar torturado e assassinado pela ditadura militar fascista. O que aconteceu no Instituto Vivaldo Pereira não é um episódio isolado: faz parte de um cenário nacional onde a juventude enfrenta velhas estruturas de poder dentro das escolas. Mas também faz parte de uma nova fase histórica: a fase em que os estudantes não se calam mais.